Sahara Ocidental é imperioso respeitar a Resolução das Nações Unidas

Sahara Ocidental é imperioso respeitar a Resolução das Nações Unidas

A Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos, solidária com o povo saharauí, que aguarda
pacificamente a implementação das resoluções das Nações Unidas há mais de vinte anos e se encontra numa situação de perigo e ameaça diária por parte das
autoridades Marroquinas no território ocupado do Sahara Ocidental, vem por este meio apelar à IV Comissão – Comissão de Política Especial e Descolonização, a
adopção de medidas que promovam a aplicação dos acordos assinados pelas duas partes respeitando os direitos do povo saharauí.

A ONU tem como propósitos/funções principais:

Manter a paz e a segurança internacionais; Desenvolver relações amistosas entre as nações; Realizar a cooperação internacional para resolver os
problemas mundiais de carácter económico, social, cultural e humanitário, promovendo o respeito aos direitos humanos e às liberdades fundamentais; Ser um
centro destinado a harmonizar a acção dos povos para a realização desses objectivos comuns.

Contudo o desenvolvimento da situação no Sahara Ocidental, em que a recente onda de violência e a falta de
transparência que rodeia os acontecimentos, demonstram a necessidade urgente de tomadas de posição, principalmente por parte da ONU (no âmbito das suas funções),  que instem o Reino de Marrocos a respeitar os acordos assinados sob a égide das Nações Unidas.

O reino de Marrocos continua a sua saga colonizadora e assassina no Sahara Ocidental, um regime que oprime e desrespeita os direitos humanos da população saharauí residente no Sahara
Ocidental, ilegalmente ocupado desde 1975, violando a decisão do tribunal internacional e desrespeitando a resolução das Nações Unidas de realização de referendo.

Muitos são já os casos de flagrante violação dos direitos humanos do Povo Saharauí e são por demais manifestas as atitudes contrárias à Carta das Nações Unidas perpetradas pelo
Reino de Marrocos, numa atitude de desrespeito e desafio ao direito internacional, perante a passividade da comunidade internacional.

A Assembleia Geral das Nações Unidas assumirá esta terça e quarta-feira, dias 4 e 5 de Outubro, mandato de Comissão de Política Especial e Descolonização, mais conhecida como IV Comissão. A
colónia espanhola será o principal tema de debate. No final a Assembleia aprovará por maioria uma resolução não vinculativa mas com a relevância de nela
a ONU poder reafirmar os princípios que a orientam, bem como reforçar a sua autoridade como mediador na resolução de conflitos, nomeadamente reiterando a
observação dos termos dos acordos assinados sob a sua égide e a validade das resoluções assumidas neste fórum, instando o Reino de Marrocos à realização do
referendo de autodeterminação acordado entre este reino os legítimos representantes do povo saharauí.

Não é de somenos importância que a IV Comissão, reconheça que a MINURSO continua a ser a única missão actual de manutenção de paz sem um mandato para vigiar os Direitos Humanos e
consequentemente as Nações Unidas não estão a cumprir com a sua responsabilidade de protegerem as vítimas deste conflito. Neste âmbito urge que
a resolução a ser aprovada aponte no sentido da inclusão no seu mandato, das medidas que garantam essa efectiva e eficaz vigilância dos Direitos Humanos.

A ACOSOP apela aos representantes dos diferentes países e aos seus respectivos governos que assumam uma posição firme em defesa da população saharaui e exijam o respeito pelo direito internacional e a resolução das Nações Unidas e reafirma a sua indignação perante o silêncio cúmplice a que este conflito é votado.

A direcção da ACOSOP  Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos

Lisboa, 3 de Outubro de 2011

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ACOSOP – Associação de Cooperação e Solidariedade entre os Povos

www. acosop.com

e-mail: acosop.direccao@gmail.com

tel:(+351) 96 427 09 80 / (+351)
91 431 90 56

Que 2011 seja um ano de muitas lutas e vitórias para todos os povos oprimidos !!

Esta foto foi cedida por uma camarada do PCP ( partido Comunista Português), Isabel Lourenço, e compartilho com você pois retrata uma situação de exploração imperialista, onde pessoas são retiradas a força de sua pátria, no caso o Sahara Ocidental (abaixo do Marrocos) e acolhidas em acampamentos de refugiados (na Argélia) para que o capital possa agir de forma livre atendendo aos interesses dos mais poderosos, sem a menor preocupação com a vida humana.

Declaração de Jerónimo de Sousa sobre a Greve Geral

do jornal avante

Uma vitória sobre a resignação e o conformismo

A Greve Geral, na qual participaram mais de três milhões de trabalhadores, «ficará inscrita

na história da luta dos trabalhadores e do povo português», considerou, anteontem à tarde, o Secretário-geral do PCP. Sem convocar uma conferência de imprensa, em respeito pela greve dos jornalistas, Jerónimo de Sousa avaliou a dimensão e impacto da jornada de luta numa declaração escrita que fez chegar às redacções e que aqui publicamos.

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 Hoje, por todo o País, os trabalhadores fizeram ouvir a sua voz. A Greve Geral de 24 de Novembro convocada pela CGTP-IN, uma das mais importantes jornadas de luta realizada em Portugal depois do 25 de Abril, constituiu uma poderosa resposta à brutal ofensiva do Governo PS e do PSD, e de todos aqueles, como é o caso do Presidente da República, que têm patrocinado o rumo de desastre nacional imposto ao País.

Uma grande Greve Geral que ficará inscrita na história da luta dos trabalhadores e do povo português, que teve o envolvimento de mais de 3 milhões de trabalhadores. Uma vitória sobre a resignação e o conformismo. Uma jornada que, pela sua dimensão, reafirmou o valor maior da luta.

