Novo decreto impede divisão da Bolívia, afirma vice-presidente

do site prensa latina

viernes, 22 de mayo de 2009
(Prensa Latina)

bolivia

O decreto supremo que permite apreender bens de cidadãos e empresas vinculadas a atos terroristas é uma advertência para que ninguém sonhe dividir a Bolívia, afirmou o vice-presidente do estado plurinacional, Álvaro García.

Em alusão a um grupo de extremistas neutralizado em abril passado em Santa Cruz, García precisou que se seus financiadores são três, quatro, cinco ou seis pessoas a quem está dirigida essa medida.

A promulgação, precisou, senta um precedente histórico, para que ninguém mais se atreva a dividir o país, nem possa sonhar, em seu pior pesadelo, atentar contra a integridade da Pátria, ressaltou.

Disse que há alguns políticos a quem este decreto lhes preocupava, porque certamente, direta ou indiretamente, estão envolvidos nesse plano nefasto.

O Decreto Supremo 0138 referido ao confisco de bens de pessoas vinculadas ao terrorismo, será estreado com os empresários Hugo Achá e Alejandro Melgar, investigados pelo Ministério Público como supostos financistas da célula terrorista, mas que se encontram fora do país.

Ontem, a comissão de promotor que investiga o caso, questionou também que a oposição procura mecanismos legais para evitar a aplicação dessa norma aprovada pelo presidente Evo Morales. O magistrado Marcelo Sosa explicou que com o confisco formal poderia determinar as medidas cautelares sobre o patrimônio.

Também confirmou que todas as pessoas nomeadas na investigação serão citadas, como ocorreu com a empresária crucenha Katherine Rabczuk e o gerente da empresa de segurança Arias, Eduardo Guilarte.

Em 16 de abril último, no hotel crucenho Las Américas, uma operação policial abateu o boliviano-croata Eduardo Rózsa, líder do grupo; o irlandês Michael Dwyer e o húngaro Árpád Magyarosi.

Na ação foram presos o boliviano-croata Mario Tadic e ao romeno-húngaro ElÃd Tóásó.

Modificado el ( viernes, 22 de mayo de 2009 )

Evo Morales confirma disposição de receber observadores estrangeiros

do portal vermelho

O presidente boliviano, Evo Morales, confirmou sua disposição de receber observadores internacionais no processo de implementação da nova Constituição, condicionamento proposto por opositores.

Não temos nada que esconder, pode vir a ONU ou a Organização dos Estados Americanos, afirmou na cochabambina localidade de San Benito, onde participou na tradicional Feira do Durazno.

De acordo com o presidente, o governo boliviano tem a prioridade de pôr em prática o texto constitucional, o que realizará de maneira transparente.

A oposição tem fracassado em suas tentativas de derrocar ao Movimento ao Socialismo (MAS), e agora tenta os observadores, afirmou.

Morales reiterou assim suas declarações da passada sexta-feira, quando respondeu a demandas do governador de Santa Cruz, Rubén Costas.

Depois de recusar em par de ocasiões a convocação ao diálogo lançada pelo Poder Executivo, a autoridade departamental disse estar disposto ao debate se o mesmo é observado por estrangeiros.

Nos últimos dias, o chefe de Estado, o vicepresidente da República, Álvaro García, e o ministro de Autonomias, Carlos Romero, insistiu na necessidade de buscar o consenso nacional para implantar a nova Lei de leis.

Além de Costas, descartam a aproximação os também opositores governadores de Beni, Ernesto Suárez, de Chuquisaca, Savina Cuellar, e de Tarija, Mario Cossío.

Morales aproveitou sua estadia em San Benito para agradecer o apoio recebido dos residentes em Cochabamba, um dos bastiões de seu governo.

O líder do MAS também participou em atividades do carnaval organizadas em La Paz e em Oruro.

