Um retrato da Palestina

do site carta capital

Por Juliana Sada*  

No mesmo período em que o governo israelense atacava a Flotilha da Liberdade, em uma simbólica demonstração de sua política com os palestinos, organizações da esquerda árabe-israelense e palestina se reuniam para mostrar que há possibilidade de convivência entre os povos. 

Era a 2ª Conferência de Haifa – Pelo Retorno dos Refugiados Palestinos e Por um Estado Laico e Democrático na Palestina Histórica. Além de organizações israelenses e palestinas, o encontrou contou também com representantes de entidades de outros países, entre elas do MST. O Escrevinhador conversou com Marcelo Buzetto, membro da direção estadual do MST/SP e também de seu setor de relações internacionais, que esteve na Conferência. 

Além de participar da Conferência de Haifa, Buzzeto entrou em contato com a realidade palestina e nos traz informações sobre a região que raramente aparecem na mídia: como sobrevive a população, como é o cotidiano dos que vivem nos territórios ocupados, quais suas demandas, como se organizam e resistem, além de uma contextualização histórica que ajuda a entender a região. 

Em 31 de maio quando Israel atacou a Flotilha da Liberdade, Marcelo Buzzeto, integrante do MST, estava na Palestina em contato com as organizações de lá. No relato exclusivo, ele conta a repercussão do ataque, que surpreendeu até quem convive diariamente com a repressão israelense. 

Como foi recebida a notícia do ataque às embarcações que traziam ajuda humanitária?
Com muita indignação e revolta, pois foi um ataque covarde, realizado contra pacifistas que levavam ajuda humanitária, estavam desarmados, e só se defenderam dos tiros disparados pelos fuzileiros navais israelenses. Imediatamente houve manifestações em toda a Palestina, tanto nas cidades controladas pela Autoridade Palestina na Cisjordânia, onde governa o FATAH, como em Gaza, onde governa o Hamas, e nas cidades controladas política e militarmente por Israel, como Haifa, Tel-Aviv e Jerusalém. 

Qual era a expectativa que os palestinos tinham em relação à esta ação humanitária? Já se esperava a retaliação?
O risco de retaliação já era esperado. Qualquer ação contra a violência praticada por Israel é uma ação bastante arriscada, pois o Estado de Israel é um Estado terrorista, com um governo nazi-sionista que não respeita os direitos humanos, nem as resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, nem os mais elementares princípios do direito internacional humanitário. Mas nos diziam os palestinos que não acreditavam que a brutalidade sionista chegaria a tal ponto de assassinar a sangue frio os internacionalistas membros da missão humanitária. Esperavam dificuldades, como tentativas de bloqueio com os barcos israelenses e tentativa de prisão, mas esse uso de força extrema contra cidadãos de várias nacionalidades, em águas internacionais, realmente surpreendeu a todos. 

Há esperança de que esse episódio traga alguma mudança à Palestina? Ou mesmo o fim do cerco?
Com certeza. A estupidez e a brutalidade do governo de Israel só fortaleceu o apoio internacional à justa causa do povo palestino e à luta para garantir o fim do cerco militar e econômico à Gaza. Pessoas, movimentos e países do mundo inteiro condenaram Israel, e agora o mundo se levanta a favor do direito do povo palestino de ter seu próprio Estado. O governo do Egito, pressionado pelas massas populares, já abriu a fronteira com Gaza, e mais de 5 mil palestinos já a cruzaram nesses últimos dias. 

A abertura de fronteira não foi a única reação internacional ao ataque, a maioria dos países condenou duramente a ação israelense, as relações com a Turquia – até então amistosas – estão abaladas e a ONU determinou que se investigasse o ocorrido. Entretanto, analistas crêem que dificilmente Israel sofrerá alguma punição mais severa, dado o apoio que recebe dos Estados Unidos. Ainda assim, muitos países pediram o fim do cerco e os EUA declararam estar procurando “novas formas de lidar com Gaza”. No Brasil, a Câmara de Deputados realizará uma audiência, ainda sem data, sobre o ataque, serão ouvidos a cineasta brasileira Iara Lee, uma das sobreviventes do episódio, e o embaixador de Israel no país, Giora Becker. 

*Matéria originalmente publicada no blog de O Escrevinhador 

Ao longo da semana o blog de O Escrevinhador vai publicar o restante da entrevista com Marcelo Buzzeto.

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