Serra rende-se a Deus e a Obama para chegar psicanaliticamente a Lula na luta contra Dilma

do site pátria latina

 
 

 

 Cesar Fonseca

 Serra, inconscientemente, manifestou o desejo de repetir Lula, ao pregar a união nacional, algo alcançado pelo titular do Planalto pelas políticas lulistas implementadas, que garantiram a ele mais de 80% de popularidade, ou seja, expressão exata da união nacional em torno de uma proposta política, econômica e social.
 
Divino marketing psicanalítico obamista para se aproximar de Lula. O candidato do PSDB, ex-governador José Serra, citou Deus duas vezes em seu discurso, demonstrando sua disposição de compartilhar o ato material de governar com a crença da ajuda da espiritualidade na ação humana na terra, onde o exemplo de Obama do “Nós podemos” transforma-se no lema serrista de “O Brasil pode mais”.
 
Ou seja, repeteco midiático da dependencia eterna externa do Brasil ao pensamento colonizado que vem dos países ricos, tanto no plano econômico, como político e sociológico. Globalização midiática eleitoral em marcha, envolvendo formas e excluindo conteúdos como arma de conquista do eleitorado na eleição presidencial de 2010.
 
Obama, sucesso mundial na eleição presidencial americana que despachou a canseira dos filhos de Tio Sam nos arroubos imperialistas fracassados da direita que havia colocado na Casa Branca o monstro W. Bush, mobilizador dos exércitos mais poderosos da terra para matar Saddam Hussein, ancorado numa mentira construída pelo Estado Industrial Militar Americano, assim cognificado por Eisenhower, em 1960, faz escola no tucanato nacional.
 
O povo que acredita no destino manifesto de ter sido escolhido por Deus para dirigir os povos na terra caiu na real quanto à impossibilidade de levar adiante os propósitos imperialistas, dados os deficits gigantescos que fragilizam o dólar, resolvendo, por meio do primeiro negro presidente da República, partir para o apelo à paz negociada multilateralmente, depois de perceber a impossibilidade de seguir adiante com o unilateralismo.
 
O “Nós podemos” obamista representa, fundamentalmente, a renúncia à estratégia de guerra, não por não acreditar nesse caminho, mas, tão somente, porque acabou o gás financeiro de Tio Sam na tentativa de continuar nessa jornada, mandando e desmandando no mundo. O destino manifesto teria que ser materializado por outras vias multilaterais, ou seja, pela cooperação política.
 
Serra , igualmente, apela para a cooperação geral ao copiar o marketing de Barack Obama, na medida em que ressalta se dispor a governar para todos os brasileiros sem divisões de classe, como se quisesse suprimir a essência do capitalismo que estabelece o antagonismo social, dado pela sobreacumulação de capital, como essência de sua própria existência.
 
O Deus ao qual apela Serra para ajudá-lo a governar implica na superação das classes sociais que dividem a sociedade sob o regime capitalista, para configurar sua consciência de classe segundo a qual “O Brasil pode mais”, debaixo do comando tucano na administração nacional?
Serra, psicanaliticamente em transe transcendental, aposta num apoio divino que o ajudaria a governar o país para além dos conflitos de classe?
 
Nesse caso, estaria implícito no seu programa de governo, que não apresentou em detalhes, no discurso de lançamento de sua candidatura, nesse sábado, em Brasília, uma nova proposta ideológica?
 
Ou mero jogo de palavras, que cuida de lançar neotucanato político de cores ideológicas indiferenciadas?
 
Tirante essas duas variações importadas na construção de um discurso que busca cores socialistas indiferenciadas, apoiando-se, de um lado, na divindade, e, na outra, no puro marketing do jogo de palavras, como expressão vazia de idéias mais consistentes, a essência serrista pouco ou nada tem de diferente da estratégia lulista abraçada por Dilma Rousseff, de continuar fazendo o que o titular do Planalto plantou, o que, por sua vez, é continuidade do que herdou etc.
 
Sopa de letras, eis o discurso de Serra, embora com conteúdos reais, que expressam seu compromisso com a democracia não apenas política, mas , sobretudo, econômica, na medida em que tenta se comprometer com a ampliação das oportunidades, dadas, por sua vez, pelos programas sociais que Lula dissemina, fortalecendo o mercado interno.
 
Vale dizer, Serra seria continuismo de Lula, que tem a proposta de ser substituido preferencialmente não por uma representação masculina, mas feminina.
 
O ex-governador paulista, portanto, conjuga Deus, Obama e Lula para chegar a uma síntese serrista que não tem nada de diferente de Dilma, que propõe algo semelhante, feminista.
 
Ficou dificil , depois de Lula, dar sequência a algo politica e economicamente diferente da opção lulista de fortalecer o mercado interno nacional mediante políticas sociais que distribuiram a renda, elevaram o consumo, fortaleceram a moeda e asseguraram poder relativo maior ao Brasil no contexto global depois da bancarrota financeira internacional na qual naufragaram as economias ricas, no momento, atoladas na paralisia do crédito, que as mantém estagnadas.
 
Serra elogiou a política econômica, mas ressaltou o lema obamista do “Nós podemos”, expresso no seu “O Brasil pode mais”, como se fosse uma novidade, quando ele mesmo historiou, rapidamente, que o que Lula fez foi seguir melhorando o que já havia sido iniciado por governos anteriores, da Nova República, especialmente, a partir de Itamar Franco, com o Plano Real, que, ao abater a inflação, via valorização da moeda nacional, abriu oportunidade para futuro anti-colonial para o país, embora, nesse período, a governança fosse dada de fora para dentro pelo Consenso de Washington.
 
Todos os ex-presidentes e o atual presidente neorepublicanos carregam as consequências das orientações econômicas imperialistas que os Estados Unidos baixaram durante suas crises monetárias, elevando juros, para salvarem o dólar, transferindo, consequentemente, para os países capitalistas periféricos as faturas em forma de arrochos salariais, monetários e fiscais, tornando impossível a sustentabilidade econômica dos emergentes, enquanto se dividiam entre si, quando, na verdade, deveriam se unir contra os que, de fora para dentro, os dividem.
 
Os limites dos discursos são dados pelos problemas externos que são internalizados pelas contradições do desenvolvimento do próprio capitalismo cêntrico, transferidas para a periferia, como se ela fosse o problema, na sua histórica dependência da poupança e das idéias externas.
Serra tenta opor-se à estratégia econômica lulista de sobrevalorização da moeda nacional, mas o peso do sistema financeiro, que joga com a poupança externa, para tentar fazer valer a necessidade de juros altos para combater a inflação, mostrou-se eficaz, já que não foi além do reconhecimento quanto à necessidade de sustentação do status quo.
 
O discurso de Serra terá agradado bastante os banqueiros e muito pouco aos trabalhadores, porque as demandas fundamentais que estão no Congresso, em andamento, como reposição salarial dos aposentados, bem como a pregação sindicalista pela redução das jornadas de 44 para 40 horas semanais ficaram ao largo de suas promessas sociais, igualando-se, nesse sentido, à defesa do status atual, também, pela ministra Dilma Rousseff.
 
Tanto Serra como Dilma , portanto, estarão, nos próximos anos, se eleitos. subordinados aos limites impostos pela crise mundial, que reclamaram deficits fiscais ampliados, cujas consequências, depois da crise, que ainda não acabou, são novas exigências de arrochos fiscais, impondo freios ao crescimento econômico nas periferias, eternametne, dependentes do capital internacional, pelo menos até agora. 
Texto: / Postado em 11/04/2010 ás 13:44
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