Robert Fisk: EUA não se importam com injustiças no Oriente Médio

do site Carta Maior

Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã. O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio.

Robert Fisk – The Independent

Aproximei-me desconfiadíssimo, do mais recente rumoroso episódio diplomático. E ontem, depois das eleições no Cairo – as eleições parlamentares egípcias foram, como sempre, mistura de farsa e fraude, o que, afinal de contas, sempre é melhor que choque e horror – mergulhei nos milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, sem absolutamente qualquer esperança. Como disse o presidente Hosni Mubarak, e lê-se num dos telegramas, “vocês sabem esquecer a tal de democracia”.

Não que os diplomatas dos EUA não entendam o Oriente Médio; é que eles já não sabem ver a injustiça. Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã.

Não vazou praticamente (pelo menos até agora) nenhuma referência às colônias israelenses ilegais exclusivas para judeus na Cisjordânia, nem aos ‘postos de controle’ israelenses, aos colonos israelenses extremistas, cujas casas pintam como cicatrizes de varíola toda a Cisjordânia palestina ocupada – ao vasto sistema ilegal de roubo de terra que é o coração da guerra Israel-palestinos. O que se vê mais, por incrível que pareça, são os mais variados espécimes de importantes diplomatas norte-americanos acocorados e rendidos ante as exigências de Israel – vários deles visivelmente apoiadores ardentes de Israel. É como se os chefes do Mossad e os agentes militares de inteligência de Israel obrigassem os padrinhos ouvir e decorar as instruções dos apadrinhados.

Há maravilhosa passagem nos telegramas, quando o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu explica a uma delegação do Congresso dos EUA, dia 28/4/2009, que “Estado palestino, só se for desmilitarizado, sem controle sobre o espaço aéreo e campo eletromagnético [sic], sem poder assinar tratados nem controlar fronteiras”. Assim sendo, adeus ao Estado palestino “viável” (palavra de Lord Blair de Isfahan) que todos supostamente desejamos. Não há registro nos telegramas de que os rapazes e moças deputados e senadores dos EUA e que lá ouviam Netanyahu tenham discordado.

Em vez disso, o The New York Times procurou as melhores frases. Eis o rei Abdullah da Arábia Saudita, por seu embaixador em Washington (sempre amigo da imprensa), dizendo que Abdullah crê que os EUA devem “cortar a cabeça da serpente” – onde, em “a serpente”, leia-se “o Irã” ou “Ahmadinejad” ou “as instalações nucleares do Irã” ou qualquer um desses itens ou todos.

Mas os sauditas vivem ameaçando cortar a cabeça de serpentes. Em 1982, Yasser Arafat disse que deceparia o braço esquerdo de Israel (depois que Israel invadiu o Líbano) e o então primeiro-ministro de Israel Menachem Begin respondeu que deceparia o braço direito de Arafat. Acho que quando somos informados – como, desgraçadamente, agora, por Wikileaks – de que candidatos a visto norte-americano, mas que os EUA não queiram por perto, são chamados pelos diplomatas dos EUA de “víboras do visto” [ing. visa vipers], a única conclusão a que podemos chegar é que cresce em todo o mundo a demanda por ofídios.

O problema é que, por décadas, os potentados do Oriente Médio ameaçam decepar cabeças de cobras, serpentes, ratos e insetos iranianos – esses últimos preferidos de Saddam Hussein, que usou “inseticida” fornecido pelos EUA para a matança como bem se sabe –, enquanto os líderes israelenses chamaram os palestinos de “baratas” (Rafael Eitan), “crocodilos” (Ehud Barak) e “bestas de três patas” (Begin).

Tenho de confessar que gargalhei, de chorar de rir, ante um telegrama de diplomata dos EUA, em tom solene-ridículo, reportando do Bahrain, que o rei Hamad – ou “Sua Alteza Suprema Rei Hamad”, como faz questão de ser chamado, em sua ditadura de maioria xiita em reino pouco maior que a ilha de Wight – havia declarado que o perigo de deixar prosseguir o programa nuclear iraniano era “maior que o perigo de fazê-lo parar”.

O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio. Se o rei Abdullah (versão saudita em ruínas, em oposição à versão Reizinho Valente da Jordânia) realmente chamou Ahmadinejad de Hitler, se o conselheiro de Sarkozy chamou o Irã de “Estado fascista”, então se prova, apenas, que o departamento de Estado dos EUA continua obcecado com a II Guerra Mundial.

Adorei o espantoso relato de alguém que visitou a embaixada dos EUA em Ancara e contou aos diplomatas que o Líder Supremo do Irã Ali Khamenei sofria de leucemia e estava à morte. Não porque o pobre velho sofra de câncer – é mentira –, mas porque é o mesmo tipo de descalabro sobre líderes do Oriente Médio recalcitrantes que se vê há muitos anos. Lembro de quando “fontes diplomáticas” norte-americanas ou britânicas inventaram que Gaddafi estaria morrendo de câncer, que Khomeini estaria morrendo de câncer (muito antes de ele morrer), que o matador de aluguel Abu Nidal estaria morrendo de câncer 20 anos antes de ser assassinado por Saddam. Até na Irlanda do Norte um miolo-mole britânico contou-nos que o líder protestante William Craig estaria morrendo de câncer. Claro que Craig sobreviveu, como o horrível Gaddafi, cuja enfermeira ucraniana é descrita nos documentos dos EUA como “voluptuosa”, o que ela é. Mas haverá alguma dama loura não “voluptuosa”, nesse tipo de novelão?

