Balanço do FSM indica atuação internacionalista do PCdoB

do portal vermelho

Após a participação no Fórum Social Mundial de Belém, ocorrido entre 27 de janeiro e 1º de fevereiro, a secretaria de Relações Internacionais do PCdoB fez um balanço das atividades que, ao mesmo tempo, servirá de guia para as ações do partido nesta área. Na avaliação do secretário José Reinaldo Carvalho, o PCdoB colocou em prática o internacionalismo, um dos pilares da atuação dos comunistas. O Vermelho reproduz a seguir a íntegra dessa avaliação.

José Reinaldo Carvalho no FSM-2009

José Reinaldo Carvalho no FSM-2009

O Fórum Social Mundial realizado em Belém, importante centro político, social e cultural da região amazônica brasileira, propiciou o desenvolvimento de intensa atividade internacionalista e de solidariedade antiimperialista pelo Partido Comunista do Brasil, através da Secretaria de Relações Internacionais e da ação de seus militantes e dirigentes no quadro do movimento pela paz.

 Na avaliação de José Reinaldo Carvalho, titular da agremiação comunista na área internacional, “foi um fórum politizado”. Ele ressalta a realização de conferências e debates sobre a crise do capitalismo, a luta pela alternativa socialista e de ações contra o militarismo e a guerra imperialista, estas empreendidas pelo Cebrapaz, o Conselho Mundial da Paz e duas dezenas de entidades congêneres, a maioria delas filiadas ao CMP.

 O dirigente comunista destacou “o elevado grau de participação popular e juvenil no FSM, numa demonstração de que os caboclos paraenses e a juventude brasileira estão ávidos por conhecimento e orientação e disponíveis para integrar movimentos e lutas por um mundo alternativo à barbárie que estamos presenciando”. Para ele, avançou também a luta contra os preconceitos e discriminações. Os partidos políticos realizaram importantes atividades com grande afluência de público.

 Comunistas no Fórum

 Foi o caso da conferência “A crise do capitalismo e a nova luta pelo socialismo”, organizada pela Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB em parceria com mais de uma dezena de fundações, institutos de investigação teórica e publicações marxistas ligadas a partidos comunistas*, numa das principais salas de reuniões  do FSM, no Centro de Convenções do Hangar de Belém. Perante mais de 500 pessoas que formavam delegações de vários estados do país e dezenas de visitantes latinoamericanos, europeus e asiáticos, tomaram a palavra, além do PCdoB, representantes do Partido Comunista da Argentina, Partido Comunista Chileno, Partido Comunista Espanhol, Partido Comunista Francês, Partido Comunista Grego, Partido da Refundação Comunista da Itália, Partido Comunista Português, Partido Comunista Uruguaio, Partido Comunista do Vietnã, Associação Punto Rosso (Itália)  e Autoridade Nacional Palestina.

 Num quadro de unidade na ação e diversidade de opiniões, os partidos presentes marcaram suas posições, convergindo em que a crise do capitalismo é uma das mais graves da história e que suas manifestações socialmente nefastas evidenciam os limites históricos desse sistema. Independentemente das visões sobre os caminhos para alcançar e construir o socialismo, todos realçaram ser esta a alternativa para tirar a humanidade dos impasses atuais. A Conferência promovida pelo PCdoB agregou ao lema do FSM “Um outro mundo é possível” a convicção de que “Outro mundo –socialista- é possível”.

 Encruzilhada trágica

 José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) abriu as intervenções citando um discurso do ex-presidente norte-americano, George Bush pai, pronunciado em janeiro de 1992, no auge da embriaguês triunfalista, quando proclamou a instauração da nova era de domínio unipolar pelos Estados Unidos, para na seqüência fazer o contraste com a situação presente, em que tal domínio é crescentemente contestado pelos povos em luta e quando se tornam evidentes os sinais do declínio histórico da superpotência.

 O dirigente fez uma digressão histórica para demonstrar que o domínio unipolar do imperialismo norte-americano é uma época de terror infinito para os povos, que se traduziu na política de “guerra permanente” e “guerras preventivas”. O conferencista do PCdoB  referiu-se também aos mandatos de Clinton como um período em que, sob o signo do “multilateralismo assertivo”, os Estados Unidos fizeram uma política agressiva. O dirigente comunista realçou que naquele período surgiram muitas ilusões oportunistas sobre a “restauração” de uma “hegemonia benigna” e a capacidade do sistema capitalista, liderado pelos Estados Unidos, para promover o renascimento dos “anos dourados”.

 Carvalho afirmou que “com a crise e as guerras de agressão, a humanidade está vivendo uma situação de encruzilhada trágica”. E fez um diagnóstico agudo sobre a crise. “A atual crise é a mais global e a mais grave desde a grande depressão dos anos 30 do século passado, uma crise que, tendo os Estados Unidos como epicentro, irradia-se para todo o mundo”. E denunciou: “já se fazem sentir as duras consequências para os trabalhadores e os povos, com as demissões em massa, a erosão do poder de compra e o anúncio de medidas anti-operárias pelos governos que, sendo neoliberais impenitentes, posam de ‘neokeynesianos’ e atuam como verdadeiros comitês de salvação do grande capital”.

 Carvalho alertou que não se deve ter uma visão restrita sobre a crise. Em sua opinião, “definir os fenômenos econômicos atuais apenas como uma crise da ‘financeirização’ é incorrer em unilateralismo, pois a crise não é só financeira, apesar da relevância dos fenômenos nesta esfera”. Trata-se, segundo ele, “de uma crise no processo global de produção capitalista”.  O dirigente do PCdoB  ressalta ainda que o capitalismo gerou uma profunda crise alimentar, energética e ambiental.

 Superação revolucionária do capitalismo

 Projetando sua análise para o terreno estratégico, o secretário internacional do PCdoB declarou: “A crise faz parte da natureza do capitalismo e agrava as contradições de  classes e geopolíticas fundamentais, põe a descoberto os limites históricos do sistema e as suas mazelas estruturais. É preciso enxergar a crise no contexto histórico e em sua interligação com a crise da hegemonia dos Estados Unidos”.

 Segundo ele, “uma das características mais relevantes do atual contexto mundial é o progressivo deslocamento do eixo dinâmico da industrialização e do poder econômico mundial dos Estados Unidos e da Europa para a Ásia, cabendo destacar, no interior desta, a extraordinária ascensão da China. Este movimento da história foi realçado pela crise econômica internacional, irradiada dos Estados Unidos, e tende a ser acelerado por ela na medida em que desperta a consciência da necessidade de uma nova ordem mundial”.

 José Reinaldo Carvalho enfatizou a opinião dos comunistas de que “não há saída capitalista para a crise do capitalismo”. Defendeu a estratégia de luta pela “superação revolucionária do capitalismo, a luta pelo socialismo”. Reafirmando o marxismo-leninismo, o diretor do departamento internacional do PCdoB ressaltou que o socialismo em nossa época não seguirá modelos nem do passado nem do presente e que o caminho que leva ao socialismo não é uma linha reta, mas uma via acidentada que comporta um prolongado processo de acumulação revolucionária de forças.

 Esse caminho, diz, “no caso do Brasil passa pela luta contra o regime das classes dominantes, que se revelaram incapazes de promover a democracia, defender a soberania nacional, e fomentar o desenvolvimento do país com justiça social e valorização do trabalho”. Ele realça que o caminho para o socialismo no Brasil será percorrido pelo povo através do justo equacionamento das lutas por democracia, soberania nacional e progresso social, nele comportando a multiplicação de experiências de luta social, luta eleitoral, luta teórica, ideológica e cultural, assim como a participação em instâncias de governo quando se criam as condições para tal.

Imperialismo é guerra

A Conferência do representante do PCdoB deteve-se ainda na análise da conjuntura política internacional marcada pela guerra de agressão de Israel contra o povo mártir e heróico da Palestina. Disse que “tal como a crise, a guerra de agressão faz parte da essência do capitalismo na época do imperialismo”. Sobre o recém-empossado presidente dos EUA, Barak Obama, disse: “Independentemente das boas intenções anunciadas, é estreitíssima a margem de manobra e nula a vontade de quem realmente decide para alterar o rumo agressivo do imperialismo estadunidense. Para os que fazem leitura apressada do que sai publicado na mídia, vale o alerta de que Obama tanto na campanha eleitoral como depois da posse já deu várias declarações de que pretende agir para recompor a hegemonia dos EUA e não trabalhar para uma situação de multipolaridade em que Washington teria de se conformar em redistribuir o poder”.

 Fez parte da palestra do representante do PCdoB o debate sobre a luta pela nova ordem mundial. Ele destacou: “É fato que o desenvolvimento das economias provoca mudanças no sentido da multipolaridade, ao promover a ascensão de novos países à condição de potências econômicas. Mas isto não significa necessariamente que esteja naturalmente em curso uma transformação democrática das relações internacionais,porquanto permanece intacto o poder do imperialismo e não há sinais de que os EUA estejam dispostos a ceder poder seja aos povos e nações que lutam por soberania e progresso social, seja às potências concorrentes. É ilusão supor que o mundo avança  espontaneamente no rumo de uma transição da unipolaridade estadunidense para a multipolaridade e do unilateralismo ao multilateralismo, do império da força bruta para a primazia do direito internacional. As iniciativas do imperialismo vão noutra direção. A paz e a democracia não constituem a vocação do imperialismo estadunidense”.

