«O Capital – Livro Segundo» apresentado no Porto

do jornal avante

O Salão Nobre da Junta de Freguesia do Bonfim acolheu, sexta-feira, a apresentação da tradução portuguesa de «O Capital – Livro Segundo».
A iniciativa, promovida pela Direcção Regional do Porto do PCP, dirigida por Valdemar Madureira, membro daquela organização, contou com a participação de Francisco Melo, em representação da Editorial Avante, António Avelãs Nunes, professor catedrático da Faculdade de Direito e vice-reitor da Universidade de Coimbra e José Barata Moura, filósofo e professor universitário da Universidade de Lisboa.

Francisco Melo chamou a atenção para a importância da publicação desta obra, a primeira traduzida para português, numa altura de profunda crise do capitalismo e que veio recobrar o ânimo pela leitura e conhecimento da teoria de Marx e Engels.
António Avelãs Nunes fez uma incursão pelas teorias económicas de Adam Smith a Marx, passando por David Ricardo. Referiu as evoluções que se verificaram no pensamento económico, as diferenças e as contradições. O liberalismo, a teoria do valor e a teoria do comércio internacional foram, entre outras questões, matérias salientadas, muitas vezes pontuadas com a situação actual. Concluiu que com Marx se constrói o socialismo científico, em que a luta de classes é o motor da história.
José Barata Moura iniciou a sua intervenção caracterizando os três livros de «O Capital». Quanto ao «Livro Segundo», salientou que ele contou com a intensa colaboração de Engels. Aliás o livro foi publicado depois da morte de Marx e tal só foi possível pelo trabalho intenso de Engels. Esta obra, recheada de observações, permite a interpretação da realidade e a sua transformação. Referiu aspectos importantes da leitura deste livro, concluindo que «O Capital», de Marx, é um instrumento na luta por um viver colectivo recheado de valores repletos de humanidade.

Acentuou que o marxismo, ao contrário do que alguns dizem, não é uma teoria morta. «A história continua, o estudo tem de continuar, a luta permanece também. Compreender e transformar deve estar sempre presente», sublinhou. Terminou referindo o papel que cabe aos comunistas na transformação da sociedade, na derrota do capitalismo e no triunfo do socialismo.

As mães de maio lutam como mulher e mãe

Do Conversa afiada 

11/dezembro/2009 19:25

Demora, mas eles acabam na cadeia (como na Argentina)
Demora, mas eles acabam na cadeia (como na Argentina)

 As mães da Plaza de Mayo, na Argentina ajudaram a colocar os torturadores do regime militar na cadeia. 

 As daqui podem começar a fazer. 

 Leia a entrevista que Paulo henrique Amorim fez com os procuradores federais de São Paulo Marlon Alberto Weichert e Eugênia Augusta Fávero
Ação histórica: procuradores desafiam a Lei da Anistia
 

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Mensagem original
De: Mães de Maio < maesdemaio@gmail.com >
Para: undisclosed-recipients
Assunto: IMPERDÍVEL DIA 17/12: “LUTO COMO MULHER, LUTO COMO MÃE”
Enviada: 11/12/2009 13:23
Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência (RJ) e Mães de Maio (SP) convidam:

LUTO COMO MULHER, LUTO COMO MÃE

- Lançamento em São Paulo do livro “Auto de Resistência – Relatos de familiares e vítimas da violência armada” e Exibição do filme “Luto como Mãe” -  

 

Quinta-feira, dia 17/12, às 18:00hs no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

 Debate com a participação de: 

 Mães de Vítimas do Estado no Rio de Janeiro
Rede de Comunidades e Movimentos Contra Violência (RJ)
(co-autoras do livro e participantes do filme) 

 Débora Maria Silva
Mães de Maio (SP) 

 Rose Nogueira
Grupo Tortura Nunca Mais (SP) 

 Tatiana Merlino
Núcleo Memória e Revista Caros Amigos (SP) 

 Ao final do debate e da exibição do vídeo haverá um pequeno coquetel e a sessão de autógrafos dos livros com as Mães do Rio. 

 O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo
fica na Rua Rego Freitas,530 – Sobreloja – Campos Elíseos
Telefone para contato:                  11-3217-6299   11-3217-6299          11-3217-6299 

 MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O LIVRO E O FILME: 

 “AUTO DE RESISTÊNCIA – Relatos de Familiares e Vítimas da Violência Armada” 

 “Auto de Resistência” foi escrito por vinte e um familiares de vítimas da violência no Rio de Janeiro. Mães, esposas e irmãs cujo sofrimento conta uma parte da história da cidade, envolvendo chacinas, sequestros, omissão e impunidade. Mas este não é um livro de denúncias ou um relato de tragédias individuais: é antes um grito contra a indiferença e a banalização do horror. Mostra a força de quem resiste, de quem não se intimida e utiliza o próprio sofrimento para prevenir o sofrimento alheio; de quem tem coragem e vontade de aprender e de transformar. 

