Para compreender melhor o Irã

 

POR MARCIA CAMARGOS

Muito se tem falado sobre direitos humanos no Irã. O caso de Sakineh Ashtiani, presa em maio de 2006, acusada de adultério e envolvimento no assassinato do marido, levantou uma onda de protestos.
Ora, por mais abominável que seja sua condenação à morte por lapidação, comutada para forca ou prisão perpétua, é preciso notar como a mídia se mostrou tão indignada perante essa pena, mas complacente com as execuções nos Estados Unidos e cega diante das graves violações na Arábia Saudita, nos Emirados Árabes, no Egito e em outras nações aliadas do Ocidente.
Isso sem mencionar Guantánamo e Abu Ghraib, os ilegais “assassinatos dirigidos” e os mais de 7.000 prisioneiros políticos mantidos pelo Estado de Israel, inúmeros dos quais como “presos administrativos”, sem acusação formal ou processo na Justiça.
Na esteira do endosso ao isolamento do Irã, a imprensa tampouco informa sobre a resistência interna.
Dela participam clérigos não vinculados ao governo, que pregam uma reforma no sistema legal dentro das normas do islã. De acordo com Shirin Ebadi, advogada iraniana e Prêmio Nobel da Paz, o apedrejamento tem sido criticado, há tempos, por uma série de juristas islâmicos, notadamente o aiatolá Yousef Saanei.
Para além da falta de divulgação da dissidência no Irã, o fato é que a retórica de guerra dos Estados Unidos e da Europa, bem como sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança da ONU, atrapalha o avanço do movimento de contestação ao regime.
Ao não dar voz aos que lutam por mudanças no âmbito doméstico, transmite-se a ideia de que a solução passaria por uma pressão ou “castigo” da comunidade internacional. Por trás disso esconde-se a noção colonialista de que os iranianos precisam do Ocidente para seu bem-estar e proteção.
Nesse contexto, a propaganda em torno de Sakineh ganha uma importância estratégica mundial, no sentido de convencer a opinião pública a enxergar com olhos favoráveis um eventual ataque ao Irã.
Qualquer tipo de sanção, porém, está fincada em razões econômicas, e não em questões humanitárias. Na verdade, diz respeito ao programa nuclear iraniano, cuja origem é igualmente “esquecida” pela mídia. Cabe lembrar que ele surgiu no final da década de 1950 e só passou a ser combatido após a substituição do governo colaboracionista do xá Reza Pahlavi pelo do aiatolá Khomeini, em 1979.
Antes disso, o país, que comprava combustível nuclear dos EUA, ergueu em 1967 seu primeiro Centro de Pesquisas Nucleares de Teerã e planejou a construção de até 20 usinas nucleares por orientação do Stanford Institute, indicando a necessidade de produzir 20 mil megawatts de energia atômica até 1994.
A partir da Revolução Islâmica, os Estados Unidos suspenderam o apoio, barraram a cooperação com empresas francesas e alemãs e impediram acordos com China, África do Sul e Argentina, alegando que o programa tinha finalidade bélica.
No entanto, os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica, que monitoram o Irã desde 2002, não encontraram evidência da sua capacidade iminente de produção de armas nucleares.
Conclusão semelhante não impediu a invasão do Iraque.

MARCIA CAMARGOS é jornalista com pós-doutorado em história pela USP e autora do livro “O Irã sob o Chador”, relato da sua viagem ao país em 2008.

Por Márcia Silva Postado em Irã

Irã , a guerra de Obama

do site correio da cidadania

Irã, a guerra de Obama
Escrito por Atilio A. Boron   
23-Jul-2010
 Amitai Eztioni é um dos sociólogos mais influentes do mundo. Nascido na Alemanha e emigrado a Israel nos anos fundacionais deste Estado, radicou-se tempo depois nos EUA, onde iniciou uma longa carreira acadêmica que o levou a transitar por várias das mais prestigiosas universidades do país: Berkeley, Columbia, Harvard, até culminar nos últimos anos em Washington D.C. como professor de Relações Internacionais da Universidade George Washington (GWU). Mas suas atividades não se limitaram a claustros universitários: foi um permanente homem de consulta de diversos presidentes norte-americanos, especialmente James Carter e Bill Clinton. E desde o 11 de setembro, com o auge do belicismo, sua voz ressoou com crescente força no establishment estadunidense. Há poucos dias ofereceu um novo exemplo disso.

 Incondicional apologista do Estado de Israel, acaba de publicar na Military Review, uma revista especializada do Exército dos Estados Unidos, um artigo que põe em evidência o “clima de opinião” que prevalece na direita norte-americana, no complexo militar-industrial e nos mais altos escalões da administração, muito especialmente no Pentágono. O título do artigo diz tudo: “Um Irã com armas nucleares pode ser dissuadido?” A resposta, folga esclarecer, é negativa. Tal publicação não poderia chegar em momento mais oportuno para os guerreiristas estadunidenses, quando reiteradas informações – silenciadas pela imprensa que se autodenomina ‘livre’ ou ‘independente’ – falam do deslocamento de navios de guerra norte-americanos e israelenses através do Canal de Suez e em direção ao Irã, o que faz temer pela iminência de uma guerra.

 Em várias de suas últimas “Reflexões”, o Comandante Fidel Castro havia advertido, com sua habitual lucidez, sobre as sombrias implicações da escalada desatada por Washington contra os iranianos, cuja pauta não difere em seu caráter anedótico daquela utilizada para justificar a agressão ao Iraque: assédio diplomático, denúncias à ONU, sanções cada vez mais rigorosas do Conselho de Segurança, “desobediência” de Teerã e o inevitável desenlace militar.

 As sombrias previsões do Comandante parecem otimistas em relação ao que propõe este tenebroso ideólogo dos falcões norte-americanos. Em uma entrevista concedida na terça-feira passada a Natasha Mozgovaya, correspondente do jornal israelense Haaretz nos EUA, Etzioni ratifica o que foi expressado na Military Review, a saber: o Irã pretende construir um arsenal nuclear e isso é inaceitável. A única opção é um exemplar ataque militar e é preferível desatá-lo um mês antes e não dez dias depois de que o satanizado Irã disponha da bomba atômica.

 Em seu artigo, o professor da GWU insiste em assinalar que qualquer outra alternativa deve ser descartada: a diplomacia fracassou; as sanções da ONU carecem de eficácia; bombardear as instalações nucleares não mudaria muito as coisas porque, segundo declarações do Secretário de Defesa Robert Gates, só se conseguiria atrasar o avanço do projeto atômico iraniano por três anos; e, por último, a dissuasão não funciona com “atores não racionais” como o atual governo do Irã, dominado pelo irracionalismo fundamentalista que contrasta com a moderação e racionalidade de governantes israelenses que assassinam ativistas humanitários em pleno Mediterrâneo. Por conseguinte, a única coisa realmente eficaz é destruir a infra-estrutura do Irã a fim de impossibilitar a continuidade de seu programa nuclear.

