UFRJ aprova cotas e ingresso só pelo Enem

Enviado por email para mim pelo Prefeito da UFRJ – Prof. Hélio Mattos

Conselho aprovou reserva de vagas para alunos de baixa renda oriundos da rede pública
 A UFRJ vai adotar o sistema de cotas sociais já no próximo vestibular. A medida, aprovada ontem de manhã em reunião do Conselho Universitário (Consuni) — órgão máximo da instituição formado por alunos, professores e técnicos —, facilitará o ingresso de estudantes de baixa renda vindos do sistema público de ensino.

Aluno do Instituto de Educação, Thiago, 18, é a favor da mudança | Foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia
Outra novidade que já valerá este ano é a adoção do Sistema de Seleção Unificada (SiSU) como forma de ingresso. A seleção será feita com base na nota obtida pelo candidato no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010.

Percentuais em aberto

No entanto, o Consuni não entrou em acordo em relação ao percentual de distribuição de vagas para as cotas e para o SiSU. A Reitoria quer reservar metade das vagas para o Enem; a outra metade seguiria o modelo de provas original da universidade. Já as cotas entrariam em 20% das vagas do Enem, ou 10% do total. A ideia não agradou a representantes de alunos e de funcionários, que defendem reserva de 50% das vagas às cotas sociais.

Outro motivo de discussão foi o critério para definir as famílias de baixa renda. A Reitoria sugeriu fixar renda mensal familiar de um salário mínimo e meio por pessoa (R$ 765). Parte do Consuni considerou o valor alto demais e propôs o piso de um salário (R$ 510).

Os pontos em aberto da adoção das cotas e do SiSU deverão ser decididos quinta-feira que vem, às 19h, em reunião extraordinária do Consuni.

O debate entre os conselheiros foi acompanhado por estudantes do Ensino Médio, membros da União Estadual dos Estudantes e movimentos étnicos. “Defendemos as cotas raciais, pois são uma forma de reparação ao povo brasileiro, que tem a maioria de sua população negra”, reiterou o coordenador da organização não-governamental Educafro, Wilson Dantas.

Já os pré-vestibulandos vindos de escolas públicas comemoravam ao saber das novas alternativas de ingresso. “Sou a favor, pois conheço muita gente boa na minha escola que não tem condições financeiras para competir de igual para igual”, argumenta Thiago Araújo, 18 anos, que estuda no Instituto de Educação do Rio de Janeiro e faz cursinho pré-vestibular à noite com o auxílio de uma bolsa de estudos.
 
UFRJ adota a política de cotas
Rio – A UFRJ vai adotar o sistema de cotas, para facilitar o ingresso de estudantes de baixa renda familiar e oriundos do sistema público de ensino. O benefício será válido, já para o ano de 2011. A proposta que foi aprovada na reunião do Conselho Universitário (Consuni) desta quinta-feira,  prevê ainda a manutenção do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), como uma das formas de acesso, e a adesão da universidade ao Sistema de Seleção Unificada (SiSU).

As questões mais específicas, como o percentual de vagas destinadas ao regime de cotas e a política de assistência estudantil necessária à permanência dos estudantes pela política diferenciada de acesso, não chegaram a ser definidas e serão discutidas na próxima quinta-feira.

A proposta original, encaminhada pela Reitoria, previa que 50% das vagas da UFRJ seriam distribuídas de acordo com o SiSU e as notas do Enem, sendo a metade restante oferecida em uma prova discursiva, seguindo o modelo tradicional de avaliação da UFRJ. Dentre as vagas do Enem, 20% seriam destinadas e estudantes do sistema público de ensino e com renda familiar per capita inferior a um salário mínimo e meio, perfazendo 10% do total de vagas.

Quatro em cada cinco pessoas que concluem o ensino médio no Rio de Janeiro, são da rede pública de ensino, mas 54% dos inscritos no concurso da UFRJ são estudantes de escolas particulares, o que indica que muitos estudantes da rede pública não tentam ingressar na universidade, mesmo com a gratuidade do último exame.

Apenas 6,29% dos estudantes da rede estadual de ensino conseguiram ser aprovados no último concurso de acesso à graduação na UFRJ, 12,32% daqueles oriundos de escolas particulares e 17,31% da rede pública federal de ensino médio.Esse bom aproveitamento das escolas federais levou o professor Marcelo Paixão, representante do Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas (CCJE) a propor que as cotas sejam restritas às escolas estaduais.

O professor Marcos Cavalcanti, representante do Centro de Tecnologia (CT), argumentou que o critério proposto para o recorte por renda familiar deveria ser revisto. De acordo com Cavalcanti, apenas os 10% mais ricos do país têm renda familiar per capita acima de um salário-mínimo e meio. Segundo dados do professor, a renda que realmente divide o país é de 300 reais per capita. Metade dos brasileiros teria renda inferior a esse limite e a outra metade superior.

O reitor Aloísio Teixeira enfatizou que a proposta discutida terá caráter experimental, sendo adotada em 2011 e ensejando debates posteriores mais profundos. O reitor destacou que mesmo que a universidade como um todo tenha um percentual superior a 10% de estudantes dentro do perfil proposto, isso não se dá em cursos como medicina e direito, nos quais a adoção desse percentual já seria uma medida claramente democratizante.

