Robert Fisk: EUA não se importam com injustiças no Oriente Médio

do site Carta Maior

Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã. O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio.

Robert Fisk – The Independent

Aproximei-me desconfiadíssimo, do mais recente rumoroso episódio diplomático. E ontem, depois das eleições no Cairo – as eleições parlamentares egípcias foram, como sempre, mistura de farsa e fraude, o que, afinal de contas, sempre é melhor que choque e horror – mergulhei nos milhares de telegramas diplomáticos norte-americanos, sem absolutamente qualquer esperança. Como disse o presidente Hosni Mubarak, e lê-se num dos telegramas, “vocês sabem esquecer a tal de democracia”.

Não que os diplomatas dos EUA não entendam o Oriente Médio; é que eles já não sabem ver a injustiça. Quantidade imensa de literatura diplomática prova que o pilar da política dos EUA para o Oriente Médio é o alinhamento com Israel, que seu principal objetivo é encorajar os árabes a unir-se à aliança EUA-Israel contra o Irã, que a bússola da política dos EUA é a necessidade de domar e, por fim, destruir o Irã.

Não vazou praticamente (pelo menos até agora) nenhuma referência às colônias israelenses ilegais exclusivas para judeus na Cisjordânia, nem aos ‘postos de controle’ israelenses, aos colonos israelenses extremistas, cujas casas pintam como cicatrizes de varíola toda a Cisjordânia palestina ocupada – ao vasto sistema ilegal de roubo de terra que é o coração da guerra Israel-palestinos. O que se vê mais, por incrível que pareça, são os mais variados espécimes de importantes diplomatas norte-americanos acocorados e rendidos ante as exigências de Israel – vários deles visivelmente apoiadores ardentes de Israel. É como se os chefes do Mossad e os agentes militares de inteligência de Israel obrigassem os padrinhos ouvir e decorar as instruções dos apadrinhados.

Há maravilhosa passagem nos telegramas, quando o primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu explica a uma delegação do Congresso dos EUA, dia 28/4/2009, que “Estado palestino, só se for desmilitarizado, sem controle sobre o espaço aéreo e campo eletromagnético [sic], sem poder assinar tratados nem controlar fronteiras”. Assim sendo, adeus ao Estado palestino “viável” (palavra de Lord Blair de Isfahan) que todos supostamente desejamos. Não há registro nos telegramas de que os rapazes e moças deputados e senadores dos EUA e que lá ouviam Netanyahu tenham discordado.

Em vez disso, o The New York Times procurou as melhores frases. Eis o rei Abdullah da Arábia Saudita, por seu embaixador em Washington (sempre amigo da imprensa), dizendo que Abdullah crê que os EUA devem “cortar a cabeça da serpente” – onde, em “a serpente”, leia-se “o Irã” ou “Ahmadinejad” ou “as instalações nucleares do Irã” ou qualquer um desses itens ou todos.

Mas os sauditas vivem ameaçando cortar a cabeça de serpentes. Em 1982, Yasser Arafat disse que deceparia o braço esquerdo de Israel (depois que Israel invadiu o Líbano) e o então primeiro-ministro de Israel Menachem Begin respondeu que deceparia o braço direito de Arafat. Acho que quando somos informados – como, desgraçadamente, agora, por Wikileaks – de que candidatos a visto norte-americano, mas que os EUA não queiram por perto, são chamados pelos diplomatas dos EUA de “víboras do visto” [ing. visa vipers], a única conclusão a que podemos chegar é que cresce em todo o mundo a demanda por ofídios.

O problema é que, por décadas, os potentados do Oriente Médio ameaçam decepar cabeças de cobras, serpentes, ratos e insetos iranianos – esses últimos preferidos de Saddam Hussein, que usou “inseticida” fornecido pelos EUA para a matança como bem se sabe –, enquanto os líderes israelenses chamaram os palestinos de “baratas” (Rafael Eitan), “crocodilos” (Ehud Barak) e “bestas de três patas” (Begin).

Tenho de confessar que gargalhei, de chorar de rir, ante um telegrama de diplomata dos EUA, em tom solene-ridículo, reportando do Bahrain, que o rei Hamad – ou “Sua Alteza Suprema Rei Hamad”, como faz questão de ser chamado, em sua ditadura de maioria xiita em reino pouco maior que a ilha de Wight – havia declarado que o perigo de deixar prosseguir o programa nuclear iraniano era “maior que o perigo de fazê-lo parar”.

O maravilhoso jornalista palestino Marwan Bishara acertou ao dizer, no fim-de-semana, que esses papéis diplomáticos dos EUA são mais interessantes para estudos antropológicos, que para estudos políticos; porque são documento de uma perversão do pensamento ocidental sobre o Oriente Médio. Se o rei Abdullah (versão saudita em ruínas, em oposição à versão Reizinho Valente da Jordânia) realmente chamou Ahmadinejad de Hitler, se o conselheiro de Sarkozy chamou o Irã de “Estado fascista”, então se prova, apenas, que o departamento de Estado dos EUA continua obcecado com a II Guerra Mundial.

Adorei o espantoso relato de alguém que visitou a embaixada dos EUA em Ancara e contou aos diplomatas que o Líder Supremo do Irã Ali Khamenei sofria de leucemia e estava à morte. Não porque o pobre velho sofra de câncer – é mentira –, mas porque é o mesmo tipo de descalabro sobre líderes do Oriente Médio recalcitrantes que se vê há muitos anos. Lembro de quando “fontes diplomáticas” norte-americanas ou britânicas inventaram que Gaddafi estaria morrendo de câncer, que Khomeini estaria morrendo de câncer (muito antes de ele morrer), que o matador de aluguel Abu Nidal estaria morrendo de câncer 20 anos antes de ser assassinado por Saddam. Até na Irlanda do Norte um miolo-mole britânico contou-nos que o líder protestante William Craig estaria morrendo de câncer. Claro que Craig sobreviveu, como o horrível Gaddafi, cuja enfermeira ucraniana é descrita nos documentos dos EUA como “voluptuosa”, o que ela é. Mas haverá alguma dama loura não “voluptuosa”, nesse tipo de novelão?

Uma das reflexões mais interessantes – atentamente ignorada pela maioria dos jornais pro-Wikileaks de ontem – aparece no relato de encontro entre uma delegação do Senado dos EUA e o presidente Bashar Assad da Síria, no início de 2010. Os EUA, disse Assad aos visitantes, possuem “gigantesco aparato de informação”, mas fracassam ao analisar essa informação. “Nós não temos as habilidades que os senhores têm”, disse em tom sinistro, mas “somos bem-sucedidos no combate aos extremistas porque contamos com melhores analistas. (…) Nos EUA vocês gostam de fuzilar [terroristas]. Sufocar as redes deles dá melhor resultado”. O Irã, concluiu Assad, era o mais importante país da região, seguido da Turquia e – número três – a Síria. O coitado velho Israel nem aparece no retrovisor.

Evidentemente, o presidente Hamid Karzai do Afeganistão é “movido à paranóia” – como todos os habitantes daquela terra, inclusive quase toda a OTAN e, sobretudo, os EUA – e naturalmente o presidente do Iêmen mente ao próprio povo que está matando representantes da al-Qa’ida, quando todos o mundo sabe que os verdadeiros culpados são os guerreiros do general David Petraeus. Líderes muçulmanos não fazem outra coisa além de mentir que as proezas militares dos EUA contra outros muçulmanos são proezas deles, não ‘nossas’.

