Alternativas para a crise portuguesa

do site outras palavras

 

Por Boaventura de Sousa Santos

  Começo por descrever os próximos passos do aprofundamento da crise, para de seguida propor uma estratégia de saída. O que neste momento está se tramando como solução para a crise que o país atravessa não fará mais que aprofundá-la. Eis o itinerário. A intervenção do FMI começará com declarações solenes de que a situação é muito mais grave do que se tem dito (o ventríloquo pode ser o líder do PSD, se ganhar as eleições). As medidas impostas serão a privatização do que resta do setor empresarial e financeiro do Estado, a máxima precarização do trabalho, o corte nos serviços e subsídios públicos. Tudo isso  pode levar, por exemplo, a que o preço dos transportes ou do pão suba de um dia para o outro para o triplo, demissões de servidores públicos, cortes nas aposentadorias e salários (a começar pelos abonos de férias e de Natal, um “privilégio” que os jovens do FMI não entendem) e a transformação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) num serviço residual.

Tudo se fará para obter o seal of approval do FMI, que restabelece a confiança dos credores no país. O objetivo não é que pague as dívidas (sabe-se que nunca as pagará), mas antes que vá pagando os juros e se mantenha refém da camisa de forças, para mostrar ao mundo que o modelo funciona.

Este itinerário não é difícil de prever porque tem sido esta a prática do FMI em todos os países onde tem intervindo. Rege-se pela ideia de que one size fits all, ou seja, que as receitas são sempre as mesmas, uma vez que as diferentes realidades sociais, culturais e políticas são irrelevantes
ante a objetividade dos mercados financeiros.

Feita a intervenção de emergência – que os portugueses serão induzidos a ver como uma necessidade e não como um certificado de óbito às suas justas aspirações de progresso e de dignidade –, entra o Banco Mundial para fornecer o crédito de longa duração que permitirá “reconstruir” o
país. Ou seja, para assegurar que os mercados e as agências de rating ditarão ao país o que pode e não pode ser feito. Serão ocultadas as seguintes irracionalidades:

Que o modelo imposto ao mundo está falido na sua sede, os EUA; que o FMI faz tudo para servir os interesses financeiros norte-americanos, até para se defender do movimento que houve no Congresso para extingui-lo; que o maior credor dos EUA, a China, e segunda maior economia do mundo, tem o mesmo poder de voto no FMI que a Bélgica; que as agências de rating manipulam a realidade financeira para proporcionar aos seus clientes “rendas financeiras excessivas”.

Claro que pode haver complicadores. Os portugueses podem revoltar-se. O FMI pode admitir que fez um juízo errado e reverter o curso, como aconteceu na crise do Leste da Ásia, em que as políticas do FMI produziram o efeito contraproducente, como reconhece Jagdish Bhagwati, um respeitado economista e free trader convicto, em In Defense of Globalization. Se tal acontecer, não é sequer imaginável que o FMI indenize o país pelo erro cometido.

Perante este agravamento concertado da crise, como buscar uma saída que restitua aos portugueses a dignidade de existir? Não discuto aqui quem serão os agentes políticos democráticos que tomarão as medidas necessárias, nem o modo como os portugueses se organizarão para pressioná-los nesse sentido. As medidas são as seguintes:

Realizar uma auditoria da dívida externa, que permita reduzi-la à sua proporção real: por exemplo, descontando todos os efeitos de rating por contágio de que fomos vítimas nos últimos meses.

Resolver as necessidades financeiras de curto prazo contraindo empréstimos, sem as condicionalidades do FMI, junto de países dispostos a acreditar na capacidade de recuperação do país, tais como a China, o Brasil e Angola.

Tomar a iniciativa de promover um diálogo Sul-Sul, depois alargado a toda a Europa, no sentido de refundar o projeto europeu, já que o atual está morto.

Promover a criação de um mercado de integração regional transcontinental, tendo como base a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e como carros-chefes Brasil, Angola e Portugal.

Usar como recurso estratégico nessa integração a requalificação da nossa especialização industrial, em função do extraordinário avanço do país nos últimos anos nos domínios da formação avançada e da investigação científica.

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Boaventura de Sousa Santos é diretor  do Centro de Estudos Sociais, Laboratório Associado, da Universidade de Coimbra

Declaração de Jerónimo de Sousa sobre a Greve Geral

do jornal avante

Uma vitória sobre a resignação e o conformismo

A Greve Geral, na qual participaram mais de três milhões de trabalhadores, «ficará inscrita

na história da luta dos trabalhadores e do povo português», considerou, anteontem à tarde, o Secretário-geral do PCP. Sem convocar uma conferência de imprensa, em respeito pela greve dos jornalistas, Jerónimo de Sousa avaliou a dimensão e impacto da jornada de luta numa declaração escrita que fez chegar às redacções e que aqui publicamos.

