O pensamento crítico de Ana Cristina Petta

do blog do Walter Sorrentino

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Ana Cristina Petta, jovem atriz, mãe de Maria, tem por companheiro Orlando Silva Jr., Ministro dos Esportes. Formada em família bastante politizada, desde cedo atuou na UJS, em Campinas, Ana Petta é dessas pessoas extremamente inteligentes, de pensamento crítico e muito agradável ao convívio. Atualmente está na Companhia do Latão, grupo teatral famoso e criativo, na série de TV 9mm, policial brasileiro que levou nova linguagem ao gênero no Brasil. É a principal coordenadora do coletivo nacional de cultura, recém constituído, do PCdoB. Demos-lhe a palavra para falar do teatro brasileiro, pelo ângulo da “redescoberta” do Brasil.

Ana, permita-me chamá-la afetuosamente de Tininha. Fiz a mesma pergunta a vários dos participantes de nossa conversa na área cultural. Vivemos um novo ciclo de redescoberta” do Brasil. No final dos anos 1950 e inícios dos 60, chegamos à Bossa Nova, ao cinema novo, copa mundial de futebol, o CPC e o teatro levando o povo ao proscênio, posteriormente a MPB… Enfim, o Brasil “bombou” no mundo naquele tempo. Hoje, como você avalia o panorama cultural pela ótica do que acontece no teatro nacional?
Observo que vivemos sim um novo ciclo de descoberta, em uma sociedade mais complexa, onde a TV tem muita força e as informações chegam de todos os lados. Não temos um projeto artístico ligado a um projeto político como a  experiência do CPC, mas há uma geração de artistas e grupos dedicados a entender o Brasil, que realiza um teatro vivo esteticamente e de transformação social.

O chamado teatro de grupo, cuja origem se baseia nas experiências do Arena e Oficina, tem produzido muitos espetáculos com dramaturgia própria, em busca de uma fala atual e crítica.

O Movimento Arte Contra Barbárie é fruto de um ambiente político progressista que elegeu o Presidente Lula. Além de criar um mecanismo de fomento ao teatro em São Paulo, politizou uma geração de atores, diretores e dramaturgos e tornou-se uma referência nacional para o setor.

A cultura popular é uma fonte importante para as criações destas companhias e a opção por espaços alternativos (praças, escolas, teatros nos bairros) que têm como objetivo ir ao encontro de um público que não frequenta as salas de espetáculo.

O trabalho da Companhia do Latão (SP), Grupo Galpão (BH), Cia dos Atores (RJ), Teatro da Vertigem (SP), A Tribo de Atuadores, Oi Nóis (POA), Cia São Jorge de Variedades (SP) são exemplos de que o teatro e a dramaturgia brasileira vivem uma fase muito interessante.

A cultura nacional tem uma identidade própria perante o mundo? O mundo está atento ao Brasil?
A atenção ao Brasil é crescente. O cinema brasileiro ganha cada vez mais espaço no cenário internacional, sem perder sua ligação com as questões do país. No teatro, nossa presença nos festivais internacionais tem a marca da originalidade e criatividade. O esporte tornou-se um veiculador para o mundo da nossa forma de ser e se relacionar.

É possível ao estrangeiro identificar o que é obra brasileira. A capacidade dos nossos artistas de criar, improvisar e misturar influências – sem perder a harmonia presente na música e nas outras linguagens artísticas – é perceptível para um mundo que, muitas vezes, convive com padrões estéticos e sociais engessados e começa a descobrir um país único e diverso, que faz das suas diferenças material para a criação artística.

Politicamente, o trabalho realizado durante o governo Lula precisa de que desenvolvimento? O que foi constituído está consolidado, é irreversível?
O que foi conquistado no campo da cultura, no Governo Lula, é um marco fundamental de conquistas e de uma nova forma de fazer política cultural no país. Os Pontos de Cultura representam uma grande mudança, em termo de programas de governo, para a cultura.O crescimento da produção audiovisual é resultado de um investimento importante na Agência Nacional de Cinema e na criação de fundos, leis de editais públicos para o setor. Além da criação do Plano e do Sistema Nacional de Cultura, que têm a função de organizar e planejar a ação do estado, muito tem sido feito nas gestões dos ministros Gil e Juca e é preciso continuar neste caminho.

Além disso, o Minc tem enfrentado e provocado debates de temas complexos como o financiamento para cultura e a democratização dos meios de comunicação. Mas é necessário mobilizar a sociedade e construir movimentos participativos capazes de apoiar mudanças, além de garantir, nas próximas eleições, a continuidade deste projeto político, que não pode correr o risco de retrocesso.

Tininha, você foi indicada como uma coordenadora do coletivo nacional de cultura do PCdoB. Que é isso?
Em agosto deste ano, a Fundação Maurício Grabois realizou seu Terceiro Seminário Nacional de Cultura. Reunimos amigos e militantes do PC do B que atuam na área: secretários de cultura, artistas, gestores públicos nos níveis municipal, estadual e federal, coordenadores do Circuito Nacional de Cultura e Arte da UNE, coordenadores de Pontos de Cultura e o presidente da Agência Nacional de Cinema. Partimos da compreensão de que a política cultural tem papel central na construção de um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento. Neste momento, consideramos que o nível de amadurecimento e responsabilidade que atingimos faz necessária a criação de um novo organismo partidário. Organismo este que será um espaço de elaboração e discussão de políticas culturais, uma espécie de laboratório de novas formas de organização e atuação dos nossos militantes e um instrumento de relacionamento permanente com artistas e personalidades do mundo da cultura. Daí surgiu o Coletivo de Cultura, uma iniciativa que está em harmonia com a nova visão de política de quadros do Partido e que se une ao esforço de elaboração do Programa Socialista para o Brasil, com objetivo de aglutinar artistas, pensadores, produtores e gestores de cultura interessados em construir um país independente e solidário.

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2 pensamentos sobre “O pensamento crítico de Ana Cristina Petta

  1. Estevão ,

    vamos dar tempo ao tempo, ou agora a VEJA tornou-se membro do poder judiciário e não fomos avisados?? e vc acha que só porque foi publicado uma bobagem por uma pessoa que nem sabemos direito quem é o Orlando não tem como se defender?
    O Brasil todo está ao lado do Ministro Orlando e do PCdoB

    saudações
    Márcia

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