Wikileaks: EUA foram informados por Israel sobre operação militar em Gaza

do site opera mundi

21/01/2011 – 14:43 | Daniella Cambaúva | Redação

Documentos diplomáticos dos EUA divulgados pelo Wikileaks mostram que o país foi informado pelo governo israelense sobre a operação “Chumbo Fundido”, investida militar na Faixa de Gaza, em 2008, que deixou mais de 1,4 mil palestinos mortos.

Os despachos, enviados pelo consulado norte-americano em Jerusalém e pelas embaixadas em Tel Aviv e Cairo, revelam também que, após o início dos ataques, realizados entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, os EUA sabiam das mortes de civis.

Leia mais:
Bloqueio a Gaza é castigo coletivo injustificável, diz relator da ONU
Após Netanyahu: cerco se fecha para as comunidades árabe-palestinas
Grupos armados de Gaza retomam lançamento de foguetes contra Israel
Temendo ofensiva, Hamas pede a grupos militantes de Gaza que interrompam ataques a Israel
Marco Aurélio Garcia: reconhecimentos da Palestina refletem convergência na América Latina

Entre os despachos, quase diários, revelados por um site de notícias independente dos EUA, o tenente-general Gabi Ashkenazi, Chefe das Forças Armadas de Israel, revela a uma delegação chefiada pelo democrata Ike Skelton, relatada por um funcionário da embaixada norte-americana em Tel Aviv, que o objetivo de Israel era travar uma “guerra de grande escala no Oriente Médio”.

“A ameaça de disparos de foguetes contra Israel é mais grave do que nunca. É por isso que Israel atribui tanta importância à defesa anti-mísseis”, acrescentou o militar em 17 de dezembro de 2008, explicando que o planejamento da ação militar havia começado seis meses antes, enquanto ainda se falava em renovar o cessar-fogo com o grupo islâmico Hamas, que controla Gaza.

Bloqueio a Gaza

Durante um almoço na mesma semana, Ashkenazi defendeu o bloqueio israelense na Faixa de Gaza para evitar que países como o Irã pudessem fornecer foguetes aos palestinos. Em 2008, militantes do Hamas lançaram mais de 1,7 mil foguetes e morteiros contra Israel – o dobro em relação a anos anteriores.

Nas mensagens enviadas em dezembro, quando a operação militar estava no início, o funcionário diplomático em Tel Aviv mencionou uma “crescente pressão sobre Israel” para que respondesse aos foguetes atirados pelos palestinos.

Os ataques aos territórios palestinos começaram no dia 27 de dezembro de 2008, dias após o o fim do cessar-fogo. Como Israel não suspendeu o bloqueio à Faixa de Gaza e não cessou os ataques ao território palestino, membros do movimento islâmico anunciaram o encerramento oficial da trégua e começaram a lançar foguetes caseiros em direção ao sul do território palestino.

Mortes de civis

Nos despachos do início de janeiro de 2009, diplomatas dos EUA mencionam as cidades de Gaza e de Rafah, na fronteira com o Egito, como alvo de disparos israelenses, incluindo hospitais, mesquitas e escolas. A única mensagem que faz alusão à morte de civis palestinos foi enviada pela diplomacia norte-americana no dia 2 de janeiro. “Enfatizando nossa preocupação com o bem-estar de civis palestinos inocentes e da disponibilidade dos EUA para fornecer ajuda humanitária de emergência”, diz o documento.

Na noite do dia 3 de janeiro de 2009, começou a ofensiva por terra, com tropas e tanques israelenses entrando no território palestino. No dia 17 de janeiro, o primeiro-ministro israelense Ehud Olmert anunciou uma trégua unilateral e o Hamas também anunciou um cessar-fogo imediato. Em 21 de janeiro, Israel completou a retirada de suas tropas da Faixa de Gaza

Ex-soldada israelense divulga fotos ao lado de prisioneiros no Facebook

do opera mundi

16/08/2010 – 17:43 | Thaís Romanelli | Redação

Uma ex-soldada das IDF (Forças de Defesa de Israel) causou polêmica na internet ao publicar fotos em que aparece ao lado de prisioneiros palestinos vendados no site de relacionamentos Facebook. Segundo a rede de TV árabe Al-Jazira e o jornal israelense Haaretz, as imagens foram encontradas por blogueiros, que as divulgaram nesta segunda-feira (16/8).