 ISBN: 9789575776046
IDIOMA: Português.
ENCADERNAÇÃO: Brochura  | Formato: 21 x 21  | 164 págs.
ANO EDIÇÃO: 2009
ORGANIZADOR: Tatiana Moura | Carla Afonso | Barbara Musumeci Soares
AUTOR: Marcia Oliveira Silva Jacintho | Roberto Wilson Bastos | Elizabeth Medina Paulinho | Maria da Penha Sousa Silva | Denise Alves Tavares | Vilma Jurema Carvalho de Mello | Dulcinea da Silva Sipriano | Patricia de Oliveira da Silva | Jose Luiz Faria da Silva | Julia Preciliana Procopio | Euristea Sant’Anna de Azevedo | Siley Muniz Paulino | Regina Celia de Oliveira Lacerda | Patricia de Jesus | Ana Amelia Silva Rocha | Marilene Lima de Souza 

 LUTO COMO MÃE
(Luís Carlos Nascimento, Rio de Janeiro, 2009) 

 A cidade do Rio de Janeiro, Brasil, é palco de execuções sumárias e arbitrárias cometidas por agentes do Estado. Cada morte arrasta consigo a dor de quem fica, afetando todo o seu círculo social, especialmente a família e amigos. O documentário “Luto Como Mãe” centra-se nas histórias destes sobreviventes, maioritariamente mulheres, e no seu rito de passagem do luto à luta por justiça e contra a invisibilidade. 

Mais informações: www.lutocomomae.com  

Novo livro do historiador Augusto Buonicore

A Editora Anita Garibaldi e a Fundação Maurício Grabóis  lançam:  

No início da década de 1990 parecia que a revolução estava ameaçada de se transformar em peça de acervo de algum museu das “ideologias perdidas”. A própria história esteve por um fio. Chegaram mesmo a anunciar que ela havia chegado ao fim.

No entanto, felizmente, parece que ambas – história e revolução – venceram seus inimigos. Hoje já se ouve o toque de finados da pós-modernidade, subproduto de um tempo de desesperança. Certamente, neste caso, a morta recusa-se baixar tranquilamente à sepultura. Precisa ainda que seja empurrada – a pontapés – para dentro. Como as classes proprietárias não abandonam pacificamente as suas posições dominantes, assim fazem também as ideologias por elas engendradas.

Esse livro é uma coletânea de diversos artigos que abordam o processo de formação da nossa sociedade, sob a ótica do marxismo. Em outras palavras, é a retomada do velho debate sobre as peculiaridades da Revolução Brasileira.

 Título: Marxismo, História e Revolução Brasileira: Encontros e desencontros 

Autor: Augusto Buonicore 

320 Páginas

Preço: R$ 35,00

Editora e Livraria Anita Ltda.

Rua Amaral Gurgel, 447 3º andar cj. 31 – Vila Buarque

CEP 01221-001  – São Paulo – SP – Brasil

Fone: (11) 3129-3438

livraria@anitagaribaldi.com.br

Novo livro de Osvaldo Bertolino

Hoje, li no blog do Osvaldo Betolino, uma matéria sobre seu novo livro.

Fico feliz em tê-lo ajudado, mesmo que um pouquinho.

Foi com enorme satisfação que aceitei em ajudar a pesquisa do novo livro do jornalista Osvaldo Bertolino sobre a jogadora de futebol feminino, Michael Jackson. Como estagiário, contratamos o Gustavo , da UJS/RJ,  que durante dias a fio, permaneceu na Biblioteca Nacional procurando arquivos da época, nos jornais.

Nossa parte se restringiu prioritariamente a  pesquisa sobre a vida da jogadora em sua cidade Natal, Valença, interior do Rio de Janeiro, situada a 3h da capital.

Lá, conhecemos seus amigos e familiares, e tiramos muitas fotos do local onde ela foi criada, jogou bola, estudou, para poder servir de suporte para o Osvaldo fazer melhor a descrição.

Entrevistamos seu irmão Paçoca, que também foi jogador de futebol, bem como o presidente do primeiro time  onde ela jogou profissionalmente , o Monte Douro.

Na cidade do Rio de Janeiro, nossa pesquisa ficou prejudicada posto que, o radar não existe mais como time  de futebol e em  seu lugar funciona uma academia de ginástica. O Dono do Radar , à época do sucesso de Micheal, faleceu e não conseguimos contactar o dono da atual academia, onde ainda existe troféus da época(devidamente registrados em retratos).

Não  vejo a hora desta publicação sair pois será  com certeza mais  um sucesso deste jornalista, e um resgate da história do futebol feminino , cujas dificuldades em estabelecer o profissionalismo ainda hoje se faz sentir.

SEGUE ABAIXO A MATÉRIA DE HOJE , NO BLOG  OUTROLADODANOTICIA

Publico, in natura, trecho do livro que estou escrevendo sobre a vida da jogadora de futebol feminino Michael Jackson — Mariléia dos Santos — para ilustrar os vídeos acima.

