Fórum Social das Américas se encerra com defesa da luta pela soberania

do portal da CTB

 
16/08/2010
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No dia de seu encerramento (15), o 4º Fórum Social das Américas chamou os movimentos, organizações e redes sociais do continente a redobrar a luta pela soberania dos povos. O ato numeroso reuniu os presidentes Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e José Mujica (Uruguai), que aproveitaram a ocasião da discutir a reativação de um bloco energético entre os três países. Cerca de 10 mil participantes estiveram no Fórum, realizado em Assunção, no Paraguai.

Ao realizar o balanço dos dois primeiros anos de sua gestão, completados neste 15 de agosto, Lugo exortou os paraguaios a “apostar no futuro e multiplicar seus desejos”.

Mujica, por sua vez, censurou o processo político ocidental, em especial do imperialismo, que tenta se impor ao mundo como uma civilização agressiva que pretende ser a única possível do planeta.

Morales, em sua intervenção, assinalou que os povos unidos e organizados são muito mais fortes que qualquer Estado do mundo, “e isso já foi demonstrado em vários países da região”. Ele destacou ainda que as bases militares estadunidenses na América do Sul trabalham contra a integração na região.

Na declaração final, a assembleia alerta sobre a articulação acelerada da direita para tentar frear qualquer processo de mudança na América Latina; denunciou a legitimidade do presidente de Honduras, Porfírio Lobo, e expressou sua solidariedade com o povo do Haiti.

Integração energética

Ainda durante o Fórum, Lugo, Mujica e Morales fecharam posição sobre a necessidade de se avançar na integração física e energética no continente e fixaram um novo encontro, em Montevidéu, que terá como prioridade o debate sobre o gás e a eletricidade.

As três nações integram o bloco Urupabol, que nasceu em 1963, mas que nunca chegou a se desenvolver e somente no ano passado foi reativado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paraguai, Hector Lacognata, disse que a conversa foi “muito promissora no sentido de avançar em relação a questões de interesse dos três países”. Lacognata afirmou que a partir de uma série de estudos, elaborados pelo Ministério de Minas e Energia, deverá ser construído um gasoduto ligando o Paraguai ao Uruguai.
 

Segundo ele, o Uruoabol “permitirá que a comunidade discuta os interesses desses três países, passando a constituir acordos estratégicos que nos permitam avançar em outros campos”, afirmou Lacognata. Mas, “acreditamos que já houve um grande avanço hoje no renascimento do bloco”.

Partidos políticos discutem América Latina

Partidos políticos do Brasil, de Cuba, da Venezuela e da Argentina discutiram a situação atual do continente, com seus pontos fortes e fracos, em uma oficina do quarto dia do Fórum.

A importância do reforço da integração regional com desenvolvimento, da defesa dos projetos progressistas em curso, a denúncia dos planos militares do imperialismo e interferência dos Estados Unidos (EUA) foram discutidos.

Participantes debateram também sobre o perigo iminente de guerra nuclear promovida pelos os EUA contra o Irã e suas consequências, além da contra-ofensiva regional por parte da direita e campanhas de mídia contra Cuba e a Venezuela.

A fim de continuar a sensibilizar e mobilizar mais pessoas em todo o mundo para evitar a guerra atômica, foi distribuído aos participantes do painel a mensagem lida pelo líder da Revolução cubana, Fidel Castro, na Assembleia Nacional (Parlamento), que alerta para o perigo da guerra que a humanidade enfrenta.

Contra a guerra atômica

O representante do Partido Comunista de Cuba para este fórum, Hector Fraginals, insistiu em duas sérias ameaças que a humanidade enfrenta hoje: a guerra e, a outra, as alterações climáticas, como resultado do saque, da pilhagem de recursos naturais e da eliminação de gases poluentes na atmosfera.

Em seu discurso, Fraginals disse que a convergência de todos esses fatores se projetada nas mudanças políticas, econômicas e sociais que vive a América Latina, com avanços e retrocessos na luta popular.

Sobre o assunto, disse que a situação exige dos segmentos progressistas vontade de mudança, conscientização social, explicação e persuasão, a fim de consolidar as vias necessárias para as lutas do futuro.