 Finalmente, o dirigente comunista discorreu sobre a nova situação criada na  América Latina e Caribe, região que se tornou um dos polos mais dinâmicos da luta antiimperialista na atualidade, a partir da intensificação das lutas democráticas e populares e da eleição de governos progressistas, entre eles o do Brasil, liderado pelo presidente Lula e que conta com o apoio do PCdoB e outros partidos da esquerda brasileira. Ele concluiu sua palestra afirmando que “a união do povo brasileiro e dos povos latino-americanos e caribenhos é a mais poderosa arma para enfrentar o poder do inimigo”.

 A integração na América Latina

 O Partido Comunista do Brasil participou ainda do seminário sobre a integração latino-americana e caribenha na tenda dedicada aos 50 anos da Revolução Cubana patrocinada pelo Partido dos Trabalhadores (Brasil).  O seminário foi organizado pelos dois partidos e suas respectivas fundações – Maurício Grabois (PCdoB) e Perseu Abramo (PT) e contou com a presença dos secretários de Relações Internacionais José Reinaldo Carvalho (PCdoB) e Valter Pomar (PT). Também participaram um representante da Venezuela no Parlamento Latino-americano, do Partido Comunista de Cuba,do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, do Grupo Comuna da Bolívia, da Frente Ampla do Uruguai e da Central Única dos Trabalhadores do Brasil.

 
Visita de parlamentares

 O secretário internacional do PCdoB visitou o Fórum de Parlamentares, onde, ao lado dos parlamentares comunistas brasileiros, senador Inácio Arruda e deputados estaduais Álvaro Gomes (Bahia) e Lula Moraes (Ceará) manteve contatos com as delegações parlamentares de vários países. Em especial, o PCdoB reuniu-se com a Esquerda Unida Européia (GUE) (grupo parlamentar que reúne as bancadas de esquerda no Parlamento Europeu). A reunião  entre o PCdoB e o GUE contou, pela parte brasileira, além de Reinaldo, com a presença do senador Inácio Arruda, que é também membro da Comissão Política e do Comitê Central do PCdoB. A parte européia foi representada pelo eurodeputado  Roberto Muzacchio, da Refundação Comunista italiana, o membro do secretariado da bancada do Partido Comunista Português no Parlamento Europeu, Maurício Miguel, e pelo assessor especial do GUE, Paul Emmily. Durante o encontro, as delegações intercambiaram impressões sobre a situação política no Brasil, na América Latina e na Europa. Em particular, o deputado Muzzachio informou sobre a contenda eleitoral européia marcada para o início de junho.

 Fórum de São Paulo

 Durante o Fórum Social Mundial, teve lugar a reunião do Grupo de Trabalho do Fórum de São Paulo, articulação de partidos de esquerda latino-americanos e caribenhos. Coordenada em sua parte inicial pelo PCdoB e integralmente pelo PT, que exerce a Secretaria Executiva do Fórum, o GT decidiu marcar o 15º Encontro para os dias 20 a 23 de agosto próximo, na cidade do México.

 O Grupo de Trabalho do Fórum de São Paulo decidiu ainda preparar um dossiê com as posições dos partidos membros sobre a crise do capitalismo.

 A reunião se posicionou sobre a agressão de Israel na Faixa de Gaza, manifestando solidariedade ao povo Palestino. Foi adotada a resolução de enviar uma delegação de partidos do Fórum de São Paulo à Palestina.

 O GT enviará observadores às eleições salvadorenhas, apoiará um seminário da Frente Sandinista de Libertação Nacional sobre os 30 anos da Revolução Nicaragüense e realizará um Encontro de Juventude nos marcos do 15º Encontro do FSP.

 Por fim, o GT aprovou a indicação do Partido Tekojoja do Paraguai como membro do Fórum de São Paulo.

 Pela paz

Os militantes do Partido Comunista do Brasil dedicaram a melhor parte da sua intervenção no Fórum Social Mundial à solidariedade antiimperialista, na luta pela paz, contra o militarismo e as guerras de agressão promovidas pelos Estados Unidos e por Israel.

 O Cebrapaz, organização membro do Conselho Mundial da Paz, teve destacada presença no Fórum Social Mundial, realizado em Belém de 27 de janeiro a 01 de fevereiro, confirmando-se como uma importante referência da luta antiimperialista no Brasil e na América Latina.

Este ano a Tenda da Paz foi dedicada à solidariedade ao povo mártir e heróico da Palestina. Uma exposição fotográfica mostrou os horrores do massacre perpetrado pelo Estado de Israel contra a Faixa de Gaza. Lado a lado com as chocantes fotos do  genocídio em curso, foram expostas também imagens do holocausto dos judeus pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), revelando que sionismo e fascismo são faces da mesma moeda.

 A Tenda do Cebrapaz foi visitada por dezenas de milhares de pessoas. Durante os dias do Fórum Social Mundial o Cebrapaz recolheu neste espaço milhares de assinaturas para uma petição endereçada ao Tribunal Penal Internacional para que Israel seja punido por crimes de guerra contra a humanidade.Um ato público com a presença de centenas de pessoas foi realizado na Tenda, com a presença de Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz, do embaixador da Palestina Ibrahim Al Zeben e lideranças do movimento sindical e social.

 A Tenda do Cebrapaz foi um espaço de congraçamento entre os núcleos estaduais, destacadamente o do Paraná, que distribuiu materiais, participou da coordenação dos trabalhos e vendeu camisetas com belas estampas com motivos da luta pela paz e contra o imperialismo, o do Ceará, que compareceu com milhares de folhetos publicados pelo senador comunista Inácio Arruda sobre a Conferência Mundial da Paz realizada em Caracas em abril do ano passado, e o de Belém do Pará, cujos abnegados militantes organizaram a Tenda da Paz.

O Cebrapaz distribuiu também na Tenda e em outros espaços do Fórum Social Mundial milhares de cópias de um folheto denunciando a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos Estados Unidos na América Latina e Caribe.

 A Tenda da Paz foi também um permanente ponto de encontro de militantes e organizações de luta pela paz e outros movimentos sociais brasileiros, latino-americanos e mundiais, destacadamente: União Brasileira de Mulheres, União de Negros pela Igualdade, União da Juventude Socialista, Federação Democrática Internacional das Mulheres, Federação Mundial das Juventudes Democráticas, Conselho Mundial da Paz.

Atos combativos

Além do ato em solidariedade à luta do povo palestino, o Cebrapaz protagonizou dois outros importantes atos antiimperialistas durante o Fórum Social Mundial em espaços na Universidade Federal do Pará, onde se realizaram muitas das atividades do FSM de Belém. O mais importante deles foi organizado pelo próprio Cebrapaz e o Conselho Mundial da Paz sobre a luta contra a militarização, as bases militares e a Quarta Frota.

 Diante de centenas de pessoas que superlotaram um dos auditórios da Universidade, tomaram a palavra sobre este candente tema, além da presidente e do secretário geral do Conselho Mundial da Paz, a brasileira Socorro Gomes e o grego Athanasios Phafilis, representantes do Movimento pela Paz (MOVPAZ) de Cuba, do Conselho pela Paz dos Estados Unidos, do Movimento pela Paz e a Solidariedade da Argentina (MOPASSOL), do Conselho da Paz do Vietnã, da Rede Mundial Não às Bases (NO BASES) – representada por seu coordenador-geral e seu dirigente africano – da Campanha pela Desmilitarização das Américas e Movimento contra as Bases Militares no Equador e da Campanha Estadunidense contra a Escola das Américas (centro de formação baseado na ideologia militarista do imperialismo norte-americano), da ACJ Equador e do Movimento pela Paz da Grécia (EEDYE). Também neste ato esteve presente uma representação da Autoridade Nacional Palestina.

O outro ato em que o Cebrapaz teve destacada presença foi dedicado ao tema ”A Luta pela Paz na Colômbia”, realizado na Tenda dedicada aos 50 Anos da Revolução Cubana, sob os auspícios da Secretaria de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores do Brasil. O ato foi organizado pelo Cebrapaz e o Fórum de São Paulo e contou com as presenças da presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, do dirigente do MOPASSOL da Argentina, Juan Roque, e da senadora colombiana Glória Inês, do Polo Democrático Alternativo.
A presença do Cebrapaz e do Conselho Mundial da Paz no Fórum Social Mundial foi marcante. Propiciou o contato com milhares de pessoas, a distribuição de materiais e a unidade de ação com outros movimentos. Foi mais um passo para a consolidação do Cebrapaz e a implantação do Conselho Mundial da Paz na América Latina.

 *Fundação Maurício Grabois (Brasil), Revista “O Militante” (Portugal); Revista “Cuadernos Marxistas” (Argentina); Fundação La ComunaCultural (Paraguai); Instituto de Estudos Sociais Joshi-Adhikari (India); Escola Indiana de Ciências Sociais (Índia); Academia SEM (Índia);  Revista “Marxismo Militante” (Bolívia); Jornal “Pátria Roja” (Peru); Centro de Investigação e Educação Popular “Tekojoja” (Paraguai); Jornal “Liberazione” (Itália); Revista “Estúdios” (Uruguai);Jornal “Unidad” (Peru); Associação “Puntocrítico” (Itália); Observatório Sociocultural da Mundialização (Colômbia); Associação Cultural “Punto Rosso” (Itália); Fundação Obrera de Investigação e Cultura (Espanha).

