DONA OLÍVIA, GLÓRIA TIJUCANA

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BUTECO DO EDU

A vida é mesmo cheia de surpresas e, durante essa semana, uma delas caiu-me no colo e foi – confesso! – motivo de muita alegria. Vou lhes contar, é o motivo que me traz aqui ao blog pela primeira vez em 2015.

No dia 24 de janeiro, um sábado, voltando da praia (tenho chegado na praia antes das 06h da manhã), decidi subir e descer a Estrada das Canoas e o Alto da Boa Vista para testemunhar, a cada quilômetro rodado, que o Rio humilha. Meu destino? A Praça Xavier de Brito, na Tijuca, uma das mais agradáveis da cidade que completa, em 2015, 450 anos. Mais precisamente o Bar do Pavão, numa das mais aprazíveis esquinas da cidade. E sempre que vou ao Bar do Pavão toco na casa amarela onde mora a dona Olívia (foto abaixo), amiga de minha avó paterna desde que meu pai era “um molecote”, é…

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Não há saídas limpas com políticas sujas!

do blog o castendo
Mapa União Europeia 2007

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Depois da política da troika que provocou o aumento brutal da exploração, das desigualdades e do empobrecimento dos trabalhadores, do povo e do país, o Relatório divulgado recentemente pela Comissão Europeia (CE) confirma a linha de continuidade de ataques a direitos laborais e sociais fundamentais. Entre outros importa relevar:
A persistência da ofensiva contra o direito de contratação colectiva que para além de afrontar a Constituição da República Portuguesa constitui uma ingerência inadmissível à soberania do país. Ao congratular-se com a aceleração da caducidade dos Instrumentos de Regulamentação Colectiva (IRCT ́s); ao defender que quantos menos trabalhadores forem abrangidos pela contratação colectiva, maiores serão as possibilidades de dinamização da negociação; ao pôr em causa as portarias de extensão; a CE demonstra que para eles, o processo de desregulamentação da legislação laboral não está terminado e que a redução de direitos e de salários, faz parte integrante da “cartilha” da sua política de retrocesso social e civilizacional.
O questionamento do aumento do SMN (aumento mais do que insuficiente), a omissão do incumprimento do Acordo que estabelecia os 500 euros a partir de Janeiro de 2011 eo facto de se considerar que a referida actualização poderá levar à perda de emprego,confirma que estamos perante uma monstruosa mentira. Acresce que o impacto positivona procura interna é desvalorizado quando se invoca o agravamento dos custos para asempresas e o aumento das importações. A ser verdadeira esta avaliação, então a economiaportuguesa teria sofrido um choque em 1 de Outubro com a actualização do SMN. Mas agrande verdade é que o valor acordado por outros, e que corresponde em termos líquidos a449 euros mensais, continua a deixar no limiar da pobreza cerca de 500 mil trabalhadores e trabalhadoras. Continuar lendo

Nova obra de Cédric Durand

Le capital fictif: Comment la finance s’approprie notre avenir,

por Jacques Sapir

Os leitores deste blog certamente conhecem Cédric Durand e associam-no a várias obras acerca da Europa, como a que ele dirigiu em 2013 [1] , ou acerca do Euro, como aquela publicada pela fundação ResPublica [2] . Entretanto, é menos conhecido que este brilhante jovem professor é o autor de numerosos artigos publicados em revistas prestigiosas [3] . Cédric Durand é um dos mais prometedores dentre os jovens economistas universitários franceses. É também por isso que se esperava a publicação do seu novo livro com ansiedade. Digamos sem rodeios, o resultado valeu a espera. Sua última obra, Le capital fictif, é um ensaio importante que tenta dar um sentido às derivas do capitalismo destes últimos quarenta anos e ao desenvolvimento da finança. Este livro é importante não só pelo assunto mas sobretudo pela abordagem que nos propõe, reabilitando a noção antiga, mas bem esquecida, de “capital fictício”. Ao assim fazer, ele abre um debate teórico importante, mas um debate também que não é SÓ teórico. Por trás do conceito perfilam-se desafios políticos importantes e, em particular, o do desapossamento (dépossession) realizado pelos financeiros.

Uma análise precisa

Os dois primeiros capítulos desta obra são consagrados às práticas da finança, naquilo que têm de mais escandalosas e também de mais reveladoras. No capítulo primeiro, depois de descrever as derivas individuais dos actores (e foram numerosas), ele mostra que estas têm pouco a ver com a cupidez pessoal, mas devem muito ao quadro sistémico no qual puderam ter lugar. É o caso de Jérôme Kerviel, tanto vítima como culpável, preso a uma lógica que o ultrapassava. Os diferentes escândalos que revê iluminam o cinismo, e também a dimensão do sistema, destas derivas financeiras. Deste ponto de vista, este livro é uma explicação rigorosa dos comportamentos que J. Wedel havia descrito na sua obra famosa sobre as derivas dos actores ocidentais da transição [4] . Sabe-se que este escândalo explode em 1998 com uma força temível e que dá lugar a um testemunho que convém reler de um dos responsáveis da CIA diante do Congresso dos Estados Unidos [5] . Num certo sentido, o escândalo da falência do fundo de investimento LTCM em 1998 prefigurava bem derivas da crise de 2007 [6] . Mas disto Cédric Durand está perfeitamente a par, pois defendeu há mais de dez anos uma tese notável (e notada) sobre a siderurgia russa na transição.

