Entrevista Altamiro Borges: democratização da comunicação

do portal vermelho

Em Salvador para participar de evento do Centro de Estudos Sindicais na Bahia, o jornalista Altamiro Borges conversou com o Portal Vermelho e apresentou o mais novo projeto em comunicação que está à frente: o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé.

Altamiro Borges na sede do PCdoB-BA

Fundamentada no alicerce de democratização dos meios de comunicação, a entidade pretende uma atuação ampla no setor, desde a formação de jovens jornalistas ao fortalecimento dos pequenos meios e mídias alternativas. O Centro de Estudos será lançado no dia 14 de maio em São Paulo.

“A nossa idéia é criar um time permanente que vai estar antenado com a questão da democratização da comunicação no Brasil”, destacou Miro. Em pauta, um estudo sobre o panorama atual da comunicação comunitária no país, o papel dos meios de comunicação e a capacitação de comunicadores populares. Confira na íntegra:

Vermelho – De que se trata a entidade?

Altamiro Borges – Essa é uma idéia já de algum tempo, que ganhou força no processo do ano passado, da Conferência Nacional de Comunicação e que, agora, criamos as condições de viabilizar. É uma entidade com um Centro de Estudos sobre Mídia. A idéia é ajudar a fortalecer essas lutas pela democratização da comunicação; ajudar a fortalecer essas mídias alternativas já existentes, desde blog até rádio comunitária; promover estudos sobre a mídia, o que é que está rolando na mídia no mundo, no Brasil, na América Latina, mas não só na parte de diagnóstico, não só entender o que está tendo de concentração e manipulação, mas o que está pintando de novo; qual o papel da internet, das rádios e tevês comunitárias; entender essa chamada nova mídia e ajudar também na formação de comunicadores, desde os estudantes de jornalismo para que não sejam formados só com a mentalidade de querer ser a Fátima Bernardes e o William Bonner e, sim, dizer qual o compromisso ético do jornalista, qual é o papel do jornalista contemporâneo. Então, vai desde a formação de jovens jornalistas até formação de comunicadores populares. Nós temos no Brasil, hoje, 3,8 mil rádios comunitárias; se você colocar uma média de 10 pessoas em torno de rádio comunitário, você tem 38 mil comunicadores populares no Brasil em rádios. E como formar essa galera, a partir da experiência concreta dela? Então, são esses os objetivos concretos da entidade: fortalecer a luta pela democratização da comunicação, fortalecer a mídia alternativa, investir em estudo e pesquisa, e ajudar na formação de comunicadores.

V – Por que a escolha do nome Barão de Itararé?

AB– Nós resolvemos dar o nome em homenagem a um grande jornalista brasileiro, falecido na década de 70, Apparício Torelly, vulgo Barão de Itararé; uma belíssima figura que é considerada o criador da imprensa alternativa no Brasil e, também, o pai do humorismo no país, por sua irreverência e humor ácido à flor da pele. O próprio Barão de Itararé é um título que ele mesmo se deu. Itararé foi uma guerra que nunca houve durante a Revolução de 30; então ele é o Barão de uma guerra que nunca houve.

V – Como funcionará o Centro? 

AB – Nós estamos construindo a entidade, que vai ter um Conselho Consultivo muito amplo para ajudar a definir os passos. Quem está nesse Conselho, por exemplo, é Luis Nassif, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Viana; todas as entidades vinculadas à Rede Pública e à Rede Comunitária; o coordenador-geral da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), José Luiz Sóter; o presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários, Edivaldo Amorim Farias; Regina Lima, presidente da Associação de TVs Públicas, Educativas e Culturais; Orlando Guilhon, presidente da Associação de Rádios Públicas do Brasil. Também todos os sites e publicações progressistas do país; Carta Maior, Revista do Brasil, Retrato do Brasil, Revista Fórum. Na verdade, até agora era montar o alicerce. No dia 14 de maio, no Sindicato dos Engenheiros em São Paulo, a gente lança a entidade e, a partir daí, começamos a pôr em prática, a concretizar. O coquetel de lançamento vai ser precedido de um debate sobre mídia e eleições, com a presença do Paulo Henrique Amorim; Leandro Fortes, da Carta Capital; e Maria Inês Nassif, jornalista do Valor Econômico.

V – Como está o andamento das atividades?

AB– De imediato, realizamos um convênio com a Abraço para formação e pesquisa sobre como está a rádio comunitária no Brasil. Está pintando também uma parceria com a Associação Brasileira de Inclusão Digital, que é quem mexe com todos os pequenos provedores de internet, para ver como fortalecer essa galera na luta contra os gigantes da telefonia. Também já estão surgindo parcerias em outras áreas para a formação de jovens estudantes; nós já estamos começando a caminhar para ver projetos de estudo e temos a idéia, por exemplo, de produzir um livro sobre a rádio comunitária no Brasil, entender o que está rolando na difusão da rádio comunitária no país. Há a idéia de produzir também uma pesquisa sobre o sistema público de comunicação. 

V – E de que forma todas essas práticas que vocês estão pretendendo incorporar à entidade poderão, de fato, contribuir em torno da democratização dos meios de comunicação, que foi uma das principais bandeiras levantas durante a Conferência Nacional de Comunicação?

AB – Se a nossa entidade conseguir ter um pique de atividades, formar jovens estudantes, estudar o que rola em rádio e tevê comunitária, entender melhor como se dá a comunicação popular, a comunicação sindical, comunitária, estudantil. Se ela fizer isso, vai contribuir para criar uma militância pela democratização da comunicação. Se a gente consegue agregar toda essa galera em formação, em pesquisa, a gente consegue ir criando um time permanente, não um time esporádico, não um time para uma conferência; mas um time permanente, que vai estar antenado com a questão da democratização da comunicação, que é a contribuição que a Barão de Itararé pode dar.

De Salvador,
Camila Jasmin

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