Movimento de Mulheres na Nicarágua chama atenção para violência no âmbito do trabalho

do portal da CTB

23/08/2010
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Apesar de alguns avanços nas condições de trabalho das mulheres em empresas das Zonas Francas da Nicarágua, ainda há o que melhorar. Isso é o que afirma o 9º Diagnóstico do Movimento de Mulheres Trabalhadoras e Desempregadas ‘María Elena Cuadra’ (MEC): “Impacto da Crise Econômica na Vida das Mulheres Trabalhadoras da Zona Franca da Nicarágua”.

Dividido em três momentos, o Diagnóstico referente ao ano de 2009 tem o objetivo de chamar atenção para o impacto da crise econômica na vida das trabalhadoras da Zona Franca nicaraguense. Para isso, além de traçar um diagnóstico geral, o documento ainda faz estudos de casos com algumas empresas e realiza uma análise comparativa dos avanços e retrocessos dos deveres e direitos das trabalhadoras da Zona Franca dos anos 2001 e 2009.

Para elaborar o documento, MEC consultou a opinião de 1.000 trabalhadoras das Zonas Francas de Managua, Tipitapa, Granada, Sébaco e Chinandega. Entre os pontos abordados pela pesquisa, destaca-se a violência trabalhista, a qual, segundo o estudo, “mancha a dignidade da mulher na atividade do trabalho”.

De acordo com o Diagnóstico Comparativo de 2001-2009, a violência trabalhista custa alto para as diversas nações. Isso porque, além da perda de produtividade da vítima, ainda há custos legais e gastos com assistência. O estudo revela que, no ano passado, 3% das mulheres que trabalham nas indústrias ouvidas pela pesquisa foram chantageadas ou assediadas sexualmente, porcentagem menor que a de 2001, quando percentual era de 11%.

Avanço semelhante foi observado entre as mulheres que declararam não haver sofrido nenhum tipo de chantagem ou assédio: enquanto no ano de 2003 apenas 87% delas disseram que não sofreram esse tipo de violação, em 2009, a quantidade subiu para 96%. Em relação ao conhecimento de casos de chantagem ou assédio, no ano passado, 8% das mulheres revelaram que tinham colegas de trabalho que passaram por esse tipo de situação, metade da porcentagem registrada em 2001.

“Tem-se diminuído, gerando uma variação positiva de 8% na atualidade. Podemos dizer que dos 3% das trabalhadoras que sofreram de assédio ou chantagem sexual em 2009, 74,2% delas também asseguram haver visto casos similares com suas companheiras de trabalho. Dos 96% das trabalhadoras que não receberam chantagem ou assedio, 6,1% delas conhecem outros casos de assédios sexuais e de chantagens”, destaca.

Mesmo com o avanço, o Movimento de Mulheres Trabalhadoras e Desempregadas ‘María Elena Cuadra’ recorda a importância de continuar a combater essa violação aos direitos das mulheres. “A nível geral, pode-se dizer que há uma melhoria neste tema; mas, não obstante este avanço, tem-se que seguir avançando até chegar a ‘0’ por cento nos anos seguintes para que realmente digamos que também neste campo fazem-se cumprir nossos direitos”, comenta.

As violações registradas contra as mulheres não se restringiram somente a chantagens e assédios sexuais. Segundo a análise do MEC, 4% das trabalhadoras afirmaram que sofreram violência física de seus superiores no ano de 2009, 2% a menos do que o registrado no ano de 2001. Entretanto, o mesmo avanço não pode ser comemorado em relação à violência psicológica que, conforme o relatório, permanece com uma porcentagem alta de 28%.

“Podemos dizer que, apesar das melhoras que se tem visto ao longo do Diagnóstico, em alguns casos estas são mínimas e tem que seguir fazendo valer nossos direitos até que estes indicadores realmente denotem uma verdadeira melhora. Com muito mais ênfase na violência física, que em nenhum caso possível tem que se ver dentro de uma instituição de trabalho ou no lar”, ressaltou.

Fonte: Adital

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