 1. O PCP destaca a dimensão nacional e o carácter transversal da Greve Geral. Por todo o País, no continente e regiões autónomas, registou-se uma adesão extraordinária na generalidade dos sectores de actividade.

O PCP sublinha a importância e significado das fortes adesões no sector dos transportes como o Metro de Lisboa, Porto e Sul do Tejo, Soflusa, Transtejo, CP, Refer, EMEF e em dezenas de empresas rodoviárias como é o exemplo dos STCP, Carris, Rodoviária Entre-Douro e Minho, Grupo Barraqueiro e a Transdev. O encerramento de todos os portos marítimos e grande parte dos portos de pesca e o cancelamento da totalidade dos voos (mais de 500).

A Greve Geral assumiu ainda forte impacto no sector produtivo de que são exemplo: no sector automóvel a Autoeuropa e todo o seu complexo industrial, a Renault-Cacia, a Mitsubishi, Tudor e Camac; no sector da metalurgia e metalomecânica como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o Arsenal do Alfeite, a Lisnave, a Sacti, Jado Ibéria, Camo; no sector de cimento, cerâmica e vidro, a CNE, a Atlantis/Vista Alegre, SaintGobain/Covina, a Cinca e Lusoceran; no sector corticeiro o Grupo Amorim; no sector têxtil, vestuário e calçado o Grupo Paulo Oliveira, Têxtil Almeida e Filhos, Califa, Triunph e KIAIA; no sector alimentar e bebidas a Centralcer, Kraft Foods; e em centenas de outras empresas de outros sectores produtivos.

O PCP sublinha ainda a grande resposta dada pelos trabalhadores da administração pública central e local com paragens que atingiram níveis históricos com paralisação total ou parcial em praticamente todo o País da recolha de resíduos sólidos, encerramento de centenas de escolas, Politécnicos e Faculdades, departamentos públicos, finanças, tribunais e outros serviços públicos como foi do caso do sector da saúde com uma forte adesão dos trabalhadores do sector.

O PCP valoriza ainda a dimensão e os impactos que a adesão de milhares de trabalhadores teve em diversos sectores e empresas, como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o caso dos mais de 400 balcões da CGD encerrados, assim como de outros bancos e de praticamente todos os postos dos CTT, e das importantes e significativas adesões registadas nos trabalhadores dos hiper e supermercados, auto-estradas e centros de contacto.

Uma dimensão tanto mais valorizável quanto construída sob a pressão e chantagem sobre os trabalhadores. Pressão ideológica sobre a alegada inutilidade da luta; chantagem decorrente da imposição ilegítima de serviços mínimos que visam condicionar o direito à greve; pressão económica, dirigida sobretudo a trabalhadores com vínculo precário, com a ameaça de despedimento e de perdas nas remunerações (prémios); e o condicionamento ilegal com o recurso em vários casos à força por parte da PSP e da GNR para dar cobertura à violação do direito à greve.

Um êxito tanto mais assinalável quanto centenas de milhares de trabalhadores se vêem confrontados com situações de endividamento e com o agravamento do custo de vida. Trabalhadores para quem a realização de um dia de greve implica prescindirem de um dia do seu salário.

Esta Greve Geral veio do coração de cada empresa ou local de trabalho, da inabalável e consciente opção de cada trabalhador. Veio do sentimento de protesto, indignação e luta de milhões de trabalhadores que quiseram dizer basta. Basta de injustiças! Basta de sacrifícios para os mesmos de sempre. Uma Greve Geral que constitui um momento singular de afirmação de dignidade dos trabalhadores portugueses.

 2. Esta Greve Geral foi uma justa e necessária jornada de luta contra o roubo nos salários e pensões. Contra os cortes nas prestações sociais, no abono de família ou no subsídio de desemprego. Contra o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais como os transportes ou os medicamentos. Contra a destruição dos serviços públicos e a privatização de empresas estratégicas.

Esta Greve Geral foi uma justa e necessária resposta ao agravamento do desemprego, ao alastramento da precariedade, ao empobrecimento de vastas camadas da população. Uma justa e necessária resposta ao processo de liquidação do aparelho produtivo, ao crescente endividamento do País e à perda de soberania nacional.

Esta Greve Geral foi uma justa e necessária resposta contra a escandalosa acumulação de lucros por parte dos grupos económicos e financeiros, que, em nome da crise e do défice das contas públicas, querem impor o agravamento da exploração dos trabalhadores e o esbulho dos recursos nacionais.

 3. O PCP saúda todos os trabalhadores portugueses pela sua participação nesta Greve Geral. Saudamos em particular os milhares de jovens trabalhadores que, pela primeira vez, participaram numa jornada de luta desta envergadura, elemento de incontornável valor político que se projecta como uma importante garantia para o futuro.

O PCP saúda a CGTP-IN, o movimento sindical unitário e todas as estruturas representativas dos trabalhadores pela sua acção e capacidade de organização demonstradas. A CGTP-IN confirma-se e afirma-se como a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, referência incontornável para a defesa dos interesses dos trabalhadores e para o futuro do País.

 4. Esta Greve Geral não foi um ponto de chegada, mas uma etapa numa exigente e prolongada luta que a situação nacional exige. Depois da realização desta Greve Geral, nada ficará como dantes. O Governo e os partidos que apoiam a sua política e Presidente da República que a patrocina tiveram nesta jornada de luta uma clara condenação, um sério aviso e uma firme exigência de ruptura com a política que promovem.