Claro, não se pode ser tão cínico. Gostei muito do telegrama diplomático dos EUA (do Cairo, claro, não de Telavive) no qual se lê que Netanyahu seria “elegante e sedutor (…) mas nunca cumpre o que promete”. Ora! Não se aplica também a metade dos líderes árabes?

E assim chegamos ao apimentado e assustador relato de encontro entre Andrew Shapiro, “Secretário Assistente de Estado do Gabinete Político-militar dos EUA” e espiões israelenses há quase exatamente um ano. Israel não pode proteger seus Cessna Caravan e Raven aviões-robôs não pilotados no sul do Líbano, reconheceu o Mossad (o Hezbollah deve ao Mossad essa preciosa informação). Um coronel israelense “J5”, coronel Shimon Arad gorjeia sobre os perigos do “Hezbollahstão” e do “Hamastão” e sobre “o impasse político interno” no Líbano – naquele momento não havia; agora, há – e sobre o Líbano como “arena militar volátil” e a “suscetibilidade do Líbano a influências externas, inclusive da Síria, do Irã e da Arábia Saudita”.

E – claro, apesar de o coronel Arad não ter falado sobre isso – também suscetível à influência de norte-americanos, israelenses, franceses, britânicos, além, também de o Líbano também ser suscetível à influência dos turcos. Shapiro “citou a necessidade de oferecer alternativa ao Hezbollah” – talvez… os policiais da Costa Rica? – e sugeriu que o exército libanês poderia defender o Hezbollah (improvável, nas atuais circunstâncias).

Há uma inestimável rejeição-negação do relatório Goldstone da ONU sobre as atrocidades em Gaza em 2008-09, pelo major-general da reserva Amos Gilad, que diz que os documentos em que se critica Israel são “sem fundamento, porque os militares israelenses fizeram 300 mil chamadas telefônicas para as residências em Gaza antes dos ataques aéreos (…) para evitar baixas entre os civis.” O infeliz, pobre Shapiro, dado que o telegrama não registra resposta dele, manteve-se em silêncio. Teria sido apenas uma, de cada cinco famílias palestinas, avisadas por telefone, se se considera a população palestina total de Gaza, crianças, bebês, todos. E mesmo assim os israelenses mataram 1.300 palestinos, a maioria dos quais civis. Claro que a Autoridade Palestina do insípido Mahmoud Abbas não quis assumir esse campo de morticínio depois que os israelenses venceram – como Israel propôs-lhe, com aprovação dos EUA – porque Israel não venceu em Gaza. Sequer conseguiram localizar nos túneis de Gaza o soldado israelense que o Hamás mantêm preso há anos.

Há um momento simbólico quando o Xeque Mohamed bin Zayed al-Nahyan de Abu Dhabi – sem comparação possível com o personagem “distante e sem carisma” de seu irmão Califa – preocupa-se com o Irã na presença do embaixador dos EUA Richard Olsen o qual, então, comenta que o Xeque “manifesta visão estratégica sobre a Região curiosamente semelhante à visão israelense”. Mas é claro que manifesta! São idênticos. Todos rezam em suas mesquitas de ouro, reis e emires e generais, comprando mais e mais armas dos EUA para protegerem-se contra “o Hitler” de Teerã – melhor Hitler, acho eu, que o Hitler do Tigre em 2003, que o Hitler do Nilo de 1956 – e praza a Deus Todo Poderoso que sejam salvos pelos santificados EUA e Israel. Fico, em suspense, à espera do próximo capítulo dessa farsa.

Tradução: Vila Vudu

Ejército israelí desvía barco libio con ayuda humanitaria para Gaza

do site da telesur

TeleSUR _ Hace: 03 horas

El carguero libio Esperanza, cuyo destino inicial era la Franja de Gaza para llevar unas dos mil toneladas de ayuda humanitaria, continúa navegando pero hacia el puerto egipcio de Al-Arish, luego de haber sido desviado por tres barcos de guerra israelíes que lo interceptaron el martes.Fuentes militares israelíes advirtieron que le seguirían los pasos hasta confirmar que entra en el puerto egipcio y descarga allí su mercancía.

Por su parte, las autoridades egipcias aceptaron la petición del barco libio para atracar en el puerto de Al Arish, según fuentes de los servicios de seguridad.

El navío estuvo detenido por dos horas debido a problemas técnicos y luego retomó su curso de navegación hacia el puerto egipcio, del cual se encuentra a unas 20 millas náuticas, mientras que de la Franja de Gaza, se ubica a unas 40 millas náuticas.

El barco, de bandera moldava y llamado originalmente Amalthea, está cargado con 2 mil toneladas de ayuda humanitaria bajo forma de alimentos y medicamentos para los palestinos, según informó la fundación.

Desde junio de 2007 Israel intensificó el bloqueo a la Franja de Gaza, en donde habitan casi dos millones de personas.

Tel Aviv no permite el tránsito de personas entre Gaza e Israel, ni las transferencias de dinero con destino a ese territorio, y desde allí al exterior. El bloqueo de las fuerzas israelíes es tanto por tierra como por mar.

Los palestinos que viven en la Franja no cuentan con hospitales ni escuelas, puesto que quedaron derribadas o en muy mal estado por los ataques de las fuerzas de Israel en la operación Plomo Fundido de 2008 que dejó más de 1400 muertos, en su mayoría mujeres y niños.

El navío sigue su curso a baja velocidad y con sigilo mientras los “escoltas” de Israel se mantienen entre unas dos a tres millas de distancia a del Esperanza, de acuerdo a lo señalado por un corresponsal de la agencia Al-Jazeera a bordo del buque.

Mientras la tripulación persiste en su deseo de llegar a puerto palestino, Israel manifestó que asaltarán el barco de bandera moldava en caso de que intente romper el férreo bloqueo que mantiene contra Gaza hace ya 4 años.

Este miércoles, se han efectuado diferentes contactos con líderes del mundo para solicitar intervención, inclusive de la Unión Europea, para que faciliten al Esperanza el resto del viaje y logren arribar a Gaza.

Se conoció que una cantidad indeterminada de barcos persqueros egipcios se acercaron al carguero, pero conservaron una distancia prudencial ante la presencia de los barcos de guerra israelíes.

La Esperanza es propiedad de una naviera griega, y fue fletado por una Organización No Gubernamental islámica que preside Saif Qaddafi, hijo del líder libio Muamar Qaddafi

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Palestina recebe Fórum Mundial da Educação

do site da revista Forum

Por Redação [Sexta-Feira, 11 de Junho de 2010 às 18:08hs]

Entre os dias 28 e 31 de outubro, a Palestina recebe o Fórum Mundial da Educação (FME). Como parte da programação estendida do Fórum Social Mundial (FSM) deste ano, o FME concentrará os debates sobre outras formas de educação para um novo mundo possível. Continuar lendo

Violência de Israel faz parte do dia-a-dia do povo palestino

do site Brasil de Fato

Todas as sextas-feiras, cidades palestinas da Cisjordânia realizam manifestações em frente ao muro construído por Israel

 10/06/2010

 Dafne Melo-enviada a Ni’lin (Palestina)

 Para os muçulmanos, a sexta-feira é um dia sagrado, assim como o domingo para os cristãos e o sábado para os judeus. Ao meio-dia, pelos alto-falantes colocados na torre de cada mesquita, começa a ecoar uma oração. É o chamado para que a comunidade vá até a mesquita, não só para rezar, mas também para onde será feito o khutbah, uma espécie de sermão onde são discutidas inclusive questões sociais e políticas ligadas à comunidade.