 Esse ataque, agrega, “poderia ser interpretado por Teerã como uma declaração de guerra total”, mas como as tentativas de diálogo ensaiadas por Obama fracassaram é urgente e imprescindível adotar medidas drásticas se os EUA não quiserem perder seu predomínio no Oriente Médio para o país persa. Por suas grandes reservas petrolíferas – superadas somente pelas da Arábia Saudita e Canadá e muito superiores às do Iraque, Kuwait e Emirados Árabes – o Irã excita a ânsia de rapinagem do imperialismo norte-americano, que com 3% da população mundial consome 25% da produção global de petróleo.

 Além do mais, não há que se esquecer que a guerra é o principal negócio do complexo militar-industrial, de modo que para sustentar seus lucros é preciso utilizar e destruir aviões, foguetes, helicópteros etc. Assim, a diabólica dupla formada pela “guerra preventiva” e a “guerra infinita” continua desabalada em seu curso, agora sob a presidência de um Prêmio Nobel da Paz, cujo servilismo a interesses tão obscuros unido à sua falta de coragem para honrar tal distinção coloca a humanidade à beira de um abismo.

 Atilio A. Boron é diretor do PLED, Programa Latinoamericano de Educación a Distancia em Ciências Sociais, Buenos Aires, Argentina.  

Website: http://www.atilioboron.com/.

 Traduzido por Gabriel Brito, jornalista.

Irã pede novamente aos EUA que cesse apoio ao terrorismo

do site prensa latina

 
20 de julio de 2010, 09:31Teerã, 20 jul (Prensa Latina) Irã pediu novamente hoje aos Estados Unidos e aos países europeus que cessem o apoio ao terrorismo, uma prática que -assegurou- contradiz os próprios princípios que defendem aqueles que se autoproclamam defensores da paz.

  O porta-voz do Ministério iraniano de Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, aconselhou as potências ocidentais dizendo que é “melhor deixarem de respaldar os terroristas, em vez de lhes dar proteção em seus territórios e os fortalecer”.

Durante seu habitual briefing semanal com a imprensa creditada em Teerã, o porta-voz reiterou as acusações do presidente Mahmoud Ahmadinejad e de outras autoridades persas sobre a responsabilidade de Washington e seus aliados no duplo atentado de Zahedan.

Ahmadinejad, o líder supremo do Irã, ayatolah Ali Khamenei, e o titular do parlamento, Ali Larijani, afirmaram que os Estados Unidos promoveu e realizou os bombardeios, tendo em conta seus velhos vínculos com o grupo radical sunita Jundullah, que reivindicou o ataque.

Na quinta-feira passada morreram 27 pessoas e outras 270 ficaram feridas pela detonação de duas bombas em frente à Grande Mesquita de Zahedan, capital da província de Sistan-Baluchestan, fronteiriça com o Paquistão e Afeganistão.

A referida milícia é uma das mais ativas que opera a partir do Paquistão para desestabilizar o Irã com apoio de militares norte-americanos e da Agência Central de Inteligência (CIA), segundo confissões de seus próprios líderes e documentos do governo iraniano.

Apesar da Casa Branca negar esses vínculos, Abdolmalek Rigi, líder de Jundullah executado em junho passado, reconheceu que tinha recebido financiamento do governo estadunidense e, de fato, foi capturado em fevereiro depois de se reunir em Dubai com agentes da CIA.

Mehmanparast desafiou as nações ocidentais a explicarem por que fornecem assistência financeira, logística e treinamento a grupos terroristas como Jundullah (Soldados de Deus), se dizem que realmente se opõem ao terrorismo.

Depois de definir a República Islâmica como a maior vítima do terrorismo, o porta-voz da chancelaria opinou que se necessita de um “sério trabalho” para erradicar esse flagelo e o extremismo, e para isso estão em marcha conversas com o Paquistão, afirmou.

Recordou que Teerã exortou em várias ocasiões Islamabab a tomar medidas para impedir a entrada neste país persa de irregulares armados com a missão de executar ataques violentos.

mv/ucl/es

Modificado el ( martes, 20 de julio de 2010 )

Um acordo (com o Irã) e seis verdades

José Luís Fiori, no Valor Econômico
“A mediação bem sucedida de Lula com o Irã alçaria o Brasil no cenário mundial.” O Globo, 16 de maio de 2010, p. 38.

Na terça feira, 18 de maio de 2010, foi assinado o Acordo Nuclear entre o Brasil, a Turquia e o Irã, que dispensa maiores apresentações. E como é sabido, quarenta e oito horas depois da assinatura do Acordo, os Estados Unidos propuseram ao Conselho de Segurança da ONU, uma nova rodada de sanções ao Irã, junto com a Inglaterra, França e Alemanha, e com o apoio discreto da China e da Rússia.
Apesar da rapidez dos acontecimentos, já é possível decantar algumas verdades no meio da confusão:

1) A iniciativa diplomática do Brasil e da Turquia não foi uma “rebelião da periferia”, nem foi um desafio aberto ao poder americano. Neste momento, os dois países são membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e desde o início contaram com o apoio e o estímulo de todos os cinco membros permanentes. Além disso, as diplomacias brasileira e turca estiveram em contato permanente com os governos desses países durante a negociação. A Turquia pertence à OTAN, e abriga em seu território armas atômicas norte-americanas. E o presidente Lula recebeu carta de estímulo do presidente Barack Obama, duas semanas antes da assinatura da visita de Lula, e a secretária de Estado norte-americana declarou – na véspera do Acordo – que se tratava da “última esperança” de solucionar de forma diplomática a “questão nuclear iraniana”.

2) O que provocou surpresa e irritação em alguns setores, portanto, não foram as negociações, nem os termos do acordo final, que já eram conhecidos. Foi o sucesso do presidente brasileiro que todos consideravam impossível ou muito improvável. Sua mediação viabilizou o acordo, e ao mesmo tempo descalçou a proposta de sanções articulada pela secretária de Estado americana depois de sucessivas concessões à Rússia e à China. E, além disso, criou uma nova realidade que já escapou ao controle dos Estados Unidos e seus aliados, e do Brasil e Turquia.

3) A reação americana contra o Acordo foi rápida e ágil, mas o preço que os Estados Unidos pagarão pela sua posição contra esta iniciativa pacifista será muito alto. Perdem autoridade moral dentro das Nações Unidas e perdem credibilidade entre seus aliados do Oriente Médio, com a exceção de Israel, por razões óbvias. E já agora, passe o que passe, o Brasil e a Turquia serão uma referência ética e pacifista, em todos os desdobramentos futuros deste contencioso.

4) Existe consenso que a estrutura de governança mundial estabelecida depois da II Guerra Mundial, e reformulada depois do fim da Guerra Fria, já não corresponde à configuração do poder mundial. Está em curso uma mudança na distribuição dos recursos do poder global, mas não se trata de um processo automático, e dependerá muito da capacidade estratégica e da ousadia dos governos envolvidos nesse processo de transformação. O Oriente Médio faz parte da zona de segurança e interesse imediato da Turquia, mas no caso do Brasil, foi a primeira vez que interveio numa negociação longe de sua zona imediata de interesse regional, envolvendo uma agenda nuclear, e todas as grandes potências do mundo. A mensagem foi clara: o Brasil quer ser uma potência global e usará sua influência para ajudar a moldar o mundo, além de suas fronteiras. E o sucesso do Acordo já consagrou uma nova posição de autonomia do Brasil, com relação aos Estados Unidos, Inglaterra e França e, também, com relação aos países do Bric.