A Greve Geral constitui uma poderosa manifestação dos trabalhadores e do povo português da sua disponibilidade para impedir o prosseguimento da actual política, para serem parte determinante da ruptura e mudança de que o País precisa.

O PCP esteve ao lado desta Greve Geral porque está com a luta dos trabalhadores, porque está comprometido com a exigência de aumento dos salários, de desenvolvimento do aparelho produtivo, de aposta no investimento e nos serviços públicos. O PCP esteve e está com a luta dos trabalhadores porque a sua luta é a luta por um País de progresso, de justiça social, por um Portugal soberano e independente. Renovando o seu compromisso de sempre com esta luta, o PCP reafirma aos trabalhadores e ao povo português que podem contar com o PCP.

KAFINA!

Kafina significa BASTA em Hassania idioma dos saharauis. E é essa palavra que deveria ecoar em todos os corredores, auditórios e assembleias do Mundo. Basta! Basta de mais um massacre hediondo numa longa e interminável lista de violações dos direitos mais básicos do Homem perpetrados pelo Rei e governo de Marrocos e as suas forças de “segurança”, forças militares policiais.

Quantos mais terão que ser assassinados para que finalmente haja uma reacção da Comunidade Internacional? Quantas violações, torturas, assassinatos, desaparecimentos de crianças, jovens, mulheres, homens e idosos? O que é necessário para que parem com este genocídio?

A situação nos territórios ocupados é indescritível, as cidades tomadas pelo exército, os veículos de todos os saharauis são incendiados para que não tenham meios de fugir, entre os farrapos das tendas do acampamento desmantelado à força e incendiado encontram-se cada vez mais cadáveres. Filas de camiões de caixa aberta com cadáveres passam pelas ruas, cadáveres de crianças são encontrados em poços e rios. 12 Bebes de 2 a 8 meses foram encontrados vivos, ninguém sabe quem são as suas famílias vivendo agora em casa de saharauis que os acolheram. As escolas estão encerradas, as lojas saharauis destruídas, os activistas dos direitos humanos isolados, milhares de detidos entre eles crianças de 12 anos. Os detidos são tantos que estão a ser enviados para campos militares.

Estas são apenas algumas das notícias que durante os últimos dias nos têm chegado de um território onde é proibida a entrada a jornalistas porque segundo declarações de vários responsáveis do governo marroquino estes “ se portam mal”.

Poderia continuar a lista dos crimes que estão a ser cometidos mas não ficariam a saber mais do que aquilo que é necessário: um enorme e monstruoso crime está a ser cometido contra um povo pacífico sob o nosso olhar e silêncio! Somos cúmplices!

Me envergonho em especial da minha condição de cidadã portuguesa, sendo portuguesa exijo que o governo de Portugal  respeite a nossa constituição que diz no seu artigo 7º ponto 3: ” Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão.”

Apelo ao governo português que como membro do Conselho de Segurança actue para que se ponha fim a este crime contra a humanidade.

E apelo a todos os cidadãos do mundo para que junto dos seus governos, partidos, sindicatos, escolas, bairros denunciem esta situação, condenem a actuação do governo de Marrocos e exijam às Nações Unidas que tomem medidas para que os direitos humanos no sahara ocidental sejam respeitados e para que rapidamente se realize o referendo da autodeterminação.

 Escrito por Isabel Lourenço em 11/11/2010 – Membro do Partido Comunista Português e do CPPCConselho Português para a Paz e Cooperação

Submissão e resistência

jornal AVANTE

Ao receber a cimeira da NATO em Lisboa, daqui a menos de um mês, as autoridades portuguesas dão mais um passo na sua já longa história de submissão a esta estrutura militar do imperialismo, dirigida pelos Estados Unidos da América. Mas a forte resistência que se fará sentir nas ruas, no próximo dia 20, na grande manifestação promovida pela Campanha «Paz Sim! NATO Não!», também tem grande tradição entre nós.

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Portugal foi um dos doze países que assinou o Tratado de Washington em 1949 que criou a NATO – Organização do Tratado do Atlântico Norte. Acompanharam-no a Bélgica, o Canadá, a Dinamarca, a França, a Islândia, a Itália, o Luxemburgo, os Países Baixos, a Noruega, o Reino Unido e os Estados Unidos da América.

No referido tratado, a NATO enunciava como objectivo «salvaguardar a liberdade e a segurança de todos os seus membros» e apresentava-se com um âmbito defensivo. Mas só na aparência, pois a NATO apontava o seu fogo à União Soviética (cujo prestígio no mundo era imparável por ter sido a grande responsável pela vitória sobre o nazifascismo na II Guerra Mundial), aos movimentos de libertação e à independência nacional.

Apresentando-se como a organização militar daquilo a que chamavam o mundo livre, era a própria composição da NATO a desautorizar esta afirmação: entre os seus membros estavam Portugal fascista e colonialista e potências coloniais como o Reino Unido, a França, a Bélgica ou os Países Baixos. Poucos anos depois aderiram a Grécia e a Turquia e, em 1955, a República Federal da Alemanha, por cujos corredores do poder andava gente com forte ligação ao nazismo.

A NATO permitiu ao regime fascista sobreviver. Isolado em sequência da derrota dos seus aliados ideológicos, a Itália de Mussolini e a Alemanha de Hitler, o salazarismo encontrou na Inglaterra, nos Estados Unidos e na NATO os seus novos sequazes, oferecendo as suas posições geográficas estratégicas no Atlântico Norte, no Atlântico Sul e no Índico. A presença norte-americana nas Lajes, que ainda hoje se mantém, foi oficializada em 1948. Salazar buscava também o apoio da NATO em caso de guerras coloniais.