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 Hoje, por todo o País, os trabalhadores fizeram ouvir a sua voz. A Greve Geral de 24 de Novembro convocada pela CGTP-IN, uma das mais importantes jornadas de luta realizada em Portugal depois do 25 de Abril, constituiu uma poderosa resposta à brutal ofensiva do Governo PS e do PSD, e de todos aqueles, como é o caso do Presidente da República, que têm patrocinado o rumo de desastre nacional imposto ao País.

Uma grande Greve Geral que ficará inscrita na história da luta dos trabalhadores e do povo português, que teve o envolvimento de mais de 3 milhões de trabalhadores. Uma vitória sobre a resignação e o conformismo. Uma jornada que, pela sua dimensão, reafirmou o valor maior da luta.

 1. O PCP destaca a dimensão nacional e o carácter transversal da Greve Geral. Por todo o País, no continente e regiões autónomas, registou-se uma adesão extraordinária na generalidade dos sectores de actividade.

O PCP sublinha a importância e significado das fortes adesões no sector dos transportes como o Metro de Lisboa, Porto e Sul do Tejo, Soflusa, Transtejo, CP, Refer, EMEF e em dezenas de empresas rodoviárias como é o exemplo dos STCP, Carris, Rodoviária Entre-Douro e Minho, Grupo Barraqueiro e a Transdev. O encerramento de todos os portos marítimos e grande parte dos portos de pesca e o cancelamento da totalidade dos voos (mais de 500).

A Greve Geral assumiu ainda forte impacto no sector produtivo de que são exemplo: no sector automóvel a Autoeuropa e todo o seu complexo industrial, a Renault-Cacia, a Mitsubishi, Tudor e Camac; no sector da metalurgia e metalomecânica como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o Arsenal do Alfeite, a Lisnave, a Sacti, Jado Ibéria, Camo; no sector de cimento, cerâmica e vidro, a CNE, a Atlantis/Vista Alegre, SaintGobain/Covina, a Cinca e Lusoceran; no sector corticeiro o Grupo Amorim; no sector têxtil, vestuário e calçado o Grupo Paulo Oliveira, Têxtil Almeida e Filhos, Califa, Triunph e KIAIA; no sector alimentar e bebidas a Centralcer, Kraft Foods; e em centenas de outras empresas de outros sectores produtivos.

O PCP sublinha ainda a grande resposta dada pelos trabalhadores da administração pública central e local com paragens que atingiram níveis históricos com paralisação total ou parcial em praticamente todo o País da recolha de resíduos sólidos, encerramento de centenas de escolas, Politécnicos e Faculdades, departamentos públicos, finanças, tribunais e outros serviços públicos como foi do caso do sector da saúde com uma forte adesão dos trabalhadores do sector.

O PCP valoriza ainda a dimensão e os impactos que a adesão de milhares de trabalhadores teve em diversos sectores e empresas, como os Estaleiros Navais de Viana do Castelo, o caso dos mais de 400 balcões da CGD encerrados, assim como de outros bancos e de praticamente todos os postos dos CTT, e das importantes e significativas adesões registadas nos trabalhadores dos hiper e supermercados, auto-estradas e centros de contacto.

Uma dimensão tanto mais valorizável quanto construída sob a pressão e chantagem sobre os trabalhadores. Pressão ideológica sobre a alegada inutilidade da luta; chantagem decorrente da imposição ilegítima de serviços mínimos que visam condicionar o direito à greve; pressão económica, dirigida sobretudo a trabalhadores com vínculo precário, com a ameaça de despedimento e de perdas nas remunerações (prémios); e o condicionamento ilegal com o recurso em vários casos à força por parte da PSP e da GNR para dar cobertura à violação do direito à greve.

Um êxito tanto mais assinalável quanto centenas de milhares de trabalhadores se vêem confrontados com situações de endividamento e com o agravamento do custo de vida. Trabalhadores para quem a realização de um dia de greve implica prescindirem de um dia do seu salário.

Esta Greve Geral veio do coração de cada empresa ou local de trabalho, da inabalável e consciente opção de cada trabalhador. Veio do sentimento de protesto, indignação e luta de milhões de trabalhadores que quiseram dizer basta. Basta de injustiças! Basta de sacrifícios para os mesmos de sempre. Uma Greve Geral que constitui um momento singular de afirmação de dignidade dos trabalhadores portugueses.

 2. Esta Greve Geral foi uma justa e necessária jornada de luta contra o roubo nos salários e pensões. Contra os cortes nas prestações sociais, no abono de família ou no subsídio de desemprego. Contra o aumento dos preços dos bens e serviços essenciais como os transportes ou os medicamentos. Contra a destruição dos serviços públicos e a privatização de empresas estratégicas.

Esta Greve Geral foi uma justa e necessária resposta ao agravamento do desemprego, ao alastramento da precariedade, ao empobrecimento de vastas camadas da população. Uma justa e necessária resposta ao processo de liquidação do aparelho produtivo, ao crescente endividamento do País e à perda de soberania nacional.