5) O acordo seguirá sendo a melhor chance para prevenir um conflito militar em todo o Oriente Médio. As sanções em discussão são fracas, já foram diluídas, não são totalmente obrigatórias, e não atingirão a capacidade de resistência iraniana. Pelo contrário, se foram aprovadas e aplicadas, liberarão automaticamente o governo do Irã de qualquer controle ou restrição, diminuirão o controle norte-americano e da AIEA, acelerarão o programa nuclear iraniano e aumentarão a probabilidade de um ataque israelense. Porque os Estados Unidos já estão envolvidos em duas guerras, e não é provável que a OTAN assuma diretamente esta nova frente de batalha, a despeito do anti-islamismo militante, dos atuais governos de direita, da Alemanha, França e Itália.

6) Por fim, o jornal “O Globo” foi quem acertou em cheio, ao prever – com perfeita lucidez – na véspera do Acordo, que o sucesso da mediação do presidente Lula com o Irã projetaria o Brasil, definitivamente, no cenário mundial. O que de fato aconteceu, estabelecendo uma descontinuidade definitiva com relação à política externa do governo FHC, que foi, ao mesmo tempo, provinciana e deslumbrada, e submissa aos juízos e decisões estratégicas das grandes potências.
José Luís Fiori é professor titular de economia política internacional do Núcleo de Estudos Internacionais da UFRJ, e co-autor do livro “O Mito do Colapso do Poder Americano”, da Editora Record, 2008. Escreve mensalmente às quartas-feiras

Beto Almeida: Alguns recados do Irã: a paz invadiu o meu coração

do site pátria latina

 
  Publicada no Correio de Caros Amigos Após o anúncio do acordo construído entre Brasil, Irã e Turquia para evitar que a nação persa sofra novas sanções ou que tenha que renunciar ao seu direito de desenvolver a tecnologia nuclear para fins pacíficos, já se nota em certos segmentos políticos e midiáticos brasileiros uma tentativa de desmerecer a importância da iniciativa do Presidente Lula que conseguiu apoio também da Rússia e da China. Por isso mesmo vale colocar em realce  -  como já tem feito a imprensa internacional  -  os desdobramentos políticos que o Acordo Nuclear Brasil-Irã-Turquia  poderá promover. A viagem de Lula à Teerã foi cercada de imenso ceticismo, silencioso ou declarado, como o da Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton que disse que o presidente brasileiro iria ter que enfrentar uma montanha de problemas, desacreditando do êxito de sua empreitada. É como se não soubesse que Lula, desde que nasceu, enfrentou os mais montanhosos e espinhosos problemas que seres humanos pobres, nascidos no Nordeste, foram obrigados a enfrentar, a começar por vencer a pena de morte a céu aberto que executava crianças nordestinas pela fome dia-a-dia, fenômeno político denunciado com franqueza e precisão por outro nordestino mundialmente respeitado, Josué de Castro. Na mesma linha, o  chanceler francês -  que não acredita que o fim da tarde é lilás  – chegou a afirmar de modo deselegante e desrespeitoso, que Lula seria embromado pelos iranianos, sendo obrigado a corrigir-se e a desculpar-se por orientação do  presidente Sarkozy, este talvez mais pragmático e interessado na bilionária venda dos aviões Rafale para o Brasil. O Acordo é uma lição para muita gente. Não seria petulante afirmar que o episódio constitui grande recado para o presidente dos EUA, Barack Obama. Afinal, não deveria ser dele, Prêmio Nobel da Paz, a iniciativa principal  de promover o diálogo, insistir em saídas pacíficas, apostar em soluções cooperativas, ao invés de falar precipitadamente na lógica das  sanções que, obviamente, são muito interessantes para as encomendas da indústria bélica? Talvez por ser prisioneiro do Complexo-Militar-Industrial, denunciado por um ex-presidente dos EUA, Obama ainda não demonstrou claramente estar o Prêmio nas mãos mais adequadas…. 

O acordo firmado entre Lula, Ahmadinejad e o chanceler turco Ebergan manda recados também para o Conselho de Segurança da ONU, que, antes mesmo de explorar as possibilidades de uma saída pelo diálogo e que não implicasse no veto aos países que  -  como o Irã e o Brasil, entre outros   -      estão desenvolvendo tecnologias nucleares para finalidades pacíficas, deu péssimo exemplo de intolerância e prepotência ao mundo. O Conselho só tem falado em sanções, em ameaças, sem sequer referir-se ao fato que a via das sanções aplicadas por ele até hoje tem resultado, fundamentalmente,  em castigos militares de gigantescos sofrimentos, perdas de vidas, destruição e rigorosamente nenhuma solução, como se observa no Afeganistão e no Iraque.Embora o impacto internacional positivo seja inegável, o Acordo traz ingredientes novos para o debate político brasileiro já que o candidato oposicionista, José Serra, manifestou-se de maneira negativa à viagem de Lula ao Irã, afirmando que nem iria lá, nem convidaria o presidente iraniano a vir ao Brasil. Se o objetivo é buscar soluções negociadas, por meio de conversações complexas e delicadas, como podem Obama, o chanceler francês, o Conselho da ONU e José Serra não privilegiarem o diálogo direto com a parte envolvida, o Irã, para se alcançar a paz? Sintonia entre tucanos e falcões….

 Beto Almeida* 
Para a mídia sobram muitas lições, sobretudo para grande parte da mídia brasileira que, desde o anúncio da viagem de mandatário brasileiro à antiga Pérsia encontrou inúmeras qualificações negativas e pessimistas para a iniciativa, algumas de escassa qualificação, como aquelas que davam a entender que o  “ Lula não se enxerga”, ou que “isto é apenas uma bravata”. Ou , então, que seria pretensioso acreditar que o Brasil poderia ter alguma importância na solução de um problema de tão grande porte e tão distante. Uma por uma estas conceituações midiáticas, provavelmente eivadas de uma certa dose de preconceito, foram, pouco a pouco, desmanchando-se no ar. Agora, até mesmo os mais pessimistas admitem que o Acordo reveste-se de importância altamente relevante e que é uma vitória de Lula e da política externa brasileira independente e soberana. O mundo inteiro está discutindo o gesto brasileiro e rejeitá-lo será altamente desgastante para eles, sobretudo para o Prêmio Nobel da Paz.

