Carta do PC de Cuba para o PCdoB

La Habana, 12 de diciembre de 2008

“Año 50 de la Revolución”

 

Jose Reinaldo Carvalho

Secretario de Relaciones Internacionales

Comite Central del Partido Comunista do Brasil

 

 

Jose Reinaldo:

 

En nombre del Partido Comunista de Cuba queremos expresarles nuestra felicitación y reconocimiento por los resultados del X Encuentro de Partidos Comunistas y Obreros, desarrollado el pasado mes de noviembre en Sao Paulo, Brasil.

 

La labor desarrollada por el PCdoB durante todo el proceso de preparación del evento y las condiciones logísticas y organizativas en su desarrollo, posibilitaron que se alcanzaran los resultados políticos previstos y nuevamente constituyera esta una oportunidad de encuentro, análisis y reflexión acerca de los principales problemas que debemos enfrentar en el interés común de construir un mundo de mayor justicia e igualdad social.

 

Especial reconocimiento queremos trasladar a todo el equipo de relaciones internacionales del Partido y al conjunto de activistas que tan diligente labor desarrollaron durante esos días y, de manera particular, por sus permanentes muestras de solidaridad y apoyo al trabajo de nuestra delegación.

 

El trabajo del PCdoB y el emotivo acto de solidaridad con América Latina organizado en el marco del evento, hizo posible que nuestra región constituyera una digna sede de este Encuentro y que los participantes pudieran regresar a sus países más conocedores y comprometidos con las luchas que libran nuestros pueblos.

 

 

 Fraternalmente,

 

 

Fernando Remírez de Estenoz

Miembro del Secretariado

Jefe Dpto. Relaciones Internacionales

Cúpula dos Povos: a crise econômica no centro dos debates em Salvador

 matéria do portal vermelho

Às 10h30, os tambores improvisados da Batucada Feminista deram as boas-vindas aos participantes da Cúpula dos Povos no Centro de Convenções da Bahia, que, a essa altura, já reunia líderes dos movimentos sociais do Brasil, Bolívia, Venezuela, Argentina, Paraguai, Chile, Uruguai e Trindade e Tobago. “É papel dos movimentos sociais, nesse momento de crise, elevar o seu protagonismo na luta por uma integração regional com desenvolvimento e justiça social para América Latina e Caribe”, declarou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB/BA, Adilson Araújo, ao abrir o evento.

 


Plenária da Cúpula

A mesa de abertura foi também composta por Rafael Freire, representando a Central Sindical das Américas; Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Ceprapaz; Fátima Mello, da Rede Brasileira de Integração dos Povos; Adriana Vieira, pela Marcha Mundial de Mulheres; Renan Macacheira, em nome da Organização Continental Latino-Americana dos Estudantes; Lúcia Barbosa, à frente do Movimento dos Sem-Terra; e a secretária da Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, representando o governador Jaques Wagner.

 “O governo quer compartilhar o desafio da integração regional junto com os movimentos sociais”, sinalizou a representante do governador.Uma integração justa, que busque corrigir os erros do passado e dê continuidade ao desenvolvimento dos governos progressistas, construídos através das lutas sociais na América Latina ao longo dos últimos 10 anos, é a grande questão norteadora da Cúpula de acordo com a opinião de Socorro Gomes. “Nós temos que entender e respeitar todos os países que questionam dívidas antigas. É um direito; um ato de soberania, porque muitos acordos foram selados entre governos ditatoriais”, explica. Segundo Socorro, ajustar as pendências do passado é o caminho para a consolidação de uma sociedade melhor e integrada.
 

Outra prioridade a ser debatida durante os dois dias de encontro é o combate à 4ª Frota norte-americana, apontada pela presidente do Conselho Mundial da Paz como o maior aparelho bélico naval da região. A Frota, que havia sido desmontada em 1953, ocupa os mares desde o Pacífico Sul até o Caribe e América Latina e, segundo consta, tem capacidade para navegar, inclusive, em rios. “É uma ameaça concreta contra a soberania da região, em especial num momento em que os países estão reunidos justamente para consolidar a independência”, atentou Socorro. 
 

