Escalada militar no Afeganistão

do jornal avante

Albano Nunes 

Entre outros, dois acontecimentos marcaram a evolução recente da situação internacional: o anúncio do envio pelos EUA de mais 30 000 militares para o Afeganistão e a entrada em vigor do Tratado de Lisboa da União Europeia. São acontecimentos emblemáticos dos tempos que vivemos e dos perigosos caminhos para que o capital está a arrastar o mundo na sua insaciável corrida ao máximo lucro.
Por detrás de dispendiosas encenações mediáticas e de cínicas tiradas sobre «direitos humanos», «segurança», «paz», «ajuda humanitária», o que avança é o militarismo, é o reforço de alianças militares agressivas, é a institucionalização de um complexo directório de grandes potências hegemonizado pelos EUA que não respeita nem lei nem fronteiras na exploração dos trabalhadores e na opressão dos povos e pilhagem dos seus recursos.

É certo que um tal rumo encontra pela frente crescentes dificuldades perante a forte resistência dos trabalhadores e dos povos, como no Afeganistão, o desenvolvimento de processos e alianças de natureza anti-imperialista e progressista, como na América Latina, a própria crise do capitalismo de cuja profunda recessão ninguém vislumbra o fim. Mas a natureza do capitalismo é o que é, e não tendo o movimento comunista e a frente anti-imperialista recuperado das derrotas do socialismo, ninguém pode esperar que desista dos seus propósitos agressivos.

A guerra no Afeganistão/Paquistão é bem elucidativa das perigosas tendências de desenvolvimento da situação internacional. Mesmo nos EUA, onde cresce rapidamente a oposição à guerra, são cada vez menos os que pensam ser possível uma vitória militar, e o humilhante desastre no Vietnam, é um fantasma que paira sobre a Casa Branca e o Pentágono. Porém, considerando a enorme importância geoestratégica do Afeganistão na Ásia Central (incluindo a fronteira com a China, a Rússia, o Irão e a proximidade da Índia) o Governo norte-americano, assume sem pudor o gigantesco embuste Hamid Karzai, lança-se numa escalada militar para que procura arrastar os seus «aliados» enquanto busca desesperadamente acordos, incluindo os próprios «talibã», que lhe permitam uma saída tão airosa quanto possível do pântano em que os EUA se estão a atolar. É um jogo complexo e perigoso a que, por antecipação, Sócrates deu o seu servil acordo, anunciando para Janeiro o envio de um novo contingente militar português. E a que a NATO prontamente deu o seu amen decidindo juntar ao contingente norte-americano pelo menos mais 7000 militares de vários países apesar da falta de entusiasmo da Alemanha e de outras grandes potências, que têm as suas ambições próprias e disputam aos EUA a maior fatia possível do bolo imperialista.

É necessário desmascarar junto dos trabalhadores e do povo a escalada militarista em curso e a sua expressão concreta no Afeganistão. O que Obama dirá quando em breve for formalmente entronizado como Prémio Nobel da Paz será com grande probabilidade mais um monumento de hipocrisia. Porque os factos são teimosos e o que nos mostram é que o militarismo não pára de crescer e que os EUA, que já tem espalhadas por todo o mundo centenas de bases militares, terrestres e aeronavais, continua a alimentar uma máquina de guerra gigantesca sem precedentes em «tempo de paz». O combate pelo desarmamento, contra o envolvimento de Portugal na espiral belicista e pelo regresso das tropas portuguesas no Afeganistão é uma tarefa patriótica e internacionalista da maior importância. É preciso lutar para que o nome de Portugal, para onde está anunciada a realização de uma importante cimeira da NATO no final do próximo ano, não fique ligado a um novo salto da política agressiva do imperialismo, como lamentavelmente o ficou com a «cimeira da guerra do Iraque» nos Açores e com o novo Tratado, neoliberal, federalista e militarista, da União Europeia.

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