Alternativas para a crise portuguesa

do site outras palavras

 

Por Boaventura de Sousa Santos

  Começo por descrever os próximos passos do aprofundamento da crise, para de seguida propor uma estratégia de saída. O que neste momento está se tramando como solução para a crise que o país atravessa não fará mais que aprofundá-la. Eis o itinerário. A intervenção do FMI começará com declarações solenes de que a situação é muito mais grave do que se tem dito (o ventríloquo pode ser o líder do PSD, se ganhar as eleições). As medidas impostas serão a privatização do que resta do setor empresarial e financeiro do Estado, a máxima precarização do trabalho, o corte nos serviços e subsídios públicos. Tudo isso  pode levar, por exemplo, a que o preço dos transportes ou do pão suba de um dia para o outro para o triplo, demissões de servidores públicos, cortes nas aposentadorias e salários (a começar pelos abonos de férias e de Natal, um “privilégio” que os jovens do FMI não entendem) e a transformação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) num serviço residual.

Tudo se fará para obter o seal of approval do FMI, que restabelece a confiança dos credores no país. O objetivo não é que pague as dívidas (sabe-se que nunca as pagará), mas antes que vá pagando os juros e se mantenha refém da camisa de forças, para mostrar ao mundo que o modelo funciona.

Este itinerário não é difícil de prever porque tem sido esta a prática do FMI em todos os países onde tem intervindo. Rege-se pela ideia de que one size fits all, ou seja, que as receitas são sempre as mesmas, uma vez que as diferentes realidades sociais, culturais e políticas são irrelevantes
ante a objetividade dos mercados financeiros.

Feita a intervenção de emergência – que os portugueses serão induzidos a ver como uma necessidade e não como um certificado de óbito às suas justas aspirações de progresso e de dignidade –, entra o Banco Mundial para fornecer o crédito de longa duração que permitirá “reconstruir” o
país. Ou seja, para assegurar que os mercados e as agências de rating ditarão ao país o que pode e não pode ser feito. Serão ocultadas as seguintes irracionalidades:

Que o modelo imposto ao mundo está falido na sua sede, os EUA; que o FMI faz tudo para servir os interesses financeiros norte-americanos, até para se defender do movimento que houve no Congresso para extingui-lo; que o maior credor dos EUA, a China, e segunda maior economia do mundo, tem o mesmo poder de voto no FMI que a Bélgica; que as agências de rating manipulam a realidade financeira para proporcionar aos seus clientes “rendas financeiras excessivas”.

Claro que pode haver complicadores. Os portugueses podem revoltar-se. O FMI pode admitir que fez um juízo errado e reverter o curso, como aconteceu na crise do Leste da Ásia, em que as políticas do FMI produziram o efeito contraproducente, como reconhece Jagdish Bhagwati, um respeitado economista e free trader convicto, em In Defense of Globalization. Se tal acontecer, não é sequer imaginável que o FMI indenize o país pelo erro cometido.

Perante este agravamento concertado da crise, como buscar uma saída que restitua aos portugueses a dignidade de existir? Não discuto aqui quem serão os agentes políticos democráticos que tomarão as medidas necessárias, nem o modo como os portugueses se organizarão para pressioná-los nesse sentido. As medidas são as seguintes:

Realizar uma auditoria da dívida externa, que permita reduzi-la à sua proporção real: por exemplo, descontando todos os efeitos de rating por contágio de que fomos vítimas nos últimos meses.

Resolver as necessidades financeiras de curto prazo contraindo empréstimos, sem as condicionalidades do FMI, junto de países dispostos a acreditar na capacidade de recuperação do país, tais como a China, o Brasil e Angola.

Tomar a iniciativa de promover um diálogo Sul-Sul, depois alargado a toda a Europa, no sentido de refundar o projeto europeu, já que o atual está morto.

Promover a criação de um mercado de integração regional transcontinental, tendo como base a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e como carros-chefes Brasil, Angola e Portugal.

Usar como recurso estratégico nessa integração a requalificação da nossa especialização industrial, em função do extraordinário avanço do país nos últimos anos nos domínios da formação avançada e da investigação científica.

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Boaventura de Sousa Santos é diretor  do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra

Que 2011 seja um ano de muitas lutas e vitórias para todos os povos oprimidos !!

Esta foto foi cedida por uma camarada do PCP ( partido Comunista Português), Isabel Lourenço, e compartilho com você pois retrata uma situação de exploração imperialista, onde pessoas são retiradas a força de sua pátria, no caso o Sahara Ocidental (abaixo do Marrocos) e acolhidas em acampamentos de refugiados (na Argélia) para que o capital possa agir de forma livre atendendo aos interesses dos mais poderosos, sem a menor preocupação com a vida humana.