 Desde o início da construção do muro pelo Estado de Israel (ver box), o ritual religioso é seguido por uma manifestação política em diversas cidades da Cisjordânia por onde passa o muro. Esse é o caso de Ni’lin, próxima à cidade de Ramallah, bem como de diversas outras na Cisjordânia. Hoje há manifestações, tradicionalmente, em todas as cidades por onde passa o muro e também em cidades onde há ocupação sionista, como Hebron.

 No dia 4 de junho, além das bandeiras palestinas, bandeiras turcas decoraram a marcha, em apoio ao governo da Turquia e aos ocupantes da flotilha atacada por Israel no dia 31 de maio, quando nove ativistas foram assassinados e dezenas de pessoas ficaram feridas, em mais uma ação militar do Estado de Israel.

 Ritual

Pouco tempo depois do chamado, dezenas de pessoas começam a se concentrar, não na mesquita, mas em um terreno a mais ou menos 1,5 quilômetro do muro. Ainda na cidade, no caminho até o terreno, Fuad Khauadja, da União de Comitês Agrícolas, que acompanha a reportagem do Brasil de Fato, para em uma venda onde um jovem com cerca de 16 anos se levanta da cadeira para cumprimentá-lo com dificuldade. Com a muleta nas mãos, trocam algumas palavras. “Ele levou um tiro em uma das manifestações de sexta-feira, na região do abdômen e na perna, e por isso tem dificuldade para andar”, conta.

 Já no terreno, grupos de pessoas vão se sentando abaixo das oliveiras, para se proteger do sol, aguardando o chamado para rezar. Depois, se dispõem em três fileiras grandes em frente ao líder religioso e por pouco mais de dez minutos oram e, em seguida, caminham em marcha até um terreno inclinado, cheio de pedras, oliveiras e restos de bombas de gás lacrimogêneo usadas em outras sextas-feiras.

 Adultos com crianças seguem até certa parte da caminhada. Na medida em que o grupo se aproxima do muro, soldados israelenses começam a atirar as bombas de gás lacrimogêneo com morteiros por detrás do muro. Uma parte do grupo se retira e alguns, na maioria os mais jovens, com fundas nas mãos, começam a atirar pedras para o outro lado do muro. Hoje, o vento forte está a favor dos palestinos. O gás se dispersa rápido e leva o gás em direção aos soldados.

 Força desigual

Um dos símbolos do judaísmo é a estrela de David, personagem bíblico que derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Agora, quem empunha a pedra contra o gigante são os palestinos. “A passeata é pacífica, mas para eles não existe ‘pacífico’. É sempre assim, quando chegamos perto do muro já começam a atirar gás. A maioria recua, alguns jovens ficam para atirar pedras”, explica Taicir Karaja, brasileiro filho de palestinos que vive há dez anos na cidade vizinha de Saffa.

 Algumas vezes, os soldados saem detrás do muro, fortemente armados, e disparam contra os manifestantes. Fuad Khauadja conta que, desde o início da construção do muro, 80 pessoas de Ni’lin foram presas e cinco pessoas foram assassinadas. Um deles, um menino de 10 anos, Ahmed, que brincava com outras crianças após a manifestação. Segundo testemunhas, um soldado israelense foi até o lugar e disparou contra o menino com uma metralhadora à queima-roupa, na cabeça. Nada foi feito, nenhuma punição foi realizada. “Israel é um Estado que não obedece a nenhuma lei, faz o que quer, nunca é punido, não importa o que faça”, diz, com revolta, Taicir.

 Khauadja afirma que as manifestações já deixaram um saldo de 150 feridos, sendo que 25 deles têm seqüelas, tal como o jovem que encontramos no caminho da manifestação. “Eles procuram atirar em regiões do corpo onde há ossos, para deixar seqüelas”, denuncia Khauadja.

 O Crescente Vermelho Palestino, ligado à Cruz Vermelha, mantém ambulância e profissionais equipados com macas e máscaras para proteger do gás ao lado da manifestação. Hoje, felizmente, nenhum ferido.

O muro do apartheid israelense

 A construção do muro iniciou-se em 2002, ainda sob o governo de Ariel Sharon. O objetivo foi separar a Cisjordânia do restante do território. A construção, entretanto, não respeita as fronteiras da Cisjordânia, conhecida como Linha Verde, definida no armistício de 1967. A obra também descumpre o Acordo de Oslo, de 1993. Apenas cerca de 20% do muro coincide com a Linha Verde; os 80% restantes situam-se em território de Daffa – ou Cisjordânia. A obra é vista como um símbolo do apartheid a que Israel submete os palestinos, além de mostrar o total descumprimento e descaso do Estado sionista em relação às resoluções internacionais. Embora diversas organizações internacionais tenham condenado o muro, Israel não sofreu nenhuma punição. (Leia mais na edição 380 do Brasil de Fato).

Um retrato da Palestina

do site carta capital

Por Juliana Sada*  

No mesmo período em que o governo israelense atacava a Flotilha da Liberdade, em uma simbólica demonstração de sua política com os palestinos, organizações da esquerda árabe-israelense e palestina se reuniam para mostrar que há possibilidade de convivência entre os povos. 

Era a 2ª Conferência de Haifa – Pelo Retorno dos Refugiados Palestinos e Por um Estado Laico e Democrático na Palestina Histórica. Além de organizações israelenses e palestinas, o encontrou contou também com representantes de entidades de outros países, entre elas do MST. O Escrevinhador conversou com Marcelo Buzetto, membro da direção estadual do MST/SP e também de seu setor de relações internacionais, que esteve na Conferência. 

Além de participar da Conferência de Haifa, Buzzeto entrou em contato com a realidade palestina e nos traz informações sobre a região que raramente aparecem na mídia: como sobrevive a população, como é o cotidiano dos que vivem nos territórios ocupados, quais suas demandas, como se organizam e resistem, além de uma contextualização histórica que ajuda a entender a região. 

Em 31 de maio quando Israel atacou a Flotilha da Liberdade, Marcelo Buzzeto, integrante do MST, estava na Palestina em contato com as organizações de lá. No relato exclusivo, ele conta a repercussão do ataque, que surpreendeu até quem convive diariamente com a repressão israelense. 

Como foi recebida a notícia do ataque às embarcações que traziam ajuda humanitária?
Com muita indignação e revolta, pois foi um ataque covarde, realizado contra pacifistas que levavam ajuda humanitária, estavam desarmados, e só se defenderam dos tiros disparados pelos fuzileiros navais israelenses. Imediatamente houve manifestações em toda a Palestina, tanto nas cidades controladas pela Autoridade Palestina na Cisjordânia, onde governa o FATAH, como em Gaza, onde governa o Hamas, e nas cidades controladas política e militarmente por Israel, como Haifa, Tel-Aviv e Jerusalém. 

Qual era a expectativa que os palestinos tinham em relação à esta ação humanitária? Já se esperava a retaliação?
O risco de retaliação já era esperado. Qualquer ação contra a violência praticada por Israel é uma ação bastante arriscada, pois o Estado de Israel é um Estado terrorista, com um governo nazi-sionista que não respeita os direitos humanos, nem as resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, nem os mais elementares princípios do direito internacional humanitário. Mas nos diziam os palestinos que não acreditavam que a brutalidade sionista chegaria a tal ponto de assassinar a sangue frio os internacionalistas membros da missão humanitária. Esperavam dificuldades, como tentativas de bloqueio com os barcos israelenses e tentativa de prisão, mas esse uso de força extrema contra cidadãos de várias nacionalidades, em águas internacionais, realmente surpreendeu a todos. 