Esta Greve Geral foi uma justa e necessária resposta contra a escandalosa acumulação de lucros por parte dos grupos económicos e financeiros, que, em nome da crise e do défice das contas públicas, querem impor o agravamento da exploração dos trabalhadores e o esbulho dos recursos nacionais.

 3. O PCP saúda todos os trabalhadores portugueses pela sua participação nesta Greve Geral. Saudamos em particular os milhares de jovens trabalhadores que, pela primeira vez, participaram numa jornada de luta desta envergadura, elemento de incontornável valor político que se projecta como uma importante garantia para o futuro.

O PCP saúda a CGTP-IN, o movimento sindical unitário e todas as estruturas representativas dos trabalhadores pela sua acção e capacidade de organização demonstradas. A CGTP-IN confirma-se e afirma-se como a grande central sindical dos trabalhadores portugueses, referência incontornável para a defesa dos interesses dos trabalhadores e para o futuro do País.

 4. Esta Greve Geral não foi um ponto de chegada, mas uma etapa numa exigente e prolongada luta que a situação nacional exige. Depois da realização desta Greve Geral, nada ficará como dantes. O Governo e os partidos que apoiam a sua política e Presidente da República que a patrocina tiveram nesta jornada de luta uma clara condenação, um sério aviso e uma firme exigência de ruptura com a política que promovem.

A Greve Geral constitui uma poderosa manifestação dos trabalhadores e do povo português da sua disponibilidade para impedir o prosseguimento da actual política, para serem parte determinante da ruptura e mudança de que o País precisa.

O PCP esteve ao lado desta Greve Geral porque está com a luta dos trabalhadores, porque está comprometido com a exigência de aumento dos salários, de desenvolvimento do aparelho produtivo, de aposta no investimento e nos serviços públicos. O PCP esteve e está com a luta dos trabalhadores porque a sua luta é a luta por um País de progresso, de justiça social, por um Portugal soberano e independente. Renovando o seu compromisso de sempre com esta luta, o PCP reafirma aos trabalhadores e ao povo português que podem contar com o PCP.

Contra o aumento da idade da reforma milhões protestam em França

do jornal avante

Entre 2,5 milhões e três milhões de pessoas manifestaram-se, dia 7, em França contra o aumento da idade da reforma. Os sindicatos já anunciaram nova jornada de luta para 23 de Setembro.

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 A jornada de acção, uma das maiores dos últimos anos, foi convocada pelas oito centrais sindicais (CGT, CFDT, FO, CFTC, CFE-CGC, Solidaires, FSU, Unsa) e fez-se acompanhar de greves em todos os sectores com adesões significativas.

Este foi o quarto protesto contra o projecto legislativo que pretende aumentar a idade mínima de reforma dos 60 para os 62 anos, sendo que o acesso à pensão completa é elevado dos 65 para os 67 anos independentemente do número de anos de contribuições.

O maior desfile realizou-se na capital, com mais de 270 mil pessoas, num dia em que as greves afectaram fortemente o funcionamento do metro e sobretudo das linhas suburbanas, provocando mais de 200 quilómetros de engarrafamentos nas auto-estradas que servem a grande metrópole.

O tráfego aéreo também foi reduzido, tendo sido anulados metade dos voos de média e curta distância, assim como a circulação ferroviária, onde a adesão à greve ultrapassou os 50 por cento.

Em geral, na administração pública, a greve teve elevadas adesões, em especial na educação, onde rondaram os 60 por cento.

Fora de Paris, tiveram lugar manifestações maciças em Marselha (mais de 200 mil pessoas) Toulouse (mais de 110 mil) e Bordéus (mais de 100 mil). Outras acções de menor dimensão decorreram em cerca de duas centenas de cidades.

Entretanto a frente sindical já convocou nova jornada nacional para a próxima quinta-feira, dia 23.

Grécia mobiliza-se 

Depois de, no sábado, 11, mais de 20 mil pessoas se terem manifestado em Tessalónica, segunda cidade da Grécia, por ocasião do tradicional discurso do governo na feira internacional que ali se realiza anualmente, novos protestos estão anunciados contra a política de austeridade já para a próxima quinta-feira, dia 23.

A Frente Militante de Trabalhadores (PAME), o movimento dos auto-empregados e pequenos comerciantes (PASEVE), o movimento dos pequenos e médios agricultores (PASY) a Federação das Mulheres (OGE) e a Frente Militante de Estudantes (MAS) convocaram para esse dia manifestações em todo o país contra os planos do governo de aumentar os preços do combustível de aquecimento, do IVA e das tarifas de electricidade.

«Só através da luta por uma via completamente diferente de desenvolvimento, pelo poder popular, os trabalhadores, os auto-empregados e os agricultores pobres poderão assegurar empregos estáveis e permanentes, salários dignos, satisfazer as suas necessidades nutricionais, de saúde, de lazer e recreação, realizar a emancipação da mulher e os direitos da juventude», afirmam as organizações promotoras.