Foi o próprio Franco Nogueira, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros de Salazar, a reconhecer que os EUA se encontravam numa «posição difícil, porque os seus mais importantes aliados e únicos com quem verdadeiramente poderiam contar eram os países colonizadores que, entretanto, se tornaram as primeiras vítimas do anticolonialismo». Pouco mais de uma década depois da criação da NATO, estalam as guerras em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, que custaram mais de nove mil mortos portugueses e 100 mil entre a população africana. Do lado do colonialismo português, estas guerras foram travadas com armas da NATO.

Revolução e contra-revolução

Com a Revolução de Abril, alterou-se profundamente a relação entre Portugal e a NATO. Demonstrando toda a hostilidade para com o processo revolucionário, a NATO recorreu a manifestações de força com as manobras Locked Gate realizadas na costa portuguesa no início de 1975 – com a memória da sua participação na invasão turca da parte Norte de Chipre, no ano anterior, ainda bem viva na memória…

O 25 de Novembro e o consequente afastamento dos sectores de esquerda das Forças Armadas, marcam o regresso em força da Aliança Atlântica ao País. Apesar disso, e por força da intensa movimentação de massas que se fazia sentir, é aprovada em 1976 a Constituição da República Portuguesa que, no seu artigo 7.º, prevê a «abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração nas relações entre os povos, bem como o desarmamento geral, simultâneo e controlado, a dissolução dos blocos político-militares». Tal como noutros artigos, que preconizam outros tantos avanços históricos nos planos económico, social e cultural, a Lei Fundamental não passou de letra morta.

O avanço da contra-revolução e a destruição de parte considerável das conquistas de Abril foram acompanhados por um crescente enfeudamento do País à NATO, acompanhando a transformação desta organização, sobretudo a partir dos anos 90 do século passado, numa estrutura claramente agressiva com uma jurisdição global auto-conferida. Sucessivos governos portugueses, do PS ou do PSD, com ou sem o CDS-PP, vão acompanhar e suportar todas as operações militares da NATO – como sucede na Bósnia, na Jugoslávia e Kosovo e no Afeganistão – e apoiar com entusiasmo as revisões do seu conceito estratégico em 1999 e, agora, em 2010.

A participação nas operações militares da NATO, a adaptação das Forças Armadas portuguesas aos seus interesses (na qual o fim do Serviço Militar Obrigatório assumiu um papel central) e o aumento dos gastos militares são exemplos concretos desta crescente e vergonhosa submissão.

Objectivos sinistros

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Os objectivos da cimeira que a NATO realiza em Portugal este mês, pelo que representam de perigos e ameaças para os povos, merecem o generalizado repúdio popular. Entre eles, contam-se a reformulação do conceito estratégico da NATO, a busca de compromissos para o atoleiro em que se transformou a invasão ao Afeganistão e a instalação de novos sistemas anti-míssil na Europa.

Do novo conceito estratégico conhece-se o conteúdo do documento intitulado Análise e Recomendações do Grupo de Peritos para um Novo Conceito Estratégico da NATO, presidido por Madeleine Albright, Secretária de Estado dos EUA aquando da agressão à Jugoslávia em 1999 – que configura um salto em frente na agressividade do imperialismo.

Previsto está o alargamento do âmbito de acção da NATO a todas as regiões do mundo, ao mesmo tempo que se amplia o leque de pretextos que podem ser invocados para justificar uma intervenção. O aumento das despesas militares, sobretudo dos membros europeus; a continuação da escalada armamentista; a proliferação das bases militares; e a reafirmação da União Europeia como «parceiro central e estratégico» da NATO, estão também incluídos no texto. Defende-se ainda a manutenção e utilização das armas nucleares na doutrina e estratégia da aliança, prevendo-se a instalação de armas nucleares dos EUA no território de outros países membros.

É perante estes objectivos, que há muito conhece mas que manteve à margem dos portugueses, que o Governo se afirma orgulhoso de receber a cimeira, não tendo qualquer palavra de rejeição dos seus objectivos. Antes pelo contrário, as declarações que proferiu foram no sentido de os valorizar. A manifestação do próximo dia 20 em Lisboa é também contra o executivo liderado por José Sócrates e todos quantos apoiam e suportam a NATO.

Manifestação de 20 de Novembro será histórica

Uma luta de décadas

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A luta do povo português contra a NATO é tão antiga quanto a própria Aliança Atlântica. Como lembrou Margarida Tengarrinha, numa sessão comemorativa do 60.º aniversário do Conselho Mundial da Paz, realizada em Lisboa em Janeiro deste ano, foi logo em 1950 que surgiu em Portugal a Comissão Nacional para a Defesa da Paz, primeira organização do movimento da paz português.

O principal dos seus objectivos era recolher 100 mil assinaturas para o Apelo de Estocolmo contra as armas nucleares, integrado no poderoso movimento que recolheu, em todo o mundo, 500 milhões de assinaturas – o maior abaixo-assinado de todos os tempos.

Na mesma sessão, Maria da Piedade Morgadinho, da Comissão Central de Controlo do PCP, recordou que na época «eram proibidas manifestações, mas os jovens organizavam-se em brigadas de trabalhadores e estudantes e percorriam as ruas dos centros e bairros operários como fizeram em Lisboa, Porto, Barreiro, Almada, Marinha Grande, Beja, Pias, Grândola e tantas e tantas outras cidades, vilas e aldeias, recolhendo assinaturas para a paz». Em inúmeras paredes, desafiando a proibição fascista, inscreveu-se a palavra Paz.