 

Fonte: Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB

Dirigentes da Fundação Maurício Grabois e do PCdoB avaliam FSM

Dirigentes da Fundação Maurício Grabois e do PCdoB avaliam FSM
Seg, 09 de Fevereiro de 2009 20:20
Dirigentes da Fundação Maurício Grabois e do PCdoB avaliam FSMPor Osvaldo Bertolino

Tudo pesado, o saldo do Fórum Social Mundial (FSM) recentemente realizado em Belém (PA) é amplamente positivo. Essa é a constatação de alguns dirigentes da Fundação Maurício Grabois e do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e de três integrantes do Comitê Internacional do FSM ouvidos para este breve balanço

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Seminário debate crise e integração latino-americana no FSM

do site da Fundação Maurício Grabois

O seminário ”A crise e a Integração Solidária da America Latina”, ocorrido na manha do sábado (31) na tenda ”Cuba 50 anos” – na Universidade Federal do Para )UFPA) -, foi mais um evento promovido em conjunto pelas fundações Mauricio Grabois e Perseu Abramo, no âmbito do Fórum Social Mundial (FSM) que está sendo realizado em Belém.

Compuseram a mesa, comandada pelo presidente da Fundação Maurcio Grabois, Adalberto Monteiro, e pela diretora da Fundação Perseu Abramo Iole Iliada Lopes, o venezuelano Filinto Durán, deputado do Parlamento Latino-Americano; Oscar Labarote, embaixador representante especial para a integração e a participação social do Ministério das Relações Exteriores da Argentina; João Felício, secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores (CUT); Oscar Vega, do grupo Comuna e colaborador do governo da Bolívia; Jose Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil (PCdoB); Carlos Baraibar, senador pela Frente Ampla do Uruguai; Valter Pomar, secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores (PT); e Hector Frangilals, membro do Partido Comunista de Cuba.

Adalberto Monteiro abriu o seminário com uma breve exposição sobre a integração da América Latina, destacando que a crise financeira e econômica impacta a região para o bem e para o mal. Segundo ele, o círculo virtuoso social e político pelo qual passa a América Latina tem sido intensamente debatido – fato que constitui um elemento positivo para a agenda das forças progressistas locais.

Adalberto Monteiro citou o exemplo da cúpula latino-americana e caribenha realizada em dezembro passado na cidade de Salvador (BA) e lembrou que o assunto foi objeto de debate no histórico encontro dos cinco chefes de Estado ? Luis Inácio Lula da Silva (Brasil), Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morqles (Bolívia) e Fernando Lugo (Paraguai) -, realizado no atual Fórum Social Mundial (FSM).

Simbolismo do local do seminário

E alertou que, como sempre acontece, o capitalismo joga nos ombros dos trabalhadores e dos povos a conta de suas crises. O presidente da Fundação Maurício Grabois também destacou que é preciso proteger a economia nacional e também os direitos dos trabalhadores. Mas sé isso não basta, ressaltou. Segundo ele, é preciso que os povos e os movimentos sociais se unam aos governos democráticos e progressistas em âmbito regional e global para enfrentar a crise com eficiência.

O  presidente da Fundação Maurício Grabois também destacou a estratégia dos países imperialistas de empurrar para a periferia do sistema capitalista os custos da crise. Segundo Adalberto Monteiro, essa constatação evidencia a necessidade de uma gestação, no FSM, de uma diretiva para uma jornada global de mobilização.

Ele terminou a intervenção instando os debatedores a considerar questões como os caminhos para acelerar o processo de integração e lembrou o simbolismo da realização do seminário na tenda ”Cuba 50 anos” ? a ilha rebelde que enfrenta o cerco do imperialismo e persiste no caminho revolucionário.

Necessidade das pessoas, não o lucro

Filinto Durán fez a intervenção seguinte, destacando o compromisso revolucionário do governo venezuelano com a integração entre os paises da região, sempre respeitando os princípios da solidariedade, da cooperação e de soberania nacional. Filinto Durán também expôs aspectos da revolução bolivariana, enfatizando as conquistas sociais, e reforçou os princípios da política do governo da Venezuela nas relações com os demais países.

Ele explicou que a criação da Alternativa Bolivariana das Americas (Alba) é a confirmação da aliança estratégica regional. Filinto Durán também ressaltou a importância de desenvolver políticas, no âmbito da Alba, que responda às necessidades materiais, culturais e espirituais de todas as pessoas. Segundo o representante venezuelano, essa avançada estratégia de integração solidária precisa também elaborar formas de financiamentos de projetos de desenvolvimento com a finalidade de combater a pobreza e a exclusão social.

Para ele, a Alba deve ter como alvo a necessidade das pessoas, não o lucro – como ocorre nos processos de acumulação privada. Filinto Durán destacou ainda a Unasul e o banco do sul como outras iniciativas para a busca de uma melhor qualidade de vida na região.

Barreira ao imperialismo

Oscar Labarote, da Argentina, falou em seguida e destacou a necessidade de os povos enfrentar a crise e lembrou que enquanto ocorre o FSM a elite econômica do mundo está reunida em Davos, na Suíça. Segundo o representante argentino, seria interessante saber a conclusão a que eles chegaram ao analisar a catástrofe que provocaram. Para ele já é possível fazer um balanço, com base nos acontecimentos do FSM, que outro mundo é possível e que ele virá pela resistência dos povos à ofensiva conservadora.

Segundo Oscar Labarote, uma nova constituição de forças políticas na região vai mostrando a possibilidade de um mundo disposto a não tolerar injustiças sociais. Para o representante argentino, essa nova configuração política já é uma barreira à imposição da hegemonia imperialista na região. Mas, ressaltou, não se pode desprezar a força das oligarquias, que se organizam para tentar recompor a sua dominação.

Outro mundo socialista possível

Oscar Labarote disse ainda que o socialismo deve ser o paradigma deste outro mundo possível. Para ele, cada povo deve decidir, com base em suas características históricas, sobre o caminho a seguir na luta pela superação do capitalismo. O representante argentino enfatizou que o processo de integração latino-americano avança nessa direção e que por isso enfrenta cada vez mais desafios.

Segundo ele, o principal desafio atualmente e do integrar Cuba nas organizações multilaterais regionais. Oscar Labarote lembrou que o assunto foi tratado no âmbito do Grupo do Rio, que decidiu acolher a ilha revolucionária. Agora, destacou, o desafio é fazer uma integração de fato latino-americana, sem a ingerência dos Estados Unidos. Ele também comentou o significado do recente referendo na Bolívia, um símbolo dos avanços democráticos e populares na região.

Oscar Labarote, é preciso criar uma América Latina Popular. Ele finalizou dizendo que os partidos populares e os movimentos sociais têm a missão de trabalhar por um mundo miltipolar, do qual a América Latina deve ser um do pólos.

Avanço da esquerda social

João Felício, da CUT, foi o orador seguinte e iniciou a sua exposição dizendo que a central tem a sua agenda ligada ao mundo do trabalho mas não se limita a essas questões. Para ele, o movimento sindical deve ter um sentido mais amplo, uma agenda voltada para os mais diferentes aspectos das atividades humanas. Segundo o dirigente da CUT, a América Latina vive uma situação diferente, com avanços importantes, que diferencia substancialmente da realidade vivenciada no passado recente.

João Felício disse que este fenômeno faz avançar também a aliança política unitária e estimula o avanço da esquerda social. Isso se deve, segundo ele, aos espaços que os governos progressistas permitem aos movimentos sociais. Não são ainda os avanços dos sonhos, afirmou, mas a situação é bem diferente dos tempos do neoliberalismo, quando os movimentos sociais eram tratados com repressão.

Aspectos da legislação trabalhista

João Felício ressaltou que esse cenário favorável não dever servir para um dar de ombros às ameaças de retrocesso, e alertou que os movimentos sociais só avançam na democracia. O dirigente cutista disse ainda que tem enorme respeito pela integração comercial da regional, como os investimentos do BNDES em infra-estrutura, mas que é preciso uma agenda social regional.

Esse aspecto da integração, disse João Felício, não pode ser secundarizado. Segundo ele, os movimentos sociais precisam ter voz e estar presente nas negociações. O dirigente cutista defendeu, por exemplo, a unificação de alguns aspectos da legislação trabalhista. Ele citou o caso da aposentadoria, Que poderia contar tempo de trabalho em diferentes paises.

Ação conjunta de respaldo á Alba

Em seguida, Oscar Vega, da Bolívia, fez a sua intervenção iniciando com um breve relato do processo que levou à recente aprovação da nova Constituição do país. Segundo ele, a Carta Magna aprovada garante ao povo formas de se organizar e produzir coletivamente e com democracia.

Em seguida ele comentou que o Brasil historicamente tem sido forçado a não se integrar à América Latina para que a força do povo brasileiro não se some à luta integrador da região. Há o aspecto lingüistico, disse, mas o determinante são as manobras imperialistas. Com o governo Lula, o Brasil passou a desempenhar importante e decisivo papel para a integração da região, destacou.

Oscar Vega ressaltou ainda a importância de uma ação conjunta de respaldo à Alba, à Unasul, ao banco do sul e à perspectiva de uma moeda única para a América do Sul. Ele também comentou os limites da integração restrita à circulação de mercadorias e objetos. Oscar Vega finalizou dizendo que o processo de mudanças na Bolívia precisa do apoio dos povos vizinhos. Segundo ele, sem o apoio continental o processo boliviano fica ameaçado.

Denúncia de descaso com os indígenas

No início da intervenção do orador seguinte, José Reinaldo Carvalho, um grupo indígena ocupou o palco para denunciar o abandono e as ameaças a que estão submetidos. Segundo os indígenas, muitas doenças estão dizimando a população local. O microfone foi franqueado para que eles denunciassem o problema e vários deles usaram a palavra.

