Sobre o conflito colombiano

fonte:http://www.idelberavelar.com/
 
sábado, 14 de agosto 2010


Este post foi inspirado por um comentário da Ana Paula a um texto anterior. Agradeço à Ana Paula pela interlocução.
Saltam aos olhos nas discussões mais histéricas da direita sobre a Colômbia alguns fatos, vários deles óbvios pra quem olhou o assunto com um mínimo de interesse:
No conflito colombiano, o dinheiro da droga financia todos os lados, incluindo paramilitares e Estado. Falar de “narcoguerrilheiros” com relação às Farc é tão correto como falar de “narcoparamilitares” e “narco-estado”. É, digamos, correto num sentido (na medida em o dinheiro da droga é o eixo do financiamento) e incorreto em outro (na medida em que aqueles grupos cumprem vários outros papeis, que vão além do narcotráfico e não se resumem a ele).
À direita não interessa a reintegração pacífica das Farc, porque isso acarretaria a perda do seu bicho-papão, o desaparecimento da suposta ameaça que, sabemos, convoca toneladas de grana americana, através de projetos como o Plan Colômbia–emblema do estrepitoso fracasso que é a “guerra as drogas”. Com o péssimo histórico de intervenção norte-americana na Colômbia, as coisas pioram ainda mais. As iniciativas de desarmamento com as que concordaram as Farc durante o governo de Belisario Betancourt (1982-86) resultaram em assassinatos de milhares de ex-guerrilheiros reinsertados: um enorme naco de todos os ex-combatentes que toparam ser candidatos ou líderes comunitários. O estado colombiano chegou ao ponto de chacinar líderes das Farc desarmados que se dirigiram a um encontro de negociação: o tipo de crime de guerra que teria horrorizado a qualquer um, de Napoleão a Clausewitz a Churchill. Ao longo das últimas décadas, a Colômbia viveu no que poderíamos chamar a Democracia dos Esquadrões da Morte. Tudo isso com dinheiro americano enviado para o exército sendo canalizado, direto, às mãos de paramilitares, processo documentado nas ligações de Ever Mendoza (codinome HH) e Mario Montoya, general colombiano condecorado em Washington.
Os colombianos sabem que a raiz do problema é o reconhecimento de que a Colômbia não vive uma “guerra ao terrorismo” (essa é uma “guerra” declarada pelos EUA, num estranho uso do termo, diga-se), mas um estado permanente de guerra civil. Esse condição, ao contrário do que sugeriu recentemente um ignorante editorial do Estadão, não começa com as Farc. Quando estas surgem, o conflito já tem pelo menos 15 anos. De forma que é totalmente enganoso e mentiroso dizer que “os colombianos estão sujeitos ao terror das Farc há 40 anos”. Se o Estadão quiser fazer historiografia, tem que voltar a outra data: 9 de abril de 1948, assassinato de Jorge Eliécer Gaitán, candidato liberal à Presidência, que vinha promovendo um esforço de paz para retirar a Colômbia do estado em que ela vivia desde o século XIX, o de intermitentes guerras civis (no século XIX foram quatro que atingiram dimensão nacional: 1876-77, 1885-86, 1895, 1899-1902).
Quando surgem as Farc, nos anos sessenta, já são mais de dez anos de matanças generalizadas na Colômbia. As Farc não eram o que são hoje: surgem como reação compreensível de autodefesa de camponeses e trabalhadores rurais, temperados de guevarismo, como todas as guerrilhas da época. Com o tempo, o isolamento e o beco-sem-saída do conflito, as Farc enveredaram pelo caminho que se conhece: o sequestro, o banditismo comum, as relações com o dinheiro da droga. Não é, hoje, evidentemente, um projeto que alguém de bom senso possa “apoiar” em qualquer sentido. Mas só por ignorância ou má fé se pode imaginar que esse era o caso em 1965.
Nas últimas décadas, as Farc são responsáveis por atrocidades e crimes. Mas em qualquer levantamento das atrocidades colombianas, bem mais de dois terços dos horrores são perpetrados por paramilitares e Estado (e, pior, às vezes pelas duas forças conjuntamente). Até os relatórios das gringuíssimas agências de direitos humanos mostram isso.
Ninguém em sã consciência vai “apoiar” as Farc, mas elas são um dos atores armados a se sentar à mesa de negociação. Elas têm 60 prisioneiros. 600 dos seus homens estão em cárceres do estado. Uma enorme proporção dos que se desarmaram e se converteram em “reinsertados” foi vítima de assassinato. É óbvio que, dado o histórico da Colômbia, algum tipo de garantia de segurança é o básico para qualquer ator armado que se desarma. Esse foi um dos eixos de processos de paz como o da Irlanda do Norte. Mas enquanto o conflito colombiano for entendido com a língua estadunidense da “guerra ao terrorismo”, isso não acontece. Porque com o “terrorista” você não se senta.
Enquanto a solução definitiva de paz não acontece, no Brasil uma direita irresponsável e um jornalismo pedestre, ignorantes da diferença entre Medellín, Bogotá, Cali e Barranquilla, ficam brandindo termos como “narcoterroristas”, sem incentivar nenhuma saída que não seja mais violência. Fazem isso agora, sabemos, por puro desespero político-eleitoral. Vêm enganando, felizmente, um número cada vez menor de incautos.

