Sahara Ocidental é imperioso respeitar a Resolução das Nações Unidas

Sahara Ocidental é imperioso respeitar a Resolução das Nações Unidas

A Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos, solidária com o povo saharauí, que aguarda
pacificamente a implementação das resoluções das Nações Unidas há mais de vinte anos e se encontra numa situação de perigo e ameaça diária por parte das
autoridades Marroquinas no território ocupado do Sahara Ocidental, vem por este meio apelar à IV Comissão – Comissão de Política Especial e Descolonização, a
adopção de medidas que promovam a aplicação dos acordos assinados pelas duas partes respeitando os direitos do povo saharauí.

A ONU tem como propósitos/funções principais:

Manter a paz e a segurança internacionais; Desenvolver relações amistosas entre as nações; Realizar a cooperação internacional para resolver os
problemas mundiais de carácter económico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; Ser um
centro destinado a harmonizar a acção dos povos para a realização desses objectivos comuns.

Contudo o desenvolvimento da situação no Sahara Ocidental, em que a recente onda de violência e a falta de
transparência que rodeia os acontecimentos, demonstram a necessidade urgente de tomadas de posição, principalmente por parte da ONU (no âmbito das suas funções),  que instem o Reino de Marrocos a respeitar os acordos assinados sob a égide das Nações Unidas.

O reino de Marrocos continua a sua saga colonizadora e assassina no Sahara Ocidental, um regime que oprime e desrespeita os direitos humanos da população saharauí residente no Sahara
Ocidental, ilegalmente ocupado desde 1975, violando a decisão do tribunal internacional e desrespeitando a resolução das Nações Unidas de realização de referendo.

Muitos são já os casos de flagrante violação dos direitos humanos do Povo Saharauí e são por demais manifestas as atitudes contrárias à Carta das Nações Unidas perpetradas pelo
Reino de Marrocos, numa atitude de desrespeito e desafio ao direito internacional, perante a passividade da comunidade internacional.

A Assembleia Geral das Nações Unidas assumirá esta terça e quarta-feira, dias 4 e 5 de Outubro, mandato de Comissão de Política Especial e Descolonização, mais conhecida como IV Comissão. A
colónia espanhola será o principal tema de debate. No final a Assembleia aprovará por maioria uma resolução não vinculativa mas com a relevância de nela
a ONU poder reafirmar os princípios que a orientam, bem como reforçar a sua autoridade como mediador na resolução de conflitos, nomeadamente reiterando a
observação dos termos dos acordos assinados sob a sua égide e a validade das resoluções assumidas neste fórum, instando o Reino de Marrocos à realização do
referendo de autodeterminação acordado entre este reino os legítimos representantes do povo saharauí.

Não é de somenos importância que a IV Comissão, reconheça que a MINURSO continua a ser a única missão actual de manutenção de paz sem um mandato para vigiar os Direitos Humanos e
consequentemente as Nações Unidas não estão a cumprir com a sua responsabilidade de protegerem as vítimas deste conflito. Neste âmbito urge que
a resolução a ser aprovada aponte no sentido da inclusão no seu mandato, das medidas que garantam essa efectiva e eficaz vigilância dos Direitos Humanos.

A ACOSOP apela aos representantes dos diferentes países e aos seus respectivos governos que assumam uma posição firme em defesa da população saharaui e exijam o respeito pelo direito internacional e a resolução das Nações Unidas e reafirma a sua indignação perante o silêncio cúmplice a que este conflito é votado.

A direcção da ACOSOP  Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos

Lisboa, 3 de Outubro de 2011

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ACOSOP – Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos

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Saara Ocidental, terra ocupada

do Brasil de fato

 
À medida em que o Marrocos retoma algum controle, a ONU novamente se retira de cena, deixando o povo saraúi à mercê dos marroquinos

14/01/2011

Raphael Tsavkko Garcia

Empobrecido e virtualmente desconhecido por boa parte do mundo, o Saara Ocidental enfrenta uma de suas maiores e piores crises, que poderia ter acabado em uma sangrenta guerra civil.

O Saara Ocidental foi, até 1974-1975, um território espanhol e, com a descolonização durante o regime franquista – na verdade mais um abandono da região -, o território, à revelia de seus habitantes, os saraúis, foi dividido entre áreas de influência marroquina e mauritana.

Os exércitos dos respectivos países invadiram a fronteira do Saara Ocidental e o ocupam militarmente sem respeitar determinação da ONU que havia recomendado um referendo entre a população local para que decidissem seu destino ou mesmo a recomendação da Corte Internacional de Justiça que considerou ilegítima a soberania do Marrocos e da Mauritânia sobre a região.

Insatisfeitos em se verem divididos e terem negado seu direito à autodeterminação, os saraúis se organizaram na Frente Polisário, um amálgama de partido político e exército de liebrtação nacional. e começaram a lutar por seus direitos, num conflito que persiste até hoje com o Marrocos, que domina a maior parte do território com mão de ferro e mantém uma política de apartheid social e forte controle sobre a população nativa.

A Frente Polisário (Frente Popular para a Libertação de Saguia el Hamra e Rio de Oro), que já combatia o governo espanhol e lutava pela independência desde o começo dos anos 70, passou então a combater dois países invasores em uma luta desigual.

Em 1976, em meio à luta contra a Mauritânia- que será finalmente derrotada e empurrada para sua antiga fronteira em 1979 – e o Marrocos, a Frente Polisário proclamou a República Árabe Saraúi Democrática que, hoje, controla apenas uma pequena parcela do território – cerca de 20% – fronteiriço à Mauritânia e Argélia.

Durante anos o Marrocos construiu um muro para separar os territórios sob seu controle dos territórios – desérticos em sua maioria – sob controle da Frente Polisário, em um modelo semelhante ao do muro de separação construído por Israel e apelidado de Muro do Apartheid, por isolar a população Palestina de seus territórios de direito.

Este muro contribuiu para o agravamento da situação dos direitos humanos da população saraúi que, do lado marroquino do muro, é vítima de abusos e discriminação pela população marroquina emigrada e pelas autoridades do país invasor, e do lado da Frente Polisário sofre com a fome, a falta de água e de condições básicas de saúde e habitação.

Milhares de saraúis ainda vivem em campos de refugiados na vizinha Argélia (ao menos 160 mil vivem no campo de Tinduf) e mesmo em campos mantidos por organizações internacionais no território administrado pelos rebeldes.

O Marrocos não se contentou em apenas ocupar militarmente o Saara Ocidental, mas também promoveu uma gigantesca onda de migração de marroquinos ao território esparsamente povoado, o que dificulta ainda mais qualquer tentativa das Nações Unidas de promover um referendo regional pela independência – algo que está em pauta desde os anos 70.

A chamada “Marcha Verde” promovida pelo então rei Hassan II em 1975, levou pelo menos 350 mil marroquinos à região para, assim, formar uma maioria populacional e garantir sua dominação.