 O curioso é que esta mesma mídia reconhece e destaca o protagonismo de outro brasileiro, Oswaldo Aranha, quando das gestões feitas para a criação de Israel, há décadas. Mas, agora, quando Lula insiste em ter voz ativa, convocando ou até mesmo desafiando as grandes potências a empenharem-se  na via pacífica seja para o Irã, para o Iraque, como também , por desdobramento, para a Questão Palestina, nenhum reconhecimento. O difícil mesmo é acreditar que tanto o Prêmio Nobel da Paz, como os demais dirigentes dos países ricos, tenham coragem em apostar em caminhos que contrariem a indústria bélica. Coragem, que Lula, em sua dialética de retirante, tem demonstrado ter de sobra.

 *Beto Almeida,
 Membro da Junta Diretiva da Telesur

Por Márcia Silva Postado em Irã

Irã afirma que vai notificar a agência da ONU sobre o acordo nuclear na 2ª

Do G1, com agências internacionais

Pacto foi assinado no começo da semana sob mediação de Brasil e Turquia.
Ele não deteve plano de novas sanções das potências contra Teerã.

O Irã vai entregar na segunda-feira (24) à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) da ONU uma carta oficial sobre os termos do acordo de intercâmbio de material nuclear, mediado nesta semana por Brasil e Turquia, disse a agência estatal de notícias Irna nesta sexta-feira.

Pelo acordo anunciado pelos líderes dos três países, o Irã se compromete a enviar à Turquia em um mês 1.200 quilos de urânio baixamente enriquecido para receber em troca, um ano depois, urânio enriquecido a 20 por cento para alimentar um reator de pesquisas médicas em Teerã.

O acordo foi feito para atenuar as preocupações dos Estados Unidos e de seus aliados de que a atividade iraniana de enriquecimento está voltada para o desenvolvimento secreto de armas nucleares.

ahmadinejad
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, durante compromisso no palácio presidencial, em Teerã, na terça-feira (18).  (Foto: AFP)

Mas a medida não convenceu as potências ocidentais, que continuam se mobilizando por uma quarta rodada de sanções à República Islâmica.

Nesta sexta-feira, em Istambul, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que ainda espera que o acordo possa abrir caminho para uma solução negociada.

“Após o anúncio conjunto de Irã, Turquia e Brasil, o embaixador permanente do Irã junto à Agência Internacional de Energia Atômica anunciou que o país está pronto para submeter a carta (…) na segunda-feira ao chefe da agência, Yukiya Amano”, disse a Irna.

Teerã diz que seu programa nuclear está voltado exclusivamente para fins civis, mas que não vai abrir mão de dominar a tecnologia de enriquecimento de urânio. A proposta de intercâmbio de material nuclear foi feita inicialmente em outubro pela ONU.

Turquia, Brasil e Irã defendem que o acordo anunciado nesta semana deveria bastar para paralisar a discussão sobre novas sanções, cujo esboço já foi apresentado ao Conselho de Segurança da ONU pelas principais potências, incluindo China e Rússia. Governos ocidentais dizem que o Irã está apenas tentado ganhar tempo.

As novas sanções devem ter como alvo os bancos iranianos, além de criar um regime de inspeção de navios suspeitos de transportarem itens ligados aos programas nuclear e de mísseis do país.

O Irã diz que a proposta de resolução carece de legitimidade.

Por Márcia Silva Postado em Irã

Por que Washington rejeita a paz

site outras palavras

(Por Antonio Martins)

O desfecho da disputa que Estados Unidos e Irã travam, em torno da energia nuclear, tornou-se imprevisível, após uma série de reviravoltas diplomáticas. Tão logo Brasil e Turquia anunciaram, em 16 de maio, um acordo que cria espaço para entendimento, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, saiu a campo para bombardear a iniciativa. Na manhã desta terça-feira (18/5), ela anunciou, no Comitê de Relações Exteriores do Senado dos EUA, ter costurado com Rússia e China um rascunho de resolução contra Teerã, a ser submetido ao Conselho de Segurança da ONU. Apesar de ter aprovação aparente dos cinco membros-permanentes do conselho, a aprovação desta proposta é incerta. Tanto a articulação brasileiro-turca quanto a resposta-relâmpago do governo Obama são fatos novos e surpreendentes, que ajudam a revelar traços da conjuntura global que se abre na virada da década.

1.

Revelado no final da noite de segunda-feira, o texto anunciado por Hillary é, como afirmou a própria secretária, particularmente “duro”. As sanções previstas transformam o Irã, na prática, num Estado-pária. Fica proibido de construir instalações de enriquecimento de urânio (algo que o Tratado de Não-Proliferação Nuclear – TNP – considera um direito de qualquer país). É interditado de atividades banais (como a mineração de urânio). As nações são impedidas de vender-lhe oito tipos de armamentos convencionais (os mesmos oferecidos a todos os seus vizinhos), e mesmo de fornecer assistência técnica e treinamento militares.

Estabelecem-se, além disso, constrangimentos humilhantes. Barcos com destino ao Irã podem ser inspecionados em alto-mar. Fundos iranianos no exterior tornam-se passíveis de bloqueio, bastando para isso que algum Estado ofereça “bases razoáveis para acreditar” que o negócio “poderia contribuir” para que Teerã livre-se das sanções.

A proposta de Hillary obriga os EUA a renegar posições já assumidas, afronta possíveis aliados e tende a ampliar a oposição e o ressentimento contra Washington, em especial no mundo árabe. Os compromissos que que Brasil e Turquia convenceram o Irã a assumir são, em essência, idênticos ao que os EUA exigiam de Teerã, em outubro último. Brasília e Ancara apostaram que, na condição de países do Sul, não-hostis ao Irã, teriam maiores chances de obter um compromisso. Esta tentativa foi comunicada previamente à Casa Branca – que a encorajou, em palavras.

Ao renegar esta atitude, Washington sugere que não desejava, no ano passado, um entendimento: fazia apenas uma provocação. Ainda mais porque as novas ameaças contrastam com o prolongado apoio norte-americano a Israel – que mantém e desenvolve armas nucleares e se recusa a assinar o TNP.

Na manhã de quarta-feira (19/5), surgiram, aliás, os primeiros sinais de que a tramitação do texto, no Conselho de Segurança, poderá ser lenta, complexa e desgastante para os EUA. Embora admitisse que seu país participou da redação do esboço de Hillary, o embaixador chinês na ONU, Li Badong, fez ressalvas. “Fazer circular este rascunho não significa que as portas para a diplomacia estão fechadas (…) Acreditamos que o diálogo, a diplomacia e as negociações são a melhor maneira de lidar com a questão iraniana”.

Brasil e Turquia mantiveram-se firmes, anunciando que enviarão ao Conselho de Segurança um relato de suas gestões, que julgam suficientes para colocar o debate em novo tom. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, afirmou que, após os sinais de boa-vontade emitidos por Teerã “não há nenhum motivo para manter uma linha de pressões e sanções”.