Não à toa, os Estados Unidos, assim como o Canadá, não participam da Cúpula dos Povos, o que, para Fátima Mello, configura-se como um momento ímpar, em que os movimentos sociais “têm a tarefa de empurrar o governo em prol de uma integração regional aos moldes das bandeiras latino-americanas, por soberania alimentar e energética, justiça climática, direitos humanos e migrações”, ressaltou em coro engrossado por Rafael Freire, que, à frente da CSA, representa 65 centrais sindicais das Américas, com 50 milhões de filiados. “É preciso vencer esse modelo opressor adotado pelo imperialismo, cuja crise atual já provou estar falido”, pontuou.
 
Debates
 

Em prosseguimento às atividades programadas para a manhã de sábado (13/12), Renildo de Souza (Brasil), economista e dirigente nacional do PCdoB; Enrique Daza (Colômbia), coordenador da Aliança Social Continental; Beverly Keene (Argentina), da organização Jubileu Sul; Jacobo Torres (Venezuela), da Força Bolivariana de Trabalhadores; Freddy Mamani, do Movimento Boliviano por Soberania e Integração dos Povos; e Quintino Severo, da Central Única dos Trabalhadores – CUT compuseram a primeira mesa de debates da 5ª Cúpula dos Povos.
 

A crise vista sob o ponto de vista econômico, e não meramente financeiro, foi o centro das discussões, aliado ao papel do estado enquanto “salvador do deus mercado”, segundo destacaram os palestrantes.  “O momento de crise é oportuno para utilizarmos esse novo ciclo político aberto nas Américas a partir de 1998, com a eleição de Hugo Chávez (Venezuela), em favor de uma integração econômica, comercial, financeira, tecnológica, social, política e cultural, respeitando as diversidades e particularidades de cada nação”, opinou Renildo de Souza. “É a oportunidade de construirmos canais de diálogo e formas de participação mútua entre os países por melhores condições de vida para a população”, emendou Daza.  
 
De acordo com a argentina Beverly Keene, a crise já surte impacto na vida dos povos latinos, como o corte de empregos, a alta no preço dos alimentos, a crise climática e o agravamento da crise social. “Na verdade, trata-se de uma crise do modo de funcionamento próprio do sistema capitalista”, apontou. “É um momento importante para reconstruirmos o modelo de desenvolvimento aos moldes que queremos, com foco no fortalecimento do trabalho e na sua valorização frente ao PIB”, defendeu o líder da CUT, Quintino Severo. 
 

A unificação monetária na região e a criação do Banco do Sul também figuraram entre as principais pautas da manhã. “Representa um marco de integração distinto, poder reter as nossas reservas monetárias em local seguro, protegido da especulação financeira das instituições norte-americanas”, elogiou Jacobo Torres. “O Banco Sul é o caminho para uma nova autonomia financeira”, arrematou Souza. 
 
Os debates seguem na parte da tarde, com painéis sobre Soberania e Segurança Alimentar, Soberania Financeira, e Justiça Climática.
 
De Salvador,
Camila Jasmin

 NEGRITOS MEUS (  Márcia)

Cúpula dos Povos realiza encontro em Salvador, Brasil

Quero registrar bem este encontro aqui pois a PRESIDENTE DO CONSELHO MUNDIAL DA PAZ , Socorro Gomes  também participará, o que para nós Brasileiros é motivo de muito orgulho e satisfação.
Além de ser mulher, é uma pessoa muito preparada nas questões humanitárias e econômicas, logo temos certeza que sua presença será fundamental ao debate.
Boas discussões na Cúpula dos povos da América Latina e Caribe
abraços
Márcia
Retirado da Adital
Entre os dias 12 e 15 de dezembro, será realizada a Cúpula dos Povos da América Latina e do Caribe, em Salvador (BA), Brasil. A Aliança Social Continental, que integra diversas organizações sociais da região, convoca a todos os movimentos e organizações para que participem ativamente da Cúpula com o objetivo de aprofundar o debate sobre o desenvolvimento e a integração da região.

O evento ocorre paralelamente às conferências oficiais em que os presidentes da América Latina e do Caribe vão se reunir para discutir acerca de temas relacionados com a crise atual: comércio, integração regional, políticas sociais e econômicas comuns, segurança e militarização, integração produtiva, migrações.