Em meio à morte de Francisco Franco, a Espanha pouco pôde – ou mesmo quis – fazer para pressionar por uma solução pacífica da questão. Desde 1974 a Espanha anunciava a intenção de realizar um referendo pela independência da região, algo que nunca passou de uma intenção, pois no mesmo ano a então colônia foi invadida pelo Marrocos e, com a morte de Franco em 1975, a Espanha abandonou definitivamente a população local a sua sorte.

A ONU, por outro lado, embasada na resolução 1548 da Assembléia Geral, denunciava desde meados dos anos 60 a situação de dominação colonial na região, mas desde então pouco fez de efetivo.

O conflito na região também se insere na lógica da Guerra Fria, com os EUA discretamente apoiando os interesses marroquinos em oposição aos interesses da Argélia. Era do interesse dos EUA garantir aquele território ao seu aliado marroquino e frustrar os planos da Argélia e da União Africana, que havia em grande parte reconhecido o direito dos saraúis à terra, numa tentativa de afastar o perigo do Comunismo daquela área tão próxima da Europa.

Desde a trégua declarada em 1991 que a ONU vem tentando fazer os dois lados conversarem e buscarem uma solução para o conflito, que intercala períodos de maior e menor intensidade de enfrentamentos armados. Constante, porém, é a política de repressão, limpeza étnica e até mesmo genocídio por parte do Marrocos.

Marrocos e Frente Polisário estão em constante desacordo sobre os termos de um possível referendo a ser celebrado na região sob os auspícios da ONU, em especial sobre o censo populacional e sobre quem teria direito a votar. Os sarauis não aceitam que marroquinos emigrados, logo, invasores, tenham direito ao voto, enquanto o Marrocos não abre mão do voto deste contingente que, hoje, pode garantir à este país uma vitória contra os verdadeiros donos da terra.

O Marrocos ainda se opõe ao direito ao voto da população saraúi que vive no campo argelino de Tindouf, pois muitos vivem ha tanto tempo no exílio que seus filhos nasceram na Argélia e jamais colocaram os pés no território do Saara Ocidental. Situação esta que encontra amplos paralelos com a posição de Israel frente ao Direito de Retorno dos Palestinos. Válido notar, também, que a franca maioria dos saraúis vive, hoje, em campos de refugiados.

O Marrocos considera o Saara Ocidental como parte indivisível de seu território e apenas aceitaria um referendo patrocinado pela ONU se seus requisitos fossem obedecidos, ou seja, se a maioria da população da região fosse impedida de exercer seu direito ao voto. Todas as tentativas de diálogo por parte do rei marroquino, Mohammed IV, pregam um processo de “regionalização” do Saara Ocidental e de permitir uma maior autonomia local apenas dentro do Estado marroquino.

Mohamed Abdelaziz, líder da República Árabe Saraúi Democrática, obviamente, se recusa sequer a conversar enquanto o Saara Ocidental for considerado mera região do Marrocos, sem direito pleno à autodeterminação.

Desde 2009 os ânimos estão mais acirrados do que nunca. Em novembro de 2009 a ativista saraúi Aminatu Haidar iniciou uma greve de fome no aeroporto de Lançarote, nas Ilhas Canárias, para exigir do Marrocos o direito de voar de volta à sua terra. Haidar é considerada a principal embaixadora da causa saraúi e sua recusa em se identificar como marroquina a levou a ser impedida de chegar ao Saara Ocidental.

Sua greve durou mais de 30 dias e mobilizou artistas, personalidades e governos em seu apoio e a causa do Saara Ocidental conseguiu alcançar as principais manchetes internacionais, causando grande preocupação ao governo marroquino.

Haidar permanece em prisão domiciliar desde então, na capital do Saara Ocidental, El Aaiún, vigiada 24h por tropas marrroquinas.

Menos de um ano depois deste episódio, em outubro de 2010, os Saraúis resolveram novamente elevar o tom contra a ocupação marroquina e milhares de pessoas (cerca de 20 mil segundo algumas fontes) deixaram a cidade de El Aaiún para protestar contra a ocupação e montaram o acampamento de Agdaym Izik, ou Acampamento Dignidade.

A idéia do acampamento era o de constranger o governo marroquino e fazer o mundo conhecer a situação do povo saraúi submetido a mais de 30 anos de ocupação, pese as inúmeras tentativas da ONU para resolver o conflito. O objetivo dos que acamparam é o de denunciar a exploração econômica das riquezas do país (especialmente o fosfato) e exigir o reconhecimento da soberania do Saara Ocidental.

Já no começo de novembro de 2010 as forças marroquinas invadiram o acampamento com gases lacrimogêneo, bombas de efeito moral e armas pesadas para desalojar os manifestantes, deixando um saldo de pelo menos 5 mortos (fontes dizem que os mortos podem chegar a 15). Os demais milhares de manifestantes forma levados a força para a capital, para delegacias da cidade e prisões.

A violenta invasão do acampamento causou revolta na população saraúi que permaneceu na cidade e prédios públicos foram queimados enquanto o exército marroquino abatia a tiros os revoltosos.

O nível de tensão, no fim de 2010, foi o mais alto desde a trégua de 1991 e a revolta por parte da população ainda pode resultar em uma guerra civil que levaria toda a região ao caos.

Apenas com extrema violência o Marrovos vem conseguindo manter a situação sob um certo controle, baseado no mais puro medo de uma repressão ainda mais terrível e feroz.

O Marrocos não reconhece a existência de um povo saraúi, mas apenas de um único povo marroquino. Curioso notar que, mesmo assim, o exército do Marrocos não exita em matar indiscriminadamente aquele que seria seu próprio povo.

A insistência da Espanha em se recusar a condenar ou mesmo a reconhecer a gravidade da situação agrava o problema, visto que, da Europa, é o país com os maiores interesse e sua inação acaba por enfraquecer qualquer apelo que possa ser feito à ONU.

A Argélia, um dos poucos países a reconhecer a independência do Saara Ocidental, poderia ser levada ao conflito graças ao enorme campo de concentração dentro de suas fronteiras e da grande quantidade de refugiados em seu território. Seria a base operacional mais óbvia para as ações da Frente Polisário.

A Mauritânia provavelmente seria trazida ao conflito pela leva de refugiados que uma guerra civil pode causar e o Marrocos, sem sombra de dúvida, seria a principal vítima dos ataques dos rebeldes da Frente Polisário, assim como a própria população saraúi, empobrecida e abandonada.

A ONU demonstra mais uma vez sua inutilidade ao se limitar a pedir calma e diálogo sem, porém, tomar atitudes efetivas para a resolução do conflito e para amenizar minimamente o sofrimento da população saraúi. À medida em que o Marrocos retoma algum controle, a ONU novamente se retira de cena, deixando, como de costume, o povo saraúi à mercê dos marroquinos e de sua vingança por mais uma revolta.