Uma das reflexões mais interessantes – atentamente ignorada pela maioria dos jornais pro-Wikileaks de ontem – aparece no relato de encontro entre uma delegação do Senado dos EUA e o presidente Bashar Assad da Síria, no início de 2010. Os EUA, disse Assad aos visitantes, possuem “gigantesco aparato de informação”, mas fracassam ao analisar essa informação. “Nós não temos as habilidades que os senhores têm”, disse em tom sinistro, mas “somos bem-sucedidos no combate aos extremistas porque contamos com melhores analistas. (…) Nos EUA vocês gostam de fuzilar [terroristas]. Sufocar as redes deles dá melhor resultado”. O Irã, concluiu Assad, era o mais importante país da região, seguido da Turquia e – número três – a Síria. O coitado velho Israel nem aparece no retrovisor.

Evidentemente, o presidente Hamid Karzai do Afeganistão é “movido à paranóia” – como todos os habitantes daquela terra, inclusive quase toda a OTAN e, sobretudo, os EUA – e naturalmente o presidente do Iêmen mente ao próprio povo que está matando representantes da al-Qa’ida, quando todos o mundo sabe que os verdadeiros culpados são os guerreiros do general David Petraeus. Líderes muçulmanos não fazem outra coisa além de mentir que as proezas militares dos EUA contra outros muçulmanos são proezas deles, não ‘nossas’.

Claro, não se pode ser tão cínico. Gostei muito do telegrama diplomático dos EUA (do Cairo, claro, não de Telavive) no qual se lê que Netanyahu seria “elegante e sedutor (…) mas nunca cumpre o que promete”. Ora! Não se aplica também a metade dos líderes árabes?

E assim chegamos ao apimentado e assustador relato de encontro entre Andrew Shapiro, “Secretário Assistente de Estado do Gabinete Político-militar dos EUA” e espiões israelenses há quase exatamente um ano. Israel não pode proteger seus Cessna Caravan e Raven aviões-robôs não pilotados no sul do Líbano, reconheceu o Mossad (o Hezbollah deve ao Mossad essa preciosa informação). Um coronel israelense “J5”, coronel Shimon Arad gorjeia sobre os perigos do “Hezbollahstão” e do “Hamastão” e sobre “o impasse político interno” no Líbano – naquele momento não havia; agora, há – e sobre o Líbano como “arena militar volátil” e a “suscetibilidade do Líbano a influências externas, inclusive da Síria, do Irã e da Arábia Saudita”.

E – claro, apesar de o coronel Arad não ter falado sobre isso – também suscetível à influência de norte-americanos, israelenses, franceses, britânicos, além, também de o Líbano também ser suscetível à influência dos turcos. Shapiro “citou a necessidade de oferecer alternativa ao Hezbollah” – talvez… os policiais da Costa Rica? – e sugeriu que o exército libanês poderia defender o Hezbollah (improvável, nas atuais circunstâncias).

Há uma inestimável rejeição-negação do relatório Goldstone da ONU sobre as atrocidades em Gaza em 2008-09, pelo major-general da reserva Amos Gilad, que diz que os documentos em que se critica Israel são “sem fundamento, porque os militares israelenses fizeram 300 mil chamadas telefônicas para as residências em Gaza antes dos ataques aéreos (…) para evitar baixas entre os civis.” O infeliz, pobre Shapiro, dado que o telegrama não registra resposta dele, manteve-se em silêncio. Teria sido apenas uma, de cada cinco famílias palestinas, avisadas por telefone, se se considera a população palestina total de Gaza, crianças, bebês, todos. E mesmo assim os israelenses mataram 1.300 palestinos, a maioria dos quais civis. Claro que a Autoridade Palestina do insípido Mahmoud Abbas não quis assumir esse campo de morticínio depois que os israelenses venceram – como Israel propôs-lhe, com aprovação dos EUA – porque Israel não venceu em Gaza. Sequer conseguiram localizar nos túneis de Gaza o soldado israelense que o Hamás mantêm preso há anos.

Há um momento simbólico quando o Xeque Mohamed bin Zayed al-Nahyan de Abu Dhabi – sem comparação possível com o personagem “distante e sem carisma” de seu irmão Califa – preocupa-se com o Irã na presença do embaixador dos EUA Richard Olsen o qual, então, comenta que o Xeque “manifesta visão estratégica sobre a Região curiosamente semelhante à visão israelense”. Mas é claro que manifesta! São idênticos. Todos rezam em suas mesquitas de ouro, reis e emires e generais, comprando mais e mais armas dos EUA para protegerem-se contra “o Hitler” de Teerã – melhor Hitler, acho eu, que o Hitler do Tigre em 2003, que o Hitler do Nilo de 1956 – e praza a Deus Todo Poderoso que sejam salvos pelos santificados EUA e Israel. Fico, em suspense, à espera do próximo capítulo dessa farsa.

Tradução: Vila Vudu

Ejército israelí desvía barco libio con ayuda humanitaria para Gaza

do site da telesur

TeleSUR _ Hace: 03 horas

El carguero libio Esperanza, cuyo destino inicial era la Franja de Gaza para llevar unas dos mil toneladas de ayuda humanitaria, continúa navegando pero hacia el puerto egipcio de Al-Arish, luego de haber sido desviado por tres barcos de guerra israelíes que lo interceptaron el martes.Fuentes militares israelíes advirtieron que le seguirían los pasos hasta confirmar que entra en el puerto egipcio y descarga allí su mercancía.