Serão três encontros consecutivos: a Cúpula de Presidentes do Mercosul, a Cúpula da Unasul e a Cúpula de América Latina e do Caribe.

Os encontros presidenciais servirão como preparação prévia para a próxima Cúpula das Américas, que ocorre em abril de 2009, em Trinidad e Tobago, a primeira desde a de Mar del Plata de 2005, quando foi formalizada a derrota da proposta da ALCA.

 

A programação da Cúpula dos Povos contém debates sobre as seguintes temáticas:

  1. integração regional diante da crise global;
  2. soberania e segurança alimentar;
  3. soberania financeira;
  4. justiça climática;
  5. soberania energética;
  6. direito à cidade, migrações e direitos humanos;
  7. desmilitarização e soberania regional.

Na segunda-feira (15), está prevista uma marcha desde Campo Grande até a Praça Municipal.

“O panorama político da região apresenta importante mudanças. Especialmente depois do fracasso da ALCA, várias nações empreenderam a busca de caminhos alternativos para o bem-estar social e para a integração, os quais necessariamente devem levar em conta as expectativas e demandas dos povos e movimentos sociais da região”, afirma a convocatória.

Proclamação de São Paulo do Encontro dos 65 PCs

Pessoal,

Quem está acompanhando ou aqui, no vermelho, ou nos blogs de outros camaradas, sabe que domingo, ontem, encerrou o 10º encontro internacional dos Partidos comunitas e operários e como é de praxe nestes encontros temos resoluções, moções, enfim , vários documentos de síntese das discussões que aconteceram.
Abaixo copiei a Proclamação de São Paulo do Encontro, pois é um documento importante onde constam análises de conjuntura deste momento delicado que passa a economia mundial.


A matéria foi copiada do portal vermelho:

O 10º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários, que se concluiu neste domingo (23) na capital paulista, com 65 delegações de 55 países, divulgou uma Proclamação de São Paulo – O socialismo é a alternativa!, que analisa a presente crise do sistema capitalista. Veja a íntegra do documento.

. ”Proclamação de São Paulo – O socialismo é a alternativa!”

”O mundo está confrontado com uma grave crise econômica e financeira de grandes proporções. Uma crise do capitalismo, indissociável da sua natureza própria e das suas insanáveis contradições, porventura a mais grave desde a Grande Depressão iniciada com o crash de 1929. Como sempre são os trabalhadores e os povos as suas principais vítimas.

A presente crise é expressão de uma crise mais profunda, intrínseca ao sistema capitalista, que evidencia seus limites históricos e a exigência da sua superação revolucionária. Ela representa grandes perigos de regressão social e democrática e constitui, como a história demonstra, base para movimentos autoritários e militaristas em relação aos quais se impõe a maior vigilância dos Partidos comunistas e de todas as forças democráticas e anti-imperialistas.

Ao mesmo tempo que se mobilizam milionários recursos públicos para salvar os responsáveis por esta crise – o grande capital, a alta finança, os especuladores – o que se anuncia para os operários, camponeses, camadas médias e todos quantos vivem do seu trabalho e sufocam sob o peso dos monopólios é mais exploração, mais desemprego, mais baixos salários e pensões, mais insegurança, mais fome e mais miséria.

Poderosas campanhas de diversionismo ideológico procuram iludir as reais causas da crise e fechar as portas a saídas no interesse das massas populares e a favor de um novo balanço de forças, uma nova ordem internacional para os trabalhadores, as forças populares, da solidariedade internacional e da amizade entre os povos. As grandes potências capitalistas, a começar pelos EUA, a União Européia e o Japão, com as instituições internacionais que dominam – FMI, Banco Mundial, Banco Central Europeu, Otan e outras – e instrumentalizando a própria ONU, trabalham freneticamente em “soluções”, que sendo elas próprias sementes de novas crises, procuram no imediato salvar o sistema e reforçar os mecanismos de exploração e opressão imperialista.