Raphael Tsavkko Garcia é bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e mestrando em comunicação pela Faculdade Cásper Líbero.

Que 2011 seja um ano de muitas lutas e vitórias para todos os povos oprimidos !!

Esta foto foi cedida por uma camarada do PCP ( partido Comunista Português), Isabel Lourenço, e compartilho com você pois retrata uma situação de exploração imperialista, onde pessoas são retiradas a força de sua pátria, no caso o Sahara Ocidental (abaixo do Marrocos) e acolhidas em acampamentos de refugiados (na Argélia) para que o capital possa agir de forma livre atendendo aos interesses dos mais poderosos, sem a menor preocupação com a vida humana.

KAFINA!

Kafina significa BASTA em Hassania idioma dos saharauis. E é essa palavra que deveria ecoar em todos os corredores, auditórios e assembleias do Mundo. Basta! Basta de mais um massacre hediondo numa longa e interminável lista de violações dos direitos mais básicos do Homem perpetrados pelo Rei e governo de Marrocos e as suas forças de “segurança”, forças militares policiais.

Quantos mais terão que ser assassinados para que finalmente haja uma reacção da Comunidade Internacional? Quantas violações, torturas, assassinatos, desaparecimentos de crianças, jovens, mulheres, homens e idosos? O que é necessário para que parem com este genocídio?

A situação nos territórios ocupados é indescritível, as cidades tomadas pelo exército, os veículos de todos os saharauis são incendiados para que não tenham meios de fugir, entre os farrapos das tendas do acampamento desmantelado à força e incendiado encontram-se cada vez mais cadáveres. Filas de camiões de caixa aberta com cadáveres passam pelas ruas, cadáveres de crianças são encontrados em poços e rios. 12 Bebes de 2 a 8 meses foram encontrados vivos, ninguém sabe quem são as suas famílias vivendo agora em casa de saharauis que os acolheram. As escolas estão encerradas, as lojas saharauis destruídas, os activistas dos direitos humanos isolados, milhares de detidos entre eles crianças de 12 anos. Os detidos são tantos que estão a ser enviados para campos militares.

Estas são apenas algumas das notícias que durante os últimos dias nos têm chegado de um território onde é proibida a entrada a jornalistas porque segundo declarações de vários responsáveis do governo marroquino estes “ se portam mal”.

Poderia continuar a lista dos crimes que estão a ser cometidos mas não ficariam a saber mais do que aquilo que é necessário: um enorme e monstruoso crime está a ser cometido contra um povo pacífico sob o nosso olhar e silêncio! Somos cúmplices!

Me envergonho em especial da minha condição de cidadã portuguesa, sendo portuguesa exijo que o governo de Portugal  respeite a nossa constituição que diz no seu artigo 7º ponto 3: ” Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.”

Apelo ao governo português que como membro do Conselho de Segurança actue para que se ponha fim a este crime contra a humanidade.

E apelo a todos os cidadãos do mundo para que junto dos seus governos, partidos, sindicatos, escolas, bairros denunciem esta situação, condenem a actuação do governo de Marrocos e exijam às Nações Unidas que tomem medidas para que os direitos humanos no sahara ocidental sejam respeitados e para que rapidamente se realize o referendo da autodeterminação.

 Escrito por Isabel Lourenço em 11/11/2010 – Membro do Partido Comunista Português e do CPPCConselho Português para a Paz e Cooperação

Policías y soldados marroquíes asaltan campamento saharaui

do portal la jornada

El desalojo violento deja saldo de al menos 13 muertos y cientos de lesionados: Polisario

Lanzan operativo horas antes del inicio del diálogo entre Rabat e independentistas en NY

El régimen marroquí pretende una guerra civil, denuncia la activista Aminatu Haidar

Foto Protesta ante la embajada de Marruecos en Madrid, España, contra la expulsión de saharauis del campamento en Gdaim IzikFoto Reuters
Afp, Dpa y Pl

 

Periódico La Jornada
Martes 9 de noviembre de 2010, p. 31

El Aaiún, 8 de noviembre. Decenas de policías y soldados marroquíes tomaron por asalto esta madrugada un campamento de saharauis que exigen al gobierno de Marruecos mejores condiciones de vida en el territorio del Sáhara Occidental –cuya indepenencia reclama el Frente Polisario desde 1976–, lo que desató una batalla campal que arrojó un saldo preliminar de 13 muertos y cientos de heridos.

La operación de las fuerzas de seguridad –apoyadas por equipos de bomberos– fue lanzada horas antes del inicio de una ronda de conversaciones informales en Nueva York entre miembros del Polisario y representantes de Rabat, que desde 1992 ha saboteado la realización de un referendo que permita a los saharauis occidentales determinar si constituyen un nuevo Estado con reconocimiento internacional o se mantienen como parte de Marruecos, que se anexó la ex colonia española en 1975.

Los contingentes policiales irrumpieron cerca de las siete de la mañana y lanzaron agua a presión para desmantelar las tiendas de campaña que los saharahuis levantaron el 19 de octubre pasado en el sitio conocido como Gdaim Izik, a 18 kilómetros de El Aaiún, capital administrativa del Sáhara Occidental, donde el gobierno de Marruecos ha realizado campañas de poblamiento y explotación de recursos naturales, a pesar del diferendo con la República Árabe del Saharaui Democrática, reconocida por unos 80 países en el mundo.

Había unas 20 mil personas

En el campamento había unas 20 mil personas en unas ocho mil tiendas, según autoridades marroquíes y reportes periodísticos, pero de acuerdo con el Frente Polisario había 28 mil saharauis que realizaban la mayor manifestación de protesta en cuatro décadas, en un intento por llamar la atención de Rabat sobre la precariedad de sus viviendas y servicios públicos, y de las escasas oportunidades de empleo.

Los primeros reportes sobre el desalojo indicaron que 12 civiles y tres elementos de las fuerzas públicas murieron en enfrentamientos. Según medios de información españoles, los saharauis golpearon a los uniformados con palos y piedras, bloquearon carreteras e incendiaron automóviles e inmuebles ubicados en la zona.

La situación fue horrible. Atacaron a la gente del campamento; a mujeres y niños y ancianos. Nos defendimos lanzando piedras a los gendarmes y policías cuando irrumpieron en el campamento, dijo a la agencia Reuters uno de los saharauis del campamento.

Tras la ocupación de Gdaim Izik, decenas de saharauis se trasladaron a El Aaiún para expresar su rechazo a la movilización de las fuerzas de seguridad marroquíes, lo que propició nuevos choques con los uniformados que derivaron en la muerte de otro civil, lo que elevó la cifra total a 13 decesos.

