Fórum Social das Américas se encerra com defesa da luta pela soberania

do portal da CTB

 
16/08/2010
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No dia de seu encerramento (15), o 4º Fórum Social das Américas chamou os movimentos, organizações e redes sociais do continente a redobrar a luta pela soberania dos povos. O ato numeroso reuniu os presidentes Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e José Mujica (Uruguai), que aproveitaram a ocasião da discutir a reativação de um bloco energético entre os três países. Cerca de 10 mil participantes estiveram no Fórum, realizado em Assunção, no Paraguai.

Ao realizar o balanço dos dois primeiros anos de sua gestão, completados neste 15 de agosto, Lugo exortou os paraguaios a “apostar no futuro e multiplicar seus desejos”.

Mujica, por sua vez, censurou o processo político ocidental, em especial do imperialismo, que tenta se impor ao mundo como uma civilização agressiva que pretende ser a única possível do planeta.

Morales, em sua intervenção, assinalou que os povos unidos e organizados são muito mais fortes que qualquer Estado do mundo, “e isso já foi demonstrado em vários países da região”. Ele destacou ainda que as bases militares estadunidenses na América do Sul trabalham contra a integração na região.

Na declaração final, a assembleia alerta sobre a articulação acelerada da direita para tentar frear qualquer processo de mudança na América Latina; denunciou a legitimidade do presidente de Honduras, Porfírio Lobo, e expressou sua solidariedade com o povo do Haiti.

Integração energética

Ainda durante o Fórum, Lugo, Mujica e Morales fecharam posição sobre a necessidade de se avançar na integração física e energética no continente e fixaram um novo encontro, em Montevidéu, que terá como prioridade o debate sobre o gás e a eletricidade.

As três nações integram o bloco Urupabol, que nasceu em 1963, mas que nunca chegou a se desenvolver e somente no ano passado foi reativado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paraguai, Hector Lacognata, disse que a conversa foi “muito promissora no sentido de avançar em relação a questões de interesse dos três países”. Lacognata afirmou que a partir de uma série de estudos, elaborados pelo Ministério de Minas e Energia, deverá ser construído um gasoduto ligando o Paraguai ao Uruguai.
 

Segundo ele, o Uruoabol “permitirá que a comunidade discuta os interesses desses três países, passando a constituir acordos estratégicos que nos permitam avançar em outros campos”, afirmou Lacognata. Mas, “acreditamos que já houve um grande avanço hoje no renascimento do bloco”.

Partidos políticos discutem América Latina

Partidos políticos do Brasil, de Cuba, da Venezuela e da Argentina discutiram a situação atual do continente, com seus pontos fortes e fracos, em uma oficina do quarto dia do Fórum.

A importância do reforço da integração regional com desenvolvimento, da defesa dos projetos progressistas em curso, a denúncia dos planos militares do imperialismo e interferência dos Estados Unidos (EUA) foram discutidos.

Participantes debateram também sobre o perigo iminente de guerra nuclear promovida pelos os EUA contra o Irã e suas consequências, além da contra-ofensiva regional por parte da direita e campanhas de mídia contra Cuba e a Venezuela.

A fim de continuar a sensibilizar e mobilizar mais pessoas em todo o mundo para evitar a guerra atômica, foi distribuído aos participantes do painel a mensagem lida pelo líder da Revolução cubana, Fidel Castro, na Assembleia Nacional (Parlamento), que alerta para o perigo da guerra que a humanidade enfrenta.

Contra a guerra atômica

O representante do Partido Comunista de Cuba para este fórum, Hector Fraginals, insistiu em duas sérias ameaças que a humanidade enfrenta hoje: a guerra e, a outra, as alterações climáticas, como resultado do saque, da pilhagem de recursos naturais e da eliminação de gases poluentes na atmosfera.

Em seu discurso, Fraginals disse que a convergência de todos esses fatores se projetada nas mudanças políticas, econômicas e sociais que vive a América Latina, com avanços e retrocessos na luta popular.

Sobre o assunto, disse que a situação exige dos segmentos progressistas vontade de mudança, conscientização social, explicação e persuasão, a fim de consolidar as vias necessárias para as lutas do futuro.

Fraginals destacou que, apesar de Cuba ser submetida ao bloqueio e a agressões, luta para alcançar uma nova sociedade, sob o princípio básico da solidariedade humana, e não no egoísmo e na ganância material.