Com o recurso a bodes expiatórios, e insistindo em falsas e já falhadas opções de “regulação”, “humanização” e “reforma” do capitalismo, procura-se mudar alguma coisa para que tudo fique na mesma. Os partidos do capital demarcam-se apressadamente dos dogmas do “Consenso de Washington” que alimentaram a brutal financeirização da economia. A social-democracia, disfarçando a sua rendição ao neoliberalismo e a sua transformação em pilar do imperialismo, tenta um extemporâneo regresso a medidas de “regulação” de tipo keynesiano que deixam intactas a natureza de classe do poder e as relações de propriedade e que visam objetivamente retirar espaço à afirmação de alternativas revolucionárias dos trabalhadores e dos povos.

Mas uma tal perspectiva não é uma fatalidade.

Como outros momentos da História já o demonstraram, os trabalhadores e os povos podem, se unidos, determinar o curso dos acontecimentos econômicos, sociais e políticos, arrancar ao grande capital importantes concessões no interesse das massas, impedir desenvolvimentos em direção ao fascismo e à guerra e abrir caminho a profundas transformações de caráter progressista e mesmo revolucionário.

O quadro internacional é de uma profunda agudização da luta de classes. A humanidade atravessa um dos momentos mais difíceis e complexos de sua história; uma crise econômica global, que coincide simultaneamente com uma crise energética, outra alimentar e com uma grave crise do meio-ambiente; um mundo com profundas injustiças e desigualdades, com guerras e conflitos. Um cenário de encruzilhada histórica, em que duas tendências antípodas se manifestam. Por um lado, grandes perigos para a paz, a soberania, a democracia, os direitos dos povos e dos trabalhadores. Por outro, imensas potencialidades de luta e de avanço da causa libertadora dos trabalhadores e dos povos, a causa do progresso social e da paz, a causa do socialismo e do comunismo.

Os Partidos Comunistas e Operários reunidos no seu 10º Encontro, realizado em São Paulo, saúdam as lutas populares que se desenvolvem por todo o mundo, contra a exploração e a opressão imperialistas, contra os crescentes ataques às conquistas históricas do movimento operário, contra a ofensiva militarista e anti-democrática do Imperialismo.

Sublinhando que a bancarrota do neoliberalismo não representa apenas o fracasso de uma política de administração do capitalismo mas o fracasso do próprio capitalismo e seguros da superioridade dos ideais e do projeto dos comunistas, afirmamos que a resposta às aspirações libertadoras dos trabalhadores e dos povos só pode ser encontrada em ruptura com o poder do grande capital, com os blocos e alianças imperialistas, com profundas transformações de caráter antimonopolista e libertador.

Com a convicção profunda de que o socialismo é a alternativa, o caminho para a verdadeira e total independência dos povos, para a afirmação dos direitos dos trabalhadores e o único meio de pôr termo às destruidoras crises do capitalismo, apelamos à classe operária, aos trabalhadores e aos povos de todo o mundo que se juntem à luta dos comunistas e revolucionários e que, unidos em torno dos seus interesses de classe e justas aspirações, tomem nas suas mãos a construção de um futuro de prosperidade, justiça e paz para a Humanidade. Nesse sentido, estão surgindo condições para reunir a resistência e as lutas populares num amplo movimento contra as políticas capitalistas aplicadas na crise e as agressões imperialistas que ameaçam a paz.

Certos de que é possível um outro mundo, livre da exploração e da opressão de classe do capital, proclamamos o nosso empenho em prosseguir a caminhada histórica pela construção de uma sociedade nova liberta da exploração e da opressão de classe, o Socialismo.

São Paulo, 23 de novembro de 2008.
O 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.”

Vídeo 10º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários

Vídeo produzido pelo portal Vermelho

Vìdeo Fantástico para termos uma pequena idéia do andamento do Encontro em São Paulo.

Esta iniciativa foi do Editor do portal vermelho o jornalista Bernado Jofilly, que é o narrador.
A equipe do vermelho está de parabéns!!