Há esperança de que esse episódio traga alguma mudança à Palestina? Ou mesmo o fim do cerco?
Com certeza. A estupidez e a brutalidade do governo de Israel só fortaleceu o apoio internacional à justa causa do povo palestino e à luta para garantir o fim do cerco militar e econômico à Gaza. Pessoas, movimentos e países do mundo inteiro condenaram Israel, e agora o mundo se levanta a favor do direito do povo palestino de ter seu próprio Estado. O governo do Egito, pressionado pelas massas populares, já abriu a fronteira com Gaza, e mais de 5 mil palestinos já a cruzaram nesses últimos dias. 

A abertura de fronteira não foi a única reação internacional ao ataque, a maioria dos países condenou duramente a ação israelense, as relações com a Turquia – até então amistosas – estão abaladas e a ONU determinou que se investigasse o ocorrido. Entretanto, analistas crêem que dificilmente Israel sofrerá alguma punição mais severa, dado o apoio que recebe dos Estados Unidos. Ainda assim, muitos países pediram o fim do cerco e os EUA declararam estar procurando “novas formas de lidar com Gaza”. No Brasil, a Câmara de Deputados realizará uma audiência, ainda sem data, sobre o ataque, serão ouvidos a cineasta brasileira Iara Lee, uma das sobreviventes do episódio, e o embaixador de Israel no país, Giora Becker. 

*Matéria originalmente publicada no blog de O Escrevinhador 

Ao longo da semana o blog de O Escrevinhador vai publicar o restante da entrevista com Marcelo Buzzeto.

Quem pode deter Israel

do site outraspalavras

 Quem pode deter Israel

Por Robert Fisk, no The Independent | Tradução: Caia Fittipaldi, de Vila Vudu

Israel perdeu? As guerras de Gaza em 2008-09 (com 1,3 mil mortos) e do Líbano, em 2006 (com 1.006 mortos); todas as outras guerras; e, agora, a matança da madrugada de segunda-feira significam que o mundo decidiu rejeitar os atos de Telavive? Não se deve esperar tanto. Mas algo novo certamente aconteceu.

Basta ler a desfibrada declaração da Casa Branca – segundo a qual o governo Obama estaria “trabalhando para entender as circunstâncias que cercam a tragédia”. Condenação? Nem uma palavra. E pronto. Nove mortos. Mais uma estatística, na matança no Oriente Médio.

Não: não é só mais uma estatística.

Em 1948, nossos políticos – norte-americanos e britânicos – estabeleceram uma ponte aérea para abastecer Berlim. Uma população faminta (nossos inimigos, havia apenas três anos) estava cercados por um exército brutal, os russos, que havia sitiado a cidade. O levante do cerco de Berlim foi um dos momentos altos da Guerra Fria. Nossos soldados e aviadores arriscaram e deram a vida por aqueles alemães mortos de fome.

Parece incrível, não é? Naqueles dias, nossos políticos decidiam; muitas vezes decidiram salvar vidas. O primeiro-ministro bitânico, Clement Attlee, e o presidente dos EUA, Harry Truman, sabiam que Berlim importava, tanto em termos morais e humanos quanto em termos políticos.

Hoje é gente comum quem decide viajar até Gaza. Europeus, norte-americanos, sobreviventes do Holocausto. Viajaram porque seus políticos e governantes os abandonaram. Falharam. Fracassaram.

Onde estavam os políticos e governantes na madrugada da segunda-feira? OK, ok, apareceram o ridículo Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, a declaração patética da Casa Branca e o caríssimo Tony Blair, com cara de “profunda lástima e choque ante a tragédia de tantas mortes”. Mas… E o premiê britânico, James Cameron? E o ministro Nick Clegg, seu pareceiro de coligação?

Em 1948, claro, teriam ignorado os palestinos, não resta dúvida. Há aí, afinal, uma terrível ironia: o levante do cerco de Berlim coincidiu exatamente com a destruição da Palestina árabe.

Mas é fato irrecusável de que a multidão — gente comum, ativistas, deem-lhes o nome que quiserem — é hoje quem toma as decisões que mudam o curso dos acontecimentos. Nossos políticos são desfibrados, sem espinha dorsal, covardes demais, para decidir as decisões que salvam vidas. Por que? Como chegamos a isso? Por que, ontem, não se ouviu palavra saída da boca de Cameron e Clegg (dentre outros, claro)?

Claro, também, sim, que se fossem outros europeus (ora essa! Os turcos são europeus, não são?) os metralhados naqueles barcos, por outro exército árabe (ora essa! O exército de Israel é exército árabe!), então, sim, haveria ondas e ondas de indignação e ultraje.

E o que tudo isso diz sobre Israel? A Turquia não é aliada muito próxima de Israel? E, de Israel, os turcos recebem o que receberam? Hoje, o único aliado que restava a Israel, no mundo muçulmano, fala de “massacre” – e Israel parece não dar qualquer importância ao que diga a Turquia.

Israel tampouco deu qualquer importância quando Londres e Canberra expulsaram os diplomatas israelenses, depois de Israel forjar passaportes britânicos e australianos, para, com eles, perpetrar o assassinato do comandante Mahmoud al-Mabhouh do Hamás. Tampouco deu qualquer importância aos EUA e ao mundo, quando anunciaram a construção de novas colônias exclusivas para judeus em terra ocupada em Jerusalém Leste, durante visita de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, aliado-supremo de Israel. Se Israel não deu qualquer importância a esses aliados, por que daria alguma importância a alguém, hoje?

Como chegamos a esse ponto? Talvez porque já nos tenhamos habituado a ver israelenses matando árabes; talvez os próprios israelenses tenham-se viciado em matar árabes, até cansarem. Agora, matam turcos. E europeus.

Alguma coisa mudou no Oriente Médio, nas últimas 24 horas – e os israelenses, se se considera a resposta política extraordinariamente estúpida, pós-matança, não dão qualquer sinal de ter percebido a mudança. O que mudou é que o mundo, afinal, cansou-se das matanças israelenses. Só os políticos ocidentais não têm o que dizer, hoje. Só eles estão calados.

Israel: novo massacre humanitário?

do blog do EMIR

Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?

Hamas: Não é razoável continuar com as negociações

da euronews

O Hamas já reagiu oficialmente, ao ataque ao comboio marítimo que devia chegar a Gaza, com ajuda humanitária.

O Primeiro-Ministro da Faixa de Gaza apelou à comunidade internacional, para que condene o ataque que é considerado um crime.

Ismail Haniyeh foi duro e reclamou o fim das negociações de paz:

“O Governo apela ao povo palestiniano, residente na pátria e na diáspora para marchar, numa forte demonstração de protesto, contra este hediondo crime e, ao mesmo tempo, que manifeste solidariedade, para com os tripulantes do navio. Em segundo lugar, apelamos à Autoridade Palestiniana para parar imediatamente com as negociações, tanto directas como indirectas. Não é razoável continuar com as negociações, depois deste crime que excedeu todos os limites”.

Israel ataca navio turco com ajuda internacional a Gaza

da euronews

 Uma operação sangrenta que causou dois mortos e mais de 30 feridos

Até ao momento ainda não foram identificadas as nacionalidades dos activistas abatidos mas as autoridades turcas condenaram ja este bombardeamento atraves do ministro dos negocios estrangeiros.

