EUA perdem força, mas aumentam presença na América Latina

do portal vermelho

O imperialismo dos Estados Unidos e seus aliados tem perdido força política
em toda a América Latina, mas faz crescer sua presença militar na região a olhos
vistos. Essa é a principal conclusão da Conferência Internacional sobre a
Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz, realizada neste final de semana
em São Paulo.

O encontro foi promovido pelo Centro Brasileiro de
Solidariedade e Luta pela Paz – Cebrapaz e contou com a participação de
representantes de 11 países, entre os quais os embaixadores da Venezuela e do
Vietnã no Brasil. E foi presidido pela presidente do Cebrapaz e do Conselho
Mundial da Paz, Socorro Fomes, que abriu o evento na sexta-feira (17) à
noite.

Atlântico Sul

No sábado (17), pela manhã, o evento
foi aberto com debate sobre “Ameaças à Paz no Atlântico Sul”, que abordou a
crescente presença dos Estados Unidos. Esta fase foi coordenada por Rubens
Diniz, dirigente do Cebrapaz.

Em especial, foi denunciada a revitalização
da 4ª Frota da Marinha daquele país, que impõe terror ao singrar os mares desta
parte do planeta, fortemente armada.

Rina Bertaccini, representante
argentina no evento, analisou a presença estrangeira no cone sul da América,
especialmente nas ilhas entre a Argentina e o continente antártico. Ela
denunciou a crescente presença da Grã-Bretanha e das forças da Otan
especialmente na Ilhas Malvinas.

“São 5000 estrangeiros ocupando aquele
território, com mais e mais instalações militares e a suspeita de que haja armas
nucleares ali instaladas”, afirmou Rina. Mas, ressaltou, mudanças no quadro
geopolítico da América Latina, que “não são apenas otimismo, mas possibilidade
concreta de enfrentar as ameaças, com novos governos que surgem com disposição
para isso”.

Atlântico Sul

Do mesmo modo, Ghillermo Borneu,
do Peru, disse que o quadro da presença do imperialismo na região tem mudado na
medida em que também mudam os governos em muitos países. Apontou, também, a
presença da China, que se contrapõe no campo econômico aos interesses do
imperialismo.

Ele citou o exemplo do petróleo. Lembrou que o governo
chinês fez recentemente aquisições de petróleo da brasileira Petrobrás e da
estatal venezuelana, pagando adiantado por entregas futuras. Isso, segundo
disse, torna a Venezuela menos vulnerável a pressões dos Estados Unidos.
Nova
cara

O jornalista brasileiro Igor Fuser completou a rodada apresentando
as diversas faces do imperialismo, que muda de nome e elege novos inimigos como
forma de justificar suas agressões. A própria interpretação de termos como
“paz”, “segurança” e “defesa”, mesmo na grande mídia, é apresentada na visão do
imperialismo.

Ele fez um histórico das fases do imperialismo, desde a
Guerra Fria, em que o inimigo era o leste europeu até os dias atuais, em que o
narcotráfico e o terrorismo são usados para acobertar as ações imperialistas na
América Latina e no mundo inteiro.

Política dos EUA

A atual
política dos Estados Unidos para a América Latina e Caribe foi o tema da segunda
mesa de debates da Conferência, neste sábado (18). Desta, participaram Enrique
Daza, da Colômbia, Bertha Oliva, de Honduras, Guillermo de La Paz Velez, de
Porto Rico e Ricardo Abreu Alemão, secretário de Relações Internacionais do
PCdoB, sob a coordenação de Ronaldo Carmona, do Cebrapaz.

Alemão analisou
as mudanças na fisionomia da política dos Estados Unidos para a América Latina,
frisando que, em verdade, o que tem ocorrido é um avanço nas agressões em todo o
continente. Ressaltou, contudo, que o surgimento de governos progressistas e
defensores dos interesses nacionais em muitos países se contrapõem a essa
política.

Todos concordaram em que a atual política dos Estados Unidos
ganhou uma nova roupagem com o presidente Barak Obama, mas, na prática, segue em
crescente ameaça. Daza expôs o drama da presença física de tropas ianques na
Colômbia, a título de combater o terrorismo, mas com a finalidade da
dominação.

Bertha Oliva, por sua vez, denunciou a dramática situação de
Honduras e outros países do Caribe. Citou até mesmo seu caso pessoal, pois seu
marido desapareceu após ser sequestrado e torturado por forças ligadas ao avanço
imperialista em seu país.

Povos em luta

A terceira parte
dos debates teve por tema a “Luta dos Povos Contra as Agressões”. Representantes
de vários países demonstraram como os povos de todos os continentes se
movimentam ao longo da história e no momento atual para rechaçar as agressões
dos Estados Unidos e seus aliados.