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Um pensamento sobre “UFRJ aprova cotas e ingresso só pelo Enem

  1. Estimada Camarada Márcia,
    De acordo com o que me permitiu, estou postando um artigo com ótima fundamentação histórica do jornalista e escritor boliviano Fortunato Esquivel a propósito do transcurso dos 39 anos do sangrento golpe fascista perpetrado pelo mais sanguinário dos ditadores bolivianos Hugo Bánzer Suárez, de triste memória.
    Para acessar aos artigos do autor deste artigo é preciso ser adicionado ao grupo Tribuna Boliviana, mas pelo Google é possível encontrar outras redes alternativas de perfil socialista ou latinoamericanista.
    Fraternalmente,
    Schabib

    Hace 39 años:
    Cuando el fascismo cortó la ruta al socialismo
    Fortunato Esquivel
    Pronto recordaremos un momento en la historia de Bolivia, cuando el conjunto de sus clases sociales se encaminaba decididamente a la construcción del socialismo, pero la ruta fue cortada por los reducidos pero poderosos grupos de intereses económicos, fuertemente ligados al fascismo y la embajada norteamericana.
    Hoy que la neoliberal despolitización masiva, arrastra a la muchachada, es preciso recordar esos días antes que la siembra del desaliento por los retrógradas se asiente y nadie crea en nadie.
    La muerte de René Barrientos Ortuño, generó un periodo de incertidumbre con militares progresistas y fascistas. Fue un periodo en el que su heredero Luís Adolfo Siles, no logró consolidarse, dando lugar al golpe del Gral. Alfredo Ovando Candia el 26 de septiembre de 1969.
    Ovando era considerado como un “duro” defensor del régimen fascista de Barrientos e instrumento de la política del Pentágono. Sorpresivamente se pasó al ala de los militares progresistas y junto a oficiales jóvenes destituyó a Siles Salinas (1).
    Al contrario de Barrientos, se presentó como un crítico de la entrega de las materias primas a capitales extranjeros. De inmediato anunció sus propósitos centrados en: Asegurar la soberanía nacional, consolidar la industria minera con fundiciones, refinerías y creación de la industria pesada, proteger el capital nacional, mejorar la situación social de los trabajadores, reestructuración de la economía rural y otras medidas calificadas de revolucionarias.
    Ovando derogó el Código del Petróleo, el decreto de reglamentación sindical y la Ley de Seguridad del Estado. Nacionalizó la Gulf Oil Company y estableció relaciones con la Unión Soviética. Los políticos de izquierda exiliados pudieron retornar al país. Todas estas medidas, motivaron a la embajada iniciar el proceso de conspiración que se concretaría en agosto de 1971.
    La contrarevolución fascista se aceleró después que un grupo de estudiantes universitarios de La Paz, establecieron un nuevo foco guerrillero en Teoponte. Salieron de La Paz, despedidos por el Ministro de Educación a quien habían convencido de su intención de iniciar un proceso de alfabetización.
    Entre los aprendices de guerrilleros estaban el folclorista Benjo Cruz, Néstor Paz Zamora, los hermanos Bonadona y otros comandados por Oswaldo “Chato” Peredo, hermano menor de los legendarios Inti y Coco Peredo Leigue, quienes habían peleado junto a Ernesto “Che” Guevara en la guerrilla de Ñancahuazú.
    En este contexto, la conspiración al interior del militarismo se fue consolidando. La izquierda tampoco daba tregua con sus exigencias de profundizar el proceso, provocando la renuncia de Ovando y la posterior instauración de un triunvirato, rechazado por el pueblo movilizado, que se decidió apoyar a Juan José Torres, otro militar calificado como progresista.
    El triunvirato duró 24 horas. Torres fortificado en la base aérea, derrotó finalmente a su contrincante el derechista Rogelio Miranda que pretendía tomar el poder a partir del Gran Cuartel de Miraflores.
    El 7 de octubre, Torres tomó el palacio de gobierno y organizó un gobierno militar-obrero. La mitad de su gabinete estaba en manos de obreros. La primera medida revolucionaria fue la rescisión del contrato de Mina Matilde y la segunda, la concreción de la Asamblea del Pueblo a partir del comando político ya organizado por la Central Obrera Boliviana (COB) y los partidos de izquierda.
    La Asamblea del Pueblo, tuvo las pretensiones de ser eminentemente obrera muy alejada de lo que fue el parlamento burgués. El nuevo órgano popular pretendía ser un instrumento de poder para avanzar con decisión hacia el socialismo.
    La Asamblea Popular fue inaugurada el primero de mayo de 1971 durante la marcha obrera que convocó a unos 50 mil trabajadores. Ese mismo día, se fundaba el Partido Socialista en base a la unión del Grupo FARO que tomó la iniciativa y al que se unieron Marcelo Quiroga Santa Cruz, Guillermo Aponte Burela y el grupo de Alberto Bailey Gutiérrez.
