A Rússia não é um país para simplificações

O jornalista Renato Rovai , o qual costumo ler na revista Forum , está na Rússia e publicou estas impressões sobre Moscou em seu blog.  Achei rica em detalhes e compartilho com vocês.

do blog do Rovai

Depois de alguns dias em Moscou já dá para arriscar um pequeno texto. A sensação principal é de que a Rússia é um dos poucos países do mundo, e a cidade de Moscou em especial, onde três importantes momentos históricos convivem com seus marcos de forma relativamente equilibrada. São eles: os grandes monumentos, principalmente religiosos, dos tempos dos czares; as grandes construções do regime soviético, como o metrô que é uma impressionante obra de arte de uso público; e as novas marcas do capitalismo, simbolizadas principalmente pelo GUM, que se encontra na Praça Vermelha, foi um mercado do Estado e agora é um shopping center onde sofisticadas marcas disputam o metro quadrado mais caro do mundo.

A Rússia dos tempos de Putin e Medvedev talvez possa ser resumida a partir dessa lógica. Ela é um pouco dos tempos dos czares, um pouco do regime soviético e também um pouco e também um muito da lógica do capitalismo atual. Por isso talvez a Rússia atual seja tão enigmática para muitos observadores internacionais. Ela não é um país para simplificações. Por isso não vou cair na tentação de ficar explicando o país depois de alguns dias por aqui.

Mas é importante saber que Moscou representa aproximadamente 30% do PIB da Rússia. E por isso, por motivos óbvios, o desenvolvimento econômico é muito desigual por aqui. Moscou tem uma população idêntica a de São Paulo, 10,5 milhões de habitantes. A grande Moscou empata com a grande São Paulo, 20 milhões. Já a Rússia tem aproximadamente 30% a menos habitantes que o Brasil. São 140 milhões contra aproximadamente 192 milhões.

Moscou tem tecnologia de ponta e renda per capita próxima a das economias mais fortes da zona do Euro. No resto do país, excetuando-se poucas cidades como São Petersburgo, a situação já é mais parecida com a dos vizinhos do Leste Europeu, onde o desenvolvimento é precário e há grande nível de desemprego e pobreza. Diferentemente do Brasil, onde no governo Lula as regiões que têm mais crescido são aquelas onde há mais carência. Na Rússia, quem cresce são as grandes cidades. Por isso a crise financeira foi tão dura com o país e levou a uma queda de 8% no PIB em 2009.

Depois de 19 anos do fim do regime soviético, a Rússia não pode ser chamada de um país capitalista moderno nem de um país capitalista por inteiro. Mas ao mesmo tempo, ao menos os habitantes de Moscou não parecem ter saudades dos tempos do socialismo de estado onde o Partido Comunista dava as cartas. Ao contrário, aquela história que está preservada em vários monumentos da cidade parece ter virado um passado sem encantamento. Algo que ficou pra trás e para o qual as pessoas nem mais discutem a possiblidade de retorno.

Moscou, como já disse, não é a Rússia. Mas é difícil acreditar que qualquer mudança no país não passe por uma mudança de perspectiva daqueles que vivem nessa cidade

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