Candidato do partido comunista chileno convoca a esquerda a se unir

do site opera mundi

12/12/2009 | Enviada especial Lamia Oualalou | Santiago A pedido do site chileno de notícias El Mostrador, o grafólogo Rodrigo Farías analisou as assinaturas dos quatro candidatos para a eleição presidencial de amanhã (13). Ele reconhece na escritura do candidato da direita Sebastián Piñera, que lidera as pesquisas, um caráter de “empresário incansável e oportunista”, enquanto julga que a assinatura de Eduardo Frei, o candidato da Concertação, a coligação de centro-esquerda, e a de um bom “administrador da estabilidade”.

O ex-socialista Marco Enriquez Ominami, que decidiu ser candidato com apenas 36 anos, ganha a qualificação de “garoto inteligente, encantador de serpentes”. Mas é o outro dissidente da Concertação, o também ex-socialista Jorge Arrate, que recebeu às palavras mais positivas. O grafólogo considera que ele tem a assinatura de “um idealista diplomático”: “Sua escritura é uma mistura interessante de idéias sólidas, mas expressadas de um jeito afável e diplomático”.
Pelo grafólogo, a forma aguda de algumas letras é signo de convicções rígidas, e vinculadas com o passado. As curvas da assinatura indicam, porém, um hábil negociador, “um sedutor capaz de harmonizar posturas diametralmente opostas”.   
Assessores próximos de Arrate asseguram sorrindo, que o grafólogo acertou em seus comentários.  E apoiadores e adversários de Jorge Arrate concordam numa avaliação: a candidatura de Jorge Arrate é a única que pode realmente ser qualificada de esquerda.
Divulgação
Jorge Arrete discursa em comício 

Mundo empresarial
O economista Roberto Pizarro, um veterano da Unidade Popular nos anos 1970, decidiu apoiá-lo. “É verdade que Marco [Enriquez Ominami] acabou com o velho modelo da Concertação, ele expressa uma demanda de participação dos mais jovens, e tem propostas bem progressistas. Mas economicamente, ele é muito liberal”, explica Pizarro.
De fato, o principal assessor econômico de MEO, como é chamado o jovem candidato, é o liberal Paul Fontaine, que já anunciou que na hipótese de um segundo turno entre Eduardo Frei e Sebastián Piñera, ficaria com o candidato da direita.
O mundo empresarial é  da mesma opinião. “Dos quatro candidatos, o único que nos parece perigoso para os negócios é Arrate, os outros tem mais ou menos a mesma proposta, com um pouco mais, um pouco menos de intervenção do Estado”, avalia um grande empresário, pedindo anonimato. “Mas tem que reconhecer que este homem tem firmeza nas idéias, é o único realmente coerente”, completa.
Denunciando a falta de primárias na escolha do candidato da Concertação, Jorge Arrate costurou uma aliança com a esquerda. A coligação “Juntos podemos”  tem como núcleo o Partido Comunista, que tem uma votação expressiva no Chile, apesar de não ter peso no Congresso, por causa de seu sistema eleitoral.
“Nossa candidatura era muito forte no começo, agora temos que reconhecer que perdemos apoiadores, que foram captados pelo fenômeno MEO, muito midiático”, conta Roberto Pizarro.
Divisão da esquerda
Poucos dias antes da eleição, Jorge Arrate convidou Eduardo Frei, e o independente Marco Enríquez-Ominami para conversar sobre uma aliança em um eventual segundo turno. O objetivo da aproximação entre os três seria evitar a vitória do opositor Sebastián Piñera, favorito nas pesquisas.
Para a analista política Marta Lagos, diretora de do instituto Latinobarómetro, “é importante entender que esta liderança de Piñera não significa que o Chile foi para direita. Se adicionar os votos de Frei, Arrate, e MEO, chega-se a um resultado bem superior a 50%. A única razão da provável vitória da direita é a divisão da esquerda”, explica.

“Minha disposição segue sendo a mesma, a disposição para sentar e dialogar. Não queremos La Moneda [o palácio presidencial no centro de Santiago] para a direita”, explicou Arrate durante uma entrevista à rádio Cooperativa. Uma aliança entre os candidatos de esquerda e centro-esquerda, anunciada antes do primeiro turno seria uma maneira de “notificar ao país que Sebastián Piñera não será presidente do Chile”, acrescentou.
Intenções de voto
O postulante da Concertação, Eduardo Frei, anunciou durante seu último comício que aceitava a proposta do candidato de “Juntos Podemos”. O ex-presidente (1994-2000) afirmou ter entendido o chamado de Arrate. “Ele nos convidou a trabalhar juntos na segunda volta, os progressistas, os democráticos, os que acreditam na liberdade e no respeito dos direitos humanos”, disse na cidade de Concepción.
O apelo de Arrate pode ter resultado no aumento das intenções de votos em seu favor. “Ele cresce à medida que MEO baixa”, analisa o sociólogo Eugenio Tironi. “Arrate esta atraindo os eleitores da Concertação que não querem votar no Frei, mas que fazem questão de não ser confundidos com a direita”, completa.
Tironi considera que uma boa votação de Arrate no primeiro turno seria um sinal positivo para a esquerda, “já que seus votos irão automaticamente para o Frei no segundo turno”. Isso poderia contribuir na mudança do cenário eleitoral
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