Na própria sociedade norte-americana, não parece haver unanimidade em favor da postura de ameaças e confrontos. Na manhã de quarta-feira (19/5), uma ampla maioria dos leitores do New York Times pronunciava-se de forma francamente crítica a nova cartada da Casa Branca. O jornal elogiou Hillary Clinton em editorial. Mas na página de comentários aberta aos internautas, todas as dez opiniões mais pontuadas estavam contra as sanções. Um comentário emblemático perguntava: “Por que será que estou me tornando mais inclinado a acreditar em propostas feitas por países como a Turquia e o Brasil que nas manifestações de China, Rússia e Estados Unidos”?

Nove votos, entre os quinze países que compõem o Conselho de Segurança, são necessários para aprovar sanções. Há enormes probabilidades de que Brasil, Turquia e Líbano rejeitem a resolução articulada pelos EUA. Ainda que os cinco membros permanentes confirmem adesão à proposta de Hillary, será preciso cabalar mais quatro apoios, entre os sete integrantes que faltam (Áustria, Bósnia, Gabão, Japão, México, Nigéria e Uganda). O sucesso é duvidoso. A maior parte dos que se atrevem a fazer previsões imaginam que as negociações deverão se estender até julho.

2.

Por que, então, a sofisticada Hillary Clinton agiu tão brusca e rudemente? Dois textos publicados em Outras Palavras ajudam a encontrar respostas. Em A política de desarmamento de Obama, que foi ao ar no final de abril, o economista José Luís Fiori aponta como o presidente “mudou de foco”, depois de enfrentar o primeiro ano de crise econômica profunda, resistências no Congresso, movimentos sociais ultra-conservadores e queda de popularidade.

Ao menos no momento, tais pressões conduziram o homem do Yes, we can, à condição de um aplicador do business as usual (“o mesmo de sempre”). As esperanças de um poder norte-americano benévolo, que ele espalhou pelo mundo em sua campanha eleitoral, reduziram-se a retórica. Diante da crise – e talvez da falta de mobilização, em seu país, para políticas progressistas – o presidente passou a reconhecer, nas palavras de Fiori, que “o poder militar é indispensável à reconstrução da economia dos EUA”; que estes “não abdicarão do poder global que já conquistaram”, nem “de sua expansão futura”.

Em O plano militar do Pentágono, o jornalista Jack A. Smith parte de análise semelhante, e investiga em especial seus desdobramentos militares. Smith disseca dois documentos oficiais sobre estratégia publicados já no mandato de Obama. Trata-se do Relatório Quadrienal da Revisão de Política de Defesa (Quadriennial Defense Review Report, QDR, de fevereiro de 2010) e a a Revisão da Política Nuclear (Nuclear Posture Review, NPR, de abril de 2010).

O novo governo, mostra o estudo, não se limitou a aprovar, um orçamento militar que é superior ao de todos os demais países do mundo somados, e supera inclusive o recorde de George W. Bush (741 bilhões de dólares no ano fiscal de 2011, contra US$ 651 bi em 2009). Ele formulou um leque de objetivos que acentuará, se alcançado, o aspecto militar da supremacia mundial norte-americana.

O apoio na força bélica está explícito no QDR. O relatório proclama que “os interesses dos EUA e seu papel no mundo exigem forças armadas com capacidades superiores a tudo o que se conhece”. Defende “o domínio continuado das forças armadas norte-americanas, nas guerras de larga escala de exército contra exército”. Traduz tais propósitos num vasto elenco de metas militares: “Expandir as capacidades de ataque a longa distância; explorar as vantagens das operações subterrâneas; garantir acesso ao espaço e ao uso de recursos espaciais; aumentar a robustez de capacidades-chave de Inteligência, Vigilância e Reconhecimento; derrotar sistemas inimigos de sensores; aumentar a presença e a prontidão de resposta das forças dos EUA, em todo o mundo”.

3.

Em suma, a virada de Obama equivale a aceitar como projeto, conforme sumariza Fiori, “o congelamento da atual hierarquia do poder militar mundial”. Diante de tal propósito, e das armas e orçamentos mobilizados para alcançá-lo, a iniciativa pacifista e distensionadora de Brasil e Turquia só poderia ser encarada pelos EUA como… um disparate inaceitável. Que restará da estratégia de supremacia mundial com base nas armas, se puder ser desarmada, à primeira crise, por dois países de poder bélico menor, sem assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e detentores de PIBs que, somados, não chegam a 1/5 do norte-americano?

Significa, então, que apesar de suas boas intenções, a cartada de Brasília e Ancara foi imprudente e irrealista? As próximas semanas serão muito reveladoras, mas muitos fatores indicam que a respostas é não.

Primeiro, porque continua cada vez mais atual a frase atribuída a Bonaparte: é possível fazer qualquer coisa com baionetas, exceto sentar-se sobre elas. Qualquer poder que se apoia nas armas emite um sinal de fraqueza. País mais endividado do planeta, candidato a perder em poucas décadas a liderança econômica, os Estados Unidos parecem imitar, com a estratégia de poder que praticam, a trajetória de declínio descrita pela Inglaterra, a partir do final do século 19.

Segundo, porque a simples ousadia brasileiro-turca, a intensa repercussão que encontrou e as possibilidades reais de que tenha sucesso no Conselho de Segurança são sinais de outro fenômeno destacado da atualidade. Trata-se da ascensão dos países antes vistos como periféricos e seu desejo de uma ordem mundial multipolar. Em certo sentido, esta emergência recupera aspirações do “movimento dos não-alinhados” — que tateou em busca de espaço, a partir da segunda metade dos anos 1950, num cenário monopolizado por Estados Unidos e União Soviética.

Agora, talvez as possibilidades sejam maiores. Uma atitude como a de Lula e Erdogan seria provavelmente irrelevante nos tempos da Guerra Fria; e estaria no campo do bizarro depois, durante o breve período em que os EUA dominaram sozinho a cena internacional. Vale notar, aqui, a posição dúbia da China, que oscila entre sentir-se parte dos periféricos (é força destacada nos BRICs) e a tentação de compor, com Washington, um novo e poderoso G-2.

O terceiro fator não se relaciona com oportunidades geopolíticas, mas com projetos de sociedade. Num tempo também caracterizado pela emergência da sociedade civil planetária, da economia do conhecimento e das redes sociais, é possível aceitar que os destinos do planeta sejam decididos por uma potência armada até os dentes?

Se a resposta for não, Brasil e Turquia ajudaram a tornar o presente respirável e abriram janelas para o futuro. Talvez haja mais que coincidência em Lula, o protagonista mais empenhado no projeto, ser o presidente do país onde surgiram os Fóruns Sociais Mundiais. Aqueles que sustentam a ideia, também irreverente, de que “outro mundo é possível”…

Por Márcia Silva Postado em Irã

Para entender a “crise” do Irã. O Brasil defende a sua própria indústria nuclear

do blog FATOS NOVOS E NOVAS IDÉIAS

               A questão iraniana já está dominada pela emoção. É preciso, então, deputar o raciocínio para  que   a razão volte a preponderar. Para isso, vamos, inicialmente,  separar os dois aspectos que envolvem a mesma questão:

 a-  a espetacular  jogada da diplomacia brasileira que  com o Acordo de Teerã, assinado domingo, colocou em cheque e na defensiva toda a estrutura logística norte-americana de perpetuação de seu poder hegemônico global:

b- os interesses estratégicos permanentes do Brasil (soberania nacional) que estão sob ameaça, tanto quanto os do Irã, no que diz respeito ao  direito de desenvolver, com autonomia, seus programas nucleares para fins pacíficos.