Eden Abergil, que serviu o exército até 2009, intitulou o álbum no qual as fotos estavam como “O Exército, a melhor parte da minha vida” referindo-se ao seu serviço militar obrigatório em Israel durante dois anos.

Leia mais:
O Estado de Israel é a origem do ódio
Israel: nada de novo no front oriental
A ONU, a impunidade e a guerra

Nas fotos, que aparentemente foram tiradas em 2008, a ex-soldada brinca com os telefones do quartel, sorri ao lado de dois prisioneiros algemados e posa ao lado de outro prisioneiro vendado.

Reprodução

As fotos, que foram divulgadas no próprio perfil da ex-soldada, causaram polêmica entre usuários do Facebook

“Isso parece realmente sexy”, diz um comentário postado por um dos amigos Abergil no Facebook. Outro, que atribui a culpa da prisão dos palestinos a ex-soldada, recebeu resposta sarcástica de Abergil, que questionou se o prisioneiro também faria parte da rede social para poder marca-lo na legenda da foto.

Em seu perfil do Twitter, a música israelense e blogueira Dan Ya Shwartz afimou que questionou Abergil sobre a divulgação das fotos no Facebook, mas a ex-soldada não respondeu a pergunta.

 

Leia também:
EUA aprovam “pílula dos cinco dias seguintes”
Hamas se junta a Obama e Bloomberg em apoio a mesquita em Nova York
 
“Não entendo porque você acessa os perfis das pessoas no Facebook para sempre tentar encontrar coisas ruins. Se dedique a coisas mais importantes”, respondeu Abergil, segundo Shwartz.

Segundo a edição online do jornal israelense Haaretz, outra blogueira, Lisa Goldman, fez algo semelhante e recebeu em resposta: “Não falo com esquerdistas”.

Reprodução

Apesar da condenação do exército Israelense, Abergil não pode ser punida por não servir mais o exército

O caso chamou a atenção do exército israelense, que classificou a atitude como “deplorável”. “É um comportamento vergonhoso da soldada. Levando em conta que a dispensa foi dada para Abergil no ano passado, todos os detalhes foram entregues aos comandantes responsáveis na época com o objetivo de prestarmos maiores esclarecimentos”, disse um porta-voz do exército.

No ano passado, o exército anunciou novas regras para os soldados, proibindo-os de divulgar fotos nas bases militares. Entretanto, o fato das fotos terem sido publicadas quando a soldada não fazia mais parte do exército, impede qualquer tipo de punição por parte do grupo militar.

Já para o governo palestino, que também comentou o assunto, as fotos “mostram a mentalidade do ocupante, que se orgulha de humilhar os palestinos”.

Siga o Opera Mundi no Twitter

Por Márcia Silva Postado em Israel

Violência de Israel faz parte do dia-a-dia do povo palestino

do site Brasil de Fato

Todas as sextas-feiras, cidades palestinas da Cisjordânia realizam manifestações em frente ao muro construído por Israel

 10/06/2010

 Dafne Melo-enviada a Ni’lin (Palestina)

 Para os muçulmanos, a sexta-feira é um dia sagrado, assim como o domingo para os cristãos e o sábado para os judeus. Ao meio-dia, pelos alto-falantes colocados na torre de cada mesquita, começa a ecoar uma oração. É o chamado para que a comunidade vá até a mesquita, não só para rezar, mas também para onde será feito o khutbah, uma espécie de sermão onde são discutidas inclusive questões sociais e políticas ligadas à comunidade.

