O Dia que Durou 21 anos

COLUNA DE ANCELMO GOIS DE HOJE,dia 05/04/2012, NO JORNAL O GLOBO:
” O site “A verdade sufocada”, de militares viúvas da ditadura, publicou(fruto de um trabalho de jornalismo investigativo ou então de arapongagem) foto, nome,profissão e endereçoeletrônico de cinco jovens que teriam participado daquela manifestação em frente ao Clube Militar no dia 29 de março e que acabou em tumulto. Lá dentro, como se sabe, ocorria um ato para celebrar os 48 anos do golpe.”

Ao entrar, logo pela manhã, no mencionado site dos militares não encontrei tal publicação, no entanto, é importante que se torne público a arapongagem que existe, por mais que não sejamos ingênuos de supor que um dia isto teve fim.

Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admite fusão do DEM com PSDB

por O Globo

 O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu, nesta terça-feira, em seminário no seu instituto, que há entendimentos sobre a fusão do PSDB com o DEM. Porém, ele afirmou que as conversas ainda são preliminares. FH também criticou a postura dos tucanos que, segundo ele, não souberam conviver com as várias tendências do partido. A saída de Walter Feldman, um dos fundadores do PSDB, para o PSD, foi motivo de pesar para o ex-presidente. Ainda nesta terça, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o presidente nacional do DEM, José Agripino Maia (RN), acertaram o novo espaço do DEM no governo paulista. O partido comandará a Secretaria de Desenvolvimento Social, hoje encabeçada por um deputado estadual do PSDB. A negociação é um gesto importante num momento em que os dois partidos discutem uma fusão no futuro. A possível saída do governador democrata de Santa Catarina, Raimundo Colombo, pode acelerar de vez a implosão do DEM. Com ele, sairiam inúmeros políticos catarinenses e o único governo estadual do partido seria o do Rio Grande do Norte, de Rosalba Ciarlini. …

Itália insulta o Brasil no caso Battisti, diz filósofo italiano Toni Negri

Thiago Scarelli
Do UOL Notícias
Em São Paulo (SP)

A Itália adota uma postura “insultante” com o Brasil no conflito em torno do ex-ativista Cesare Battisti, porque não se trata de um país desenvolvido, e mente quando diz que vivia um Estado de Direito nos anos 70. A análise é do filósofo italiano Antonio Negri, que passou mais de dez anos preso por seu envolvimento com a militância de esquerda na Itália.

Negri é co-autor, com Michael Hardt, do livro “Império”, publicado no Brasil em 2001 e umas das obras mais importantes e polêmicas sobre o processo de globalização. Com Giuseppe Cocco, publicou “Global – Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada”, em 2005.

Leia abaixo a entrevista completa, concedida por Negri via telefone desde Veneza.

Quem é Toni Negri

Antonio Negri, 75, é um filósofo italiano, professor da Universidade de Pádua (Itália) e do Colégio Internacional de Paris (França). Entre os anos 50 e 70, participou dos movimentos de esquerda na Itália, condenando tanto a direita quanto o stalinismo. Esteve preso entre 1979 e 1983, depois se exilou na França por 14 anos. Condenado por subversão, o filósofo voltou para a Itália em 1997 e cumpriu pena até 2003. Atualmente, divide seu tempo entre Veneza e Paris, cidades onde desenvolve atividades acadêmicas

UOL – Como o senhor vê a posição da Itália no caso Battisti?

Antonio Negri – A posição italiana é uma posição muito complexa. Como se sabe, o governo italiano é um governo de direita e é um governo que, depois de 30 anos, retomou a perseguição das pessoas que se refugiaram no exterior depois do final dos anos 70, depois do final dos anos nos quais na Itália houve um forte movimento de transformação, de rebelião. E, portanto, o governo italiano retoma hoje uma campanha pela recuperação destas pessoas. Em particular, tentou fazê-lo com a França, para conseguir a extradição de Marina Petrella [condenada por subversão pela justiça italiana] e não conseguiu porque o governo francês, a presidência francesa [Nicolas Sarkozy], impediu. Neste ponto, aparece em um momento exemplar o caso Battisti.

UOL – O que o senhor quer dizer com perseguição? É perigoso neste momento para Battisti retornar à Itália?

Negri – Eu não sei se é perigoso. Mas é certo que ele foi condenado à prisão perpétua e seria para ele uma situação muito grave.

UOL – Um dos motivos que o Brasil cita para manter o refúgio político é a ameaça de perseguição política contra Battisti…

Negri – Mas seguramente ele seria alvo de uma perseguição política e midiática.

UOL – Trata-se, portanto, de um temor com fundamento?

Negri – Veja bem, o governo italiano, depois de 30 anos, quer recuperar, para fazer um exemplo, as pessoas que se refugiaram no exterior. E que se refugiaram no exterior porque na Itália havia uma condição de Justiça que era impossível de aguentar.
UOL – O que significa esse “exemplo”? A punição de Battisti resolveria a questão da violência na Itália nos anos 70?