José Reinaldo Carvalho registrou em seguida que a manifestação foi uma demonstração de que as barreiras do preconceito começaram a ser rompidas. Segundo ele, a exposição do problema indígena foi a demonstração mais cabal de que sem a integração de todos os povos não é possível acabar com as iniqüidades sociais.

Crises e guerras no mundo atual

Após o registro do protesto indígena, José Reinaldo Carvalho reiniciou a intervenção afirmando que este FSM passa para a história como o mais politizado de todos. Em seguida lembrou as palavras de George Bush pai, pronunciadas em 1992, quando ele disse que com ”a graça de Deus a América venceu a Guerra Fria” e que o líder do ocidente passaria a ser líder de todo o mundo.

Segundo o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, as palavras de Bush pai contrastam com a realidade de hoje, que reserva ao mundo uma encruzilhada trágica. O que caracteriza o mundo atual, disse José Reinaldo Carvalho, são as crises e as guerras. Para ele, esse fenômeno é intrínseco ao sistema capitalista. O secretário de Relações Internacionais do PCdoB destacou a crise não é fruto de falhas de alguém ou da incompetência de maus governos, mas do próprio sistema.

Experiências louváveis do século XX

A crise, disse ainda, agudiza todas as contradições do sistema capitalista e os trabalhadores são as primeiras vitimas. José Reinaldo Carvalho também mencionou a erosão do dólar como moeda-padrão internacional, outro fator relevante da crise. Tudo isso, segundo ele, evidencia que não bastam remendos para uma superação efetiva da crise. É preciso um novo poder político, um poder popular.

Para o secretario de Relações Internacionais do PCdoB, a integração da América Latina e do Caribe deve ocorrer com esta perspectiva. Segundo José Reinaldo Carvalho, o progresso econômico e social depende de um novo modelo de desenvolvimento. A integração, destacou, precisa ocorrer com a perspectiva socialista no horizonte.

Ele finalizou enfatizando que o PCdoB apóia a integração proclamando a luta pelo socialismo como uma necessidade histórica. Segundo o secretário de Relações Internacionais do PCdoB, a transformação revolucionaria virá com a acumulação de forças. E enfatizou que as experiências do socialismo no século XX foram louváveis mas não se deve copiar modelos, nem os autuais. Para ele, o socialismo será uma construção dos povos, cada qual com suas características.

Acelerar o passo da integração

O orador seguinte foi Carlos Baraibar, do Uruguai. Ele destacou que a presença de cinco presidentes progressistas, recepcionados por uma multidão, no FSM foi uma demonstração de vitalidade dos avanços sociais na região. Segundo ele, a luta contra o neoliberalismo e o imperialismo avança na medida em que as forças democráticas e progressistas se unem e definem estratégias comuns. Para o presidente do Uruguai, a inclusão de Cuba no Grupo do Rio foi um passo significativo nessa direção.

O penúltimo orador foi Hector Fraginals, de Cuba. Ele criticou o modelo consumista do chamado Primeiro Mundo e destacou que a América Latina é hoje o principal centro de resistência a ordem política predominante no mundo. Segundo o representante cubano, o movimento social desempenha papel fundamental nesse processo.

Hector Fraginals disse ainda que o processo unitário de integração latino-americano avança passo a passo e deve continuar avançando sempre procurando acelerar o passo. Segundo ele, é inevitável que nesse processo os paises com mais recursos ajudem mais. Ele destacou dados que mostram os avanços sociais em Cuba e finalizou com a tradicional saudação revolucionaria de ”até a vitória, sempre”.

Dois aspectos da crise

Valter Pomar foi o ultimo orador e disse que a crise é do capitalismo, não só do neoliberalismo, Para ele, a crise não surpreende porque ela faz parte do sistema. Segundo o dirigente petista, as forças democráticas e populares não devem se acovardar diante dela porque o cenário atual oferece uma oportunidade para a edificação de uma nova ordem internacional.

Segundo Valter Pomar, existem dois aspectos que precisam ser considerados – um estratégico e outro tático. O primeiro, segundo ele, é que as crise nos países centrais abre uma janela importante para a América Latina construir um novo caminho de desenvolvimento. Do ponto de vista tático, disse ele, a crise é uma ameaça aos direitos sociais e à democracia. Ela pode ser usada pelo imperialismo para tentar desestabilizar a América Latina.

Ampliar a democracia é o caminho para que os povos possam ter consciência da importância de defender os avanços sociais, enfatizou. Ele citou o exemplo da Bolívia e da Venezuela como paradigma para o aprofundamento da democracia. Segundo Valter Pomar, a premissa é o fortalecimento do papel do Estado e o aumento dos investimentos públicos e sociais.

Poder real para o povo

Para o dirigente petista, a crise influencia contraditoriamente o processo de integração latino-americano. Ela acentua os conflitos sociais e a assimetria entre os paises. Para ele, seria um erro algum pais fechar-se em copa e tantar resolver o problema de costas para os outros.

Valter Pomar destacou que a integração precisa de uma institucionalidade produtiva. E citou como exemplo a Unasul, que deve ser ampliada para dimensões latino-americanas, e a perspectiva de criação de uma moeda local que acabe com a hegemonia do dólar no comércio local.

E finalizou destacando a importância da ampliação do debate de idéias. Segundo ele, é preciso construir uma estratégia comum porque mesmo nos paises com governos progressistas a estrutura tradicional de poder ainda é forte. Para o dirigente custista, o povo precisa ter poder real para governar segundo as suas necessidades.

De Belém, Osvaldo Bertolino

Êxito: Fórum Social reuniu 150 mil pessoas de 142 países

do portal vermelho

O Fórum Social Mundial 2009, realizado pela primeira vez na Amazônia, em Belém do Pará, chegou ao fim neste domingo (1°) com um total de 133 mil participantes inscritos, de 142 países, informou a organização do evento. Mas, no total, o número de pessoas envolvidas no FSM — reunindo participantes e trabalhadores — chegou a 150 mil.

 

 O último dia do Fórum foi marcado pela realização de assembléias setoriais temáticas, pela parte da manhã, com a divulgação de algumas conclusões dos debates. Na parte da tarde, ocorreu a Assembléia das Assembléias, com apresentação de algumas propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Local e data do próximo FSM não foram definidos no domingo. O que está definido é que deverá ser em um país da África, em 2011.

 Além das datas tradicionais — como os dias internacionais da mulher e dos trabalhadores rurais, e da cúpula do G8, em julho, da Cúpula das Américas, em abril, e do Clima, em dezembro —, os movimentos sociais propuseram a realização de uma semana de protestos contra o capital e a guerra entre os dias 28 de março e 4 de abril. Neste período, será criada uma nova articulação de países ricos que, além dos oito do G8, incluirão as demais 12 nações mais ricas do mundo.

Outro evento que deve ser alvo de mobilizações é a comemoração dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para o dia 4 de abril, em Estrasburgo, na França. No dia 30 de março, estão previstas ações unificadas de apoio à Palestina e contra os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza.

Já as organizações que discutem a dívida externa de países do Sul lançaram uma convocação para que todos os governos implementem auditorias e, com base nelas, declarem a ilegalidade das dívidas, suspendendo os pagamentos e exigindo reparação por processos abusivos de endividamento. O documento, assinado pela Campanha Jubileu Sul e pela Comissão Internacional pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, também pede que os governos dos países do Sul se retirem do G20.

 A organização do FSM divulgou os seguintes números como balanço final:

 1- Total de participantes: 133mil

 2 – Participantes inscritos no acampamento: 15 mil

 3 – Crianças recebidas na Tenda Curumim-Erê : 3 mil crianças

 4 – Trabalhadores voluntários, tradutores, equipe técnica e representantes de entidades organizadoras: 4.830

 5 – Expositores de tendas, feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e lanchonetes: 5.200

 6 – Eventos culturais: 200

 7- Artistas: 1.000

 8 – Profissionais comunicadores da imprensa oficial, mídia alternativa ou freelancer: 4.500 (2.500 credenciados e 2.500 à distância)

 9 – Entidades e organizações inscritas: 5.808

 Por continente:

África: 489
América Central: 119
América do Norte: 155
América do Sul: 4.193
Ásia: 334
Europa: 491
Oceania: 27

 10 – Atividades autogestionadas inscritas: 2.310

 11- Veículos de comunicação credenciados: 800 veículos de equipes de 30 países.

 12 – Pesquisas de perfil de participantes: aproximadamente 2.150 entrevistas por amostragem.

 Da Redação, com informações da Carta Maior

 

 

 

Surgem as primeiras avaliações do FSM

do blog do Osvaldo Bertolino

Um outro mundo possível pode estar além do espaço de debates e discussões do Fórum Social Mundial (FSM).

Ao fim da nona edição, as primeiras análises sobre a maior reunião de movimentos sociais do planeta começam a aparecer.

O sociólogo Emir Sader avalia com “frustração” o resultado de uma semana de debates sobre alternativas à situação mundial.

“Há um certo sentimento de frustração em relação ao que o Fórum poderia dizer o mundo, mas parece que está girando em falso”, apontou.

Sader reitera a opinião apresentada antes do início do evento: o Fórum precisa se renovar.

A mudança incluiria mais espaço para os governos no FSM. Sader fez duras críticas à presença maciça de organizações não governamentais (ONGs) no Fórum, em detrimento dos movimentos sociais.

