EUA perdem força, mas aumentam presença na América Latina

do portal vermelho

O imperialismo dos Estados Unidos e seus aliados tem perdido força política
em toda a América Latina, mas faz crescer sua presença militar na região a olhos
vistos. Essa é a principal conclusão da Conferência Internacional sobre a
Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz, realizada neste final de semana
em São Paulo.

O encontro foi promovido pelo Centro Brasileiro de
Solidariedade e Luta pela Paz – Cebrapaz e contou com a participação de
representantes de 11 países, entre os quais os embaixadores da Venezuela e do
Vietnã no Brasil. E foi presidido pela presidente do Cebrapaz e do Conselho
Mundial da Paz, Socorro Fomes, que abriu o evento na sexta-feira (17) à
noite.

Atlântico Sul

No sábado (17), pela manhã, o evento
foi aberto com debate sobre “Ameaças à Paz no Atlântico Sul”, que abordou a
crescente presença dos Estados Unidos. Esta fase foi coordenada por Rubens
Diniz, dirigente do Cebrapaz.

Em especial, foi denunciada a revitalização
da 4ª Frota da Marinha daquele país, que impõe terror ao singrar os mares desta
parte do planeta, fortemente armada.

Rina Bertaccini, representante
argentina no evento, analisou a presença estrangeira no cone sul da América,
especialmente nas ilhas entre a Argentina e o continente antártico. Ela
denunciou a crescente presença da Grã-Bretanha e das forças da Otan
especialmente na Ilhas Malvinas.

“São 5000 estrangeiros ocupando aquele
território, com mais e mais instalações militares e a suspeita de que haja armas
nucleares ali instaladas”, afirmou Rina. Mas, ressaltou, mudanças no quadro
geopolítico da América Latina, que “não são apenas otimismo, mas possibilidade
concreta de enfrentar as ameaças, com novos governos que surgem com disposição
para isso”.

Atlântico Sul

Do mesmo modo, Ghillermo Borneu,
do Peru, disse que o quadro da presença do imperialismo na região tem mudado na
medida em que também mudam os governos em muitos países. Apontou, também, a
presença da China, que se contrapõe no campo econômico aos interesses do
imperialismo.

Ele citou o exemplo do petróleo. Lembrou que o governo
chinês fez recentemente aquisições de petróleo da brasileira Petrobrás e da
estatal venezuelana, pagando adiantado por entregas futuras. Isso, segundo
disse, torna a Venezuela menos vulnerável a pressões dos Estados Unidos.
Nova
cara

O jornalista brasileiro Igor Fuser completou a rodada apresentando
as diversas faces do imperialismo, que muda de nome e elege novos inimigos como
forma de justificar suas agressões. A própria interpretação de termos como
“paz”, “segurança” e “defesa”, mesmo na grande mídia, é apresentada na visão do
imperialismo.

Ele fez um histórico das fases do imperialismo, desde a
Guerra Fria, em que o inimigo era o leste europeu até os dias atuais, em que o
narcotráfico e o terrorismo são usados para acobertar as ações imperialistas na
América Latina e no mundo inteiro.

Política dos EUA

A atual
política dos Estados Unidos para a América Latina e Caribe foi o tema da segunda
mesa de debates da Conferência, neste sábado (18). Desta, participaram Enrique
Daza, da Colômbia, Bertha Oliva, de Honduras, Guillermo de La Paz Velez, de
Porto Rico e Ricardo Abreu Alemão, secretário de Relações Internacionais do
PCdoB, sob a coordenação de Ronaldo Carmona, do Cebrapaz.

Alemão analisou
as mudanças na fisionomia da política dos Estados Unidos para a América Latina,
frisando que, em verdade, o que tem ocorrido é um avanço nas agressões em todo o
continente. Ressaltou, contudo, que o surgimento de governos progressistas e
defensores dos interesses nacionais em muitos países se contrapõem a essa
política.

Todos concordaram em que a atual política dos Estados Unidos
ganhou uma nova roupagem com o presidente Barak Obama, mas, na prática, segue em
crescente ameaça. Daza expôs o drama da presença física de tropas ianques na
Colômbia, a título de combater o terrorismo, mas com a finalidade da
dominação.

Bertha Oliva, por sua vez, denunciou a dramática situação de
Honduras e outros países do Caribe. Citou até mesmo seu caso pessoal, pois seu
marido desapareceu após ser sequestrado e torturado por forças ligadas ao avanço
imperialista em seu país.

Povos em luta

A terceira parte
dos debates teve por tema a “Luta dos Povos Contra as Agressões”. Representantes
de vários países demonstraram como os povos de todos os continentes se
movimentam ao longo da história e no momento atual para rechaçar as agressões
dos Estados Unidos e seus aliados.

O sírio Eduardo Elias, presidente da
Federação das Entidades Árabes de São Paulo, relatou a atual ofensiva do
imperialismo no Oriente Médio. No caso da Síria, em especial, ele disse que a
tática do imperialismo tem sido a de fazer renascerem diferenças religiosas que
aquele povo havia conseguido suplantar a partir de meados do século
passado.

José Ramón, do conselho da Paz de Cuba, fez um histórico da
presença dos Estados Unidos naquele país. Lembrou que a ocupação territorial da
ilha, com a ainda hoje presente Base de Guantânamo, é um símbolo da agressão
imperialista em todo o continente.

J.K. Suleiman Rachid, da Palestina,
fez detalhado relato da situação no Oriente Médio e demonstrou que a criação do
estado de Israel nada tem a ver com o holocausto nazista e a Segunda Guerra. “A
história nos demonstra com fatos concretos que essa decisão estava tomada desde
muito antes dessa fase”, afirmou.

Ele disse que a posição da Palestina
contempla a existência de Israel, mas defende a imediata implantação do estado
palestino. Para isso, lembrou ele, é necessário que o governo israelense reveja
sua postura na questão dos territórios ocupados e reconheça o direito do povo
palestino de construir sua pátria.

