Cebrapaz debate violação dos Direitos Internacionais

Prestigiada por diversas personalidades internacionais, a conferência A
Integração Latino Americano: a importância da cultura da paz num mundo
militarizado, organizada pelo Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz)
ocorre nesta sexta (17) e sábado (18) em São Paulo.

Reprodução

cebrapazO evento terá como temas: Fortalecer a cultura da paz em um mundo
militarizado; Ameaças à Paz no Atlântico Sul (4ª Frota e OTAN); Investidas do
Imperialismo na América Latina; e Luta dos Povos em Defesa da Soberania e da
Paz.

O objetivo desta conferência é debater os desafios da luta
pela paz, “para aprofundar e ter mais elementos para fortalecer e qualificar
essa luta”, explica Socorro Gomes, presidente do Cebrapaz.

Socorro
apresenta exemplos de agressões os quais considera gravíssimos, que segundo ela
têm se intensificado, como os ataques a países no norte da África. “Libia,
Síria, Irã, uma guerra que se extende no Paquistão, além de agressões na
península coreana”, lista a presidente.

Para o Cebrapaz, um obstáculo
importante à paz é a cultura guerreira reforçada pelas potências imperialistas:
“a maior potência bélica, que são os Estados Unidos, tem uma política
imperialista, neocolonialista, com um arsenal de guerra monstruoso, cujo poder
de ataque aumenta com a nova configuração da OTAN. Esses ataques ocorrem a todo
momento onde quer os interesses das potências sejam colocados em cheque, ou
mesmo por interesse de saquear as riquezas de outras nações. Isso representa
inúmeras violações dos Direitos Internacionais, dos principios mais importantes
da Organização das Nações Unidas, da razão de ser da ONU, que é
a autodeterminação e soberania das nações, a igualdade entre países e povos e o
diálogo para dirimir conflitos”.

Para ela, o papel fundamental da
conferência é o fortalecimento da luta pela paz.

O público-alvo são
militantes de organizações sociais, estudantes, acadêmicos, professores, “todas
as pessoas que lutam por uma nova ordem internacional, contra a guerra, pela
paz”, define Socorro.

Além da mobilização que ocorre no Brasil,
participará da conferência uma delegação do Vietnã. Nas mesas de debate,
haverá ainda representantes de países latinos, árabes e asiáticos, que debaterão
as ações desenvolvidas em prol de uma cultura da paz.

As inscrições podem
ser feitas neste
link
. Mais informações podem ser obtidas por meio do endereço eletrônico
cebrapaz@uol.com.br ou pelo telefone (11) 3223-3469.

Confira a
programação da Conferência:

17/06 – Sexta-feira
19h
- Mesa de Abertura – Fortalecer a cultura da paz em um mundo
militarizado
Palestrantes:
Socorro Gomes – Cebrapaz
Carlos Rafael
Zamora Rodriguez – Embaixador de Cuba
Maximilien Arvelaiz – Embaixador da
Venezuela
Duong Nguyen Tuong – Embaixador do Vietnã
Mediador: Denis Veiga
Jr

18/06 – Sábado
9h – Mesa 1 – Ameaças à Paz no
Atlântico Sul-4ª. Frota e OTAN
Palestrantes:
Rina Bertaccini -
Argentina
Guillermo Borneu – Peru
Prof. Igor Fuser – Brasil
Mediador:
Rubens Diniz

11h30 – Mesa 2 – Atual política dos EUA para América Latina
e Caribe
Palestrantes:
Enrique Daza – Colômbia
Bertha Oliva -
Honduras
Guillermo De La Paz Velez – Porto Rico
Ricardo Abreu -
Brasil
Mediador: Ronaldo Carmona

15h – Mesa 3 – Luta dos povos contra
as agressões
Palestrantes:
José Ramón – Cuba
J.K. Suleiman Rashid -
Palestina
Majd Al Shara – Síria
José Reinaldo Carvalho -

Brasil
Mediador: Alexandre Braga

18h – Coquetel de
encerramento

Da redação, Luana Bonone

Feministas condenam construção de nova base militar estadunidense

do site adital

19.07.10 – HONDURAS  
 
 
Natasha Pitts *
Honduras deve construir, em breve, mais uma base militar com a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado. O projeto, que tem o apoio dos Estados Unidos, está causando o descontentamento de organizações sociais do país por considerarem que a atitude do governo hondurenho dá máxima abertura para que os EUA manipulem e ocupem o território como se fosse parte de seu país.Atualmente, Honduras já tem uma base militar instalada em Laguna de Caratasca, no departamento de Gracias a Dios, onde realiza operações conjuntas com o exército dos Estados Unidos. A próxima base militar será instalada na ilha de Guanaja. Com mais este projeto de ocupação, Honduras deverá exercer o controle em uma parte do Caribe. Ainda não há informações sobre os custos do projeto.

 O argumento utilizado pelo governo, de que a iniciativa visa combater o narcotráfico, é questionada. As integrantes do Movimento de Mulheres pela Paz “Visitación Padilla” condenaram a atitude entreguista do governo golpista de Porfirio Lobo. Segundo elas, a expansão da atuação dos EUA em Honduras nada mais é do que uma boa oportunidade para ocupar e manipular este território.

 ”Dolorosamente vivemos a invasão descarada dos ianques que sem autorização legal, e sem consulta a nosso povo voltam a converter-nos em seu “pátio traseiro” como nos chamou Ronald Reagan nos anos 80, evidenciando a América Central como um flanco que não podem deixar à deriva na guerra que já se anuncia e que caminha aceleradamente”, assinalam as feministas em comunicado.

As integrantes da “Visitación Padilla” asseguram que a dominação, submissão e o desrespeito à dignidade dos povos são condutas estadunidenses que nunca serão esquecidas. Da mesma forma, não será esquecido que a farsa do golpe de Estado militar foi uma ação necessária dentro da estratégia estadunidense para abrir o caminho à instalação das duas bases militares.

Ocupação militar

Não é apenas em Honduras que o exército estadunidense está estabelecido com a justificativa de combater o narcotráfico e o crime organizado. Hoje, a Colômbia, país com os mais elevados índices de narcotráfico, é um dos grandes aliados dos EUA e sedia sete bases militares. Por influência e, a mando dos EUA, a Colômbia desenvolve uma constante perseguição e assédio à Venezuela.

O Panamá também sofre processo de militarização. Segundo denúncia do Honduras Libre, há registros de militares estadunidenses infiltrados de modo clandestino no país. O presidente, Ricardo Martinelli, cujo irmão tem ligações com o narcotráfico, nega a presença dos EUA em seu país.

Mais recentemente, o território costa-riquenho também foi entregue aos cuidados do exército dos EUA para o combate ao narcotráfico. Em dois de julho, a presidente Laura Chinchilla deu carta branca para a entrada de 46 navios da Armada, 200 helicópteros e mais de 13 mil soldados e civis estadunidenses que permanecerão, supostamente, por apenas um ano na região.

Segundo Honduras Libre, o México poderá ser o próximo da lista. O país vive uma séria crise desatada pelo narcotráfico. Assim, o cenário de caos “poderia ser aproveitado pelos Estados Unidos para tentar militarizar seu vizinho do sul, usando como desculpa ‘a luta contra o narcotráfico’”.

* Jornalista da Adital