 

Ela foi considerada a “Pelé” do futebol feminino, a principal estrela da constalação de atletas que brilharam nos anos 80 e 90 e abriram as portas para essa modalidade esportiva no Brasil.

 

O episódio principal da história dos vídeos ocorreu durante a VI Taça de Futebol Feminino, organizada no começo de 1989 pela CBF e pela Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro (Suderj).

 

Michael Jackson é a número 9 do Radar, a que sofre o pênalti.

 

Observe, no primeiro vídeo, a bela jogada da atacante.

 

E leia, em primeira mão, a parte do livro que narra o episódio.

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Apesar das imensas dificuldades, o Radar mostrou suas credenciais logo na estréia, goleando o Vasco da Gama por 5 a 1. Nas semifinais, o time aplicou 5 a 0 no Saad, de Campinas (SP), e conquistou o direito de disputar a final com o Sul América, do Amazonas. A partida com o Saad registrou um tumulto que entrou para o folclore do esporte brasileiro, mais uma vez protagonizado pelo árbitro Jorge Emiliano, o Margarida — homossexual assumido que ficou famoso pelos seus trejeitos que faziam a festa da torcida.

 

- O fato de assumir publicamente minha opção sexual não interfere em minha arbitragem num jogo feminino – disse ele no intervalo do jogo.

 

Em 1983, quando o Radar conquistou a 1º Taça Brasil ao vencer a seleção de Goiás por 5 a 0, Margarida já protagonizara um espetáculo circense ao expulsar todo o time goiano. A partida acabou em pancadaria. O árbitro negou que tivesse dado um soco em uma jogadora, mas foi surpreendido ao saber que a imagem fora registrada pela TV.

 

- A tecnologia moderna me mata – reagiu.

 

No dia 8 de janeiro de 1989, na partida entre o Radar e o Saad, ele repetiria a cena. O jogo transcorria dentro da maior normalidade, com a máquina de jogar futebol de Copacabana (o time do Radar) ostentando 4 a 0 no placar e dominando inteiramente a partida, quando, aos 27 minutos do segundo tempo, Michael Jackson dominou a bola e entrou na área pela direita driblando todo mundo até ser parada com falta. O juiz marcou pênalti e deu cartão amarelo para a jogadora Elaine da equipe paulista por reclamação. Diante da insistência da atleta, ameaçou expulsa-lá. 

 

O pênalti foi convertido em gol. Enquanto as jogadoras da equipe carioca comemoravam, a atleta do time paulista insistia nas reclamações e levou um tapa de Margarida no rosto. A confusão foi total. O preparador físico do Saad, Lariê Alves Tremura, marido de Elaine, invadiu o gramado para agredir o juiz. Flagrado pelas câmaras de TV, deu para o ouvir o desafio.

 

- Estúpido, vem bater em mim. Vem cá se você for homem – disse, furioso.

 

Margarida não se intimidou.

 

- Se você entrar aqui (no campo) eu te arrebento – respondeu o valente juiz.

 

Mulher e marido foram expulsos por Margarida. Em meio ao tumulto generalizado, o chefe da delegação do Saad, Romeu Carvalho de Castro, anunciou que a jogadora estava se dirigindo à delegacia a fim de registrar queixa. Eurico Lyra (o representante da CBF) também tratou de tirar o corpo fora ao dizer que pedira a Margarida para não apitar o jogo porque ele não tinha mais nada que provar. O representante da CBF disse que o juiz ignorou os seus apelos.

 

Com a boca sangrando, Elaine registrou a ocorrência na 77ª delegacia de Niterói e Margarida foi enquadrado no Artigo 129 do Código Penal, que diz:

 

- Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem.

 

O inspetor que atendeu a ocorrência disse que Margarida seria chamado a depor dentro de 15 dias e que o flagrante só não foi lavrado porque o árbitro não foi encontrado no estádio. O jornal O Dia registrou, no entanto, que ele fugiu tranquilamente do flagrante pela porta da frente do estádio.

 

Elaine fez duras críticas ao juiz.

 

- Desde o início do jogo ele vinha pegando no meu pé. Apenas reclamei com a nossa zagueira e fui mal interpretada. Ele é covarde e quis dar uma de macho comigo – disse ela, na delegacia, ao jornal O Dia.

 

Muito nervosa e amparada pelo marido e pelo chefe da delegação do Saad, Elaine não se conformava com a agressão.

 

- Sempre fui uma jogadora disciplinada. Em onze anos de futebol, foi a primeira vez que recebi um cartão vermelho – disse ela.

 

O marido também mostrou toda a sua indignação.

 

- Foi um ato de covardia e estamos aqui para exigir que a justiça seja feita. É inadmissível que atletas sejam agredidas dentro do gramado – disse Lariê.

 

Eurico Lyra, o representando a CBF, prometeu que se a Justiça comprovasse a agressão de Margarida a entidade daria total apoio ao Saad.

A um ausente – Drummond

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.