Por su parte, las autoridades egipcias aceptaron la petición del barco libio para atracar en el puerto de Al Arish, según fuentes de los servicios de seguridad.

El navío estuvo detenido por dos horas debido a problemas técnicos y luego retomó su curso de navegación hacia el puerto egipcio, del cual se encuentra a unas 20 millas náuticas, mientras que de la Franja de Gaza, se ubica a unas 40 millas náuticas.

El barco, de bandera moldava y llamado originalmente Amalthea, está cargado con 2 mil toneladas de ayuda humanitaria bajo forma de alimentos y medicamentos para los palestinos, según informó la fundación.

Desde junio de 2007 Israel intensificó el bloqueo a la Franja de Gaza, en donde habitan casi dos millones de personas.

Tel Aviv no permite el tránsito de personas entre Gaza e Israel, ni las transferencias de dinero con destino a ese territorio, y desde allí al exterior. El bloqueo de las fuerzas israelíes es tanto por tierra como por mar.

Los palestinos que viven en la Franja no cuentan con hospitales ni escuelas, puesto que quedaron derribadas o en muy mal estado por los ataques de las fuerzas de Israel en la operación Plomo Fundido de 2008 que dejó más de 1400 muertos, en su mayoría mujeres y niños.

El navío sigue su curso a baja velocidad y con sigilo mientras los “escoltas” de Israel se mantienen entre unas dos a tres millas de distancia a del Esperanza, de acuerdo a lo señalado por un corresponsal de la agencia Al-Jazeera a bordo del buque.

Mientras la tripulación persiste en su deseo de llegar a puerto palestino, Israel manifestó que asaltarán el barco de bandera moldava en caso de que intente romper el férreo bloqueo que mantiene contra Gaza hace ya 4 años.

Este miércoles, se han efectuado diferentes contactos con líderes del mundo para solicitar intervención, inclusive de la Unión Europea, para que faciliten al Esperanza el resto del viaje y logren arribar a Gaza.

Se conoció que una cantidad indeterminada de barcos persqueros egipcios se acercaron al carguero, pero conservaron una distancia prudencial ante la presencia de los barcos de guerra israelíes.

La Esperanza es propiedad de una naviera griega, y fue fletado por una Organización No Gubernamental islámica que preside Saif Qaddafi, hijo del líder libio Muamar Qaddafi

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Palestina recebe Fórum Mundial da Educação

do site da revista Forum

Por Redação [Sexta-Feira, 11 de Junho de 2010 às 18:08hs]

Entre os dias 28 e 31 de outubro, a Palestina recebe o Fórum Mundial da Educação (FME). Como parte da programação estendida do Fórum Social Mundial (FSM) deste ano, o FME concentrará os debates sobre outras formas de educação para um novo mundo possível. Continue lendo

Violência de Israel faz parte do dia-a-dia do povo palestino

do site Brasil de Fato

Todas as sextas-feiras, cidades palestinas da Cisjordânia realizam manifestações em frente ao muro construído por Israel

 10/06/2010

 Dafne Melo-enviada a Ni’lin (Palestina)

 Para os muçulmanos, a sexta-feira é um dia sagrado, assim como o domingo para os cristãos e o sábado para os judeus. Ao meio-dia, pelos alto-falantes colocados na torre de cada mesquita, começa a ecoar uma oração. É o chamado para que a comunidade vá até a mesquita, não só para rezar, mas também para onde será feito o khutbah, uma espécie de sermão onde são discutidas inclusive questões sociais e políticas ligadas à comunidade.

 Desde o início da construção do muro pelo Estado de Israel (ver box), o ritual religioso é seguido por uma manifestação política em diversas cidades da Cisjordânia por onde passa o muro. Esse é o caso de Ni’lin, próxima à cidade de Ramallah, bem como de diversas outras na Cisjordânia. Hoje há manifestações, tradicionalmente, em todas as cidades por onde passa o muro e também em cidades onde há ocupação sionista, como Hebron.

 No dia 4 de junho, além das bandeiras palestinas, bandeiras turcas decoraram a marcha, em apoio ao governo da Turquia e aos ocupantes da flotilha atacada por Israel no dia 31 de maio, quando nove ativistas foram assassinados e dezenas de pessoas ficaram feridas, em mais uma ação militar do Estado de Israel.

 Ritual

Pouco tempo depois do chamado, dezenas de pessoas começam a se concentrar, não na mesquita, mas em um terreno a mais ou menos 1,5 quilômetro do muro. Ainda na cidade, no caminho até o terreno, Fuad Khauadja, da União de Comitês Agrícolas, que acompanha a reportagem do Brasil de Fato, para em uma venda onde um jovem com cerca de 16 anos se levanta da cadeira para cumprimentá-lo com dificuldade. Com a muleta nas mãos, trocam algumas palavras. “Ele levou um tiro em uma das manifestações de sexta-feira, na região do abdômen e na perna, e por isso tem dificuldade para andar”, conta.

 Já no terreno, grupos de pessoas vão se sentando abaixo das oliveiras, para se proteger do sol, aguardando o chamado para rezar. Depois, se dispõem em três fileiras grandes em frente ao líder religioso e por pouco mais de dez minutos oram e, em seguida, caminham em marcha até um terreno inclinado, cheio de pedras, oliveiras e restos de bombas de gás lacrimogêneo usadas em outras sextas-feiras.

