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Lutar pela paz e denunciar os crimes de guerra do imperialismo
A solidariedade internacional e a luta dos povos contra o avanço das forças imperialistas são os temas da entrevista da presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, ao Vermelho.
Socorro destacou, entre o conjunto de atividades realizados em 2010 por ambas as entidades, a atuação pelo desarmamento nuclear e a campanha pela retirada das bases militares dos EUA de territórios espalhados pelos cinco continentes.
Ela falou ainda da atuação do governo brasileiro na busca da paz e no processo de integração da América Latina. E da importância do fortalecimento do diálogo e da defesa da soberania de cada povo no processo de construção da paz.
Vermelho: O que você ressaltaria do conjunto de atividades realizadas pelo Cebrapaz em 2010?
Socorro Gomes: Além de encaminhar diversas lutas contra a militarização e as guerras, nós lançamos no mês de janeiro, no Fórum Social Mundial — em articulação com organizações de luta pela paz de todo o continente americano —, a campanha contra as bases militares no continente. Ao longo do ano, foram realizadas atividades na Colômbia, Argentina e Cuba contra as bases militares. Entendemos como fundamental o lançamento dessa campanha porque a questão das bases militares está ligada a um projeto maior do imperialismo.
O mundo tem hoje cerca de 800 bases militares dos EUA espalhadas em todos os continentes. Isso faz parte de um objetivo central do imperialismo estadunidense: o controle de todos os continentes, especialmente de países com recursos naturais ou que não se submetem à política deles. Essas bases são uma ameaça real e concreta. Do ponto de vista da ameaça bélica, o imperialismo controla os mares e oceanos (através das frotas navais), os continentes (com as bases militares) e o espaço aéreo (através de mísseis, escudos e satélites).
Na luta pela paz, é fundamental denunciar a máquina de guerra, seus crimes e responsáveis. Apenas na América Latina, desde a Segunda Guerra, são centenas de milhares de pessoas assassinadas por influência direta de golpes promovidos e coordenados pelos Estados Unidos, são quase 900 mil vítimas.
Também promovemos campanhas de solidariedade aos povos do mundo que estão em luta pelos seus direitos, soberania, defesa de seus territórios e contra as agressões imperialistas.
Vermelho: E em relação ao Conselho Mundial da Paz, quais foram as principais atividades do ano passado?
SG: Em 2010 participamos da campanha contra a Otan – que é um grande aparato de destruição e de guerra comandado pelos EUA. Participamos de conferências e manifestações de rua denunciando o que representa a Otan e exigindo seu desmantelamento imediato. Estivemos presentes em atividades em Estrasburgo e Lisboa, por motivo da realização na capital portuguesa da Cúpula da Otan, quando o Conselho Português Pela Paz e a Cooperação, com o apoio co Conselho Mundial da Paz, realizou um seminário e uma grande manifestação. Foi uma jornada de luta em que denunciamos a Otan como um instrumento do imperialismo que cometeu inúmeros crimes contra a humanidade.
Outra campanha do Conselho Mundial da Paz — e de que o Cebrapaz participou com muita força — foi pela destruição das armas nucleares. Essa é uma luta histórica do CMP porque as armas nucleares colocam em risco a própria existência da espécie humana. Realizamos no Senado brasileiro uma conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Também realizamos em Nova Iorque passeatas e conferências sobre esse tema. Um dos pontos fundamentais do Conselho Mundial da Paz, desde o seu nascimento, é a luta contra as armas nucleares e de destruição em massa.
Para nós essa luta continua essencial. Ela denuncia a hipocrisia e a falácia dos EUA — que foi o único país que atacou e destruiu duas cidades com bombas nucleares e continua impune. Ao mesmo tempo os EUA tentam impedir que outros países utilizem a tecnologia nuclear para fins pacíficos.
Sabemos que a questão da paz é garantida com a soberania, com a auto determinação e um outro sistema de relações internacionais justo, mas temos que buscar desmantelar esse poder bélico porque vivemos sempre sujeitos a uma tragédia, seja na Península Coreana, no Oriente Médio ou no Irã.
Vermelho: O agravamento da crise econômica dos EUA pode acentuar ainda mais as investidas imperialistas ao redor do mundo?
SG: Penso que à medida que eles estão em crise e têm que realizar os seus lucros — que é a lógica do capital —, mais avançam contra os direitos dos trabalhadores. O imperialismo e as grandes potências avançam contra os países impondo medidas extremamente duras e fascistas — principalmente na perseguição aos imigrantes. Podemos ver aí a hipocrisia do sistema que fala de liberdade total, mas é uma liberdade que existe para impor sua própria vontade.
Nesse quadro, o risco de agressões contra as nações tem que ser encarado como uma ameaça de fato. Se o imperialismo está armado até os dentes, se está espalhado por mar, terra e ar, e tem essa política de ataque aos direitos dos povos, temos que encarar como um risco.
Vermelho: Como você vê a conjuntura internacional neste começo de ano?
SG: Quando o povo americano votou em Obama apostou na paralisação desta política de guerra — que leva os EUA a um isolamento, por semear o medo e o terror entre povos e nações. Obama foi essa tentativa, mas ele continua — apesar de um discurso mais suave — com as mesmas medidas de Bush. Do ponto de vista da ameaça aos povos e da atitude dos Estados Unidos de ataque à democracia e aos direitos dos países, Obama continua e aprofunda a mesma política.
O que temos este ano é a continuidade da intimidação ao Irã, várias escaramuças e ameaças contra a Coreia do Norte e o cerco da África pelo Africom [Comando Africano dos Estados Unidos] que tem o objetivo de controlar o continente, que é riquíssimo. No nosso continente as medidas também continuam. Cuba permanece sob bloqueio e os cinco patriotas cubanos continuam presos.
Por outro lado, há um avanço significativo em vitórias importantes, e nesse sentido o Brasil joga um papel destacado. Nós, do Cebrapaz, encaramos com alegria a eleição da presidente Dilma Rousseff, porque é a continuidade de um projeto de independência e de integração. Observamos a Venezuela, o Equador e a Bolívia darem grandes saltos. A Venezuela conseguiu combater as desigualdades e hoje está em primeiro lugar na América Latina nesse aspecto, o combate à pobreza foi um dos mais significativos avanços — fruto de um governo que utilizou os recursos naturais para garantir a melhoria de vida do seu povo. O Cebrapaz manifesta de maneira militante a solidariedade aos povos que estão nessa luta.
Vermelho: Diante dessas perspectivas de avanço, principalmente na América Latina, como se dão as reações imperialistas?
SG: As reações buscam sempre desestabilizar esses governos progressistas. A oposição oligárquica, que é muitas vezes ligada ao passado ditatorial e neocolonial, busca o retrocesso, pois sem democracia é mais fácil explorar e dominar o povo.
Vermelho: O que você destacaria da resistência latino-americana contra as forças imperialistas?