Negri – Precisamente. Resolveria em dois sentidos: por um lado, se recupera aquilo que eles chamam ‘um assassino’; e por outro se esquece aquele que foi um Estado de Exceção, que permitiu a detenção e a prisão preventiva de milhares de pessoas durante estes anos. É necessário recordar que nos anos 70 o limite jurídico da prisão preventiva era fixado em 12 anos. É necessário recordar o uso da tortura e de processos sumários inteiramente construídos sob a palavra de presos aos quais era prometida a liberdade em troca de confissões. Este foi o clima dos anos 70. E não nos esqueçamos que nos anos 70 houve 36 mil detenções, seis mil pessoas foram condenadas e milhares se refugiaram no exterior. E se há quem duvide desses números, e que quer continuar duvidando, basta que deem uma olhada nos relatórios da Anistia Internacional naqueles anos. Portanto, essa é uma questão muito séria. O caso Battisti é, na verdade, um pobre exemplo de uma estrutura, de um sistema no qual a perseguição, insisto na palavra ‘perseguição’, era acompanhada por enormes escândalos na estrutura política e militar italiana. Houve uma construção, principalmente por meio de uma loja maçônica chamada P2, de uma série de atentados dos quais ainda hoje ninguém sabe quem foram os autores, atentados que deixaram milhares de mortos, por parte da direita. E o governo italiano nunca pediu, por exemplo, que o único condenado por estes atentados seja extraditado do Japão, onde se refugiou. Existe uma desigualdade nas relações que o governo italiano mantém com todos os outros condenados e refugiados de direitas que é maluca. O governo italiano é um governo quase fascista.

UOL – Se houvesse um governo de esquerda na Itália o caso seria o mesmo? [O líder da oposição de centro-esquerda] Romano Prodi faria o mesmo?

Negri – Eu não acredito que Prodi faria o mesmo, mas parte da esquerda faria o mesmo, isso é verdade.

UOL – Como o senhor vê hoje o PAC [Proletários Armados pelo Comunismo, grupo do qual Battisti fazia parte]?

Negri – O PAC era um grupo muito marginal, mas isso não significa que não estivesse dentro do grande movimento pela autonomia. Mas ouça, o problema é esse: eu acho que as coisas das quais foi acusado Battisti são coisas muito graves, mas – e isso me parece importante dizer – estas são responsabilidades compartilhadas por toda a esquerda verdadeira. Não se trata de um caso específico. O Supremo Tribunal Federal do Brasil construiu uma jurisprudência pela qual foram acolhidos outros italianos nas mesmas condições que Battisti.

UOL – E como a Itália deve solucionar esta dívida com o passado?

Negri – Isso deveria ser feito por uma anistia, mas o governo italiano nunca quis caminhar por este terreno. Talvez tudo isso tenha determinado tremendas conseqüências no sistema político italiano, porque foi retirada da história da Itália uma geração ou duas, que poderiam ter conseguido determinar uma retomada política. É uma situação muito dramática. E gostaria de acrescentar uma coisa: o a postura da Itália no confronto com o Brasil a respeito deste tema é uma postura muito insultante. Trata-se de uma pressão feita sobre o Brasil, enquanto um país fraco, depois que os franceses não extraditaram à Itália Marina Petrella. Psicologicamente, trata-se de uma operação política e midiática muito pesada contra o Brasil, na tentativa de restituir a dignidade da Itália, no âmbito da busca de restituir os exilados.

UOL – O senhor acha que as autoridades italianas se sentem especialmente ofendidas pelo fato de a decisão em favor de Battisti vir de um país em desenvolvimento, antiga colônia de um país europeu?

Negri – Seguramente, porque se trata de pobres que reagem contra os ricos, contra os capitalistas.

UOL – O senhor também esteve preso?

Negri – Eu fui detido em 1979 e fiquei na cadeia até 1983, em prisão preventiva, sem processo. Em 1983, houve um eleição parlamentar e eu saí da cadeia porque fui eleito deputado, porque não era ainda condenado. Fiquei preso quatro anos e meio – e poderia ter ficado até 12. Ou seja, quando os italianos dizem que nos anos 70 foi mantido o Estado de Direito, eles mentem. E isso eu digo com absoluta precisão, com base no meu próprio exemplo: fiquei quatro anos e meio em uma prisão de alta segurança, prisão especial, fui massacrado e torturado. Pude deixar a prisão apenas porque fui eleito deputado – do contrário, eu poderia ter ficado na prisão por 12 anos, sem processo. Durante os anos que fiquei na França, exilado, eu fui processado e condenado a 17 anos de prisão, mas que foram reduzidos porque havia uma pressão pública forte em meu fa vor. Quando voltei para a Itália, fiquei outros seis anos presos e encerrei a questão.

UOL – Quais eram as acusações?

Negri – Associação criminosa, gerenciamento de manifestações que eram violentas nos anos 70, em Milão, em Roma, em toda Itália. Mas a primeira acusação que sofri não era de agitador político, por escrever jornais etc., mas de chefiar as Brigadas Vermelhas, o que não é verdadeiro, e de ter assassinado [Aldo] Moro, acusações das quais fui absolvido depois. Entende? Na Itália se busca desesperadamente fazer valer uma mitologia dos anos 70, que é falsa. E a direita no poder hoje busca a qualquer custo restaurar um clima de falsidade e de intimidação para não permitir que a história seja contada como foi.

UOL – Existem aí semelhanças com o governo militar no Brasil?

Negri – Isso eu não sei, porque acho que os governos militares na América Latina foram particularmente violentos. Mas o problema é outro: a questão é que a liberdade, o Estado de Direito e as regras da democracia não podem ser infringidos ou falsificados em nenhuma situação.