O representante do Vietnã, Nguyen
Huynh, membro do Conselho Mundial da Paz, fez um histórico da luta do povo
vietnamita contra a agressão imperialista. E disse que a experiência de seu povo
serve de exemplo de que é possível derrotar o
imperialismo.

Solidariedade

Esta fase dos debates,
coordenada por Alexandre Araujo, do Cebrapaz de Minas Gerais, foi encerrada com
pronunciamento de José Reinaldo Carvalho, sobre “Solidariedade
Internacional”.

Falando em nome do Cebrapaz, José Reinaldo disse que “o
anti-imperialismo é a essência da solidariedade internacional”. Ele fez um
histórico das lutas solidárias ao redor do mundo e na América Latina e afirmou
que a afirmação das nações, em processos de mudança em favor da
auto-determinação dos povos e de uma sociedade mais justa e igualitária passa
pela derrota do imperialismo.

Comunicado

Ao final do
evento, foi aprovado um comunicado à opinião pública, leia a íntegra do
documento:

“Comunicado à opinião
pública

Realizou-se em São Paulo, nos dias 17 e 18 de junho, a
Conferência Internacional “A Integração Latino-Americana e a Luta pela Paz”,
organizada pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz
(Cebrapaz), que nesta ocasião saúda as organizações do movimento social, de
solidariedade e pela paz no Brasil, na América Latina e no mundo.

Na
ocasião foram condenadas as estratégias guerreiras do imperialismo
norte-americano e seus aliados, a militarização e todas as ameaças à
paz.

A Conferência reafirmou que o imperialismo em sua etapa declinante
está mais agressivo contra os povos, aumentando seus gastos militares, sua
monstruosa máquina de guerra e ações bélicas.

Exigiu-se que cessem os
bombardeios da Otan contra a Líbia e as provocações desestabilizadoras na Síria,
assim como a retirada das tropas de ocupação do Iraque e do
Afeganistão.

Durante os painéis e debates deu-se ênfase ao apoio à luta
pela libertação da Palestina, com a criação do seu Estado nacional independente.

Manifestou-se a indeclinável solidariedade com os povos
latino-americanos na luta por sua independência e soberania, pela democracia e a
integração, contra a ingerência do imperialismo estadunidense e a Quarta
Frota.

Tema bastante debatido foi a existência de bases militares dos
Estados Unidos e demais potências imperialistas em países soberanos. Foi
enfática a exigência do fechamento dessas bases.

Durante as exposições
dos conferencistas e nos debates surgiu com força a exigência do desmantelamento
da Otan e da abolição das armas nucleares.

Manifestou-se todo o apoio à
luta pelo fechamento da base de Guantânamo, pelo fim do bloqueio a Cuba e pela
libertação dos seus cinco heróis encarcerados injustamente nos Estados
Unidos.

A Conferência Internacional foi um marco na atividade do Cebrapaz
e organizações coirmãs e aponta para o fortalecimento da luta pela paz e da
solidariedade com os povos agredidos pelo imperialismo.

A Conferência
foi realizada num ambiente de unidade e confiança. Em todos os seus
participantes era forte a convicção de que o imperialismo não é invencível e
será derrotado.

São Paulo, 18 de junho de
2011

Cebrapaz”

De São Paulo, Jaime Sautchuk
Colaboração
Érika Ceconi

Cebrapaz debate violação dos Direitos Internacionais

Prestigiada por diversas personalidades internacionais, a conferência A
Integração Latino Americano: a importância da cultura da paz num mundo
militarizado, organizada pelo Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz)
ocorre nesta sexta (17) e sábado (18) em São Paulo.

Reprodução

cebrapazO evento terá como temas: Fortalecer a cultura da paz em um mundo
militarizado; Ameaças à Paz no Atlântico Sul (4ª Frota e OTAN); Investidas do
Imperialismo na América Latina; e Luta dos Povos em Defesa da Soberania e da
Paz.

O objetivo desta conferência é debater os desafios da luta
pela paz, “para aprofundar e ter mais elementos para fortalecer e qualificar
essa luta”, explica Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz.

Socorro
apresenta exemplos de agressões os quais considera gravíssimos, que segundo ela
têm se intensificado, como os ataques a países no norte da África. “Libia,
Síria, Irã, uma guerra que se extende no Paquistão, além de agressões na
península coreana”, lista a presidente.

Para o Cebrapaz, um obstáculo
importante à paz é a cultura guerreira reforçada pelas potências imperialistas:
“a maior potência bélica, que são os Estados Unidos, tem uma política
imperialista, neocolonialista, com um arsenal de guerra monstruoso, cujo poder
de ataque aumenta com a nova configuração da OTAN. Esses ataques ocorrem a todo
momento onde quer os interesses das potências sejam colocados em cheque, ou
mesmo por interesse de saquear as riquezas de outras nações. Isso representa
inúmeras violações dos Direitos Internacionais, dos principios mais importantes
da Organização das Nações Unidas, da razão de ser da ONU, que é
a autodeterminação e soberania das nações, a igualdade entre países e povos e o
diálogo para dirimir conflitos”.

Para ela, o papel fundamental da
conferência é o fortalecimento da luta pela paz.

O público-alvo são
militantes de organizações sociais, estudantes, acadêmicos, professores, “todas
as pessoas que lutam por uma nova ordem internacional, contra a guerra, pela
paz”, define Socorro.

Além da mobilização que ocorre no Brasil,
participará da conferência uma delegação do Vietnã. Nas mesas de debate,
haverá ainda representantes de países latinos, árabes e asiáticos, que debaterão
as ações desenvolvidas em prol de uma cultura da paz.

As inscrições podem
ser feitas neste
link
. Mais informações podem ser obtidas por meio do endereço eletrônico
cebrapaz@uol.com.br ou pelo telefone (11) 3223-3469.