O seminário, chamado de “governos de esquerda e progressistas e a integração solidária da América Latina”, foi composto por Valter Pomar, do Partido dos Trabalhadores do Brasil, Ana Elisa Osorio, do Partido Socialista Unificado da Venezuela, e Jorge Kreyness, do Partido Comunista da Argentina. Do Paraguai participou Hugo Ruiz, assessor internacional da Presidência da República.

Com informações de agências

Mais de 300 mil contra a política de direita, em PORTUGAL

do site do PCP

Mais de 300 mil pessoas ocuparam o centro de Lisboa contra a política de desastre nacional do PS e PSD. Com as avenidas Fontes Pereira de Melo, António Augusto Aguiar cheias, assim como a praça Marquês de Pombal, Avenida da Liberdade até aos Restauradores, uma massa imensa de indignação, protesto e luta, respondeu ao apelo da CGTP-IN.

Foi a maior manifestação das últimas décadas, uma clara demonstração da força, unidade e determinação da classe operária e de todos os trabalhadores, que contou com a solidariedade e empenho do PCP.

Esta impressionante jornada de luta, reforçou a convicção de que é possível
derrotar a política de desastre nacional, de abdicação dos interesses do
país, de agravamento da exploração que o PS, o PSD e CDS querem impor aos
trabalhadores e ao Povo.

Perante a escalada de medidas contra os trabalhadores, o Povo e o país
decididas nos últimos meses, esta foi a resposta do Povo português, às
pretensões dos grupos económicos e financeiros, do PS, do PSD e do CDS, uma
clara exigência de ruptura com a política de direita, de mudança na vida
nacional.

Uma jornada que ficará inscrita na história da luta do Povo português, uma
afirmação patriótica e de classe, um sinal de confiança e esperança que se
projectará no futuro. A luta continua!

 

CONCLAT – DIA 1º DE JUNHO

do portal da CTB

 
Companheiras e companheiros, As eleições gerais de 2010 serão um momento decisivo para o País e para a democracia que estamos construindo, pois se realizarão num quadro político singular, caracterizado pelo crescimento sustentado da economia, pelo regime de amplas liberdades democráticas e pela afirmação do papel propositivo do movimento sindical e da classe trabalhadora, possibilitado por um largo processo de unidade de ação entre as centrais sindicais.A campanha eleitoral será marcada pela acirrada disputa entre distintos e divergentes projetos políticos e de desenvolvimento para o País nos próximos anos. As diferentes candidaturas apresentarão à sociedade e ao debate político suas propostas e programas de governo.É do interesse dos trabalhadores e trabalhadoras, assim como da maioria do povo e daqueles que aspiram uma sociedade justa, fraterna e democrática, que este processo de formulação envolva e mobilize milhões de brasileiros.

Partindo desta premissa, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB realizarão no dia 1º de junho de 2010, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo – SP, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora para, numa grande Assembléia, reunir dezenas de milhares de dirigentes e ativistas sindicais para discutir e deliberar sobre um projeto nacional de desenvolvimento para o País, iniciativa inédita e histórica que marcará a trajetória do movimento sindical através da afirmação do protagonismo e da unidade dos trabalhadores.

Convocamos, portanto, o conjunto do movimento sindical brasileiro para se fazer presente em São Paulo no dia 1º de junho. É fundamental que, desde já, sejam organizadas representativas caravanas sindicais de todos os Estados e regiões do Brasil, com trabalhadores do campo e da cidade, da ativa e aposentados, jovens, mulheres e homens, para que nossa Conferência seja uma massiva demonstração da diversidade brasileira e da determinação da classe trabalhadora.

Contando com a presença de todos e todas, enviamos nossas saudações sindicais.

– Viva a unidade dos trabalhadores!
– Todos à Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – Assembléia 1º de junho!

Central Única dos Trabalhadores
Artur Henrique da Silva – Presidente

Força Sindical
Paulo Pereira da Silva (Paulinho) – Presidente

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Wagner Gomes – Presidente

Nova Central Sindical dos Trabalhadores
José Calixto Ramos – Presidente

Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
Antônio Neto – Presidente

Dia internacional das mulheres, 100 anos de conquistas e lutas

 do portal vermelho

Veja vídeo da TV Vermelho da manifestação do oito de março em São Paulo. A atividade começou na Praça do Patriarca, rebatizada de “Praça da Matriarca” e terminou na Praça da Sé.  Ouvimos donas de casa, estudantes, homens e entidades do movimento feminista, sobre o que comemorar e o que ainda é necessário conquistar, após cem anos desta data internacional

 

La Batalla de Copenhague

da agência bolivariana de Notícias

Foto: Prensa Presidencial.

