Europa não crê em vitória americana no Afeganistão, revela WikiLeaks

do site da folha

ANDREA MURTA
DE WASHINGTON

WikileaksNovos documentos diplomáticos americanos vazados no site WikiLeaks revelam que aliados europeus não creem em chance de vitória no Afeganistão e só continuam no esforço de guerra em deferência aos EUA.

Veja como funciona o WikiLeaks
Veja as principais revelações do WikiLeaks
Leia íntegra dos arquivos do WikiLeaks obtidos pela Folha

“Ninguém acredita mais no Afeganistão”, disse o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, ao embaixador americano na Bélgica, segundo memorando enviado a Washington.

“A Europa está lá participando por deferência aos EUA, mas não por deferência ao Afeganistão.”

O WikiLeaks vem divulgando desde 28 de novembro 250 mil despachos diplomáticos sigilosos trocados entre embaixadas americanas pelo mundo e Washington.

O escândalo expôs com franqueza inédita visões dos EUA sobre seus aliados e seus inimigos.
Van Rompuy também é citado no memorando sobre o Afeganistão dizendo, em dezembro de 2009, que os europeus esperariam apenas até o fim deste ano para ver progresso no país.

“Se não funcionar, está acabado, porque esta é a última chance”, teria dito ele.

Documentos vazados nos últimos dias mostram ceticismo dos EUA em relação à capacidade de ação de forças aliadas no Afeganistão.

Um dos países mais ofendidos foi o Reino Unido, ao qual a secretária de Estado, Hillary Clinton, fez um pedido apressado de desculpas para evitar perda de apoio.

Os vazamentos comprovam a vulnerabilidade dos EUA entre aliados neste que é seu maior desafio externo.

Vencer a guerra no Afeganistão era uma das prioridades do presidente americano, e é uma crescente necessidade política para ele — especialmente diante do acúmulo de derrotas no cenário doméstico.

Recentemente, Obama conseguiu fazer com que aliados da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) concordassem –ao menos oficialmente– em só entregar a responsabilidade total pela segurança do Afeganistão às forças locais em 2014.

Após isso, continuarão em número menor, com papel de assistência e treinamento.

A transição de responsabilidade deve começar já em 2011 em algumas regiões afegãs, a exemplo do que foi feito no Iraque.

Os prazos frouxos trouxeram discordância às alianças com alguns europeus, como britânicos, mais ansiosos em retirar logo seus homens do país.

Os EUA já haviam tido dificuldade em convencer os europeus a aumentar o contingente no Afeganistão no ano passado, quando Obama anunciou uma mudança de estratégia, com o
incremento de forças em solo.

Há hoje cerca de 30 mil soldados de aliados dos EUA no Afeganistão e cerca de cem mil soldados americanos.

Os EUA esperam para as próximas semanas a divulgação de uma revisão formal sobre o esforço no país.

Conselheiros de segurança da Casa Branca dizem que o que está em jogo não é uma mudança de estratégia, e sim ajustes e avaliação do progresso alcançado até agora.

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