Mídia esconde as causas das enchentes

do blog do Miro

Reproduzo comentário de Luis Nassif, publicado em seu blog: 

Nas enchentes de 2009, a mais importante matéria do período foi da Conceição Lemes, no blog Vi o Mundo.

Nela, o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto mostra que as enchentes foram fruto de duas irresponsabilidades: redução das obras de limpeza do rio Tietê na gestão Serra e não cumprimento das metas de construção de piscinões nos últimos dez anos.

Levei o engenheiro em um Brasilianas sobre defesa civil. Ele foi taxativo: “Qualquer geólogo e qualquer técnico do DAEE sabe disso. Mas os jornais estão escondendo”.

A velha mídia escondeu a causa da maior tragédia coletiva da história da cidade.

*****

Enchentes em SP refletem falta de governo

Matéria trazida do Viomundo antigo. Publicada originalmente em 20 de dezembro de 2009:

Por Conceição Lemes

Filho feio não tem pai. Já se o rebento tem pedigree, sobram candidatos.

O governador de São Paulo, José Serra, é hors concours na área. Assume como dele a criação do Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, considerado um exemplo no mundo. Só que os verdadeiros criadores são a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor Adib Jatene.

“Serra, pai dos genéricos? PSDB, criador dos genéricos? Assumir como deles é um embuste!”, disse em junho ao Viomundo, o médico Jamil Haddad, falecido na semana passada, aos 83 anos. Ex- deputado federal, ex-prefeito do Rio Janeiro e ministro da Saúde de outubro de 1992 a agosto de1993, Jamil Haddad é o verdadeiro pai dos genéricos do Brasil.

Em compensação, Serra nunca é pai de perebentos. Inexoravelmente culpa os outros. Tanto que terceirizou a paternidade das inundações em São Paulo. Além do desplante de dizer que o noticiário negativo era obra do que chamou de PT Press, o governador afirmou que problema da enchente foi a enorme, anormal, atípica chuva.

Para colocar os pingos nos is, o Viomundo entrevistou o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. Durante 30 anos – está com 80 – foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. É considerado um dos grandes especialistas do Brasil nessa área.

Nos últimos dois meses, São Paulo submergiu duas vezes. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB) culparam principalmente a “quantidade anormal de chuvas no período” e “ lixo jogado na rua pela população”. São Pedro e o povo são os responsáveis por essas duas inundações históricas?

Não. Querendo dourar a pílula, as autoridades lançaram mão de vários parâmetros para confundir a opinião pública. Esses fatores realmente existem. Porém, São Pedro e a educação sanitária não são os causadores das enchentes de 8 de setembro e 8 dezembro.

São Pedro não teve mesmo culpa no cartório?

Nas duas inundações deste ano, São Pedro está completamente isento. As duas chuvas [8 de setembro e 8 dezembro] não foram catastróficas, elas foram moderadas. Aliás, sempre que acontece uma enchente dessas, o prefeito, o governador, os secretários aparecem dizendo que São Pedro foi o responsável. Nada deixa a população mais irritada do que essa desculpa esfarrapada.

E o lixo jogado na rua?

Prejudica um pouco, mas não é o principal. É só um fator colocado no debate pelas autoridades para confundir a opinião pública, e esconder os verdadeiros responsáveis.

Então quais as causas principais dessas enchentes?

Uma delas, o assoreamento do Tietê. Assoreamento é o material sólido que vem na corrente líquida do rio: terra, erosão, lixo, entulho de obra. Na cidade de São Paulo, a declividade do Tietê é muito pequena e a velocidade, muito baixa. É como se o rio estivesse quase parado. Todo material sólido deposita-se, então, no fundo do canal, reduzindo a profundidade. Consequentemente, diminui também a capacidade de transporte de água na hora da chuva. É o que acontece com o Tietê. Em vez de ter espaço para passar, por exemplo, 1.000 metros cúbicos por segundo, só “cabem” 500. Os outros 500 transbordam.

Isso acontece também com os afluentes do Tietê?

Pelo contrário. Eles têm declividade forte e velocidade grande de água e não assoreiam. Consequentemente, das cabeceiras até chegar ao Tietê, eles têm facilidade de transporte de material sólido. E como o Tietê tem velocidade muito baixa, esse material se deposita no canal do próprio Tietê.

Sempre foi assim?

O Tietê sempre teve velocidade baixa. Não dá para modificar isso. É a conformação geológica e topográfica do rio.

Anualmente quanto de resíduos o Tietê recebe?

Na cidade de São Paulo, entre a barragem da Penha [Zona Leste] e o Cebolão [Zona Oeste], aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de terra. Se você deixar isso no fundo do rio, a capacidade dele diminui. E o que o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE do governo do Estado de São Paulo, tem feito? O DAEE faz a limpeza, mas tira apenas 400 mil metros cúbicos por ano.

O DAEE tira só um terço.

Deixa, portanto, anualmente uma quantidade muito grande de sedimentos no Tietê, diminuindo capacidade de ele transportar as vazões de enchentes. No dia 8 de setembro, às 16h30m, no Viaduto da Casa Verde, um engenheiro mediu a quantidade de água que passava no rio. Deu 735 metros cúbicos por segundo. Ali, naquele trecho, se o canal do Tietê estivesse limpo, poderia passar mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se o Tietê já transbordou com 735 metros cúbicos é porque estava assoreado.

Se o Tietê não estivesse assoreado, a inundação de setembro não teria havido?