Britânicos em luta

Os sindicatos britânicos, reunidos no encontro anual do Trades Union Congress (TUC), que hoje, quinta-feira, termina em Manchester, aprovaram, na segunda-feira, 13, a convocação de «greves coordenadas» locais e nacionais, para lutar contra o plano de austeridade do governo de conservadores e liberais, liderado por David Cameron.

O secretário-geral do TUC, Brendan Barber, alertando para a gravidade das medidas sem precedentes, considerou que «este não é um governo de coligação mas um governo de demolição». Em causa está a generalidade dos serviços públicos, que será fortemente afectada pelos cortes orçamentais. Segundo estimativas oficiais, 600 mil funcionários públicos poderão perder o seu emprego.

Plan de ajuste del Reino Unido provocará la pérdida de 1 millón 300 mil empleos

do site Agencia venezoelana de noticias

Caracas, 13 Jul. AVN.- Alrededor de 1 millón 300 mil empleos en cinco años podría perder el Reino Unido debido al plan de austeridad, según una evaluación gubernamental secreta de los recortes previstos al gasto público revelada por el diario The Guardian, destacó la agencia Notimex.

De acuerdo con las estimaciones, que no habían sido publicadas por el gobierno británico, se espera la pérdida de entre 500 mil y 600 mil puestos de trabajo en el sector público del país, y entre 600 mil y 700 mil en el privado para el año 2015.

Los datos reflejan el alto costo que tendrán los recortes al gasto público contemplados en el plan de austeridad del ministro británico de Hacienda, George Osborne, quien al presentar las medidas la semana pasada no dio indicios sobre su posible efecto.

Osborne debió haber tenido acceso a las previsiones preparadas de manera tradicional por ministros y funcionarios civiles en los días previos al reporte del presupuesto, indicó el periódico.

Los cálculos, a los que tuvo acceso The Guardian, precisan que se prevé la pérdida de entre 100 mil y 120 mil empleos en el sector público y entre 120 mil y 140 mil puestos en el privado cada año durante los cinco en que habrá recortes.

La pérdida de empleos en el sector público será resultado de la reducción de 25% ajustado a la inflación en el gasto del gobierno hasta 2015, mientras que el ámbito privado se verá afectado por la pérdida de contratos y la reacción en cadena de sus efectos.

Brasileiros e europeus se reúnem na tentativa de retomar negociação entre Mercosul e UE

do site pátria latina

 

 
 

 

Brasília – Representantes do Brasil e da União Europeia participam nesta quarta (14) de uma série de discussões na busca por acordos econômicos, depois da paralisação dos debates comerciais com o Mercosul. A crise fiscal que atingiu a Grécia e que ameaça outros países da região acabou provocando um recuo nas negociações sobre um acordo comercial entre União Europeia e Mercosul. As informações são da BBC Brasil.

 Devem ser assinados acordos entre o Brasil e a União Europeia de cooperação no esforço de facilitar os negócios entre a brasileira Embraer e os países europeus.

 As conversas sobre um possível acordo estão suspensas desde 2004 e voltaram à tona no final do ano passado, quando a União Europeia demonstrou interesse em avançar no tema. Ainda sob o impacto da crise financeira internacional, a União Europeia ainda não conseguiu retomar o ritmo de importações registrado antes da turbulência.

 No primeiro semestre, as exportações brasileiras para a região somaram US$ 19,2 bilhões, valor ainda abaixo dos US$ 22,1 bilhões do mesmo período em 2008, antes do agravamento da crise. Em entrevista a agências internacionais, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Miguel Jorge, disse não acreditar na possibilidade de retomada das conversas ainda neste ano.

 ”Vamos trabalhar para isso, mas é difícil”, disse o ministro. Segundo ele, países como França, Polônia e Irlanda estão entre os mais reticentes a uma liberalização comercial, que certamente afetará seus produtores agrícolas.

 Segundo Miguel Jorge, a retomada das conversas conta com o apoio de Espanha e Itália – dois países mais simpáticos a um acordo com o Mercosul. Mas, de acordo com ele, isso não deve ser suficiente para superar um ambiente político “desfavorável” no qual se encontra a Europa.“Os agricultores sempre são muito fortes, especialmente na França. E na crise esse cenário fica pior”, disse o ministro.

 No âmbito do Mercosul, o Brasil já tem um acordo assinado com Israel e, segundo Miguel Jorge, “há chances” de um acordo com a Turquia ser firmado ainda este ano.

 O Itamaraty informou que a cúpula será uma oportunidade para a “troca de impressões” entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, em temas regionais e internacionais.

 Um deles é a situação política em Honduras. O país está suspenso da Organização dos Estados Americanos (OEA), desde o golpe de Estado em junho de 2009, e com isso o presidente hondurenho, Porfírio “Pepe” Lobo, espera o reconhecimento do Brasil e de outros governos. Os europeus defendem ser necessário o voto de confiança ao presidente eleito em janeiro.