Confira a
programação da Conferência:

17/06 – Sexta-feira
19h
- Mesa de Abertura – Fortalecer a cultura da paz em um mundo
militarizado
Palestrantes:
Socorro Gomes – Cebrapaz
Carlos Rafael
Zamora Rodriguez – Embaixador de Cuba
Maximilien Arvelaiz – Embaixador da
Venezuela
Duong Nguyen Tuong – Embaixador do Vietnã
Mediador: Denis Veiga
Jr

18/06 – Sábado
9h – Mesa 1 – Ameaças à Paz no
Atlântico Sul-4ª. Frota e OTAN
Palestrantes:
Rina Bertaccini -
Argentina
Guillermo Borneu – Peru
Prof. Igor Fuser – Brasil
Mediador:
Rubens Diniz

11h30 – Mesa 2 – Atual política dos EUA para América Latina
e Caribe
Palestrantes:
Enrique Daza – Colômbia
Bertha Oliva -
Honduras
Guillermo De La Paz Velez – Porto Rico
Ricardo Abreu -
Brasil
Mediador: Ronaldo Carmona

15h – Mesa 3 – Luta dos povos contra
as agressões
Palestrantes:
José Ramón – Cuba
J.K. Suleiman Rashid -
Palestina
Majd Al Shara – Síria
José Reinaldo Carvalho -

Brasil
Mediador: Alexandre Braga

18h – Coquetel de
encerramento

Da redação, Luana Bonone

Lutar pela paz e denunciar os crimes de guerra do imperialismo

do portal vermelho

A solidariedade internacional e a luta dos povos contra o avanço das forças imperialistas são os temas da entrevista da presidente do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes, ao Vermelho.

Socorro destacou, entre o conjunto de atividades realizados em 2010 por ambas as entidades, a atuação pelo desarmamento nuclear e a campanha pela retirada das bases militares dos EUA de territórios espalhados pelos cinco continentes.

Ela falou ainda da atuação do governo brasileiro na busca da paz e no processo de integração da América Latina. E da importância do fortalecimento do diálogo e da defesa da soberania de cada povo no processo de construção da paz.

Vermelho: O que você ressaltaria do conjunto de atividades realizadas pelo Cebrapaz em 2010?
Socorro Gomes: Além de encaminhar diversas lutas contra a militarização e as guerras, nós lançamos no mês de janeiro, no Fórum Social Mundial — em articulação com organizações de luta pela paz de todo o continente americano —, a campanha contra as bases militares no continente. Ao longo do ano, foram realizadas atividades na Colômbia, Argentina e Cuba contra as bases militares. Entendemos como fundamental o lançamento dessa campanha porque a questão das bases militares está ligada a um projeto maior do imperialismo.

O mundo tem hoje cerca de 800 bases militares dos EUA espalhadas em todos os continentes. Isso faz parte de um objetivo central do imperialismo estadunidense: o controle de todos os continentes, especialmente de países com recursos naturais ou que não se submetem à política deles. Essas bases são uma ameaça real e concreta. Do ponto de vista da ameaça bélica, o imperialismo controla os mares e oceanos (através das frotas navais), os continentes (com as bases militares) e o espaço aéreo (através de mísseis, escudos e satélites).

Na luta pela paz, é fundamental denunciar a máquina de guerra, seus crimes e responsáveis. Apenas na América Latina, desde a Segunda Guerra, são centenas de milhares de pessoas assassinadas por influência direta de golpes promovidos e coordenados pelos Estados Unidos, são quase 900 mil vítimas.

Também promovemos campanhas de solidariedade aos povos do mundo que estão em luta pelos seus direitos, soberania, defesa de seus territórios e contra as agressões imperialistas.

Vermelho: E em relação ao Conselho Mundial da Paz, quais foram as principais atividades do ano passado?
SG: Em 2010 participamos da campanha contra a Otan – que é um grande aparato de destruição e de guerra comandado pelos EUA. Participamos de conferências e manifestações de rua denunciando o que representa a Otan e exigindo seu desmantelamento imediato. Estivemos presentes em atividades em Estrasburgo e Lisboa, por motivo da realização na capital portuguesa da Cúpula da Otan, quando o Conselho Português Pela Paz e a Cooperação, com o apoio co Conselho Mundial da Paz, realizou um seminário e uma grande manifestação. Foi uma jornada de luta em que denunciamos a Otan como um instrumento do imperialismo que cometeu inúmeros crimes contra a humanidade.

Outra campanha do Conselho Mundial da Paz — e de que o Cebrapaz participou com muita força — foi pela destruição das armas nucleares. Essa é uma luta histórica do CMP porque as armas nucleares colocam em risco a própria existência da espécie humana. Realizamos no Senado brasileiro uma conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Também realizamos em Nova Iorque passeatas e conferências sobre esse tema. Um dos pontos fundamentais do Conselho Mundial da Paz, desde o seu nascimento, é a luta contra as armas nucleares e de destruição em massa.

Para nós essa luta continua essencial. Ela denuncia a hipocrisia e a falácia dos EUA — que foi o único país que atacou e destruiu duas cidades com bombas nucleares e continua impune. Ao mesmo tempo os EUA tentam impedir que outros países utilizem a tecnologia nuclear para fins pacíficos.

Sabemos que a questão da paz é garantida com a soberania, com a auto determinação e um outro sistema de relações internacionais justo, mas temos que buscar desmantelar esse poder bélico porque vivemos sempre sujeitos a uma tragédia, seja na Península Coreana, no Oriente Médio ou no Irã.

Vermelho: O agravamento da crise econômica dos EUA pode acentuar ainda mais as investidas imperialistas ao redor do mundo?
SG: Penso que à medida que eles estão em crise e têm que realizar os seus lucros — que é a lógica do capital —, mais avançam contra os direitos dos trabalhadores. O imperialismo e as grandes potências avançam contra os países impondo medidas extremamente duras e fascistas — principalmente na perseguição aos imigrantes. Podemos ver aí a hipocrisia do sistema que fala de liberdade total, mas é uma liberdade que existe para impor sua própria vontade.