Muitos pagaram estas ousadias com a prisão, as torturas e, em alguns casos, com a morte. Vários dirigentes do Movimento Nacional Democrático, como Ruy Luís Gomes, Virgínia Moura, José Morgado e Albertino Macedo foram julgados no Tribunal Plenário de Lisboa por terem enviado um telegrama a Salazar protestando contra a utilização do território nacional por forças da NATO1. Mas, como realçou Maria da Piedade Morgadinho, a «luta não esmorecia».

A realização, em Portugal, da primeira conferência interministerial da NATO, em 1952, deu motivos acrescidos ao movimento da Paz. Na obra citada, Margarida Tengarrinha recorda a «acção mais imaginativa e audaciosa» que realizaram – a colocação de dois grandes cartazes no elevador de Santa Justa, em Lisboa, à hora de maior movimento. Num deles lia-se Fora a NATO enquanto o outro apelava Luta pela Paz. Enrolados nos cartazes encontravam-se folhetos com gravuras relativas à paz, que voaram pela Baixa lisboeta.

Em Junho de 1971, realizou-se em Lisboa uma nova reunião do Conselho Ministerial da NATO. Em plena Guerra Colonial, essa reunião constituía uma «verdadeira provocação e um insulto ao povo português», como lembra Jaime Serra2. A Acção Revolucionária Armada (ARA) levou a cabo uma acção que perturbou por completo o efeito público dessa reunião, à qual acorreu em grande número a comunicação social internacional.

Disfarçados com as fardas dos funcionários dos CTT, operacionais da ARA explodiram aquele que era o «centro nevrálgico de todas as comunicações radiotelegráficas e telefónicas», situado a poucas centenas de metros da sede da PIDE. O histórico dirigente do PCP lembra que «Lisboa ficou isolada do resto do País e do mundo, provocando a desorientação e a maior perturbação no seio do governo fascista e entre os seus convidados parceiros da NATO. Por este facto a reunião começou com grande atraso, tendo sido desvalorizada pelos numerosos jornalistas presentes que optaram por dar relevo à acção da ARA». Marcello Caetano terá ficado retido num elevador juntamente com o Secretário de Estado dos EUA em sequência da explosão.  

Firmes contra a guerra

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Conquistada a liberdade, não foi mais necessário recorrer a acções clandestinas ou armadas. A criação, em 1976, do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC), é um momento alto da luta pela paz em Portugal, dando-lhe uma expressão popular, unitária e de massas. Nos anos 80, combateu-se intensamente a instalação de novos e mais potentes mísseis norte-americanos na Europa Ocidental e exigiu-se o fim das armas nucleares.

Em 1999, milhares de portugueses contestaram nas ruas a agressão à Jugoslávia, o que voltaram a fazer dois anos depois, aquando da invasão do Afeganistão. Nos dois casos, fizeram-no enfrentando uma poderosa ofensiva mediática legitimadora das guerras e do novo papel da NATO, à qual não resistiram inclusivamente muitos sectores de esquerda.

Desde que foi conhecida a disponibilidade das autoridades portuguesas para receberem, no País, a cimeira da NATO em 2010 (a mesma que demonstraram para receber a cimeira das Lajes, que determinou a invasão do Iraque pela coligação EUA-Inglaterra-Espanha), que o movimento da paz se mobilizou. Nasceu assim, em Janeiro deste ano, a Campanha «Paz Sim! NATO Não!», em torno de questões essenciais: a manifestação de repúdio pela realização da cimeira da NATO em Portugal; a exigência de retirada das tropas nacionais de missões da NATO; o fim das bases militares estrangeiras e das instalações da NATO no País; a recusa da transformação da União Europeia em pilar europeu da NATO; a exigência do desarmamento, do fim das armas nucleares e de destruição maciça e da dissolução da NATO.

Em torno destas causas, a Campanha rapidamente alargou a sua influência a vários sectores, reunindo actualmente mais de uma centena de organizações nacionais (entre as quais se contam o CPPC, a CGTP-IN e o PCP). Entre as acções realizadas, destaca-se a petição que recolheu 13 mil assinaturas e que foi já debatida na Assembleia da República, obrigando PS, PSD e CDS a assumirem as suas posições em defesa das guerras e ocupações e da corrida aos armamentos.

A manifestação de dia 20 de Novembro, entre o Marquês de Pombal e os Restauradores, em Lisboa, pela sua dimensão e significado, entrará directamente na história da luta pela paz em Portugal.

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1 Margarida Tengarrinha, Quadros da Memória, Edições Avante!, 2004

2 Jaime Serra, As explosões que abalaram o fascismo – o que foi a ARA, Edições Avante!, 1999

“A Festa que desenvolve a luta

Pela primeira vez em muitos anos não me pego reclamando que não fui a festa do avante, e hoje percebi que nem postei nada a respeito. Sabem o que significa? muito,  mas muito trabalho, só isto justifica eu não comentar sobre uma festa que já há décadas torna, não só os camaradas do Partido Comunista Português mais felizes e unidos, como todos nós comunistas, que acreditamos que só com o fim desse modo de produçãõ em que estamos inseridos é que teremos condições de romper as amarras , tal qual fantoches, que nos impede de crescermos como humanos que somos e explorar todas nossas capacidades.

Espero estar presente a festa do avante de 2011, e quem sabe levar  a” tiracolo”  alguns camaradas daqui do Brasil. Sem dúvida é uma festa impar. Acabou ontem, mas até para desmontar tudo que é construído é uma festa.

Abaixo reproduzo matéria do jornal avante, que mostra o Secretário geral , Jerónimo de Sousa visitando as obras para o ínicio da festa.