“Onde estão as massas nas ruas mobilizadas pelas ONGs? Quem faz o Fórum são os movimentos populares. Elas [ONGs] têm lugar, mas o protagonismo tem que ser dos movimentos sociais”, disse.

Na avaliação de Sader, “as ONGs não podem ser o paradigma de outro mundo possível”.

O cientista defende a integração de experiências altermundistas reais ao espaço de debates do Fórum, mesmo que venham de governos.

“O Evo Morales não deveria ter vindo apenas para as reuniões com os presidentes, deveria ter vindo até aqui, mostrar as experiências que a Bolívia está vivendo como o regime democrático mais legitimado da América Latina”, avaliou.

Mais otimista, o jornalista Luis Hernández Navarro, editor do jornal mexicano La Jornada, acredita que a volta do FSM ao Brasil renovou as perspectivas do encontro, que nos últimos anos dava sinais de esgotamento.

“Depois de Nairóbi (2007), em que até empresas privadas financiaram o Fórum, achei que o lema ‘outro mundo é possível’ poderia ser trocado para ‘outro turismo é possível’. Dava a impressão que o modelo de Porto Alegre havia passado por provas difíceis de superar”, afirmou.

A avaliação de Navarro ao fim de uma semana do Fórum amazônico mudou.

“O Fórum existe. Não é uma invenção, uma quimera, ou uma construção midiática. É um foco importante de irradiação de idéias”, disse.

Navarro defende o FSM como única instância internacional de ativism

“É a única organização multi-setorial com um projeto emergente”, afirmou.

Para o jornalista, a presença de cinco presidentes latino-americanos no FSM mostra que a reunião ainda influencia a tomada de decisões políticas.

“O Fórum faz sonhar e pode ter muito a dizer, pela capacidade de pensar alternativas para a crise”, disse.

As informações são da Agência Brasil

Cebrapaz faz campanha contra agressões de Israel no Fórum Social Mundial

do site do cebrapaz
criançamorta_PalestinaDurante o Fórum, o Cebrapaz está recolhendo assinaturas para uma petição que pretende pedir ao Tribunal Internacional das Organizações das Nações Unidas (ONU) que julgue o Estado de Israel pela prática de crimes de guerra diante da ofensiva contra o povo palestino.

Segundo Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Cebrapaz, Israel comete massacre de palestinos, ignorando os tratados mundiais contra as guerras. “A humanidade está estarrecida, pois são crimes contra toda a humanidade”, afirmou.

“Aquilo é um massacre de um povo, um genocídio”. Socorro diz que a ofensiva militar israelense não se justifica. “Já foram mais de mil palestinos assassinados e 25 soldados israelenses, sendo que a maioria foi por fogo amigo”, relata Socorro.

“São pessoas reais que, neste momento, sofrem as dores ou a perda de parentes”, afirmou. Refat diz que1.400 palestinos já foram mortos e mais de 5 mil foram feridos por causa dos bombardeios israelenses.

Dezenas de fotos espalhadas pela grama mostram a situação daqueles que mais sofrem com a guerra: mulheres, crianças e civis que nada têm a ver com disputas políticas ou religiosas. A reação de Israel na Faixa de Gaza contra possíveis alvos do Hamas, expõe corpos sob escombros, crianças mutiladas, pessoas sangrando.

Um painel simbólico e significativo, que, com certeza,marcou a vida de quem passou na frente da Reitoria da Universidade Federal do Pará (UFPA), na manhã de ontem, durante o Fórum Social Mundial. Segundo Refat Sabbah, um dos PA lestinos presentes no ato, as fotos representam a violência que está acontecendo atualmente na Faixa de Gaza.

“Isso é um massacre, até ambulâncias da ONU foram bombardeadas”. O Centro pretende usar o espaço do Fórum para alertar o mundo contra a reativação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos, criada em 1943 para combater submarinos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial.

“Eles estão ameaçando a paz, a segurança dos povos das Américas”, declara Gomes alertando que o objetivo da reativação seria ampliar a hegemonia militar americana no mundo e ameaçar os governos da América Latina.

Fonte: www.diariodopara.com.br

Maringoni: Por que os presidentes vieram ao Fórum?

 do portal vermelho

fonte: http://www.cartamaior.com.br  

O encontro de cinco presidentes marca um dos pontos mais altos de todas as edições do FSM. Todos se legitimam e legitimam o evento, que torna-se definitivamente parte da agenda política mundial. Lula, que esteve duas vezes em Davos, decidiu não subir aos alpes suíços neste ano.

Por Gilberto Maringoni, de Belém para a Carta Maior*

A quinta feira, 29, foi o principal dia do Fórum Social Mundial de 2009. Em um evento tradicionalmente fragmentado, difícil de ser coberto jornalisticamente, tal a multiplicidade de debates e encontros de qualidade, a síntese foi feita pela política. Pela grande política.

Três iniciativas de envergadura marcaram o dia e tornaram o encontro de Belém um marco da agenda política internacional. O primeiro foi a assembléia realizada à tarde entre os movimentos sociais e os presidentes da Venezuela, da Bolívia, do Paraguai e do Equador. O segundo, simultâneo, marcou a presença da ministra Dilma Rousseff e de várias dirigentes políticas do Brasil e do exterior. E a apoteose aconteceu no ato para 12 mil pessoas, com a presença de Lula e um bis de Hugo Chávez, Evo Morales, Fernando Lugo e Rafael Correa.

Entre os dois atos com os chefes de Estado, aconteceu uma rápida reunião fechada entre eles, uma mini cúpula latinoamericana. É algo inédito no âmbito de um encontro de movimentos sociais de todo o planeta. Até mesmo a ex-candidata a presidente da França, Ségolène Royal, marcou presença em terras amazônicas. Veio para ouvir, ressaltou.http://www.cartamaior.com.br

Melhores momentos

Foi um dos melhores momentos de todas as oito edições do FSM. Lula, que participou de quatro das iniciativas em Porto Alegre e marcou presença por duas vezes em Davos, decidiu não subir aos montes suíços neste ano. Mais do que ninguém, ele sabe do possível desgaste em associar sua imagem à parte dos financistas responsáveis pela crise econômica internacional.

Chávez, por sua vez, reconhece há muito a importância do evento ao qual compareceu por três vezes. Em 2003, acossado por um locaute petroleiro de dois meses que quase o derrubou, decidiu vir ao Fórum com o objetivo de ganhar legitimidade internacional para seu enfrentamento.

O que leva chefes de executivo a abrirem espaço em suas agendas para comparecerem a um encontro dessa natureza? Certamente votos é o que não vêm buscar. Mas procuram solidificar ou recompor vínculos objetivos e simbólicos com setores da sociedade que alicerçaram suas trajetórias e, em última análise, sustentam suas administrações. O caminho não é de mão única. O encontro ganha peso e densidade política internacional com isso.

Certas divergências organizativas ficaram para trás. Não se questiona mais uma suposta autonomia entre Estado e Fórum Social, em uma clara indicação que o debate em seu interior mudou de patamar, para melhor.

Disputa

Nem tudo é tranquilo, no entanto. As duas atividades desta quinta com os chefes de Estado envolveram uma disputa, estabelecida entre o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o governo Lula. Descontentes com o que avaliam serem os poucos avanços da reforma agrária, os dirigentes do movimento decidiram não convidar o presidente brasileiro para a atividade do período da tarde.

Sua própria realização por pouco não fica comprometida pela absoluta falta de lugares disponíveis na capital paraense, nesses dias de grandes e pequenas plenárias. A saída foi buscar o auxílio do PSOL, que havia obtido a cessão de um ginásio universitário para uma plenária sindical. O partido abreviou suas atividades e com isso, cerca de 1,2 mil ativistas puderam participar de um encontro que expressa ”um momento mágico da América Latina”, segundo as palavras de Rafael Correa.

Diálogo

Em um diálogo inédito, os quatro mandatários ouviram previamente demandas de representantes dos movimentos, o que levou Morales a lembrar que ”somos presidentes originários das lutas sociais continentais”. O líder boliviano era o mais entusiasmado de todos. Acabara de vencer o plebiscito que aprovou por larga maioria a nova constituição do país, reduzindo o espaço institucional da oposição de direita.

Em sua intervenção, Fernando Lugo decidiu radicalizar. Afirmando desejar unificar as lutas regionais, ressaltou que isso não implica ”abrir mão de nossos direitos”. E emendou sua principal reivindicação: ”Queremos o preço justo e a possibilidade de dispormos livremente de nossa energia. Lula não pode dizer não, pois o tratado foi firmado entre duas ditaduras”.

O ex-bispo referia-se ao tratado de Itaipu, firmado em 1973 entre Brasil e Paraguai, que dá preferência ao primeiro na compra e na fixação dos preços do excedente energético paraguaio. ”Queremos voltar conquistar a nossa dignidade e negociar de igual para igual. Enquanto não alcançarmos isso, nossa alma não terá paz”. Mais tarde, na presença de Lula, Lugo faria um discurso mais moderado, não entrando em maiores polêmicas.

O encontro com Lula

À noite, cerca de 12 mil pessoas aglomeraram-se no Hangar, imenso salão de convenções, em atividade promovida pelo Ibase, pelo Instituto Paulo Freire e pela Central Única dos Trabalhadores. Telões ampliavam as imagens dos cinco dirigentes. As falas foram curtas e mais objetivas.