Nesse quadro, o risco de agressões contra as nações tem que ser encarado como uma ameaça de fato. Se o imperialismo está armado até os dentes, se está espalhado por mar, terra e ar, e tem essa política de ataque aos direitos dos povos, temos que encarar como um risco.

Vermelho: Como você vê a conjuntura internacional neste começo de ano?
SG: Quando o povo americano votou em Obama apostou na paralisação desta política de guerra — que leva os EUA a um isolamento, por semear o medo e o terror entre povos e nações. Obama foi essa tentativa, mas ele continua — apesar de um discurso mais suave — com as mesmas medidas de Bush. Do ponto de vista da ameaça aos povos e da atitude dos Estados Unidos de ataque à democracia e aos direitos dos países, Obama continua e aprofunda a mesma política.

O que temos este ano é a continuidade da intimidação ao Irã, várias escaramuças e ameaças contra a Coreia do Norte e o cerco da África pelo Africom [Comando Africano dos Estados Unidos] que tem o objetivo de controlar o continente, que é riquíssimo. No nosso continente as medidas também continuam. Cuba permanece sob bloqueio e os cinco patriotas cubanos continuam presos.

Por outro lado, há um avanço significativo em vitórias importantes, e nesse sentido o Brasil joga um papel destacado. Nós, do Cebrapaz, encaramos com alegria a eleição da presidente Dilma Rousseff, porque é a continuidade de um projeto de independência e de integração. Observamos a Venezuela, o Equador e a Bolívia darem grandes saltos. A Venezuela conseguiu combater as desigualdades e hoje está em primeiro lugar na América Latina nesse aspecto, o combate à pobreza foi um dos mais significativos avanços — fruto de um governo que utilizou os recursos naturais para garantir a melhoria de vida do seu povo. O Cebrapaz manifesta de maneira militante a solidariedade aos povos que estão nessa luta.

Vermelho: Diante dessas perspectivas de avanço, principalmente na América Latina, como se dão as reações imperialistas?
SG: As reações buscam sempre desestabilizar esses governos progressistas. A oposição oligárquica, que é muitas vezes ligada ao passado ditatorial e neocolonial, busca o retrocesso, pois sem democracia é mais fácil explorar e dominar o povo.

Vermelho: O que você destacaria da resistência latino-americana contra as forças imperialistas?
SG: No continente americano, as bases militares e a 4ª Frota da Marinha de Guerra dos EUA estão se intensificando com o acordo assinado pelo ex-presidente colombiano Álvaro Uribe, para a instalação de mais bases militares. O objetivo dessas bases é cercar a região e fazê-la servir aos EUA. Busca-se cercar países como a Venezuela, a Bolívia e o Equador. No Caribe, o objetivo dos EUA é dominar Cuba, ameaçado-a com a base de Guantânamo. No Panamá, que havia conseguido avançar no processo de maior soberania, o imperialismo busca a instalação de novas bases. Estes são apenas alguns exemplos do intervencionismo norte-americano no continente.

Além disso, temos a questão da Amazônia, a mais rica região do mundo em biodiversidade e água. Trata-se de uma questão estratégica porque os recursos energéticos aí são gigantescos. Além do mais, existe a questão do Pré-Sal brasileiro que passou a ser um dos alvos da 4a Frota.

Desde 1998 a luta dos povos vem crescendo e o imperialismo não se conforma. Tenta sabotar e impedir os avanços. Basta observarmos o golpe em Honduras; a tentativa fracassada de golpe no Equador e as constantes investidas para desestabilizar a situação na Venezuela e na Bolívia.

Ainda podemos considerar no exame da situação da América Latina a manutenção do bloqueio a Cuba, que é o meio pelo qual o imperialismo norte-americano tenta estrangular a ilha e derrotar a Revolução.

Vermelho: Quais são os eixos de trabalho do Cebrapaz em 2011?
SG: As perspectivas são de muitas lutas. Vamos avançar na questão da luta contra a guerra, da solidariedade e da resistência contra as bases militares e a 4ª Frota e temos também o grande desafio de fortalecer o Cebrapaz nos estados. Temos muitos desafios a enfrentar. Com certeza as organizações pacifistas estarão à altura. Este é um ano de fortalecimento do Cebrapaz — com planejamento e campanhas específicas, que envolvem as necessidades de cada estado integradas aos movimentos sociais. Em junho vamos realizar uma conferência nacional com convidados internacionais, o que faz parte do projeto de fortalecimento da cultura da paz.

Outra questão fundamental é a solidariedade. Vivemos, em épocas passadas, de costas para a América Latina. No Brasil, os governantes e as classes dominantes falavam apenas sobre a Europa e os EUA. Hoje os governos da América Latina possuem vários fóruns de integração: o Mercosul, a Unasul, o Conselho de Defesa da América do Sul, a Alba, o Parlasul, o Parlatino. Todos esses mecanismos são passos importantes para a integração. Precisamos intensificar esse movimento de solidariedade.

Vermelho: A recente reunião entre os presidentes da China e dos EUA indica uma transição de hegemonias?
SG: Ainda não tenho todos os elementos, mas a questão da crise econômica — que tem seu epicentro nos EUA — chama a atenção. Com a moeda e a economia americana em decadência, vemos que o imperialismo norte-americano está em declínio. Não quero dizer com isso que este imperialismo esteja morrendo e basta uma pá de cal para enterrá-lo. É preciso combatê-lo cada vez com maior força, mas a hegemonia americana está sofrendo abalos. Os EUA ainda têm o maior poder bélico, ao passo que a China é uma potência emergente.

Vermelho: Em novembro último você participou na Espanha de uma conferência sobre a questão palestina. Que opinião tem sobre o tema?
SG: O Estado de Israel foi criado com todo o apoio do imperialismo, mas o Estado da Palestina, que também era uma determinação da ONU, não foi criado. Pelo contrário, o território palestino foi sendo invadido e ocupado através de ações militares. Atualmente Israel possui armamento nuclear e a chamada “comunidade internacional” sabe disso, mas nada faz no sentido contrário. Israel já deu claras demonstrações de que não permitirá a criação do Estado palestino.