DEIXEM SUAS OPINIÕES E VAMOS ACOMPANHAR O QUE ESTÁ ACONTECENDO EM SÃO PAULO

Encontro PCs: Lula denuncia lógica irresponsável dos cassinos

zr-ato121 DE NOVEMBRO DE 2008 – 10h19

Do portal Vermelho

Às 9 horas da manhã desta sexta-feira (21), teve início em São Paulo o 10º Encontro dos Partidos Comunistas e Operários. A abertura foi marcada pela leitura de mensagem enviada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Minha saudação, disse,“é um ato de reconhecimento à luta de todos vocês em defesa dos trabalhadores e do povo pobre. Ao sentimento de humanidade que norteia sua militância pela erradicação da miséria, da fome e das desigualdades entre os povos. E também ao seu empenho pela construção de uma nova ordem econômica mundial”.

A mensagem continua dizendo que “estamos presenciando a crise de um modelo neoliberal que influenciou as estruturas de poder e de produção da sociedade nas últimas três décadas. Sem regulamentação, a economia assumiu a lógica irresponsável dos cassinos. As políticas públicas, em especial as políticas sociais, perderam espaço na agenda dos povos. E a máquina do subdesenvolvimento agigantou-se”.

É fundamental, diz o presidente na mensagem lida pelo secretário de Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho, “que este momento seja debatido. E embora eu não pretenda, nem possa, antecipar o passo seguinte da história, desejo ressaltar alguns aspectos de inestimável importância para o debate deste ciclo que se abre”.

Em primeiro lugar, enumerou o presidente da República, “esta é a hora de redimir os trabalhadores – desde aqueles da terra e do chão da fábrica até os dos mais sofisticados laboratórios digitais. É a hora de redimir o trabalho como a grande fonte de criação de riqueza e prosperidade na luta pelo desenvolvimento. É preciso incentivar a produção. E dar ainda mais prioridade à infra-estrutura pública e à educação para o bem comum”.

Além disso, pontuou Lula, “não podemos esquecer que só haverá solidariedade verdadeira se ela for também internacionalista e voltada para toda a humanidade. A sociedade civil organizada e as instituições e organismos internacionais devem refletir essa nova condição, irreversível, da cidadania planetária. E nos unem em direitos e deveres como um só povo, responsável pela sorte interligada de todo o planeta”.

O presidente afirmou ainda que “a humanidade já produz o suficiente para satisfazer, folgadamente, as suas necessidades. Mas só haverá futuro sustentável quando as vidas de 855 milhões de habitantes do planeta não estiverem mais ameaçados pela fome”.

Finalizando sua mensagem, disse, “como todos sabemos, os momentos da crise também trazem consigo uma série de oportunidades. Devemos saber aproveita-las para, com isso, resgatar os valores da solidariedade, da igualdade e da justiça”.

De São Paulo,
Priscila Lobregatte

Encontro Internacional dos partidos comunistas começa hoje

do Portal Vermelho
21 DE NOVEMBRO DE 2008 – 01h37

Maior encontro internacional de comunistas começa hoje em SP

Tem início hoje, dia 21, o 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários. Trata-se do maior evento de nível mundial já realizado sob os cuidados do PCdoB, anfitrião desta edição de 2008. A grande maioria das delegações convidadas já se encontra em São Paulo, cidade que será palco, até domingo (23) do mais importante fórum de debates dos partidos comunistas de todo o mundo.

Ao todo, aproximadamente 70 partidos estarão presentes. O contexto mundial de crise financeira será uma das bases das discussões. Diante de mais um sinal da inviabilidade do sistema capitalista, a alternativa socialista ganha novo fôlego e torna-se essencial o ponto de vista crítico dos comunistas calcado na visão marxista. “Ao denunciar o capitalismo e a burguesia monopolista e ao chamar os trabalhadores à luta, os partidos estarão contribuindo de maneira decisiva para uma real mudança nos rumos internacionais”, avalia José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do PCdoB.

Por outro lado, o encontro ganha ares renovadores especialmente por ocorrer na América Latina, palco de novas experiências progressistas e de esquerda que podem abrir caminhos concretos para a construção da via socialista. Terminado o encontro, deverão ser aprovados documentos sobre a crise, em apoio às experiências latino-americanas e um documento geral sobre o encontro. No domingo também deverá ser conhecida a indicação de qual poderá ser o país a sediar o próximo encontro, em 2010.

Mensagem de Lula
Também nesta sexta-feira, às 11h30, numa coletiva de imprensa, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, fará uma intervenção com a opinião do partido sobre a crise e a situação internacional. Na ocasião, será também apresentada à imprensa uma carta com uma manifestação do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários.