KAFINA!

Kafina significa BASTA em Hassania idioma dos saharauis. E é essa palavra que deveria ecoar em todos os corredores, auditórios e assembleias do Mundo. Basta! Basta de mais um massacre hediondo numa longa e interminável lista de violações dos direitos mais básicos do Homem perpetrados pelo Rei e governo de Marrocos e as suas forças de “segurança”, forças militares policiais.

Quantos mais terão que ser assassinados para que finalmente haja uma reacção da Comunidade Internacional? Quantas violações, torturas, assassinatos, desaparecimentos de crianças, jovens, mulheres, homens e idosos? O que é necessário para que parem com este genocídio?

A situação nos territórios ocupados é indescritível, as cidades tomadas pelo exército, os veículos de todos os saharauis são incendiados para que não tenham meios de fugir, entre os farrapos das tendas do acampamento desmantelado à força e incendiado encontram-se cada vez mais cadáveres. Filas de camiões de caixa aberta com cadáveres passam pelas ruas, cadáveres de crianças são encontrados em poços e rios. 12 Bebes de 2 a 8 meses foram encontrados vivos, ninguém sabe quem são as suas famílias vivendo agora em casa de saharauis que os acolheram. As escolas estão encerradas, as lojas saharauis destruídas, os activistas dos direitos humanos isolados, milhares de detidos entre eles crianças de 12 anos. Os detidos são tantos que estão a ser enviados para campos militares.

Estas são apenas algumas das notícias que durante os últimos dias nos têm chegado de um território onde é proibida a entrada a jornalistas porque segundo declarações de vários responsáveis do governo marroquino estes “ se portam mal”.

Poderia continuar a lista dos crimes que estão a ser cometidos mas não ficariam a saber mais do que aquilo que é necessário: um enorme e monstruoso crime está a ser cometido contra um povo pacífico sob o nosso olhar e silêncio! Somos cúmplices!

Me envergonho em especial da minha condição de cidadã portuguesa, sendo portuguesa exijo que o governo de Portugal  respeite a nossa constituição que diz no seu artigo 7º ponto 3: ” Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.”

Apelo ao governo português que como membro do Conselho de Segurança actue para que se ponha fim a este crime contra a humanidade.

E apelo a todos os cidadãos do mundo para que junto dos seus governos, partidos, sindicatos, escolas, bairros denunciem esta situação, condenem a actuação do governo de Marrocos e exijam às Nações Unidas que tomem medidas para que os direitos humanos no sahara ocidental sejam respeitados e para que rapidamente se realize o referendo da autodeterminação.

 Escrito por Isabel Lourenço em 11/11/2010 – Membro do Partido Comunista Português e do CPPCConselho Português para a Paz e Cooperação

Submissão e resistência

jornal AVANTE

Ao receber a cimeira da NATO em Lisboa, daqui a menos de um mês, as autoridades portuguesas dão mais um passo na sua já longa história de submissão a esta estrutura militar do imperialismo, dirigida pelos Estados Unidos da América. Mas a forte resistência que se fará sentir nas ruas, no próximo dia 20, na grande manifestação promovida pela Campanha «Paz Sim! NATO Não!», também tem grande tradição entre nós.

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Portugal foi um dos doze países que assinou o Tratado de Washington em 1949 que criou a NATO – Organização do Tratado do Atlântico Norte. Acompanharam-no a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Islândia, a Itália, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Noruega, o Reino Unido e os Estados Unidos da América.

No referido tratado, a NATO enunciava como objectivo «salvaguardar a liberdade e a segurança de todos os seus membros» e apresentava-se com um âmbito defensivo. Mas só na aparência, pois a NATO apontava o seu fogo à União Soviética (cujo prestígio no mundo era imparável por ter sido a grande responsável pela vitória sobre o nazifascismo na II Guerra Mundial), aos movimentos de libertação e à independência nacional.

Apresentando-se como a organização militar daquilo a que chamavam o mundo livre, era a própria composição da NATO a desautorizar esta afirmação: entre os seus membros estavam Portugal fascista e colonialista e potências coloniais como o Reino Unido, a França, a Bélgica ou os Países Baixos. Poucos anos depois aderiram a Grécia e a Turquia e, em 1955, a República Federal da Alemanha, por cujos corredores do poder andava gente com forte ligação ao nazismo.

A NATO permitiu ao regime fascista sobreviver. Isolado em sequência da derrota dos seus aliados ideológicos, a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler, o salazarismo encontrou na Inglaterra, nos Estados Unidos e na NATO os seus novos sequazes, oferecendo as suas posições geográficas estratégicas no Atlântico Norte, no Atlântico Sul e no Índico. A presença norte-americana nas Lajes, que ainda hoje se mantém, foi oficializada em 1948. Salazar buscava também o apoio da NATO em caso de guerras coloniais.