O povo palestino vem sofrendo um martírio, e mesmo com várias resoluções da ONU determinando a retirada de Israel dos territórios ocupados, a suspensão da instalação de colônias e declarações de que o muro é ilegal, nada é feito. O povo palestino, apesar de martirizado, é um povo heróico porque continua resistindo e lutando por seu Estado, sua autonomia, sua autodeterminação e seu direito de viver. A própria ONU e os países do mundo devem muito ao povo palestino. Ele é um exemplo de como lutar contra os horrores do imperialismo.

O CMP está examinando a proposta de enviar uma delegação à Palestina ainda este ano. O Cebrapaz e os movimentos sociais no Brasil também estão propondo organizar uma delegação para visitar a Palestina em 2011. Além disso, queremos discutir e levar a mensagem ao Parlamento brasileiro para que nosso país não tenha negociações, especialmente sobre assuntos militares com um estado terrorista que cometeu genocídios, crimes de guerra e contra a humanidade.

Vermelho: Como o Cebrapaz e o CMP atuam na questão da luta do povo saharauí?
SG: Esta é uma questão importante. O Marrocos de forma alguma aceita a autodeterminação do povo saharauí, posicionando-se e agindo de forma truculenta. As coisas que acontecem lá são realmente escabrosas, muito parecidas com as torturas estadunidenses em Guantânamo. O povo saharauí só quer o direito à sua autodeterminação, o direito de ter a sua própria cultura. Dessa forma entendemos que é essencial a solidariedade ao povo saharauí e o CMP tem feito visitas e mantido laços importantes pela independência desse povo.

Vermelho: É possível afirmar que a política externa brasileira possui elementos progressistas e de construção da paz?
SG: Podemos dizer que a política externa brasileira desde o primeiro mandato do ex-presidente Lula teve inúmeros avanços. A primeira mostra disso foi a recusa do governo brasileiro em atender o apelo do ex-presidente, George W. Bush, para invadir o Iraque. Lula então dizia: “A nossa guerra é contra fome”. O Itamaraty e o governo brasileiro buscaram sempre a construção de um caminho de paz e diálogo. Essa atuação aconteceu tanto em questões como a do Oriente Médio, no caso da crise energética nuclear com o Irã, como as relacionadas com nossa região. Até mesmo quando os interesses de empresas brasileiras estavam envolvidos, que foi o caso do gás com a Bolívia, nós procuramos o diálogo. Foi nesse momento que a direita brasileira, que em nenhum momento se importou com a soberania do Brasil, gritou dizendo que o país tinha que se armar e ameaçar a Bolívia, a Venezuela e o Paraguai. O que fez o governo Lula? Sentou-se à mesa, tratou dos contenciosos de forma respeitosa, defendendo os interesses do Brasil e os direitos dos países irmãos. Tudo isso através do diálogo.

Em meu entendimento o governo Lula colocou como ponto alto a questão da paz, ao mesmo tempo em que se posicionou de forma firme quando precisou. Um exemplo é o golpe de Honduras. O Brasil não reconheceu os golpistas e deu todo o apoio a Zelaya.

A política externa brasileira atuou marcando o seu posicionamento, negociando e respeitando os demais países.

Durante os oito anos do governo de Lula, o Brasil também ampliou suas relações com todo o mundo. Fomos ao Oriente Médio várias vezes, à África e à Ásia. O Brasil hoje é respeitado no mundo inteiro pelos avanços na diplomacia e política externa. A eleição de Dilma é uma sinalização de continuidade dessa política soberana, altaneira e de integração.

Da redação,
Mariana Viel

Socorro Gomes: Cebrapaz condena massacre no Saara

portal do vermelho

O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) organização membro do Conselho Mundial da Paz, vem a público repudiar a brutal agressão realizada pelo Marrocos aos acampamentos saarauis.

Na madrugada deste dia 09 de novembro, as forcas de repressão da monarquia do Marrocos, reprimiram brutalmente uma manifestação pacífica do povo saaraui.

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Tratava-se de um acampamento montado a 20 quilômetros de El Aaiún, capital da Republica Árabe Saaraui Democrática (RASD), ocupada pelo Marrocos. O acampamento composto de mais de 7 mil tendas, foi completamente destruído. Existem notícias de mortes e mais de 65 detidos.

Esta foi a maior manifestação realizada pelo povo saarauri desde o fim da guerra entre a Frente Polisário e o Marrocos em 1991. Desde este momento, espera-se pela realização de uma consulta onde se determinará se os saharauis preferem manter-se sob o domínio do Marrocos ou constituir uma república independente.

A repressão que levou a mortes e a inúmeras detenções ocorreu no mesmo dia em que estava marcada na sede das Nações Unidas a retomada das negociações entre o Marrocos e a Frente Polisário, para a realização do referendo, em uma clara demonstração de que ao Marrocos não interessa a realização de dita consulta.

O Cebrapaz soma-se às demais forças defensoras da paz e da autodeterminação dos povos, no apelo a que os organismos internacionais se mobilizem frente a esta grave situação. O silêncio da União Europeia e da Espanha os torna cúmplices dos atos ocorridos en El Aaiún.

Desde o Brasil exigimos o fim das hostilidades e da agressão ao povo saaraui e nos solidarizamos com sua luta pela autodeterminação.

Viva a luta do povo saaraui!

Pela Autodeterminação dos Povos!

Por Socorro Gomes, pela diretoria do Cebrapaz — Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz

Socorro Gomes: “O que os EUA fizeram em Hiroxima não tem perdão”

do site do cebrapaz nacional

 
04/08/2010
A presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, encontra-se no Japão, onde participa da Conferência Mundial contra as Armas Nucleares, na cidade de Hiroxima, e dos atos oficiais organizados por ocasião do 65º aniversário da explosão da bomba atômica, que transcorre em 6 de agosto. Ela também visitará Nagasaki,a outra vítima de bombardeio nuclear.