Na mídia
O evento tem despertado atenção em diversos meios de comunicação. Foi noticiado por veículos ligados à esquerda – como Carta Maior, Brasil de Fato, Avante! (do PC Português); sites de revistas – como CartaCapital; de jornalistas – como Rodrigo Viana e mesmo páginas da mídia hegmônica, como G1, Correio Braziliense, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo.

Na avaliação do dirigente brasileiro, o interesse geral despertado pelo encontro deve-se ao fato de se ter, pela primeira vez no continente e num momento atual – de questionamento dos ditames neoliberais – um encontro dessa magnitude. As conclusões que sairão do encontro, disse Carvalho, “certamente são aguardadas tanto pelos que apóiam quanto pelos que se opõem aos comunistas. O fato é que não se pode ignorar a influência que os partidos comunistas têm”.

Ato público
O encontro é fechado e focado nas discussões entre os dirigentes partidários. E, além do debate, reuniões bilaterais acontecerão entre as organizações a fim de se estreitar os laços e ajudar no desenvolvimento de ações conjuntas. Porém, como forma de abrir ao público parte do evento e permitir que os convidados tenham um contato mais direto com militantes da esquerda nacional e com o povo brasileiro, o PCdoB organizou um ato em solidariedade à América Latina.

O evento aberto ao público está marcado para às 18h do dia 22 e acontece na quadra do Sindicato dos Bancários, rua Tabatinguera, 192, próximo à Praça da Sé, em São Paulo.

Ao longo do encontro, o Vermelho trará informações atualizadas, que podem também ser acompanhadas através da página oficial do evento.
De São Paulo,
Priscila Lobregatte

10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários

 

Matéria do portal vermelho

União entre PCs é ‘chave para a vitória’, diz dirigente

 

A uma semana da realização do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários – dias 21 a 23, em São Paulo – José Reinaldo Carvalho, secretário de Relações Internacionais do partido anfitrião, o PCdoB, fala sobre a importância do evento diante do atual quadro mundial, marcado pela crise do capitalismo. Neste contexto, ganha especial relevância a análise crítica dos comunistas. “Os partidos têm denunciado o capitalismo e a burguesia monopolista e chamado os trabalhadores à luta”, disse.

 


Carvalho aposta na unidade

O encontro, dirigido apenas aos convidados, é o primeiro realizado no continente e deverá ter a presença de mais de 70 partidos. Para o público em geral, o PCdoB organizou um ato em solidariedade à América Latina, marcado para às 18h do dia 22, no centro de São Paulo (saiba mais). “Esta será uma forma de proporcionarmos maior integração entre os partidos convidados e deles com a nossa militância e com nosso povo”, explicou Carvalho. Para ele, “é na unidade dos partidos e das massas que está a chave da vitória do nosso movimento”.
 
Além de pronunciamentos, o evento terá uma apresentação de MPB. “Será principalmente uma ocasião para que os partidos expressem seu apoio às mudanças políticas em curso na América Latina, mudanças estas que têm impulsionado os povos a lutar por transformações estruturais em seus países”, argumenta. O evento revela sua amplitude, diz o dirigente, “ao reunir também figuras do mundo cultural e acadêmico e os partidos que compõem a grande coalizão da base do governo Lula”, como PT, PSB e PDT. Os organizadores esperam reunir a militância do PCdoB inclusive de outros estados que deve se deslocar para prestigiar o ato. Está sendo aguardada também a presença de forças antiimperialistas da América Latina.

 
Laboratório político
 
O fato de a décima edição do encontro estar acontecendo em território latino-americano abre uma nova perspectiva para os partidos comunistas. “As organizações se pronunciarão coletivamente sobre o novo cenário político da região e em solidariedade aos povos que lutam pelo aprofundamento da democracia, a independência nacional e as transformações sociais”.
 
Carvalho destacou ainda que “temos observado que há uma crescente compreensão por parte dos partidos de todos os continentes sobre a diversidade dos processos políticos e sociais em curso na América Latina e sobre a riqueza dessas experiências, assim como a variedade dos ritmos com que se fazem as mudanças políticas e sociais”.
 