Caracas, 20 Dic. ABN (por Hugo Chávez Frías).

I

Copenhague fue el escenario de una batalla histórica en el marco de la XV Conferencia del Convenio Marco de las Naciones Unidas sobre el Cambio Climático. Mejor dicho: en la bella y nevada capital de Dinamarca, comenzó una batalla que no concluyó el viernes 18 de diciembre de 2009. Quiero reiterarlo: Copenhague fue apenas el comienzo de la batalla decisiva por la salvación del planeta. Batalla en el terreno de las ideas y en el de la praxis.

El brasileño Leonardo Boff, gran teólogo de la liberación y una de las voces más autorizadas en materia ecológica, en un artículo medular, titulado Lo que está en juego en Copenhague, dejó escritas estas palabras plenas de lucidez y valentía: ¿Qué podríamos esperar de Copenhague? Apenas esta sencilla confesión: así como estamos no podemos continuar. Y un propósito simple: Vamos a cambiar de rumbo.

A eso fuimos, precisamente, a Copenhague: a batallar por un cambio de rumbo en nombre de Venezuela y en nombre de la Alianza Bolivariana. Y más aún: en defensa de la causa de la humanidad y, para decirlo con el Presidente Evo Morales, en defensa de los derechos de la Pachamama, de la Madre Tierra.

Sabiamente lo dijo el mismo Evo, quien junto a este servidor, le tocó asumir la vocería de la Alianza Bolivariana: Aquí está en debate, si vamos a vivir o vamos a morir. Continue lendo

CTB e movimentos sociais organizam ato contra práticas antissindicais na Colômbia

do portal da CTB

02/12/2009
Na manhã desta quarta-feira (2), representantes de movimentos sociais e populares (MAB, UNE, UJS, Jubileu Brasil, Cebrapaz, MST, Movimento de Solidariedade a Cuba) reuniram-se na sede da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), em São Paulo, para construir a mobilização continental contra as bases militares estrangeiras e práticas antissindicais na America Latina e Caribe .  A proposta é realizar um grande ato em frente à Embaixada da Colômbia (R. Honduras, 1447) no próximo dia 10, data de aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Nos últimos tempos, a Colômbia vem sofrendo constantes práticas antissindicais. Nos últimos 23 anos foram assassinados 2.731 sindicalistas no país. Segundo informações da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, entre janeiro de 1986 e dezembro de 2008 ocorreram 231 atentados, 4.200 ameaças, 161 sequestros, 1.478 vítimas de deslocamentos forçados, 193 desaparecidos, 73 casos de tortura e 43 capturas ilegais

Para o secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, João Batista Lemos, a questão central está em levar às ruas o relançamento da campanha “América de Paz: fora as bases militares estrangeiras”.

Em relação ao conjunto da classe trabalhadora e ao movimento sindical, Batista  ressaltou a importância de se  garantir um ambiente de liberdade política no continente. “Para avançarmos e consolidarmos as mudanças como as que vêm ocorrendo em países como El Salvador, Nicarágua, Bolívia, Brasil e Uruguai é necessário acabar com essas práticas antissindicais”.

Segundo o representante da Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Rubens Diniz, a instalação de bases militares em países estrangeiros somado a instalação da Quarta Frota é uma forma de intimidar governos anti-americanos. “Documentos oficiais do Pentágono expressam essa vontade principalmente pelo posicionamento de forças militares em locais estratégicos com grandes recursos naturais como a Amazônia e a navegação em águas do pré-sal”, salientou.

A próxima reunião operativa ocorrerá na sexta-feira (4), no Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Viaduto Nove de Julho, 160 Conj. 2E – Centro – São Paulo), às 10 horas.

Ana Paula Carrion – Foto Cinthia Ribas – Portal CTB

Honduras: ato brasileiro exige fim do golpe e a volta de Zelaya

do portal vermelho

Diversos movimentos sociais, entre eles o MST, a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e a CUT, protestaram no último 2 de outubro contra o golpe militar em curso em Honduras e pela imediata volta de Manuel Zelaya à presidência do país. Sob as palavras de ordem “alerta, alerta, alerta que caminha, a luta socialista por América Latina!”, os manifestantes defenderam a democracia em Honduras e distribuíram panfletos pela Avenida Paulista durante o protesto.

Premier mai : la force de l’unité

do site  http://www.humanite.fr/Premier-mai-la-force-de-l-unite

160 000 manifestants à paris, plus d’un million dans toute la France. La journée d’histoire comptera pour la suite du mouvement.