 Adultos com crianças seguem até certa parte da caminhada. Na medida em que o grupo se aproxima do muro, soldados israelenses começam a atirar as bombas de gás lacrimogêneo com morteiros por detrás do muro. Uma parte do grupo se retira e alguns, na maioria os mais jovens, com fundas nas mãos, começam a atirar pedras para o outro lado do muro. Hoje, o vento forte está a favor dos palestinos. O gás se dispersa rápido e leva o gás em direção aos soldados.

 Força desigual

Um dos símbolos do judaísmo é a estrela de David, personagem bíblico que derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Agora, quem empunha a pedra contra o gigante são os palestinos. “A passeata é pacífica, mas para eles não existe ‘pacífico’. É sempre assim, quando chegamos perto do muro já começam a atirar gás. A maioria recua, alguns jovens ficam para atirar pedras”, explica Taicir Karaja, brasileiro filho de palestinos que vive há dez anos na cidade vizinha de Saffa.

 Algumas vezes, os soldados saem detrás do muro, fortemente armados, e disparam contra os manifestantes. Fuad Khauadja conta que, desde o início da construção do muro, 80 pessoas de Ni’lin foram presas e cinco pessoas foram assassinadas. Um deles, um menino de 10 anos, Ahmed, que brincava com outras crianças após a manifestação. Segundo testemunhas, um soldado israelense foi até o lugar e disparou contra o menino com uma metralhadora à queima-roupa, na cabeça. Nada foi feito, nenhuma punição foi realizada. “Israel é um Estado que não obedece a nenhuma lei, faz o que quer, nunca é punido, não importa o que faça”, diz, com revolta, Taicir.

 Khauadja afirma que as manifestações já deixaram um saldo de 150 feridos, sendo que 25 deles têm seqüelas, tal como o jovem que encontramos no caminho da manifestação. “Eles procuram atirar em regiões do corpo onde há ossos, para deixar seqüelas”, denuncia Khauadja.

 O Crescente Vermelho Palestino, ligado à Cruz Vermelha, mantém ambulância e profissionais equipados com macas e máscaras para proteger do gás ao lado da manifestação. Hoje, felizmente, nenhum ferido.

O muro do apartheid israelense

 A construção do muro iniciou-se em 2002, ainda sob o governo de Ariel Sharon. O objetivo foi separar a Cisjordânia do restante do território. A construção, entretanto, não respeita as fronteiras da Cisjordânia, conhecida como Linha Verde, definida no armistício de 1967. A obra também descumpre o Acordo de Oslo, de 1993. Apenas cerca de 20% do muro coincide com a Linha Verde; os 80% restantes situam-se em território de Daffa – ou Cisjordânia. A obra é vista como um símbolo do apartheid a que Israel submete os palestinos, além de mostrar o total descumprimento e descaso do Estado sionista em relação às resoluções internacionais. Embora diversas organizações internacionais tenham condenado o muro, Israel não sofreu nenhuma punição. (Leia mais na edição 380 do Brasil de Fato).

Um retrato da Palestina

do site carta capital

Por Juliana Sada*  

No mesmo período em que o governo israelense atacava a Flotilha da Liberdade, em uma simbólica demonstração de sua política com os palestinos, organizações da esquerda árabe-israelense e palestina se reuniam para mostrar que há possibilidade de convivência entre os povos. 

Era a 2ª Conferência de Haifa – Pelo Retorno dos Refugiados Palestinos e Por um Estado Laico e Democrático na Palestina Histórica. Além de organizações israelenses e palestinas, o encontrou contou também com representantes de entidades de outros países, entre elas do MST. O Escrevinhador conversou com Marcelo Buzetto, membro da direção estadual do MST/SP e também de seu setor de relações internacionais, que esteve na Conferência. 

Além de participar da Conferência de Haifa, Buzzeto entrou em contato com a realidade palestina e nos traz informações sobre a região que raramente aparecem na mídia: como sobrevive a população, como é o cotidiano dos que vivem nos territórios ocupados, quais suas demandas, como se organizam e resistem, além de uma contextualização histórica que ajuda a entender a região. 

Em 31 de maio quando Israel atacou a Flotilha da Liberdade, Marcelo Buzzeto, integrante do MST, estava na Palestina em contato com as organizações de lá. No relato exclusivo, ele conta a repercussão do ataque, que surpreendeu até quem convive diariamente com a repressão israelense. 

Como foi recebida a notícia do ataque às embarcações que traziam ajuda humanitária?
Com muita indignação e revolta, pois foi um ataque covarde, realizado contra pacifistas que levavam ajuda humanitária, estavam desarmados, e só se defenderam dos tiros disparados pelos fuzileiros navais israelenses. Imediatamente houve manifestações em toda a Palestina, tanto nas cidades controladas pela Autoridade Palestina na Cisjordânia, onde governa o FATAH, como em Gaza, onde governa o Hamas, e nas cidades controladas política e militarmente por Israel, como Haifa, Tel-Aviv e Jerusalém. 

Qual era a expectativa que os palestinos tinham em relação à esta ação humanitária? Já se esperava a retaliação?
O risco de retaliação já era esperado. Qualquer ação contra a violência praticada por Israel é uma ação bastante arriscada, pois o Estado de Israel é um Estado terrorista, com um governo nazi-sionista que não respeita os direitos humanos, nem as resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, nem os mais elementares princípios do direito internacional humanitário. Mas nos diziam os palestinos que não acreditavam que a brutalidade sionista chegaria a tal ponto de assassinar a sangue frio os internacionalistas membros da missão humanitária. Esperavam dificuldades, como tentativas de bloqueio com os barcos israelenses e tentativa de prisão, mas esse uso de força extrema contra cidadãos de várias nacionalidades, em águas internacionais, realmente surpreendeu a todos. 