Chávez que se estendera por 53 minutos à tarde discursou por apenas 15. As ovações ao anúncio de seu nome só foram suplantadas quando Lula tomou a palavra para um discurso iniciado com uma homenagem aos mortos nas lutas pela democracia no continente. Pedindo a unidade das forças populares contra a crise, o brasileiro não buscou esconder diferenças. ”É melhor ter divergências e sentar para conversar em torno de uma mesa do que fazer de conta que tudo está indo bem. Agora o jogo é o da verdade”.

Eleições

João Pedro Stédile chegou a falar, no encontro com os movimentos populares, que as eleições não resolvem os problemas da região. ”Se fosse assim, a Itália estaria muito bem”, disse ele. Não é bem assim. Todos os mandatários latinoamericanos foram eleitos, reeleitos e referendados em seguidas consultas populares. Se a democracia real não conseguiu resolver os problemas, as soluções devem ser buscadas nas combinações de demandas sociais com o alargamento dos espaços institucionais. O próprio Fórum Social Mundial não existiria se governos democráticos não tivessem sido eleitos e investido dinheiro e estrutura em iniciativas desse tipo.

Nos tórridos dias de Belém, muitos se queixam de falhas na organização. É natural, mas tudo acaba se articulando. Davos, por sua vez, aparenta funcionar com a precisão dos outrora famosos relógios suíços. Mas a desorganização que suas diretrizes provocaram no mundo tem poucos paralelos na história recente…

Fonte:

Lula diz que “deus mercado” quebrou por falta de controle

DO PORTAL DA CTB

30/01/2009

Para uma platéia de mais de 8 mil pessoas e ao lado de quatro presidentes da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula Silva criticou, ontem (29) à noite, o Fundo Monetário Internacional (FMI), defendeu a intervenção do Estado na economia e voltou a dizer que a culpa pela crise financeira internacional é dos países ricos.

Lula e os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, Evo Morales, da Bolívia, Fernando Lugo, do Paraguai, e Rafael Correa, do Equador, participaram de um debate durante o Fórum Social Mundial.

“A crise não nasceu por causa do socialismo bolivariano do Hugo Chávez. Não nasceu por causa da Constituição de Evo Morales. A crise nasceu porque durante os anos 80 e 90 eles defenderam a lógica de que o Estado não podia nada e que o ‘deus mercado’ ia desenvolver o país e fazer justiça social. Esse ‘deus mercado’ quebrou por falta de controle, por irresponsabilidade”.

O presidente criticou instituições financeiras internacionais, como o FMI e o Banco Mundial, que em crises anteriores emprestavam dinheiro aos países pobres mas exigiam como contrapartida a redução de investimentos na área social.

“Parecia que eles eram infalíveis e nós, incompetentes. Espero que o FMI diga ao Barack Obama  o que ele  tem que fazer para consertar a economia. Diga à Alemanha como tem de resolver, ao Nicolas Sarkozy, ao Sílvio Berlusconi como vão cuidar das crises que eles criaram”, ironizou.

Ao se dirigir aos colegas de continente, Lula preferiu falar das semelhanças entre eles em suas trajetórias políticas até chegar à Presidência e evitou polemizar sobre as divergências em relação à Hidrelétrica de Itaipu, com Fernando Lugo, ou os problemas com o fornecimento de gás boliviano, com Evo Morales.

Durante o debate, Chávez, Correa, Lugo e Morales repetiram o discurso que fizeram durante a tarde pedindo união entre os países da América Latina para superar a crise e apresentar ao mundo um novo modelo de desenvolvimento. “Um outro mundo é possível, necessário e está nascendo agora na América Latina”, disse Chávez.

Nesst sexta-feira (30), Lula vai se reunir com o comitê internacional do Fórum Social Mundial e em seguida almoçar com a governadora do Pará, Ana Julia Carepa.

Chavez: FSM é o evento político mais importante do mundo

do site agência bolivariana de noticias

Caracas, 29 de janeiro de 2009 ABM.

O Presidente venezuelano, Hugo Chavez Frias, qualificou o Forum Social Mundial(FSM) como o evento político de maior importancia que se  tem no mundo, pois se converteu em um espaço de eventos concretos e de ofensiva contra a nova conjuntura que vive a America Latina.

No Centro de Convençoes e Feiras do Hangar, localizado no extremo Norte do Brasil, os presidentes latino americanos Hugo Chavez Frias, Luis Inácio Lula da Silva, Rafhael Correa, Evo Morales e Fernando Lugo, debateram sobre as alternativas existentes frente a crise financeira mundial e consideraram em seus discursos que o avanço do FSM está em  uma nova fase.

Para eles está demonstrado que existem alternativas para a construção de uma novo mundo  e neste sentido manifestaram seus otimismo frente as  perspectivas econômicas, sociais e políticas da região, do nascimento de um mundo com maior inclusão e igualdade social.

Chavez reafirmou que outro mundo e possivel e necessário, e que sem dúvidas na ” América Latina está ocorrendo uma verdadeira revolução”.

“Se pudéssemos pedir algo aos movimentos socials é que redobrem a ofensiva popular para as trocas revolucinárias  “, enfatizou.

De sua parte, o presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou que a América Latina pode responder com mairo força a crise econômica que hoje preocupa o mundo, graças ao despertar e a resistencia dos povos que consolidaram os governos progressitas que hoje estão a frente de um só bloqueio ao neoliberalismo.

De acordo com o que foi dito pelo Chefe de Estado Equatoriano, a solução para encarar esta crise é dar continuidade e força ao projeto socialista que invade o Sul e parte da América Central. Manifestou, também, estar certo de que este se expandirá para outras latitudes.

Entretanto, o presidente da República do Paraguai, Fernando Lugo, apontou que as trocas produzidas por este movimento já se começam a notar e falou que elas se evidenciam na agudização da crise capitalista , assim como desponta um novo sistema na região , que opta preferencialmente pelos homens e suas necessidades.

Comentou que os tempos atuais são de muita esperança para que exista uma América Latina com maior desenvolvimento Social e econômico, para o qual se faz necessário que cada um dos governantes da região estabeleça condições que garantam emprego, igualdade social e maior estabilidade para sua população.

Também, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que para ele “não existe nada mais importante que governar com os movimentos sociais, com os humildes, com os lutadores de sempre”

Também assinalou que os presidentes devem governar para o povo e comentou que as forças sociais do mundo serão as que salvarão a humanidade e seu conjunto e não os privilegiados , os poderosos que só pensam em acumular capital para poucas mãos.

No mesmo sentido, o Presidente do Brasil, Luis Inácio Lula da Siva, afirmou que as coisas estão mudando no mudo e destacou que a crise do sistema capitalista é uma oportunidade para construir algo diferente: ” a política do pleno desenvolvimento econômico de nossos países”.

Refltiu sobre as melhores oportunidades que têm os países em desenvolvimento frente aos países ricos.” Parece uma incongruencia mas é a relaidade”, declarou.

O Forum Social Mundial de 2009 começou oficialmente nesta quarta-feira , em Belém do Pará e se estenderá até o próximo dia 1 de fevereiro.

Os organizadores informaram que houve 120 mil pessoas inscritas, 2.400 atividades e mais de 5.000 delegações de 150 países.

TRADUÇÃO DE MÁRCIA SILVA (EU MESMA)

O Fórum Social Mundial e a crise da globalização

da revista Le monde diplomatique -Brasil-   janeiro 2009

O fracasso do fundamentalismo de mercado amplia as tentações autoritárias e xenófobas — mas também abre novas oportunidades. Distribuição de renda, nova geopolítica internacional e regulação pública das finanças e reinvenção da democracia estão na agenda. Só será possível avançar propondo alternativas

Gustave Massiah

O Fórum Social Mundial (FSM) de Belém abre um novo ciclo do movimento altermundialista. O FSM acontecerá na Amazônia, no coração da questão ecológica planetária, e deverá colocar a grande questão sobre as contradições entre a crise ecológica e a crise social. Será marcado ainda pelo novo movimento social a favor da cidadania na América Latina, pela aliança dos povos indígenas, das mulheres, dos operários, dos camponeses e dos sem-terra, da economia social e solidária.

Esse movimento cívico construiu novas relações entre o social e o político que desembocaram nos novos regimes e renovaram a compreensão do imperativo democrático.

Ele modificou a evolução do continente, mostrando a importância das grandes regiões na globalização e diante da crise de hegemonia dos Estados Unidos. O movimento altermundialista deverá também responder à nova situação mundial nascida da crise escancarada da fase neoliberal da globalização capitalista.

O movimento altermundialista em seus diferentes significados é portador de uma nova esperança nascida da recusa da fatalidade. É esse o sentido da afirmação “um outro mundo é possível”. Não vivemos nem “o fim da História” nem “o choque de civilizações”.

Ao longo dos fóruns, uma orientação estratégica se consolidou: a do acesso aos direitos fundamentais para todos. Trata-se da construção de uma alternativa à lógica dominante, ao ajustamento de todas as sociedades ao mercado mundial

A estratégia desse movimento se organiza em torno da convergência dos movimentos sociais e pela cidadania que enfatizam a solidariedade, as liberdades e a paz. No espaço do FSM, eles comparam suas lutas, práticas, reflexões e propostas. E constroem também uma nova cultura política, fundada na diversidade, nas atividades autogeridas, na partilha, na “horizontalidade” em vez da hierarquia.

Ao longo dos fóruns, uma orientação estratégica se consolidou: a do acesso aos direitos fundamentais para todos. Trata-se da construção de uma alternativa à lógica dominante, ao ajustamento de todas as sociedades ao mercado mundial por meio da regulação pelo mercado mundial de capitais.