SG: No continente americano, as bases militares e a 4ª Frota da Marinha de Guerra dos EUA estão se intensificando com o acordo assinado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, para a instalação de mais bases militares. O objetivo dessas bases é cercar a região e fazê-la servir aos EUA. Busca-se cercar países como a Venezuela, a Bolívia e o Equador. No Caribe, o objetivo dos EUA é dominar Cuba, ameaçado-a com a base de Guantânamo. No Panamá, que havia conseguido avançar no processo de maior soberania, o imperialismo busca a instalação de novas bases. Estes são apenas alguns exemplos do intervencionismo norte-americano no continente.
Além disso, temos a questão da Amazônia, a mais rica região do mundo em biodiversidade e água. Trata-se de uma questão estratégica porque os recursos energéticos aí são gigantescos. Além do mais, existe a questão do Pré-Sal brasileiro que passou a ser um dos alvos da 4a Frota.
Desde 1998 a luta dos povos vem crescendo e o imperialismo não se conforma. Tenta sabotar e impedir os avanços. Basta observarmos o golpe em Honduras; a tentativa fracassada de golpe no Equador e as constantes investidas para desestabilizar a situação na Venezuela e na Bolívia.
Ainda podemos considerar no exame da situação da América Latina a manutenção do bloqueio a Cuba, que é o meio pelo qual o imperialismo norte-americano tenta estrangular a ilha e derrotar a Revolução.
Vermelho: Quais são os eixos de trabalho do Cebrapaz em 2011?
SG: As perspectivas são de muitas lutas. Vamos avançar na questão da luta contra a guerra, da solidariedade e da resistência contra as bases militares e a 4ª Frota e temos também o grande desafio de fortalecer o Cebrapaz nos estados. Temos muitos desafios a enfrentar. Com certeza as organizações pacifistas estarão à altura. Este é um ano de fortalecimento do Cebrapaz — com planejamento e campanhas específicas, que envolvem as necessidades de cada estado integradas aos movimentos sociais. Em junho vamos realizar uma conferência nacional com convidados internacionais, o que faz parte do projeto de fortalecimento da cultura da paz.
Outra questão fundamental é a solidariedade. Vivemos, em épocas passadas, de costas para a América Latina. No Brasil, os governantes e as classes dominantes falavam apenas sobre a Europa e os EUA. Hoje os governos da América Latina possuem vários fóruns de integração: o Mercosul, a Unasul, o Conselho de Defesa da América do Sul, a Alba, o Parlasul, o Parlatino. Todos esses mecanismos são passos importantes para a integração. Precisamos intensificar esse movimento de solidariedade.
Vermelho: A recente reunião entre os presidentes da China e dos EUA indica uma transição de hegemonias?
SG: Ainda não tenho todos os elementos, mas a questão da crise econômica — que tem seu epicentro nos EUA — chama a atenção. Com a moeda e a economia americana em decadência, vemos que o imperialismo norte-americano está em declínio. Não quero dizer com isso que este imperialismo esteja morrendo e basta uma pá de cal para enterrá-lo. É preciso combatê-lo cada vez com maior força, mas a hegemonia americana está sofrendo abalos. Os EUA ainda têm o maior poder bélico, ao passo que a China é uma potência emergente.
Vermelho: Em novembro último você participou na Espanha de uma conferência sobre a questão palestina. Que opinião tem sobre o tema?
SG: O Estado de Israel foi criado com todo o apoio do imperialismo, mas o Estado da Palestina, que também era uma determinação da ONU, não foi criado. Pelo contrário, o território palestino foi sendo invadido e ocupado através de ações militares. Atualmente Israel possui armamento nuclear e a chamada “comunidade internacional” sabe disso, mas nada faz no sentido contrário. Israel já deu claras demonstrações de que não permitirá a criação do Estado palestino.
O povo palestino vem sofrendo um martírio, e mesmo com várias resoluções da ONU determinando a retirada de Israel dos territórios ocupados, a suspensão da instalação de colônias e declarações de que o muro é ilegal, nada é feito. O povo palestino, apesar de martirizado, é um povo heróico porque continua resistindo e lutando por seu Estado, sua autonomia, sua autodeterminação e seu direito de viver. A própria ONU e os países do mundo devem muito ao povo palestino. Ele é um exemplo de como lutar contra os horrores do imperialismo.
O CMP está examinando a proposta de enviar uma delegação à Palestina ainda este ano. O Cebrapaz e os movimentos sociais no Brasil também estão propondo organizar uma delegação para visitar a Palestina em 2011. Além disso, queremos discutir e levar a mensagem ao Parlamento brasileiro para que nosso país não tenha negociações, especialmente sobre assuntos militares com um estado terrorista que cometeu genocídios, crimes de guerra e contra a humanidade.
Vermelho: Como o Cebrapaz e o CMP atuam na questão da luta do povo saharauí?
SG: Esta é uma questão importante. O Marrocos de forma alguma aceita a autodeterminação do povo saharauí, posicionando-se e agindo de forma truculenta. As coisas que acontecem lá são realmente escabrosas, muito parecidas com as torturas estadunidenses em Guantânamo. O povo saharauí só quer o direito à sua autodeterminação, o direito de ter a sua própria cultura. Dessa forma entendemos que é essencial a solidariedade ao povo saharauí e o CMP tem feito visitas e mantido laços importantes pela independência desse povo.
Vermelho: É possível afirmar que a política externa brasileira possui elementos progressistas e de construção da paz?
SG: Podemos dizer que a política externa brasileira desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula teve inúmeros avanços. A primeira mostra disso foi a recusa do governo brasileiro em atender o apelo do ex-presidente, George W. Bush, para invadir o Iraque. Lula então dizia: “A nossa guerra é contra fome”. O Itamaraty e o governo brasileiro buscaram sempre a construção de um caminho de paz e diálogo. Essa atuação aconteceu tanto em questões como a do Oriente Médio, no caso da crise energética nuclear com o Irã, como as relacionadas com nossa região. Até mesmo quando os interesses de empresas brasileiras estavam envolvidos, que foi o caso do gás com a Bolívia, nós procuramos o diálogo. Foi nesse momento que a direita brasileira, que em nenhum momento se importou com a soberania do Brasil, gritou dizendo que o país tinha que se armar e ameaçar a Bolívia, a Venezuela e o Paraguai. O que fez o governo Lula? Sentou-se à mesa, tratou dos contenciosos de forma respeitosa, defendendo os interesses do Brasil e os direitos dos países irmãos. Tudo isso através do diálogo.
Em meu entendimento o governo Lula colocou como ponto alto a questão da paz, ao mesmo tempo em que se posicionou de forma firme quando precisou. Um exemplo é o golpe de Honduras. O Brasil não reconheceu os golpistas e deu todo o apoio a Zelaya.
A política externa brasileira atuou marcando o seu posicionamento, negociando e respeitando os demais países.
Durante os oito anos do governo de Lula, o Brasil também ampliou suas relações com todo o mundo. Fomos ao Oriente Médio várias vezes, à África e à Ásia. O Brasil hoje é respeitado no mundo inteiro pelos avanços na diplomacia e política externa. A eleição de Dilma é uma sinalização de continuidade dessa política soberana, altaneira e de integração.