Há esperança de que esse episódio traga alguma mudança à Palestina? Ou mesmo o fim do cerco?
Com certeza. A estupidez e a brutalidade do governo de Israel só fortaleceu o apoio internacional à justa causa do povo palestino e à luta para garantir o fim do cerco militar e econômico à Gaza. Pessoas, movimentos e países do mundo inteiro condenaram Israel, e agora o mundo se levanta a favor do direito do povo palestino de ter seu próprio Estado. O governo do Egito, pressionado pelas massas populares, já abriu a fronteira com Gaza, e mais de 5 mil palestinos já a cruzaram nesses últimos dias. 

A abertura de fronteira não foi a única reação internacional ao ataque, a maioria dos países condenou duramente a ação israelense, as relações com a Turquia – até então amistosas – estão abaladas e a ONU determinou que se investigasse o ocorrido. Entretanto, analistas crêem que dificilmente Israel sofrerá alguma punição mais severa, dado o apoio que recebe dos Estados Unidos. Ainda assim, muitos países pediram o fim do cerco e os EUA declararam estar procurando “novas formas de lidar com Gaza”. No Brasil, a Câmara de Deputados realizará uma audiência, ainda sem data, sobre o ataque, serão ouvidos a cineasta brasileira Iara Lee, uma das sobreviventes do episódio, e o embaixador de Israel no país, Giora Becker. 

*Matéria originalmente publicada no blog de O Escrevinhador 

Ao longo da semana o blog de O Escrevinhador vai publicar o restante da entrevista com Marcelo Buzzeto.

Queremos pontes ao invés de muros, diz líder do Fatah

do portal do PCdoB

Ao declarar “queremos pontes ao invés de muros”, Mohamed Odeh – chefe do Departamento Ibero-americano da Comissão de Relações Exteriores do Movimento de Libertação da Palestina (Fatah) – sintetizou sua posição sobre a ocupação do território palestino por parte do exército israelense durante visita à sede do PCdoB em Brasília, nesta quinta-feira, 18.

Odeh, ao lado de Nasim Alam e Salah, representante da embaixada Palestina em Brasília, foram ecebidos pelo novo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu “Alemão”, e por Ronaldo Carmona, membro da Secretaria.

Mohamed Odeh fez um relato emocionado da situação gravíssima em que vivem os palestinos que, apesar de terem um território legal e historicamente garantido por resoluções e diplomas consagrados pela ONU, seguem sem poder constituir sua nação devido à ação israelense.

“Nosso país está ocupado. Queremos liberdade. Não queremos sangue. Queremos nossos direitos. Queremos construir pontes com os povos amantes da paz em todo o mundo, e não muros como os israelenses estão levantando por toda a parte”, destacou. Continue lendo

Revendo a história, a razão está com os palestinos – Por Antonio Barreto

do portal do CEBRAPAZ

Síntese da história da Palestina e da luta do seu povo que nos últimos 50 anos viu sua pátria ser invadida e dominada pelo império colonial Israel/Estados Unidos.

            A questão palestina precisa ser entendida não apenas pelas pendências religiosas e limites territoriais geográficos, mas principalmente pela trajetória histórica do seu povo. Vista por esse ângulo, caem por terra todas as justificativas israelenses para a invasão do território e o massacre dos palestinos.  

Com 27 mil quilômetros quadrados incrustados no cruzamento de três continentes  – Europa, Ásia e África – a Palestina é um ponto estratégico do ponto de vista militar, comercial e político.
Apesar de vários povos terem passado pela Palestina em seus 10 mil anos de história, apenas três povos  se destacaram nessa região e deixaram as marcas da sua cultura. Foram os cananeus, os filisteus e os israelitas.

Os cananeus são os mais antigos na Palestina, tendo ali se instalado  há cerca de 3.000 anos  a..C. Foram eles que deram ao país o nome histórico de “terra de Canaã”. Entre suas cidades, encontra-se Jerusalém, nascida há 1800 a.C.

Os israelitas que vagaram pelo deserto depois do seu êxodo do Egito, chegaram à parte oriental de Canaã cerca de 1.200 a.C. e iniciaram o processo de colonização com as 12 tribos de Israel, unidas por Saul que fundou o primeiro reino israelita na Palestina em 1030 a.C., que durou até 587 a.C., quando o reino de Judá foi destruído pelos babilônios. A partir daí, sai de cena o governo israelita na Palestina, situação essa que durou até meados do século XX. Continue lendo

A “indústria da paz” no Oriente Médio

do portal vermelho

Lejeune Mirhan *

Antes de mais nada, quero dizer que esse título acima não me pertence. É de autoria de um jovem estudante palestino chamado Faris Giacaman, que mora na Cisjordânia, mas estuda em universidade nos Estados Unidos. Trata da questão da paz sob outro aspecto. Queria compartilhar com meus leitores, alguns aspectos da questão que ele levanta.

 Norman FinkelsteinÉ possível a “coexistência” pacífica?