No último fim-de-semana antes da abertura da 34.ª Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP foi à Quinta da Atalaia saudar os construtores da maior iniciativa político-cultural nacional, lembrando que aquele é o espaço e o momento para aliar à Festa o desenvolvimento da luta e a afirmação do projecto comunista.

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Quando Jerónimo de Sousa chegou à esplanada do bar de apoio já aquele espaço se encontrava completamente repleto de camaradas e amigos que, generosa e voluntariamente, iniciaram, manhã cedo, mais uma jornada de trabalho da Festa do Avante!.

O cenário repetia o que se havia passado ao longo dos últimos meses na Quinta da Atalaia. Militantes comunistas de todas as idades, trabalhadores e democratas que ainda não fizeram o caminho que os leva a assumir partido, ali estavam dizendo «presente!». Ali estavam dando o corpo ao manifesto como estiveram em tantos outros sábados, fins-de-semana inteiros, jornadas semanais e, até, períodos de férias especialmente reservados para contribuir na construção da iniciativa com maior índice de fraternidade por metro quadrado.

Na memória fica uma prática só possível de observar no grande colectivo que é o PCP. Operários e intelectuais, homens e mulheres, jovens e idosos, provenientes das zonas urbanas ou rurais, trabalharam lado a lado em cada uma das fases da implantação. Em cada uma delas – preparação do terreno; levantamento das estruturas; colocação das madeiras e toldos; fornecimento de água e electrificação dos pavilhões; pintura, decoração e colocação das exposições políticas –, os construtores da 34.ª Festa do Avante! mostraram uma outra forma de estar na vida e de encarar o presente e o futuro: valorizando quem trabalha e cria riqueza, passando saberes e experiências, resistindo e expressando solidariedade para com quem resiste, afirmando com alegria e confiança a luta contra a exploração como o caminho mais sólido na construção da política alternativa e do socialismo.

A participação de milhares de camaradas e amigos em milhares de horas de trabalho voluntário durante as jornadas de implantação confere à Festa do Avante! «uma carácter ímpar», faz dela um exemplo «praticamente único na Europa e no mundo» e reflecte o «grande colectivo partidário» que é o PCP, afirmou Jerónimo de Sousa na sua intervenção.

Mas, valorizando os que no terreno realizam sem complexos as mais diversas tarefas, «não seria justo esquecer os construtores que aqui não estão. Os camaradas que vendem a EP, organizam os transportes ou criam escalas de serviço para os dias da Festa», até porque, insistiu o Secretário-geral do Partido, «é tão valioso esse trabalho como este, aqui no terreno».

«E é por isso que nós temos um profundo orgulho em dizer que “não há Festa como esta”. Uma Festa que pela forma como é construída e realizada; pelo empenhamento e disponibilidade no quadro de uma sociedade onde os valores prevalecentes são o egoísmo, o individualismo, o salve-se quem puder, demonstra como queremos construir o nosso devir colectivo, o futuro do País, do povo e dos trabalhadores», continuou.

 Irradiar os objectivos que nos animam

 «Uma Festa que já vale só por este processo de construção e realização», frisou o dirigente comunista, mas que «é ainda um momento importante para irradiarmos os objectivos que nos animam no contexto de uma situação nacional tão complexa e perante a ofensiva em curso».

«Num quadro de retrocessos económicos, de aumento das injustiças e das desigualdades sociais, em que até a própria Constituição da República se encontra ameaçada por esta política de direita – encabeçada pelo PS com a cumplicidade do PSD –, a Festa é a força motriz que pode irradiar os nossos objectivos», é o espaço e o tempo ideais para «afirmarmos o nosso Partido e a alternativa que defendemos» e reforçarmos «a necessidade objectiva do desenvolvimento da luta contra esta situação», expressou Jerónimo de Sousa, obtendo como resposta da multidão um convicto «a luta continua».

«Até há partidos que vão denunciando a situação, que a vão caracterizando e analisando», prosseguiu, «mas só há um Partido que não se limita à denuncia e à proposta, mas que se empenha na luta mobilizando os trabalhadores e o nosso povo», concluiu.

 Não dar tréguas

 Antes de terminar a sua intervenção, o Secretário-geral do PCP deixou um apelo final aos construtores da Festa. «Não descansemos sobre o trabalho já realizado neste constante fazer e refazer. Ainda há muitas tarefas que exigem esta dimensão solidária», disse. «Vamos fazê-lo, vamos contribuir para que esta Festa do Avante! seja de novo um grande sucesso», respondendo com vigor militante aos que «com ódio não suportam o seu êxito, o seu conteúdo político-cultural, de convívio popular, de abertura democrática, e tudo farão para comprometer a Festa».

 «Francisco, avança, com toda a confiança!»

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Ponto alto da saudação de Jerónimo de Sousa aos construtores da 34.ª Festa do Avante foi, ainda, a referência às eleições presidenciais que se aproximam a passos largos.

A candidatura de Francisco Lopes, apresentada a poucos dias da abertura das portas da Quinta da Atalaia, «não é um acto próprio, mas uma decisão colectiva que terá tanto mais êxito quanto mais cedo se transformar na candidatura do grande colectivo partidário, que é preciso mobilizar. Este é um factor determinante», frisou.

«Andam já por aí a dizer que esta é uma candidatura que fecha, uma candidatura sectária», sublinhou ainda o Secretário-geral do Partido. «Mas haverá outra candidatura capaz de responder, em primeiro lugar, ao desenvolvimento da luta?», questionou.