A inundação aconteceu porque o Tietê estava com mais da metade da sua capacidade obstruída por resíduos depositados no fundo do seu canal e que não foram limpos adequadamente pelo governo do estado.

E no dia 8 dezembro?

Nenhum engenheiro foi lá medir. Mas pelas consequências a coisa foi muito semelhante à de 8 de setembro. Se a vazão não foi 735 metros cúbicos por segundo, foi de 835, 800, ou algo parecido. Se não houvesse assoreamento, a cidade não teria inundado. Houve inundação, porque o Tietê estava ainda mais assoreado do que em setembro. As causas que levam às enchentes são principalmente o assoreamento e a má limpeza do rio.

Ou seja, tem de se varrer todo dia o lixo da “casa”(rio). Se acumular, com o tempo a gente não passa mais…

Você tem um rio que deveria ter capacidade de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se ele está sujo, a capacidade dele fica reduzida para 500, por exemplo. Assim, se a quantidade de água devido à chuva for de 700 metros cúbicos por segundo, ele extravasa. Não tem jeito. Encheu porque estava assoreado.

Alargar o Tietê, avançando sobre as marginais, resolveria as enchentes?

Não acho que a solução seja por aí. Outro dia vi uma entrevista de um urbanista, dizendo que a prefeitura precisava tirar as marginais da várzea e colocá-las na encosta. No meu entender, tirar as marginais do lugar é algo totalmente fora de propósito.

E o que fazer?

A calha do Tietê foi projetada há 20 anos. Na época, previa-se que a vazão de 1.000 metros cúbicos por segundo seria adequada para os nossos dias. Dez anos depois de iniciada a obra [levou 20 para ficar pronta], verificou-se que os 1.000 metros cúbicos já não seriam suficientes. Eram necessários 1.400. A urbanização foi muito mais intensa e mais rápida do que o imaginado. Ampliar o tamanho da calha não dá mais. A única forma de fazer com que a vazão voltasse a ser de 1.000 metros cúbicos por segundo é fazer piscinões. Infelizmente, pois são um mal necessário.

Por que infelizmente?

Do ponto de vista hidráulico, os piscinões são perfeitos. Retêm o pico das cheias dos afluentes, diminuindo a quantidade de água que chega ao Tietê. É o único jeito de fazermos com que a vazão do Tietê baixe de 1.400 metros cúbicos por segundo para 1.000. Para isso, o governo do estado de São Paulo, via DAEE, projetou 134 piscinões. Entretanto, nos últimos dez anos, construiu apenas 43.

Um terço…

Pois é. Com isso, não conseguiu baixar a vazão de 1.400 metros cúbicos para 1.000. Ou seja, mesmo que a calha do Tietê estivesse limpa, ela seria insuficiente para uma capacidade de 1.300 metros cúbicos por segundo, por exemplo, que são vazões que ocorrerão daqui para frente, no período chuvoso, que vai principalmente de janeiro a março.

Então até agora não choveu muito mesmo?

As duas enchentes ocorreram com chuvas moderadas. São chuvas do período de estiagem. Ou seja, o pior está por vir.

E como resolver a questão das enchentes a curto prazo?

A calha do Tietê tem duas deficiências importantes e não há como resolvê-las de pronto. Vamos ter de conviver com a insuficiência da calha por muitos anos ainda.

Por quê?

Primeiro: temos de fazer 91 piscinões. Se eles levaram [o governo São Paulo] 10 anos para fazer 43, levarão mais 20 para fazer os que faltam. Segundo: o governo do estado não está disposto a gastar mais do que a limpeza [de resíduos da calha] de 400 mil metros cúbicos por ano, quando são necessários 1,2 milhão. São duas deficiências que precisam ser resolvidas. Ou o governo do estado faz mais piscinões e limpa a calha do Tietê ou vamos ter enchentes frequentemente.

O senhor disse que os piscinões são um mal necessário. Gostaria que me explicasse por quê.

Nós temos um sistema que conduz o esgoto doméstico e outro, as águas pluviais. Chama-se sistema separador absoluto. Porém, há 30 anos, a nossa “magnífica” Sabesp constrói redes coletoras de esgoto que jogam o esgoto diretamente no córrego mais próximo. O córrego é do sistema de drenagem e não do sistema de esgotos. Então, todos os córregos da região metropolitana de São Paulo e o próprio rio Tietê – deste eu nem preciso falar para você – são esgotos a céu aberto. Os esgotos saem da rede, entram nos córregos. Portanto, quando se faz um piscinão num córrego desses, você retém não apenas a água da chuva mas a do esgoto também.

Quer dizer que o piscinão é um “esgotão”?

Na prática, os piscinões são verdadeiros esgotos, sim. Ainda mais quando a água fica parada. Daí, sim, ela decanta, formando um lodo no fundo. É uma situação sanitária extremamente desfavorável. Esse é um dos aspectos pelos quais eu não gosto dos piscinões. Na sequência, eles se tornam um tremendo problema; são foco de proliferação de doenças na cidade.

Ou seja, do ponto de vista de saúde pública o piscinão é péssimo?

Sim. Por isso eu digo que é um mal necessário. Só deve ser feito onde não há outra coisa a fazer. Não façam, pelo amor de Deus, piscinões para resolver alagamentos das cidades da região metropolitana, que são as enchentes das prefeituras. Deixem a água correr normalmente.

A curto prazo, o senhor já disse que não tem solução para o Tietê. Se o governo acelerar hoje a limpeza do rio, o resultado não vai aparecer amanhã. E agora?