Previamente, el Frente Polisario, al denunciar el operativo aéreo y terrestre contra el campamento, había informado de la muerte de un hombre de 26 años, y más tarde voceros de la organización confirmaron en Madrid que la cifra de fallecidos en Gdaim Izik era de 12 civiles, más el de El Aaiún, así como cientos de heridos.

El representante (wali) del gobierno marroquí en El Aaiún, Mohamed Guelmus, informó que la decisión de enviar a la gendarmería y fuerzas auxiliares tuvo la intención de poner fin a una situación en la que se han agotado todos los medios de diálogo. Una fuente del gobierno marroquí dijo a la agencia Reuters que los uniformados ocuparon el campamento amparados en una orden judicial.

El gobierno marroquí indicó que además de sus cuatro efectivos fallecidos, otros 70 resultaron heridos en los choques, y se detuvo a 65 saharauis.

Desde Argel, el líder del Polisario, Mohamed Abdelaziz, pidió a la Organización de Naciones Unidas el envío inmediato de una misión del organismo a El Aaiún “para garantizar la seguridad y los derechos de ciudadanos saharauis frente a la brutalidad y la violencia de las fuerzas de ocupación marroquíes.

Esto es una declaración de guerra, una ruptura unilateral del alto el fuego, pactado en 1991 con impulso de la ONU, afirmó a su vez Bucharaya Beyun, representante del Polisario en España.

La defensora de derechos humanos saharahui, Aminatu Haidar, a quien recientemente el gobierno marroquí negó el ingreso al Sáhara Occidental, dijo que el desalojo violento del campamento de Gdaim Izik muestra que el régimen marroquí quiere una guerra civil entre saharauis y marroquíes, y consideró que el balance final de muertos y heridos seguramente será más elevado que el señalado en los reportes de este lunes.

La instalación del campamento había pasado inadvertida para las agencias internacionales de noticias hasta que se suscitó la ocupación policial de hoy.

El conflicto entre el Polisario y Rabat también es frecuentemente ignorado por los medios internacionales, mientras la Misión Internacional de Naciones Unidas para el Referendo en Sáhara Occidental desempeña un papel de escasa visibilidad y trascendencia, pese a que fue instalado desde 1991 por mandato de una resolución del Consejo de Seguridad.

El territorio de Sáhara Occidental ocupa unos 250 mil kilómetros cuadrados escasamente poblados, donde hay reservas de fosfatos que se emplean para hacer fertilizantes. Las costas cuentan con caladeros que facilitan la pesca.

La construcción de un muro de dos mil 500 kilómetros –custodiada por miles de militares marroquíes para repeler ataques guerrilleros del Polisario en la década de 1980– ha sido señalada en repetidas ocasiones como la causa de violaciones a derechos humanos de saharauis.

El diálogo entre el Polisario y el Estado marroquí, encabezado por el rey Mohammed IV, comenzó en 2007 bajo los auspicios de la ONU, pero después de cuatro rondas de negociaciones no se ha logrado destrabar el proyecto de referendo. En la última cita, en marzo de 2008, las partes pactaron volver por quinta vez a una sesión donde se fijen acuerdos, pero las pláticas informales que se han realizado hasta la fecha no han definido las bases del regreso a la negociación.

Socorro Gomes: Cebrapaz condena massacre no Saara

portal do vermelho

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) organização membro do Conselho Mundial da Paz, vem a público repudiar a brutal agressão realizada pelo Marrocos aos acampamentos saarauis.

Na madrugada deste dia 09 de novembro, as forcas de repressão da monarquia do Marrocos, reprimiram brutalmente uma manifestação pacífica do povo saaraui.

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Tratava-se de um acampamento montado a 20 quilômetros de El Aaiún, capital da Republica Árabe Saaraui Democrática (RASD), ocupada pelo Marrocos. O acampamento composto de mais de 7 mil tendas, foi completamente destruído. Existem notícias de mortes e mais de 65 detidos.

Esta foi a maior manifestação realizada pelo povo saarauri desde o fim da guerra entre a Frente Polisário e o Marrocos em 1991. Desde este momento, espera-se pela realização de uma consulta onde se determinará se os saharauis preferem manter-se sob o domínio do Marrocos ou constituir uma república independente.

A repressão que levou a mortes e a inúmeras detenções ocorreu no mesmo dia em que estava marcada na sede das Nações Unidas a retomada das negociações entre o Marrocos e a Frente Polisário, para a realização do referendo, em uma clara demonstração de que ao Marrocos não interessa a realização de dita consulta.

O Cebrapaz soma-se às demais forças defensoras da paz e da autodeterminação dos povos, no apelo a que os organismos internacionais se mobilizem frente a esta grave situação. O silêncio da União Europeia e da Espanha os torna cúmplices dos atos ocorridos en El Aaiún.

Desde o Brasil exigimos o fim das hostilidades e da agressão ao povo saaraui e nos solidarizamos com sua luta pela autodeterminação.

Viva a luta do povo saaraui!

Pela Autodeterminação dos Povos!

Por Socorro Gomes, pela diretoria do Cebrapaz — Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