            No item a que chamaremos de “jogo diplomático” e onde tem preponderado o estardalhaço, a diplomacia brasileira desnudou a farsa montada pelo Departamento de Estado norte-americano que visava constranger o governo iraniano a abrir mão de seu programa nuclear  fosse pacífico ou não, fosse militar ou não: o acordo assinado em Teerã por Lula, Ahmadinejad e  Recep Erdogan, o primeiro ministro turco, é  absolutamente igual ao proposto em outubro do ano passado pelas potencias ocidentais e que o Irã não assinou porque não confia nelas, na palavra delas.

             Por que agora este acordo é considerado insuficiente?  Porque quando o propuseram, há  oito meses, os Estados Unidos sabiam que  Ahmadnejad não  o assinaria o que abriria caminho para as sanções econômicas, algo que já estava previamente decidido. Agora que o Irã o assinou, ele  não vale mais. É a velha historia do lobo dizendo  ao cordeiro,” se não foste tu que  turvaste minha água então foi teu pai e se  não foi teu pai foi teu avô.

            Qual o motivo (pretexto) usando para invalidar  algo que eles mesmo  sugeriram e que agora é considerado  insuficiente? “Não se pode confiar na palavra dos aiatolás”, é a resposta. Mas surge a  questão: pode-se  confiar na palavra do Departamento de Estado? Onde estão as armas químicas denunciadas  para justificar  a invasão do Iraque?

            Passemos ao ítem b :

Há dois anos, as principais potencias ocidentais vêm tentado alterar (para ampliar) as normas  e exigências do Tratado  de Não Proliferação Nuclear (TNP), através da assinatura de um protocolo adicional que daria à Agência  Internacional de Energia  Atômica (AIEA) subordinada à ONU, mas controlada  pelos Estados Unidos, uma capacidade muito maior de inspeção  (e espionagem) dos programas nucleares de países emergentes.

            No caso do Brasil que está a um passo de  obter tecnologia própria  para  efetivar o ciclo completo do enriquecimento do urânio, esse protocolo adicional fere de forma irreparável a  soberania nacional, criando um dependência eterna de  fontes  externas de tecnologia num setor (o atômico) que será, neste  século, vital para a produção de energia limpa e para o uso médico, especialmente no combate ao câncer.

            Logo, ao defender o direto do Irã e de qualquer outro pais  de acesso à tecnologias nucleares, o Brasil defende essencialmente os seus interesses estratégicos e comerciais. Isto, pela boa razão de que possuímos mais de cinqüenta por cento das reservas  naturais de urânio do Planeta e estamos em vias de ingressa no seleto grupo de apenas seis países que controlam o  processo integral de enriquecimento do  desse minério.

            Não é exagero dizer que por detrás do estardalhaço diplomático  envolvendo o Irã, o que há , na verdade, é uma guerra  comercial de grandes proporções cujo enredo é conhecido: uma  minoria detentora  de algo que a  diferencia  tecnologicamente  procura, por razões exclusivas de lucro, manter este status privilegiado.

            José Serra e o Globo já mostraram suas posições a favor dos interesses  estratégicos norte-americanos. Lula e os nacionalistas brasileiros, a começar pelo ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro  Guimarães (o primeiro a denunciar  a jogada comercial das grandes potências), defendem os interesses permanentes do Brasil. Escolha você o seu lado.

Amorim se diz mais otimista sobre crise nuclear após conversa no Irã com Ahmadinejad

do globo.com

TEERÃ e BRASÍLIA – O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, saiu de uma audiência com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, nesta terça-feira, em Teerã, dizendo-se mais otimista do que estava antes do encontro. Após conversar com Ahmadinejad, o chanceler brasileiro afirmou:

- As conversas em Teerã foram profundas, complexas, não definitivas, mas saio daqui mais otimista.

Logo após o encontro, Amorim embarcou de volta ao Brasil. O chanceler foi a Teerã preparar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao país, no próximo mês.

Horas antes, em entrevista coletiva ao lado do ministro de Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, em Teerã, Amorim voltou a defender a retomada das negociações para um acordo sobre a troca de combustível nuclear com objetivo de evitar novas sanções contra a República Islâmica. Amorim disse que o Brasil quer ajudar a resolver os conflitos sobre o programa nuclear iraniano. O ministro pediu que todos os lados envolvidos nas discussões mostrem “flexibilidade” para chegar a um consenso.

- Não há consenso político de que o Irã deve ser isolado ou que o Brasil seguirá esta direção – disse Amorim, reiterando o apoio brasileiro a atividades nucleares pacíficas no país, mas cobrando garantias. – O Irã deve ter atividades nucleares com objetivos pacíficos e a comunidade internacional deve ter garantias de que não haverá violação e desvios para fins militares.

O chanceler brasileiro voltou a dizer que espera que um acordo de troca de combustível, aprovado, em princípio, em outubro do ano passado, possa ser restaurado. O plano inicial era que o Irã enviasse 1.200 quilos de urânio pouco enriquecido para a Rússia e a França para ser transformado em combustível para um reator nuclear de pesquisas.

O governo islâmico disse, depois, que só aceitaria uma troca feita em território iraniano, mudança que as outras partes envolvidas não aceitam. Amorim disse que qualquer solução negociada deve excluir qualquer “ambiguidade” sobre o programa nuclear.

- A razão pela qual nós damos grande importância a esse acordo de troca de combustível nuclear é porque o acordo em si mesmo é importante e, em segundo lugar, cria confiança com a Aiea (Agência Internacional de Energia Atômica) e com alguns países do Ocidente – disse Amorim, enviado a Teerã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que visitará o Irã em maio. – Nós temos esperança de que esse acordo será feito, mas como qualquer outra negociação deve haver flexibilidade dos dois lados.

Amorim afirmou na segunda-feira ter saído otimista dos encontros que teve com o presidente do Parlamento iraniano, Ali Larijani, e o principal negociador do país para a questão nuclear, Said Jalili. Ele ouviu de seus interlocutores iranianos a garantia de que a política nuclear do país é para fins pacíficos, e não militares. Já o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, disse que, enquanto o Brasil tenta uma solução pacífica para a questão nuclear no Irã, outras nações estão satanizando o país persa, ao propor sanções.

Irán ratifica derecho a desarrollo nuclear pacífico

da portada venezoelana 

Vea también

 

 

  

El mandatario Mahmoud Ahmadineyad aseveró que nadie podrá doblegar la voluntad del pueblo iraní / Instó a la Casa Blanca a fijar una fecha límite para la destrucción de todo su arsenal nuclear que constituye el mayor del mundo 

  

El presidente iraní, Mahmoud Ahmadineyad, ratificó este viernes que su país procederá velozmente con el desarrollo nuclear pacífico y que nadie podrá doblegar la voluntad del pueblo pese a las amenazas estadounidenses.

