Fórum Social na África: avanços e impasses

outraspalavras

By Antonio Martins

7 de fevereiro de 2011

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Uma marcha esplêndida, seguida de um primeiro dia caótico

Uma imensa marcha, que durou horas e se esparramou por cerca de cinco quilômetros, sob sol forte, abriu no domingo mais um Fórum Social Mundial – agora em Dakar, Senegal. Voltar para a África, depois de 2007 no Kênia, tem dois sentidos destacados. Primeiro, incorporar à cultura do FSM um continente desprezado pelo capitalismo, mas muito importante para formulação de alternativas. Aqui, nasceu a humanidade. Aqui, está parte das riquezas naturais cobiçadas por grandes potências: Estados Unidos, União Europeia, China. Aqui, estão contribuições étnicas e culturais que influenciaram profundamente a América e podem influenciar a Europa, se a xenofobia ceder.

Além disso, o Senegal é um país árabe e muçulmano. Embora os ventos de renovação política que sopram sobre Egito, Tunísia, Yemem, Jordânia Argélia, talvez Líbia e Síria, ainda não tenham chegado por aqui, há a possibilidade real de dialogar com movimentos que compreendem o mundo árabe e querem transformá-lo.

A impressão dos dois primeiros dias é contraditória. A marcha de abertura foi imensa, talvez 50 mil pessoas. Revelou enorme diversidade: centenas de movimentos distintos, das distintas regiões da África, expressando uma enorme quantidade de lutas em curso. Foi muito mais impressionante que a abertura do FSM em Nairóbi, quatro anos atrás. Parece revelar um momento importante de mobilização social.

No segundo dia (7/2) — o primeiro de reuniões e debates –, há sinais graves de desorganização. O programa das atividades ainda não está pronto. A pequena parte que foi liberada refere-se às atividades do primeiro dia, e contém muitos erros. A reitoria da universidade cancelou a cessão de parte das salas que seriam destinadas ao FSM. Está-se tentando, de última hora, substituí-las por tendas. Mas algumas atividades já foram canceladas, o que frustra pessoas que vieram de muito longe — inclusive outros países e continentes –, com grande sacrifício.

Os problemas — e não apenas estes — sugerem que está na hora de fazer uma autoavaliação mais profunda sobre o FSM. Ela ceveria tentar identificar, inclusive, porque certos movimentos destacados na atualidade não se reconhecem no Fórum. Por exemplo, as próprias rebeliões no mundo árabe, ou as lutas dos estudantes italianos e ingleses. É hora de fazer perguntas

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