 Desde o início da construção do muro pelo Estado de Israel (ver box), o ritual religioso é seguido por uma manifestação política em diversas cidades da Cisjordânia por onde passa o muro. Esse é o caso de Ni’lin, próxima à cidade de Ramallah, bem como de diversas outras na Cisjordânia. Hoje há manifestações, tradicionalmente, em todas as cidades por onde passa o muro e também em cidades onde há ocupação sionista, como Hebron.

 No dia 4 de junho, além das bandeiras palestinas, bandeiras turcas decoraram a marcha, em apoio ao governo da Turquia e aos ocupantes da flotilha atacada por Israel no dia 31 de maio, quando nove ativistas foram assassinados e dezenas de pessoas ficaram feridas, em mais uma ação militar do Estado de Israel.

 Ritual

Pouco tempo depois do chamado, dezenas de pessoas começam a se concentrar, não na mesquita, mas em um terreno a mais ou menos 1,5 quilômetro do muro. Ainda na cidade, no caminho até o terreno, Fuad Khauadja, da União de Comitês Agrícolas, que acompanha a reportagem do Brasil de Fato, para em uma venda onde um jovem com cerca de 16 anos se levanta da cadeira para cumprimentá-lo com dificuldade. Com a muleta nas mãos, trocam algumas palavras. “Ele levou um tiro em uma das manifestações de sexta-feira, na região do abdômen e na perna, e por isso tem dificuldade para andar”, conta.

 Já no terreno, grupos de pessoas vão se sentando abaixo das oliveiras, para se proteger do sol, aguardando o chamado para rezar. Depois, se dispõem em três fileiras grandes em frente ao líder religioso e por pouco mais de dez minutos oram e, em seguida, caminham em marcha até um terreno inclinado, cheio de pedras, oliveiras e restos de bombas de gás lacrimogêneo usadas em outras sextas-feiras.

 Adultos com crianças seguem até certa parte da caminhada. Na medida em que o grupo se aproxima do muro, soldados israelenses começam a atirar as bombas de gás lacrimogêneo com morteiros por detrás do muro. Uma parte do grupo se retira e alguns, na maioria os mais jovens, com fundas nas mãos, começam a atirar pedras para o outro lado do muro. Hoje, o vento forte está a favor dos palestinos. O gás se dispersa rápido e leva o gás em direção aos soldados.

 Força desigual

Um dos símbolos do judaísmo é a estrela de David, personagem bíblico que derrotou Golias com uma funda e uma pedra. Agora, quem empunha a pedra contra o gigante são os palestinos. “A passeata é pacífica, mas para eles não existe ‘pacífico’. É sempre assim, quando chegamos perto do muro já começam a atirar gás. A maioria recua, alguns jovens ficam para atirar pedras”, explica Taicir Karaja, brasileiro filho de palestinos que vive há dez anos na cidade vizinha de Saffa.

 Algumas vezes, os soldados saem detrás do muro, fortemente armados, e disparam contra os manifestantes. Fuad Khauadja conta que, desde o início da construção do muro, 80 pessoas de Ni’lin foram presas e cinco pessoas foram assassinadas. Um deles, um menino de 10 anos, Ahmed, que brincava com outras crianças após a manifestação. Segundo testemunhas, um soldado israelense foi até o lugar e disparou contra o menino com uma metralhadora à queima-roupa, na cabeça. Nada foi feito, nenhuma punição foi realizada. “Israel é um Estado que não obedece a nenhuma lei, faz o que quer, nunca é punido, não importa o que faça”, diz, com revolta, Taicir.

 Khauadja afirma que as manifestações já deixaram um saldo de 150 feridos, sendo que 25 deles têm seqüelas, tal como o jovem que encontramos no caminho da manifestação. “Eles procuram atirar em regiões do corpo onde há ossos, para deixar seqüelas”, denuncia Khauadja.

 O Crescente Vermelho Palestino, ligado à Cruz Vermelha, mantém ambulância e profissionais equipados com macas e máscaras para proteger do gás ao lado da manifestação. Hoje, felizmente, nenhum ferido.