Foi o próprio Franco Nogueira, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar, a reconhecer que os EUA se encontravam numa «posição difícil, porque os seus mais importantes aliados e únicos com quem verdadeiramente poderiam contar eram os países colonizadores que, entretanto, se tornaram as primeiras vítimas do anticolonialismo». Pouco mais de uma década depois da criação da NATO, estalam as guerras em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que custaram mais de nove mil mortos portugueses e 100 mil entre a população africana. Do lado do colonialismo português, estas guerras foram travadas com armas da NATO.

Revolução e contra-revolução

Com a Revolução de Abril, alterou-se profundamente a relação entre Portugal e a NATO. Demonstrando toda a hostilidade para com o processo revolucionário, a NATO recorreu a manifestações de força com as manobras Locked Gate realizadas na costa portuguesa no início de 1975 – com a memória da sua participação na invasão turca da parte Norte de Chipre, no ano anterior, ainda bem viva na memória…

O 25 de Novembro e o consequente afastamento dos sectores de esquerda das Forças Armadas, marcam o regresso em força da Aliança Atlântica ao País. Apesar disso, e por força da intensa movimentação de massas que se fazia sentir, é aprovada em 1976 a Constituição da República Portuguesa que, no seu artigo 7.º, prevê a «abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares». Tal como noutros artigos, que preconizam outros tantos avanços históricos nos planos económico, social e cultural, a Lei Fundamental não passou de letra morta.

O avanço da contra-revolução e a destruição de parte considerável das conquistas de Abril foram acompanhados por um crescente enfeudamento do País à NATO, acompanhando a transformação desta organização, sobretudo a partir dos anos 90 do século passado, numa estrutura claramente agressiva com uma jurisdição global auto-conferida. Sucessivos governos portugueses, do PS ou do PSD, com ou sem o CDS-PP, vão acompanhar e suportar todas as operações militares da NATO – como sucede na Bósnia, na Jugoslávia e Kosovo e no Afeganistão – e apoiar com entusiasmo as revisões do seu conceito estratégico em 1999 e, agora, em 2010.

A participação nas operações militares da NATO, a adaptação das Forças Armadas portuguesas aos seus interesses (na qual o fim do Serviço Militar Obrigatório assumiu um papel central) e o aumento dos gastos militares são exemplos concretos desta crescente e vergonhosa submissão.

Objectivos sinistros

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Os objectivos da cimeira que a NATO realiza em Portugal este mês, pelo que representam de perigos e ameaças para os povos, merecem o generalizado repúdio popular. Entre eles, contam-se a reformulação do conceito estratégico da NATO, a busca de compromissos para o atoleiro em que se transformou a invasão ao Afeganistão e a instalação de novos sistemas anti-míssil na Europa.

Do novo conceito estratégico conhece-se o conteúdo do documento intitulado Análise e Recomendações do Grupo de Peritos para um Novo Conceito Estratégico da NATO, presidido por Madeleine Albright, Secretária de Estado dos EUA aquando da agressão à Jugoslávia em 1999 – que configura um salto em frente na agressividade do imperialismo.

Previsto está o alargamento do âmbito de acção da NATO a todas as regiões do mundo, ao mesmo tempo que se amplia o leque de pretextos que podem ser invocados para justificar uma intervenção. O aumento das despesas militares, sobretudo dos membros europeus; a continuação da escalada armamentista; a proliferação das bases militares; e a reafirmação da União Europeia como «parceiro central e estratégico» da NATO, estão também incluídos no texto. Defende-se ainda a manutenção e utilização das armas nucleares na doutrina e estratégia da aliança, prevendo-se a instalação de armas nucleares dos EUA no território de outros países membros.

É perante estes objectivos, que há muito conhece mas que manteve à margem dos portugueses, que o Governo se afirma orgulhoso de receber a cimeira, não tendo qualquer palavra de rejeição dos seus objectivos. Antes pelo contrário, as declarações que proferiu foram no sentido de os valorizar. A manifestação do próximo dia 20 em Lisboa é também contra o executivo liderado por José Sócrates e todos quantos apoiam e suportam a NATO.

Manifestação de 20 de Novembro será histórica

Uma luta de décadas

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A luta do povo português contra a NATO é tão antiga quanto a própria Aliança Atlântica. Como lembrou Margarida Tengarrinha, numa sessão comemorativa do 60.º aniversário do Conselho Mundial da Paz, realizada em Lisboa em Janeiro deste ano, foi logo em 1950 que surgiu em Portugal a Comissão Nacional para a Defesa da Paz, primeira organização do movimento da paz português.