Da redação,
Mariana Viel
Socorro Gomes: “O que os EUA fizeram em Hiroxima não tem perdão”
| 04/08/2010 | |
| A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, encontra-se no Japão, onde participa da Conferência Mundial contra as Armas Nucleares, na cidade de Hiroxima, e dos atos oficiais organizados por ocasião do 65º aniversário da explosão da bomba atômica, que transcorre em 6 de agosto. Ela também visitará Nagasaki,a outra vítima de bombardeio nuclear.
A ativista brasileira do movimento pela paz reuniu-se com dezenas de organizações estrangeiras, participa de diversas solenidades em memória das vítimas da bomba, depositou flores em um monumento no parque da paz e visitou o museu do genocídio. Em artigo para o site do Cebrapaz e o Vermelho, Socorro Gomes comenta o episódio histórico, homenageia os mártires e analisa as ameaças de guerra e propõe a eliminação de todas as armas de destruição em massa. Por e-mail endereçado à redação do Vermelho, ela declarou: “O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroxima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque”. “O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado”, relatou. “É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!” protestou Socorro. |
Conselho Mundial da Paz condena agressão de Israel
do site pátria latina
| Diante do ataque das Forças Armadas israelenses a uma frota humanitária que pretendia levar suprimentos à população palestina na Faixa de Gaza, o Conselho Mundial da Paz amitiu nota condenando a agressão e se solidarizando com a Palestina.Veja abaixo a íntegra O Conselho da Paz Mundial denuncia, de maneira enérgica, a brutal agressão pelas Forças Especiais israelenses contra a missão de solidariedade composta por seis navios de ajuda humanitária para o povo da Palestina. A operação assassina do governo de Israel e seu exército aconteceu em águas internacionais, ao largo da Faixa de Gaza Palestina, contra os civis que estavam a bordo de seis barcos que tentavam se aproximar dos portos de Gaza. O Conselho Mundial da Paz condena o ataque militar, em que mais de 16 pessoas civis, de diferentes nacionalidades, perderam a vida e mais de 60 pessoas ficaram feridas. Este massacre produzido pelo governo israelense demonstra, mais uma vez, a natureza reacionária de décadas de um regime, que não só nega o direito do povo palestino a um Estado independente, mas também a ajuda humanitária ao povo palestino, que sofre sob a ocupação e as agressões, como a que ocorreu em 2008. O Conselho Mundial da Paz manifesta a sua solidariedade com o povo palestino em uma causa justa, para o estabelecimento de um Estado independente dentro das fronteiras definidas em 1967 e com Jerusalém Oriental como sua capital. Também expressamos nossa solidariedade com as forças defensoras da paz dentro de Israel, que lutam ao lado do povo palestino contra a ocupação das terras da Palestina. A recente ação de Israel constitui um crime de dimensão internacional, uma vez que a agressão israelense tem o apoio político e a tolerância dos Estados Unidos, União Europeia e de outras estruturas do imperialismo. O Conselho Mundial da Paz manifesta a sua profunda preocupação com a escalada da agressividade imperialista na região e faz um chamado às forças que apóiam a paz nos países da região, para que estejam alertas e vigilantes ante qualquer ataque iminente. 31 de maio 2010 Secretariado do Conselho Mundial da Paz |
Conferência põe em xeque discursos oficiais sobre futuro nuclear
Com início previsto para esta segunda-feira (3), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York, a 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) será um teste de credibilidade para os principais países participantes, notadamente os Estados Unidos. É real a possibilidade de o encontro resultar em poucos ou insuficientes avanços — e isso se deve, sobretudo, ao unilateralismo americano.
Com 189 países-membros, o TNP, firmado há 40 anos, prega o desarmamento nuclear das potências, a não-proliferação de armas e o uso pacífico da energia nuclear. O elo mais débil dessa trinca é a questão do desarme. A maioria das potências atômicas reconhecidas — Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido — arvora-se na defesa da não-proliferação de outros países, mas são lentos ou mesmo omissos para desarticular seu próprio arsenal. Não é à toa que o arsenal nuclear mundial conta com mais de 20 mil armas.
No momento, o TNP está às voltas com o chamado Protocolo Adicional — um dos mais aguardados debates da conferência. O protocolo impõe que países sem a bomba sofram inspeções intrusivas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). Em outras palavras, a AIEA teria liberdade para vasculhar as instalações militares de países desarmados, como forma de uma suposta prevenção — para não dizer ingerência.
Trata-se de uma manobra claramente oportunista, em benefício das potências atômicas reconhecidas. Embora esses países tenham também assinado o Protocolo Adicional, suas instalações militares não poderão ser inspecionadas pela AIEA — o que lhes permite, em tese, manter ou até ampliar sua superioridade nuclear. “Enquanto perdurarem as armas nucleares, o risco de proliferação existirá”, afirma o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta segunda-feira.
“O grande déficit do TNP não é na área de não proliferação, e sim no desarmamento”, agrega Amorim. “O foco no Protocolo Adicional é errado — o foco tem que ser no desarmamento. Se houver passos reais que demonstrem uma real disposição dos países nuclearmente armados de caminharmos para um mundo livre de armas nucleares, até acho que outras medidas específicas de não proliferação podem ter cabimento.”
De resto, o desarmamento é comprometido pelo maneira bilateral com que as duas maiores potências tratam o tema. Foi o que ocorreu no começo do mês de abril, durante a assinatura do Start — acordo que garantiu a diminuição dos arsenais nucleares americanos e russos.
“Independentemente da avaliação sobre sua importância, qualquer ação do tipo tem que ser tornada uma obrigação multilateral irreversível. Do contrário, fica sempre dependendo de uma negociação bilateral”, diz Celso Amorim, que arremata. “Amanhã, se piora de novo a relação entre Estados Unidos e Rússia, eles voltam a construir armas.”
A ONU e o CMP
Na defesa da eliminação total das armas nucleares, há convergência entre representações das mais diversas naturezas, como a própria ONU e o CMP (Conselho Mundial da Paz). No sábado, durante a Conferência “Desarmamento Agora”, também em Nova York, ONU e CMP pediram um mundo definitivamente livre das armas nucleares.
“Sabemos que o desarmamento nuclear não é um sonho distante e inatingível. É uma necessidade urgente, aqui e agora. Estamos determinados a conseguir”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. “Nós não devemos ter expectativas irreais para a conferência — mas também não podemos nos dar ao luxo de baixar as nossas metas”, agregou.
Já o discurso da presidente do CMP, Socorro Gomes, enfatizou que a entidade fará das suas deliberações objeto de debate com os movimentos pacifistas e os movimentos sociais. “O Conselho Mundial da Paz participa da iniciativa Disarm Now convicto de que as discussões aqui realizadas podem contribuir, ao lado de tantas outras, para reforçar o movimento pela paz, pelo desarmamento e pela eliminação de todas as armas nucleares da face da terra”, declarou.
“É indispensável e inadiável formar uma consciência coletiva sobre as ameaças que pairam sobre os direitos dos povos, a soberania das nações e a paz mundial. Somos uma organização que há 60 anos luta pela paz e pela abolição das armas nucleares”, disse Socorro. “O Tratado de Não Proliferação Nuclear é um destes acordos internacionais marcados pelo desequilíbrio, pela desigualdade e pela assimetria.”