O muro do apartheid israelense

 A construção do muro iniciou-se em 2002, ainda sob o governo de Ariel Sharon. O objetivo foi separar a Cisjordânia do restante do território. A construção, entretanto, não respeita as fronteiras da Cisjordânia, conhecida como Linha Verde, definida no armistício de 1967. A obra também descumpre o Acordo de Oslo, de 1993. Apenas cerca de 20% do muro coincide com a Linha Verde; os 80% restantes situam-se em território de Daffa – ou Cisjordânia. A obra é vista como um símbolo do apartheid a que Israel submete os palestinos, além de mostrar o total descumprimento e descaso do Estado sionista em relação às resoluções internacionais. Embora diversas organizações internacionais tenham condenado o muro, Israel não sofreu nenhuma punição. (Leia mais na edição 380 do Brasil de Fato).

Um retrato da Palestina

do site carta capital

Por Juliana Sada*  

No mesmo período em que o governo israelense atacava a Flotilha da Liberdade, em uma simbólica demonstração de sua política com os palestinos, organizações da esquerda árabe-israelense e palestina se reuniam para mostrar que há possibilidade de convivência entre os povos. 

Era a 2ª Conferência de Haifa – Pelo Retorno dos Refugiados Palestinos e Por um Estado Laico e Democrático na Palestina Histórica. Além de organizações israelenses e palestinas, o encontrou contou também com representantes de entidades de outros países, entre elas do MST. O Escrevinhador conversou com Marcelo Buzetto, membro da direção estadual do MST/SP e também de seu setor de relações internacionais, que esteve na Conferência. 

Além de participar da Conferência de Haifa, Buzzeto entrou em contato com a realidade palestina e nos traz informações sobre a região que raramente aparecem na mídia: como sobrevive a população, como é o cotidiano dos que vivem nos territórios ocupados, quais suas demandas, como se organizam e resistem, além de uma contextualização histórica que ajuda a entender a região. 

Em 31 de maio quando Israel atacou a Flotilha da Liberdade, Marcelo Buzzeto, integrante do MST, estava na Palestina em contato com as organizações de lá. No relato exclusivo, ele conta a repercussão do ataque, que surpreendeu até quem convive diariamente com a repressão israelense. 

Como foi recebida a notícia do ataque às embarcações que traziam ajuda humanitária?
Com muita indignação e revolta, pois foi um ataque covarde, realizado contra pacifistas que levavam ajuda humanitária, estavam desarmados, e só se defenderam dos tiros disparados pelos fuzileiros navais israelenses. Imediatamente houve manifestações em toda a Palestina, tanto nas cidades controladas pela Autoridade Palestina na Cisjordânia, onde governa o FATAH, como em Gaza, onde governa o Hamas, e nas cidades controladas política e militarmente por Israel, como Haifa, Tel-Aviv e Jerusalém. 

Qual era a expectativa que os palestinos tinham em relação à esta ação humanitária? Já se esperava a retaliação?
O risco de retaliação já era esperado. Qualquer ação contra a violência praticada por Israel é uma ação bastante arriscada, pois o Estado de Israel é um Estado terrorista, com um governo nazi-sionista que não respeita os direitos humanos, nem as resoluções da ONU sobre a Questão Palestina, nem os mais elementares princípios do direito internacional humanitário. Mas nos diziam os palestinos que não acreditavam que a brutalidade sionista chegaria a tal ponto de assassinar a sangue frio os internacionalistas membros da missão humanitária. Esperavam dificuldades, como tentativas de bloqueio com os barcos israelenses e tentativa de prisão, mas esse uso de força extrema contra cidadãos de várias nacionalidades, em águas internacionais, realmente surpreendeu a todos. 

Há esperança de que esse episódio traga alguma mudança à Palestina? Ou mesmo o fim do cerco?
Com certeza. A estupidez e a brutalidade do governo de Israel só fortaleceu o apoio internacional à justa causa do povo palestino e à luta para garantir o fim do cerco militar e econômico à Gaza. Pessoas, movimentos e países do mundo inteiro condenaram Israel, e agora o mundo se levanta a favor do direito do povo palestino de ter seu próprio Estado. O governo do Egito, pressionado pelas massas populares, já abriu a fronteira com Gaza, e mais de 5 mil palestinos já a cruzaram nesses últimos dias. 