Esse trabalho tem de ser iniciado já. O governo do estado tem de passar a tirar 1,2 milhão metros cúbicos de resíduos do Tietê. Precisa colocar mais dinheiro no orçamento do ano que vem, porque essas obras não são feitas em uma semana. E esse trabalho de limpeza tem de ser feito o ano inteiro – de janeiro a dezembro. Ininterruptamente. É tirar, tirar, tirar, para evitar o acúmulo de resíduos no fundo do rio.

E se governo do estado de São Paulo não fizer a limpeza diária como tem de ser feita, nem investir os recursos necessários?

Então que avise a população. Avise-a também que a cidade vai inundar. Quanto aos piscinões, em vez de levar 10 anos para fazer os que 91 que faltam, que faça em 5 anos.

E se o governo disser que não pode?

Pode, sim. É só colocar dinheiro.

Isso implica estabelecer as enchentes como prioridade.

Se é que é uma prioridade… Não me parece. Até agora, o governo de São Paulo não disse a que veio. Na quarta-feira, a Câmara Municipal aprovou o orçamento da Prefeitura. Para 2010, a verba de córregos e galerias para o sistema de drenagem pluvial da cidade foi cortada pela metade. E olha que provavelmente nem o orçamento inicial seria suficiente. Mas não cortaram a verba de publicidade da prefeitura. Com essas atitudes, o recado que deram é o de que enchente não é um problema importante.

Será que a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo estão contando com a ajuda especial de São Pedro nos próximos meses?

Eu não vejo com otimismo a nossa próxima estação chuvosa, não. Janeiro, fevereiro e março são os meses das grandes chuvas. E nós vamos ter situações piores do que as tivemos em setembro e dezembro.

Há quatro anos, quando foi concluído o bilionário rebaixamento da calha do Tietê, se propagandeou que São Paulo não teria mais enchentes. E agora?

Essa informação de que não teríamos mais enchentes em São Paulo era simplesmente uma mentira. Primeiro, a calha não tem a capacidade que deveria ter. Segundo, faltam 91 piscinões. Terceiro, se o governo não se propuser a tirar do fundo do rio a quantidade necessária de resíduos, nós vamos continuar tendo mais enchentes . Portanto, é mentira que não teríamos mais enchentes aqui.

Mas não tem jeito mesmo de se evitar inundação nesses próximos meses em Sâo Paulo?

A não ser que São Pedro se transforme num anjinho e diga: “Não chova mais na região de São Paulo, a não ser umas gotinhas…” Mas isso a gente não pode esperar, concorda?

Por Márcia Silva Postado em Brasil

OEA: juízes têm que desrespeitar a Lei da Anistia

do site conversa afiada

    Publicado em 19/12/2010

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  Pertence, um dos maiores derrotados na OEA. Viva o Brasil !

 
Saiu no Estadão, escondido no sótão da pág. A8:

“Atendimento à corte da OEA requer revogação da Anistia”.

Trata-se de entrevista com o chileno Felipe González, presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos.

A Corte acabou de condenar o Brasil, o Supremo Tribunal Federal, a Procuradoria Geral da República e a Advocacia Geral da União, por causa Lei da Anistia.

O caso em questão são as mortes na guerrilha do Araguaia.

Segundo González, “os juízes brasileiros têm a obrigação de cumprir a decisão da Corte …”

E mais, disse González:

- O Brasil tem que rever a Lei da Anistia.

(Para que não se torne uma nação do tipo “pária”, na comunidade internacional – PHA)

- Por causa de decisão semelhante da Corte, a Argentina e o Uruguai tiveram que rever sua Lei da Anistia.

-  Esse argumentozinho de que a decisão da Corte fere a “soberania da Justiça brasileira” se desfaz com a resposta de González:

“Não é invasão de soberania  porque foi o Brasil que, voluntariamente, assumiu obrigações em nível internacional ao ratificar a Convenção Americana e ao reconhecer a jurisdição da corte em matéria contenciosa. Foi o Brasil que entregou essa faculdade à Corte Americana.”

Deu nisso votar com o Eros Grau e o Nelson Johnbim: cobrir-se de vergonha.

Interessante, amigo navegante: por que será que o PiG (*) e a elite branca (e separatista, no caso de São Paulo) se calam diante da desmoralização internacional do Brasil, depois da decisão da OEA ?

O PiG e a elite, tão sensíveis ao perceber uma diminuição do Brasil diante de critérios de valor metropolitanos, agora se calam, humildemente.

Na questão dos direitos humanos, eles não temem que o Brasil seja um pária, diante das Nações Metropolitanas.

Em matéria de Direitos Humanos, podemos ser, perfeitamente, selvagens e provincianos.

Não nos sentimos diminuídos diante da Inglaterra, da França, da Itália, da Alemanha – e da Argentina, do Chile, do Uruguai …

O Estadão fica indignado com a reconstrução da UNE.

Mas, sobre a impunidade dos violadores do Araguaia – deixa isso pra lá.

O Eros Grau, o Johnbim – esses são o que temos de melhor.

E o Sepúlveda Pertence, que, com raro brilho, defendeu a Lei da Anistia e o perdão aos torturadores na Corte da OEA.

Viva o Brasil !

Clique aqui para ler o artigo de Fábio Comparato, aqui para ler o de Maierovitch, e aqui para ler “O Supremo não é maior do que o Brasil”.