Fonte: Prensa Latina

Por Márcia Silva Postado em Bolívia

Reeleições boas e ruins

do site www.correiocidadania.com.br

por Atilio A. Boron

O expressivo triunfo de Evo Morales, o terceiro consecutivo desde 2005, dificilmente servirá para calar as críticas de quem viu neste referendo constitucional apenas um estratagema do líder boliviano para se perpetuar no poder. Omite-se a densa articulação da nova Constituição boliviana que, em seus 411 artigos, estabelece um marco normativo protetor das grandes maiorias populares, por séculos oprimidas pelos distintos governos locais, ao passo que reafirma os direitos dos povos indígenas, garante o controle público sobre os principais recursos naturais e aperfeiçoa a qualidade das instituições republicanas.

Apesar dos cerca de 350 observadores internacionais, de organismos como a OEA, a Unasul, a União Européia e o Centro Carter terem declarado que as eleições se desenvolveram de maneira irretocável, o líder da direita fascista de Santa Cruz, Branco Marinkovic, manifestou sua impotência lançando uma ridícula acusação de fraude, preparando o terreno para uma nova ofensiva insidiosa contra a nova Constituição.

Uma das críticas mais recorrentes, escutada também nos dias que rondaram a proposta de emenda à Constituição da República Bolivariana da Venezuela permitindo a reeleição indefinida do presidente Hugo Chávez, é que tal cláusula revela uma vocação totalitária que deve ser rechaçada a qualquer custo.

A secretária de Estado de George W. Bush, Condolezza Rice, não se cansou de aventar essa tese, repetida depois ad nauseam pelos principais meios de imprensa, jornalistas e analistas ‘independentes’ da América Latina. Não se conhecem ainda comentários de sua sucessora, Hillary Clinton, mas, a julgar pelas suas muitas infelizes declarações na sua audiência de confirmação diante do senado dos EUA, não seria de se estranhar que nos próximos dias aparecesse um comunicado oficial deplorando o que seria visto como uma sinuosa manobra de Evo Morales para se eternizar no Palácio Quemado.

Em vista disso, convém recordar que a reeleição indefinida é uma norma na maioria dos países europeus: foi por isso que Helmut Kohl pôde ser chanceler primeiro da República Federal da Alemanha e depois da Alemanha unificada durante 16 anos, de 1982 a 1998, sem que em nenhum momento a opinião ‘bem-pensante’ e a imprensa ‘independente’ (muito menos o Departamento de Estado) esperneassem diante de tão prolongado monopólio do poder político. E poderia ter seguido no timão da chancelaria; só não o fez por conta do estouro de um escândalo que o obrigou a renunciar.

Na Espanha, o principal lobista mundial das transnacionais espanholas e sentinela agitador dos valores democráticos, Felipe Gonzalez, foi primeiro-ministro de 1982 a 1996, num total de 14 anos, sem despertar preocupação alguma na Casa Branca e nos governos “democráticos” dos países desenvolvidos.

No Reino Unido, Margaret Thatcher foi primeira-ministra durante 11 anos. Nada a impedia de seguir no poder, mas sua coalizão perdeu peso eleitoral e teve de renunciar. Há vários casos similares na Europa. A França, sem ir mais longe, autoriza uma reeleição presidencial para mandatos de sete anos cada. Todos os últimos presidentes franceses duraram 14 anos no poder.

Mais interessante ainda é o silêncio de Washington diante da dilatada permanência no poder de uma série de mandatários amigos, aliados incondicionais do império. No Egito, o atual presidente Mohamed Hosni Mubarak exerce o cargo desde outubro de 1981, o que não o impede de receber toda sorte de elogios pela “estabilidade política” conquistada neste país e generosos apoios financeiros e militares por parte da Casa Branca. Total: 28 anos ininterruptos no poder.

Em Camarões, o presidente Paul Byia governa com superpoderes desde 1982, ou 27 anos. No pequeno enclave petroleiro do Gabão, outro aliado dos EUA, o presidente Omar Bongo Ondimba preserva a ordem com mão de ferro desde 1967, isto é, 42 anos. Em Angola, o governo pró-americano de José E. dos Santos encontra-se no poder desde 1979, 30 anos. Por fim, um dos aliados fundamentais dos EUA, a Arábia Saudita, é um país no qual impera o mais primitivo e brutal despotismo: ali vige uma monarquia hereditária que jamais convocou eleições de nenhum tipo, nem sequer para o legislativo, cujos membros são designados a dedo pelo rei Abdallah entre seu séquito de familiares e preferidos.