À evidência imposta, que presume que a única forma aceitável de organização de uma sociedade é a regulação pelo mercado, podemos opor a proposta de organizar as sociedades e o mundo a partir do acesso para todos aos direitos fundamentais. Essa orientação comum ganha sentido com a convergência dos movimentos e se traduz por uma nova cultura da transformação que se lê na evolução de cada um dos movimentos.

Os debates em curso no movimento enfatizam a questão estratégica. Ela põe em relevo o problema do poder, que remete ao debate sobre o Estado, e atravessa a questão dos partidos e do modelo de transformação social, assim como dos caminhos do desenvolvimento.

O movimento altermundialista não se resume aos Fóruns Sociais, mas o processo dos fóruns ocupa de fato uma posição especial.

O movimento altermundialista não deixa de expandir e de se aprofundar. Com a expansão geográfica, social, temática, viu sua força aumentar consideravelmente em menos de dez anos. No entanto, nada está ganho, mesmo que a crise em muitos aspectos confirme várias de suas análises e justifique seu chamado à resistência.

Do ponto de vista ideológico, a crise do neoliberalismo está fortemente ligada ao aumento da força do altermundialismo, que evidenciou as contradições internas ao sistema. Mas vários cenários são possíveis a médio prazo

O movimento altermundialista é histórico e prolonga e renova os três movimentos históricos precedentes: o da descolonização – o altermundialismo modificou em profundidade as representações norte-sul em proveito de um projeto mundial comum; o das lutas operárias – desse ponto de vista, está comprometido com a mudança rumo a um movimento social e pela cidadania mundial; e o das lutas pela democracia a partir dos anos 1960-1970 – é um movimento pela renovação do imperativo democrático após a implosão dos Estados soviéticos em 1989 e as regressões representadas pelas ideologias e doutrinas de segurança/militaristas/disciplinares/paranóicas. A descolonização, as lutas sociais, o imperativo democrático e as liberdades constituem a cultura de referência histórica do movimento altermundialista.

O movimento altermundialista se vê diante da crise da globalização capitalista em sua fase neoliberal. Essa crise não é uma surpresa para o movimento; ela estava prevista e era anunciada há muito tempo.

Três grandes questões determinam a evolução da situação em escala mundial e marcam os diferentes níveis de transformação social (mundial, por região, nacional e local): a crise ecológica mundial, que se tornou patente, a crise do neoliberalismo e a crise geopolítica com o fim da hegemonia dos Estados Unidos.

A crise de hegemonia norte-americana aprofunda-se rapidamente. A evolução das grandes regiões se diferencia: as respostas de cada uma à crise de hegemonia norte-americana são muito diferentes. A luta contra a pretensa guerra entre civilizações e contra a tão real guerra sem-fim constitui uma das prioridades do movimento altermundialista.

A fase neoliberal parece ofegante. A nova crise financeira é particularmente grave. Não é a primeira crise financeira deste período (outras ocorreram no México, Brasil, Argentina etc.) nem é suficiente para sozinha caracterizar o esgotamento do neoliberalismo.

A consequência das diferentes crises é mais singular. A crise financeira aumenta as incertezas a respeito dos rearranjos monetários. A crise imobiliária nos Estados Unidos revela o papel que o superendividamento exerce, bem como suas limitações como motor do crescimento. A crise energética e a climática revelam os limites do ecossistema planetário. A crise alimentar, de gravidade excepcional, pode pôr em xeque os equilíbrios mais fundamentais.

O aprofundamento das desigualdades e das discriminações, em cada sociedade e entre os países, atinge um nível crítico e repercute na intensificação dos conflitos e das guerras e na crise de valores.

Os riscos de guerra são também uma saída clássica para as grandes crises. Não esqueçamos que o mundo já está em guerra e que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em regiões em guerra. Os conflitos são permanentes e a desestabilização é sistemática

As instituições responsáveis pela regulação do sistema econômico internacional (FMI, Banco Mundial, OMC) perderam a legitimidade. O G8 se reuniu para resolver os problemas do planeta. Mesmo remodelado como G20, com alguns países de peso a mais, não tem legitimidade para fazê-lo. Somente as Nações Unidas e sua Assembleia Geral, apesar de suas limitações, podem falar em nome de todos. O G20 não tem solução porque ele é o problema, na medida em que são esses países que têm a maior parte da responsabilidade pela crise atual. Para os povos e as sociedades, é hora de se fazer ouvir.

A incerteza pesa sobre o tempo e os horizontes da crise. É provável que um novo ciclo caracterize os 25 ou 40 próximos anos. A crise do neoliberalismo, do ponto de vista ideológico, está fortemente ligada ao aumento da força do altermundialismo, que evidenciou as contradições internas ao sistema. No entanto, a crise do neoliberalismo não significa seu desaparecimento irremediável. Além do mais, o movimento altermundialista não é único movimento antissistema. Outros movimentos de reintegração também podem contestar a corrente dominante. Vários cenários são possíveis a médio prazo, com numerosas variantes: um neoliberalismo reconfortado, uma dominante neoconservadora, uma variante neokeynesiana. Uma saída altermundialista é bem pouco provável a curto prazo, pois as condições políticas não foram ainda preenchidas; mas uma maior força do movimento altermundialista pesará sobre as escolhas possíveis.

É nos próximos cinco a dez anos que a nova racionalidade econômica se formalizará, assim como o neoliberalismo se impôs, a partir de tendências existentes, entre 1979 e 1985. Fica então a discussão sobre a sequência desse ciclo no futuro.

Immanuel Wallerstein trabalha com a hipótese de um retorno do ciclo secular, e mesmo multissecular, colocando para os próximos 30 ou 40 anos a questão histórica sobre a superação do capitalismo e criando assim uma nova perspectiva para o altermundialismo.

O ideograma chinês que representa a palavra “crise”, muito antigo e venerável, associa dois signos, contraditórios como é de esperar de toda boa dialética: o dos perigos e o das oportunidades.

O primeiro perigo se relaciona à pobreza e permite entrever profundas contradições por vir. A saída da crise consiste em fazer com que os pobres e, sobretudo, os discriminados e os colonizados paguem por ela. Trata-se também de espremer as camadas intermediárias. E, caso isso não funcione, fazer com que certas classes ricas também paguem a conta.

Para que tais políticas sejam “aceitas”, será preciso muita repressão, muita criminalização dos movimentos sociais, punição da solidariedade, propagação da ideologia da segurança, instrumentalização do terrorismo, que explora o medo para espalhar mecanismos de segurança e de disciplina, muita agitação racista, islamofóbica e nacionalista, muita criação de bodes expiatórios, exploração de migrantes e de ciganos.

Para além dos perigos, quatro oportunidades foram abertas pela crise. Já é possível falar em nova regulação pública, redistribuição de riquezas, menor desequilíbrio entre Norte e Sul e reinvenção da democracia

Essa evolução fará com que certas regiões rumem para regimes autoritários e repressivos, e mesmo para fascismos e populismos de contornos fascistas. Os riscos de guerra são também uma saída clássica para as grandes crises. Não esqueçamos que o mundo já está em guerra e que cerca de 1 bilhão de pessoas vivem em regiões em guerra. Os conflitos são permanentes e a desestabilização é sistemática.

As formas de guerra mudaram com a militarização das sociedades, o apartheid global, a guerra dos fortes contra os fracos, a banalização da tortura.

Pode-se lutar contra esses perigos pela resistência, pelas alianças e pelas coalizões em favor das liberdades, da democracia e da paz.

Para além dos perigos, que são mais conhecidos, quatro oportunidades foram abertas pela crise.

1. A derrota ideológica do neoliberalismo favorece a ascensão em termos de força das políticas de regulação pública.

2. A redistribuição das riquezas traz novamente a possibilidade de retorno ao mercado interno, à estabilidade de salários e à garantia das rendas e da proteção social, a uma nova ampliação dos serviços públicos.

3. O reequilíbrio entre norte e sul abre uma nova fase da descolonização e uma nova geopolítica do mundo. E é acompanhado por uma nova urbanização e por ondas migratórias que são as novas formas de povoamento do planeta.

4. A crise do modelo político de representação torna incontornável a ampliação da democracia social e o reforço da democracia representativa pela democracia participativa.

Entre 30 e 50 países emergentes – dos quais os três mais dinâmicos são Brasil, Índia e China – trazem a potencialidade de defender em conjunto seus pontos de vista e interesses. Não se trata de um mundo multipolar, mas da possibilidade de um novo sistema geopolítico internacional. As consequências poderiam ser consideráveis, notadamente para os termos de troca internacional e para as características das migrações.

Existem duas condições para essa evolução, que não se realizará sem algumas confusões. A primeira é que os países emergentes sejam capazes de mudar seu modelo de crescimento privilegiando o mercado interno e o consumo das camadas populares e classes médias, em detrimento das exportações. Essa desconexão é possível. A segunda é que os países emergentes construam alianças com os países do sul.

A primeira fase da descolonização fracassou, em grande parte, quando os países produtores de petróleo, após o choque de 1977, permitiram a divisão entre os países do sul. Essa condição permitiu ao G7, apoiado pelo FMI e pelo Banco Mundial, impor os ajustes estruturais.

Uma experiência neokeynesiana poderia se traduzir em reabilitação dos sistemas de proteção social e estabilidade salarial. Os pisos salariais, progressivamente elevados, seriam motor do crescimento. Mas há duas condições para tanto

A redistribuição de riquezas, necessária em razão da lógica do neoliberalismo e de seus excessos, abre espaço para uma tentação neokeynesiana. Ela consolida a tendência a reabilitar o mercado interno em escala nacional e estimula a integração regional.