Reportage à Marseille : Josette, Jean, Robert et Sylvie ont défilé ensemble. Pour deux d’entre eux, c’était une première.

Marseille (Bouches-du-Rhône), correspondant régional.

Ils sont éparpillés tout au long de l’imposant cortège marseillais de ce 1er Mai. « Même avec les portables, on n’a pas réussi à se retrouver. » Mais ces quatre-là sont restés ensemble, en début de cortège, où la sono et les pétards couvrent les slogans comme les sonneries.

Il y a Josette, ancienne salariée dans le nettoyage industriel, « virée à cinquante ans ». Des années de petits boulots ensuite, puis désormais l’allocation de solidarité. Josette n’est pas forcément de toutes les manifs. Mais, aujourd’hui, elle voulait en être : « Il y a tellement de choses à dire, tellement de trucs qui ne vont pas… sauf pour les patrons qui n’ont pas trop à se plaindre. Enfin, je parle des gros, pas des petits. »

À ses côtés se trouve son frère, Jean. Technicien informatique, il a perdu son emploi le 1er novembre 2008 : « Depuis un an, on sentait les choses venir. Le but du jeu, pour la direction, c’est de rogner sur la masse salariale pour payer les dividendes des actionnaires. » Son ancien salaire : le SMIC, « et encore annualisé », sans parler des heures supplémentaires pas payées. Issu d’une famille de communistes depuis plusieurs générations – « j’ai distribué l’HD quand j’étais petit » -, Jean ne rate pas un défilé : « Je manifeste pour montrer ma détermination à ne pas me laisser faire et pour dire que là où certains parlent de meilleure répartition des richesses, moi, je veux une répartition totalement différente des richesses. Ce n’est pas pareil. » Il affirme « ne rien attendre de ce gouvernement ». Simplement, ça le « regonfle de voir que (je) ne suis pas seul dans (mon) coin », dit-il en jetant un coup d’œil au plus important défilé du 1er Mai que Marseille ait connu depuis bien des années. Avec lui, son compagnon, Robert, bat le pavé marseillais pour la première fois. De nationalité belge, il est arrivé de sa Flandre natale à Marseille en 2005. Programmeur informatique. En Belgique non plus, il n’avait jamais manifesté. Il résume ainsi le sens de ce pas franchi : « Contre la politique qui n’aide que les patrons et ne fait rien les salariés. »

Première également pour Sylvie, la belle-fille de Josette. Femme de ménage à temps plein depuis quatre ans, elle touche le salaire minimum. La crise la frappe directement au porte-monnaie. « On ne peut pas réduire le logement ou le chauffage, alors on serre le budget nourriture. Je peux vous dire que cet été, on ne sera pas nombreux sur les plages. » Cette mère de deux enfants (treize et onze ans) formule également son inquiétude quant à l’avenir de l’éducation. En quelques mots comme en cent, elle lâche : « Y en a marre de leurs conneries qui nous retombent dessus. Il faut que le gouvernement prenne conscience que c’est le peuple qui l’a élu et que ce peuple a des attentes. » La sono crache la chanson des Zebda, Motivés.

Christophe Deroubaix

MST lembra massacre de Eldorado do Carajás e exige reforma agrária

DA REVISTA FORUM

Foto: Eldorado dos Carajás – Passados 13 anos, o Massacre de Eldorado dos Carajás, uma das ações policiais mais violentas no meio rural, ainda deixa seqüelas e sentimentos contrastantes em quem a vivenciou. Até hoje, ninguém foi efetivamente responsabilizado pela ação que resultou na morte de 19 trabalhadores rurais e centenas de feridos no Pará Foto: Marcello Casal Jr./Arquivo ABr

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) se mobilizou durante esta semana, para lembrar o massacre de Eldorado do Carajás, que completa hoje, 17, 13 anos, e reivindicar a reforma agrária.

Em 17 de abril de 1996, a Polícia Militar do Pará entrou em confronto com um grupo de 1.500 trabalhadores sem terra acampados no sul do estado. O objetivo era tirá-los do local e desobstruir a Rodovia PA-150, ocupada em um protesto do movimento contra a demora na desapropriação de terras para reforma agrária. Até hoje, ninguém foi efetivamente responsabilizado pela ação.