En un discurso por la televisión estatal, Ahmadineyad insistió en que “si piensan que usando el lenguaje de las amenazas podrán doblegar la voluntad de Irán, se equivocan”, en abierto rechazo a las acusaciones insistentes de Estados Unidos acerca del programa de esta tecnología en el país persa. 

Por su parte, la cancillería iraní instó a la Casa Blanca a fijar una fecha límite para la destrucción de todo su arsenal nuclear que constituye el mayor del mundo y defendió el derecho de Teherán a desarrollar su tecnología atómica con fines pacíficos. 

La nueva maniobra de la administración norteamericana de Barack Obama es más perversa que la de su antecesor, George W.Bush, según el comunicado difundido por el Ministerio de Exteriores de la nación musulmana. 

Irán rechazó el pasado miércoles la nueva estrategia de Estados Unidos que permitirá el ataque nuclear o convencional contra países excluyentes de acuerdos internacionales de armas y vaticinó una réplica contundente de su gobierno y pueblo. 

Ahmadineyad advirtió a su par estadounidense que recibirá una categórica respuesta si mantiene la amenaza contra su país de emplear la bomba atómica si no acepta la sumisión a los decretos sobre este tema de la Casa Blanca. 

Estados Unidos, el gobierno que “probó” su tecnología nuclear contra los pueblos de Hiroshima y Nagasaki en las postrimerías de la Segunda Guerra Mundial, realiza una campaña internacional contra Irán por las investigaciones de éste sobre energía nuclear con fines pacíficos, según declaraciones mantenidas del gobierno persa. 

Por Márcia Silva Postado em Irã

Anna Malm: Hoje o Irã. Amanhã quem?

da patria latina

 
 

 

Por: Anna Malm
 
No Oriente Médio os navios de guerra, os porta-aviões e os submarinos estão se movimentando ou preparando-se para se movimentar. A situação é muito preocupante. Estão chegando notícias de que está havendo um aumento das atividades e não somente da retórica. Um jornalista bem qualificado e com muitos contatos no Oriente Médio, Albelbari Atwan informa que se nota um grande silêncio a respeito dos movimentos para a paz e ao mesmo tempo uma mobilidade fora do quotidiano em relação à concentração de manobras militares e navais no Golfo Árabe. Ele também comenta que as alianças e os alinhamentos são similares aos de março 2003, antes da guerra com o Iraque. [1]
 
O desenrolar dessas atividades e posições tem de ser contido antes que uma mobilização total, impossível de reverter seja uma realidade, penso eu. Uma situação que ganha suas próprias pernas e “age por conta própria” é um pesadelo que tem de ser evitado.
 
Pondo isso sem preâmbulos. A experiência mostra que os Estados Unidos, Israel e a OTAN estão preparando uma nova guerra. Quais são as conseqüências? Os que estão preparando esses movimentos letais parecem ter começado a acreditar de verdade nas suas próprias mentiras e propaganda, o que é compreensível psicologicamente e muito comum, mas que aqui toma proporções monstruosas. Para nossa desgraça eles também parecem não estar plenamente conscientes da totalidade das conseqüências das suas próprias ações, ou se estiverem, parecem balançar isso contra suas próprias justificações, que para começar já é um resultado de terem começado a acreditar nas suas próprias mentiras, ou para pôr isso neutralmente, na sua própria propaganda. A linha de separação aqui é muito tênue mas o resultado é o mesmo: – È um salve-se quem puder.
 
Eu gostaria de estar errada, mas infelizmente parece que não. Para uma avaliação desses pontos veja [2]. 
 
Avaliações estatísticas parecem explicar as causas. Fontes dignas de confiança apresentaram publicamente (2010-02-20) as seguintes avaliações e análises. [3]
 
Os Estados Unidos tem menos que 2% -(dois por cento) – do total das reservas mundiais de óleo e gás. O Oriente Médio tem 60% – (sessenta por cento) dessa reserva, sendo que o Irã sozinho tem – dez pro cento – 10% da reserva do Oriente Médio. Em outras palavras, o Irã tem cinco vezes mais capacidade nesse respeito que os Estados Unidos. Juntando a isso o fato de que 65 a 70% das reservas mundiais de óleo e gás estão em países Muçulmanos começa-se a compreender um pouco do que se passa.
 
Os navios de guerra, que, diga-se de passagem, são nucleares, os porta-aviões e os submarinos estão circulando como aves de rapina, mas há aqui um fator importante a tomar em consideração, penso eu. É o fato de que a retórica contra o Irã já vem há muito tempo, acentuando-se desde os finais de 2004. Isso mostra que os Estados Unidos (seguido dos seus afilhados) por alguma razão, precisam, ou pelo menos, deseja um consenso internacional. Os representantes dessa coalizão Mr. Obama e Mrs. Clinton – (coalizão essa que não reconhecem como tal, mas que podemos ver com nossos próprios olhos) – tentam tanto quanto podem conseguir um consenso de peso. Não só isso. Também parece que querem ser vistos como os resgatadores do mundo, salvando-nos a todos do perigo nuclear posto pelo Irão. Mas: -
 
- O Irã não tem armas nucleares. Pode ser que gostasse de ter, mas não tem.
 
Conquanto, a Holanda a Bélgica a Alemanha a Itália e a Turquia têm armas nucleares – o que não deveriam ter – o que infringindo os tratados internacionais lhes foi concedido pelos Estados Unidos. [4]. 
 
Chama-se atenção para o fato que bombas nucleares estão armazenadas em bases militares na Itália, Bélgica, Alemanha e Holanda, sendo que esses países por si mesmos e cada um com a sua própria tecnologia têm capacidade de transportar e soltar essas bestas atômicas. Essas bombas podem a qualquer momento e em diversos pontos da Europa ser dirigidas ao Irão. Uma lista sobre quais os países que internacionalmente tem denominadas estaturas legais ou reconhecidas a respeito do poder atômico encontra-se em [4]
 
Chamando a atenção para um aspecto. O fato dos Estados Unidos quererem um consenso é importante ao meu ver porque é aqui que existe uma possibilidade de se fazer qualquer coisa para impedir uma guerra devastadora, pois seria uma guerra devastadora. Um ataque ao Irã iria devastar não só o Irão mas toda a Região. Uma guerra devastadora é o que na realidade poderia servir os interesses econômicos dos Estados Unidos ou a qualquer outro conquistador na situação sendo estudada que.
 
Grande parte do Oriente Médio regressaria a Idade Média. Depois disso seria para os conquistadores só desembarcar e tomar posse. Os novos colonizadores iriam em vez de embarcar ouro, prata e jóias preciosas, conquanto debochando dos infelizes nativos, embarcarem óleo e gás conquanto repreendendo os conquistados por ser um tamanho problema e uma afronta à paz internacional. O Irã é uma cultura muito antiga enquanto um Estado moderno sofisticado. Não deve ser posto de joelhos à força armada para abrir caminho para uma nova era de colonização e exploração brutal.
 