Fraginals destacou que, apesar de Cuba ser submetida ao bloqueio e a agressões, luta para alcançar uma nova sociedade, sob o princípio básico da solidariedade humana, e não no egoísmo e na ganância material.

O seminário, chamado de “governos de esquerda e progressistas e a integração solidária da América Latina”, foi composto por Valter Pomar, do Partido dos Trabalhadores do Brasil, Ana Elisa Osorio, do Partido Socialista Unificado da Venezuela, e Jorge Kreyness, do Partido Comunista da Argentina. Do Paraguai participou Hugo Ruiz, assessor internacional da Presidência da República.

Com informações de agências

3° ESNA inicia seus trabalhos reafirmando a unidade como estratégia de ação

do portal da CTB

22/07/2010
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Cerca de 300 delegados internacionais – vindos de 28 países – acompanharam ao lado de 200 delegados venezuelanos, na noite desta quarta-feira (21), em Caracas, a abertura dos trabalhos da terceira edição do Encontro Sindical Nossa America (ESNA). A unidade da classe trabalhadora foi a palavra de ordem do evento, repetida por todos os oradores, inspirados no ideário do libertador Simon Bolívar.

Outro tema que também fez parte da maioria dos discursos da noite foi o atual momento da crise econômica mundial.  Salvador Valdez, secretário-geral da Central de Trabalhadores de Cuba (CTC), afirmou ser uma falácia considerar que a crise foi superada. “Pela forma como ela foi confrontada, beneficiando àqueles que a criaram, isso é algo que não podemos aceitar”, avaliou.

Por outro lado, o dirigente cubano se mostrou bastante satisfeito com a ideia de unidade defendida por mais uma edição do ESNA. “Anima-nos ver que a cada encontro a resposta de nossas organizações seja maior”, disse.

Sem divisão

Para o coordenador-geral do ESNA e também secretário-geral da uruguaia PIT-CNT , Juan Castillo, o momento vivido pelos povos latino-americanos não admite nenhum tipo de divisão entre eles. “Nesse sentido, este é um espaço de construção de unidade para a luta, um espaço em que nossas diferentes opiniões se convergem”, disse.

Castillo lembrou que essa unidade não é algo facilmente conquistado, mas reafirmou que esse processo é muito valido, ao destacar os avanços já conquistados. Nessa mesma linha, destacou que as eleições de setembro, na Venezuela e de outubro, no Brasil, são fundamentais para a luta dos trabalhadores. “Seguramente a América não será a mesma se esses resultados forem adversos. Essa sorte não diz respeito somente a vocês, mas a todos nós. É necessário que haja um rotundo triunfo das forcas comprometidas com as mudanças”, disse.

Capacitação

Ramon Cardona, secretário da Federação Sindical Mundial (FSM) para as Américas, reforçou o discurso da unidade, mas foi além ao defender que os trabalhos do ESNA devem ter o papel de contribuir mais ativamente junto à sociedade. Para isso, ele afirmou ser necessário investir na formação de cada dirigente.

“A capacitação é imprescindível para nossa luta. Nossa missão deve ser a transformação social e o desenvolvimento de nossas sociedades. Para a FSM nas Américas, o mundo tem um enorme desafio e uma grande possibilidade de discutir a atual ordem vigente e propor alternativas”, comentou. “O movimento sindical não pode ser um mero expectador, mas um firme e ativo impulsionador das mudanças. Um lugar de vanguarda esta assegurado para os classistas nesse processo”, completou, ao defender a criação de um instituto para o ESNA, conforme se discutirá ao longo desta terceira edição.

Programação e objetivos

A abertura dos trabalhos serviu para que todos os delegados recebessem a programação do 3° ESNA, cujas principais atividades prosseguirão durante os dias 22 e 23. Estão programadas três oficinas, que discutirão a constituição de um documento político, uma plataforma de ação unitária e a criação de um instituto de Pesquisa, Formação e Assistência Técnica para a classe trabalhadora latino-americana.