Irã
Na abertura da 8ª Conferência Mundial de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear, além de Celso Amorim, também deve falar o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O Irã desenvolve um programa nuclear com fins pacíficos, mas é ameaçado pelos Estados Unidos e outras potências, que acusam o governo iraniano, sem provas, de estar produzindo armas nucleares. Estados Unidos, França e Reino Unido pressionam o Conselho de Segurança da ONU a aprovar uma nova série de sanções contra o Irã.
Durante a conferência, os Estados Unidos também podem ser postos contra a parede. Os países árabes, aliados à Turquia e ao Irã, devem propor um Oriente Médio livre de armas nucleares, comprometendo-se até a assinar um adendo ao pacto internacional ou realizar uma conferência sobre o tema no ano que vem.
Já os presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçaram levantar a questão das armas israelenses no encontro. Para evitar o constrangimento, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancelou a sua viagem para a capital americana.
Dias depois, o Egito — que possui acordo de paz com Israel — apresentou um documento oficial na ONU afirmando que “o ponto central da conferência deve ser o início de negociações, com a participação de todos os países do Oriente Médio, de um tratado efetivo para o estabelecimento de uma zona livre de armas nucleares no Oriente Médio”.
Da Redação, com agências
Socorro: apesar da cortina de fumaça, os povos despertam e lutam
do portal do Cebrapaz
19/02/2010
Em pronunciamento proferido nesta quinta-feira (18), na Reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, a brasileira Socorro Gomes, presidente da entidade, alertou para o atual “quadro de agravamento dos problemas econômicos e sociais no mundo”, em um “momento em que se prenunciam novos conflitos”.
Socorro, em contrapartida, assinalou que “os povos, apesar da cortina de fumaça cada vez mais densa, despertam e lutam. Do Oriente Médio à América Latina, da Europa, da África aos Estados Unidos, os povos estão em luta, o que consolida as nossas convicções de partidários da paz e lutadores por um mundo livre das guerras, e da opressão imperialista”.
Confira abaixo a íntegra do pronunciamento de Socorro:
Estimados companheiros e companheiras do Conselho da Paz do Nepal
Estimados companheiros e companheiras do Secretariado do Conselho Mundial da Paz
Em primeiro lugar, gostaria de expressar em nome do Conselho Mundial da Paz os agradecimentos ao Conselho da Paz do Nepal por organizar em seu país a reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, em tão boas condições. Continue lendo
Socorro: “É preciso deter a escalada militar do imperialismo”
DO PORTAL VERMELHO
A brasileira Socorro Gomes chegou nesta quarta-feira (17) ao Nepal, onde participa da reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz — organização que preside desde abril de 2008. Momentos antes de partir do Brasil, Socorro — que também é presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) — concedeu uma entrevista exclusiva ao Vermelho.
Liderada pelo Cebrapaz, campanha contra as bases mobiliza mais de cem entidades
Na sequência da reunião, ela tomará a palavra também na Conferência Asiática pela Paz, convocada pelo Conselho da Paz do Nepal. Este longínquo país recentemente pôs abaixo a monarquia, proclamou a República e é governado por uma coalizão de partidos de esquerda, na qual o primeiro-ministro é um dirigente do Partido Comunista do Nepal (Unificado, Marxista-leninista).
Confira a entrevista.
Vermelho – A reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz realiza-se no mesmo momento em que está em curso uma grande ofensiva militar no Afeganistão. Que posição será adotada pelo CMP?
Socorro Gomes – É uma ofensiva brutal — segundo os analistas, a maior desde o início da guerra em 2001. Houve intensos bombardeios aéreos e agora estão em curso operações terrestres na cidade de Mariah, província de Helmand, sul do Afeganistão. São mais de 30 mil soldados envolvidos. Como sempre, a população civil está sendo vítima, apesar da propaganda feita pelas forças de ocupação de que o alvo seriam “apenas” as milícias do Talibã.
A ofensiva sobre Mariah representa uma nova escalada da guerra de ocupação do imperialismo norte-americano e seus aliados da OTAN no Afeganistão, comprovando que a opção militarista e belicista continua sendo a tônica das políticas dos Estados Unidos. Do mesmo modo que a obsessão de Bush era vencer a todo o custo a guerra no Iraque, parece que a de Obama é ganhar no Afeganistão. O mundo continua inseguro, a humanidade continua ameaçada por políticas e ações de caráter agressivo.
É preciso deter a escalada militar do imperialismo. O Conselho Mundial da Paz condena essa escalada e exige a retirada de todas as tropas de ocupação do Afeganistão e do Iraque.
Vermelho – Há uma escalada também das ameaças contra o Irã. O tema faz parte das discussões no CMP?
Socorro Gomes – Como não?! É uma das principais preocupações dos partidários da paz em todo o mundo e obviamente do CMP. As ameaças dos Estados Unidos ao Irã podem acarretar consequências funestas não só para esse país e a região do Golfo Pérsico, mas afetam a segurança internacional e a paz mundial.
A secretária de Estado dos Estados Unidos iniciou um périplo na região para pressionar os países a adotarem sanções contra o Irã. Neste momento, toda a diplomacia dos Estados Unidos encontra-se voltada para tal objetivo. São pressões sobre o Conselho de Segurança da ONU e sobre todos os países para que sejam adotadas sanções coletivas ou unilaterais contra o Irã.
Simultaneamente, intensificam-se as pressões militares. Há poucas semanas a Casa Branca e o Pentágono anunciaram a instalação de um sistema antimísseis em quatro países do Golfo Pérsico e reforçaram o patrulhamento na costa iraniana. Também neste caso, as promessas de paz e cooperação internacional vão ficando para trás e cedendo lugar aos aspectos principais da política externa dos Estados Unidos: ameaças, intervencionismo e agressão.
Vermelho – Desde dezembro de 2009, parece que mais um país, o Iêmen, entrou no foco das atenções dos Estados Unidos, onde houve até bombardeios sob o pretexto de extirpar células terroristas da Al Qaeda abrigadas naquele país.
Socorro Gomes - Efetivamente. Os bombardeios foram realizados antes mesmo do frustrado atentado numa aeronave em dezembro passado e que foi tomado como pretexto para uma escalada da “luta antiterrorista”. O programa militar e de segurança do Pentágono para o Iêmen aumentou em um ano de US$ 4,6 milhões para US$ 67 milhões, e o país foi guindado à categoria de prioridade, segundo declarações do assistente do presidente Obama para a Segurança Nacional.
O novo papel do Iêmen na estratégia de Washington tem a ver na verdade com um plano dos Estados Unidos de aumentar a presença militar na região conhecida como Chifre da África e a partir daí em todo o Oceano Índico. Desde agosto do ano passado, a Otan desenvolve, sem prazo para terminar, operações navais nas costas da Somália sob a denominação de “Escudo do Oceano”, com a participação de navios de guerra da Grã Bretanha, Grécia, Itália, Turquia e Estados Unidos.
Com o aumento do poderio da China e da Índia, o Pentágono trabalha com cenários de incremento das rivalidades militares nas águas do Oceano Indico e decidiu que uma das suas mais importantes tarefas é incrementar ali o seu poderio naval. É no Indico que tem lugar o maior fluxo do comércio de petróleo.