Também na madrugada do ultimo sabado seis ataques foram lançados pela aviação israelita na Faixa de Gaza, sem causar vítimas

Os aparelhos visaram a parte sul da Faixa de Gaza, perto de Rafah e da fronteira egípcia. Um sexto ataque aconteceu num bairro situado a leste da cidade palestiniana

OLP e Fatah anunciam apoio a negociação indireta com Israel

da folha on line

da Efe, em Ramallah

O Comitê Executivo da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) anunciou neste sábado dar seu apoio às negociações indiretas com Israel propostas pelos Estados Unidos, após escutar de seu presidente, Mahmoud Abbas, as garantias oferecidas para o processo pela Administração de Barack Obama.

Após três horas de reunião conjunta com os membros do Conselho Central do movimento Fatah, o dirigente palestino Yasser Rabbo divulgou que ambos os organismos tinham aceitado o início das chamadas “conversas de proximidade”.

“A grande maioria dos membros dos dois organismos concordaram em participar das conversas a fim de dar outra oportunidade ao processo de paz e aos Estados Unidos”, disse Rabbo na entrevista coletiva.

Às 18h (12h em Brasília), o presidente palestino se reunirá em Ramallah, pela segunda vez, em 24 horas, com o enviado especial americano, George Mitchell, para comunicar o resultado da reunião.

A sessão conjunta do órgão executivo da OLP e do movimento político Fatah, liderado por Abbas, era decisiva para o início das negociações.

A OLP é historicamente o representante legal do povo palestino nas instâncias internacionais e o signatário de todos os acordos alcançados no passado.

Juridicamente, a Autoridade Nacional Palestina (ANP), da qual Abbas é também seu líder, não é mais que um aparelho administrativo criado em 1994 para governar as áreas do regime autônomo previsto nos Acordos de Oslo.

Estado palestino

Abbas chegou à sessão depois das explicações ontem dadas pelo enviado americano sobre as garantias de Washington ao processo negociador por iniciar-se, entre estas que o objetivo final é a criação de um Estado palestino independente com capital em Jerusalém Oriental.

“As garantias americanas oferecidas à liderança palestina foram garantiram as conversas de proximidade”, disse Rabbo.

Entre essas garantias, informaram nos últimos dias os meios de imprensa, está também a de que Israel não voltará a construir nas colônias da Cisjordânia, nem em Jerusalém Oriental enquanto durarem as negociações.

Conforme o negociador-chefe da OLP, Saeb Erekat, a de que Israel permitirá a reabertura das instituições palestinas em Jerusalém Oriental, fechadas pouco após começar a Intifada de Al Aqsa, em 2000.

Anna Malm: Hoje o Irã. Amanhã quem?

da patria latina

 
 

 

Por: Anna Malm
 
No Oriente Médio os navios de guerra, os porta-aviões e os submarinos estão se movimentando ou preparando-se para se movimentar. A situação é muito preocupante. Estão chegando notícias de que está havendo um aumento das atividades e não somente da retórica. Um jornalista bem qualificado e com muitos contatos no Oriente Médio, Albelbari Atwan informa que se nota um grande silêncio a respeito dos movimentos para a paz e ao mesmo tempo uma mobilidade fora do quotidiano em relação à concentração de manobras militares e navais no Golfo Árabe. Ele também comenta que as alianças e os alinhamentos são similares aos de março 2003, antes da guerra com o Iraque. [1]
 
O desenrolar dessas atividades e posições tem de ser contido antes que uma mobilização total, impossível de reverter seja uma realidade, penso eu. Uma situação que ganha suas próprias pernas e “age por conta própria” é um pesadelo que tem de ser evitado.
 
Pondo isso sem preâmbulos. A experiência mostra que os Estados Unidos, Israel e a OTAN estão preparando uma nova guerra. Quais são as conseqüências? Os que estão preparando esses movimentos letais parecem ter começado a acreditar de verdade nas suas próprias mentiras e propaganda, o que é compreensível psicologicamente e muito comum, mas que aqui toma proporções monstruosas. Para nossa desgraça eles também parecem não estar plenamente conscientes da totalidade das conseqüências das suas próprias ações, ou se estiverem, parecem balançar isso contra suas próprias justificações, que para começar já é um resultado de terem começado a acreditar nas suas próprias mentiras, ou para pôr isso neutralmente, na sua própria propaganda. A linha de separação aqui é muito tênue mas o resultado é o mesmo: – È um salve-se quem puder.
 
Eu gostaria de estar errada, mas infelizmente parece que não. Para uma avaliação desses pontos veja [2]. 
 
Avaliações estatísticas parecem explicar as causas. Fontes dignas de confiança apresentaram publicamente (2010-02-20) as seguintes avaliações e análises. [3]
 
Os Estados Unidos tem menos que 2% -(dois por cento) – do total das reservas mundiais de óleo e gás. O Oriente Médio tem 60% – (sessenta por cento) dessa reserva, sendo que o Irã sozinho tem – dez pro cento – 10% da reserva do Oriente Médio. Em outras palavras, o Irã tem cinco vezes mais capacidade nesse respeito que os Estados Unidos. Juntando a isso o fato de que 65 a 70% das reservas mundiais de óleo e gás estão em países Muçulmanos começa-se a compreender um pouco do que se passa.
 
Os navios de guerra, que, diga-se de passagem, são nucleares, os porta-aviões e os submarinos estão circulando como aves de rapina, mas há aqui um fator importante a tomar em consideração, penso eu. É o fato de que a retórica contra o Irã já vem há muito tempo, acentuando-se desde os finais de 2004. Isso mostra que os Estados Unidos (seguido dos seus afilhados) por alguma razão, precisam, ou pelo menos, deseja um consenso internacional. Os representantes dessa coalizão Mr. Obama e Mrs. Clinton – (coalizão essa que não reconhecem como tal, mas que podemos ver com nossos próprios olhos) – tentam tanto quanto podem conseguir um consenso de peso. Não só isso. Também parece que querem ser vistos como os resgatadores do mundo, salvando-nos a todos do perigo nuclear posto pelo Irão. Mas: -
 
- O Irã não tem armas nucleares. Pode ser que gostasse de ter, mas não tem.
 
Conquanto, a Holanda a Bélgica a Alemanha a Itália e a Turquia têm armas nucleares – o que não deveriam ter – o que infringindo os tratados internacionais lhes foi concedido pelos Estados Unidos. [4]. 
 
Chama-se atenção para o fato que bombas nucleares estão armazenadas em bases militares na Itália, Bélgica, Alemanha e Holanda, sendo que esses países por si mesmos e cada um com a sua própria tecnologia têm capacidade de transportar e soltar essas bestas atômicas. Essas bombas podem a qualquer momento e em diversos pontos da Europa ser dirigidas ao Irão. Uma lista sobre quais os países que internacionalmente tem denominadas estaturas legais ou reconhecidas a respeito do poder atômico encontra-se em [4]
 
Chamando a atenção para um aspecto. O fato dos Estados Unidos quererem um consenso é importante ao meu ver porque é aqui que existe uma possibilidade de se fazer qualquer coisa para impedir uma guerra devastadora, pois seria uma guerra devastadora. Um ataque ao Irã iria devastar não só o Irão mas toda a Região. Uma guerra devastadora é o que na realidade poderia servir os interesses econômicos dos Estados Unidos ou a qualquer outro conquistador na situação sendo estudada que.
 