«Não, só esta candidatura do PCP assumida pelo Francisco Lopes é capaz de responder aos anseios e aspirações do povo», sobretudo porque os trabalhadores nela encontram «uma candidatura que não está em cima do muro, que não dá tanto para aqui como para acolá, que não é ambígua nem roída por indefinições».

«Esta candidatura, patriótica e de esquerda, assumindo os valores de Abril, é aquela que dá garantias aos trabalhadores e aos democratas. É o voto certo e seguro na procura da ruptura e da mudança».

Por isso, «empenhemo-nos também nesta batalha sem a dissociar das tarefas centrais que estão colocadas aos trabalhadores e ao nosso povo – o desenvolvimento da luta, a afirmação do nosso ideal, do nosso projecto, a defesa dos valores consagrados na Constituição da República», pois será «pela luta concreta em defesa dos interesses dos trabalhadores; no combate ao desemprego e pelo emprego com direitos; na defesa dos salários, das reformas e pensões; na defesa do Serviço Nacional de Saúde, da educação, da escola pública e da segurança social, que podemos enfrentar este desafio com a confiança que nos caracteriza».

Se assim o fizermos, bem podemos afirmar nesta pré-campanha e na campanha das presidenciais, «Francisco avança, com toda a confiança», lembrou Jerónimo de Sousa

«Perante as novas ameaças ao Atlântico Norte» Augusto Santos Silva vai mandar espiões para… o Afeganistão!

do blog o castendo

Para quem não notou, neste texto faz-se referência a dois filmes.

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O primeiro, é o novo filme de Oliver Stone, A sul da fronteira.

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O segundo, é o filme de Stanley KubrickDr. Estranhoamor” (Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb – 1964).

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Foi colocada a ligação para a cena final Dr. Strangelove cujo texto é:

[last lines] 

Dr. Strangelove: Sir! I have a plan!

[standing up from his wheelchair]

Dr. Strangelove: Mein Führer! I can walk!

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Quem quiser ver o filme todo pode começar aqui:

Se me saísse a loteria….

Título passado para o português falado no Brasil

do blog cheira-me a revolução

Foi durante um jantar. Alguém se pôs a sonhar alto com o que faria caso ganhasse a Lotaria ou o Euromilhões. Casa, carro, férias, trabalhar menos, oferecer uma dentadura à mãe… E quando chegou a vez de um comunista dizer o que faria a tanto dinheiro, alguém diz

Ahhh!, tu não podes [ser rico], és comunista.

É tão frequente, que tenho uma frase pronta para responder em situações semelhantes. Respondi algo como isto:

Nós, comunistas, nada temos contra o ser-se rico, mas antes, com a forma como se fica rico: se por via da exploração de outra pessoa, ou se por via do próprio trabalho.

E, para que fique claro e rasgue com o preconceito, declaro

Adoraria ser rico.

A surpresa levanta a curiosidade, e lá tento explicar-me, dizendo entre muitas outras coisas que a separação mais importante não é entre pobres e ricos, mas entre explorados e exploradores. Mas assim que se usa o termo exploração surge um novo desafio.  É comum pensar-se que a exploração é um conceito meramente subjectivo, isto é, que se é ou não explorado caso se ache bem ou mal remunerado (!). Tinha que me fazer compreender melhor…

Entretanto, a televisão falava da guerra – a desgraça continua – mas o que capta a atenção dos presentes é o jantar estar insonso. Tento explicar aos mais curiosos de onde provem então a exploração (e que afinal de contas a exploração é algo objectivo, isto é, que existe para além de nós).

Não deu para explicar. Afinal, o jantar estava insonso. Isso tornou-se o mais importante. Mas, mais tarde, quase todos os presentes revelaram sentir que não eram remunerados devidamente. Era isso que lhes tinha tentado dizer, mas por outras palavras. Ali, naquele jantar, todos pertencíamos aos explorados, quer soubéssemos ou não disso.

Neste mundo, a exploração está sempre ai, quer se tenha consciência ou não dela. Quer alguma vez se tenha ouvido falar em conceitos de economia como Mais-Valia, ou não. E era este o conceito que queria ter chegado a mostrar. Fica para uma próxima, quando estiverem mais interessados nisto:

Era só pôr sal.

# por Bruno (do colectivo Leitura Capital)

A Moral comunista

do jornal avante

Jorge Messias
 A noção moral da intervenção comunista é indissociável da sua própria filosofia de acção. Os comunistas intervêm nos problemas da comunidade criticando, denunciando e propondo alternativas, com coragem e sempre falando com um só discurso impregnado nos princípios do marxismo-leninismo. Dizia K. Marx numa das suas cartas: «É repelente encontrarmo-nos sob um jugo, mesmo em prol da liberdade; é repelente darem-nos alfinetadas, em lugar de se andar à espadeirada. Estou farto da hipocrisia, da grosseira arbitrariedade, aborrece-me ter de me adaptar, de ter que ter em conta o mínimo reparo…». Esta atitude de conservar a liberdade pessoal mas de respeitar, simultaneamente, as linhas-mestras da luta de classes é moral e profundamente comunista.

A este aspecto básico que conjuga liberdade, determinação e disciplina política, juntam-se muitos outros valores que na sua totalidade traduzem a filosofia ética do marxismo-leninismo. Valores morais, no sentido da práxis, como honestidade, frontalidade, verdade e coragem. Escreveu W.I. Lenine: «A sinceridade em política ou seja, a sinceridade num domínio das relações humanas em que já não se trata de indivíduos mas de milhões de seres humanos, significa perfeita correspondência entre as palavras e os actos».