Vermelho - De 3 a 28 de maio deste ano terá lugar em Nova York, na sede das Nações Unidas, a 8ª Conferência para a Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o TNP. Paralelamente, entre os dias 30 de abril e 1º de maio movimentos sociais e organizações não-governamentais realizam a conferência Desarmamento Agora. Qual a participação do CMP em tais eventos e que posição tem sobre o delicado tema das armas nucleares?
Socorro Gomes – O CMP é membro do Ecosoc das Nações Unidas e, como tal, acompanha as atividades da ONU. E, como organização mundial que reúne os partidários da paz, também tomará parte, com posições próprias e construtivas, na conferência Desarmamento Agora. A nossa posição sobre o tema vem do próprio ato de fundação do CMP, há 60 anos, que nasceu sob o signo da luta contra as armas nucleares.
A maior ação em prol da paz no mundo realizada na segunda metade do século 20 foi o recolhimento de assinaturas para o Apelo de Estocolmo, um manifesto de poucas linhas, que demandava o fim das armas nucleares. O Apelo de Estocolmo recebeu mais de 600 milhões de assinaturas. Ainda hoje, o CMP reafirma o seu engajamento na luta pela eliminação das armas nucleares.
Quanto ao TNP, sendo obviamente favorável à não-proliferação, o CMP condena o caráter assimétrico e desigual do Tratado — que na verdade congela a ordem internacional entre estados possuidores de armas nucleares e estados não possuidores. Para os povos e nações que lutam pela independência, o progresso e a paz, a posição justa é a defesa do desarmamento e da eliminação de todas as armas nucleares.
Vermelho – Que outras questões merecem destaque na pauta do CMP?
Socorro Gomes – Sem nenhuma dúvida, a realização da cúpula da Otan neste ano em Portugal e a intensificação da presença militar dos Estados Unidos na África e na América Latina. Recentemente, o imperialismo estadunidense decidiu criar o Africom, o Comando Africano, que consistirá na instalação de um conjunto de unidades do exército dos Estados Unidos, altamente equipadas no continente africano para garantir os planos neocolonialistas, o saque das riquezas dos países africanos, se necessário pela força.
Operações e bases militares dos Estados Unidos na África têm sido realizadas e instaladas desde 2002 em países como Djibuti, Eritreia, Etiópia, Sudão, Quênia, Tanzânia, Uganda, Somália, Iêmen, Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Senegal, Tunísia e Argélia. Quanto à nossa América, o CMP reafirmará a luta contra a Quarta Frota, as sete bases militares recém-instaladas na Colômbia e outras bases militares na região. Combatemos todo esse processo de militarização, que visa a intimidar os povos e os governos progressistas no continente.
Manifestaremos a solidariedade com o povo haitiano acometido pela tragédia do terremoto de 12 de janeiro e agora sob a ocupação militar de mais de 10 mil soldados dos Estados Unidos. Todo esse cenário confirma o acerto da campanha “América Latina e Caribe — Uma Região de paz. Não às Bases Militares Estrangeiras”, protagonizada pelo Cebrapaz e por quase uma centena de entidades, movimentos e redes do Brasil e de toda a América Latina e Caribe.
É promissora a perspectiva da luta pela paz
Intervenção na Reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz – Damasco, Síria, 22 a 25 de outubro de 2009
Queridas companheiras, queridos companheiros.
É com grande alegria que instalamos a Reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz, a primeira desde a memorável Assembléia de Caracas, realizada em abril do ano passado. Muito nos honra que esta reunião tenha lugar em Damasco, capital da República Árabe Síria, auspiciada pelo Conselho Sírio da Paz e contando com o apoio generoso do povo sírio e do seu governo, liderado pelo presidente Bashar Assad. A Síria destaca-se no mundo árabe como um país que defende firmes posições em defesa da paz e da justa solução para o conflito árabe-israelense, especialmente a questão palestina e é uma trincheira na luta contra os planos sionistas e imperialistas na região. Desde logo, ao abrir os trabalhos desta reunião, manifestamos a plena solidariedade do Conselho Mundial da Paz ao povo e ao governo da Síria em sua justa e legítima luta pela recuperação das Colinas de Golan, território sírio usurpado pela agressão militar israelense de 1967 e até hoje sob ocupação.
Estimados Camaradas,
O período transcorrido desde a Assembléia de Caracas é sumamente rico em acontecimentos de importância para a nossa luta pela paz, por um mundo justo e solidário, livre do domínio e da hegemonia das grandes potências imperialistas.
De uma maneira geral, permanecem em ação os fatores que geram instabilidade e conflitos, continuam graves as ameaças à paz mundial e à segurança internacional. Prosseguem em agravamento contradições sociais, próprias de um sistema econômico e político que se tornou um obstáculo ao desenvolvimento, à cooperação internacional, ao progresso social. Continuam em execução planos de domínio do mundo por forças imperialistas, prosseguem a militarização, os ataques às liberdades, as violações de direitos políticos e econômicos dos povos, o menoscabo do direito internacional, a agressão à soberania nacional. Continue lendo
Socorro Gomes: continuam graves as ameaças à paz mundial
do portal vermelho
Começou na quinta-feira (22), em Damasco, a reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz, sob a presidência da brasileira Socorro Gomes. Auspiciada pelo Conselho Sírio pela Paz, a reunião conta com a presença de quase todos os 40 integrantes do comitê executivo. Na pauta, a conjuntura internacional, o desenvolvimento da luta pela paz no mundo, a solidariedade entre os povos e a oposição às potências imperialistas.
A presidente do CMP, Socorro Gomes, fez o informe de abertura, abordando multilateralmente os temas em pauta. A reunião prossegue até o dia 25, domingo. As delegações presentes, num gesto de solidariedade ao povo da Síria, visitarão a região das Colinas de Golan, território sírio usurpado pelos agressores israelenses na guerra de 1967.
Leia abaixo o pronunciamento de Socorro Gomes na abertura do encontro: Continue lendo
Conselho Executivo do CMP se reune no Oriente Médio
do portal vermelho
O Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz (CMP) vai se reunir nos dias 23 a 25 de outubro, em Damasco, na Síria. A reunião será presidida pela Presidente do CMP, Socorro Gomes, do Brasil, e será a primeira reunião do Comitê Executivo após a bem sucedida Assembléia do CMP no ano passado em Caracas.
O elevado número de presenças – mais de 36 organizações já confirmaram a sua participação – é uma prova do fortalecimento do CMP e para a sua situação crucial no Oriente Médio, onde será realizada uma reunião da entidade pela primeira vez depois de mais de 20 anos.
“O Oriente Médio continua vivendo situação tensa e explosiva. Apesar das palavras conciliatórias do presidente dos Estados Unidos, ainda não foi dado nenhum sinal de que outra política será aplicada em relação ao Oriente Médio”, justifica Socorro Gomes, presidente do CMP, sobre a escolha da Síria para sediar a reunião.
A reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz deverá rever e discutir a situação em várias partes do mundo relativamente à paz e à segurança, abaladas pelas guerras de ocupação, assim como as novas ameaças do imperialismo aos povos e nações. Socorro Gomes avalia que “a luta pela paz continuará tendo caráter estratégico no cenário internacional, o que torna necessário um CMP fortalecido, capaz de liderar uma ampla frente de contestação às políticas imperialistas, à guerra e às bases militares”.
Durante a reunião do CE, o CMP realizará também um evento dedicado ao seu 60º aniversário e visitará locais históricos, políticos, incluindo as Colinas de Golã, que ainda estão ocupadas pelas tropas israelenses.
De São Paulo, Luana Bonoe, com assessoria de imprensa
O Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz (CMP) vai se reunir nos dias 23 a 25 de outubro, em Damasco, na Síria. A reunião será presidida pela Presidente do CMP, Socorro Gomes, do Brasil, e será a primeira reunião do Comitê Executivo após a bem sucedida Assembléia do CMP no ano passado em Caracas.
O elevado número de presenças – mais de 36 organizações já confirmaram a sua participação – é uma prova do fortalecimento do CMP e para a sua situação crucial no Oriente Médio, onde será realizada uma reunião da entidade pela primeira vez depois de mais de 20 anos.
“O Oriente Médio continua vivendo situação tensa e explosiva. Apesar das palavras conciliatórias do presidente dos Estados Unidos, ainda não foi dado nenhum sinal de que outra política será aplicada em relação ao Oriente Médio”, justifica Socorro Gomes, presidente do CMP, sobre a escolha da Síria para sediar a reunião.
A reunião do Comitê Executivo do Conselho Mundial da Paz deverá rever e discutir a situação em várias partes do mundo relativamente à paz e à segurança, abaladas pelas guerras de ocupação, assim como as novas ameaças do imperialismo aos povos e nações. Socorro Gomes avalia que “a luta pela paz continuará tendo caráter estratégico no cenário internacional, o que torna necessário um CMP fortalecido, capaz de liderar uma ampla frente de contestação às políticas imperialistas, à guerra e às bases militares”.
Durante a reunião do CE, o CMP realizará também um evento dedicado ao seu 60º aniversário e visitará locais históricos, políticos, incluindo as Colinas de Golã, que ainda estão ocupadas pelas tropas israelenses.
De São Paulo, Luana Bonoe, com assessoria de imprensa
Londrina: conferência quer PCdoB de massas e ainda mais comunista
do portal vermelho
Com a presença do prefeito de Londrina, Barbosa Neto (PDT), do secretário de Relações Internacionais do PCdoB, José Reinaldo Carvalho e do secretário estadual de Organização do PCdoB-PR, Joel Benin, foi realizada no último domingo (13), a Conferência Municipal como etapa do 12º Congresso. Com 45 delegados na plenária, a Conferência referendou as teses e aprovou adendos sobre os temas da reforma agrária e movimentos sociais. José Reinaldo Carvalho abordou aspectos do novo programa socialista.
“A presença do José Reinaldo foi muito especial, afinal foi a primeira vez em muitos anos que um dirigente do secretariado nacional participa de uma conferência em Londrina”, destacou o jornalista José Otávio, presidente do Comitê Municipal. O secretário estadual de Organização, Joel Benim falou sobre a tática política do PCdoB no Paraná para as eleições de 2010.
O prefeito Barbosa Neto (PDT), em seu discurso, saudou os militantes do PCdoB e falou da importância do Partido para o avanço das políticas públicas em Londrina, onde o PCdoB participa do governo municipal.
Além dos debates e da aprovação da tese, a plenária elegeu o novo Comitê Municipal para o biênio 2009/11, com 19 membros e os delegados, em número de oito titulares e três suplentes, para a Conferência Estadual do Paraná, marcada para os dias 3 e 4 de outubro.
Socialismo não é utopia
José Reinaldo Carvalho apresentou os documentos propostos à deliberação do coletivo pelo Comitê Central, especialmente o novo Programa Socialista. Ele ressaltou que o socialismo é o objetivo programático do PCdoB. “Não é uma utopia nem a proclamação de um ideal distante de justiça, progresso, liberdade e fraternidade, mas uma possibilidade real, um estágio civilizacional indispensável para a emancipação da humanidade”. Disse ainda o dirigente que o socialismo será fruto não de uma geração espontânea ou uma evolução natural da sociedade, mas resultado do agravamento das contradições econômicas e políticas, nacionais e sociais.
Ele analisou ainda a crise atual chamando a atenção para que ela evidencia os limites históricos do capitalismo, “um sistema historicamente superado”.
O representante da Direção Nacional ressaltou que ao reafirmar o objetivo estratégico do socialismo, o Partido o faz assimilando as lições históricas da construção do socialismo. Ele insistiu em que “não há modelo único de socialismo, que não há nem haverá passagem abrupta do capitalismo ao socialismo, sendo necessárias várias etapas de transição, que a luta pelo socialismo exige a unidade do povo, o fortalecimento do Partido Comunista, políticas de alianças, trabalho de massas e árdua e complexa luta de classes”.
Para o secretário, a grande novidade que a proposta de novo Programa Socialista apresenta é “um caminho original, uma plataforma de abordagem, de aproximação, de transição, de acumulação de forças voltada para a união, a conscientização e a mobilização das massas populares”. Esta plataforma, denominada Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, considera em seu conjunto as três vertentes principais da Revolução Brasileira: a luta nacional, a luta democrática e a luta social e popular.
A conjuntura nacional também foi abordada pelo representante do Comitê Central. Ele ressaltou que a principal tarefa tática do PCdoB na atualidade é criar as condições para dar continuidade ao ciclo político aberto em 2002 com a eleição do presidente Lula.
Quanto à conjuntura internacional, José Reinaldo declarou que o Partido deve reforçar a luta antiimperialista, condição indispensável para alterar a correlação de forças. Defendeu em particular a consolidação do processo democrático, popular e antiimperialista na América Latina e a luta contra a ingerência militarista dos Estados Unidos. Ele conclamou à luta contra as bases militares estadunidenses na Colômbia e contra a Quarta Frota da Marinha de Guerra dos EUA.
José Reinaldo falou também sobre a necessidade de fortalecer o PCdoB como partido comunista de massas, que valoriza a militância, promove e educa os quadros e cultiva a ideologia marxista-leninista. Reinaldo disse que o Partido “está vivendo um momento fecundo e reunindo condições para se transformar numa poderosa força política no país”.
Debate
Após a apresentação das teses, Joel Benin, secretário de organização do Comitê Estadual do Paraná, reforçou a ideia de se construir um Partido forte e de massas. Nilson Moreira, do Comitê Municipal, disse que o 12º Congresso reafirmará os princípios partidários e ao mesmo tempo procederá à renovação organizativa do Partido. Cesar Bueno, professor-doutor de Ciências Sociais na Universidade Estadual de Londrina, disse que o PCdoB será cada vez mais comunista.