Essa tentação neokeynesiana poderia se traduzir em uma reabilitação dos sistemas de proteção social e de uma estabilidade salarial. Os pisos salariais e sua progressão reencontrariam seu papel como motor do crescimento, no lugar do superendividamento que a crise dos subprimes revelou. O acesso universal a direitos, do qual os Objetivos de Desenvolvimento para o Milênio são um pálido sucedâneo, conquistaria de novo sua importância na agenda mundial. Existem duas condições para que se realize essa hipótese (que não deve ser confundida com a ideia de um simples retorno ao modelo keynesiano de antes do neoliberalismo).

A primeira é a necessidade de dar uma resposta aos limites ecológicos que tornam perigoso um prolongamento do produtivismo. A contradição entre o ecológico e o social tornou-se determinante, e sua superação é primordial. A segunda é a necessidade de uma regulação aberta em escala mundial, em comparação com a regulação nacional preconizada pelo sistema de Bretton Woods dos anos 1960.

O maior poder da regulação pública completará a derrota ideológica do neoliberalismo. O neoliberalismo permanece predominante, mas a ideologia neoliberal sofreu uma derrota lancinante, cuja recuperação será difícil. As nacionalizações ditas temporárias, até que se saia da crise, dificilmente poderão ser revertidas.

Os fundos soberanos já tinham aberto a via das intervenções inesperadas dos Estados em escala global. A análise e o questionamento das privatizações, até então pedidas sem qualquer sucesso, reservarão certamente algumas surpresas. A nova racionalidade dificilmente poderá continuar a submeter completamente a regulação aos mercados e a confundir o privado com os capitais e seus mercados.

Se o capitalismo não é eterno, a questão de sua superação pode ser atualizada. E poderíamos começar desde já a reivindicar e a construir um outro mundo possível

O retorno da regulação pública poderia tomar outro aspecto, distinto da estatização clássica, e combinar socialização e controle democrático. As diferentes formas de propriedade social e coletiva poderiam encontrar uma nova legitimidade. As nacionalizações poderiam adaptar-se à construção de novos blocos e comunidades regionais. A renovação dos modelos de poder e de representação deveria estar no centro das recomposições econômicas e sociais. É provável que a reconstrução do elo social encontre novas alternativas às formas jurídicas da democracia imposta de cima para baixo.

A democracia continuaria como uma referência, mas as determinantes poderiam mudar. Os sistemas institucionais e eleitorais dificilmente poderiam ser considerados como independentes das situações sociais.

As reivindicações poderiam dar maior relevo às liberdades individuais e coletivas e às respectivas garantias. O acesso aos direitos individuais e coletivos para todos poderia fundar uma democracia social sem a qual a democracia política perderia muito de seus atrativos.

As formas de articulação entre a democracia participativa e a democracia representativa, e sua ligação primordial com a democracia social, poderiam progredir e se diversificar.

Outros desdobramentos, já iniciados, deverão ganhar mais importância. As coletividades locais expandirão seu papel como poderes e instituições locais.

A aliança estratégica entre as coletividades locais e os movimentos associativos estará na base dos territórios e do reconhecimento da cidadania a migrantes.

Evidenciando o potencial trazido pelas resistências e pelas práticas atuais, o altermundialismo oferece uma perspectiva à saída da crise atual em seus diferentes aspectos.

Ele permite fundar, contra os conservadorismos autoritários e repressivos, coalizões pelas liberdades e pela democracia. Dá condições para o combate da possível aliança entre neoliberais e neokeynesianos, ao provocar as resistências e as reivindicações pela modernização social. Permite pressionar o neokeynesianismo até seus limites. E permite o esboço das alternativas que caracterizarão um outro mundo possível.

Mas é preciso ir além. Afinal, se o capitalismo não é eterno, a questão de sua superação pode ser atualizada. E poderíamos começar desde já a reivindicar e a construir um outro mundo possível.

Crise internacional será tema de conversa entre Lula e Chávez

do jornal diário do Pará

BELÉM (PA)- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que chegou há pouco ao Hotel Hilton, encontra-se hoje (29), às 17h, com os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Siva; da Bolívia, Evo Morales; do Equador, Rafael Correa; e do Paraguai, Fernando Lugo.

Antes, o presidente venezuelano deve conversar a sós com Lula. “Vamos falar de muitas coisas. Sempre falamos de muitas coisas, mas, desta vez, o mais importante é o tema internacional, as relabilaterais e a crise mundial”, informou Chávez.

Ele disse que não concorda com as críticas de  líderes de movimentos sociais presentes ao Fórum Social Mundial (FSM) a parcerias feitas por governos de países latino-americanos com mineradoras, empreiteiras e grandes empresas do agronegócio.

Chávez afirmou que não existe uma relação tão próxima, principalmente na Venezuela, mas ressaltou que as críticas são importantes. “Eu sempre digo que, se é preciso derrubar um bosque para tirar uma tonelada de ouro, eu fico com o bosque. Não há nada tão bonito quanto esses bosques de manga aqui de Belém”, enfatizou.

Sobre o lema do FSM – Um outro mundo é possível – Chávez disse que não só é possível e necessário como está nascendo e, para nascer, precisa de muita crítica e debate. “E essa crítica precisa sair daqui. Vou lembrar o que disse Fidel [Fidel Castro, ex-presidente de Cuba]: ‘O fórum é a assembléia da humanidade’.” (Agência Brasil)

Lula debaterá crise financeira internacional com Chávez, Evo, Correa e Lugo no FSM

do site http://www.pt.org.br/portalpt/forummundial/noticias.php?codigo=20

28/1/2009 20:24:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa nesta quinta-feira (29) das atividades do Fórum em Belém. Ele se encontra com os presidentes Evo Morales (Bolívia), Hugo Chavez (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Fernando Lugo (Paraguai) em um debate que discutirá os desafios impostos pela crise financeira internacional e as maneiras de enfrenta-la com soberania e garantia dos direitos dos trabalhadores.
O evento é organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e Instituto Paulo Freire (IPS).

O encontro dos cinco presidentes latino-americanos acontece no Centro de Convenções Hangar a partir das 19h e a expectativa dos organizadores é de que oito mil pessoas participem do evento.


Na sexta-feira (30), o presidente Lula reúne-se com o Comitê Internacional do Fórum. O Comitê é integrado por 165 organizações da sociedade civil.

Doze ministros brasileiros, além de secretários e técnicos de suas respectivas pastas, participarão de diversas mesas temáticas a convite dos movimentos sociais. O governo federal, em parceria com o do Pará, terá um espaço físico para apresentar as ações políticas públicas relacionadas aos principais temas discutidos no evento.

Também na quinta-feira, Dulci integra a mesa “Governo Lula: realizações e perspectivas”, a convite da Fundação Perseu Abramo e da Fundação Maurício Grabois.  Também hoje, a ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, lança a campanha “Mulheres, donas da própria vida – Viver sem violência”; o ministro da Justiça, Tarso Genro, realiza a Abertura da 18ª Caravana da Anistia, com o julgamento de dez processos de perseguidos políticos do Pará e região; e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, participa de uma conferência sobre as perspectivas dos programas de renda básica na América Latina.

Programação da Casa de Cuba destaca 50 anos da revolução

Redação – Carta Maior

Todas as atividades da Casa estão dedicadas ao 50° Aniversário do Triunfo da Revolução Cubana. Destaca-se a Exposição 50 Anos em Fotografias, homenagens a José Martí, mensageiro de Cuba e destacado líder latinoamericano; a Conferência “Che, o Exemplo Imperecível” por Aleida Guevara, filha do imortal guerrilheiro, e a oficina Rede de Redes em Defesa da Humanidade, e sua integração com os Movimentos Sociais.

Todas as atividades da Casa estão dedicadas ao 50° Aniversário do Triunfo da Revolução Cubana. Destaca-se a Exposição 50 Anos em Fotografias, homenagens a José Martí, mensageiro de Cuba e destacado líder latinoamericano; a Conferência “Che, o Exemplo Imperecível” por Aleida Guevara, filha do imortal guerrilheiro, e a oficina Rede de Redes em Defesa da Humanidade, e sua integração com os Movimentos Sociais, onde participarão destacados intelectuais do mundo, entre muitas outras.

A abertura da Casa de Cuba foi feita com os populares cantores cubanos Eduardo Sosa e José Aquiles, com canções populares de reconhecimento e repercussão internacional.

A Casa elaborou uma rogramação especial com a participação do conhecido grupo de música tradicional Son del Nene, que tem contribuído para animar a Casa de Cuba e torná-la famoso ponto de encontro nos Fóruns Sociais.

Mais fotos da passeata no FSM-2009

O camarada bancário, Marcos Fonteles, de Belém, tirou lindas fotos da passeata que se realizou ontem, na  ocasião da abertura oficial do Fórum Social Mundial deste ano.

Seguem algumas para termos idéia da festa que está acontecendo por lá e percebermos que a Central de trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil  CTB está atuante no Forúm, pois um Outro mundo só será possível,com fortalecimento das lutas e organização dos trabalhadores.

Os jovens da UJS e as militantes da UBM (União Brasileira de Mulheres) também se destacaram.

Valeu pelas fotos Marcão!

Marcão Fonteles em cima do caminhão

Marcão Fonteles em cima do caminhão