Campanha América da Paz divulga documento redigido no Fórum Social Mundial

do portal da CTB

As entidades que fazem parte da campanha “América da Paz” divulgaram nesta semana o documento redigido por elas durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre. A declaração, subscrita pela CTB e diversos movimentos sociais e populares, redes e organizações das mais distintas, reafirma a ideia de que o continente americano é um lugar pacífico e conclama a retirada das bases militares imperialistas que cercam a região.

Leia abaixo a íntegra do documento e as entidades que o subscrevem:

América Latina e Caribe uma Região de Paz – Fora Bases Militares Estrangeiras

Reunidas em Porto Alegre, Brasil, nos marcos dos eventos comemorativos do 10º aniversário do Fórum Social Mundial e frente a uma nova escalada agressiva do imperialismo, nós, movimentos sociais e populares, redes, organizações, das mais distintas latitudes, nos encontramos novamente em uma campanha como a que realizamos contra a ALCA, para afirmar que a América latina é uma região de Paz, para dizermos fora bases militares estrangeiras!

A América Latina há mais de uma década vive um processo de mudanças. Cresce a luta por sua soberania, por direitos e o bem-estar de seus povos. Ao mesmo tempo, o imperialismo estadunidense e seus aliados aumentam as ameaças aos povos e empreendem uma reação conservadora as transformações políticas que estão em curso.
Neste contexto, temos visto:

– a multiplicação das bases militares — com a criação de sete delas no território colombiano — e a assinatura de acordos com o Panamá para a instalação de 11 bases militares neste país.

– a invasão militar em nome da ajuda humanitária depois da catástrofe que ocorreu no Haiti;

– a reativação da quarta frota da marinha de guerra dos Estados Unidos, armada com artefatos nucleares e projetada para navegar pelas ricas águas oceânicas e de rios da América do Sul e do Caribe.

– iniciativas golpistas, como a ocorrida em Honduras, com suporte logístico da base militar dos Estados Unidos em Palmerola;

– planos para desestabilizar países como Paraguai, Bolívia e Venezuela;

– o recrudescimento das hostilidades e a manutenção do bloqueio contra Cuba;

– a criminalização da luta social.

A ampliação da presença militar dos EUA na região busca, além de intimidar os processos políticos de transformação na região, posicionar sua força bélica em zonas estratégicas de grandes riquezas naturais, como a biodiversidade da região amazônica e o petróleo encontrado em águas profundas do Atlântico Sul. Trata-se de um verdadeiro atentado à paz, à segurança e à soberania de todos os países da região.

Muito ao contrário do que difundem os círculos de poder e as forças conservadoras, o mundo não se tornou um lugar pacífico, nem seguro, nem estável. Pairam sobre a humanidade graves ameaças que põem em cheque a paz mundial, a segurança internacional, a democracia, a justiça social e a soberania dos povos e nações.

Na Ásia Central os Estados Unidos e seus aliados da OTAN incrementam os efetivos militares, intensificam a ocupação e a guerra, que inclui bombardeios e ações de terra arrasada contra a população civil. O Iraque continua em chamas, transformado em protótipo do novo tipo de colonialismo militarizado, inaugurado na era Bush e continuado pelo governo de Barack Obama.

Na Palestina ocupada, o povo mártir que vê seu território ocupado pelo Estado de Israel é vitima de um genocídio que acontece com o consentimento e a tolerância das potências estadunidenses e europeias.

Enquanto se ataca o direito internacional, a militarização atinge inauditos patamares. Crescem as despesas militares, multiplicam-se os artefatos nucleares, os Estados Unidos engendram novos planos de defesa antimísseis, a OTAN ratifica seu caráter agressivo, cresce a presença naval dos países imperialistas no Oceano Indico, enquanto que a África torna-se ainda mais vulnerável com a criação do AFRICOM, o comando militar dos Estados Unidos para o continente. Uma imensa rede de bases militares estende-se em todo o planeta.

Todo este poderio não é uma necessidade do mundo, mas do sistema econômico que o império impõe ao mundo. Os objetivos são os que sempre moveram o sistema imperialista – o controle dos recursos econômicos, das riquezas nacionais, o domínio dos mercados e a luta contra as transformações sociais.

A crescente militarização, expressa pelas mais de 800 bases militares estadunidenses ao redor do mundo, faz parte da estratégia do imperialismo de saída da crise econômica e política, de preservar seu modelo econômico, de se manter como potência hegemônica no mundo — utilizando, se necessário, a força para garantir tais objetivos.

As nossas organizações sociais condenam energicamente a escalada do militarismo. Temos profundas convicções democráticas, solidárias e de defesa da paz. Os povos tomam consciência de que a paz, oposta à militarização e às guerras imperialistas, é não só um valor a defender apaixonadamente, como um meio indispensável para assegurar a sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade com justiça social, democracia, direitos universais, distribuição da renda e da riqueza e soberania nacional.

Reafirmamos neste momento que o Haiti não necessita de intervenção militar e sim de que se respeite sua soberania, chamamos a todos os países a realizarem de uma cooperação solidária, com médicos, professores a serviço do povo haitiano.

Como latino-americanos patriotas e comprometidos com a solidariedade entre os povos, queremos dar a nossa contribuição à concretização de transformar estes nobres ideais e fazer da América Latina um território livre de bases militares estrangeiras.

América lática e Caribe uma Região de Paz!

Fora bases estrangeiras!

Organizações e redes internacionais:

Conselho Mundial da Paz – CMP
Aliança Social continental – ASC
Via Campesina – CLOC
Marcha Mundial de Mulheres – MMM
Jubileo Sul – Américas
Compa
Encontro Nossa América
FDIM
OCLAE
OSPAAAL

Organizações nacionais:

Mopassol
Cebrapaz
CTB
MST
CUT
UBM
CONAM
MAB
Consulta Popular
Assembléia popular
UJS
MOVPAZ
CMLK
Frente Nacional de Resistência

Para assinar, envie email para: americalatinadepaz@gmail.com

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