Joel Tadeu, líder dos movimentos comunitários e da CONAM na região deteve-se na análise dos movimentos sociais e pediu mais ênfase para esta frente de combate nas teses congressuais. Altair Ferraz debateu sobre as ligações entre o esporte e os movimentos sociais. Alexandre Marçal e Maria da Glória abordaram a luta pela reforma agrária demonstrando a insuficiência da formulação que propõe a reforma agrária apenas nos latifúndios improdutivos. Disseram também que não basta distribuir as terras, mas mudar o modelo agrícola do país baseado em grandes culturas para a exportação e assegurar políticas econômicas, financeiras, comerciais e sociais para impedir o êxodo rural. Roque Alves pediu mais atenção para o tema da educação e o economista e professor Sinival Pitaguari interveio sobre a unidade das esquerdas, a disputa pela hegemonia e opinou que o Partido precisa se fortalecer a partir da militância e das organizações de base. Finalmente, Roberto Murita, referindo ao caráter popular do PCdoB declarou que a base do Partido é o povo simples.
Da redação local
Palabras de presentación de Socorro Gomes, Brasil, durante la inauguración de la Conferencia Internacional: La OTAN, La 4ta. flota de EE.UU y Las Malvinas.
do blog cebrapaznucleorio.wordpress.com
Otan, 60 anos: a inimiga dos povos
do portal vermelho
Na semana passada realizou-se a Conferência Internacional “Objetivos e consequências da agressão da Otan à Sérvia – 10 anos depois” organizada pelo Fórum de Belgrado e pelo Conselho Mundial da Paz (CMP), do qual o CPPC faz parte integrando o seu Secretariado. Qual foi o objetivo desta iniciativa?
Rui Namorado Rosa: Esta iniciativa, para a qual foram convidadas a generalidade das organizações europeias do CMP, entre elas o CPPC, foi uma oportunidade para manifestarmos a nossa solidariedade e vincarmos a nossa posição face ao desmembramento da Iugoslávia.
O que esteve em curso na década de 90 foi a implementação e concretização do novo conceito estratégico da Otan, a ocupação de novos territórios e a subjugação de novos estados aos desígnios do imperialismo. Foi sobre estas questões e aquele período em particular que se focaram dezenas de intervenções feitas por personalidades e delegações.
É urgente entender e denunciar o significado da Otan depois da Guerra Fria. É preciso compreender que os povos dos Balcãs foram as suas primeiras vítimas.
E que conclusões se podem tirar em relação ao desmembramento da Iugoslávia no contexto do tal novo conceito estratégico da Otan?
RNM: Fazendo uma apreciação do conjunto das intervenções feitas, posso dizer que estas apontam no sentido de que a Otan é uma aliança imperialista, que tem o seu núcleo duro repartido entre os EUA e o núcleo duro da UE, que reafirma a sua natureza ofensiva a que diversos países são forçados a aderir, e cujos objetivos militares visam o apoio à expansão e domínio político-económico do mundo por parte das grandes potências. Isto é claro e muitas intervenções foram relacionadas com acontecimentos ocorridos nos Balcãs na década de 90.
Outras abordaram os desenvolvimentos posteriores que, pela mão da UE e sob liderança dos EUA, abriram caminho ao avanço da Otan para o Leste da Europa e em direção ao Sul da Ásia, mas também ao alinhamento estratégico de países do Oriente Médio. É portanto uma movimento ofensivo de alargamento da área de influência, de estabelecimento de numerosas bases militares, de adesão formal ou abertura de processo de adesão a novos países cujo sentido geral é o de servir as grandes potências ocidentais.
Referias as adesões recentes à Otan, casos da Romênia e da Bulgária. Outros países têm um estatuto que, não sendo de membro efetivo, os coloca alinhados com aquele bloco político-militar, casos da Ucrânia e da Geórgia. Dez anos depois, achas que este avanço da Otan para Leste até às ex-repúblicas soviéticas não poderia ter sido alcançado sem o desmembramento da Iugoslávia?
RNM: O fato é que não obstante a desintegração da União Soviética e a sucessiva submissão das repúblicas do Leste da Europa ao regime capitalista, a República Federal da Iugoslávia manteve uma certa autonomia relativamente a essa tendência de subjugação total. Essa vontade própria, essa afirmação de soberania nacional contrariava objetivos geo-estratégicos imperialistas de encaminhamento de oleodutos e gasodutos, de estabelecimento de bases militares de apoio ao domínio do Oriente Próximo e Médio, de controle dos recursos naturais da própria federação iugoslava. Haviam, portanto, várias motivações para que essa soberania não fosse tolerada e que determinaram a fúria do ataque da Otan.
Por outro lado, um outro aspecto que continua na ordem do dia em relação a vários países e povos é o exemplo que tal posição constituía, e nós sabemos que o imperialismo não permite excepções que defendam a sua soberania e integridade territorial, como era o caso.
O Fórum de Belgrado, no quadro duma Sérvia cujo governo manifesta o desejo de integrar a UE, é uma voz que continua a afirmar a soberania e integridade nacional, agora posta em causa com a afirmação unilateral de independência do Kosovo.
Fabricando um inimigo
Falaste do Kosovo, a respeito do qual surgiram acusações à Sérvia de promover uma limpeza étnica, mas antes o argumento já havia sido usado em relação à ação da Iugoslávia na Bósnia ou na Croácia. As manobras de propaganda do imperialismo e a questão da convivência das várias comunidades foram abordadas?
RNM: A República Iugoslava emerge em resultado da resistência do povo daquela região durante a 2ª Guerra Mundial, contributo que foi sublinhado na Conferência como determinante para a derrota do nazi-fascismo, na medida em que, para manter ocupados os Balcãs, a Alemanha foi obrigada a uma permanência militar de vulto, desgastando as suas forças.
A unidade territorial e política dos Balcãs consolidou-se depois da 2ª Grande Guerra, contribuindo para que as diversas nacionalidades se movimentassem e estabelecessem laços livremente. Ora o fator de diferenciação entre as diversas nacionalidades, mais frequentemente chamadas de etnias, veio a ser explorado para a criação de conflitos e a fabricação de inimigos.
Podem dar-nos alguns exemplos?
Sandra Benfica: Está hoje provado que o célebre massacre de Srbrenica não ocorreu. Aliás, uma americana que participou na Conferência relatou a sua experiência durante o período dos bombardeios dando nota, por exemplo, da prisão de três muçulmanos que já estavam nas listas das vítimas.
O fabrico de uma ideia de limpeza étnica levada a cabo pelos sérvios é do mesmo teor da existência de armas de destruição maciça no Iraque, justificação que serviu para invadir e ocupar aquele país. A suposta “limpeza étnica” foi o motivo invocado pela Otan para intervir. Hoje é claro que em 1999 e no período que antecedeu os bombardeios assistimos à fabricação de um inimigo e de um pretexto.
A morte de Milosevic nos calabouços do Tribunal Penal Internacional, em Haia, em condições ainda por esclarecer cabalmente, nunca permitirá o apuramento de uma parte substancial dos fatos.
É preciso, também, não esquecer que continuam as sessões nesse tribunal. Na Conferência, por exemplo, falou a esposa do ex-diretor da estação de televisão iugoslava, que atualmente está a ser julgado em Haia acusado de não ter alertado os jornalistas, técnicos e demais funcionários que ali trabalhavam para o bombardeamento que a Otan efetuou contra o edifício.