A ativista brasileira do movimento pela paz reuniu-se com dezenas de organizações estrangeiras, participa de diversas solenidades em memória das vítimas da bomba, depositou flores em um monumento no parque da paz e visitou o museu do genocídio.

Em artigo para o site do Cebrapaz e o Vermelho, Socorro Gomes comenta o episódio histórico, homenageia os mártires e analisa as ameaças de guerra e propõe a eliminação de todas as armas de destruição em massa.

Por e-mail endereçado à redação do Vermelho, ela declarou: “O que os EUA fizeram não tem perdão. As pessoas derretiam literalmente. Não é aceitável o imperialismo continuar cometendo crimes contra a humanidade, como fez em Hiroxima e Nagasaki há 65 anos e recentemente em Faluja, no Iraque”.

“O uso das armas de destruição em massa, além das mortes instantâneas, faz com que até a terceira geração as pessoas nasçam com mutações genéticas, sem olhos, sem órgãos, outros com cancer generalizado”, relatou.

“É incrível que os EUA continuam impunes e falando em combate ao terrorismo! Os maiores terroristas da humanidade são eles! Eu fiquei estarrecida, só de ver as fotos. É inesquecível!” protestou Socorro.

Seminário vai debater posição brasileira para armas nucleares

do portal vermelho

O Seminário “A Revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares”, que será realizado nesta quarta-feira (7), pelo Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) e a Comissão de Relações Exteriores do Senado, quer estimular o debate e reunir contribuições que possam subsidiar a posição do Brasil na Conferência da ONU, que se realizará no início de maio, em Nova York, destinada à revisão do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares (TNP).
O evento conta ainda com o apoio do Conselho Mundial da Paz, a Universidade de Brasília (UnB), a Fundação Alexandre Gusmão/Ministério das Relações Exteriores (MRE) e a Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ABED).

Sérgio Duarte, Alto Representante para as Questões de Desarmamento das Nações Unidas, um dos palestrantes do evento, em entrevista ao Estado de São Paulo, no último final de semana, falou sobre a aproximação do Brasil com o Irã e a recusa do País em assinar o protocolo adicional do TNP, que autorizaria inspeções mais rígidas nas instalações nucleares brasileiras.

Ele falou que o caso do Irã não será tratado na Conferência de Revisão do TNP, que não tem o objetivo de “atacar ou inocentar” o Irã por seu programa nuclear, mas o embaixador Sérgio Duarte acredita que o assunto será discutido nos bastidores.

Sobre o Irã, ele disse que o último relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) dizia haver indícios de que o Irã estaria buscando a transformação de matéria físsil em arma. No entanto, ele destaca que “o problema é definir o que é uma arma nuclear, que é algo mais complicado que a capacidade de enriquecer urânio a 90%”, acrescentando que “o próprio TNP não faz essa definição.” Continue lendo

Cebrapaz e Itamaraty organizam seminário sobre armas nucleares

do site do Cebrapaz

O Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz) organiza, em abril, o seminário “A Revisão do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares”, em conjunto com o Senado Federal, a Universidade de Brasília (UnB) e a Fundação Alexandre Gusmão (Funag), ligada ao Ministério das Relações Exteriores. O seminário antecede a reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) que tratará o tema em maio, em Nova York. Em paralelo, organizações realizam atividade pela eliminação das armas nucleares no mundo.

A presidente do Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz) e do Conselho Mundial da Paz (CMP), Socorro Gomes e o senador Inácio Arruda (PCdoB/CE), participam hoje de reunião com o presidente da Funag, o embaixador Jerônimo Moscardo. O tema é a audiência pública promovida pelo Senado, pela UnB, pela fundação e pelo Cebrapaz, marcada para 7 de abril. A audiência terá formato de seminário e o tema é A Revisão do Tratado de não Proliferação de Armas Nucleares.

Socorro Gomes explica que o papel deste seminário será “gerar subsídios para o processo de conferência que ocorrerá em maio, em Nova York”. A presidente do CMP participará da reunião da ONU, levando a opinião do movimento pela paz de uma política mundial de abolição das armas nucleares. A brasileira participará também da atividade paralela, até porque a entidade organizadora é o centro de luta pela paz dos EUA, o US Peace Concil, filiado ao CMP.

Presença importante já confirmada no seminário de abril é a coordenadora para os EUA da organização Prefeitos pela Paz e ativista da luta pela abolição das armas nucleares Jackie Cabasso, que participa da organização da atividade pela eliminação das armas nucleares que será realizada em Nova York.

A próxima reunião do Senador Inácio Arruda e da presidente do Cebrapaz, Socorro Gomes, já está marcada. Será com o Ministro das Relações Exetriores, Celso Amorim, no dia 24 de março.

De São Paulo, Luana Bonone

Curso de Política Internacional do Cebrapaz – Para melhor entender o mundo de hoje – 19 a 21 de março de 2010

do portal do cebrapaz

 
25/02/2010
di_curso_politica_internacional_outubro_2010Crises, guerras, militarismo, armas nucleares cada vez mais fazem parte do cotidiano mundial, interferindo direta ou indiretamente na vida do nosso país. Para melhor entender estes fenômenos, venha participar do Primeiro Módulo do Curso de Política Internacional durante dois dias de conferências e debates sobre os temas:

 
Imperialismo e crise  

A luta pela Paz e o Socialismo

História da Guerra Fria (da Segunda Guerra Mundial à queda do Muro de Berlim)

Os conflitos internacionais da atualidade

Novas agendas de segurança internacional

A integração da América Latina e a Política Externa do governo Lula

A solidariedade internacional e o movimento pela paz

As conferências serão feitas por historiadores, estudiosos de política internacional, jornalistas e lideranças do movimento político e social.

