Educar população e quebrar patentes são os autênticos remédios contra a gripe suína

do site correio da cidadania

Escrito por Gabriel Brito
Iniciado no México, o surto da gripe suína (ou A H1N1) acabou de fato chegando ao Brasil, registrando 275 mortes até o dia 12 de agosto. Em matéria veiculada à época inicial do surto, o Correio já havia apurado com servidores da ANVISA a insuficiência da fiscalização sobre as entradas de pessoas e mercadorias no país. Nesta entrevista, a servidora da ANVISA Sueli Dias concorda que uma maior ação preventiva do Ministério da Saúde poderia atenuar os efeitos do surto.
Para ela, a saída para o governo no controle da gripe é de educar em massa a população, de forma acessível, e também equipar hospitais e funcionários de material nesse sentido. Com relação às vacinas, Sueli é taxativa: “O caminho para o governo é buscar a quebra de patentes”. Dessa forma, evitar-se-ia que a população saísse em busca desesperada pelo remédio contra a gripe e se automedicasse, o que também é altamente prejudicial. Segundo a servidora, já há muitos brasileiros em busca do genérico La Porcina, vendido no Paraguai.
Em resumo, as soluções passariam por práticas há muito abandonadas pelo governo, no caso, investimentos em saúde pública. E por outras nunca sequer cogitadas, como o seria a quebra de patente de uma gigante da indústria farmacêutica – a Roche, ‘dona’ do Tamiflu, anti-viral mais recomendado contra a gripe. Uma gripe, cuja mudança de nome, aliás, deve-se acima de tudo às empresas criadoras de porcos, em cujos terrenos se disseminou o vírus. Continue lendo

Secretaria de Saúde de SP pede que população não viaje para Argentina e Chile

do monitor mercatil

A Secretaria de Saúde de São Paulo recomendou nesta terça, por meio de nota, que as pessoas evitem viajar à Argentina e ao Chile por causa do risco de contrair a gripe suína. A orientação também é válida para os demais países da América do Sul que registram transmissão da doença.

Atualmente, São Paulo é o estado com a maior quantidade de diagnósticos confirmados – 149 no total, além de 69 pacientes sob suspeita – no país.

Um balanço realizado pelo própria secretaria aponta que 40% dos 116 casos de gripe registrados em São Paulo foram de pacientes que se infectaram durante viagem à Argentina. Outros 15,5% contraíram a doença nos EUA. Já o Chile responde por 5,1% dos casos entre os paulistas, e o Canadá, por 2,5%. Os demais países apontados como locais prováveis de infecção foram França, Inglaterra, México e Uruguai. Continue lendo

Emir Sader: Futebol não é solidário nem na gripe

portal do vermelho

A atitude das equipes que deveriam jogar no México – o São Paulo e o Nacional do Uruguai – negando-se a jogar naquele país, assim como os países que negaram a receber a partida dos times mexicanos, revela um egoísmo inaceitável.

A gripe surgiu no México, mas poderia ter surgido em qualquer outro pais do continente. As condições para se defender de uma epidemia como essa são praticamente iguais, igualmente ruins em todos os países, menos em Cuba – pela medicina social que o país tem.
Se originou no México, o país tomou todas as medidas possíveis nas condições de uma grande metrópole como a capital, chegou a suspender aulas, missas e todo tipo de concentração. Essas medidas já foram suspensas. Com as cautelas do caso, o país voltou a funcionar, se poderia perfeitamente jogar lá.

A Conmebol procurou inicialmente outros países que pudessem sediar as partidas programadas para o México. Chile e Colômbia foram sondados, mas se negaram a sediar jogos de equipes mexicanas.

Em seguida a Conmebol tomou a atitude unilateral e injusta de programar um único jogo, no Uruguai e no Brasil, cancelando os jogos no México.

A Federação mexicana, com razão, não aceitou a decisão, considerando-a injusta e discriminatória, rompendo suas relações com a Conmebol e retirando seus times da Libertadores.

A atitude da Conmebol e das duas equipes beneficiadas – o São Paulo e o Nacional do Uruguai, que se negaram a jogar no México – é odiosa. Se valem da epidemia para tirar vantagens, discriminando os clubes mexicanos e devem ser repudiadas.

No entanto a imprensa esportiva dos dois países considera normal essa vantagem, como se fosse uma punição disciplinar aos clubes mexicanos, por ser o país de origem da epidemia.

Esconde uma discriminação que deveria ser denunciada e repudiada. Sempre se poderiam encontrar condições, inclusive as que a Federação mexicana utiliza, de jogos sem publico, ou buscar outras datas.

A solução demonstra uma total falta de solidariedade das equipes de futebol, tornadas empresas com fins de muito lucro. Não acompanham os processos de integração e solidariedade continental, que tem caracterizado e notabilizado a América Latina.

São empresas globalizadas, operadas por negociantes, sem raízes no nosso continente, apenas enraizadas no sucesso financeiro e midiático dos seus empreendimentos.

Atribui-se a Otto Lara Rezende a frase: “Os mineiros só são solidários no câncer”. O futebol profissional não é solidário nem na gripe. Ao contrário, busca faturar com a desgraça alheia, sem se dar conta que é sua própria desgraça.

Fonte: Blog do Emir

A Gripe suína e o monstruoso poder da grande indústria pecuária

do blog o castendo


Mike Davis

O autor, Mike Davis, explica como a grande industria agro-pecuária globalizada é responsável por uma mais que preocupante erupção de gripe suína no México e denuncia a leviandade com que as autoridades de saúde, desde a OMS às autoridades nacionais dos EUA e da UE se prepararam para a mais que esperada pandemia de gripe suína.