Também é verdade que hoje pouco ou nada sabemos sobre o que se passa no Kosovo, e existem testemunhos, particularmente de organizações que trabalham no terreno, que relataram o que é ser sérvio e viver no Kosovo. Fazem-nos pensar se, aqui sim, não está a ocorrer uma limpeza étnica.
O que é que é ser sérvio no Kosovo?
SB: É ser um proscrito num território governado pelo UÇK.
Consequências trágicas
O Kosovo abriga uma das maiores bases militares americanas, o que reforça a sua importância geo-estratégica. Paradoxalmente ou não, é apontado como uma plataforma giratória para o contrabando e o tráfico de droga. Estas questões foram referidas nas intervenções?
RNM: Foi referido que algumas daquelas novas repúblicas são base para o crime organizado de vária natureza, particularmente tráfico de droga, sendo que uma parte considerável do ópio produzido no Afeganistão transita para a Europa através do Kosovo.
Quanto à componente geo-estratégica, não tenho dados concretos que me permitam dizer que a base militar de Bondsteel está a ser usada para apoiar as guerras no Oriente Médio. O que posso adiantar é que, olhando para o mapa, é evidente uma linha de bases militares que vai do Mar Adriático, passa dos Balcãs para o Mar Negro, e depois pelo Cáucaso até ao Mar Cáspio, e daí até ao Himalaias. Há também uma contiguidade de conflitos com a intervenção direta ou indireta dos EUA.
Uma das questões que se colocam destes 78 dias de bombardeios é a os alvos da Otan. É visível a destruição?
RNM: Só estivemos em Belgrado, mas o que nos foi dito é que os alvos da Otan foram infraestruturas de uso civil (hospitais, vias de comunicação, etc.) e unidades produtivas públicas ou de propriedade social, que na Iugoslávia eram ainda significativas. Nenhuma empresa privada foi atingida. Os alvos militares foram mínimos quando comparados com os civis, com os que tinham importância para a qualidade de vida da população e a economia do país.
E as vítimas civis?
SB: Na altura falava-se em três mil mortos. Uma das coisas que verificámos foi que a utilização de urânio empobrecido teve as consequências esperadas, sendo que só existem dados até 2004. Algumas patologias como o câncer levam algum tempo a revelar-se, mas os dados disponíveis apontavam para um crescimento muito significativo de doenças oncológicas, para o aumento das imunodeficiências e para o nascimento de crianças com mal-formações. São crimes que ficam impunes.
E do ponto de vista da contaminação dos solos e do meio ambiente?
RNM: Estas duas questões estão interligadas. As armas de urânio empobrecido não têm vantagem do ponto de vista da sua capacidade explosiva, mas sobretudo pela sua velocidade e capacidade de perfuração. Ora o lançamento indiscriminado deste tipo de munições durante os bombardeios contra a Iugoslávia levou a que inúmeros projéteis se mantenham no terreno imperceptíveis. Com o tempo vão-se deteriorando e atingem o ser humano e os animais através da contaminação da cadeia alimentar e da água. Só se as munições tivessem sido localizadas e removidas logo após a guerra era possível minimizar os riscos e as consequências sobre a população e a saúde pública.
Tem havido alguma pressão para a proibição do uso de armas de urânio empobrecido, mas se tal vier a concretizar-se os povos do Iraque e da Iugoslávia já não vão beneficiar da decisão.
Há que acrescentar igualmente neste âmbito as bombas de fragmentação. A localização de cada uma das pequenas granadas contidas nessas bombas espoletadas a 500 metros de altitude é praticamente impossível. Muitas estão ainda por explodir.
SB: Tivemos oportunidade de ver uma exposição sobre o assunto onde se mostrava os processos de remoção. Estes não só são muito difíceis, como as fotografias mostram a radioactividade que libertam, ou seja, quando não são removidas não é difícil imaginar os efeitos que provocam.
Uma das questões que se coloca em todo o processo de desmantelamento e agressão à ex-Iugoslávia é a destruição do edifício do Direito Internacional…
SB: Quando estamos numa conferência que assinala os dez anos duma guerra como a que foi movida pela Otan contra a Iugoslávia, não pensemos que estamos a recordar um episódio cujos objetivos e consequências são limitados. Pelo contrário, estamos a falar dum acontecimento que inaugurou na prática o novo conceito estratégico da Otan, uma ainda mais agressiva abordagem de domínio mundial por parte das potências imperialistas e o espezinhamento do Direito Internacional e das Nações Unidas, contra a maioria da humanidade e com consequências importantíssimas no presente e no futuro dos povos.
60 anos de crimes contra a humanidade
Antes da Conferência reuniram as organizações europeias do Conselho Mundial da Paz. Podes adiantar do que é que trataram?
SB: Este ano em que a Otan comemora os seus 60 anos, estas seis décadas de crimes contra a humanidade, o Conselho Mundial da Paz (CMP) assume como prioridade a exigência do desmantelamento daquele bloco político-militar, não só na Europa mas em todo o mundo. Sob o lema “Otan – inimiga dos povos e da paz”, promover-se-ão conferências, seminários e ações de protesto.
Na reunião preparamos igualmente a participação do CMP na conferência que ocorrerá a partir de amanhã, em Estrasburgo, paralelamente à Cúpula da Otan que se realiza na mesma cidade.
Abordamos ainda um outro aspecto de coordenação do nosso trabalho que tem a ver com a realização de eleições para o Parlamento Europeu. Ora, a militarização da Europa está intimamente ligada à Otan, por isso, da parte das organizações europeias da paz e no aspecto específico que lhes compete, acresce a responsabilidade de alertar para o enquadramento da luta contra a Otan no combate à militarização da Europa.
Pronunciamento de Socorro Gomes em Conferência Internacional
do site do cebrapaznucleorio
Pronunciamento de Socorro Gomes, Presidente do Conselho Mundial da Paz-CMP e do Cebrapaz, na Conferência Internacional: A OTAN, Malvinas e a Reativação da Quarta Frota dos EUA em Buenos Aires, Argentina de 19 a 20 de Março de 2009
Denúncias marcam conferência anti Otan em Belgrado
do site do CEBRAPAZ
FOTO: Bombardeio da OTAN contra a Iugoslávia
A conferência contou com a participação de mais de 500 pessoas, destacando a delegações provenientes da Rússia, dos países do Leste Europeu, além de Portugal, Espanha e Grécia.
O evento contou ainda com a participação de lutadores pela paz dos EUA, a América Latina foi representada pelo Cebrapaz. Socorro Gomes, presidente do CMP, foi figura de destaque na conferência.
Também assistiram ao evento o embaixador do Brasil na Sérvia, Dante Coelho de Lima, e a Secretária Geral do Partido Comunista da Grécia, Aleka Paparika, que denunciou veementemente os planos de agressão contra os povos executados pela OTAN a serviço do imperialismo.
Socorro Gomes destacou que o clima do encontro foi de “uma denúncia viva do imperialismo americano e da Otan em seus planos de expansão”.
Durante o debate, um dos irmãos do falecido ex-presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, realizou um depoimento que é uma viva denúncia dos planos do imperialismo para dominar a Europa e outras regiões do mundo.