OCDE alerta para geração perdida

do jornal avante

Os planos de austeridade devem «poupar» a luta contra o desemprego sob pena de que «uma geração inteira veja comprometidas as suas perspectivas de futuro». Tal é o alerta lançado, no dia 7, a todos os governos por Angel Gurria, secretário-geral da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico, a propósito do relatório anual «Perspectivas do Emprego», sobre a situação do mercado de trabalho nos 31 países membros.

«É preciso resistir à tentação de reduzir as prestações [subsídios de desemprego] ou de diminuir as verbas destinadas aos serviços de emprego para efectuar economias de curto prazo», afirma a organização em comunicado, onde qualifica a evolução do emprego como «muito negativa».

Embora assinale uma «estabilização» da taxa de desemprego nos últimos nove meses em torno dos 8,6 por cento, ou seja, 47 milhões de desempregados em Maio último, a OCDE não esconde que o número real de pessoas afectadas pelo flagelo deverá estar perto dos 80 milhões se se tiver em conta aqueles que já desistiram de procurar trabalho ou os que têm de se contentar com uma ocupação a tempo parcial.

Mas mais preocupante do que a evolução do desemprego ainda é «a diminuição do número de activos», considera Gurria, salientando que «entre os primeiros trimestres de 2008 e 2010, o número de empregos na zona da OCDE diminuiu em 2,1 por cento.

Em comparação com as crises anteriores, a organização afirma que se está a verificar uma modificação da estrutura do desemprego. Os jovens menos qualificados continuam a ser as principais vítimas, mas desta vez também os trabalhadores masculinos de qualificação média estão a ser muito penalizados.

Acresce que, contrariando um dos dogmas da própria OCDE, a duração do desemprego aumenta mesmo nos países onde a dita «flexibilidade» do mercado de trabalho deveria garantir uma rotação fluida entre emprego e desemprego.

Nos EUA, por exemplo, o número de pessoas desempregadas há mais de seis meses quase que duplicou entre 2007 e 2009, representando 31,5 por cento do total, o mesmo acontecendo com os desempregados «há mais de um ano», que constituem já 16,3 por cento.

Curiosamente, a OCDE faz um elogio à Alemanha e à Holanda por terem conseguido conter o descalabro do desemprego através de programas pagos pelo Estado, que permitem às empresas manter os seus trabalhadores a tempo parcial.

O relatório indica ainda que os planos de austeridade não deveriam incidir sobre a investigação e desenvolvimento, a educação, a formação profissional, sectores que serão geradores de empregos futuros. «Em vez de cortarem cegamente nas despesas, os planos de austeridade devem dirigir a despesa pública para políticas eficazes em matéria de criação de emprego», conclui a organização.

A ponta do icebergue

do jornal avante

Albano Nunes
Na Alemanha, em 31 de Maio, no regresso de uma visita às tropas alemãs no Afeganistão, o presidente da República Horst Köhler foi forçado a demitir-se. Ao procurar justificar a impopular participação germânica em operações de agressão este antigo director do FMI afirmou, preto no branco, tratar-se de «proteger os interesses económicos» da Alemanha. Apesar da crescente arrogância com que Merkel e o seu governo intervêm na União Europeia e nas relações internacionais, uma tal franqueza acabou por custar-lhe o cargo que exercia desde 2004 e para o qual ainda há pouco fora reeleito.
No Japão, em 2 de Junho, após apenas nove meses de governo, demitia-se por sua vez o primeiro-ministro Yukio Hatoyama , o chefe do PDJ que vencera clamorosamente as eleições de Agosto último com promessas de mudança de sabor patriótico, mas que caía a pique nas sondagens em resultado da desilusão do eleitorado. A publicação dias antes de um comunicado conjunto com os EUA que trai o compromisso de retirar de Okinawa a base norte-americana de Futenma mostrou que na aliança militar nipo-norte-americana os interesses dos EUA continuam a falar mais alto. Perante a pujança do movimento contra a base de Okinawa, a rápida substituição do rosto da capitulação era inevitável.

Estes dois acontecimentos, aparentemente banais no quadro do funcionamento «democrático» do sistema capitalista, em que a classe dominante faz e desfaz dirigentes e governos ao sabor das conveniências, são contudo muito significativos. E porquê? Porque dizendo respeito a duas potências da «Tríade» num tempo de aprofundamento da crise capitalista e de grande turbulência e incerteza nas relações internacionais, eles constituem apenas a ponta do icebergue de contradições e tendências de fundo que estão a desenhar o nosso futuro. É particularmente significativo que ambas as demissões estejam relacionadas com questões militares e sejam expressão de impulsos agressivos que se acentuam no bojo da crise económica do capitalismo, e que ambas ocorram em países que, tendo sido responsáveis (com a ascensão ao poder do nazismo e do militarismo fascista japonês) pelo desencadeamento da II Guerra Mundial, não escondem hoje posições revanchistas e ambições imperialistas.

