Conferência põe em xeque discursos oficiais sobre futuro nuclear

do portal vermelho

Com início previsto para esta segunda-feira (3), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, a 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) será um teste de credibilidade para os principais países participantes, notadamente os Estados Unidos. É real a possibilidade de o encontro resultar em poucos ou insuficientes avanços — e isso se deve, sobretudo, ao unilateralismo americano.

Com 189 países-membros, o TNP, firmado há 40 anos, prega o desarmamento nuclear das potências, a não-proliferação de armas e o uso pacífico da energia nuclear. O elo mais débil dessa trinca é a questão do desarme. A maioria das potências atômicas reconhecidas — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — arvora-se na defesa da não-proliferação de outros países, mas são lentos ou mesmo omissos para desarticular seu próprio arsenal. Não é à toa que o arsenal nuclear mundial conta com mais de 20 mil armas.

No momento, o TNP está às voltas com o chamado Protocolo Adicional — um dos mais aguardados debates da conferência. O protocolo impõe que países sem a bomba sofram inspeções intrusivas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Em outras palavras, a AIEA teria liberdade para vasculhar as instalações militares de países desarmados, como forma de uma suposta prevenção — para não dizer ingerência.

Trata-se de uma manobra claramente oportunista, em benefício das potências atômicas reconhecidas. Embora esses países tenham também assinado o Protocolo Adicional, suas instalações militares não poderão ser inspecionadas pela AIEA — o que lhes permite, em tese, manter ou até ampliar sua superioridade nuclear. “Enquanto perdurarem as armas nucleares, o risco de proliferação existirá”, afirma o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira.

“O grande déficit do TNP não é na área de não proliferação, e sim no desarmamento”, agrega Amorim. “O foco no Protocolo Adicional é errado — o foco tem que ser no desarmamento. Se houver passos reais que demonstrem uma real disposição dos países nuclearmente armados de caminharmos para um mundo livre de armas nucleares, até acho que outras medidas específicas de não proliferação podem ter cabimento.”

De resto, o desarmamento é comprometido pelo maneira bilateral com que as duas maiores potências tratam o tema. Foi o que ocorreu no começo do mês de abril, durante a assinatura do Start — acordo que garantiu a diminuição dos arsenais nucleares americanos e russos.

“Independentemente da avaliação sobre sua importância, qualquer ação do tipo tem que ser tornada uma obrigação multilateral irreversível. Do contrário, fica sempre dependendo de uma negociação bilateral”, diz Celso Amorim, que arremata. “Amanhã, se piora de novo a relação entre Estados Unidos e Rússia, eles voltam a construir armas.”

A ONU e o CMP

Na defesa da eliminação total das armas nucleares, há convergência entre representações das mais diversas naturezas, como a própria ONU e o CMP (Conselho Mundial da Paz). No sábado, durante a Conferência “Desarmamento Agora”, também em Nova York, ONU e CMP pediram um mundo definitivamente livre das armas nucleares.

“Sabemos que o desarmamento nuclear não é um sonho distante e inatingível. É uma necessidade urgente, aqui e agora. Estamos determinados a conseguir”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Nós não devemos ter expectativas irreais para a conferência — mas também não podemos nos dar ao luxo de baixar as nossas metas”, agregou.

Já o discurso da presidente do CMP, Socorro Gomes, enfatizou que a entidade fará das suas deliberações objeto de debate com os movimentos pacifistas e os movimentos sociais. “O Conselho Mundial da Paz participa da iniciativa Disarm Now convicto de que as discussões aqui realizadas podem contribuir, ao lado de tantas outras, para reforçar o movimento pela paz, pelo desarmamento e pela eliminação de todas as armas nucleares da face da terra”, declarou.

“É indispensável e inadiável formar uma consciência coletiva sobre as ameaças que pairam sobre os direitos dos povos, a soberania das nações e a paz mundial. Somos uma organização que há 60 anos luta pela paz e pela abolição das armas nucleares”, disse Socorro. “O Tratado de Não Proliferação Nuclear é um destes acordos internacionais marcados pelo desequilíbrio, pela desigualdade e pela assimetria.”

Irã

Na abertura da 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, além de Celso Amorim, também deve falar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O Irã desenvolve um programa nuclear com fins pacíficos, mas é ameaçado pelos Estados Unidos e outras potências, que acusam o governo iraniano, sem provas, de estar produzindo armas nucleares. Estados Unidos, França e Reino Unido pressionam o Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma nova série de sanções contra o Irã.

Durante a conferência, os Estados Unidos também podem ser postos contra a parede. Os países árabes, aliados à Turquia e ao Irã, devem propor um Oriente Médio livre de armas nucleares, comprometendo-se até a assinar um adendo ao pacto internacional ou realizar uma conferência sobre o tema no ano que vem.

Já os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçaram levantar a questão das armas israelenses no encontro. Para evitar o constrangimento, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancelou a sua viagem para a capital americana.