Após quatro anos, Fidel Castro reaparece no parlamento cubano e alerta sobre guerra nuclear

do site opera mundi

 Fidel Castro discursou hoje (7/8) em sessão especial do Assembleia Nacional de Cuba. Vestindo a tradicional farda verde-oliva, Fidel disse que nesse momento estão se criando condições para uma guerra nuclear “sem proporções” e que resta ao presidente norte-americano, Barack Obama, evitá-la. Também compareceu à sessão o irmão de Fidel e atual presidente do país, Raúl Castro. 

Efe

Fidel e o irmão, Raúl, chegam à Assembleia Nacional de Cuba

“Se a guerra começar, a ordem social vigente desaparecerá abruptamente e o preço será muito alto”, afirmou o líder da revolução cubana em cadeia nacional de televisão. Ele afirmou em artigos publicados nos últimos meses que a Organização das Nações Unidas e Israel atacarão o Irã e que há a possibilidade de os EUA atacarem a Coreia do Norte.

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“Cuba passa por “mudanças relevantes”, diz escritor Leonardo Padura, crítico do regime  O ex-presidente respondeu a perguntas dos parlamentares. Questionado se Obama é capaz de dar ordem para uma guerra nuclear, Fidel respondeu: “não. iremos persuadi-lo a não fazê-lo”.

Fidel também mencionou o caso dos Cinco Cubanos, presos nos Estados Unidos. Os cinco cubanos, Gerardo Hernández, René González, Ramón Labañino, Fernando González e Antonio Guerrero, foram condenados em 2001 a penas que variam entre 15 a 30 anos, e alguns com prisão perpétua, por suposta espionagem e conspiração nos EUA e por serem agentes não registrados de um governo estrangeiro, entre outras acusações. 
 
Flip 2010:  
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Novo presidente colombiano: perfil

do site prensa latina

Novo presidente colombiano: perfil
Escrito por Camila Carduz   
sábado, 07 de agosto de 2010
07 de agosto de 2010, 03:37Bogotá, 7 ago (Prensa Latina) A Colômbia terá hoje em Juan Manuel Santos seu novo presidente pelos próximos quatro anos, quando assumir como tal numa ampla representação nacional e internacional na central Praça de Bolívar.  A Prensa Latina oferece aos seus leitores um breve perfil do governante que regerá o destino desta nação sul-americana até 2014.

Santos, nascido em Bogotá em 1951, é um economista e jornalista que realizou incursões na política nacional como membro do Partido Liberal Colombiano e chegou a ocupar o cargo de ministro de Comércio Exterior durante o governo de César Gaviria.

Posteriormente foi ministro da Fazenda no governo do conservador Andrés Pastrana.

Em 2002, depois da chegada de Álvaro Uribe à presidência e sua consolidação no poder, Santos deixou o partido liberal e passou a ser um dos criadores do Partido de la U, organizado no final de 2005.

Foi nomeado ministro de Defesa, cargo que desempenhou desde julho de 2006 até maio de 2009, quando renunciou para não inabilitar-se como candidato à presidência no caso em que não fosse aprovada a reeleição de Uribe para um terceiro mandato, como finalmente sucedeu.

Polêmico, questionado e protagonista de várias rusgas internacionais com países vizinhos, Santos é membro de uma aristocrática e influente família do país e é considerado o delfim político do mandatário que sai.

Auto-proclamado como fiel seguidor das políticas de Uribe, sua proposta de unidade nacional se sustenta em dar continuidade ao legado de seu antecessor.

No aspecto econômico aposta por conseguir um crescimento do Produto Interno Bruto superior a 5,5 por cento, ao mesmo tempo em que promete gerar 2,5 milhões de empregos e formalizar 500 mil mais em quatro anos de governo.

Com respeito a sua estratégia nesse sentido, optou por desvincular-se de Uribe e admitiu que este é o “ponto fraco” deste governo.

Sobre o tema tributário comprometeu-se a não elevar as tarifas impositivas e a obter os maiores retornos necessários através do controle à evasão e a esquiva fiscal.

Assim mesmo, chega à Presidência com o objetivo de recompor as relações diplomáticas e comerciais com a Venezuela, depois que Uribe iniciou uma cruzada mediática e política contra o país vizinho.

Sobre este tema particular não se pronunciou pessoalmente, ainda que membros de seu gabinete têm dado sinais de buscar uma aproximação para superar a crise.

Precisamente este será um de seus maiores objetivos quando chegar à Casa de Nariño, junto das urgências que deverá enfrentar como a desigualdade social do país, bem como as vias que permitam pôr fim ao prolongado conflito armado interno.

mv/acl/cc

Modificado el ( sábado, 07 de agosto de 2010 )