    El 22 de junio de 1971, la Asamblea Popular instaló sus sesiones en el Parlamento bajo la presidencia de Juan Lechín, quien actuó junto a Oscar Eid, Antonio Aranibar, Pablo Ramos, Jorge Ríos, René Zabaleta y otros que por su lado fundarían luego el Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR).
    Las deliberaciones durarían menos de dos meses, pues un parlamento absolutamente revolucionario desencadenó el golpe militar iniciado el 19 de agosto liderado por Hugo Bánzer Suárez y secundado por Remberto Iriarte, Florentino Mendieta, Humberto Cayoja y Andrés Selich, este último de ascendencia croata y ferviente “Ustacha”.
    El golpe fue cruento. Tras tomar el poder, Banzer mostró toda su dureza contra la COB y los partidos de izquierda que fueron reprimidos y prohibidos de actuar. Los datos oficiales, señalan la muerte de 96 personas y 560 heridos, pero otros aseguran cientos de muertos y miles de heridos y desaparecidos que hasta ahora no son reivindicados.
    MASACRE EN LAS UNIVERSIDADES
    El golpe de Banzer fue apoyado por el MNR y FSB, antes enemigos políticos y entonces unidos junto a empresarios privados, Comité Cívico cruceño y hordas paramilitares. Los asesinatos fueron múltiples, pero principalmente en las universidades de La Paz y Santa Cruz.
    El 23 de agosto de 1971 la Universidad de San Andrés (UMSA), fue atacada por el ejército. Un avión caza Mustang P-51 ametralló el edificio, mientras centenares de soldados hacían fuego con ametralladoras y lanzacohetes bazookas. Media hora después, varios centenares de estudiantes fueron tomados presos.
    Cinco universitarios murieron, numerosos resultaron heridos. Oficialmente 240 fueron presos conducidos al Regimiento Bolívar de Viacha, habilitado como campo de concentración. Entre los presos 30 estudiantes mujeres fueron sometidas a duros vejámenes.
    En la universidad Gabriel René Moreno (UAGRM), varios centenares de estudiantes y catedráticos quedaron encerrados en el recinto totalmente desarmados. Los militares con orden de Banzer y comandados por el “Ustacha” Andrés Selich, abrieron fuego desde el exterior.
    Unos 200 estudiantes estuvieron en el edificio repartidos en tres aulas del último piso. Todos fueron apresados por golpistas civiles entre los que se reconoció a Ernesto Morant, Jorge Chávez, Addi Curi, Freddy Mercado, N. Paniagua y otros (2).
    El 20 de agosto, los golpistas realizaban una marcha de regocijo en la Plaza 24 de Septiembre cuando un artefacto explosivo estalló a un costado de la tribuna de honor, provocando algunos heridos. Tras el estallido Selich ordenó eliminar a todos los detenidos: “No quiero presos ni heridos”.
    Los exaltados al mando de Ernesto Morant y Widen Razuk, asaltaron el edificio universitario con granadas de mano. La mayoría de los detenidos estaban en el paraninfo. Comenzó la masacre. Los paramilitares disparaban a mansalva, dejando sobre su propia sangre a 24 presos entre estudiantes, obreros y campesinos (3).
    Milagrosamente salvaron la vida ocho personas malheridas. Ellos fueron: Humberto Mur, Jorge Selum Vacadíez, Julio Jorge Nelson, Carlos Salvatierra, Vicente Quevedo, Antonio Aguilera, Luis Masone y Jorge Rodríguez.
    Otros ilesos por haberse refugiado tras un piano, fueron: Ciro Menacho, Alejandro Pérez, Dardo Suárez, Roger Tuero, Hernán Vaca y Napoleón Agulera. Un camión militar sirvió para llevar a los muertos hasta la morgue, los heridos al hospital en un jeep y los demás a la cárcel.
    En su libro “Nunca más para Bolivia”, Federico Aguiló señala que los heridos fueron alevosamente asesinados en el hospital por el médico neurocirujano Freddy Terrazas, quien disparó en su propia cama al dirigente campesino Vicente Quevedo, a los obreros Carlos Salvatierra y Antonio Aguilera.
    Otros hubieran corrido la misma suerte si los médicos Edwin Saucedo, Luis Kairolo y Rubén Dabdoub, no hubieron intercedido para que cesara tan vil actitud. Durante varios días grupos de jóvenes cruceñistas asediaron el hospital con intención de rematar a los heridos.
    Numerosos presos, fueron sacados de noche y llevados hasta el cementerio de La Cuchilla donde fueron asesinados y enterrados en fosa común. Lo notable fue que en esta masacre participaron varios médicos.
    Este mes recordaremos esa época de barbarie, cuando se inauguraron en ambas universidades las Facultades de Impunidades. Los golpistas de entonces comenzarían a exprimir hasta la última gota del Estado enriqueciéndose de manera ilegal. La memoria de estos acontecimientos ocurridos hace 39 años, no tiene que perderse en el tiempo y debe servir para que esta historia no se repita.
    //////
    Datos: (1) “Historia del Parlamento” – Valentín Abecia B.
    (2)(3) “Nunca más para Bolivia” – Federico Aguiló
    //////LPZ 04/07/10

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