Durante as atividades iniciais, os participantes do 3° ESNA também ouviram os objetivos do evento serem reafirmados: a defesa da democracia, da autodeterminação dos povos, a participação ativa do povo nos processos de transformação social da América Latina, o fortalecimento do espaço de debate, a unidade de ação e a solidariedade.

Na sexta-feira, último dia do 3° ESNA, os resultados das três oficinas serão levados ao plenário, ocasião em que também será divulgada a “Carta de Caracas”, dando continuidade à tradição dos documentos elaborados nas edições anteriores do evento, em Quito (Equador) e São Paulo (Brasil).

Fernando Damasceno – Portal CTB

Por Márcia Silva Postado em CTB

Brasil caminha para índice inédito de emprego formal, diz Marcio Pochmann

do portal da CTB

19/07/2010
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O Brasil criou cerca de 1,5 milhão de empregos formais nos primeiros seis meses de 2010. A estimativa é do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que divulgou, na última quinta-feira (15), em Brasília, os números relativos a junho do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Na análise do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, o desempenho do primeiro semestre, considerado histórico, sinaliza, em primeiro lugar, que o País conseguiu sair mais forte da crise financeira internacional, que atingiu o mundo entre 2008 e 2009.

“Em segundo lugar, significa que os empregos estão não apenas sendo impulsionados pela capacidade instalada, que havia sido reduzida em função da crise. Mais do que isso: vêm sendo puxados pelos novos investimentos”, afirmou.

Sobre as projeções do ministro Lupi, que espera fechar 2010 com 2,5 milhões de contratações com carteira assinada, Pochmann considera a estimativa factível.

“Nós trabalhamos na passagem do ano passado para este, com o número de 2 milhões, mas a expectativa de crescimento da economia nacional não era como está agora. Portanto, dada a evolução até o momento, esse novo ritmo, é bastante provável que nós tenhamos um universo de empregos gerados acima de 2 milhões, aproximando-se dos 2,5 milhões”, disse.

Mais do que expressivo, segundo o economista, o número é inédito na história do Brasil. Na prática, significa dizer que, a cada dez postos de trabalhos gerados, nove já são formais, conforme explica o presidente do Ipea.

“Desde a introdução da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que não havia se registrado experiência como essa. Isso acontece depois de toda a avalanche de argumentos, nos anos 90, de que o Brasil não geraria empregos com carteira assinada porque a CLT estava ultrapassada e impossibilitava isso”, destacou o presidente do Ipea.

Para Pochmann, a alta dos juros deve cessar já, pois a inflação recuou nos últimos meses, o IPCA não se manifesta como um perigo forte no curto prazo e adicionais elevações da Selic podem prejudicar os investimentos, que já são baixos.
De acordo com o IBGE, a Formação Bruta de Capital Fixo atingiu 18% do PIB no primeiro trimestre, patamar bem inferior à marca de 23% do Produto Interno Bruto vista por vários especialistas como necessária para que o potencial de crescimento do País saía de uma marca ao redor de 4,5% para um patamar mais próximo a 5,5%.

Na avaliação de Rafael Bacciotti e Luiza Rodrigues, os juros precisam ficar acima de 11,75% neste ano para que a inflação fique mais próxima da meta de 4,5% em 2011.

Para atingir aquele objetivo, a Tendências acredita que a Selic deve subir mais 0,50 ponto porcentual em outubro, enquanto o Santander avalia que será necessário mais um incremento de 0,50 ponto porcentual também em dezembro, o que levaria a taxa para 12,75%.

Mesmo com tais aumentos de juros, a consultoria acredita que o IPCA deve variar de uma alta de 5,4% em 2010 para 4,7% no ano que vem, enquanto o banco espanhol pondera que o índice chegará este ano em 5,5% e atingirá 5% no ano que vem.

“O ritmo de atividade está muito intenso e é preciso reduzir sua velocidade para que a inflação atinja um patamar mais sustentável no ano que vem”, disse Luiza.