Faris inicia relatando que, ao se apresentar para seus colegas americanos e outras nacionalidades como palestino, as pessoas vão logo dizendo que sempre participam de atividades que promovem o “diálogo” e a “coexistência” entre “os dois lados do conflito”. Sobre isso, que a seguir publicar alguns trechos que destaquei como mais importantes em seu artigo: Continue lendo

Para onde vai o Fatah?

do portal vermelho

por Lejeune Mirhan*
Iniciado na segunda-feira que passou, 3 de agosto e previsto para terminar nesta quinta, dia 6, o Congresso do Movimento de Libertação Nacional da Palestina, Fatah (Ressurgimento, em árabe), foi prorrogado para terminar no próximo domingo apenas. Há 20 anos sem realizar um Congresso Nacional, quando o último havia ocorrido em Túnis, na Tunísia em 1989, esse evento reveste-se de importância extraordinária.

Abbas no congresso do Fatah
Que decisões podem ser tomadas?

A imprensa mundial, como sempre, faz uma cobertura enviesada, facciosa, seguindo seus interesses de desmoralizar o movimento de resistência palestina. Menciona divergências intransponíveis dentro do Partido, que é laico e completa este ano 60 anos de existência (fundado em 1959 por Yasser Arafat, líder da OLP e morto em 2004). Menciona desgastes da organização, casos de corrupção. Fala de uma “nova guarda” que se opõe aos velhos. Tudo isso pode ser verdade. Mas, ainda assim, o mais importante, as propostas que serão aprovadas pouco ou quase nada são faladas.

A abertura do Congresso feita na segunda, Mahmoud Abbas, líder máximo do Partido e presidente da Autoridade Nacional Palestina desde a morte de Arafat, fez uma espécie de autocrítica no Congresso. Falando para 1,9 mil delegados (eram esperados 2,3 mil, mas o Hamas impediu que saíssem de Gaza 400 delegados, em uma demonstração de sectarismo político que deve ser criticado), Abbas mencionou três questões importantes: Continue lendo

Diario de Palestina – Emir Sader

do site sin permiso

28/06/09
palestina13g1.- La resistencia cultural

Una ocupación colonial no es sólo una ocupación militar. Ella debe intentar impedir la sobrevivencia de la cultura, de la memoria del pueblo ocupado.  Más aún si se trata de la ocupación de un pueblo con una de las más antiguas historias y más ricas culturas.

Como era imposible que la Capital de la Cultura Árabe pudiese ser Bagdad, por la ocupación de las tropas norteamericanas, fue decidido que Jerusalén (que ellos llaman Al-Quds) fuera la Capital de la Cultura Árabe de 2009. Las conmemoraciones habían sido víctimas de las más violentas y odiosas represiones de las tropas israelíes de ocupación. Organizar lindas actividades en torno de la cultura árabe pasó a ser un inmenso desafío para el Comité Palestino de Organización, por dificultades de recursos, invitaciones de poetas, músicos, cantantes, artistas del mundo árabe y de otras regiones del planeta para venir a una región cercada y ocupada; actividades que tendrían que realizarse en las calles y las plazas de Jerusalén.

El acto de presentación del logotipo del encuentro, programado para realizarse en el Teatro Nacional de Jerusalén, en abril del año pasado, fue prohibido por Israel, declarado ilegal y reprimido brutalmente por las fuerzas militares para impedir su realización. Fueron detenidos tres de los miembros del grupo organizador.

Pese a todas las dificultades, el día 21 de marzo de este año se  iniciaron las conmemoraciones, con actividades populares en las calles de Jerusalén, que terminaron con una noche de discursos en Belén. Israel mandó tropas contra los niños que llevaban globos con los colores de la bandera palestina, rojos, blancos, verdes y negros. Las tropas de ocupación atacaron a los jóvenes que iban a realizar danzas tradicionales palestinas, con sus ropas típicas, provocando escenas de pánico y desesperación.

Como reacción, todas las escuelas, universidades, centros culturales, municipios del centro y de las afueras de Palestina, decidieron asumir la celebración organizando actividades sobre la bandera y el logotipo de Jerusalén Capital de la Cultura Árabe 2009. Centenares de encuentros se organizaron en muchos países como muestra de solidaridad y de protesta contra la represión israelí. Queda claro, cada vez más, que no se trata de la ocupación y de la acción militar contra “fuerzas terroristas”, como alegan los ocupantes, sino contra la resistencia de la cultura palestina.

Los palestinos adoptaron el lema: “Jerusalén nos une y no debe dividirnos”, reforzando la necesidad de unión de todos los palestinos para derrotar la ocupación y por la conquista del derecho de un Estado palestino, reconocido por las Naciones Unidas, pero impedido por los Estados Unidos y por Israel.

“Una vez liberada, Jerusalén no será solamente la incuestionable capital de la cultura árabe sino que será la ciudad de la diversidad cultural y religiosa, de la tolerancia y del respeto por los otros. Una ciudad abierta para la paz cuyos tesoros históricos y religiosos serán disfrutados por todos, del este y del oeste. El único muro que la cercará será el muro histórico de su Ciudad Vieja y sus 12 puertas, incluyendo la Puerta de Oro, que una vez abierta llevará a todos los pueblos de bien para el cielo”.

Las palabras son de Ragiq Husseini, presidente del Consejo Administrativo del Comité Nacional por la celebración de Jerusalén como Capital de la Cultura Árabe en 2009. Estar aquí, llegar a Ramallah, muestra con toda fuerza, cómo éste es un territorio ocupado, cruzado por muros que dividen a los propios palestinos, poblado de tropas y carros militares, sometiendo a este heroico pueblo a la ocupación, opresión, humillación, en la más grave situación de violación de los derechos humanos – políticos, sociales, económicos y culturales – en el mundo de hoy.