Em relação ao imperialismo alemão estamos nós portugueses bem servidos graças à participação de Portugal na União Europeia, numa relação de subalternidade e dependência à medida dos interesses da Alemanha, que aliás está a tentar impor um novo salto qualitativo na integração (económica, política e militar) que já muitos consideram um autêntico «golpe de Gstado». Quanto ao imperialismo japonês é importante ter presente o Tratado militar nipo-norte americano em que o Japão se tem movido. Os EUA, que dispõem de gigantescas bases militares no arquipélago (Okinawa é a mais conhecida), precisam para os seus objectivos estratégicos de um Japão militarizado e agressivo, mas sob a sua hegemonia. A contradição é evidente, mas o imperialismo não consegue fugir-lhe. «Os fardos deste século não podem ser carregados apenas pelos nossos soldados» proclamava recentemente o presidente norte-americano. A permanente tensão criada pelo imperialismo na Península da Coreia dividida e as constantes provocações contra a RDPC fazem parte de um jogo que visa alimentar o militarismo na zona Extremo Oriente/Pacífico com o objectivo de pressionar a Rússia, conter a China e tentar impedir todo e qualquer desenvolvimento de soberania e progresso social na região.
É por isso necessário seguir com atenção o que se vai seguir. Num quadro de agravamento da crise capitalista e de agudização inevitável das contradições inter-imperialistas são de admitir desenvolvimentos ainda mais perigosos para a soberania, a liberdade e a paz. Sem esquecer a indesejável cimeira da NATO prevista para Novembro em Portugal.

Filho de Sarkozy gera polémica em França

do site do Jornal de Notícias

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, está indignado por estarem a pôr o filho em causa. Jean, de 23 anos, está a ser criticado em França após o anúncio da candidatura à presidência de um organismo público.

A candidatura de Jean Sarkozy, do filho do presidente francês, Nicolas Sarkozy, à presidência da EPAD, organismo público que administra a “La Défense”, um dos maiores distritos de negócios da Europa, em Paris, está a gerar grande polémica em França.

Jean, frequenta ainda o terceiro ano do curso de Direito e já é chamado pela imprensa europeia de “O Princepizinho”. A oposição não gostou da candidatura de Sarkozy Júnior a um dos organismos económicos mais poderosos da Europa e não se poupam nas reacções com acusações de nepotismo.

A ex-candidata socialista à presidência da República, Ségolène Royal, diz a Nicolas Sarkozy que “se preocupe mais com os problemas gerais dos franceses do que em colocar o seu filho”.

O presidente francês está indignado com a polémica que se está gerar à volta deste assunto e responde às acusações de “nepotismo”, argumentando que o jovem, de 23 anos, não tem “menos direitos”, por ser filho mais novo do chefe de Estado.

Laurent Fabius, ex-primeiro ministro socialista, atacou com ironia. “É preciso um bom advogado, ele já tem o terceiro ano de Direito. É preciso um homem que sabe do negócio. Bem, eu tenho certeza que ele tem boas habilidades para isso. Além disso, não podemos esquecer que o Governo acaba de iniciar um projecto para ajudar os jovens “.

O primeiro-ministro François Fillon também comentou a provável futura eleição de Jean Sarkozy para a frente da EPAD, assegurando que o jovem tem legitimidade para executar tais funções.

Os líderes de Esquerda acusaram o presidente Sarkozy de tentar construir uma dinastia política e acham que a “La Défense”, que quer competir com Londres como o principal centro financeiro da Europa, deve ser confiado a cabeças mais sábias.

Jean Sarkozy negou as acusações, insistindo que tem vindo a trabalhar para subir na escada política de uma forma honesta.
“Tudo o que eu digo, tudo que eu faço, vou acabar por ser criticado”, disse ele em entrevista ao jornal Le Parisien. “Desde que entrei para a política sempre fui criticado. Quando se segue esta profissão tem de se esperar isto e estar preparado”.

Por sua vez, o deputado socialista Arnaud Montebourg afirma que “o sector imobiliário da região parisiense é ouro negro. Há dinheiro por trás e interesses por trás”.

Este não é o primeiro cargo político de Jean Sarkozy que desde Junho de 2008 trabalha como vereador na região Hauts-de-Seine e é conselheiro na cidade de Neully, da qual o seu pai, Nicolas, foi presidente durante muitos anos. Jean coordena ainda o grupo regional da União para um Movimento Popular (UMP), formação que levou o pai à presidência.

Na passada quinta-feira, o UMP anunciou a candidatura do Sarkozi Júnior para o Estabelecimento de Urbanismo da La Défense (EPAD).

O grupo UMP saiu em auxílio de Jean Sarkozy, o secretário geral do organismo, Xavier Bertrand pergunta se “Querem condená-lo por ter o nome que tem?”.