O principal dos seus objectivos era recolher 100 mil assinaturas para o Apelo de Estocolmo contra as armas nucleares, integrado no poderoso movimento que recolheu, em todo o mundo, 500 milhões de assinaturas – o maior abaixo-assinado de todos os tempos.

Na mesma sessão, Maria da Piedade Morgadinho, da Comissão Central de Controlo do PCP, recordou que na época «eram proibidas manifestações, mas os jovens organizavam-se em brigadas de trabalhadores e estudantes e percorriam as ruas dos centros e bairros operários como fizeram em Lisboa, Porto, Barreiro, Almada, Marinha Grande, Beja, Pias, Grândola e tantas e tantas outras cidades, vilas e aldeias, recolhendo assinaturas para a paz». Em inúmeras paredes, desafiando a proibição fascista, inscreveu-se a palavra Paz.

Muitos pagaram estas ousadias com a prisão, as torturas e, em alguns casos, com a morte. Vários dirigentes do Movimento Nacional Democrático, como Ruy Luís Gomes, Virgínia Moura, José Morgado e Albertino Macedo foram julgados no Tribunal Plenário de Lisboa por terem enviado um telegrama a Salazar protestando contra a utilização do território nacional por forças da NATO1. Mas, como realçou Maria da Piedade Morgadinho, a «luta não esmorecia».

A realização, em Portugal, da primeira conferência interministerial da NATO, em 1952, deu motivos acrescidos ao movimento da Paz. Na obra citada, Margarida Tengarrinha recorda a «acção mais imaginativa e audaciosa» que realizaram – a colocação de dois grandes cartazes no elevador de Santa Justa, em Lisboa, à hora de maior movimento. Num deles lia-se Fora a NATO enquanto o outro apelava Luta pela Paz. Enrolados nos cartazes encontravam-se folhetos com gravuras relativas à paz, que voaram pela Baixa lisboeta.

Em Junho de 1971, realizou-se em Lisboa uma nova reunião do Conselho Ministerial da NATO. Em plena Guerra Colonial, essa reunião constituía uma «verdadeira provocação e um insulto ao povo português», como lembra Jaime Serra2. A Acção Revolucionária Armada (ARA) levou a cabo uma acção que perturbou por completo o efeito público dessa reunião, à qual acorreu em grande número a comunicação social internacional.

Disfarçados com as fardas dos funcionários dos CTT, operacionais da ARA explodiram aquele que era o «centro nevrálgico de todas as comunicações radiotelegráficas e telefónicas», situado a poucas centenas de metros da sede da PIDE. O histórico dirigente do PCP lembra que «Lisboa ficou isolada do resto do País e do mundo, provocando a desorientação e a maior perturbação no seio do governo fascista e entre os seus convidados parceiros da NATO. Por este facto a reunião começou com grande atraso, tendo sido desvalorizada pelos numerosos jornalistas presentes que optaram por dar relevo à acção da ARA». Marcello Caetano terá ficado retido num elevador juntamente com o Secretário de Estado dos EUA em sequência da explosão.  

Firmes contra a guerra

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Conquistada a liberdade, não foi mais necessário recorrer a acções clandestinas ou armadas. A criação, em 1976, do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), é um momento alto da luta pela paz em Portugal, dando-lhe uma expressão popular, unitária e de massas. Nos anos 80, combateu-se intensamente a instalação de novos e mais potentes mísseis norte-americanos na Europa Ocidental e exigiu-se o fim das armas nucleares.

Em 1999, milhares de portugueses contestaram nas ruas a agressão à Jugoslávia, o que voltaram a fazer dois anos depois, aquando da invasão do Afeganistão. Nos dois casos, fizeram-no enfrentando uma poderosa ofensiva mediática legitimadora das guerras e do novo papel da NATO, à qual não resistiram inclusivamente muitos sectores de esquerda.

Desde que foi conhecida a disponibilidade das autoridades portuguesas para receberem, no País, a cimeira da NATO em 2010 (a mesma que demonstraram para receber a cimeira das Lajes, que determinou a invasão do Iraque pela coligação EUA-Inglaterra-Espanha), que o movimento da paz se mobilizou. Nasceu assim, em Janeiro deste ano, a Campanha «Paz Sim! NATO Não!», em torno de questões essenciais: a manifestação de repúdio pela realização da cimeira da NATO em Portugal; a exigência de retirada das tropas nacionais de missões da NATO; o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO no País; a recusa da transformação da União Europeia em pilar europeu da NATO; a exigência do desarmamento, do fim das armas nucleares e de destruição maciça e da dissolução da NATO.