Mike Davis* 08.05.09

A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebida no lodaçal fecal de uma pocilga industrial, subitamente, ameaça com febre o mundo inteiro. Os pimpolhos da América do Norte apresentam uma infecção que já viaja a uma velocidade maior que aquela a que viajou a última pandemia oficial, a gripe de Hong-Kong em 1968. Continue lendo

OMS confirma 3,44 mil casos da gripe suína em 29 países

do jornal O DIA

Rio – O número de pessoas infectadas com a gripe suína subiu para 3,44 mil em 29 países, confirmou neste sábado a Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a lista de casos confirmados da OMS, o Brasil aparece com seis pessoas infectadas pela gripe suína. Pela primeira vez, os Estados Unidos aparecem com mais infectados que o México, já que os casos confirmados no primeiro país são 1,639 mil, enquanto no segundo são de 1,364 mil.

O número mundial de mortos por causa da doença aumentou para 48, já que o Canadá confirmou na sexta-feira a morte de uma mulher em Alberta. O número total de infectados no país subiu para 242. Além disso, continuam os números de 45 mortos no México e dois nos Estados Unidos.

Segundo os dados confirmados pela rede de laboratórios da OMS, além dos casos no Brasil, EUA, México e Canadá, há infectados na Alemanha (11), Argentina (1), Austrália (1), Áustria (1), China (Hong Kong, 1), Colômbia (1), Coreia do Sul (3), Costa Rica (1), Dinamarca (1) e Espanha (88).

Também há casos em El Salvador (2), França (12), Reino Unido (34), Guatemala (1), Holanda (3), Irlanda (1), Israel (7), Itália (6), Japão (3), Nova Zelândia (5), Panamá (2), Polônia (1), Portugal (1), Suécia (1) e Suíça (1). Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados.
TIRE SUAS DÚVIDAS

TRANSMISSÃO
Contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas: através de tosse ou espirro. O doente pode começar a transmitir o vírus 2 dias antes de apresentar os sintomas e até 7 dias depois do início dos sinais.

SINTOMAS
Febre alta (superior a 38 graus) e tosse, com um ou mais dos seguintes sintomas: dor de cabeça, dores musculares e nas articulações e dificuldade respiratória. Os sintomas podem aparecer até dez dias após sair de países com casos da doença ou do contato com alguém infectado.

TRATAMENTO
Feito com antiviral que deve ser usado apenas com indicação médica e só faz efeito se tomado até 48 horas depois do início dos sintomas. A automedicação é prejudicial: mascara sintomas, retarda o diagnóstico e prejudica o tratamento.

PREVENÇÃO
Ao tossir ou espirrar, cobrir nariz e boca com lenço descartável; evitar locais fechados e contato com pessoas doentes; não compartilhar alimentos, copos, toalhas e objetos de uso pessoal; evitar tocar com frequência olhos, nariz ou boca. Recomenda-se lavar as mãos frequentemente com água e sabão, especialmente depois de tossir ou espirrar. É seguro comer carne de porco cozida.

EM CASO DE SUSPEITA
O paciente deve procurar assistência médica na unidade de saúde mais próxima e informar ao profissional o seu roteiro de viagem ou se teve contato com alguém que viajou.

Os hospitais de referência, NO RIO DE JANEIRO, são o Hospital do Fundão, o Evandro Chagas, o Pedro Ernesto e o Iaserj.

INFORMAÇÕES
Tele Saúde: 21- 2523-4025;

Disque Saúde: 0800 61 1997;

Site: www.riocontragripea.rj.gov.br

A gripe suína e o monstruoso poder da indústria pecuária

do site Pátria Latina

Em 1965, havia nos EUA 53 milhões de porcos espalhados entre mais de um milhão de granjas. Hoje, 65 milhões de porcos concentram-se em 65 mil instalações. Isso significou passar das antiquadas pocilgas a gigantescos infernos fecais nos quais, entre esterco e sob um calor sufocante, prontos a intercambiar agentes patógenos à velocidade de um raio, amontoam-se dezenas de milhares de animais com sistemas imunológicos debilitados. Cientistas advertem sobre o perigo das granjas industriais: a contínua circulação de vírus nestes ambientes aumenta as oportunidades de aparição de novos vírus mais eficientes na transmissão entre humanos. A análise é de Mike Davis.
A gripe suína mexicana, uma quimera genética provavelmente concebido na lama fecal de um criadouro industrial, ameaça subitamente o mundo inteiro com uma febre. Os brotos na América do Norte revelam uma infecção que está viajando já em maior velocidade do que aquela que viajou a última cepa pandêmica oficial, a gripe de Hong Kong, em 1968.
Roubando o protagonismo de nosso último assassino oficial, o vírus H5N1, este vírus suíno representa uma ameaça de magnitude desconhecida. Parece menos letal que o SARS (Síndrome Respiratória Aguda, na sigla em inglês) em 2003, mas como gripe, poderia resultar mais duradoura que a SARS. Dado que as domesticadas gripes estacionais de tipo “A” matam nada menos do que um milhão de pessoas ao ano, mesmo um modesto incremento de virulência, poderia produzir uma carnificina equivalente a uma guerra importante.
Uma de suas primeiras vítimas foi a fé consoladora, predicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), na possibilidade de conter as pandemias com respostas imediatas das burocracias sanitárias e independentemente da qualidade da saúde pública local. Desde as primeiras mortes causadas pelo H5N1 em 1997, em Hong Kong, a OMS, com o apoio da maioria das administrações nacionais de saúde, promoveu uma estratégia centrada na identificação e isolamento de uma cepa pandêmica em seu raio local de eclosão, seguida de uma massiva administração de antivirais e, se disponíveis, vacinas para a população.

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