“Aos 22 anos, Jean Sarkozy tinha muito talento. E posso dizer que, aos 23, talvez tenha mais do que o pai quando tinha a sua idade”, elogiou o deputado Patrick Balkany.

O EPAD é um órgão  público responsável pela política urbanística dos 160 hectares da La Défense, que reúne mais de 2.500 empresas líderes, um espaço cheio de arranha-céus, com milhões de metros quadrados de território e é um símbolo do desenvolvimento económico em Paris.

Ministerial de União Européia e Grupo de Rio em Praga

Prensa Latina

Ministerial de União Européia e Grupo de Rio em Praga



Escrito por Bianka de Jesus
jueves, 07 de mayo de 2009

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Ministros do Exterior da União Européia (UE) e o Grupo de Rio (GRIO) se reunirão na próxima semana em Praga para debater diversos assuntos relacionados com a cooperación e o panorama atual da crise econômica mundial. De acordo com fontes do comitê organizador do evento na República Checa, presidente de turno da UE, os chanceleres dos dois grupos abordarão o processo de recuperação financeira internacional e aspectos sobre fontes renováveis de energia.

O encontro se desenvolverá em nível de altos servidores públicos nos dias 11 e 12 de maio, o 13 terá lugar a reunião ministerial e o 14 os segmentos da Troika do bloco comunitário com México, Chile, América Central, MERCOSUL e Comunidade Andina.

No caso de América Central, será uma oportunidade para avançar no Acordo de Associação (ADA), que pretende converter na base dos arranjos com a UE em momentos em que se cumprem 25 anos do chamado Diálogo de San José.

O Grupo de Rio, integrado agora por 23 países, contará pela primeira vez com a presença de Cuba, integrante do acordo desde o 2008, bem como da Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Equador, Nicarágua, México, República Dominicana e Venezuela.

Também espera-se a participação dos titulares ou seus representantes de Belice, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Guyana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, Uruguai e a Comunidade das Caraíbas (Caricom).

México ocupa a presidência pró-témpore do GRIO, fundado o 18 de dezembro de 1986 pela Declaração do Rio de Janeiro subscrita então por Argentina, Brasil, Colômbia, México, Panamá, Peru, Uruguai e Venezuela.

lma/ft/bj

Modificado el ( jueves, 07 de mayo de 2009 )


Encontro de esquerda debate a crise do capitalismo na Europa

No dia 26 de fevereiro postei aqui esta matéria mas de forma resumida .

Publico agora uma versão mais completa que saiu no Vermelho ontem, dia 02 de março, onde foi melhor destacado a intervenção do representante da pasta de relações internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho .

Sob o lema “Por uma outra Europa, um outro mundo” , realizou-se entre os dias 19 e 21 de fevereiro, em Roma, a 34ª Reunião do Novo Fórum da Esquerda Européia (NELF, na sigla em inglês). Diversas agremiações de esquerda do continente participaram. Partidos de outros continentes, como o Brasil, também enviaram convidades para participar do debate sobre a crise econômica mundial.

Realizou-se entre os dias 19 e 21 de fevereiro em Roma a 34ª Reunião do Novo Fórum da Esquerda Européia (NELF, na sigla em inglês). Organizada pelo Partido dos Comunistas Italianos (PdCI) a reunião contou com a presença também do Partido da Refundação Comunista. Enviaram representantes o Partido Progressista do Povo Trabalhador, do Chipre, a Aliança de Esquerda da Finlândia, o Partido Comunista Francês, o Partido A Esquerda, da Alemanha, o Partido dos Comunistas da Catalunha, a Aliança Vermelho-Verde, da Dinamarca,  o Partido Socialista de Esquerda da Noruega,  a Frente de Esquerda, da Grécia, o Partido Comunista Português e o Bloco de Esquerda de Portugal. Do Oriente Médio participaram o Partido Comunista de Israel e Organizações de Solidariedade com a Palestina. A América Latina foi representada pelo Movimento ao Socialismo (MAS) da Bolívia, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e o Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Sob o lema “Por uma outra Europa, um outro mundo” desenvolveu-se uma ampla discussão sobre a crise econômica, particularmente aguda no continente europeu. Os partidos da esquerda européia presentes na reunião do NELF foram enfáticos na condenação às políticas monopolistas, antidemocráticas e militaristas da União Européia. Rejeitaram as políticas em curso de cortar investimentos sociais e atirar sobre os trabalhadores os efeitos da crise. Defenderam uma “Europa social e pacífica”, inteiramente diversa da que está sendo construída.

A reunião do NELF discutiu amplamente a questão do Oriente Médio e manifestou solidariedade com o povo palestino, condenando a agressão israelense.