Em torno destas causas, a Campanha rapidamente alargou a sua influência a vários sectores, reunindo actualmente mais de uma centena de organizações nacionais (entre as quais se contam o CPPC, a CGTP-IN e o PCP). Entre as acções realizadas, destaca-se a petição que recolheu 13 mil assinaturas e que foi já debatida na Assembleia da República, obrigando PS, PSD e CDS a assumirem as suas posições em defesa das guerras e ocupações e da corrida aos armamentos.

A manifestação de dia 20 de Novembro, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa, pela sua dimensão e significado, entrará directamente na história da luta pela paz em Portugal.

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1 Margarida Tengarrinha, Quadros da Memória, Edições Avante!, 2004

2 Jaime Serra, As explosões que abalaram o fascismo – o que foi a ARA, Edições Avante!, 1999

Petição contra a NATO e a cimeira

do jornal avante

 
Em debate amanhã no Parlamento
 A petição promovida pela Campanha «Paz Sim! NATO Não», e que foi subscrita por 13 mil pessoas, é discutida amanhã no plenário da Assembleia da República. O debate terá início às 10 horas.

No documento exige-se a retirada das forças portuguesas envolvidas em missões militares da NATO; o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO em território nacional; a recusa da militarização da União Europeia, que a transforma no pilar europeu da NATO; e a efectiva realização de uma política externa portuguesa em consonância com os princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Carta das Nações Unidas, incluindo a promoção de iniciativas em prol do desarmamento e da dissolução dos blocos político-militares.

A petição aborda ainda a preocupação dos seus promotores quanto aos objectivos da cimeira que a NATO realiza em Portugal em Novembro, nomeadamente a revisão do seu conceito estratégico no sentido de «alargar o seu campo de actuação geográfica, como já sucede nos Balcãs, no Afeganistão e no Paquistão e os pretextos de intervenção». A realização desta cimeira em Portugal significa, acrescentam, a «confirmação do envolvimento do País nos propósitos militaristas deste bloco político-militar, que constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional».

O debate parlamentar desta petição é uma oportunidade para que se perceba as concepções dos partidos com representação parlamentar em questões tão fundamentais como a paz, o desarmamento e o respeito pela soberania dos povos.

A ameaça da ditamole em Portugal

do site opera mundi

 Se nada fizermos para corrigir o curso das coisas, dentro de alguns anos se dirá que a sociedade portuguesa viveu, entre o final do século XX e começo do século XXI, um luminoso mas breve interregno democrático. Durou menos de quarenta anos, entre 1974 e 2010. Nos quarenta e oito anos que precederam a revolução de 25 de Abril de 1974, viveu sob uma ditadura civil nacionalista, personalizada na figura de Oliveira Salazar. A partir de 2010, entrou num outro período de ditadura civil, desta vez internacionalista e despersonalizada, conduzida por uma entidade abstrata chamada “mercado”.

As duas ditaduras começaram por razões financeiras e depois criaram as suas próprias razões para se manterem. Ambas conduziram ao empobrecimento do povo português, que deixaram na cauda dos povos europeus. Mas enquanto a primeira eliminou o jogo democrático, destruiu as liberdades e instaurou um regime de fascismo político, a segunda manteve o jogo democrático mas reduziu ao mínimo as opções ideológicas, manteve as liberdades mas destruiu as possibilidades de serem efetivamente exercidas e instaurou um regime de democracia política combinado com fascismo social. Por esta razão, a segunda ditadura pode ser designada como ditamole.

Os sinais mais preocupantes da atual conjuntura são os seguintes. Primeiro, está a aumentar a desigualdade social numa sociedade que é já a mais desigual da Europa. Entre 2006 e 2009 aumentou em 38,5% o número de trabalhadores por conta de outrem abrangidos pelo salário mínimo (450 euros): são agora 804.000, isto é, cerca de 15% da população ativa; em 2008, um pequeno grupo de cidadãos ricos (4051 agregados fiscais) tinham um rendimento semelhante ao de um vastíssimo número de cidadãos pobres (634.836 agregados fiscais). Se é verdade que as democracias européias valem o que valem as suas classes médias, a democracia portuguesa pode estar cometendo suicídio.

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Segundo, o Estado social, que permite corrigir em parte os efeitos sociais da desigualdade, é em Portugal muito débil e mesmo assim está sob ataque cerrado. A opinião pública portuguesa está sendo intoxicada por comentaristas políticos e econômicos conservadores – dominam os meios de comunicação como em nenhum outro país europeu – para quem o Estado social se reduz a impostos: os seus filhos são educados em colégios privados, têm bons seguros de saúde, sentir-se-iam em perigo de vida se tivessem que recorrer “à choldra dos hospitais públicos”, não usam transportes públicos, auferem chorudos salários ou acumulam chorudas pensões. O Estado social deve ser abatido. Com um sadismo revoltante e um monolitismo ensurdecedor, vão insultando os portugueses empobrecidos com as ladainhas liberais de que vivem acima das suas posses e que a festa acabou. Como se aspirar a uma vida digna e decente e comer três refeições mediterrânicas por dia fosse um luxo repreensível.