Paulo Visentini, Socorro Gomes, José Reinaldo Carvalho, Umberto Martins, Daniel Sebastiani, Rubens Diniz e Ronaldo Carmona.    

Serão distribuídos certificados de participação e textos de teoria política, história e temas atuais. 

Início -  19 de março, às 19 horas

Término – 21 de março às 17 horas

Local  -  Hotel San Juan – Rua Aurora, 909, Metrô República,  São Paulo

Taxa de inscrição – R$50,00         

Socorro: apesar da cortina de fumaça, os povos despertam e lutam

do portal do Cebrapaz

 19/02/2010 

Em pronunciamento proferido nesta quinta-feira (18), na Reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, a brasileira Socorro Gomes, presidente da entidade, alertou para o atual “quadro de agravamento dos problemas econômicos e sociais no mundo”, em um “momento em que se prenunciam novos conflitos”.

Socorro, em contrapartida, assinalou que “os povos, apesar da cortina de fumaça cada vez mais densa, despertam e lutam. Do Oriente Médio à América Latina, da Europa, da África aos Estados Unidos, os povos estão em luta, o que consolida as nossas convicções de partidários da paz e lutadores por um mundo livre das guerras, e da opressão imperialista”.

 Confira abaixo a íntegra do pronunciamento de Socorro:

 Estimados companheiros e companheiras do Conselho da Paz do Nepal

Estimados companheiros e companheiras do Secretariado do Conselho Mundial da Paz

 Em primeiro lugar, gostaria de expressar em nome do Conselho Mundial da Paz os agradecimentos ao Conselho da Paz do Nepal por organizar em seu país a reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz, em tão boas condições. Continue lendo

Socorro: “É preciso deter a escalada militar do imperialismo”

DO PORTAL VERMELHO

A brasileira Socorro Gomes chegou nesta quarta-feira (17) ao Nepal, onde participa da reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz — organização que preside desde abril de 2008. Momentos antes de partir do Brasil, Socorro — que também é presidente do Cebrapaz (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz) — concedeu uma entrevista exclusiva ao Vermelho.

cebrapazLiderada pelo Cebrapaz, campanha contra as bases mobiliza mais de cem entidades

Na sequência da reunião, ela tomará a palavra também na Conferência Asiática pela Paz, convocada pelo Conselho da Paz do Nepal. Este longínquo país recentemente pôs abaixo a monarquia, proclamou a República e é governado por uma coalizão de partidos de esquerda, na qual o primeiro-ministro é um dirigente do Partido Comunista do Nepal (Unificado, Marxista-leninista).

Confira a entrevista.

Vermelho – A reunião do Secretariado do Conselho Mundial da Paz realiza-se no mesmo momento em que está em curso uma grande ofensiva militar no Afeganistão. Que posição será adotada pelo CMP?
Socorro Gomes – É uma ofensiva brutal — segundo os analistas, a maior desde o início da guerra em 2001. Houve intensos bombardeios aéreos e agora estão em curso operações terrestres na cidade de Mariah, província de Helmand, sul do Afeganistão. São mais de 30 mil soldados envolvidos. Como sempre, a população civil está sendo vítima, apesar da propaganda feita pelas forças de ocupação de que o alvo seriam “apenas” as milícias do Talibã.

A ofensiva sobre Mariah representa uma nova escalada da guerra de ocupação do imperialismo norte-americano e seus aliados da OTAN no Afeganistão, comprovando que a opção militarista e belicista continua sendo a tônica das políticas dos Estados Unidos. Do mesmo modo que a obsessão de Bush era vencer a todo o custo a guerra no Iraque, parece que a de Obama é ganhar no Afeganistão. O mundo continua inseguro, a humanidade continua ameaçada por políticas e ações de caráter agressivo.

É preciso deter a escalada militar do imperialismo. O Conselho Mundial da Paz condena essa escalada e exige a retirada de todas as tropas de ocupação do Afeganistão e do Iraque.

Vermelho – Há uma escalada também das ameaças contra o Irã. O tema faz parte das discussões no CMP?
Socorro Gomes – Como não?! É uma das principais preocupações dos partidários da paz em todo o mundo e obviamente do CMP. As ameaças dos Estados Unidos ao Irã podem acarretar consequências funestas não só para esse país e a região do Golfo Pérsico, mas afetam a segurança internacional e a paz mundial.

A secretária de Estado dos Estados Unidos iniciou um périplo na região para pressionar os países a adotarem sanções contra o Irã. Neste momento, toda a diplomacia dos Estados Unidos encontra-se voltada para tal objetivo. São pressões sobre o Conselho de Segurança da ONU e sobre todos os países para que sejam adotadas sanções coletivas ou unilaterais contra o Irã.

Simultaneamente, intensificam-se as pressões militares. Há poucas semanas a Casa Branca e o Pentágono anunciaram a instalação de um sistema antimísseis em quatro países do Golfo Pérsico e reforçaram o patrulhamento na costa iraniana. Também neste caso, as promessas de paz e cooperação internacional vão ficando para trás e cedendo lugar aos aspectos principais da política externa dos Estados Unidos: ameaças, intervencionismo e agressão.

Vermelho – Desde dezembro de 2009, parece que mais um país, o Iêmen, entrou no foco das atenções dos Estados Unidos, onde houve até bombardeios sob o pretexto de extirpar células terroristas da Al Qaeda abrigadas naquele país.
Socorro Gomes - Efetivamente. Os bombardeios foram realizados antes mesmo do frustrado atentado numa aeronave em dezembro passado e que foi tomado como pretexto para uma escalada da “luta antiterrorista”. O programa militar e de segurança do Pentágono para o Iêmen aumentou em um ano de US$ 4,6 milhões para US$ 67 milhões, e o país foi guindado à categoria de prioridade, segundo declarações do assistente do presidente Obama para a Segurança Nacional.