Jamais o Departamento de Estado norte-americano disse alguma palavra acerca das ameaças que a perpetuação de tais regimes significa para o futuro da democracia no mundo.

O problema são casos como os de Fidel, Evo e Chávez, não esses outros. Se são úteis aos interesses de Washington poderão permanecer no poder pelo tempo que quiserem e, além do mais, ser respaldados de todas as formas imagináveis. Mas caso se rebelem contra o império são denunciados como déspotas ou tiranos. Enfim, amigos são os amigos.

Atílio Boron é doutor em Ciência Política da Universidade de Harvard e professor titular de Teoria Política na UBA (Universidade de Buenos Aires). É autor do livro “Império e Imperialismo. Uma leitura crítica de Michael Hardt e Antonio Negri”, publicado pela editora CLACSO em 2002.

Trazido por Gabriel Brito, jornalista.

Por Márcia Silva Postado em Bolívia

Bolívia: pesquisas indicam vitória do ‘sim’ no referendo constitucional

do portal vermelho

25 DE JANEIRO DE 2009 – 21h38

 Os bolivianos aprovaram neste domingo (25) o referendo da nova Constituição, segundo todas as pesquisas de boca de urna realizadas pelos canais de televisão do país.

 
Evo recebe o apoio popular antes de votar

As pesquisas das redes PAT, Unitel e Red Uno deram que entre 60% e 61% dos votantes respaldaram a implantação da nova Carta Magna, enquanto o “não” conseguiu em torno de 40% dos votos.
Já a pesquisa da rede ATB também deu vitória ao “sim”, mas com uma margem muito mais apertada – 50,6% contra 49,4% do “não”.
As mesas de votação do referendo boliviano começaram a encerrar suas atividades às 16h (18h em Brasília), dando início imediato à contagem dos votos. O processo eleitoral foi concluído após oito horas ininterruptas de funcionamento.
Os bolivianos votaram em um documento de 411 artigos que propunha um país plurinacional, voltado à integração indígena, autônomo e de economia “de estatismo”, mas a oposição afirma que a Carta Magna concede privilégios a grupos étnicos em detrimento dos mestiços e que não contém uma descentralização verdadeira.
Na consulta para definir se um latifúndio ocioso pode ser considerado passível de expropriação pelo Estado, a vitória foi para a proposta que indicava uma superfície de cinco mil hectares, frente à de dez mil hectares, segundo as emissoras de televisão.
Calmaria
Segundo o ministro de Governo do país, Alfredo Rada, a votação transcorreu sem problemas, salvo pequenos incidentes devido a infrações eleitorais. Um total de 3,89 milhões de pessoas estavam habilitadas para votar no referendo.
Horas antes do final da votação, a OEA (Organização dos Estados Americanos) destacou o “clima de tranqüilidade e respeito” e a ausência de irregularidades no referendo.
Em entrevista coletiva, o chefe da delegação de observadores da OEA, o uruguaio Raúl Lago, pediu aos bolivianos que mantivessem “o ambiente de paz que impera em todo o país” para que os votos possam “ser emitidos individual, livremente e de forma secreta”.
Oposição, como sempre, contesta vontade popular
Porém, a oposição – concentrada principalmente no Departamento (Estado) de Santa Cruz – disse que há indícios de fraude no referendo.

De acordo com o líder do partido opositor Podemos (Poder Democrático Social), Jorge Quiroga, “não se trata de um processo eleitoral seguro”. “Existem falhas evidentes, como falta de controle da identidade dos que estão votando”, disse.

Evo Morales tratou com desdém as reclamações da oposição, qualificando estas acusações de “agonia dos derrotados”. Para o presidente, os opositores sabem que a diferença a favor do “sim” à nova Constituição será “enorme” e, por isso, tentam gerar dúvidas sobre a transparência do processo. “É o instrumento de agonia das pessoas derrotadas”, ressaltou o líder boliviano.
Da redação, com agências