Com informações do Terra Magazine

CONCLAT – DIA 1º DE JUNHO

do portal da CTB

 
Companheiras e companheiros, As eleições gerais de 2010 serão um momento decisivo para o País e para a democracia que estamos construindo, pois se realizarão num quadro político singular, caracterizado pelo crescimento sustentado da economia, pelo regime de amplas liberdades democráticas e pela afirmação do papel propositivo do movimento sindical e da classe trabalhadora, possibilitado por um largo processo de unidade de ação entre as centrais sindicais.A campanha eleitoral será marcada pela acirrada disputa entre distintos e divergentes projetos políticos e de desenvolvimento para o País nos próximos anos. As diferentes candidaturas apresentarão à sociedade e ao debate político suas propostas e programas de governo.É do interesse dos trabalhadores e trabalhadoras, assim como da maioria do povo e daqueles que aspiram uma sociedade justa, fraterna e democrática, que este processo de formulação envolva e mobilize milhões de brasileiros.

Partindo desta premissa, as centrais sindicais CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB realizarão no dia 1º de junho de 2010, no Estádio do Pacaembu, em São Paulo – SP, a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora para, numa grande Assembléia, reunir dezenas de milhares de dirigentes e ativistas sindicais para discutir e deliberar sobre um projeto nacional de desenvolvimento para o País, iniciativa inédita e histórica que marcará a trajetória do movimento sindical através da afirmação do protagonismo e da unidade dos trabalhadores.

Convocamos, portanto, o conjunto do movimento sindical brasileiro para se fazer presente em São Paulo no dia 1º de junho. É fundamental que, desde já, sejam organizadas representativas caravanas sindicais de todos os Estados e regiões do Brasil, com trabalhadores do campo e da cidade, da ativa e aposentados, jovens, mulheres e homens, para que nossa Conferência seja uma massiva demonstração da diversidade brasileira e da determinação da classe trabalhadora.

Contando com a presença de todos e todas, enviamos nossas saudações sindicais.

– Viva a unidade dos trabalhadores!
– Todos à Conferência Nacional da Classe Trabalhadora – Assembléia 1º de junho!

Central Única dos Trabalhadores
Artur Henrique da Silva – Presidente

Força Sindical
Paulo Pereira da Silva (Paulinho) – Presidente

Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
Wagner Gomes – Presidente

Nova Central Sindical dos Trabalhadores
José Calixto Ramos – Presidente

Central Geral dos Trabalhadores do Brasil
Antônio Neto – Presidente

CTB, a síntese do sindicalismo classista

do portal vermelho

Augusto César Petta *

A história do sindicalismo classista no Brasil inicia-se na segunda década do século XX. Até então, os anarco- sindicalistas mantinham a hegemonia do movimento sindical. Numa trajetória de grandes lutas – incluindo greves importantíssimas, como a de 1953 – o sindicalismo classista sofreu as duras conseqüências dos períodos ditatoriais, sobretudo daquele que se estendeu por 21 anos, a partir do Golpe Militar de 1964.

Acredita-se que, naquele triste período da nossa história, cerca de 10 mil sindicalistas foram banidos do movimento sindical brasileiro. Mas, mesmo com os duros golpes sofridos – o fato do modo de produção capitalista não resolver, nem de longe, os graves problemas sofridos pelos trabalhadores e trabalhadoras – dialeticamente, a combatividade do movimento sindical veio a tona, em vários momentos de nossa história.

A perspectiva da legitimação e da legalização de uma central sindical, que efetivamente representasse os interesses imediatos e históricos dos trabalhadores e das trabalhadoras brasileiros, sempre esteve presente entre os objetivos estratégicos do sindicalismo classista. Pretendia-se que essa central fosse única, dentro da perspectiva da importância da unidade, como instrumento fundamental para o enfrentamento da luta que se trava contra os interesses das classes dominantes. No entanto, por diversas questões – que não cabem ser tratadas neste artigo – o fato é que nasceram várias centrais no Brasil, a partir do ressurgimento do movimento sindical em meados dos anos 70 do século XX.