Dos 144 policiais que responderam a processos, 142 foram absolvidos e apenas dois condenados. Estes ainda estão em liberdade. São eles o coronel Mário Collares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira, condenados a mais de 100 anos de prisão. Um recurso está há alguns anos sob avaliação da ministra Laurita Vaz, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Cerca de 90 policiais que participaram da ação foram, em setembro do ano passado, promovidos a cabo. O governador do estado à época, Almir Gabriel, o secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, e o comandante-geral da Polícia Militar, Fabiano Lopes, não responderam judicialmente pela atuação policial. A ausência de responsabilização mais ampla gera o inconformismo dos movimentos sociais.

O massacre de Eldorado dos Carajás, uma das ações policiais mais violentas do Brasil, teve grande repercussão no país e no exterior.

A atual governadora do Pará, Ana Júlia Carepa (PT), disse que em outubro deste ano serão pagas as indenizações ainda pendentes para cerca de 30 vítimas do confronto em Carajás. Desde abril de 2007, 22 famílias de sem-terra vítimas do massacre foram beneficiadas com pensões especiais e indenizações concedidas pelo governo. ”O estado reconheceu o direito das vítimas não só de receber pensão, mas de receber assistência médica. Orientamos a Procuradoria a fazer acordos e a não protelar. O estado já pagou R$ 1,2 milhão de indenização no ano passado. Até outubro, vamos pagar para outras 30 pessoas que ou estavam lá, ou tinham parentes lá. Então, vamos zerar este ano esse processo de indenização”, afirmou Ana Júlia.

Ocupações

Integrantes do MST ocuparam nesta sexta-feira, 17, mais três fazendas em Pernambuco . As duas pistas da rodovia BR-408 também foram interditadas por duas horas por um protesto que faz parte do chamado Abril Vermelho. O movimento já fez ocupações em 11 estados desde o início do mês.

Mídia tenta calar os movimentos sociais

do blog do Miro


Numa operação que parece orquestrada, a mídia hegemônica desencadeou nos últimos dias uma brutal ofensiva contra os movimentos sociais brasileiros. Cada veículo escolheu um alvo e bateu pesado. A Folha de S.Paulo, que acha que a ditadura militar foi “branda”, atacou o sindicalismo, concluindo que ele está “despreparado”, “enferrujado” e “atrelado ao governo Lula”. O Correio Braziliense destilou veneno contra a UNE, questionando, sem qualquer consistência, os recursos públicos destinados legitimamente à entidade máxima dos estudantes universitários. E todos os meios privados se somaram no ataque aos líderes do Movimento dos Sem-Terra. “Eles invadem e também matam”, esbravejou a revista Veja, que trata o MST como “bando de delinqüentes”.

Vários fatores explicam esta nova ofensiva da mídia. Como principal “partido do capital”, ela se mostra atordoada com a popularidade de Lula e teme que ele faça seu sucessor (ou sucessora) em 2010. A mídia, que já advogou o impeachment do presidente e tentou evitar a sua reeleição, não engole a idéia da continuidade do atual bloco de forças no poder. Ao criminalizar os movimentos sociais, ela visa fragilizar uma importante base de apoio, embora autônoma e crítica, do governo Lula. A ofensiva também tem caráter preventivo. A mídia teme que, com o agravamento da crise mundial capitalista, as lutas sociais se intensifiquem e empurrem o governo mais à esquerda.

Ódio à “estrutura sindical getulista”

Tanto isto é verdade que ela tenta, a todo custo, colocar uma cunha entre as organizações sociais e o governo Lula. No caso do sindicalismo, o motivo de toda sua gritaria é a conquista histórica da legalização das centrais e do direito a uma parcela da Contribuição Sindical – com recursos advindos do bolso do próprio trabalhador. Para os barões da mídia, tais conquistas “atrelam” o sindicalismo ao governo e agravam sua crise de representação. A Folha, que apoiou a ditadura quando esta interveio nos sindicatos, prendeu e matou seus dirigentes, agora prega a “autonomia sindical” e defende ações mais duras de combate ao governo. O canto de sereia é habilidoso!

Os editoriais do Estadão, Folha, Globo e de outros veículos privados revelam que a mídia nunca concordou com a legalização das centrais e nem aceitou que elas tenham recursos legítimos para investir nas suas ações. Para ela, é urgente desmontar a “estrutura sindical getulista”, liquidando a unicidade e todos os mecanismos de contribuição financeira. Quanto mais fraco e pulverizado o sindicalismo, melhor para o capital. Em especial, num momento de agravamento da crise do capitalismo, que tende a aguçar os conflitos de classe. Quanto à relação com o governo, a mídia prefere o cenário imposto por FHC, que tentou quebrar a “espinha dorsal” do sindicalismo.