A abertura de fronteira não foi a única reação internacional ao ataque, a maioria dos países condenou duramente a ação israelense, as relações com a Turquia – até então amistosas – estão abaladas e a ONU determinou que se investigasse o ocorrido. Entretanto, analistas crêem que dificilmente Israel sofrerá alguma punição mais severa, dado o apoio que recebe dos Estados Unidos. Ainda assim, muitos países pediram o fim do cerco e os EUA declararam estar procurando “novas formas de lidar com Gaza”. No Brasil, a Câmara de Deputados realizará uma audiência, ainda sem data, sobre o ataque, serão ouvidos a cineasta brasileira Iara Lee, uma das sobreviventes do episódio, e o embaixador de Israel no país, Giora Becker. 

*Matéria originalmente publicada no blog de O Escrevinhador 

Ao longo da semana o blog de O Escrevinhador vai publicar o restante da entrevista com Marcelo Buzzeto.

Quem pode deter Israel

do site outraspalavras

 Quem pode deter Israel

Por Robert Fisk, no The Independent | Tradução: Caia Fittipaldi, de Vila Vudu

Israel perdeu? As guerras de Gaza em 2008-09 (com 1,3 mil mortos) e do Líbano, em 2006 (com 1.006 mortos); todas as outras guerras; e, agora, a matança da madrugada de segunda-feira significam que o mundo decidiu rejeitar os atos de Telavive? Não se deve esperar tanto. Mas algo novo certamente aconteceu.

Basta ler a desfibrada declaração da Casa Branca – segundo a qual o governo Obama estaria “trabalhando para entender as circunstâncias que cercam a tragédia”. Condenação? Nem uma palavra. E pronto. Nove mortos. Mais uma estatística, na matança no Oriente Médio.

Não: não é só mais uma estatística.

Em 1948, nossos políticos – norte-americanos e britânicos – estabeleceram uma ponte aérea para abastecer Berlim. Uma população faminta (nossos inimigos, havia apenas três anos) estava cercados por um exército brutal, os russos, que havia sitiado a cidade. O levante do cerco de Berlim foi um dos momentos altos da Guerra Fria. Nossos soldados e aviadores arriscaram e deram a vida por aqueles alemães mortos de fome.

Parece incrível, não é? Naqueles dias, nossos políticos decidiam; muitas vezes decidiram salvar vidas. O primeiro-ministro bitânico, Clement Attlee, e o presidente dos EUA, Harry Truman, sabiam que Berlim importava, tanto em termos morais e humanos quanto em termos políticos.

Hoje é gente comum quem decide viajar até Gaza. Europeus, norte-americanos, sobreviventes do Holocausto. Viajaram porque seus políticos e governantes os abandonaram. Falharam. Fracassaram.

Onde estavam os políticos e governantes na madrugada da segunda-feira? OK, ok, apareceram o ridículo Ban Ki-moon, secretário-geral da ONU, a declaração patética da Casa Branca e o caríssimo Tony Blair, com cara de “profunda lástima e choque ante a tragédia de tantas mortes”. Mas… E o premiê britânico, James Cameron? E o ministro Nick Clegg, seu pareceiro de coligação?

Em 1948, claro, teriam ignorado os palestinos, não resta dúvida. Há aí, afinal, uma terrível ironia: o levante do cerco de Berlim coincidiu exatamente com a destruição da Palestina árabe.

Mas é fato irrecusável de que a multidão — gente comum, ativistas, deem-lhes o nome que quiserem — é hoje quem toma as decisões que mudam o curso dos acontecimentos. Nossos políticos são desfibrados, sem espinha dorsal, covardes demais, para decidir as decisões que salvam vidas. Por que? Como chegamos a isso? Por que, ontem, não se ouviu palavra saída da boca de Cameron e Clegg (dentre outros, claro)?