Paulo Henrique Amorim

Por Márcia Silva Postado em Brasil

O que significa a saída de Pochman do IPEA: uma tragédia

do site conversa afiada

    Publicado em 18/12/2010

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Guimarães foi vítima de distonia sistêmica. Ou será sistêmica distonia ?

 
No Estadão, na pág. A6, confirma-se a escolha de Nelson Johnbim – clique aqui para ler o artigo de Maierovitch sobre Johnbim e a bananeira – para a Defesa e de Wellington Moreira Franco para a Secretaria de Assuntos Estratégicos.

Clique aqui para ler o que este ordinário blog disse recentemente sobre este que o Brizola chamava de “gato angorá da ditadura”.

O embaixador Samuel Pinheiro Guimarães sai de um posto em que contribuiu para fazer o que ninguém no Brasil faz, com consistência – com exceção da Chevron e da Embaixada americana – com a ajuda do Ministro Johbim.

Ou seja, pensar o Brasil no longo prazo, por um caminho que inclua os pobres e a soberania seja a base.

A saída de Pinheiro Guimarães significará, provavelmente, a saída de Marcio Pochman.  

Marcio mudou o IPEA.

Estudou o novo perfil demográfico do país – e seus riscos.

A fragilidade de políticas sociais que não mexem com a distribuição da renda de forma significativa.

O Bolsa Família é ótimo.

Mas, a distribuição de renda muda muito pouco.

Pochman preocupa-se com a perda de poder econômico de São Paulo, que se tornou uma economia produtora de bens primários e produtos financeiros – indústrias que não empregam.

Marcio teme que, a longo prazo, esse seja o caminho do próprio Brasil, caso não se altere a relação de força do Real com o Dólar e, portanto, com a moeda chinesa, ao Dólar atrelada.

O Brasil vende comida à China e compra indústria da China.

Já que, segundo Pochman, o Império Chinês se parece muito com o da Inglaterra.

A Inglaterra também não tinha comida.

Comprava comida e pagava com indústria.

Como se sai dessa ?

Basta fazer um “apertinho” fiscal, que os juros caem e o Real se valoriza ?

Pochman não tem certeza.

De qualquer forma, o IPEA de Pochman foi capaz de entender o Brasil do crescimento-com-integração de Lula e estaria pronto para apontar  caminhos numa nova etapa – mais complexa, talvez.

Além de tudo, Pochaman pensou em montar a partir do IPEA uma espécie de “Faculdade” do Serviço Público.

Assim como a Petrobrás faz com seus empregados – e, nisso, gasta R$ 400 milhões por ano.

Quatro vezes mais que o Ministério do Trabalho.

A Receita faz o mesmo com seus fiscais.

E a Policia Federal com seus delegados.

Mas, o Serviço Público não forma quadros técnicos especializados.

E o Brasil de Dilma terá que enfrentar, provavelmente, uma grave escassez de quadros.

Inclusive no Serviço Público.

Samuel Guimarães vai embora.

(Clique aqui para ver a resposta que Guimarães deu a Johnbim, que foi falar mal dele ao Embaixador americano).

Pochman provavelmente voltará à UNICAMP.

E a estratégia do Brasil será entregue a alguém da “cota” do Michel Temer.

A política no Brasil é a arte de engolir o PMDB.

Ou como disse hoje, na pág. 2 da Folha (*), notável colonista (**): “O presidencialismo de coalizão em vigor no Brasil é uma distopia sistêmica”.

“Distopia sistêmica”.

Vai ver que é coisa do Tiririca.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

Por Márcia Silva Postado em Brasil

Entrevista // Tânia Bacelar – precisa e esclarecedora

blog marcelo souza RN

Josué Nogueira
josuenogueira.pe@dabr.com.br

Edição de domingo, 7 de novembro de 2010 

Há uma imagem deformada do Nordeste

A professora Tânia Bacelar nem imaginava. Mas, ao escrever o artigo ´O voto do Nordeste: para além do preconceito`, publicado na revista Nordeste e reproduzido por uma infinidade de blogs Brasil afora, antecipou uma resposta – e que resposta – à velha tese que motivou uma nova onda de ataques aos nascidos na área compreendida entre o Maranhão e a Bahia. O texto rebate com fatos e análises o conceito preconcebido de que os nordestinos são um peso para o país e que Dilma Rousseff (PT) só foi eleita presidente porque os eleitores da região votaram em troca do Bolsa Família. Nesta entrevista, Bacelar, doutora em economia e docente do departamento de Geografia da UFPE, aprofunda sua avaliação sobre os números das eleições no Nordeste. Diz que nos últimos oito anos, a região passou a receber investimentos em áreas estratégicas e que o resultado dessa ´atenção`, é crescimento, movimentação da economia, emprego, oportunidades.

O seu artigo responde à manifestação que ocupou o Twitter na semana passada sugerindo morte aos nordestinos por conta da vitória de Dilma. Como a senhora avalia essa situação?

 

Acho que esse debate reflete que existe um preconceito realmente e que há uma imagem deformada do Nordeste, principalmente no Sudeste e no Sul. Uma imagem de que o Nordeste é uma região de miséria, que é uma carga, como se não tivesse potencialidades. Isso reflete, primeiro, o desconhecimento da história do país. O Nordeste é o lastro econômico, cultural e político do Brasil. Mas num determinado momento dessa história, os investimentos e a dinâmica se concentraram no Sudeste e o Nordeste perdeu o trem da industrialização lá no século 20.