Essa história de luta classista de quase um século desemboca na fundação da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB – em dezembro de 2007. A CTB nasceu com o compromisso definido de dar continuidade à luta para que o nosso país possa um dia chegar a se constituir numa sociedade sem explorados e exploradores, sem opressores e oprimidos. Para tanto, sabe que a trajetória é longa e coloca como meta atual a construção de um projeto nacional de desenvolvimento com valorização do trabalho e distribuição de renda. E mais especificamente, no ano de 2010, o grande objetivo de eleger candidatos e candidatas efetivamente comprometidos com os interesses do povo brasileiro.

Nos contatos que tenho estabelecido com sindicalistas classistas – durante a realização dos cursos básicos de formação do convênio CTB- CES – tenho observado o florescimento e desenvolvimento da CTB nos Estados. Em alguns, mais forte e representativa, com um número significativo de sindicatos filiados, em outros, apenas iniciando o trabalho de organização. Mas, em todos os Estados, a dedicação e a combatividade dos classistas fica muito evidente.

Caberá a CTB, nesse início de século, a grande responsabilidade de conduzir a riqueza acumulada nas grandes lutas travadas nos últimos 90 anos. Evidentemente, ela não atuará sozinha. Estará sempre buscando unificar suas posições com as demais Centrais, com os Movimentos Sociais, com a Federação Sindical Mundial, com os Partidos Políticos progressistas. A CTB é a síntese acumulada da bela história de lutas do sindicalismo classista. A nossa expectativa é que tenha vida longa e que consiga grandes avanços rumo à emancipação do proletariado! 

2009: Um ano repleto de lutas e vitórias

do portal da CTB

2009: Um ano repleto de lutas e vitórias
21/12/2009
A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil completa em dezembro dois anos de existência e chega ao final de 2009 com bons motivos para comemorar sua recente e vitoriosa história. 2009 foi marcado por muitas lutas e notáveis êxitos, apesar da crise mundial do capitalismo.

Por Wagner Gomes, especial para o Portal CTB

Inauguramos 2009 no Fórum Social Mundial de Belém, onde o sindicalismo classista teve destacada participação e promoveu debates sobre a crise, o uso do amianto, a integração latino-americana, a luta pela soberania e a Amazônia. Ao longo dos meses seguintes, a CTB ampliou sua influência e representatividade, criando raízes em todo o território nacional.

Sindicalismo de luta

A CTB foi a Central que mais cresceu entre janeiro a setembro, de acordo com informações do Ministério de Trabalho e Emprego, estando organizada nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal. Já é a quarta maior do país, em representatividade. Possui, agora, mais de 700 entidades filiadas, que representam cerca de 6 milhões de trabalhadores e trabalhadoras em suas respectivas bases.

Na prática, nossa Central está cumprindo o objetivo proposto no congresso de fundação de construir uma organização classista, democrática, unitária, autônoma. Promove um sindicalismo de luta, o que ficou evidente em diferentes ocasiões, cabendo aqui destacar o Dia Nacional de Luta em Defesa do Emprego e dos Direitos Sociais (30 de março), o 1º de Maio, a manifestação unitária realizada em 14 de agosto e a 6ª Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília, que reuniu mais de 40 mil pessoas no dia 11 de novembro.

Unidade

A defesa da mais ampla unidade da classe trabalhadora e do movimento sindical brasileiro na luta por mudanças sociais tem sido nossa marca. A unidade é o caminho para elevar o protagonismo político da classe trabalhadora e do sindicalismo nacional e já rendeu resultados positivos, cabendo citar neste sentido a valorização do salário mínimo, a legalização das centrais, o veto à Emenda 3 e a aprovação da redução da jornada sem redução de salários por uma Comissão Especial da Câmara Federal.

As decisões do 10º Congresso da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), realizado nos dias 10 a 14 de março, reiteraram a defesa da unicidade sindical e de um projeto alternativo de desenvolvimento rural, solidário e sustentável.

2º Congresso Nacional

Realizamos em setembro o 2º Congresso da nossa Central com o lema “Unidade para enfrentar a crise”. Entre as resoluções aprovadas pelos congressistas destacam-se a proposta de uma nova Conclat (Conferência Nacional da Classe Trabalhadora) e a reiteração da luta por um novo projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização do trabalho.