Grande parte do Oriente Médio regressaria a Idade Média. Depois disso seria para os conquistadores só desembarcar e tomar posse. Os novos colonizadores iriam em vez de embarcar ouro, prata e jóias preciosas, conquanto debochando dos infelizes nativos, embarcarem óleo e gás conquanto repreendendo os conquistados por ser um tamanho problema e uma afronta à paz internacional. O Irã é uma cultura muito antiga enquanto um Estado moderno sofisticado. Não deve ser posto de joelhos à força armada para abrir caminho para uma nova era de colonização e exploração brutal.
 
Diplomacia. Isso seria muito bom, mas aqui é bom ter em mente que nesse mundo não há muralha que seja tão alta que um burro carregado de ouro não consiga sobrevoar. Muitas muralhas, muito burros carregados de ouro e estaremos de novo na Idade Média. 
 
Como no caso da Militarização da Política Externa dos Estados Unidos para salvação da sua economia precária acredito que o Brasil e os Brasileiros estejam numa posição excepcional para fazer qualquer coisa concreta à respeito.
 
HOJE IRÃ.
AMANHÃ QUEM?
 
REFERÊNCIAS:
 
[1] Albelbari Atwan, Ahmadinezhad Appeals for Al-Asad´s Help – in http://www.bariatwan.com     2010-02-12
 
[2] Prof. Michel Chossudovsky, VIDEO – WILL US-NATO Start World War III by attacking Iran? – Any kind of military action directed against Iran would immediately lead to escalation.      http://www.globalresearch.ca   2010-02-20
 
[3] Ibid
 
[4] Prof Michel Chossudovsky, Europe’s Five “Undeclared Nuclear Weapons States” – Are Turkey, Germany, Belgium, the Netherlands and Italy Nuclear Powers?     in
 
OBS) – O Centro de Pesquisas em Globalização é um Centro de Pesquisas trabalhando do Canadá.

Queremos pontes ao invés de muros, diz líder do Fatah

do portal do PCdoB

Ao declarar “queremos pontes ao invés de muros”, Mohamed Odeh – chefe do Departamento Ibero-americano da Comissão de Relações Exteriores do Movimento de Libertação da Palestina (Fatah) – sintetizou sua posição sobre a ocupação do território palestino por parte do exército israelense durante visita à sede do PCdoB em Brasília, nesta quinta-feira, 18.

Odeh, ao lado de Nasim Alam e Salah, representante da embaixada Palestina em Brasília, foram ecebidos pelo novo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, Ricardo Abreu “Alemão”, e por Ronaldo Carmona, membro da Secretaria.

Mohamed Odeh fez um relato emocionado da situação gravíssima em que vivem os palestinos que, apesar de terem um território legal e historicamente garantido por resoluções e diplomas consagrados pela ONU, seguem sem poder constituir sua nação devido à ação israelense.

“Nosso país está ocupado. Queremos liberdade. Não queremos sangue. Queremos nossos direitos. Queremos construir pontes com os povos amantes da paz em todo o mundo, e não muros como os israelenses estão levantando por toda a parte”, destacou. Continuar lendo

Revendo a história, a razão está com os palestinos – Por Antonio Barreto

do portal do CEBRAPAZ

Síntese da história da Palestina e da luta do seu povo que nos últimos 50 anos viu sua pátria ser invadida e dominada pelo império colonial Israel/Estados Unidos.

            A questão palestina precisa ser entendida não apenas pelas pendências religiosas e limites territoriais geográficos, mas principalmente pela trajetória histórica do seu povo. Vista por esse ângulo, caem por terra todas as justificativas israelenses para a invasão do território e o massacre dos palestinos.  

Com 27 mil quilômetros quadrados incrustados no cruzamento de três continentes  – Europa, Ásia e África – a Palestina é um ponto estratégico do ponto de vista militar, comercial e político.
Apesar de vários povos terem passado pela Palestina em seus 10 mil anos de história, apenas três povos  se destacaram nessa região e deixaram as marcas da sua cultura. Foram os cananeus, os filisteus e os israelitas.

Os cananeus são os mais antigos na Palestina, tendo ali se instalado  há cerca de 3.000 anos  a..C. Foram eles que deram ao país o nome histórico de “terra de Canaã”. Entre suas cidades, encontra-se Jerusalém, nascida há 1800 a.C.

Os israelitas que vagaram pelo deserto depois do seu êxodo do Egito, chegaram à parte oriental de Canaã cerca de 1.200 a.C. e iniciaram o processo de colonização com as 12 tribos de Israel, unidas por Saul que fundou o primeiro reino israelita na Palestina em 1030 a.C., que durou até 587 a.C., quando o reino de Judá foi destruído pelos babilônios. A partir daí, sai de cena o governo israelita na Palestina, situação essa que durou até meados do século XX. Continuar lendo

Oriente Médio em 2010

da Pátria latina

 
 

 

 

Lejeune Mirhan *
 
Os que me acompanham neste espaço há quase oito anos sabem que na última coluna do ano tento fazer algumas análises das perspectivas da região que chamamos de Oriente Médio para o ano seguinte. Não são previsões – e nem poderia, pois não sou profeta. São análises, construções de cenários possíveis, tendências. Vamos a elas, nesta que é a coluna de número 376.
 
Neste Oriente Médio muita coisa acontecerá em 2010
 
Análise dos países
 
Faremos aqui uma análise de problemas do que se passou e perspectivas. Além dos sites que pesquiso, dos jornais que leio e dos artigos de domínio público que recebo diariamente em minha caixa postal, tomei como base a revista The Economist de grande competência no jornalismo internacional, que, em nosso país, é editada pela outra competente revista, sob o comando de Mino Carta, a Carta Capital (1).
 
Israel – As minhas observações são as seguintes:
Governo direitista, beirando ao fascismo, de Benjamin Netanyahu, que tem a esmagadora maioria parlamentar de 74 deputados no Knesset (de um total de 120), incluindo o histórico partido social democrata, o Trabalhista, que vive contradições. Praticamente não tem unidade interna; o PTI esta dividido no apoio ao governo. O maior partido do país, o Kadima, de centro, não quis integrar o governo;
 
Bibi, como é chamado o primeiro Ministro, faz jogo de cena em relação aos assentamentos judaicos em terras palestinas. Ao mesmo tempo em que acena com a suspensão por 10 meses da expansão das colônias, autoriza construção de centenas de apartamentos na parte árabe de Jerusalém. Judeus ortodoxos resistirão a qualquer congelamento. Chegam a argumentar, com apoio do alto Rabinato, que as leis da Torá valem mais do que as leis civis e o chamado estado de direito;
 
O governo Bibi deve capitular e aceitar trocar centenas de prisioneiros palestinos do Hamas pelo soldado Shalit que se encontra em poder de guerrilheiros da resistência palestina. Uma derrota para Israel e seu governo, pois um dos argumentos usados no bombardeio à Gaza que completou um ano no último 27/12 era de destruir o Hamas, fato nunca conseguido, nem muito menos enfraquecê-lo enquanto grupo de resistência. Essa possível troca de prisioneiros vem sendo mediada pelo Egito e pela Alemanha;
 
Piora, a olhos vistos, a imagem de Israel perante a comunidade internacional. Isso decorrente dos massacres de um ano, a resistência em sentar-se à mesa de negociações e ceder aos palestinos nos seus direitos legítimos;
 
Israel seguirá construindo o seu famigerado e odiado Muro da Vergonha, já condenado pelos tribunais internacionais e pela ONU e parte dele financiado inclusive pelos EUA. Tal muro separa famílias e aldeias palestinas, impede acesso à água e cria ainda mais barreiras para uma solução de paz aceitável para ambas as partes;
 
Não vejo, para 2010, nenhuma perspectiva de que, com esse governo de Israel, a paz volte a ser discutida. A proposta de dois estados, defendida pela ONU e pelas potências centrais e aceita pelos palestinos, não é aceita por Israel;
 
Israel continuará ocupando as fazendas do Shebaa no Sul do Líbano, as colinas de Golã, na Síria e não devolverá os territórios ocupados na região da Cisjordânia onde vivem quase meio milhão de colonos judeus sionistas ortodoxos.
 