Claro, também, sim, que se fossem outros europeus (ora essa! Os turcos são europeus, não são?) os metralhados naqueles barcos, por outro exército árabe (ora essa! O exército de Israel é exército árabe!), então, sim, haveria ondas e ondas de indignação e ultraje.

E o que tudo isso diz sobre Israel? A Turquia não é aliada muito próxima de Israel? E, de Israel, os turcos recebem o que receberam? Hoje, o único aliado que restava a Israel, no mundo muçulmano, fala de “massacre” – e Israel parece não dar qualquer importância ao que diga a Turquia.

Israel tampouco deu qualquer importância quando Londres e Canberra expulsaram os diplomatas israelenses, depois de Israel forjar passaportes britânicos e australianos, para, com eles, perpetrar o assassinato do comandante Mahmoud al-Mabhouh do Hamás. Tampouco deu qualquer importância aos EUA e ao mundo, quando anunciaram a construção de novas colônias exclusivas para judeus em terra ocupada em Jerusalém Leste, durante visita de Joe Biden, vice-presidente dos EUA, aliado-supremo de Israel. Se Israel não deu qualquer importância a esses aliados, por que daria alguma importância a alguém, hoje?

Como chegamos a esse ponto? Talvez porque já nos tenhamos habituado a ver israelenses matando árabes; talvez os próprios israelenses tenham-se viciado em matar árabes, até cansarem. Agora, matam turcos. E europeus.

Alguma coisa mudou no Oriente Médio, nas últimas 24 horas – e os israelenses, se se considera a resposta política extraordinariamente estúpida, pós-matança, não dão qualquer sinal de ter percebido a mudança. O que mudou é que o mundo, afinal, cansou-se das matanças israelenses. Só os políticos ocidentais não têm o que dizer, hoje. Só eles estão calados.

Mercosul deve romper acordo com Israel

do blog do Miro

Em reunião realizada nesta segunda-feira, em Buenos Aires, a mesa diretora do Parlamento do Mercosul aprovou nota de repúdio a Israel pelo ataque contra a frota de ajuda humanitária que se dirigia à Faixa de Gaza. O texto-base do documento foi proposto pelo deputado Dr. Rosinha (PT-PR), ex-presidente do Parlasul. Composta por parlamentares da Argentina, Paraguai, Uruguai e Brasil, a instância parlamentar também condenou o “cruel bloqueio” à Faixa de Gaza.

Íntegra da nota do Parlasul:

A Mesa Diretora do Parlamento do Mercosul vem a público manifestar a sua indignação contra a violência absurda e desnecessária praticada pelo Estado de Israel contra a chamada Frota da Liberdade, que pretendia levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Esse ato irracional de violência contra uma iniciativa humanitária e política absolutamente pacífica revela desprezo pela comunidade internacional e pelos princípios mais elementares do Direito Internacional Público. Deve-se salientar que o ataque desproporcional ocorreu ainda em águas internacionais.

Não basta lamentar as mortes e feridos, é necessária uma investigação internacional consistente que averigúe o incidente e leve à efetiva punição dos culpados pelo crime. A Mesa Diretora condena também o cruel bloqueio à Gaza, que pune indiscriminadamente crianças, mulheres e civis inocentes. Trata-se de uma violência que não condiz com os princípios e os motivos que levaram à criação do Estado de Israel.

O Parlamento do Mercosul expressa suas sentidas condolências aos familiares dos mortos e feridos da Frota da Paz e sua solidariedade à nação da Turquia, profundamente atingida pelo crime perpetrado. Por último, a Mesa Diretora do Parlamento Mercosul manifesta seu apoio às iniciativas de paz e diálogo no Oriente Médio, única forma viável e civilizada de por fim às tensões que prejudicam toda a ordem mundial.