Fator previdenciário

Um ponto alto da nossa ação sindical foi o posicionamento corajoso, autônomo e firme pelo fim do fator previdenciário, questão que por certo tempo dividiu opiniões entre as centrais sindicais. Durante reunião realizada no dia 23 de novembro na sede nacional da CTB os presidentes das maiores centrais brasileiras (CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB) reunificaram sua posição sobre o tema em torno da luta pelo fim do fator previdenciário. Esta foi outra grande vitória do sindicalismo classista em 2009.

Não restam dúvidas de que 2009 foi um ano de consolidação e ampliação da CTB, um ano coroado de êxitos, apesar da crise mundial do capitalismo. Temos motivos de sobra para comemorar. Desejo aos leitores e leitoras, em nome da nossa Central Classista, Boas Festas e um Ano Novo próspero, de muitas lutas e novas conquistas.

Secretário de Comunicação da CTB defende unidade dos movimentos sociais na Confecom

do portal da CTB
14/12/2009
Unidade, sim. Interesses particulares, em outro momento. Realista, é com esse espírito que o secretário de Comunicação da CTB, Eduardo Navarro, viajou para Brasília, onde teve início nesta segunda-feira (14) a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

Dirigentes das Centrais se reuniram em outubro para discutir participação na Confecom

Até a próxima quinta-feira (17), a sociedade civil, empresários do setor de comunicação e representantes do poder público irão analisar o papel da mídia no país e discutir, a partir de três eixos centrais —“Produção de conteúdo”, “Meios de distribuição” e Cidadania: direitos e deveres” —, a democratização da produção, da distribuição e do acesso à informação no Brasil.

Sob o tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”, a 1ª Confecom contará com a participação direta de 1.684 delegados, definidos em suas etapas estaduais. Estima-se que cerca de cem mil brasileiros participaram indiretamente desse processo, realizado em todos os estados brasileiros.

Dentro de todo esse processo, Eduardo Navarro vê a participação dos movimentos sociais como essencial para que sejam definidos reais avanços a partir da Confecom. Ao falar da reafirmar a necessidade de unidade nesta etapa das discussões, o dirigente da CTB diz entender que se deve pensar, no momento, de maneira mais ampla dentro da sociedade. “Enquanto representante do movimento sindical, acredito que devemos fazer esforços para que, entre o dia 14 e 17 de dezembro, possamos construir uma unidade, com o intuito de que as propostas apresentadas tenham uma característica mais geral, e não de particularidades. Vamos abrir mão de uma série de propostas em nome da unidade”, disse. Continue lendo

CTB celebra Direitos Humanos e 5 anos do Cebrapaz em lançamento de campanha contra bases militares

do portal da CTB

 A CTB participou nesta quinta-feira (10), em São Paulo, de um ato que celebrou os 61 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o aniversário de cinco anos do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Luta pela Paz) e o lançamento da campanha “América Latina é de Paz — Fora Bases Militares Estrangeiras”.

 Joaquim Pinheiro (MST), Socorro Gomes (Cebrapaz) e João Batista Lemos (CTB)

O ato, realizado na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, contou com diversas entidades unidas na luta pela paz e deu o tom para uma série de atividades e protestos que serão realizados ao longo de 2010, a partir do Fórum Social Mundial, em janeiro, contra a instalação de bases militares estadunidenses em território latino-americano.

“Não podemos encerrar o ano sem protestar contra essa política. Esperamos que as iniciativas de hoje sejam uma caixa de ressonância que se espalhe por todo o continente”, afirmou Joaquim Pinheiro, coordenador internacional do MST, citando também o encontro realizado pela manhã, no Consulado da Colômbia, oportunidade em que diversas entidades entregaram um documento de denúncia da repressão sofrida pelos movimentos sociais colombianos.

Para João Batista Lemos, secretário internacional adjunto da CTB, também é papel dos trabalhadores de todo o continente difundir e defender a campanha de paz da América Latina. Recém chegado da Cumbre Sindical realizada em Montevidéu, no Uruguai, o dirigente sindical informou que a CTB relatou às outras centrais sindicais da região a importância de lutar também contra a instalação de bases estrangeiras no continente. “Se quisermos ver a América Latina livre da ingerência dos Estados Unidos, precisamos da força de todos os movimentos sociais da região nessa batalha”, afirmou.