Palestina – Tenho as seguintes observações em relação a 2010:
Como disse um dos analistas internacionais a que tive acesso, a situação que vive a Palestina e seu povo é como se estivessem “à beira da explosão”. O sentimento entre palestinos é de imensa frustração com relação á comunidade internacional;
 
Em recente reunião do Comitê Central da OLP, sob o comando de Mahmoud Abbas, atual presidente da Autoridade Palestina, afirmou que agora “os destinos da Palestinas encontram-se nas mãos da comunidade internacional e dos Estados Unidos”. Nada mais há o que se fazer do lado palestino;
 
Mahmoud Abbas, conhecido como Abu Mazen, que sucedeu Yasser Arafat desde a sua morte há cinco anos, pertence ao maior grupo político da Palestina, o Fatah, que vive o desgaste de poder, por estar à frente da luta palestina desde pelo menos 1964 quando foi fundado. É uma organização revolucionária de centro-esquerda, nacionalista e patriótica, ainda que não socialista. Abbas tem dito que não concorrerá ás eleições, que deveriam ser em janeiro, mas devem ocorrer em junho sob novas regras eleitorais (Israel não garante a segurança na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental e na Faixa de Gaza o Hamas ainda não decidiu se concorda com as novas regras eleitorais em discussão, que implantará o sistema eleitoral proporcional e não mais o distrital, onde eles vencem). Penso que ele faz um jogo de cena política e acabará aceitando recandidatar-se por falta de nomes alternativos;
 
Infelizmente, acho que a unidade das lideranças palestinas encontra-se comprometida. Não vejo, em curto prazo, uma unidade política entre Hamas, Jihad, Fatah e a chamada esquerda palestina. Esta por sua vez, dá sinais de que vai se unificar. Já atuam juntas a FDLP, a FPLP e o Partido Comunista, que hoje se chama Partido do Povo Palestino. Esperamos que se unifiquem mesmo;
Infelizmente, ainda em 2010 os palestinos não terão a sua autodeterminação assegurada, a sua soberania, o seu estado nacional, as suas liberdades e direitos de ir e vir. Sou pessimista com relação a esses direitos;
 
Fala-se cada vez mais em uma nova Intifada Palestina. Como todos sabem, esse é um movimento basicamente de jovens e adolescentes palestinos que atacam os soldados e tanques israelenses, com suas pedras, paus e fundas e completamente desarmados. Israel e seu exército veem-se na obrigação de responder com extrema violência, matando muitos esses jovens e ampliando ainda mais o desgaste da sua imagem na comunidade internacional. Abbas fala que não apoia uma nova Intifada.
 
Iraque – Aqui as indefinições são maiores. Vamos aos comentários:
Novas eleições devem ocorrer no final de janeiro. A segunda para o parlamento depois da ocupação militar que os EUA implementaram em 2003. Ocorrerão ainda sob ocupação, sem amplas liberdades políticas como conhecemos no Ocidente e no Brasil. Restrições aos partidos mais avançados e de oposição ao governo serviçal aos Estados Unidos ainda são grandes. O
 
Partido Baath, do ex-presidente Saddam Hussein continua banido da vida pública;
Não se sabe ainda o destino do atual primeiro Ministro, Nur El-Maliki, xiita. Vai tentar, claro, se reeleger, mas isso dependerá de articulações políticas e da coligação xiita que ele participará.
 
Poderá não ser reeleito;
Sunitas, em sua maioria, que dão combate à ocupação, devem participar em sua maioria, com seus vários partidos que deverão formar coligações de oposição ao atual governo pró-ocidental. Mas, não devem fazer maioria no parlamento. O PC Iraquiano apoia a resistência, tende a somar com a oposição;
 
A violência, ainda que em níveis bem menores do que na época da ocupação em 2003, deve continuar, ainda mais depois que as tropas americanas deixaram de patrulhar as cidades iraquianas;
A questão central mesmo será a retirada das tropas americanas do país, jogadas para final de 2011, contrariando as promessas de campanhas de Barak Obama. Fala-se em retirar pelo menos 50 mil soldados ainda este ano, a que duvido que isso ocorra. A ideologia da guerra é forte nos Estados Unidos, uma nação guerreira e calcada do espírito de guerra, belicista. Um em cada cinco americanos vive ou depende de guerras ou tem nelas um meio de vida.
 
Líbano – Nesta ordem de importância, comento agora as questões do Líbano.
Após meses de negociação, depois dos resultados das eleições legislativas de junho passado, com a vitória da coligação governista e pró-ocidental, o governo formado é de unidade nacional. Tentou-se de todas as formas excluir a oposição e particularmente o Hezbolláh, mas não se conseguiu. Said Hariri, líder da maioria, herdeiro de Rafik, ex-primeiro Ministro e seu pai, acabou cedendo.
 
Os governistas terão 15 ministérios, a oposição 10 e o presidente cristão, que é progressista, Suleiman, nomeará outros cinco. Um bom equilíbrio. Até o aliado governista de Said, Walid Jumblat, do Partido Socialista Progressista, que detém 11 deputados de 128, deixou a coalizão governista em agosto passado;
 
Diminuem as resistências mesmo entre governistas, das relações com a Síria, país vizinho e sempre aliado e amigo dos libaneses;
 
O Hezbolláh, mais uma vez, sai como vitorioso. Consegui manter suas milícias, que serão incorporadas oficialmente ás forças regulares e terão direito de portar armas para defender o Líbano dos constantes ataques por parte de Israel, em especial no Sul do país. As restrições ao sistema de comunicação e telecomunicações do grupo, caíram por terra. Até o ministério das Comunicações ficará com um aliado do Partido de Deus (Hezbolláh em árabe e de orientação xiita e com fortes vinculações com a Síria e Irã e grandes aliados e defensores dos palestinos e da sua causa);
 
O Líbano terá que fazer uma grande escolha, uma histórica escolha. E esse dia esta chegando. Tal qual a Turquia terá um dia terá que fazer também, para saber se fica com a Europa, que não a aceita ou se fica com a Ásia. Os libaneses e sua elite dirigente terá que optar se ficam com os Estados Unidos e Israel ou se se voltam para os árabes e seu povo. Cresce movimento patriótico e nacional entre libaneses, em favor do mundo árabe e de distanciamento do Ocidente;
Interesses poderosos, grandes contratos bilionários de empresas americanas, desde o fim da guerra civil em 1990, fazem com que parte dessa elite libanesa tenha resistência em voltar-se ao mundo árabe. Muitos interesses em jogo, questões que envolvem a geopolítica mundial e regional e interesses financeiros;
 
Temos que ficar atentos ao julgamento final pelo tribunal superior encarregado do caso do assassinato do ex-primeiro Ministro Rafik Hariri em 2005. É provável que o tribunal aponte seu dedo em riste para a Síria, para elevar a animosidade no país, interrompendo os contatos positivos que tem sido tomados, inclusive por Said Hariri.
 
