Tecnologia: Brasil tem urânio e sabe enriquecê-lo


Como ensina o Ministro Samuel Pinheiro Guimarães,o Brasil pode ter a terceira reserva de urânio do mundo.E só três países tem urânio e tecnologia para enriquecê-lo: EUA, Russia e Brasil
Paulo Henrique Amorim | Conversa Afiada

O Brasil deu hoje (5) mais um passo para dominar o ciclo completo de preparação do combustível nuclear. A Coordenação de Programas de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o Instituto Militar de Engenharia (IME) e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) iniciaram testes para a produção de tubos de zircônio, utilizados para armazenar urânio dentro dos reatores nucleares.

Segundo o coordenador do laboratório responsável pelos testes, Luiz Henrique de Almeida, a partir destes ensaios com ligas de zircônio, será possível desenvolver uma tecnologia para que, no futuro, a indústria nacional seja capaz de produzir, em escala industrial, os tubos usados no armazenamento do urânio durante o processo de geração de energia nuclear.

Vitor Abdala da Agência Brasil

Brasil inicia testes com metal capaz de armazenar urânio dentro de reatores nucleares

“O zircônio é o único material, que a gente conhece, que pode resistir ao esforço mecânico, à temperatura e à radiação dentro do reator. Dentro do reator, em função da radiação, ele sofre mudança de propriedade, então ele tem que ser preparado para evoluir junto com a sua utilização, de forma que ele possa trabalhar com segurança e sem vazamento”, explicou Almeida.
O ministro da Ciência e Tecnologia, Sergio Rezende, acredita que, com a tecnologia de armazenamento de urânio e a operação da fábrica brasileira de enriquecimento de urânio, nos próximos anos, o Brasil poderá tornar-se auto-suficiente na produção de combustível nuclear e, com isso, ser independente dos demais países.
“Se formos depender dos países desenvolvidos, realmente nós não vamos conseguir ter um programa [nuclear] bem-sucedido. É de todo interesse de muitos desses países que nós não sejamos independentes nessa área”, disse o ministro, que acredita que o Brasil dominará o ciclo completo do combustível nuclear dentro de quatro a cinco anos.
Atualmente, o Brasil importa os tubos de armazenamento de urânio de outros países. O país tem grandes reservas do mineral, mas ainda precisa enviá-lo para o exterior para ser enriquecido, isto é, para ser capaz de funcionar como combustível dentro do reator nuclear. Uma fábrica de enriquecimento de urânio, com capacidade de transformar o produto em combustível nuclear, está sendo montada em Resende, no sul fluminense, e deve ficar pronta nos próximos anos.

O laboratório da Coppe também vai realizar testes com ligas de titânio, usadas em setores como o de petróleo, aeroespacial e biomédico.

Edição: Lana Cristina

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