Se me saísse a loteria….

Título passado para o português falado no Brasil

do blog cheira-me a revolução

Foi durante um jantar. Alguém se pôs a sonhar alto com o que faria caso ganhasse a Lotaria ou o Euromilhões. Casa, carro, férias, trabalhar menos, oferecer uma dentadura à mãe… E quando chegou a vez de um comunista dizer o que faria a tanto dinheiro, alguém diz

Ahhh!, tu não podes [ser rico], és comunista.

É tão frequente, que tenho uma frase pronta para responder em situações semelhantes. Respondi algo como isto:

Nós, comunistas, nada temos contra o ser-se rico, mas antes, com a forma como se fica rico: se por via da exploração de outra pessoa, ou se por via do próprio trabalho.

E, para que fique claro e rasgue com o preconceito, declaro

Adoraria ser rico.

A surpresa levanta a curiosidade, e lá tento explicar-me, dizendo entre muitas outras coisas que a separação mais importante não é entre pobres e ricos, mas entre explorados e exploradores. Mas assim que se usa o termo exploração surge um novo desafio.  É comum pensar-se que a exploração é um conceito meramente subjectivo, isto é, que se é ou não explorado caso se ache bem ou mal remunerado (!). Tinha que me fazer compreender melhor…

Entretanto, a televisão falava da guerra – a desgraça continua – mas o que capta a atenção dos presentes é o jantar estar insonso. Tento explicar aos mais curiosos de onde provem então a exploração (e que afinal de contas a exploração é algo objectivo, isto é, que existe para além de nós).

Não deu para explicar. Afinal, o jantar estava insonso. Isso tornou-se o mais importante. Mas, mais tarde, quase todos os presentes revelaram sentir que não eram remunerados devidamente. Era isso que lhes tinha tentado dizer, mas por outras palavras. Ali, naquele jantar, todos pertencíamos aos explorados, quer soubéssemos ou não disso.

Neste mundo, a exploração está sempre ai, quer se tenha consciência ou não dela. Quer alguma vez se tenha ouvido falar em conceitos de economia como Mais-Valia, ou não. E era este o conceito que queria ter chegado a mostrar. Fica para uma próxima, quando estiverem mais interessados nisto:

Era só pôr sal.

# por Bruno (do colectivo Leitura Capital)

As decisões do encontro dos blogueiros

do blog do miro

Reproduzo reportagem de Anselmo Massad e Ricardo Negrão, publicada na Rede Brasil Atual:

Cerca de 300 autores de blogs reunidos na capital paulista neste domingo (22), segundo dia do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, na capital paulista, aprovaram uma carta de princípios.

O texto defende a liberdade de expressão, especialmente na internet, democratização da comunicação e a universalização da banda larga no Brasil (acesse link para íntegra da Carta dos Blogueiros Progressistas, no quadro abaixo). O documento encerra o 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas.

Os trabalhos foram organizados por Altamiro Borges, do Centro de Estudos Barão de Itararé, e tomaram cerca de duas horas e meia. Propostas elencadas na manhã do domingo por grupos de trabalho foram apresentadas e aprovadas na plenária.

Também foi deliberada a realização de um segundo encontro, em data e local ainda a definir, além de eventos locais e regionais e aprovadas moções de apoio e de solidariedade a jornalistas e comunicadores.

Uma das primeiras polêmicas entre os ativistas esteve relacionada ao próprio nome do evento. Enquanto alguns participantes defendiam outras opções de adjetivos aos blogueiros, ficou definida a manutenção do termo “progressistas”.

“O que seremos depende menos do nome e mais de nossa conduta daqui para frente”, resumiu Conceição Lemes, do Viomundo. A resolução teve apoio da maioria da plenária.

Preocupações em definir o movimento como suprapartidário e desvinculado de lideranças e correntes políticas específicas, em sublinhar a posição contrária à censura e em garantir o apoio à neutralidade da internet foram incorporadas à redação final.

O texto foi divulgado na tarde deste domingo. Há ainda apoio a regulamentação dos artigos da Constituição Federal que tratam dos meios de comunicação no país e de incentivo a estruturas de financiamento para produtores autônomos.

Luiz Carlos Azenha: O Encontro de Blogueiros

do site Barão de Itararé

Luiz Carlos Azenha: O Encontro de Blogueiros
A blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que concordem absolutamente sobre um único tema. Quem imagina que os 200 blogueiros já inscritos ao Encontro vão se submeter a algum tipo de controle decididamente não conhece a blogosfera.  

  A nossa é uma organização declaradamente mambembe. Nossa sede provisória é o Sujinho, restaurante na Consolação, em São Paulo. Quando decidimos vender cotas de patrocínio, com o objetivo de bancar parcialmente a hospedagem, os descontos em passagens e outros pequenos gastos do evento, cada um foi atrás dos contatos que tinha à mão.

Até agora tem sido um esforço abertamente colaborativo, bem com a cara da rede: cada um ajuda do jeito que pode. Nada teria sido possível sem a capacidade do Altamiro Borges de agregar pessoas tão diversas e a tenacidade da Conceição Lemes, a nos cobrar prazos e tarefas.

Escrevo em meu nome e é importante que isso fique claro: a blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que concordem absolutamente sobre um único tema. Por isso, quem imagina que os 200 blogueiros já inscritos vão se submeter a algum tipo de controle, de comando centralizado ou de “ordens superiores” decididamente não conhece a blogosfera.

Como um dos idealizadores do encontro, digo que defendemos mais democracia (não menos) e mais mídia (nunca menos).

Acho importante que os blogueiros se conheçam pessoalmente, para trocar telefones, e-mails, ideias e experiências.

Acho importante que se discuta a viabilidade comercial da blogosfera, que será tema de uma das mesas (no encontro, pretendo propor que se forme um consórcio de blogs para vender “páginas vistas” conjuntamente às agências).

Acho importante que aqueles que sabem como fazê-lo ajudem os demais a aumentar a audìência de seus espaços, a aproveitar melhor as redes sociais, a fazer vídeos (temas que serão tratados de forma específica).

Acho importante que a gente debata as ameaças já existentes à blogosfera (como a possibilidade de que sejam criados “pedágios” na rede, privilegiando certos conteúdos em detrimento de outros).

Não é muito, mas já é alguma coisa.

(Vi o Mundo)