Diplomacia. Isso seria muito bom, mas aqui é bom ter em mente que nesse mundo não há muralha que seja tão alta que um burro carregado de ouro não consiga sobrevoar. Muitas muralhas, muito burros carregados de ouro e estaremos de novo na Idade Média. 
 
Como no caso da Militarização da Política Externa dos Estados Unidos para salvação da sua economia precária acredito que o Brasil e os Brasileiros estejam numa posição excepcional para fazer qualquer coisa concreta à respeito.
 
HOJE IRÃ.
AMANHÃ QUEM?
 
REFERÊNCIAS:
 
[1] Albelbari Atwan, Ahmadinezhad Appeals for Al-Asad´s Help - in www.bariatwan.com     2010-02-12
 
[2] Prof. Michel Chossudovsky, VIDEO – WILL US-NATO Start World War III by attacking Iran? – Any kind of military action directed against Iran would immediately lead to escalation.      www.globalresearch.ca   2010-02-20
 
[3] Ibid
 
[4] Prof Michel Chossudovsky, Europe’s Five “Undeclared Nuclear Weapons States” – Are Turkey, Germany, Belgium, the Netherlands and Italy Nuclear Powers?     in
www.globalresearch.ca        2010-02-12
 
OBS) – O Centro de Pesquisas em Globalização é um Centro de Pesquisas trabalhando do Canadá.

Amorim diz que Brasil “não vai se curvar” à pressão dos EUA contra o Irã

da pátria latina

 
 

 

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
 
 
Brasília – As divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre o programa nuclear do Irã provocaram nesta quarta (3) uma dura reação por parte do governo brasileiro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que o Brasil tem posições bem definidas orientadas por sua convicção e por esta razão “não vai se curvar” às pressões dos Estados Unidos – que defendem sanções contra os iranianos.
 
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, ouviu a afirmação e acusou os iranianos de mentir sobre planos para a fabricação de armas nucleares.
 
“Nós pensamos com a nossa própria cabeça. Nós queremos um mundo sem armas nucleares, certamente sem proliferação”, afirmou Amorim, ao lado da secretária de Estado. “Não se trata de se curvar simplesmente a uma opinião que possa não concordar [no caso do grupo liderado pelos Estados Unidos]. Nós não podemos ser simplesmente ser levados. Nós temos de pensar com a nossa cabeça.”
 
Amorim reafirmou que o governo brasileiro acredita que há condições de buscar um acordo com o governo do presidente Mahmoud Ahmadinejad. “A questão é de saber qual o melhor caminho para chegar lá ou se estão esgotadas as possibilidade de negociação. Nós acreditamos que ainda há oportunidade de se chegar a um acordo, talvez exija um pouco de flexibilidade de parte a parte”, disse o chanceler.
 
As afirmações do ministro ocorreram durante entrevista coletiva da qual também participou Hillary. Sem modificar sua expressão facial, a secretária acusou o governo de Ahmadinejad de mentir sobre informações relativas à produção de armas nucleares. Segundo ela, os iranianos fornecem dados desencontrados em cada lugar que vão, incluindo o Brasil e a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).
 
“O que observamos é que o Irã vai para o Brasil, China e Turquia e conta histórias diferentes para evitar as sanções. Nós continuaremos a discutir essas questões”, afirmou a secretária. “O presidente [Barack] Obama tem feito gestos em relação ao Irã há mais de um ano, mas infelizmente não teve um sinal recíproco.”
 
Para a secretária, apesar de os Estados Unidos se disporem a negociar com o Irã, as chances são limitadas por causa da falta de interesse do Irã. Ela avalia que o ideal seria buscar um caminho pacífico. “Nós acreditamos que um esforço em favor das negociações, de boa fé, por parte do Irã seriam bem aceitos. Temos de fazer tudo pacificamente para evitar. Vamos continuar a consultar o Brasil”, disse ela.
 
Evitando detalhar quais são sanções econômicas os Estados Unidos defendem contra o Irã, Hillary afirmou que os iranianos deverão reagir e buscar as negociações somente depois de se verem ameaçados de punição. 
 
“Eu reiteraria que a nossa porta está sempre aberta para as negociações. Ninguém prefere as sanções, nós preferiríamos negociar. A partir do momento que a comunidade internacional fale em uma resolução sobre sanções, é a partir daí vão querer negociar”, disse.    
 
A reação de Amorim foi mais energética do que a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, momentos antes da entrevista coletiva entre o chanceler brasileiro e a secretária norte-americana. O presidente sinalizou que o Brasil poderia flexibilizar em relação ao Irã.
 
“Eu quero para o Irã o mesmo que quero para o Brasil: utilizar o desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos. Se o Irã tiver concordância com isso, terá apoio do Brasil. Se quiser ir além disso, o Irã irá contra ao que está previsto na Constituição brasileira e, portanto, não podemos concordar”, disse Lula

Ahmadinejad diz que sua política é pacífica

da Patria latina

Em tom diplomático, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda (23) que sua política é baseada na defesa dos direitos humanos, da paz e da produção de energia nuclear para fins pacíficos. E o Brasil pode cooperar com o Irã como um interlocutor capacitado na América Latina, disse Ahmadinejad, durante declaração conjunta feita ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Itamaraty.

“A presença do Brasil pode levar ao aperfeiçoamento. Acreditamos que o Brasil pode atuar como um elo entre o Irã e a América Latina”, ressaltou Ahmadinejad.

No discurso de 17 minutos, Ahmadinejad negou as suspeitas de que o Irã esteja produzindo armas nucleares. “Os dois países [Irã e Brasil] buscam um mundo livre de armas nucleares e de destruição em massa”, disse ele. “São dois países que decidiram desempenhar um papel ativo (no cenário internacional).” Continue lendo

A tentativa de desestabilizar o Irã

do portal vermelho

por Lejeune Mirhan*

No último dia 12 de junho, sexta-feira ocorreu eleições na República Islâmica do Irã. Vários candidatos disputaram com o favoritismo do atual presidente Mahmoud Ahmadinejad. Uma onda forte de protestos tomou conta do país, denúncias de fraudes foram veiculadas e até mortes ocorreram. Com a polêmica instaurada, ainda que não seja o foco principal da minha coluna, devemos tratar desse tema esta semana (1).

A estrutura de poder do Irã

O Irã é uma República Islâmica. Um regime teocrático como se tem dito no Ocidente. Critica-se a forma como se estrutura a sua democracia, com eleições periódicas e rotineiras, mas cujo mandatário maior, o presidente, tem poucos poderes de fato e de direito. Há dois órgãos de efetivo poder no Irã. Um nomeado e outro eletivo. O nomeado é chamado de Conselho dos Guardiães, composto por apenas 12 pessoas, que determina quem pode ou não ser candidato. O outro, de maior poder ainda, mas eleito diretamente pelo povo, tem 86 membros e é chamado de Conselho de Especialistas. É majoritariamente integrado por clérigos, mulás e aiatolás, os que mandam de fato no país. Continue lendo