Au Sahara occupé, même le désert est interdit aux Sahraouis

do blog sociologias

Le Sahara Occidental est en partie occupé par le Maroc de puis 1975. C’est la dernière colonie d’Afrique. En dépit de la quatrième convention de Genève, une forte proportion de la population sont des colons déplacés là par les autorités coloniales. Les terres et matériaux sont données aux marocains comme incitations à se déplacer là, dans ce « paradis » sécuritaire. Ils reçoivent aussi des aides pour déménager et s’installer. Une importante vague de plus de 120 000 d’entre eux étaient venus grossir en 1991 les effectifs du référendum annoncé et sont restés parqués pendant des décennies dans des campements de misère sur le route de Smara à l’entrée de El Aaiun. Ils ont depuis peu été déplacés vers le sud, ou logés dans des maisons, pour ne pas continuer à ternir l’image affichée par la propagande marocaine.
Les sahraouis restés dans leur propre pays ne peuvent bénéficier de leur terre, exploiter leurs ressources naturelles. Il n’ont pas accès au travail, mais peuvent bénéficier d’une petite aide de l’ordre de l’assistanat qui les rend dépendants du gouvernement colonial et de ses exigences. Dans les villes artificiellement grossies du Sahara Occidental occupé, il est interdit à quiconque de posséder un potager ou un espace pour les animaux. Pour se loger un sahraoui dans son pays doit acheter sa terre au colonisateur marocain, et il ne peut construire en dehors de plans et architectures qui lui sont imposés. Même la couleur des crépis est imposée, identique à celle de Marrakech. Le blanc traditionnel des villes sahraouies est interdit. Les constructions datant de l’époque coloniale espagnole ont presque toutes été rasées, comme effacées.
À plusieurs reprises récemment, des jeunes et des familles sahaouis sont partis des villes pour aller s’installer dans le désert, organisés selon leurs traditions en groupements de tentes. Décisions de rejet ou de protestations, temporaires ou inscrites dans le temps, ces mouvements de la population sahraouie sont de toute façon étroitement surveillés et violemment empêchés par les autorités marocaines. Ci-dessous trois récents épisodes de cela. Les premières fois, en juillet, dans l’enthousiasme de la décision, l’information avait circulé sans effort de confidentialité et les autorités coloniales avaient traqué et empêché toutes les tentatives suivantes en bloquant les routes.
Sur le fond, un dilemme persiste néanmoins pour les résistants : en territoire colonisé, partir c’est abandonner la ville aux colonisateurs, rester c’est être constamment surveillés discriminés et infiltrés. Partir dans le désert, c’est la possibilité de se regrouper et de jouir d’une forme de liberté de penser et d’expression, rester c’est assurer la résistance au quotidien, si mince soit elle.
Le 4 octobre 2010, 80 Sahraouis dont des femmes, enfants et jeunes sont partis s’installer à proximité de smara nord, sur le fleuve Saguia el Hamra. ils sont partis après minuit pour ne pas être barrés par la police, et ont planté 14 tentes. Ce sont jeunes chômeurs, techniciens et diplômés chômeurs sahraouis.
Leur volonté était de manifester pendant plusieurs jours pour dénoncer la situation qu’ils subissent. Sur les slogans et pancartes, les chômeurs diplômes et les techniciens demandent le respect de leur droit au travail, les jeunes mariés demandent la possibilité d’avoir une maison.
120 agents de la police la gendarmerie, des forces axillaires, la DST (direction de la sécurité territoriale) et les RG (renseignements généraux) les ont encerclés avec 12 voitures et camions d’intervention rapide. Il n’y a eu ni pourparlers ni négociations, et les manifestants ont été dispersés par la force. Les tentes et la nourriture ont été confisqués. Les manifestants sont toujours sur place, et disent ne pas vouloir rentrer à Smara tant que leurs revendication n’auront pas été satisfaites.
Le 3 octobre, un important groupe de sahraouis était parti à 25km au Sud est de El Aaiun pour planter la tente. Une quarantaine de tente avaient été installées selon l’association des familles de détenus et disparus sahraouis.
Les familles se sont exilées massivement dans le désert pour protester contre la politique de répression marocaine contre les civils sahraouis en lutte pacifique pour le droit à l’autodétermination et l’indépendance. C’est aussi une protestation contre la politique de marginalisation et de destruction de leurs moyens de subsistance, du déni de leur droit à l’emploi, mais aussi contre les violences physiques contre les militants revendiquant pacifiquement pour le respect des droits de l’homme. Les familles sahraouies revendiquent d’autre part de pouvoir profiter de la richesse de leurs terres.
Les différentes autorités sécuritaire de l’occupation marocaine, gendarmerie, police, forces auxiliaires, et groupement d’intervention rapide ont encerclé les tentes. Ils ont exigé d’inspecter toutes les voitures, et tenté d’empêcher le sit in des familles rejointes par les étudiants.
Le plus important pour les forces sécuritaires semblait être de convaincre les sahraouis de ne pas déployer les drapeau de la RASD. (République Arabe Sahraouie Démocratique) Ils ont pour ce faire promis 35 emploi dans la promotion nationale. Cette proposition a été rejetée par les sahraouis. Ils n’ont pas d’autres demandes envers d’état marocain que celle qu’il obéisse au droit international, cesse le pillage des ressources naturelles, et permette au peuple Sahraoui l’application de son droit à l’autodétermination et l’indépendance.
Les autorités marocaines ont obligé par la force les manifestants à retourner à El Aaiun occupé. Ceux ci ont cédé à l’inquiétude provoquée par la brutalité des autorités d’occupation et la peur des enfants et des femmes. De retour en ville le groupe a provoqué différentes rassemblements dans plusieurs rues de la ville, criant son rejet de l’occupation. Les manifestations ont été violemment réprimées par la police marocaine et nombre d’entre eux ont été grièvement blessés. Les membres du groupe ont affirmer qu’ils retourneraient dans le désert jusqu’au respect de leur revendications légitimes.
Au mois de juillet 2010 un important groupe de sahraouis avait tenté à plusieurs reprises de quitter la ville pour aller s’installer dans le désert. Excédés par les discrimination et désabusés par l’impossibilité pour eux de trouver une place dans la ville et dans le tissu économique local, ils avaient décidé de partir vivre dans le désert, pour bénéficier au mois de la liberté de l’espace. Ils avaient à chaque fois été empêchés ou rapatriés de force dans la ville par les autorités coloniales marocaines, qui avaient tenté de casser le mouvement en faisant des promesses d’assistances qui avaient été rejetées.
APSO, le 7 octobre 2010. Sources : Soleil de liberté, Apso Sahara, UPES
 
P.S.

http://www.oulala.net/Portail/spip.php?article4744

Povo saharauí luta para derrubar o muro da opressão

do site do adital

 
 
Elaine Tavares *
Os muros são coisas doidas, símbolo de separação. Há quem diga que eles servem para proteger. Mas há que perguntar. Proteger a quem? Se a gente parar para pensar vai ver que os muros têm suas origens no poder. Desde muito tempo eles são erguidos para que aqueles que têm muita riqueza se protejam de quem não tem. A lógica da propriedade privada, da acumulação privada da riqueza e da terra. Valeria pensar: mas por que é assim? Por que uns têm muito e outros nada? Ah, essa é a pergunta que ninguém se faz.Contam que um dos primeiros grandes muros da história foi a muralha da China, idealizada no século VII a.C pelos imperadores da dinastia Zhou, dispostos a dividir a terra em dois pedaços. O deles e o dos outros. O trabalho começou em 221 a.C e terminou dois milênios depois. Mas, é bem possível que antes dele outros já tivessem sido erguidos. Relatos nos Vedas ou na Torá – livros sagrados de povos muito antigos – falam de castelos e muralhas, erguidas para proteger cidades e reinos de possíveis invasores. Os muros são sempre muito usados para separar povos, como, por exemplo, o Muro de Adriano, construído em 122 d.C, para dividir o mundo romano (civilizado) do mundo dos bárbaros. Parece que sempre foi muito difícil aos seres humanos uma vida em comunhão, sem o medo do “outro”.

 Mesmo em Abya Yala, onde as comunidades tinham por princípio básico a idéia de vida coletiva, é possível encontrar registro de grandes muralhas protetoras como o forte Pucará de Quitor, no deserto de Atacama, Chile, erguido pelo povo likan-antay para enfrentar o avanço de tribos inimigas.