Resposta do Parlasul é insuficiente

A rápida e incisiva resposta do Parlasul, porém, é insuficiente. Desde 4 de abril, está em vigência um acordo comercial entre o Mercosul e Israel. Ele foi aprovado após intensos debates, iniciados em 2005. Com ele, Israel tornou-se oficialmente o primeiro país fora do território sul-americano a integrar o bloco regional. Agora, diante de mais essa ação deplorável do estado sionista, seria justo rediscutir os termos deste tratado espúrio, que estimula a indústria da guerra, atenta contra a soberania dos povos palestinos e fere as leis internacionais e os direitos humanos.

Quando das negociações do acordo Mercosul/Israel, a organização não-governamental Stop the Wall (parem os muros) divulgou acalentado estudo sobre os crimes cometidos pelos estado sionistas de Israel e os equívocos deste tratado. Reproduzo trechos do seu documento:

A ocupação sionista dos territórios palestinos, a construção de assentamentos ilegais e do muro do apartheid, o deslocamento forçado de palestinos, o cerco e o ataque militar a Gaza, bem como a ofensiva a países vizinhos por parte do Estado de Israel, incorrendo rotineiramente em crimes de guerra, constituem drásticas violações dos princípios democráticos, dos direitos humanos e das leis internacionais. Essas violações foram assinaladas pelas agências das Nações Unidas, da Corte Internacional de Justiça e das organizações de direitos humanos.

Empresas envolvidas em crimes de guerra

Companhias como Mofet B’Yehuda obtêm seus lucros de instalações em assentamentos ilegais. A Elbit Systems e a Israel Aerospace desenvolvem e vendem armas, equipamentos e tecnologias usados para expandir a ocupação, cometer os crimes de guerra e violar os direitos humanos dos palestinos… O Tratado de Livre Comércio Mercosul/Israel prevê explicitamente a inclusão de produtos dos assentamentos. Não há nenhuma cláusula para impedir que companhias israelenses envolvidas em crimes de guerra e na violação da lei internacional se beneficiem do TLC.

A economia israelense baseia-se fortemente nos setores militar, de “segurança” e de “defesa”. Empresas que negociam com essas indústrias beneficiam-se da continuidade da ocupação e do apartheid. Elas podem testar armas, equipamentos e métodos que visam a supressão e controle de liberdades individuais e coletivas. Os seus métodos são aperfeiçoados e testados nos palestinos. Cerca de 600 empresas israelenses estão envolvidas com o setor de “segurança”, produzindo um montante anual de US$ 4 bilhões, 1/4 desses com exportações.

Acordo é contrário às normas internacionais

Em seu parecer de 2004, a Corte Internacional de Justiça determinou que Israel deveria demolir o muro ilegal e prover a reparação pelos danos causados às vítimas palestinas. Essa decisão foi adotada pela ONU na resolução ES-10/15 (de 20 de julho de 2004), e implica claras obrigações por parte de todos os estados signatários da Quarta Convenção de Genebra, segundo a qual todos os Estados têm a obrigação de não reconhecer a situação ilegal resultante da construção do muro e não prestar ajuda ou assistência à manutenção da situação criada por essa construção.

O muro é um modo primário de roubo e anexação de terra. Junto com os assentamentos, zonas militares, fossos e estradas secundárias, ele anexará de fato cerca de 50% das terras e recursos hidráulicos vitais da Cisjordânia, dividindo o território em seis guetos. Jerusalém será completamente fechada. O muro destrói milhares de árvores e pomares e serve de pretexto para extensivas demolições de casas. Funciona como ferramenta para induzir o deslocamento forçado de palestinos. Atualmente, cerca de 257 mil pessoas que vivem em 60 localidades da Cisjordânia estão ameaçadas de deslocamento caso o muro não seja imediatamente demolido.

Israel ignorou o parecer da Corte Internacional de Justiça de 2004 e as resoluções das Nações Unidas relacionadas ao muro: sua construção está em andamento, com cerca de 500 dos 790 quilômetros totais de comprimento já edificados. As graves e flagrantes violações seguem com ímpeto, portanto, e assim outras dezenas de vilarejos e centenas de milhares de pessoas terão suas terras subtraídas e seus meios de subsistência destruídos… Conceder a Israel um Tratado de Livre Comércio sob as condições atuais equivale a ratificar a recusa de Israel à autodeterminação do povo palestino e as repetidas guerras de agressão contra os povos da região.