Esta constatação leva-o a interrogar-se sobre a responsabilidade dos economistas. Há naturalmente responsabilidades imediatas e ele mostra isso ao sublinhar o papel justificador que tiveram certas teorias em relação à desregulamentação muito interessada da finança, desregulamentação de que se sabia desde os anos 1990 ser portadora de crises graves[7] . Deste ponto de vista, pode-se lamentar que não esmiuce até uma análise particular a autores como Eugene Fama cuja teoria da “eficiência dos mercados” desempenhou um papel extremamente perverso no processo de liberalização da finança [8] . Mas é claro que esta responsabilidade deve-se também à utilização de uma metodologia profundamente irrealista que, como escrevia um epistemólogo reputado, Daniel Hausman [9] leva os economistas a negarem o impacto do ambiente sobre as preferências individuais: “A complacência generalizada que a maior parte dos economistas demonstra a propósito das pretensões da teoria económica e da sua má vontade quando se trata de considerar seriamente hipóteses psicológicas importantes é difícil de defender. A atracção por uma ciência separada é profunda, mas centrar-se sobre uma tal estrutura não se justifica e, ao assim fazer, cria barreiras não razoáveis ao progresso teórico e empírico” [10] . Estes procedimentos conduzem a privilegiar a ideia de uma auto-regulamentação da finança, às chamadas regras prudenciais. Mas estas regras são uma ilusão profunda [11] .

Resta analisar a lógica da instabilidade financeira. No segundo capítulo da obra ele mostra toda a pertinência das análises de H.P. Minsky [12] , mas também mostra que as mesmas estão incompletas. Com efeito, se bem que a análise pós keynesiana de Minsky seja de uma formidável eficácia descritiva, ela se inscreve num contexto particular, o do fim dos anos 1970 e dos anos 1980. Minsky não viveu tempo suficiente para ver desdobrar-se toda a lógica da financiarização da economia. É isto que leva Cédric Durand a desenvolver a ideia de que a finança e a financiarização actual das economias são um sintoma do Outono do capitalismo. Como diz um dos heróis da série Game of Thrones, vem aí o Inverno… Continuar lendo

A CGTP-IN exige a reposição efectiva do poder de compra do salário mínimo

A CGTP-IN exige a reposição efectiva do poder de compra do salário mínimo. A Frente Comum não abdica da negociação antes da discussão do OE para 2015. O STAL marcou protesto pela publicação dos ACEP.

O aumento do salário mínimo nacional (SMN) foi debatido numa reunião, dia 17, do grupo de trabalho sobre remuneração mínima garantida e política de rendimentos. A mesma questão irá a debate na Comissão Permanente da Concertação Social (CPCS), dia 30, informa a CGTP-IN numa nota.
Na reunião, foi patente «a “concertação”, cozinhada nos bastidores da própria CPCS», com vista à assunção de um «compromisso» entre o Governo e alguns parceiros sociais, afirma a Inter, que sublinha que tal se deve à pressão por si exercida e, sobretudo, à luta dos trabalhadores – que tornaram difícil ao Governo e ao patronato o arrastar de uma decisão que devia ter sido tomada há muito –, bem como ao crescente isolamento social do Executivo PSD/CDS-PP, quando se aproximam as eleições legislativas; contudo, tal «compromisso» não responde «às necessidades dos trabalhadores e das suas famílias».
Em cima da mesa estavam duas propostas bem distintas, «dois cenários»: a da CGTP-IN, que defende a actualização do SMN para os 515 euros, com efeitos retroactivos a partir de 1 de Junho deste ano, para os 540 euros em 2015 e para os 600 euros em 2016; e a posição de outras organizações, que buscam um ligeiro ajustamento, entre 500 e 505 euros, a partir de 1 de Outubro, abrindo mão de efeitos retroactivos e sem qualquer actualização até final de 2015.
A Inter opõe-se frontalmente à concretização deste cenário, pois:
– seria aplicar o valor que deveria ter sido implementado em 1 de Janeiro de 2011, em cumprimento do acordo subscrito pelo Governo anterior e os parceiros sociais, legitimando a má-fé negocial e o incumprimento dos compromissos assumidos pelo Governo e as confederações patronais; seria, também, abrir o precedente de romper com a actualização anual do salário mínimo, e aceitar, dessa forma, que, no futuro, os trabalhadores pudessem ficar reféns de decisões governamentais que adiassem, sine die, as respectivas actualizações salariais;
– seria também ignorar as perdas verificadas neste período, penalizando fortemente os trabalhadores pela diminuição do valor real que o salário mínimo deveria ter neste momento. A este propósito, a Intersindical lembra que o não cumprimento do acordo para os 500 euros em Janeiro de 2011 representa um roubo de 780 euros a cada um dos mais de meio milhão de trabalhadores que auferem o salário mínimo;
– fixar o valor do salário mínimo em 500 ou 505 euros era manter o valor líquido do salário na proximidade do limiar de pobreza, prolongando a situação «inadmissível» de pessoas que, apesar de trabalharem, continuam pobres;
– seria contribuir para o aumento da pobreza e das desigualdades, que está associado aos baixos e muito baixos salários. Continuar lendo