 Nos tempos modernos, o muro mais famoso foi o Muro de Berlin, criado pelos soviéticos em 1961, materializando a cortina de ferro a separar o mundo comunista do capitalista. Durante anos ele foi uma espécie de símbolo da separação, da exclusão, da prisão e do ódio. Não havia quem, no chamado “mundo livre”, não clamasse pela queda daquele muro. Quando ele finalmente foi derrubado em 1989, as gentes em todo planeta saudaram esta vitória da “democracia e da liberdade”. A impressão que se tinha é que ali se encerrava uma triste etapa da vida humana, que nunca mais iria se repetir. E esta é uma coisa estranha de se pensar, se levarmos em conta que anos depois, em 1994, os Estados Unidos iniciavam um programa anti-imigração, chamado de Operação Guardião, que principiava a construção do odioso muro que separa o país ianque do México. Naqueles dias, ninguém se levantou para falar em ódios, exclusão ou falta de liberdade. Desde então, ali, naquela cerca, morrem milhares de pessoas tentando passar para o lado dos EUA, buscando viver a promessa do sonho americano. Raras pessoas no mundo falam desse muro ou se importam com as vidas que se perdem ali.

Depois, em 2002, o artificial estado de Israel, amigo e parceiro dos EUA, deu início ao seu muro, segregando o povo palestino em seu próprio território. Quilômetros e quilômetros de concreto dividem famílias e transformam um povo inteiro em prisioneiro, dando vazão a levas e levas de violência, dor e morte. Também são muito poucos os que se importam com isso. A mídia, como sempre do lado do poder, se encarrega de disseminar pelo mundo o preconceito e a mentira, atribuindo aos palestinos o rótulo de terroristas e bandidos. Raros são os que gritam pela queda deste muro. Ele aparece como algo necessário, para proteger o povo de Israel, embora nunca ninguém tenha cogitado que o Muro de Berlim existisse proteger o povo comunista da sanha do capital.

Pois não bastassem as excrescências dos EUA e Israel há um outro muro do qual muito pouco se fala. É o que separa o povo saharauí de seu território original no norte da África, região que permanece obscura e desconhecida para todos na América Latina.

O massacre do povo Saharauí: um pouco de história

O povo que vive no território reivindicado pelos Saharauí é muito antigo e habita aquela área desde quando os berberes brancos avançaram pelo norte do Sahara, no século VII, premidos pelas invasões árabes. Assim, eles foram jogados para a parte sul de onde hoje é o Marrocos, quando passaram a viver de forma autônoma. Os berberes são originários do norte da África e formam a gênese do povo do Marrocos. Na verdade, esse termo “berbere”, significa “bárbaro” e por isso é repudiado pelos seus descendentes que gostam de ser chamados de “amazigh” (homens livres). Mas, é parte deste povo de “homens livres” que hoje está sendo responsável pela desgraça do povo Saharauí.

O reino do Marrocos foi criado por volta do ano 470 a.C. e sempre esteve com os olhos mais voltados para a Europa que para seu interior. Ocupado pelos árabes no século VII, a região foi porta de entrada dos mouros para a península ibérica, onde reinaram por anos. Bem mais tarde, foi a vez do Império Romano anexar o Marrocos como colônia e foi só no século XI que os berberes reconquistaram seu território. Mas, a briga interna de vários clãs pelo controle do Marrocos o enfraqueceu e deu chance para a invasão de Portugal que, no século XV, no auge da expansão colonial, abocanhou algumas cidades. Foram muitos os anos de lutas para recompor o território. Na metade do século XIX, a Espanha e a França estenderam seus domínios pelo norte da África, ocuparam a área, e o espaço daquelas terras foi dividido. Em 1912 a parte do Marrocos ficou com os franceses, e a Espanha se apropriou da região norte e do Sahara ocidental, onde então viviam os saharauí.

Como em todas as colônias africanas, a ocupação não se deu sem luta. São históricos os massacres de revoltosos em batalhas nas quais Espanha e França se ajudavam contra os povos locais. O advento da segunda guerra mundial abriu caminho para novos movimentos de libertação e seguidos conflitos aconteceram. Em 1956, o Marrocos finalmente conquistou sua independência dos franceses, instituindo uma monarquia, mas a parte que estava nas mãos da Espanha não conseguiu o mesmo feito. Permaneceu colônia e, a exemplo dos marroquinos, as populações continuaram buscando a libertação. Por conta disso, em 1973 foi criada a Frente Popular de Libertação de Saguia-El-Hamra e Rio de Ouro (POLISARIO), que passou a liderar a luta na região ocidental.

Com a independência reconhecida, o Marrocos se organizou e começou a sonhar com novos vôos. Ambicionava anexar a parte espanhola da região, sem reconhecer que ali viviam povos autônomos, com cultura própria e igualmente sedentos de liberdade. Nos anos 60 e 70 vieram as vitoriosas lutas de libertação nacional em todo o mundo e, em particular na África, com várias colônias saindo do jugo de Portugal. Essa conjuntura leva a Espanha franquista a aceitar o princípio da autodeterminação nas regiões ocupadas, mas ainda sem se dispor a “largar o osso”. Então, no ano de 1975 quando o Marrocos, já livre da França, começa uma investida bélica na região ocidental do Sahara, a Espanha, igualmente ignorando as reivindicações do povo saharauí, assina um acordo entregando a região ao Marrocos e à Mauritânia. Com esta atitude vergonhosa, a Espanha cede ao rei Hassan II as riquezas naturais do Sahara ocidental, e com elas, o povo que ali vivia.

Ainda assim, o povo saharaui não se entregou. Tão logo as tropas espanholas saíram do território, em 27 de  fevereiro de 1976, a Frente POLISARIO proclamou a República Árabe Saharauí Democrática (RASD). Segundo eles, ali estava um povo real e não seria um invasor que os colocaria na condição de “ninguém”. A própria Mauritânia reconheceu esse direito.

Mas, assim que viu garantida a soberania sobre o território até então espanhol, o governo do Marrocos, sem fazer caso da proclamação de independência saharauí, organizou uma grande marcha, conhecida como a “marcha verde” (na verdade um processo de colonização), na qual mais de 350 mil pessoas migraram para a região do Sahara ocidental, tendo a frente uma unidade de infantaria repleta de blindados, numa clara demonstração de força. Como as terras estavam tradicionalmente ocupadas pelo povo saharauí, as tropas marroquinas não hesitaram em iniciar uma campanha brutal de desalojo. Chegaram ao ponto de utilizar bombas de fósforo e napal, causando terríveis sofrimentos aos povos que ali viviam e obrigando-os a uma retirada em massa. Grande parte buscou abrigo na Argélia e outra parte seguiu lutando.

Desde então, múltiplas resoluções das Nações Unidas, da União Africana e um acórdão do Tribunal Internacional de Justiça de Haia reconhecem o direito à autodeterminação do povo saharauí, entendendo que não há registro jurídico nem histórico de vínculo de soberania por parte do Marrocos naquele local.  Mais de 80 países do mundo reconhecem a RASD, mas isso fica só no papel.