 

 Quais perdas o país pode ter com posturas desse tipo?

A gente pode perder um dos aspectos pelos quais o país é admirado. Quem já viveu no exterior sabe que uma das características que tornam a nossa sociedade admirada lá fora é a capacidade de conviver com a diferença.

 

 Em que áreas estão os potenciais do Nordeste?

O governo federal retomou o crescimento das universidades públicas. Fez quatro universidades na região. Cidades médias, como Petrolina (PE) e Mossoró (RN), não tinham universidades públicas. As pessoas têm potencial para se desenvolver, mas não têm oferta de oportunidade. Acho que a gente deve discutir onde devemos colocar os novos investimentos e o Nordeste já mostrou que pode dar uma resposta positiva com o pouquinho de mudança que já aconteceu nessa década. É errado achar que tudo o que é defesa de São Paulo é defesa do Brasil e tudo o que é defesa de qualquer outro lugar é ´defesinha` regional. São Paulo é muito importante mas não representa o Brasil. O Brasil é muito mais. A gente precisa balizar melhor esse debate sem deixar de reconhecer a importância de São Paulo. Mas não podemos caricaturar os outros de ser peso, de não ter com que contribuir.

 

 O presidente Lula foi corajoso ao mudar o foco dos investimentos?

Lula teve um atributo muito interessante. Perdeu várias eleições, levou muito tempo se preparando para ser presidente do país e fez as tais caravanas. Eu atribuo essa leitura que ele tem do Brasil à chance que ele teve de conhecer profundamente o Brasil inteiro. Isso muda a cabeça.

 

 Quem votou em Dilma aposta na continuidade do governo. Pelos discursos proferidos até agora por ela a senhora acredita que as políticas de investimento no Nordeste serão mantidas?

Tenho me surpreendido positivamente com ela. Por exemplo, o discurso feito no momento em que ela recebeu a notícia que tinha vencido, considero muito bom. Ela começa falando das mulheres, depois assume o compromisso com a eliminação da pobreza extrema. Diz também ter compromisso com os pequenos empreendedores do Brasil e assume isso. Achei muito bonito, depois de falar da erradicação da miséria, ela ter se lembrado dos pequenos empreendedores. O Nordeste está cheio deles.

 

 As oligarquias deram sua contribuição para o enraizamento desse preconceito, não?

Parte da explicação vem das oligarquias. Para as antigas, ainda bem que elasestão morrendo e perdendo eleitoralmente. Os resultados dessa eleição são um novo baque. É importante lembrar que elas não só existem no Nordeste. Santa Catarina é um ´brilho` de oligarquias. No discurso delas não interessava mostrar potencial. Porque elas se locupletavam da miséria. O discurso reproduzia a miséria. Elas ajudaram a criar o preconceito.
Por Márcia Silva Postado em Brasil

Casos recentes de XENOFOBIA no BRASIL

Pessoal,

este vídeo  foi-me enviado por email e repasso pois, embora imagine que todos acompanharam o caso da XENÓFOBA do momento, mostra muito mais postagens contra o povo brasileiro que nasceu e vive no nordeste, um lugar de praias paradisíacas mas com o sertão de seca e fome.

Contudo, lembrando Euclides da Cunha , que abre sua bela obra “Os sertões” com a frase “ O sertanejo é antes de tudo um forte” devemos assistir este vídeo pois isto esta acontecendo em nossa sociedade e temos que apoiar manifestações contra estas atitudes.

Por Márcia Silva Postado em Brasil

Emir Sader: o pós-Lula é Dilma

 Emir Sader

O dilema colocado pelas eleições brasileiras era a definição sobre se o governo Lula seria um parêntese na longa história de dominação das elites no país ou se se constitui numa ponte para sair definitivamente do modelo
herdado e construir um Brasil solidário, justo e soberano.

Triunfou esta via, pelo voto majoritário dos brasileiros, prioritariamente os dos beneficiários das políticas sociais que caracterizam o governo de Lula: os mais pobres, os que vivem nas regiões tradicionalmente mais pobres – o norte e o nordeste do Brasil.

Foi um voto claramente direcionado pela prioridade do social que caracterizou centralmente o governo Lula. No país mais desigual do continente mais desigual, a maior transformação que o Brasil viveu nestes oito anos foi a diminuição da desigualdade, da injustiça, como resultado das políticas sociais do governo. Nunca havia acontecido, seja em democracia ou em ditadura, em ciclos expansivos ou recessivos da economia. Aconteceu agora, de forma contundente, transferindo para o centro da pirâmide de grupos na distribuição de renda, a maioria dos brasileiros.

Esse foi o fator decisivo para que, mesmo tendo praticamente toda a imprensa, em bloco, militantemente, contra seu governo e sua candidata, Lula e Dilma saíram vencedores.

A oposição, derrotada na comparação dos dois governos, buscou um atalho para chegar por outra via aos setores da população: a questão do aborto, valendo-se dos preconceitos reinantes e da ação de religiosos.

Conseguiram um sucesso efêmero, que levou a eleição para o segundo turno, mas, uma vez que a política voltou ao centro da campanha, a comparação entre os dois governos e a condenação das privatizações levaram à vitória da Dilma.

Que representa não apenas a eleição da primeira mulher presidente da República, mas também de uma militante da resistência contra a ditadura, presa e torturada pelo regime militar. Que representa o primeiro presidente que consegue eleger seu sucessor.