Celebrações em todo o continente

Atos como o realizado em São Paulo, em celebração aos 61 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, também foram organizados em diversos países latino-americanos. Segundo Pinheiro, do MST, manifestantes em diferentes cidades da Argentina, do Uruguai, da Venezuela, do Peru, da Bolívia, da Guatemala, do Panamá e da Colômbia se somavam aos brasileiros na luta pela paz.

Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz, disse que no Brasil as forças comprometidas pela paz não poderiam deixar passar tal data em aberto. Em rápida entrevista ao Portal da CTB, ela falou sobre o aniversário de cinco anos da entidade, da luta contra o imperialismo e de como os povos de todo o mundo têm conseguido se organizar cada vez mais em prol de nações soberanas. 

Portal CTB: Socorro, após cinco anos de lutas no Cebrapaz, o mundo é um lugar melhor ou pior para se viver?
O mundo é o lugar em que nós vivermos e felizmente há muitos avanços, muitas lutas, especialmente aqui na América Latina, onde diversos governos buscam construir uma integração solidária, de cunho antiimperialista. Esses governos têm dados muito interessantes, pois além de lutar contra a hegemonia dos Estados Unidos, também apresentam dados sociais muito interessantes.

Nesses cinco anos houve também uma condenação à política do maior criminoso das últimas décadas, George W. Bush, cujo legado pode ser comparado só ao de Hitler. Obama foi a resposta a isso, mas ocorre que ele, desde sua eleição, tem tido conversar muito boas, mas suas atitudes têm sido muito diferentes.

Por aí fica difícil entender seu prêmio de Nobel da Paz…
Sem dúvida, foi um acinte. Compreendemos que, para o imperialismo, a guerra é um instrumento de domínio. Assim, é preciso a luta pela paz, algo essencial no mundo de hoje.

Você acha que, em nível mundial, é possível ver entre os movimentos sociais um comprometimento maior e mais organização nessa luta pela paz?
O que eu vejo hoje é o povo de cada país tomando consciência, condenando as guerras que existem no mundo e a posição dos Estados Unidos. Há uma grande indignação, uma grande revolta em todo o mundo. O povo sabe que o imperialismo estadunidense é inimigo do progresso e da paz. Na América Latina isso é mais frequente, por todo o histórico da região: primeiro com as ditaduras, depois com o Consenso de Washington e o neoliberalismo. Nossos países foram destruídos, assim como a economia da região. Mas hoje temos nosso continente mostrando que o caminho a ser seguido é o da soberania e da integração solidaria.

Fernando Damasceno – Portal CTB

CTB e movimentos sociais organizam ato contra práticas antissindicais na Colômbia

do portal da CTB

02/12/2009
Na manhã desta quarta-feira (2), representantes de movimentos sociais e populares (MAB, UNE, UJS, Jubileu Brasil, Cebrapaz, MST, Movimento de Solidariedade a Cuba) reuniram-se na sede da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), em São Paulo, para construir a mobilização continental contra as bases militares estrangeiras e práticas antissindicais na America Latina e Caribe .  A proposta é realizar um grande ato em frente à Embaixada da Colômbia (R. Honduras, 1447) no próximo dia 10, data de aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Nos últimos tempos, a Colômbia vem sofrendo constantes práticas antissindicais. Nos últimos 23 anos foram assassinados 2.731 sindicalistas no país. Segundo informações da Central Unitária de Trabalhadores da Colômbia, entre janeiro de 1986 e dezembro de 2008 ocorreram 231 atentados, 4.200 ameaças, 161 sequestros, 1.478 vítimas de deslocamentos forçados, 193 desaparecidos, 73 casos de tortura e 43 capturas ilegais

Para o secretário adjunto de Relações Internacionais da CTB, João Batista Lemos, a questão central está em levar às ruas o relançamento da campanha “América de Paz: fora as bases militares estrangeiras”.