2.- Ocupación, colonialismo y apartheid

Una cosa es oír, leer, hablar de ocupación. Otra es ver lo que significa. Ramallah, una ciudad pacífica, sin violencia, sin problemas de seguridad, donde se puede andar por cualquier barrio a cualquier hora del día y de la noche, una ciudad sin personas viviendo en la calle, sin niños abandonados.

La ocupación israelí significa la brutalidad de cortar la ciudad con muros, que separan palestinos de palestinos. Hay una gran avenida que el muro corta de un lado al otro. Los muros separan, segregan, colocan entre palestinos y palestinos los controles comandados por soldados israelíes armados hasta los dientes, que ejercen sistemáticamente su poder armado, con arbitrariedad y discriminación. No hay una lógica en los muros, es un ejercicio  conscientemente arbitrario, para demostrar – como hace el torturador ante su víctima – que el ocupante puede hacer lo que quiere, sin ninguna lógica, sólo como ejercicio del poder armado que dispone.

Muros para lacerar la carne y el orgullo, la autoestima, para intentar desmoralizar a los palestinos, llevarlos al dilema de la pasividad, de la resignación, o de la desesperación de las acciones armadas. Esa sería la actitud espontánea de cualquier ser humano, ante las humillaciones a las que son sometidos los palestinos, frente a la demostración brutal de la fuerza. Parece que los ocupantes quieren provocar reacciones violentas, que justificarían nuevas ofensivas violentas. Los palestinos gastan varias horas por día en las filas de los controles. Para ir de Ramallah a Jerusalén se requieren diez minutos o tres horas, depende de la arbitrariedad de las tropas de ocupación. Los palestinos tienen que elaborar guías de sobrevivencia para subsistir con los 630 puntos de control que existen actualmente en Palestina.

Se trata de una ocupación ilegal, injusta, de discriminación racial del tipo del apartheid sudafricano. Los israelíes quieren impedir a los palestinos tener un Estado como fue reconocido a Israel al final de la Segunda Guerra Mundial. Considerarse un “pueblo elegido”, también esto tienen ellos en común con los norteamericanos. Como dice Edward Said, los palestinos son “las víctimas de las víctimas”. Los israelíes se consideran víctimas, pero pasaron a ser verdugos, colonialistas, imperialistas y racistas.

Ver los muros, su violencia, su brutalidad, la frialdad de su inhumanidad, frente a las casas humildes, los olivos de los palestinos – tantas casas y olivos destruidos para construir los muros –, permite sentir en lo más profundo de cada uno los dos mundos que se contraponen aquí. La neutralidad, la pasividad, se tornan imposibles, cómplices, frente a tanta injusticia y violencia.

Un estado terrorista, un Ejército del terror, tropas de ocupación coloniales, acciones imperiales, esa es la ocupación israelí de lo que tendría que ser territorio palestino. De lo que tendrá que ser el territorio de una Palestina libre, democrática y soberana.

3.- ¿Por qué Israel no acepta un Estado palestino?

¿Israel y Estados Unidos van en direcciones opuestas? En tanto Obama intenta rescatar una imagen internacional muy desgastada, que propone retomar las negociaciones sobre Palestina, Netanyahu va en la dirección opuesta. Mientras su partido no reconoce, ni formalmente, el derecho al Estado palestino, presionado por Obama, Netanyahu presentó una propuesta imposible, pero una artimaña de algo que apuntase a volver a las negociaciones con los palestinos.

Para quien constata, aquí en la Palestina, la ocupación militar, los muros, los asentamientos protegidos militarmente, es ridícula la propuesta del primer ministro de Israel de un Estado Palestino desmilitarizado. Porque acordar la paz con Palestina es, antes de todo, la retirada inmediata e incondicional de las tropas israelíes de ocupación de los territorios palestinos. Eso es desmilitarizar.

Por otro lado, no solamente no retirarse, sino seguir instalando asentamientos judíos en el corazón de Palestina – no sólo en el campo, sino en el centro mismo de ciudades como Ramallah – es sabotear concretamente cualquier solución pacífica a la cuestión palestina. Decir que desea negociaciones con Palestina, pero al mismo tiempo afirmar y seguir instalando asentamientos, es decir que, por la vía de los hechos, Israel quiere perpetuar la ocupación genocida de los territorios palestinos.

Israel niega a Palestina  el mismo derecho que él tiene: de tener un Estado soberano, a pesar de las reiteradas decisiones de la ONU, que garantizan la existencia de dos Estados, uno israelí y otro palestino, con los mismos derechos. Con territorios continuos, con soberanía con derecho de retorno de los inmigrantes. ¿Por qué Israel no acepta la existencia de un Estado Palestino? ¿Por qué pasó de víctima a verdugo?

El argumento usual era que los palestinos constituían una amenaza para la sobrevivencia de Israel. Pero desde que la Autoridad Palestina, mediante Arafat, reconoció el derecho a la existencia del Estado de Israel, ese argumento desapareció. Alega Israel que los palestinos son “terroristas”, aunque todas las reacciones a la ocupación militar, las agresiones cotidianas y las humillaciones cotidianas contra los palestinos en sus propios territorios, configuran, claramente, un régimen de terror contra el pueblo palestino.

