Cinco vítimas de ataque no Suriname podem retornar ao Brasil neste domingo

DO SITE DO UOL*

Cinco brasileiros que foram vítimas do ataque no Suriname devem voltar ainda hoje (27) ao Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, eles retornarão no avião da Força Aérea Brasileira (FAB) que levou dois diplomatas para acompanhar a situação em Paramaribo, capital do Suriname.

Na madrugada do último dia 25, um grupo de brasileiros sofreu um ataque na cidade de Albina (150 km de Paramaribo), em represália à morte de um morador local. O suspeito do assassinato é um brasileiro, o que levou à reação violenta dos surinameses que vivem na região.

A letra A marca a localização da cidade de Albina, na fronteira do Suriname com a Guiana Francesa, ambos vizinhos do Estado brasileiro do Amapá

O Itamaraty não soube informar o estado de saúde dos passageiros que voltarão hoje ao Brasil. O avião sairá no início desta noite com destino a Belém (PA). Os diplomatas, de acordo com o ministério, permanecerão no Suriname para fazer o levantamento das vítimas.

O embaixador do Brasil no Suriname, José Luiz Machado e Costa, retornou no final desta tarde de uma viagem a Albina para verificar a intensidade do ataque aos brasileiros e checar a situação de cidadãos que ainda estão na região. No entanto, a embaixada em Paramaribo não forneceu mais informações sobre o caso.

Costa foi a Albina como integrante de uma missão composta por oito pessoas, entre elas autoridades surinamesas, que têm por objetivo investigar o episódio. O grupo é escoltado por forças de segurança do Suriname.

O número de mortos e feridos não foi confirmado oficialmente, mas o último dado divulgado pelo Itamaraty dá conta de ao menos nove pessoas feridas em Saint-Laurent-du-Maroni, uma cidade vizinha, na Guiana Francesa, segundo informações repassadas pelo Consulado Geral do Brasil em Caiena (capital da Guiana Francesa). Entre estes feridos estaria uma grávida, que apresentou apenas um corte na mão, mas sofreu um aborto durante atendimento hospitalar. Ela já recebeu alta.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, ainda não foi confirmado se a mulher grávida localizada na Guiana Francesa é a mesma pessoa a que se referiu o padre José Vergílio em relato no site de uma rádio de Paramaribo.

Imagens divulgadas por uma rádio local mostram os prejuízos após o ataque a brasileiros


Outra informação, repassada pelo polícia local à Embaixada do Brasil no Suriname, fala em 14 brasileiros feridos na região de Albina. Entretanto, relatos dão conta de que ao menos sete pessoas morreram. O embaixador nega a existência de mortos no ataque e diz que deve divulgar ainda neste domingo a lista dos brasileiros feridos.

As autoridades do Suriname abriram uma investigação para apurar as circunstâncias do ataque. Segundo o ministro para a Polícia, Chandrikapersad Santokhi, vários suspeitos já foram presos. Ele afirmou que “não há justificativa para o que aconteceu”.

O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Antônio de Aguiar Patriota, conversou ontem com a ministra interina de Negócios Estrangeiros do país, Jane Aarland, que assegurou segurança aos brasileiros que moram no país.

O conflito
O ataque começou após o assassinato de um surinamês supostamente esfaqueado por um brasileiro durante uma briga em uma festa no local.

Moradores locais atacaram com facões e machados mais de 80 brasileiros, além de chineses, que vivem na cidade. Os surinameses teriam ainda estuprado mulheres brasileiras. Lojas e um posto de gasolina foram saqueados e queimados.

Albina, uma cidade com cerca de 5.000 moradores, é o principal ponto de cruzamento do Suriname para a Guiana Francesa. Os brasileiros que vivem na cidade trabalham, principalmente, no garimpo de ouro e estavam acampados à beira de um rio.

Essa atividade gera tensão entre brasileiro e surinameses, incluindo ameríndios, que enfrentam uma alta taxa de desemprego, e também quilombolas, chamados de “marrons”, que dominam politicamente a região fronteiriça, segundo o embaixador no Suriname, José Luiz Machado e Costa.

*Com informações de Rodrigo Bertolotto, em São Paulo, da Agência Brasil e das agências internacionais

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