Egito – É um dos grandes enigmas da região, como se fosse a esfinge que tem no seu deserto. Meus comentários:
O ditador Mubarak já esta com 81 anos. Rumores dizem que se encontra muito doente. É chamado de “presidente” pela imprensa ocidental, com raras exceções. Vem sendo “reeleito” com mais de 98% dos votos desde 1979, quando sucedeu Anuar El Sadat. É amigo e preferido dos Estados Unidos no cenário geopolítico do mundo árabe, tal qual a Arábia Saudita;
 
Seguirá reprimindo duramente os grupos de oposição, em especial a Irmandade Muçulmana, antigo grupo político e assistencial, com base na religião, que vem adquirindo a cada dia mais prestígio e respeito. Aumentou sua fatia no eleitorado e no parlamento, mas não joga papel ainda na disputa pelo poder. Só se candidata no Egito quem o governo aceitar registrar como candidato;
Fala-se, ainda em pequenos círculos, que a discussão sobre a sucessão de Mubarak deve começar a ocorrer em 2010. Ela deve se dar em 2011, em eleições do mesmo estilo que foi até os dias atuais, verdadeiras fraudes e sem liberdade alguma. O “candidato” natural é seu filho Gamal Mubarak;
 
Lamentavelmente, esse país constroi mais um muro na região. É de aço e vem sendo feito pelo Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos na fronteira com a Faixa de Gaza. É lamentável a subserviência aos Estados Unidos e mesmo à Israel. O Egito sistematicamente fecha a sua fronteira com Gaza, impedindo pelo lado Oeste da região, a entrada de comboios internacionais de ajuda humanitária aos palestinos. Isso fez com que estes cavassem túneis para passarem a fronteira – estima-se em mais de 1,5 mil túneis;
 
Fontes egípcias, que se mantiveram no anonimato, segundo o Al Ahram Weekley do Cairo, disseram que essa decisão do governo é uma clara tentativa de enfraquecer o Hamas e o seu aliado de além fronteira, a Fraternidade Muçulmana. Por isso, sufoca ainda mais os palestinos com relação á ajuda humanitária. Uma situação explosiva na fronteira, que tendo a piorar com os bombardeios da aviação israelense para, supostamente, destruir os túneis palestinos.
 
Síria – Pequenos comentários.
Segue sendo o país que mais apoia a causa palestina e o que defende a independência e soberania dos países árabes com relação ao Ocidente. Ponto de apoio e referências para patriotas árabes de todos os países;
 
O governo de Bachar Assad, que sucedeu seu pai na presidência do país, vem sendo habilidoso o suficiente para unir as forças políticas vivas do país, formando um governo de unidade nacional. Até o Partido Comunista participa do governo com dois ministérios;
 
Registro que todos os grupos de esquerda e de resistências palestina, possuem escritórios políticos de representação na sua capital, Damasco, uma das cidades mais antigas de vida continuada no mundo;
 
As pressões contra seu governo são imensas. O país é acusado de fomentar o “terrorismo” e encontra-se na lista de países que “apoiam” o terrorismo, elaborada pelo Departamento de Estado dos EUA.
 
Estado Unidos – Apesar de não fazer parte do OM, teço alguns comentários, pelo papel que desempenha na região.
Uma ampla e generalizada decepção com o governo de Barak Obama. Não retirou tropas do Iraque, cedeu ás pressões do complexo industrial-militar de seu país;
Ampliou tropas no pequenino Afeganistão, de onde acabará saindo derrotado, retirando suas tropas sem ter derrotado as milícias da resistência dos Talibãs. Apoiou a reeleição, por fraude, de seu amigo Ramid Karzai;
 
Seu indicado para o OM, o experiente ex-senador George Mitchell, que ajudou nas negociações de paz na Irlanda, praticamente ficou desmoralizado na região. Após um giro pelos países mais importantes e ainda que tivesse dado declarações dúbias e polêmicas, a passagem de Hilary Clinton pela região em março passado (alguns a chamam de Hilária…), com declarações desastrosas pró-Israel, as coisas ficaram ainda mais difíceis para a diplomacia estadunidense;
O balanço que se faz é de um completo fracasso na região. O poder da maior potência do planeta continua sendo usado exclusivamente para beneficiar os seus aliados históricos, os judeus e sionistas que governam Israel desde 1948;
 
Não consegue e não conseguirá parar os assentamentos, as colonizações nas terras palestinas. Adota uma retórica dúbia. Uma fraseologia de aparência, mas na prática, nada faz;
Não esta conseguindo e temos dúvidas se conseguirá, forçar uma volta á mesa de negociação da paz. Não tem força – talvez por não querer – para exigir que Netanyahu ceda aos palestinos nas questões da paz em troca de terras, como defende a ONU e os países centrais;
Não há hoje mediação, negociação, interlocução. O sentimento é de desmoralização do governo e de sua diplomacia. O discurso do Cairo em julho, num aceno aos muçulmanos não causou quase nenhum impacto na região. Na prática, as coisas ficaram como estavam. Sem nenhum avanço. Não vejo como isso se altere em 2010;
Prova da subserviência de Obama à Israel, foi a sua assinatura no orçamento de segurança nacional dos EUA, que destina à Israel em 2010 exatos U$2,77 bilhões de dólares e aos palestinos míseros 500 milhões. Para 2013, o valor de Israel subirá para U$3,1 bilhões!
 
Cabe aqui, por final, monitorarmos como caminhará a diplomacia do governo Lula para a região. Até o momento, foi extremamente positiva as suas ações. Dois encontros de cúpula dos países árabes e da América do Sul foram realizados (o de 2005 no Brasil tive a honra de participar). A posição do governo brasileiro é a favor da paz na região, a favor do Estado Palestino, da devolução das suas terras, da retiradas das tropas americanas do Iraque imediatamente. Lula deve fazer uma visita à Israel e à Palestina em março próximo e reafirmar as posições históricas do governo brasileiro a favor da paz.
 
Enfim, como meus leitores e leitoras podem ver, não estou entre os que estão otimistas com relação a 2010 para a região do Oriente Médio (ao contrário com meu país, o Brasil, cujo otimismo é imenso). Mas, tenho a confiança na capacidade de luta e de organização do povo palestino e árabe em geral, na sua capacidade de organização e de superação das dificuldades políticas e econômicas. A história e a vitória final será desse povo.
 
(1)   Edição Especial O Mundo em 2010 de janeiro e fevereiro de 2010, nº 577 da Carta Capital de 162 páginas.

Ahmadinejad diz que sua política é pacífica

da Patria latina

Em tom diplomático, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda (23) que sua política é baseada na defesa dos direitos humanos, da paz e da produção de energia nuclear para fins pacíficos. E o Brasil pode cooperar com o Irã como um interlocutor capacitado na América Latina, disse Ahmadinejad, durante declaração conjunta feita ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Itamaraty.

“A presença do Brasil pode levar ao aperfeiçoamento. Acreditamos que o Brasil pode atuar como um elo entre o Irã e a América Latina”, ressaltou Ahmadinejad.

No discurso de 17 minutos, Ahmadinejad negou as suspeitas de que o Irã esteja produzindo armas nucleares. “Os dois países [Irã e Brasil] buscam um mundo livre de armas nucleares e de destruição em massa”, disse ele. “São dois países que decidiram desempenhar um papel ativo (no cenário internacional).” Continuar lendo