Os partidos que atuam na região, lembra Carvalho, “mantêm a perspectiva universal do socialismo, orientam-se pelos princípios gerais do marxismo-leninismo percorrendo, ao mesmo tempo, caminhos originais em sua luta porquanto a experiência histórica mostrou que não há modelo único de socialismo”. Segundo o secretário, “vai ficando claro que a América Latina é ‘um mega-laboratório político’”.
 
Influência dos PCs
A realização do 10º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários chama a atenção por reunir organizações de diversos países para debater a ação conjugada entre todos em prol da construção da via socialista. Especialmente neste ano, o evento se reveste de significado especial. Afinal, dezenas de partidos irão debater a conjuntura mundial com um olhar especial para a crise do capitalismo. Segundo o dirigente, “o PCdoB tem sido procurado por várias forças nacionais e internacionais interessadas em saber mais sobre o encontro e conhecer a posição dos partidos comunistas neste momento de turbulência”. As conclusões, avalia Carvalho, “certamente são aguardadas tanto pelos que apóiam quanto pelos que se opõem aos comunistas. O fato é que não se pode ignorar a influência que os partidos comunistas têm”.
 
José Reinaldo Carvalho destacou que as contribuições de cada um dos delegados para o debate sobre o atual cenário “criarão uma base para que o encontro aprove documento consensual que expresse a opinião dos comunistas sobre a crise”. De maneira geral, salientou, “esses partidos têm se pronunciado sobre a gravidade da crise com foco na condenação à atitude da maioria dos governos conservadores de jogar os efeitos da crise sobre os ombros dos trabalhadores e dos países pobres, bem como a tendência desses governos de intensificar políticas opressivas e espoliadoras contra os interesses dos povos”.
 
O dirigente explicou ainda que “ao denunciar o capitalismo e a burguesia monopolista e ao chamar os trabalhadores à luta”, os partidos estão contribuindo de maneira decisiva para uma real mudança nos rumos internacionais.
 
Na avaliação do dirigente, que vai ao encontro do que tem sido discutido entre partidos comunistas de todo o mundo, “esta não é apenas uma crise financeira; é mais uma manifestação de crise estrutural do sistema capitalista”. De acordo com Carvalho “não haverá saída nos marcos do próprio sistema, daí a importância da união entre partidos comunistas e forças aliadas na busca pela construção de novas alternativas que levem ao socialismo”.
 
Aspectos da crise
Um dos aspectos da atual conjuntura é a demonstração do fracasso das receitas neoliberais. “A abertura dos mercados, a desregulamentação financeira, as privatizações, a alienação do papel do Estado como indutor do desenvolvimento, a busca desenfreada do lucro máximo através da superexploração dos trabalhadores e o saque das riquezas nacionais, enfim, todo esse arcabouço ideológico caiu por terra”.
 
Diante da atual conjuntura, Carvalho aponta “duas tendências malsãs”: uma vinda da burguesia monopolista e outra da social-democracia. “A burguesia monopolista e os países imperialistas estão adotando como ‘solução’ para a crise o uso indiscriminado de recursos públicos para salvar bancos e empresas da bancarrota e, para isso, aprovaram pacotes econômicos de gigantescas somas numa operação coordenada visando a salvar o sistema”. Tais operações, destaca o dirigente comunista, “são apresentadas como algo virtuoso, como se fosse um resgate do Estado como ‘agente do interesse público’. Nada mais falso. O que de fato está em curso é uma ação do capitalismo monopolista estatal, instrumento da oligarquia financeira e do sistema imperialista”.
 
Já a social-democracia, diz, “começa a difundir a ilusão de que a ‘regulação’ do mercado e um novo ‘multilateralismo financeiro’ seriam suficientes para debelar a crise”.
 
Nesse cenário internacional de crise do capitalismo e de conflitos políticos e sociais, enfatiza, “fica patente que é imprescindível o papel político, organizativo e social dos partidos comunistas. Estamos convictos de que o 10º Encontro será uma contribuição nesse sentido, assim como será um chamamento à necessidade de ação entre esses partidos e deles com amplas forças progressistas e antiimperialistas”.

 
De São Paulo,
Priscila Lobregatte