Amorim se diz mais otimista sobre crise nuclear após conversa no Irã com Ahmadinejad

do globo.com

TEERÃ e BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu de uma audiência com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nesta terça-feira, em Teerã, dizendo-se mais otimista do que estava antes do encontro. Após conversar com Ahmadinejad, o chanceler brasileiro afirmou:

– As conversas em Teerã foram profundas, complexas, não definitivas, mas saio daqui mais otimista.

Logo após o encontro, Amorim embarcou de volta ao Brasil. O chanceler foi a Teerã preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, no próximo mês.

Horas antes, em entrevista coletiva ao lado do ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, em Teerã, Amorim voltou a defender a retomada das negociações para um acordo sobre a troca de combustível nuclear com objetivo de evitar novas sanções contra a República Islâmica. Amorim disse que o Brasil quer ajudar a resolver os conflitos sobre o programa nuclear iraniano. O ministro pediu que todos os lados envolvidos nas discussões mostrem “flexibilidade” para chegar a um consenso.

– Não há consenso político de que o Irã deve ser isolado ou que o Brasil seguirá esta direção – disse Amorim, reiterando o apoio brasileiro a atividades nucleares pacíficas no país, mas cobrando garantias. – O Irã deve ter atividades nucleares com objetivos pacíficos e a comunidade internacional deve ter garantias de que não haverá violação e desvios para fins militares.

O chanceler brasileiro voltou a dizer que espera que um acordo de troca de combustível, aprovado, em princípio, em outubro do ano passado, possa ser restaurado. O plano inicial era que o Irã enviasse 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Rússia e a França para ser transformado em combustível para um reator nuclear de pesquisas.

O governo islâmico disse, depois, que só aceitaria uma troca feita em território iraniano, mudança que as outras partes envolvidas não aceitam. Amorim disse que qualquer solução negociada deve excluir qualquer “ambiguidade” sobre o programa nuclear.

– A razão pela qual nós damos grande importância a esse acordo de troca de combustível nuclear é porque o acordo em si mesmo é importante e, em segundo lugar, cria confiança com a Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) e com alguns países do Ocidente – disse Amorim, enviado a Teerã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitará o Irã em maio. – Nós temos esperança de que esse acordo será feito, mas como qualquer outra negociação deve haver flexibilidade dos dois lados.

Amorim afirmou na segunda-feira ter saído otimista dos encontros que teve com o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, e o principal negociador do país para a questão nuclear, Said Jalili. Ele ouviu de seus interlocutores iranianos a garantia de que a política nuclear do país é para fins pacíficos, e não militares. Já o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que, enquanto o Brasil tenta uma solução pacífica para a questão nuclear no Irã, outras nações estão satanizando o país persa, ao propor sanções.

Um pensamento sobre “Amorim se diz mais otimista sobre crise nuclear após conversa no Irã com Ahmadinejad

  1. Tenho de ser sincero, o fato de Mahmoud Ahmadinejad ter controle de um reator nuclear me deixa bem preocupado… Mas em compensação posso dizer que confio bastante no nosso presidente, acho que ele sabe o que faz, mas acho que poderia ser mais cauteloso nesse assunto…

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