“Complô de solidariedade com o povo haitiano”

do granma.cu

Disse o presidente René Préval, após a assinatura do convênio sanitário com o Brasil e Cuba

Leticia Martínez Hernández e foto de Juvenal Balán, enviados especiais

PORTO PRÍNCIPE, Haiti. — Este foi um sábado feliz aqui, apesar de que poucos haitianos percebessem. E é que um país onde a mortalidade infantil supera os 80 mortos em cada mil nascidos vivos, aonde a esperança de vida não chega aos 60 anos, e onde milhares de pessoas morrem vitimadas por doenças como a tuberculose, a malária, a dengue… não podia viver melhor dia do que aquele em que foi assinado, ao mais alto nível, um plano para fortalecer os serviços de saúde e criar uma rede de vigilância epidemiológica.

Balaguer se reuniu com os membros do Contingente Henry Reeve.

A assinatura do memorando de entendimento entre os governos de Cuba, Brasil e do Haiti, fala dessa ajuda que perdura no tempo, e que nem as sacudidas mais fortes podem fazer cambalear. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPS), a proporção de médicos e enfermeiros no Haiti é de dois e de menos de um em cada 10 mil habitantes, respectivamente. A OPS calcula, também, que cerca de 80% dos equipamentos das instituições públicas de Saúde se encontram defeituosos ou fora de uso. Para curar as feridas deste sistema sanitário, em extremo lastrado, unem-se Cuba e o Brasil, no que o presidente haitiano René Preval qualificou de um complô de solidariedade.

Há algum tempo, a transferência de doutores, enfermeiras, reabilitadores… e de equipamentos médicos, para zonas bem afastadas, faz parte do cotidiano da Brigada Médica Cubana no Haiti, a qual entendeu logo que a ajuda oferecida, a poucas horas do tremor de terra que pretendeu apagar Porto Príncipe, não podia ficar aí. Por isso, agora os povoadores de lugares como Port Salut ou Lasil ficam mudos, de queixo caído, quando, pelas ruas que todos os dias percorrem, passam caminhões carregados de equipamentos sofisticados que nunca tinham visto. E que dizer daqueles que, numa manhã diferente em Corail, viram como um helicóptero trazia os médicos, latino-americanos e cubanos, que lhes salvariam do esquecimento, da morte precoce.

Assim, a ideia de Fidel de reestruturar definitivamente o Sistema de Saúde haitiano vai tomando corpo, agora com a ajuda inestimável do Brasil, país que, como disse o ministro de Saúde, José Gomes Temporão, “partilha com Cuba os mesmos princípios, a mesma filosofia”. Entre esses hospitais que deixarão de existir para ser melhores, está o de Croix des Bouquet, o maior hospital de campo feito pela Brigada Médica Cubana e que atende diariamente a mais de 700 haitianos. Em pouco tempo, o hospital abandonará o parque infantil e as barracas que por mais de dois meses o acolheram, para mudar-se com toda “sua tropa” a uma instituição de saúde quase em desuso.

Neste emblemático hospital, que mostra com orgulho, cada manhã, as bandeiras de Cuba e do Haiti, em meio a dezenas de casas de campo, o ministro cubano da Saúde, José Ramón Balaguer, disse a mais de 300 membros do contingente Henry Reeve que eram o orgulho de sua Pátria. Com eles conta o Haiti para semear saúde e da boa, em cada recanto de sua terra, para “invadir” cada povoado com médicos e equipamentos. Por isso, no sábado, quando o dia foi feliz aqui, os médicos cubanos e latino-americanos cantaram a coro aquilo de que “amo esta Ilha, sou do Caribe”, compromisso, em canto, de sua perdurável ajuda.

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