O novo papel do Iêmen na estratégia de Washington tem a ver na verdade com um plano dos Estados Unidos de aumentar a presença militar na região conhecida como Chifre da África e a partir daí em todo o Oceano Índico. Desde agosto do ano passado, a Otan desenvolve, sem prazo para terminar, operações navais nas costas da Somália sob a denominação de “Escudo do Oceano”, com a participação de navios de guerra da Grã Bretanha, Grécia, Itália, Turquia e Estados Unidos.

Com o aumento do poderio da China e da Índia, o Pentágono trabalha com cenários de incremento das rivalidades militares nas águas do Oceano Indico e decidiu que uma das suas mais importantes tarefas é incrementar ali o seu poderio naval. É no Indico que tem lugar o maior fluxo do comércio de petróleo.

Vermelho - De 3 a 28 de maio deste ano terá lugar em Nova York, na sede das Nações Unidas, a 8ª Conferência para a Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o TNP. Paralelamente, entre os dias 30 de abril e 1º de maio movimentos sociais e organizações não-governamentais realizam a conferência Desarmamento Agora. Qual a participação do CMP em tais eventos e que posição tem sobre o delicado tema das armas nucleares?
Socorro Gomes – O CMP é membro do Ecosoc das Nações Unidas e, como tal, acompanha as atividades da ONU. E, como organização mundial que reúne os partidários da paz, também tomará parte, com posições próprias e construtivas, na conferência Desarmamento Agora. A nossa posição sobre o tema vem do próprio ato de fundação do CMP, há 60 anos, que nasceu sob o signo da luta contra as armas nucleares.

A maior ação em prol da paz no mundo realizada na segunda metade do século 20 foi o recolhimento de assinaturas para o Apelo de Estocolmo, um manifesto de poucas linhas, que demandava o fim das armas nucleares. O Apelo de Estocolmo recebeu mais de 600 milhões de assinaturas. Ainda hoje, o CMP reafirma o seu engajamento na luta pela eliminação das armas nucleares.

Quanto ao TNP, sendo obviamente favorável à não-proliferação, o CMP condena o caráter assimétrico e desigual do Tratado — que na verdade congela a ordem internacional entre estados possuidores de armas nucleares e estados não possuidores. Para os povos e nações que lutam pela independência, o progresso e a paz, a posição justa é a defesa do desarmamento e da eliminação de todas as armas nucleares.

Vermelho – Que outras questões merecem destaque na pauta do CMP?
Socorro Gomes – Sem nenhuma dúvida, a realização da cúpula da Otan neste ano em Portugal e a intensificação da presença militar dos Estados Unidos na África e na América Latina. Recentemente, o imperialismo estadunidense decidiu criar o Africom, o Comando Africano, que consistirá na instalação de um conjunto de unidades do exército dos Estados Unidos, altamente equipadas no continente africano para garantir os planos neocolonialistas, o saque das riquezas dos países africanos, se necessário pela força.

Operações e bases militares dos Estados Unidos na África têm sido realizadas e instaladas desde 2002 em países como Djibuti, Eritreia, Etiópia, Sudão, Quênia, Tanzânia, Uganda, Somália, Iêmen, Mauritânia, Mali, Níger, Chade, Senegal, Tunísia e Argélia. Quanto à nossa América, o CMP reafirmará a luta contra a Quarta Frota, as sete bases militares recém-instaladas na Colômbia e outras bases militares na região. Combatemos todo esse processo de militarização, que visa a intimidar os povos e os governos progressistas no continente.

Manifestaremos a solidariedade com o povo haitiano acometido pela tragédia do terremoto de 12 de janeiro e agora sob a ocupação militar de mais de 10 mil soldados dos Estados Unidos. Todo esse cenário confirma o acerto da campanha “América Latina e Caribe — Uma Região de paz. Não às Bases Militares Estrangeiras”, protagonizada pelo Cebrapaz e por quase uma centena de entidades, movimentos e redes do Brasil e de toda a América Latina e Caribe. 

Confira a programação do Cebrapaz no Fórum Social Mundial 2010

do portal do cebrapaz

De volta a Porto Alegre (RS), o Fórum Social Mundial (FSM) iniciou sua 10ª edição nesta segunda-feira (25/1), com o lema “10 Anos Depois — Desafios e Propostas para um Outro Mundo Possível”. No primeiro dia do encontro, o Cebrapaz (Centro de Brasileiro aos Povos e Luta pela Paz) participou da Marcha de Abertura — uma animada e combativa passeata, que mobilizou cerca de 10 mil pessoas pelas ruas da capital gaúcha.
A entidade brasileira lançou também a Tenda da Paz, montada em parceria com a CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). Situada no Aeródromo, em frente à Usina do Gasômetro, a tenda promoverá debates e reuniões, além de ser um ponto de encontro para os participantes do Fórum.

Nesta terça (26/1), às 17 horas, dirigentes da entidade brasileira se reúnem com representantes de diversos países da América Latina. Os encontros devem ocorrer no Conceição Residence Hotel — mesmo local onde, na manhã do dia seguinte (27/1), haverá relatos da situação de cada país.

Já a mesa “A cultura de paz e a integração regional em um mundo em transição” — principal atividade promovida pelo Cebrapaz no FSM — acontece na quinta-feira (28/1), às 14 horas na Tenda da Paz. Na ocasião, haverá o lançamento, em nível continental, da campanha “América Latina e Caribe, Região de Paz — Não às Bases Militares”.

O Cebrapaz participará ainda da reunião da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), na sexta-feira (29/1), às 10 horas, na Usina do Gasômetro. O encontro debaterá os rumos do Fórum Social Mundial e, em pleno ano eleitoral de 2010, deve convocar, para 31 de maio, em São Paulo (SP), uma grande Assembleia Nacional dos Movimentos Sociais.

Depois de Porto Alegre, a luta pela paz dá continuidade às suas atividades nos dias 30 e 31 de janeiro, em Salvador (BA), onde haverá outra etapa regional do 10º FSM. O site do Cebrapaz divulgará em breve a programação da entidade na capital baiana.