Terceiro, Portugal transformou-se numa pequena ilha de luxo para especuladores internacionais. Fazem outro sentido os atuais juros da dívida soberana num país do euro e membro da UE? Onde está o princípio da coesão do projeto europeu? Para gáudio dos trauliteiros da desgraça nacional, o FMI já está cá dentro e em breve, quando do PEC 4 ou 5, anunciará o que os governantes não querem anunciar: que este projeto europeu acabou.

Inverter este curso é difícil mas possível. Muito terá de ser feito em nível europeu e a médio prazo. A curto prazo, os cidadãos terão de dizer basta! Ao fascismo difuso instalado nas suas vidas e reaprender a defender a democracia e a solidariedade tanto nas ruas como nos parlamentos. A greve geral será tanto mais eficaz quanto mais gente vier para a rua manifestar o seu protesto. O crescimento ambientalmente sustentável, a
promoção do emprego, o investimento público, a justiça fiscal, a defesa do Estado social terão de voltar ao vocabulário político através de entendimentos eficazes entre o Bloco de Esquerda, o PCP e os socialistas que apoiam convictamente o projeto alternativo de Manuel Alegre.

* Boaventura de Sousa Santos é sociólogo e professor catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (Portugal). Artigo originalmente publicado na Carta Maior.

Por Márcia Silva Postado em Portugal

Se me saísse a loteria….

Título passado para o português falado no Brasil

do blog cheira-me a revolução

Foi durante um jantar. Alguém se pôs a sonhar alto com o que faria caso ganhasse a Lotaria ou o Euromilhões. Casa, carro, férias, trabalhar menos, oferecer uma dentadura à mãe… E quando chegou a vez de um comunista dizer o que faria a tanto dinheiro, alguém diz

Ahhh!, tu não podes [ser rico], és comunista.

É tão frequente, que tenho uma frase pronta para responder em situações semelhantes. Respondi algo como isto:

Nós, comunistas, nada temos contra o ser-se rico, mas antes, com a forma como se fica rico: se por via da exploração de outra pessoa, ou se por via do próprio trabalho.

E, para que fique claro e rasgue com o preconceito, declaro

Adoraria ser rico.

A surpresa levanta a curiosidade, e lá tento explicar-me, dizendo entre muitas outras coisas que a separação mais importante não é entre pobres e ricos, mas entre explorados e exploradores. Mas assim que se usa o termo exploração surge um novo desafio.  É comum pensar-se que a exploração é um conceito meramente subjectivo, isto é, que se é ou não explorado caso se ache bem ou mal remunerado (!). Tinha que me fazer compreender melhor…

Entretanto, a televisão falava da guerra – a desgraça continua – mas o que capta a atenção dos presentes é o jantar estar insonso. Tento explicar aos mais curiosos de onde provem então a exploração (e que afinal de contas a exploração é algo objectivo, isto é, que existe para além de nós).

Não deu para explicar. Afinal, o jantar estava insonso. Isso tornou-se o mais importante. Mas, mais tarde, quase todos os presentes revelaram sentir que não eram remunerados devidamente. Era isso que lhes tinha tentado dizer, mas por outras palavras. Ali, naquele jantar, todos pertencíamos aos explorados, quer soubéssemos ou não disso.

Neste mundo, a exploração está sempre ai, quer se tenha consciência ou não dela. Quer alguma vez se tenha ouvido falar em conceitos de economia como Mais-Valia, ou não. E era este o conceito que queria ter chegado a mostrar. Fica para uma próxima, quando estiverem mais interessados nisto:

Era só pôr sal.

# por Bruno (do colectivo Leitura Capital)

A Moral comunista

do jornal avante

Jorge Messias
 A noção moral da intervenção comunista é indissociável da sua própria filosofia de acção. Os comunistas intervêm nos problemas da comunidade criticando, denunciando e propondo alternativas, com coragem e sempre falando com um só discurso impregnado nos princípios do marxismo-leninismo. Dizia K. Marx numa das suas cartas: «É repelente encontrarmo-nos sob um jugo, mesmo em prol da liberdade; é repelente darem-nos alfinetadas, em lugar de se andar à espadeirada. Estou farto da hipocrisia, da grosseira arbitrariedade, aborrece-me ter de me adaptar, de ter que ter em conta o mínimo reparo…». Esta atitude de conservar a liberdade pessoal mas de respeitar, simultaneamente, as linhas-mestras da luta de classes é moral e profundamente comunista.