O sírio Eduardo Elias, presidente da
Federação das Entidades Árabes de São Paulo, relatou a atual ofensiva do
imperialismo no Oriente Médio. No caso da Síria, em especial, ele disse que a
tática do imperialismo tem sido a de fazer renascerem diferenças religiosas que
aquele povo havia conseguido suplantar a partir de meados do século
passado.

José Ramón, do conselho da Paz de Cuba, fez um histórico da
presença dos Estados Unidos naquele país. Lembrou que a ocupação territorial da
ilha, com a ainda hoje presente Base de Guantânamo, é um símbolo da agressão
imperialista em todo o continente.

J.K. Suleiman Rachid, da Palestina,
fez detalhado relato da situação no Oriente Médio e demonstrou que a criação do
estado de Israel nada tem a ver com o holocausto nazista e a Segunda Guerra. “A
história nos demonstra com fatos concretos que essa decisão estava tomada desde
muito antes dessa fase”, afirmou.

Ele disse que a posição da Palestina
contempla a existência de Israel, mas defende a imediata implantação do estado
palestino. Para isso, lembrou ele, é necessário que o governo israelense reveja
sua postura na questão dos territórios ocupados e reconheça o direito do povo
palestino de construir sua pátria.

O representante do Vietnã, Nguyen
Huynh, membro do Conselho Mundial da Paz, fez um histórico da luta do povo
vietnamita contra a agressão imperialista. E disse que a experiência de seu povo
serve de exemplo de que é possível derrotar o
imperialismo.

Solidariedade

Esta fase dos debates,
coordenada por Alexandre Araujo, do Cebrapaz de Minas Gerais, foi encerrada com
pronunciamento de José Reinaldo Carvalho, sobre “Solidariedade
Internacional”.

Falando em nome do Cebrapaz, José Reinaldo disse que “o
anti-imperialismo é a essência da solidariedade internacional”. Ele fez um
histórico das lutas solidárias ao redor do mundo e na América Latina e afirmou
que a afirmação das nações, em processos de mudança em favor da
auto-determinação dos povos e de uma sociedade mais justa e igualitária passa
pela derrota do imperialismo.

Comunicado

Ao final do
evento, foi aprovado um comunicado à opinião pública, leia a íntegra do
documento:

“Comunicado à opinião
pública

Realizou-se em São Paulo, nos dias 17 e 18 de junho, a
Conferência Internacional “A Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz”,
organizada pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
(Cebrapaz), que nesta ocasião saúda as organizações do movimento social, de
solidariedade e pela paz no Brasil, na América Latina e no mundo.

Na
ocasião foram condenadas as estratégias guerreiras do imperialismo
norte-americano e seus aliados, a militarização e todas as ameaças à
paz.

A Conferência reafirmou que o imperialismo em sua etapa declinante
está mais agressivo contra os povos, aumentando seus gastos militares, sua
monstruosa máquina de guerra e ações bélicas.

Exigiu-se que cessem os
bombardeios da Otan contra a Líbia e as provocações desestabilizadoras na Síria,
assim como a retirada das tropas de ocupação do Iraque e do
Afeganistão.

Durante os painéis e debates deu-se ênfase ao apoio à luta
pela libertação da Palestina, com a criação do seu Estado nacional independente.

Manifestou-se a indeclinável solidariedade com os povos
latino-americanos na luta por sua independência e soberania, pela democracia e a
integração, contra a ingerência do imperialismo estadunidense e a Quarta
Frota.

Tema bastante debatido foi a existência de bases militares dos
Estados Unidos e demais potências imperialistas em países soberanos. Foi
enfática a exigência do fechamento dessas bases.

Durante as exposições
dos conferencistas e nos debates surgiu com força a exigência do desmantelamento
da Otan e da abolição das armas nucleares.

Manifestou-se todo o apoio à
luta pelo fechamento da base de Guantânamo, pelo fim do bloqueio a Cuba e pela
libertação dos seus cinco heróis encarcerados injustamente nos Estados
Unidos.

A Conferência Internacional foi um marco na atividade do Cebrapaz
e organizações coirmãs e aponta para o fortalecimento da luta pela paz e da
solidariedade com os povos agredidos pelo imperialismo.

A Conferência
foi realizada num ambiente de unidade e confiança. Em todos os seus
participantes era forte a convicção de que o imperialismo não é invencível e
será derrotado.

São Paulo, 18 de junho de
2011

Cebrapaz”

De São Paulo, Jaime Sautchuk
Colaboração
Érika Ceconi

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