Combativo desfile do PCP afirma alternativa

do jornal avante

Inevitável é a luta

Há uma política alternativa capaz de promover o crescimento económico e a criação de emprego e de libertar o País da política das troikas e da submissão aos monopólios, cabendo aos trabalhadores e ao povo, com a sua luta, construí-la. Foi esta a mensagem central deixada no desfile que o PCP promoveu ao final da tarde de dia 9 na baixa lisboeta, que contou com a participação combativa de mais de mil militantes e simpatizantes do Partido.

Image 13189

 

O desfile, muito embora tenha sido convocado com apenas dois dias de antecedência, impressionou pela elevada participação e combatividade. Empunhando bandeiras do PCP e da JCP, panos, faixas e cartazes, os manifestantes trouxeram para algumas das principais e mais movimentadas zonas da capital (o Largo do Chiado, a Rua Garret e a Rua do Carmo e a Praça do Rossio) a exigência de demissão do Governo, primeiro passo para travar aquela que é a mais violenta ofensiva contra os direitos e garantias conquistados com a Revolução de Abril. «Demissão!», «Mais um empurrão e o Governo vai ao chão» e «Troikas, Governo e Cavaco são farinha do mesmo saco» foram algumas das palavras de ordem mais ouvidas.

Na sua intervenção, no final da marcha, Jerónimo de Sousa repudiou o «programa de bárbara austeridade contra os trabalhadores, os reformados e as famílias» anunciado pelo Governo, do qual constam o despedimento de dezenas de milhares de trabalhadores da Administração Pública, novos golpes nas reformas e pensões e mais cortes nos salários, direitos e funções sociais do Estado. Perante esta brutalidade, acrescentou o Secretário-geral do PCP, «os portugueses são confrontados com a necessidade da derrota e demissão do Governo. É esta a condição fundamental para que as medidas que agora estão no papel nunca sejam executadas e aplicadas sobre os trabalhadores e o povo português». Na luta pela demissão do Governo, referiu, assume grande importância a acção convocada pela CGTP-IN para o dia 25 de Maio em Belém.

Uma política de classe

Para o Secretário-geral comunista, a política do Governo e da troika está a aprofundar o desemprego a níveis inéditos. Segundo o INE, a taxa de desemprego situa-se actualmente nos 17,7 por cento, o que representa já mais de 952 mil trabalhadores desempregados em sentido restrito – e quase um milhão e meio em sentido lato. Nos últimos 21 meses (entre o 2.º trimestre de 2011 e o 1.º trimestre de 2013) foram destruídos quase 460 mil postos de trabalho. No que respeita aos jovens, que participaram no desfile em grande número e com imensa combatividade, a taxa de desemprego ultrapassa os 42 por cento.

Após acusar o Governo de ter como missão servir «os poderosos, o grande capital, mesmo que para isso tenha que levar ao desemprego geral, ao empobrecimento generalizado, às injustiças», Jerónimo de Sousa rejeitou que não haja alternativa a esta política de desastre: há dinheiro neste País, garantiu, desafiando o Governo a ir buscá-lo onde ele está, nomeadamente aos milhares de milhões enterrados no BPN, às rendas milionárias de empresas como a EDP ou a GALP ou às ruinosas Parcerias Público-Privadas, bem como à fuga de capitais para paraísos fiscais.

A solução passa, para o PCP, por uma política patriótica e de esquerda (ver caixa), que necessita de um governo capaz de a concretizar. Esta alternativa está nas mãos dos trabalhadores e do povo conquistá-la com a sua luta.

Seis opções fundamentais

A política alternativa, patriótica e de esquerda, que o PCP propõe assenta em seis opções fundamentais:

  • a rejeição do pacto de agressão e a renegociação da dívida nos seus montantes, juros, prazos e condições de pagamento, rejeitando a sua parte ilegítima, com a assunção imediata de uma moratória negociada ou unilateral e com redução do serviço da dívida para um nível compatível com o crescimento económico e a melhoria das condições de vida;

  • a defesa e o aumento da produção nacional, a recuperação para o Estado do sector financeiro e de outras empresas e sectores estratégicos indispensáveis ao apoio à economia, o aumento do investimento público e o fomento da procura interna;

  • a valorização efectiva dos salários e pensões e o explícito compromisso de reposição de salários, rendimentos e direitos roubados, incluindo nas prestações sociais;

  • a opção por uma política orçamental de combate ao despesismo, à despesa sumptuária, baseada numa componente fiscal de aumento da tributação dos dividendos e lucros do grande capital e de alívio dos trabalhadores e das pequenas e médias empresas, garantindo as verbas necessárias ao funcionamento eficaz do Estado e do investimento público;

  • uma política de defesa e recuperação dos serviços públicos, em particular nas funções sociais do Estado (saúde, educação e segurança social), reforçando os seus meios humanos e materiais, como elemento essencial à concretização dos direitos do povo e ao desenvolvimento do País;

  • a assunção de uma política soberana e a afirmação do primado dos interesses nacionais nas relações com a União Europeia, diversificando as relações económicas e financeiras e adoptando as medidas que preparem o País face a uma saída do Euro, seja por decisão do povo português seja por desenvolvimentos da crise da União Europeia.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s