A este aspecto básico que conjuga liberdade, determinação e disciplina política, juntam-se muitos outros valores que na sua totalidade traduzem a filosofia ética do marxismo-leninismo. Valores morais, no sentido da práxis, como honestidade, frontalidade, verdade e coragem. Escreveu W.I. Lenine: «A sinceridade em política ou seja, a sinceridade num domínio das relações humanas em que já não se trata de indivíduos mas de milhões de seres humanos, significa perfeita correspondência entre as palavras e os actos».

Em termos de História contemporânea, teremos de reconhecer que se muito se transformou na forma como os elementos políticos se combinam, muito pouco se alterou no fundo das relações entre as forças em presença. Os capitalistas continuam a mentir cinicamente e a jurarem em vão. Os comunistas conservam integralmente o seu projecto final de uma sociedade humana – universal e sem classes. São cada vez em maior número aqueles que tomam consciência da gigantesca trapaça capitalista e dos roubos grosseiros que praticam impunemente e o povo anónimo é obrigado a suportar na sua pele e no seu magro bolso.

Todo esse povo sabe agora que a sua luta contra as oligarquias capitalistas e religiosamente fanáticas terá necessariamente que endurecer.

E sabem ser sua a vitória final.

 Os malabaristas da História

Nos relatos dos meios de comunicação social, o calendário da História parece desfolhar-se devagar. Na verdade não é assim. A História caminha a uma velocidade vertiginosa. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Os mais ricos são relativamente cada vez menos numerosos mas muito mais ricos. E os pobres e os muito pobres representam incontáveis multidões de esfarrapados. Esta situação universal alastra vertiginosamente.

A súbita fortuna gera a sobranceria, o total egoísmo, o exibicionismo e a violência dos fortes sobre os fracos. A redução dos homens à miséria conduz ao desespero, à fome e à violência que a grande pobreza necessariamente desencadeia. Sobre estas realidades mais do que nunca actuais, falta fazer-se um mundo de revelações. Refira-se simplesmente uma delas, de forma superficial, tal como inevitavelmente questões tão profundas terão de ser abordadas num reduzido espaço. Aliás, retomaremos este tema logo que possível: enriquecimento prematuro, intervenção da doutrina, combate à pobreza e alastramento mundial da miséria. Eis o caso de que hoje se trata.

Os «Legionários de Cristo» são considerados no mundo católico como ponta de lança dos grupos eclesiásticos mais conservadores. Fundada há 60 anos e inscrita na linha do Opus Dei, a Ordem dos LC dirige actualmente, em vários países do mundo, 15 grandes universidade e outras 48 de dimensões menores. As universidades mais importantes formam politicamente os sacerdotes que depois ingressam nos níveis dirigentes da «sociedade civil», no alto clero e nas estruturas do Estado capitalista. Os outros colégios, quase todos situados no México, são frequentados por classes populares. Tal como o Opus Dei, os «legionários» aceitam, em cursos e programas diferentes, homens e mulheres como alunos. E, tal como o Opus Dei, veneram a figura do «fundador»: o padre Maciel tem para os LC a mesma aura de santidade que Escrivá de Ballaguer detém no OD.

A Ordem foi fundada pelo padre Maciel há 60 anos. Foi fundada durante a crise de 60 como arma de combate às ideias da Teologia da Libertação e no âmbito da contenção do comunismo. Diz combater a pobreza, mas dos seus bens actualmente conhecidos refere-se 63 universidades, 177 colégios e centenas de hectares de floresta virgem no Amazonas. Dispõe de um corpo docente de 3450 sacerdotes que dão ensino, anualmente, a 133 mil alunos. O seu braço laico principal é o «Reino de Cristo», com 75 mil membros organizados em células.

Durante a «guerra fria» (falsamente dada agora como encerrada) a LC fez-se notar pelo incondicional apoio que recebeu de Franco e de todos os ditadores que combatiam as crescentes ideias comunistas entre os fiéis católicos. «São ponta de lança da Igreja mais conservadora. Não permitem concessões nem perdem tempo… É pecado!», afirma-se num interessante artigo publicado no El País (curiosamente, também ele ligado à Igreja espanhola).

Eis um tema de interesse para as nossas reflexões futuras

Dois milhões de portugueses vivem em risco de pobreza

do sábado noticias

Por:Andreia Costa Em Portugal há 1,9 milhões de pessoas a viverem com menos de 414 euros por mês, e, por consequência, numa situação de risco de pobreza, revelou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE). Os dados foram apurados graças ao ”Inquérito às Condições de Vida e Rendimento”, realizado em 2009 e os valores apresentados referem-se aos rendimentos de 2008. Embora preocupantes, os 17,9% correspondentes aos portugueses que estão em situação de risco de pobreza, representam uma ligeira melhoria (menos 210 mil pessoas) face aos 18,1% registados no inquérito anterior.
 