A luta do povo saharauí não deu trégua este tempo todo, e no final dos anos 80, com a intermediação da ONU, o governo do Marrocos e a POLISARIO aceitaram um acordo, no qual o Marrocos retiraria suas tropas da região e realizaria um plebiscito com o povo para que este escolhesse entre a independência ou a anexação ao Marrocos. Mas, o certo é que isso nunca se concretizou e o governo marroquino se recusa a aceitar a autodeterminação dos saharauí.

Já são mais de 35 anos de luta, e a Frente Popular de Libertação tem cedido muito mais do que o Marrocos, se dispondo inclusive a depor as armas e libertar prisioneiros, mas não encontra eco no governo marroquino.

A situação hoje

É nesse contexto de intransigência que o Marrocos deu início a construção de um muro, dividindo a região do Sahara ocidental, visando segregar ainda mais as gentes saharauí, impedindo-as de viverem em paz no seu território. Hoje, parte do povo, sem poder ocupar seu território original, vive em terras cedidas pela Argélia, na condição de refugiados, em acampamentos desprovidos de qualquer condição de dignidade.

O muro da vergonha do Sahara Ocidental tem mais de dois mil quilômetros e divide de norte a sul o território. Vigiado por mais de 150 mil soldados marroquinos o percursos ainda apresenta uma infinidade de minas que, vez ou outra, provocam mortes entre os saharauí ou mesmo entre militantes internacionalistas que fazem periódicas marchas e manifestações no muro. Segundo a ONU há um cessar-fogo vigiado por uma missão de cascos-azuis, mas isso não impede que o Marrocos siga acossando a gente saharauí.

O fato é que o regime monárquico, ainda em vigor no Marrocos, se recusa abrir mão das inúmeras riquezas do Sahara ocidental. Entre elas está a magnífica costa Saharauí, que toma parte do Mediterrâneo e parte do Oceano Atlântico. Ali está um dos bancos de pesca mais ricos do mundo, hoje ocupado pelo Marrocos. Também se fala de grandes reservas de petróleo, com algumas áreas já sendo exploradas na parte que está sob o domínio do Marrocos.  Igualmente fazem parte do pano de fundo da disputa de território as abundantes minas de fosfato que estão na parte ocidental do Sahara, portanto, devendo pertencer à República Saharaui, mas que seguem sendo exploradas pelo Marrocos.

Numa visita às páginas da Internet ou ao Youtube qualquer pessoa pode ver as terríveis condições de vida da gente saharauí nos acampamentos em meio ao deserto. É por isso que a Frente de Libertação insiste na busca de solidariedade mundial e no reconhecimento da República Árabe Saharauí Democrática como um Estado independente. As gentes do deserto da áfrica ocidental estão aí, a provar que os muros continuam sendo fortes mecanismos de opressão e segregação por parte daqueles que detém poder militar e político.  Mas o povo saharauí também mostra, a exemplo dos palestinos e dos milhões de imigrantes, fugitivos do capitalismo, que não há canhão capaz de frear a luta por vida digna, por território e por liberdade. Como bem mostra a história, os muros acabam caindo. Sempre!

Viva a luta do povo saharauí!

* Jornalista

RASD e Angola estreitam relações

Enviado por email por Emiliano Gomez

 15 julho de 2010

 O Presidente da República Árabe Saharaui Democrática, Mohamed Abdelaziz, terminou hoje uma visita oficial à República de Angola, a convite do seu homólogo angolano, o Presidente José Eduardo dos Santos

No decurso da visita, o Presidente da RASD manteve encontros com o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, o presidente da Assembleia Nacional angolana, António Paulo, e com o presidente do Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA).

As conversações entre os dirigentes dos dois países abordaram a cooperação em diversos domínios, as relações bilaterais e os últimos desenvolvimentos da questão do Sahara Ocidental.

À margem da visita, os membros da delegação saharaui tiveram reuniões com os seus homólogos angolanos.

 A visita foi ocasião para a República de Angola afirmar o seu pleno apoio ao povo saharaui e à sua justa luta pela liberdade e a independência, assim como a vontade de contribuir para o desenvolvimento e a troca de experiências entre os dois países em diversos domínios e a coordenação de posições a nível das instâncias internacionais.

 Mohamed Abdelaziz foi acompanhado na visita por uma importante delegação que compreendia os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, respectivamente, Mohamed Salem Ould Salek e Mohamed Lamine Bouhali, o ministro da Cooperação, Baba Salec, o subscretário de Estados dos Negócios Estrangeiros responsável pelos Assuntos Africanos, Mohamed Yeslem Beissat, a Secretária de Estados para a Prevenção Social e a Promoção da Mulher, Mahfoudha Mohamed Rahal, Bachir Sghair e Abdati Breika, conselheiros junto da Presidência da República, os embaixadores da RASD em Angola e nas Ilhas Comores, Louchaa Ahmed e Hammad Ahmed Yahya e, ainda, Mohamed Doueihi, responsável de missão no MNE da RASD.

 Angola reafirma compromisso e apoio à causa do Sahara Ocidental

 Por sua vez, a secretária de Estado da Cooperação de Angola, Exalgina Gambôa, reafirmou hoje em Luanda, o compromisso do seu país em apoiar o povo do Sahara Ocidental, para que este possa alcançar a sua autodeterminação.

Exalgina Gambôa, acrescentou que o seu país está disposto a apoiar o governo do Sahara Ocidental para que as diferentes resoluções, entre as quais as da ONU, sejam realmente aplicadas.

“Vemos que, depois de vários anos, as resoluções das Nações Unidas não estão a ser aplicadas, o que provoca prejuízos enormes ao povo saharaui”, afirmou.

 Por sua vez o ministro da Cooperação da RASD, Baba Salec, afirmou que o encontro serviu para estudar formas de cooperação, amizade e solidariedade entre os dois povos.

Afirmou que neste momento a direcção saharaui está empenhada no processo de negociações entre a Frente Polisario e o Governo de Marrocos sob os auspícios das Nações Unidas, cujo representante pessoal do SG da ONU, o embaixador norte-americano Cristopher Ross, prepara neste momento uma quinta ronda de negociações.

Actualmente a RASD é reconhecida por mais de 80 Estados, entre os quais Angola. A República Saharaui foi admitida na Organização de Unidade Africana em 1982, e é membro fundador da União Africana, organização que sucedeu à OUA.

 Notícia elaborada com base no serviço da SPS

Divulgada pela Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental

Presidente José Eduardo dos Santos reafirma apoio à autodeterminação do Sahara Ocidental

 16 julho de 2010

 O presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, reafirmou o apoio do povo e do governo angolanos ao direito do povo Saharaui à autodeterminação e independência no âmbitos dos acordos firmados sob a égide das Nações Unidas.