Dias depois, o Egito — que possui acordo de paz com Israel — apresentou um documento oficial na ONU afirmando que “o ponto central da conferência deve ser o início de negociações, com a participação de todos os países do Oriente Médio, de um tratado efetivo para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio”.

Da Redação, com agências 

Conferência da ONU discutirá crise financeira

do site adital


Letra
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Entre os dias 24 e 26 de junho, a Organização das Nações Unidas (ONU) reunirá, em Nova York, os 192 chefes de Estado e de governo para discutir sobre a crise econômica e financeira mundial e os impactos nos diferentes países. Na última segunda-feira (1), movimentos, redes e organizações sociais da América Latina e do Caribe enviaram aos presidentes e chefes de Estado da região uma carta na qual chamam a atenção para a efetiva participação no encontro.De acordo com a carta, é importante que todos os representantes dos países latino-americanos e caribenhos estejam presentes na Conferência, além dos ministérios envolvidos e das organizações e movimentos da sociedade civil.

Segundo Sandra Quintela, economista do Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul (Pacs), a intenção da carta é incentivar a participação dos representantes dos países latino-americanos e caribenhos na Conferência. “Estamos tentando fortalecer a ideia da ONU”, comenta. Para ela, essa é a oportunidade de discussão multilateral do assunto, já que as discussões no G7 e no G20 foram bastante limitadas.//

“As respostas até agora sugeridas através de grupos excludentes como o G7, o G20 e as próprias Instituições Financeiras privadas, estatais e multilaterais, cuja responsabilidade, ainda impune, na geração desta crise é flagrante, apontam salvar o sistema sobre as costas dos mesmos povos e países que há muito tempo vêm pagando os custos de sua expansão”, afirmam na carta.Nesse sentido, a economista acredita que a Conferência da ONU será uma oportunidade dos representantes governamentais e movimentos sociais apresentarem sugestões para solucionar a crise e diminuir os impactos.

“Recomendam pôr fim e reverter os condicionamentos nefastos impostos pelas Instituições Financeiras Internacionais e os tratados de livre comércio e de proteção aos investimentos. Acordos sobre estas e muitas outras propostas podem e devem ser alcançados pela Conferência”, sugerem.

Na carta, as entidades sociais ainda comentam sobre a importância de encontrar “respostas imediatas que protejam os direitos humanos e ambientais contra uma maior deterioração e que conduza, a médio prazo, a construção de um novo paradigma de relações socioeconômicas, financeiras e ambientais em nível mundial”.

Dessa forma, acreditam que a Conferência deverá ser o lugar onde os representantes da América Latina e do Caribe deverão mostrar que é possível construir alternativas de desenvolvimento soberano, democrático e sustentável.

Hezbollah considera tribunal da ONU para o Líbano tendencioso

do site pátria Latina

Beirute (Prensa Latina)

Diversos setores libaneses ecoaram neste sabado o discurso do líder do movimento opositor Hezbollah, o xeique Hassan Nasrallah (foto), que considerou o trabalho do tribunal internacional sobre o caso de Rafiq Hariri politicamente tendencioso e desonesto.

A referência de Nasrallah ao papel do Tribunal Especial para o Líbano (TEL), criado pela ONU depois da morte do ex-premiê Hariri, gerou reações diversas entre a maioria parlamentar encabeçada pelo sunita Saad Hariri, filho do malogrado político.
Enquanto os seguidores do descendente do finado multimilionário reprovaram a libertação de quatro generais libaneses presos durante quatro anos, sem acusação formal, como principais suspeitos do crime, o Hezbollah (Partido de Deus) a elogiou por considerar que se fez justiça.
Nasrallah, cujo grupo representa a resistência libanesa frente a Israel, afirmou que a libertação em meados desta semana dos militares presos em agosto de 2005 foi uma “prova conclusiva” de que a investigação internacional tinha sido manipulada.
Na quarta-feira, o TEL com sede em Haia ordenou a libertação “com efeito imediato” de quatro libaneses implicados no atentado em que perderam a vida Hariri e outras 22 pessoas em Beirute, no dia 14 de fevereiro de 2005.
A citada Corte reconheceu “carecer de evidências suficientemente críveis” para julgá-los, devido a “inconsistências nas declarações de testemunhas-chave”, depois que em 2005 o então chefe das investigações, Detlev Mehlis, exigiu sua detenção.
“Depois de quatro anos, a verdade da falsificação e tendência política do trabalho da comissão investigadora internacional tem ficado clara”, sublinhou Nasrallah, que também rechaçou as críticas da ONU a seu movimento devido a uma suposta rede desarticulada no Egito.
“Ban Ki-moon está arrastando a ONU para uma confrontação com o Hezbollah e com os movimentos de resistência na região”, advertiu, em alusão a recentes pronunciamentos do secretário geral sobre a detenção de 25 membros do Partido de Deus no Egito.

Texto: Prensa Latina / Postado em 02/05/2009 ás 22:52