Os dados apurados referem ainda que são os de-sempregados e os reformados que mais risco de pobreza apresentam. 42,8% dos indivíduos que estão desempregados estão no patamar mínimo, com rendimentos anuais iguais ou inferiores a 4969 euros. No grupo dos reformados, o valor é mais baixo, ainda que chegue aos 17,4%.

Relativamente a agregados familiares, é nas famílias com dois ou mais filhos que a probabilidade de chegar a uma situação de pobreza é maior (42,8%). 38,8% de agregados constituídos por apenas um adulto e uma criança aproximam-se também dessa possibilidade. O risco de pobreza é menor (apenas 8%) nos lares constituídos por três ou mais adultos, sem crianças dependentes.

 

A ponta do icebergue

do jornal avante

Albano Nunes
Na Alemanha, em 31 de Maio, no regresso de uma visita às tropas alemãs no Afeganistão, o presidente da República Horst Köhler foi forçado a demitir-se. Ao procurar justificar a impopular participação germânica em operações de agressão este antigo director do FMI afirmou, preto no branco, tratar-se de «proteger os interesses económicos» da Alemanha. Apesar da crescente arrogância com que Merkel e o seu governo intervêm na União Europeia e nas relações internacionais, uma tal franqueza acabou por custar-lhe o cargo que exercia desde 2004 e para o qual ainda há pouco fora reeleito.
No Japão, em 2 de Junho, após apenas nove meses de governo, demitia-se por sua vez o primeiro-ministro Yukio Hatoyama , o chefe do PDJ que vencera clamorosamente as eleições de Agosto último com promessas de mudança de sabor patriótico, mas que caía a pique nas sondagens em resultado da desilusão do eleitorado. A publicação dias antes de um comunicado conjunto com os EUA que trai o compromisso de retirar de Okinawa a base norte-americana de Futenma mostrou que na aliança militar nipo-norte-americana os interesses dos EUA continuam a falar mais alto. Perante a pujança do movimento contra a base de Okinawa, a rápida substituição do rosto da capitulação era inevitável.

Estes dois acontecimentos, aparentemente banais no quadro do funcionamento «democrático» do sistema capitalista, em que a classe dominante faz e desfaz dirigentes e governos ao sabor das conveniências, são contudo muito significativos. E porquê? Porque dizendo respeito a duas potências da «Tríade» num tempo de aprofundamento da crise capitalista e de grande turbulência e incerteza nas relações internacionais, eles constituem apenas a ponta do icebergue de contradições e tendências de fundo que estão a desenhar o nosso futuro. É particularmente significativo que ambas as demissões estejam relacionadas com questões militares e sejam expressão de impulsos agressivos que se acentuam no bojo da crise económica do capitalismo, e que ambas ocorram em países que, tendo sido responsáveis (com a ascensão ao poder do nazismo e do militarismo fascista japonês) pelo desencadeamento da II Guerra Mundial, não escondem hoje posições revanchistas e ambições imperialistas.

Em relação ao imperialismo alemão estamos nós portugueses bem servidos graças à participação de Portugal na União Europeia, numa relação de subalternidade e dependência à medida dos interesses da Alemanha, que aliás está a tentar impor um novo salto qualitativo na integração (económica, política e militar) que já muitos consideram um autêntico «golpe de Gstado». Quanto ao imperialismo japonês é importante ter presente o Tratado militar nipo-norte americano em que o Japão se tem movido. Os EUA, que dispõem de gigantescas bases militares no arquipélago (Okinawa é a mais conhecida), precisam para os seus objectivos estratégicos de um Japão militarizado e agressivo, mas sob a sua hegemonia. A contradição é evidente, mas o imperialismo não consegue fugir-lhe. «Os fardos deste século não podem ser carregados apenas pelos nossos soldados» proclamava recentemente o presidente norte-americano. A permanente tensão criada pelo imperialismo na Península da Coreia dividida e as constantes provocações contra a RDPC fazem parte de um jogo que visa alimentar o militarismo na zona Extremo Oriente/Pacífico com o objectivo de pressionar a Rússia, conter a China e tentar impedir todo e qualquer desenvolvimento de soberania e progresso social na região.
É por isso necessário seguir com atenção o que se vai seguir. Num quadro de agravamento da crise capitalista e de agudização inevitável das contradições inter-imperialistas são de admitir desenvolvimentos ainda mais perigosos para a soberania, a liberdade e a paz. Sem esquecer a indesejável cimeira da NATO prevista para Novembro em Portugal.