Acordo fere princípios do Mercosul

O Protocolo de Assunção sobre compromisso com a promoção e proteção dos direitos humanos do Mercosul (junho de 2005) declara que democracia, desenvolvimento e respeitos aos direitos humanos e liberdades fundamentais são interdependentes. No artigo 4º da declaração sobre os direitos humanos dos presidentes do Mercosul e estados associados (dezembro de 2005), os estados-membros “reafirmam o compromisso com o respeito, proteção e promoção dos direitos humanos, com base nos princípios da universalidade, indivisibilidade e interdependência dos direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais; e se comprometem a aplicar as políticas públicas para assegurar seu exercício efetivo.

Ao firmar o TLC com Israel, o Mercosul infringe seus preceitos de promoção e respeito aos direitos humanos e seu entendimento da interdependência entre a tomada de decisões políticas e econômicas. Israel não respeita os direitos humanos e liberdades fundamentais. O TLC entre o Mercosul e Israel tornará o sistema israelense de violações dos direitos humanos mais lucrativo e sustentável… O Tratado de Livre Comércio, como se apresenta, inclui explicitamente produtos provenientes dos assentamentos ilegais e não possui cláusula alguma que assegure que empresas envolvidas nos crimes de guerra israelenses não se beneficiem do acordo.

O Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul serve para minar os direitos humanos, na medida em que dá suporte a um violador serial de direitos humanos. O tratado, bem como a continuidade das relações econômicas com Israel, efetivamente sanciona e promove as violações de direitos humanos perpetradas por Israel, ao torná-las aceitáveis e lucrativas. O Brasil e o Mercosul devem pressionar Israel a respeitar os direitos humanos, recusando-se a ratificar o TLC.

Israel: novo massacre humanitário?

do blog do EMIR

Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.

Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?

Israel tentou vender armas nucleares para a África do Sul à época do apartheid.

do portal G1

Israel tentou vender armas nucleares para a África do Sul, diz jornal

Periódico britânico ‘The Guardian’ diz ter obtido documentos secretos.

Segundo o jornal, país tentou vender armas ao regime do apartheid.

Do G1, em São Paulo

O jornal britânico “The Guardian” informa em uma reportagem desta segunda-feira (24) que obteve documentos secretos que mostram que agentes de Israel tentaram vender armas nucleares ao regime do apartheid na África do Sul, numa prova de que o país mantém armas nucleares em seu arsenal.

Os documentos são minutas de reuniões realizadas em 1975 entre o ministro da Defesa da África do Sul, PW Botha, e sua contraparte israelense, Shimon Peres, hoje presidente de Israel. Quando perguntado sobre mísseis do arsenal israelense, Peres responde dizendo que é possível obtê-los “em três tamanhos diferentes”.

Obtidos pelo acadêmico americano Sasha Polakow-Suransky, os documentos são a primeira fonte oficial a citar as armas nucleares de Israel. As reuniões de 1975 chegaram a gerar um acordo de cooperação militar secreto entre os dois países, informam os documentos.

No livro “The unspoken alliance: Israel’s secret alliance with apartheid South Africa” (“A aliança silenciaosa: a aliança secreta de Israel com a África do Sul do apartheid”), que será lançado nesta semana nos EUA, Polakow-Suransky afirma que o governo israelense negociou mísseis “Jericho”, capazes de carregar ogivas nucleares, com a África do Sul.

Segundo o autor, Israel tentou impedir o governo sul-africano de divulgar os documentos. “O ministro da Defesa israelense tentou bloquear meu acesso ao acordo secreto, alegando que isso era material sensível, especialmente pela data e por causa de quem o assiinou”, contou Polakow-Suransky. “Os sul-africanos pareceram não se importar tanto, eles censuraram algumas linhas e me entregaram os documentos. O governo atual não parece muito preocupado em esconder a roupa suja dos antigos aliados do regime do apartheid.”

Por Márcia Silva Postado em Israel