Uma sessão de trabalho foi dedicada à América Latina. O líder da bancada do MAS no Parlamento boliviano fez uma ampla exposição sobre os princípios que norteiam a nova Constituição do país aprovada por esmagadora maioria e recentemente promulgada. Ressaltou o caráter profundamente democrático do processo de mudanças em curso no país, acentuando a participação indígena e popular. Discorreu sobre a originalidade da sociedade boliviana, com majoritária presença indígena, o que determina, segundo ele, que o modelo democrático do país obedeça às exigências de protagonismo dos povos originários.


Pelo PSUV falou o deputado Carlos Escarra, que é também o secretário de Relações Internacionais do partido venezuelano. Ele fez uma intervenção baseada na trajetória histórica de luta dos povos latino-americanos e destacou os principais marcos da Revolução Bolivariana, entre estes o levante cívico-militar de 4 de fevereiro de 1992 e a primeira eleição do presidente Hugo Chavez em 1998. Referiu-se de maneira especial aos resultados do último referendo de 15 de fevereiro, considerando-os uma grande vitória da Revolução Bolivariana.

O  secretário de Relações Internacionais do Partido Comunista do Brasil, José Reinaldo Carvalho fez uma conferência sobre a crise do capitalismo e o novo quadro político na América Latina. O dirigente brasileiro ressaltou que se trata da mais grave crise do sistema capitalista desde a grande depressão dos anos 30 do século passado. Para ele, a crise arava as contradições de classes e geopolíticas fundamentais do sistema capitalista, que revela da maneira mais crua os seus limites históricos.

Reinaldo expôs aos presentes a opinião do Partido Comunista do Brasil afirmando textualmente: “Esta crise põe abaixo as ilusões que durante muito tempo foram semeadas pelo dogmatismo oficialista – por governos, academias e meios de comunicação – e que foram também incorporadas ao discurso de oportunistas na esquerda: falavam das virtudes e da durabilidade do chamado ciclo de desenvolvimento e expansão do capitalismo, de sua vocação a regenerar-se e abrir caminho ao desenvolvimento econômico-social e a uma nova época de ´anos dourados´. Um discurso falso, que tentou estigmatizar como ‘catastrofistas’ aqueles que apontavam as tendências mais profundas do desenvolvimento da sociedade capitalista, denunciavam suas iniqüidades e a inevitabilidade da crise”.

O dirigente do Departamento Internacional do PCdoB defendeu ainda a opinião, largamente compartilhada entre os comunistas e demais forças da esquerda conseqüente mundial, de que definir os fenômenos atuais apenas como uma crise da ‘financeirização’ significa incorrer em unilateralidade, pois se trata de uma crise não somente financeira, apesar da importância dos fenômenos nesta esfera. Ele indicou ainda que a crise ocorre num contexto histórico no qual se entrelaça com a crise da hegemonia norte-americana.

Referindo-se ao quadro político na América Latina, José Reinaldo declarou: “Desde o ano de 1998, quando Hugo Chavez ganhou pela primeira vez as eleições presidenciais na Venezuela e deu impulso ao processo da Revolução Bolivariana, destacam-se na região da América Latina e Caribe vitórias políticas que resultam da resistência popular, nacional e democrática à dominação imperialista estadunidense e às políticas neoliberais das classes dominantes”. Para o representante do PCdoB este processo democrático ganhou força com a eleição de Lula no Brasil e sua reeleição em 2006. Toda uma série de países passou a ser governada por forças democráticas e progressistas, o que significa “a abertura de um novo ciclo político, a criação de um novo cenário em que os povos se insurgem contra um sistema nefasto e iníquo”. Reinaldo explicou que “os fatores objetivos que determinaram as lutas e as vitórias dos povos da América Latina e Caribe foram a dominação imperialista de Estados Unidos e as políticas antidemocráticas e antipopulares dos governos locais. Os fatores subjetivos foram a consciência dos povos e a unidade das forças democráticas e progressistas, entre estas os comunistas”. Resumiu as mudanças em curso no continente como aprofundamento da democracia, adoção de políticas sociais, a defesa da soberania e da independência nacionais e a integração política, econômica, social e cultural.

O secretário internacional do PCdoB denunciou o relançamento da Quarta Frota Naval dos Estados Unidos como uma ameaça aos povos do continente e enalteceu a Cúpula de chefes de Estado latino-americanos realizada em Salvador, Bahia em dezembro de 2008 como a “expressão mais significativa do processo de integração”.

Reinaldo falou também sobre o significado da resistência do povo heróico de Cuba socialista como fonte de inspiração para a luta antiimperialista na América Latina e Caribe e saudou as recentes vitórias dos povos boliviano, equatoriano e venezuelano.

Encerrou sua fala com uma mensagem otimista: “Nestes momentos, quando a humanidade vive uma das etapas mais difíceis de sua história, com crises e guerras de agressão, com a manifestação de desigualdades e injustiças, exploração e opressão, o novo ciclo político na América Latina desperta  a esperança e fortalece a luta dos trabalhadores e dos povos de todo o mundo pela liberdade, a paz, a justiça, a independência nacional, o progresso social e o socialismo”.

NEGRITOS MEUS