No termo da viagem de dois dias que o Presidente Saharaui, à frente de uma importante delegação da RASD realizou a Angola, Mohamed Abdelaziz agradeceu ao povo angolano e ao seu Governo o permanente apoio solidário à causa do povo Saharaui e felicitou o Chefe de Estado angolano pelos progressos alcançados nos domínios da paz, democracia e reconstrução nacional.

Antes da conclusão da viagem oficial, o ministro da Defesa da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), Mohamed Lamin Buhali, foi recebido em audiência na capital angolana pelo seu homólogo da República de Angola, Cândido Pereira dos Santos Van-Dúnem.

No final do encontro, que decorreu à porta fechada, o ministro da Defesa da República Árabe Saharaui Democrática, Mohamed Lamin Albuhali, afirmou que o Estado Saharaui está “pronto” para continuar a fortalecer cada vez más os laços de amizade e cooperação entre os dois países, partilhando de igual modo experiências no ramo militar.

 Informação distribuída pela Associação de Amizade Portugal – Sahara Ocidental

Miles de manifestantes exigen la autodeterminación saharaui

 do site Sahara today

  La Primera Cumbre UE-Marruecos en Granada

 Miles de personas se manifestaron ayer en Granada para reclamar la autodeterminación del Sáhara Occidental mientras se clausuraba la primera cumbre UE-Marruecos. En la marcha se profirieron gritos contra el reino alauí, como «Fuera Marruecos del Sáhara», y contra el Gobierno de Zapatero: «Marruecos culpable, España responsable».

 nos diez mil manifestantes, según los organizadores, unos tres mil, según la policía, exigieron el derecho de autodeterminación de los saharauis y gritaron consignas contra el Estatuto Avanzado, en una marcha que tenía como lema «Sin libertad ni derechos humanos, ¡no al estatuto con Marruecos!». Al frente de la marcha se situaron el coordinador general de IU, Cayo Lara, y la activista Aminatou Haidar, que protagonizó una huelga de hambre de 32 días en Lanzarote hace dos meses.

 Haidar acusó al Gobierno de España de traición y le achacó estar plegándose junto a la UE a un «régimen totalitario», anteponiendo sus intereses económicos a los derechos humanos». A su vez, Cayo Lara señaló que el estatuto otorgado a Marruecos «consolida la mayor violación de los derechos humanos que se puede hacer a un pueblo».

 

Marruecos vende lo que no le pertenece

do site sahara today

La Unión Europea no desconoce que Marruecos ocupa ilegal y violentamente el territorio del Sahara Occidental, donde hasta construyó un muro rodeado de minas explosivas para separar las zonas ocupadas de las que fueron liberadas. Por esto, cuando la Unión Europea paga a Marruecos para poder pescar en el Sahara Occidental, le está pagando a una fuerza ocupante para poder explotar los recursos del territorio, robando los recursos de los saharauis en sus propias narices.

 Campaña para frenar la pesca en el Sahara Occidental ocupado.

 Muro de 2700 kilómetros (el más largo del mundo, después de la Muralla China y el más caro) rodeado de millones de minas antipersonas, para separar las zonas ocupadas de la liberadas

 El Sahara Occidental se caracteriza por su territorio rico en recursos naturales, por lo que ha sido y es objeto de violenta disputa desde que España, el antiguo poder colonial, se retiró del territorio cediéndoselo ilegalmente a Marruecos.
Aunque  82 países del mundo reconocen actualmente a la República Árabe Saharaui Democrática, la Argentina no está en esa lista, a pesar de las cientos de resoluciones internacionales que proclaman el derecho de autodeterminación del pueblo saharaui.

 Un poco de historia
Desde que en 1975 España, el antiguo poder colonial sobre el Sahara Occidental, se retiró del territorio cediéndoselo ilegalmente a Marruecos, éste ha mantenido su violenta ocupación sobre  las tierras saharauis, enriqueciéndose con sus recursos y avasallando  los derechos de la población original.

 Desde entonces ha estado organizado el Frente Polisario (Frente de Liberación Popular de Saguia el Hamra y Rio de Oro), que nació años antes de la invasión para reivindicar la independencia de las tierras saharauis y en contra de la colonización española que duró casi 100 años. En 1976 el Frente proclamó la independencia del territorio y fundó la República Árabe Saharaui Democrática (RASD). En estos años de guerra, Marruecos construyó un muro de 2700 kilómetros (el más largo del mundo, después de la Muralla China y el más caro) rodeado de millones de minas antipersonas, para separar las zonas ocupadas de la liberadas.
Naciones Unidas, que no reconoce la legitimidad de Marruecos sobre el Sahara Occidental, lleva décadas mediando para solucionar esta disputa territorial.

 En agosto del 2003, el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas adoptó un plan -rechazado por Marruecos – por el cual el Sahara Occidental se convertiría en una región semi autónoma en cinco años. El plan establecía la organización de un referendo para que los saharauis decidieran sobre la independencia del territorio, algo que también fue rechazado por Marruecos.
Las conversaciones entre Marruecos y el Frente Polisario se reanudaron en julio de 2007 en Nueva York, Estados Unidos, bajo el auspicio de Naciones Unidas, aunque hasta el momento no se ha producido ningún avance.

Fuente: prensacontrapunto

Deputados nórdicos defendem Sahara Ocidental

do jornal avante

 

Trinta e dois deputados da Finlândia, Suécia e Dinamarca solicitaram, dia 9, aos ministros dos Negócios Estrangeiros dos respectivos países que se oponham a uma renovação automática do acordo de pesca da UE com Marrocos, que inclui as águas do Sahara Ocidental ocupado.

A notícia, divulgada pela ONG Western Sahara Resource Watch e difundida no nosso país pela Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, recorda que a Suécia votou contra o acordo, em 2006, considerando que violava claramente o Direito Internacional. A Dinamarca e a Finlândia também colocaram dúvidas acerca da sua legalidade, tendo a última optado por se abster na votação final e exigido que o povo saharaui fosse consultado.

A carta dos deputados nórdicos baseia-se no parecer jurídico de 2009, elaborado pelo Serviço Jurídico do Parlamento Europeu, onde se afirma que as condições necessárias para o respeito do Direito Internacional não foram cumpridas: não há provas de que o povo saharaui tenha sido consultado, nem que tenha beneficiado do referido acordo. Durante os três anos de vigência do acordo de pesca (2007-2011), a Comissão da União Europeia não conseguiu mostrar um só documento que comprove o contrário. Tanto o movimento de libertação representante do povo saharaui reconhecido internacionalmente pela ONU — a Frente Polisário —, como as principais organizações e a sociedade civil saharaui, manifestaram-se claramente contra o actual acordo e qualquer novo pacto que inclua o seu território.

 A carta foi subscrita por deputados do Partido Social-Democrata, dos Verdes, do Partido de Esquerda e da Aliança da Esquerda, Partido Democrata-Cristão, Partido Liberal, Partido do Centro, Partido Popular Socialista e a Aliança Dinamarquesa Vermelha-Verde.