Em relação ao conjunto da classe trabalhadora e ao movimento sindical, Batista  ressaltou a importância de se  garantir um ambiente de liberdade política no continente. “Para avançarmos e consolidarmos as mudanças como as que vêm ocorrendo em países como El Salvador, Nicarágua, Bolívia, Brasil e Uruguai é necessário acabar com essas práticas antissindicais”.

Segundo o representante da Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz), Rubens Diniz, a instalação de bases militares em países estrangeiros somado a instalação da Quarta Frota é uma forma de intimidar governos anti-americanos. “Documentos oficiais do Pentágono expressam essa vontade principalmente pelo posicionamento de forças militares em locais estratégicos com grandes recursos naturais como a Amazônia e a navegação em águas do pré-sal”, salientou.

A próxima reunião operativa ocorrerá na sexta-feira (4), no Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Viaduto Nove de Julho, 160 Conj. 2E – Centro – São Paulo), às 10 horas.

Ana Paula Carrion – Foto Cinthia Ribas – Portal CTB

Uma vitória política da CTB

do portal da CTB

Umberto Martins

A reunião das centrais sindicais na sede da CTB segunda-feira (23) reunificou a posição do movimento sindical brasileiro em relação a dois temas sensíveis e polêmicos associados à Previdência: o reajuste das aposentadorias e pensões com valor superior a um salário mínimo e o famigerado fator previdenciário.

CTB, CUT, Força Sindical, UGT, Nova Central e CGTB reivindicam uma política permanente de recomposição do valor das aposentadorias e pensões, baseado na correção do valor desses benefícios através do INPC mais um aumento real equivalente a 80% do crescimento do PIB nos dois anos anteriores ao da concessão do reajuste.

Cobap apoia

As centrais definiram uma posição comum contra o fator previdenciário, pondo fim à polêmica criada com o malfadado “acordão” ensaiado por autoridades do governo Lula com três centrais (CUT, Força Sindical e CGTB), que previa apoio ao chamado fator 85-95, proposto pelo deputado Pepe Vargas, rechaçado pela CTB, Nova Central e UGT, além da Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) e FST (Fórum Sindical dos Trabalhadores).

A Cobap participou e subscreveu a nota das centrais, que também defende a imediata aprovação de uma política permanente de recuperação do salário mínimo, até 2023, com base no INPC do ano antereior acrescido da variação do PIB de dois anos anteriores, conforme preconiza Projeto de Lei encaminhado pelo governo Lula ao Congresso Nacional.

Coerência

Durante a reunião na CTB os sindicalistas afinaram os instrumentos e harmonizaram as vozes, o que é uma boa notícia para o movimento social. A vida tem mostrado que a unidade fortalece o sindicalismo e eleva o protagonismo da classe trabalhadora nas lutas políticas nacionais.
A CTB, que desde o princípio manteve uma posição autônoma e coerente pelo fim puro e simples do fator previdenciário, desempenhou um papel proeminente na reunificação das centrais em torno do tema. A prática comprova que a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil veio para unir e não para dividir.

Herança maldita

O fator previdenciário é na verdade uma fórmula ardilosa inventada no governo FHC para reduzir (em cerca de 40%) o valor das aposentadorias, obtendo-se por este meio uma economia perversa que, no final das contas, é usada para incrementar o superávit primário e amortizar os pesados encargos da dívida pública.

Renunciar a esta herança maldita do neoliberalismo tupiniquim é uma questão de justiça social e um dever indeclinável do movimento sindical e das forças políticas progressistas. Há um meio mais proveitoso à economia nacional e justo do ponto de vista político de buscar um maior equilíbrio das contas do governo: o corte das despesas com juros, que pode ser obtido através de uma redução substancial da taxa de juros que ancora o rendimento dos títulos públicos (Selic) e o fim do superávit primário.

É preciso cortar nos lucros da oligarquia financeira e não na carne dos trabalhadores e trabalhadoras que, após dezenas de anos na labuta, usufruem o sagrado e suado direito à aposentadoria.
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Umberto Martins é jornalista e editor do Portal CTB

Por Márcia Silva Postado em CTB