En estos días, aquí en Palestina, pudimos constatar la quema de plantaciones de trigo de los palestinos, realizadas por colonos judíos de los asentamientos. La aprobación de más de 250 millones de dólares por parte del gobierno israelí para seguir con los asentamientos. Casas palestinas siguen siendo destruidas para la construcción de nuevos asentamientos. La expulsión arbitraria de palestinos de Jerusalén, la destrucción de casas y de olivares, el asedio constante, para incitar al abandono de la ciudad santa.

Pero, además de eso, al inviabilizar el desarrollo económico – por el cerco militar, por la ocupación, por las incursiones genocidas, como la realizada recientemente contra Gaza -, Israel establece una situación de súper explotación de los palestinos. Incita a los palestinos a emigrar para otros países o a someterse a ser súper explotados por los israelíes. Los absurdos muros tienen menos una lógica de defensa militar y mucho más de hacer inviable la economía de Palestina.

Adicionalmente, la ocupación militar sirve también para la apropiación de los recursos naturales de Palestina. Por ejemplo, Israel utiliza seis veces más agua que los palestinos, mientras explota los manantiales ubicados en Palestina.

Aunque el objeto mayor de la ocupación es la tentativa de asesinar la identidad del pueblo palestino, de liquidar su memoria histórica, de liquidar la autoestima de los palestinos, de desmoralizarlos, de dispersarlos por todo el mundo, fomentando la diáspora y bloqueando el retorno de los palestinos a sus territorios.

Si Obama quisiera, de hecho, presionar a Israel para que reabriera las negociaciones reales, lo primero que debería hacer sería simplemente no ejercer más el derecho de veto en las Naciones Unidas de todas las resoluciones que condenan a Israel. Además de amenazar y verdaderamente suspender el inmenso apoyo militar que su país da a Israel, para que ocupe los territorios palestinos. Cuando Israel tiene un gobierno que niega el derecho de los palestinos a tener un Estado aprobado por las Naciones Unidas, tiene un ministro de relaciones exteriores que desea la expulsión de los palestinos de Israel, incluso hasta el ataque nuclear para destruir a los palestinos, queda claro que la solución política de la cuestión palestina tiene que apuntar hacia Tel-Aviv y no hacia los palestinos.

Emir Sader es miembro del Consejo Editorial de SINPERMISO. Este artículo lo escribió desde Ramallah.

Traducción para www.sinpermiso.info: Carlota Mendoza

Denúncia de expulsões sistemáticas contra palestinos de Jerusalém

da prensa latina

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Escrito por Larissa C. S. Silva
viernes, 26 de junio de 2009

O ministro palestino de Obras Públicas e Moradia, Mohammad Ishteiyah, denunciou a “sistemática política” repressiva de Israel na ocupada Jerusalém, apesar da imagem de tolerância que tenta dar hoje ao mundo na Cisjordânia.

Ishteiyah disse que junto com as muitas detenções de cidadãos palestinos, as autoridades de Tel Aviv os expulsam de seus lares na zona árabe da cidade santa e, também, a maioria das vezes destroem essas construções.

O exemplo mais recente, destacou, é a ordem de demolição de casas na comunidade de Silwan, em El-Bustan.

“Como palestinos estamos enfrentando as perigosas políticas que Israel faz dentro de Jerusalém e denunciamos sua escalada contra a cidade a partir de desfazer dos bairros árabes”, apontou.

Assegurou que tais práticas ocorrem como “uma política contínua contra a cidade desde sua ocupação em 1967, em contravenção com a Quarta Convenção de Genebra, de 1949″.

Para o governo da Autoridade Nacional Palestina (ANP), que preside Mahmoud Abbas, se trata de um assunto mais político que legal, e não como pretende fazer ver a municipalidade israelense de Jerusalém com as escavações efetuadas em diferentes partes da Cidade Velha. Continue lendo

Dois Estados… um Truque?

do blog do velho comunista

Mohannad El-Khairy
470
Tradução de Francisca Macias

Então, aqui estamos nós.

Em Israel, um dos governos mais reacionários retomou a política do apartheid de Olmert; Benjamin Netanyahu à frente do que pode ser considerado simplesmente como uma administração fascista e claramente racista, formou com esse Avigdor Lieberman e Cia. a maioria num governo de coligação. Já em 2003, quando ocupava o cargo de Ministro dos Transportes no governo de Sharon, Lieberman declarou no Knesset (Assembléia) que todos os Palestinos detidos nas prisões de Israel deveriam ser afogados. Suponho que foi o povo israelita quem falou. Entretanto, os dados demográficos são significativos.

Cerca de 280.000 colonos judeus, que crescem a uma taxa de 5% ao ano, vivem na Cisjordânia, num local estratégico controlando mais de 2,5 milhões de palestinos. Eles são protegidos pelas Forças de Ocupação Israelitas, consideradas ilegais desde há mais de 42 anos após a resolução 242 das Nações Unidas, que, no seu 1º ponto, apela à “ retirada das forças armadas israelitas dos territórios ocupados no recente conflito (de 1967)”. No entanto em 2006 o número de barricadas e ‘checkpoints’ na Cisjordânia aumentou 40%, com 528 ‘checkpoints’ permanentes e temporários e barricadas, frustrando a vida dos Palestinos em todos os aspectos, de acordo com o Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários em Jerusalém (OCHA). Isto, por definição, é Apartheid.
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