Eterno e infinito. Até que acabe!

o site pátria latina

 

 Daniel Tame

 
Os olhos do planeta Terra, essa bolinha perdida na complexidade do Universo composto de galáxias, constelações e sistemas solares, e em que por obra do acaso ou por ação divina, brotou a vida em forma exuberante; estão voltados para Copenhague, a capital da gelada Dinamarca.
 
É lá que líderes e negociadores de mais de 190 países estão reunidos para discutir o futuro de um planeta cujos recursos naturais estão sendo sugados à exaustão.
 
Melhor seria dizer que eles estão decidindo se haverá futuro para a Terra e seus bilhões de habitantes. Um futuro que só será viável caso haja um freio na devastação, na emissão de gases poluentes, na exploração irracional dos recursos naturais e na explosão demográfica.
 
Especialmente nos últimos dois séculos e acentuadamente após a revolução industrial, os recursos naturais, que embora pareçam eternos e infinitos um dia irão se exaurir, passaram a ser “sugados” num ritmo maior do que poderiam suportar.
 
O chamado aquecimento global, que muitos insistem em qualificar como lenda ou alarmismo, é um fato concreto e suas conseqüências estão aí, com as mudanças abruptas de clima que resultam em inundações e secas prolongadas e que provocam tragédias de proporções bíblicas.
 
A oferta de alimentos já é menor do que a demanda. Milhões de pessoas em várias partes do mundo sofrem com a fome e a sede.
 
Fome e sede que atingem majoritariamente os países mais pobres, que foram os que menos contribuíram para a devastação e o aquecimento global, mas são os que estão pagando a conta.
 
Os chamados países desenvolvidos e/ou em desenvolvimento, exemplos notórios dos Estados Unidos e da China, simplesmente se recusam a frear o ritmo de exploração, como se o problema não fosse com eles.
 
É com eles e com todo mundo, porque embora divididos por fronteiras e barreiras, somos todos passageiros de uma mesma nave e sofreremos juntos as conseqüências de sua deterioração. Aliás, já estamos sofrendo.
 
A devastação do planeta e seus impactos não são algo subjetivo, distante. A gente sente no dia a dia.
 
Trata-se, portanto, de um problema global, que não pode ser enfrentado apenas com discursos bonitos e propostas mirabolantes, mas com ações concretas e imediatas.
 
Não é apenas o planeta que pede socorro, mas também a vida.
 
Não há, pelo menos num futuro próximo, condições de mudar de nave e migrar para outro planeta. Isso, por enquanto, é coisa de ficção.
 
Se a Terra morrer por exaustão, morremos todos juntos, numa espécie de suicídio em escala planetária.
 
O mais irônico disso tudo, se é que ainda se pode embutir ironia nessa espécie de tragédia anunciada, é que é o ser humano, em tese a mais perfeita obra da criação da vida na Terra, dotado de Inteligência e livre arbítrio, a maior ameaça à existência do planeta.
 
Lobo a devorar não apenas a própria casa, mas a própria carne.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s