Depois da reeleição de Evo Morales e de Pepe Mujica sucedendo a Tabaré Vazquez, o Brasil se soma ao grupo de países que reafirmam o caminho da integração regional e não do TLC com os EUA, da prioridade das políticas sociais em relação ao ajuste fiscal, com Dilma sucedendo a Lula.

O povo brasileiro decidiu, em meio a fortes pressões do monopólio privado da mídia e de forças obscurantistas, que o pós-Lula terá na Presidência do Brasil aquela que Lula escolheu para sucedê-lo, para continuar e aprofundar as transformações que tem feito o Brasil ser um país mais justo, solidário e soberano.

Por Márcia Silva Postado em Brasil

VIVA DILMA !! NOSSA PRESIDENTE DO BRASIL

UM BRINDE A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS QUE ACREDITAM NA DEMOCRACIA E JUNTOS LUTARAM PELA VITÓRIA DE DILMA ROUSEFF, A PRIMEIRA MULHER PRESIDENTE DO BRASIL.

UMA VITÓRIA NÃO APENAS DAS MULHERES , QUE TEM AGORA UMA REPRESENTANTE NO CARGO ELETIVO MAIS ELEVADO QUE O PROCESSO DEMOCRÁTICO  PERMITE, MAS UMA VITÓRIA PRINCIPALMENTE CONTRA O ATRASO DA IDEOLOGIA NEOLIBERAL.

DILMA REPRESENTA A CONTINUAÇÃO DE UM GOVERNO QUE SE INICIOU HÁ OITO ANOS COM LULA E TIROU NOSSO PAÍS DO ATRASO ECONOMICO, INICIOU UMA REDISTRIBUIÇÃO DE RENDA (EMBORA TÍMIDA, MAS QUE NUNCA EM NOSSA HISTÓRIA HAVIA SIDO FEITA).

ESTA VITÓRIA SINALIZA QUE CONTINUAREMOS NOSSA POLÍTICA EXTERNA EXITOSA, ONDE O BRASIL PASSOU A SER RESPEITADO E VALORIZADO PELO SEU POTENCIAL REAL DE PAÍS QUE SAIRÁ DA CONDIÇÃO DE EMERGENTE PARA SER UM PAÍS ONDE SUA FORÇA PRODUTIVA TERÁ MAIS VALOR POIS TEMOS CONDIÇÕES OBJETIVAS E SUBJETIVAS PARA ISTO.

O POVO BRASILEIRO QUER EDUCAÇÃO, TRABALHO , CIDADANIA PLENA E PARA TODOS E TODAS, CHEGA DE ‘ESTADANIA” DE “CIDADANIA REGULADA”, QUEREMOS IGUALDADE DE CONDIÇÕES, DE OPORTUNIDADE, QUEREMOS UM BRASIL PARA TODOS E TODAS.

VIVA O POVO BRASILEIRO !!

VIVA O BRASIL!!

Por Márcia Silva Postado em Brasil

Dilma Rousseff vota em Porto Alegre

do site do G1

 Ela estava acompanhada do governador eleito do RS, Tarso Genro.
A petista demorou cerca de 10 segundos para realizar o voto.

 A candidata do PT à Presidência da República,Dilma Rousseff, vota em Porto Alegre.

 

(Foto:Jefferson Bernardes/ AFP)

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, votou na manhã deste domingo (31), em Porto Alegre. Ela estava acompanhada de Tarso Genro (PT), governador eleito do estado.

Em seguida ela foi para a casa da filha, que fica a poucos metros do local de votação. A petista também esteve na casa do ex-marido, Carlos Araújo, com a filha, o genro e o neto. Por volta das 14h, ela embarcou para Brasília junto com Tarso.

Dilma chegou à escola Escola Estadual Santos Dumont, no bairro Assunção, zona sul de Porto Alegre, para realizar seu voto por volta das 9h08. Ela e o governador eleito Tarso Genro votam na mesma seção. Os dois demoraram cerca de 10 segundos para concluir o voto.

Mais cedo, a petista participou de um café da manhã em um hotel no centro da cidade, junto a cerca de 200 lideranças políticas do estado.

“É exigido que as pessoas que assumam a direção do país tenham sentido republicano e compromisso democrático de governar para todos. Agora, a minha coligação que me trouxe até aqui é a coligação com a qual vou governar. Eu vou governar para todos, conversar com todos os brasileiros, sem exceção. Se Deus quiser e o povo brasileiro me der seu voto”, disse a petista ao chegar no hotel

Ibope e Datafolha divulgam última pesquisa presidencial do 2º turno

do site do G1

No Ibope, Dilma obtém 56% dos votos válidos, e Serra, 44%.

No Datafolha, petista registra 55%, e tucano, 45%.

Os institutos Ibope e Datafolha divulgaram neste sábado (30) as últimas pesquisas de intenção de voto para a disputa presidencial antes da votação deste domingo (31).

A margem de erro das duas pesquisas é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Veja a seguir os resultados:


IBOPE
Foram realizadas 3.010 entrevistas neste sábado (30/10). O número de registro no TSE é 37.917/2010. O levantamento foi encomendado pela TV Globo e pelo jornal “O Estado de S. Paulo” – veja mais detalhes da pesquisa Ibope.

Votos válidos (excluindo brancos, nulos e indecisos)
Dilma Rousseff (PT): 56%
José Serra (PSDB): 44%