Resposta certeira da UNE

O mesmo intento de desgastar os movimentos sociais e causar atritos na relação com o governo fica patente nas críticas ao movimento estudantil e ao MST. Na matéria intitulada “10 milhões para amansar a UNE”, o Correio Braziliense não esconde este objetivo maroto. Insinua que os recursos públicos são usados de forma irregular e sem transparência, mas não apresenta qualquer prova neste sentido. Ele questiona a autonomia e a legitimidade da UNE, mas não aborda as suas mobilizações e reivindicações. Deixa implícita a critica ao governo Lula por manter uma relação democrática com o movimento estudantil – talvez também saudosa dos tempos da ditadura.

Diante destes ataques gratuitos e maliciosos, a presidente da entidade, Lucia Stumpf, não vacilou em condenar a manipulação midiática. “O título da referida matéria não é justificado em nenhum fato concreto. A matéria não aponta nenhum caso em que a UNE tenha se calado e nem poderia, visto que tal comportamento não ocorreu em nenhum momento. A UNE preserva sua autonomia e independência frente a este ou a qualquer outro governo”. Após elencar as iniciativas culturais e sociais da entidade, Lucia enfrenta com coragem o debate matreiro sobre os recursos públicos e não cai na defensiva. “A UNE, assim como qualquer organização civil, tem toda a legitimidade para pleitear verbas públicas e o faz com toda responsabilidade e dentro dos parâmetros legais”.

O MST e os delinqüentes da Veja

Já no tocante ao MST, a cantilena midiática é antiga. Jornalões e emissoras de televisão insistem em pintar o movimento como ilegal, “criminoso”, que recebe verbas públicas do governo Lula. Neste coro reacionário, que despreza o papel civilizador do MST na luta pela reforma agrária, a mídia venal agora conta com o ativismo do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes. Exacerbando nas suas atribuições, ele declarou que “o financiamento público de movimentos que cometem ilícitos é ilegal, é ilegítimo” – para deleite dos veículos privados.

Excitada, a revista Veja foi ao ápice do seu reacionarismo e indagou: “Até quando esse bando de delinqüentes terá licença para afrontar a lei?”. Num artigo rancoroso e ideologizado, afirmou que a recente onda de ocupações de terras ociosas “obedece a calendário e motivo bem definidos. Às vésperas de um ano eleitoral, MST e os congêneres querem continuar a receber vultosos repasses governamentais – o que implica a permanência do PT no governo… Por meio do embrutecimento de seus métodos ou do puro e simples banditismo, os sem-terra tentam influenciar os rumos das eleições em seu favor”. O triste é saber que este pasquim direitista ainda tem publicidade oficial!

O Berlusconi da direita nativa

João Paulo Rodrigues, membro da direção nacional do MST, também não se intimidou diante da mídia e do presidente do STF. Rechaçou a notícia divulgada pela imprensa de que o movimento recebeu R$ 40 milhões dos cofres públicos, mas explicou que as organizações vinculadas à luta pela reforma agrária recebem recursos oficiais. “Isto é legítimo e legal”. Irônico, lembrou que a ONG Alfabetização Solidária, criada pela ex-primeira dama no governo FHC, recebeu mais de R$ 330 milhões do Estado, no mais caro programa educativo do planeta. Ele citou ainda recente reportagem da revista Carta Capital, que denúncia que o Instituto Brasiliense de Direito Público, ligado ao ministro Gilmar Mendes, recebeu 2,4 milhões de verbas públicas.

Sobre o presidente do STF, João Paulo foi incisivo. “O ministro Gilmar Mendes foi transformado no mais novo líder da direita brasileira. Ágil para defender o patrimônio, mas lento para defender as vidas. Ele ataca os povos indígenas, os quilombolas, os direitos dos trabalhadores e defende os militares da ditadura. Enfim, agora a direita tem seu Berlusconi tupiniquim. Ele opina sobre tudo e sobre todos. Aliás, ele deve à opinião pública uma explicação sobre a rapidez com que soltou o banqueiro corrupto Daniel Dantas, que financia muitas campanhas eleitorais e alicia grande parte da mídia… Como líder da direita, Mendes defende os interesses da burguesia e faz intenso ataque ideológico à esquerda e aos movimentos sociais, pavimentando a retomada eleitoral da direita em 2010. José Serra não precisa se preocupar, já tem um cabo eleitoral poderoso no STF”.