Em termos de História contemporânea, teremos de reconhecer que se muito se transformou na forma como os elementos políticos se combinam, muito pouco se alterou no fundo das relações entre as forças em presença. Os capitalistas continuam a mentir cinicamente e a jurarem em vão. Os comunistas conservam integralmente o seu projecto final de uma sociedade humana – universal e sem classes. São cada vez em maior número aqueles que tomam consciência da gigantesca trapaça capitalista e dos roubos grosseiros que praticam impunemente e o povo anónimo é obrigado a suportar na sua pele e no seu magro bolso.

Todo esse povo sabe agora que a sua luta contra as oligarquias capitalistas e religiosamente fanáticas terá necessariamente que endurecer.

E sabem ser sua a vitória final.

 Os malabaristas da História

Nos relatos dos meios de comunicação social, o calendário da História parece desfolhar-se devagar. Na verdade não é assim. A História caminha a uma velocidade vertiginosa. Os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres. Os mais ricos são relativamente cada vez menos numerosos mas muito mais ricos. E os pobres e os muito pobres representam incontáveis multidões de esfarrapados. Esta situação universal alastra vertiginosamente.

A súbita fortuna gera a sobranceria, o total egoísmo, o exibicionismo e a violência dos fortes sobre os fracos. A redução dos homens à miséria conduz ao desespero, à fome e à violência que a grande pobreza necessariamente desencadeia. Sobre estas realidades mais do que nunca actuais, falta fazer-se um mundo de revelações. Refira-se simplesmente uma delas, de forma superficial, tal como inevitavelmente questões tão profundas terão de ser abordadas num reduzido espaço. Aliás, retomaremos este tema logo que possível: enriquecimento prematuro, intervenção da doutrina, combate à pobreza e alastramento mundial da miséria. Eis o caso de que hoje se trata.

Os «Legionários de Cristo» são considerados no mundo católico como ponta de lança dos grupos eclesiásticos mais conservadores. Fundada há 60 anos e inscrita na linha do Opus Dei, a Ordem dos LC dirige actualmente, em vários países do mundo, 15 grandes universidade e outras 48 de dimensões menores. As universidades mais importantes formam politicamente os sacerdotes que depois ingressam nos níveis dirigentes da «sociedade civil», no alto clero e nas estruturas do Estado capitalista. Os outros colégios, quase todos situados no México, são frequentados por classes populares. Tal como o Opus Dei, os «legionários» aceitam, em cursos e programas diferentes, homens e mulheres como alunos. E, tal como o Opus Dei, veneram a figura do «fundador»: o padre Maciel tem para os LC a mesma aura de santidade que Escrivá de Ballaguer detém no OD.

A Ordem foi fundada pelo padre Maciel há 60 anos. Foi fundada durante a crise de 60 como arma de combate às ideias da Teologia da Libertação e no âmbito da contenção do comunismo. Diz combater a pobreza, mas dos seus bens actualmente conhecidos refere-se 63 universidades, 177 colégios e centenas de hectares de floresta virgem no Amazonas. Dispõe de um corpo docente de 3450 sacerdotes que dão ensino, anualmente, a 133 mil alunos. O seu braço laico principal é o «Reino de Cristo», com 75 mil membros organizados em células.

Durante a «guerra fria» (falsamente dada agora como encerrada) a LC fez-se notar pelo incondicional apoio que recebeu de Franco e de todos os ditadores que combatiam as crescentes ideias comunistas entre os fiéis católicos. «São ponta de lança da Igreja mais conservadora. Não permitem concessões nem perdem tempo… É pecado!», afirma-se num interessante artigo publicado no El País (curiosamente, também ele ligado à Igreja espanhola).

Eis um tema de interesse para as nossas reflexões futuras

Partido Comunista renasce na Roménia- Contra o capitalismo

do jornal avante

O novo Partido Comunista Romeno (PCR) realizou, sábado, 3, em Bucareste o seu congresso fundador que reuniu mais de 400 delegados e convidados.

Apesar de partilhar a designação do histórico partido comunista romeno, o novo PCR resulta da mudança de nome do já existente Partido Aliança Socialista, que não dispõe de representação parlamentar.

O seu líder, Constanti Rotaru, fez um balanço dos 20 anos transcorridos desde o golpe de Estado em Dezembro de 1989, que derrubou o regime socialista, considerando que a restauração do capitalismo provocou um verdadeiro «genocído social». Em memória das vítimas do capitalismo no país, o congresso guardou um minuto de silêncio.

Rotaru referiu o saque dos serviços e empresas públicas e a destruição generalizada do aparelho produtivo, que reduziu a população à miséria, forçando milhões de romenos a abandonar o país em busca de trabalho.

Entre muitos exemplos concretos, referiu que restam actualmente apenas 54 por cento dos hospitais existentes em 1989, a produção têxtil representa 13 por cento, a extracção de carvão é de 36% por cento, a produção de aço, de 19 por cento, a produção de maquinaria está reduzida a cinco por cento, restam 31 por cento do gado bovino e a produção de carne reduziu-se para 14 por cento do nível de há 20 anos.

Em comunicado, citado pela agência AFP, o PCR afirma que «se lança na luta para colocar fim à pilhagem à qual o país está submetido», colocando como objectivo a eleição de uma representação parlamentar. No seu programa defende a gratuidade da educação pública e a propriedade estatal em sectores estratégicos.

Todavia, a legalização do novo partido é uma batalha que se afigura difícil, já que uma lei de 1991 proíbe expressamente «manifestações públicas que persigam a propaganda de ideias totalitárias de natureza fascista, comunista, racista ou qualquer organização terrorista».