Tensão sobe após ameaça de Chávez de romper relações com a Colômbia

da folha.com

DA EFE, EM CARACAS

A tensão diplomática entre a Colômbia e a Venezuela aumentou depois das declarações do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que ameaçou “romper relações” de maneira formal com a nação vizinha “nas próximas horas”.

A advertência de Chávez é feita três semanas antes do até pouco tempo ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, assumir a presidência no lugar de Álvaro Uribe.

O “novo ataque infundado”, como denominou Chávez na noite desta sexta-feira (16), acontece depois que o governo de Uribe disse ter “provas contundentes” de que chefes guerrilheiros colombianos estão na Venezuela, proibidos de se apresentar publicamente.

“Faço um chamado ao presidente eleito; lhe peço que tome distância de Uribe”, acrescentou Chávez, após anunciar que devido a este assunto não assistirá aos atos de posse de Santos.

Uribe “é capaz de qualquer coisa” porque “é um mafioso”, repetiu, sugerindo que o governante colombiano poderia ordenar um atentado contra sua vida.

“Nós não escondemos ninguém” e se algum colombiano irregular entrar ilegalmente na Venezuela o fará sem consentimento oficial, por isso que se funcionários do governo de Uribe “seguirem com suas loucuras, eu nas próximas horas vou romper as relações com a Colômbia e isso tornaria muitíssimo mais difícil que sejam restituídas depois que Santos assumir”, no dia 7 de agosto, acrescentou Chávez.

O chefe de Estado sustentou que esta última ação acontece porque Uribe “está brigado com Santos” e que por isso “está o sabotando”.

“Uribe está brigado com Santos, essa é a verdade. Santos nomeou como chanceler uma dama que já esteve aqui como embaixadora, eu a conheço muito, é amiga. María Ángela Holguín renunciou a Uribe, inclusive”, acrescentou Chávez.

Apesar de ressaltar que o sucessor de Uribe não é nenhum santo, Chávez destacou que ele expressou disposição de normalizar as relações, já “congeladas” desde meados do ano passado por uma denúncia colombiana similar.

“A Colômbia é uma nação irmã, só que chegou uma burguesia que nos odeia”, ressaltou Chávez e sustentou que, inicialmente, pensou em ir a Bogotá para “estender a mão” a Santos e “dar um sinal” rumo à normalização das relações.

O “congelamento” das relações colombo-venezuelanas obedeceu ao que Chávez chamou de acusações “irresponsáveis” do governo de Uribe sobre um suposto desvio de armas da Venezuela às forças guerrilheiras colombianas.

Posteriormente, em outubro de 2009, a situação piorou com a assinatura entre Bogotá e Washington de um acordo militar pelo qual soldados americanos podem utilizar pelo menos sete bases militares colombianas, pacto criticado por Caracas por “ameaçar” seu território e o de outras nações da região.

Horas antes do recente anúncio de Chávez de uma eventual ruptura formal de relações, seu ministro das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, anunciou o chamado para consultas do embaixador de Caracas em Bogotá, Gustavo Márquez.

Este disse no aeroporto de Bogotá, antes de entrar no avião que o levou de volta à Venezuela, que destacava a presença do embaixador dos EUA na Colômbia, William Brownfield, na entrevista coletiva do ministro colombiano de Defesa, Gabriel Silva, que foi o encarregado de anunciar as “provas contundentes” da presença de chefes das guerrilhas de seu país na Venezuela.

“É preciso destacar a presença do embaixador Brownfield”, porque se trata, disse, “de uma ação onde se concentram, de um lado, a política de ação do Departamento de Estado dos Estados Unidos e infelizmente o governo do presidente Álvaro Uribe”.

Márquez lembrou que a invasão americana ao Iraque foi precedida de denúncias sobre “provas da existência de armas de destruição em massa” em Bagdá, o que igualou às “provas contundentes” de Bogotá sobre a presença de chefes guerrilheiros na Venezuela.

A apresentação dessas provas tinha sido anunciada pelo governo de Uribe. Finalmente, Silva disse que as apresentou apenas a diretores de meios de comunicação colombianos, advertindo que não autorizava sua divulgação por questão de segurança.

O prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, um dos líderes da oposição a Chávez, insistiu hoje que o governo de Uribe deve esclarecer as coisas e divulgar essas provas.

Também recomendou que o chefe da OEA (Organização dos Estados Americanos), o chileno José Miguel Insulza, viaje a Caracas e a Bogotá para tentar evitar uma escalada da tensão e pediu a Chávez e a Uribe para que atuem com responsabilidade.

“Faço um chamado a ambos para que atuem com maturidade e responsabilidade. Não é possível que estejam atuando como crianças brigando por uma piñata”, acrescentou.

Timoteo Zambrano, da MUD (Mesa da Unidade Democrática) que agrupa boa parte da oposição a Chávez, assinalou previamente que “não é responsável” denunciar sem apresentar provas.

“É imprescindível”, acrescentou Zambrano, que os dois governos depois verifiquem essas provas com ajuda internacional, embora tenha avaliado positivamente a reação do governo de Chávez de chamar seu embaixador em Bogotá”.

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