Como fiquei contente ao ler uma matéria do bar do Pavão, vizinhos da minha mãe, a Olívia e onde sempre posso pegar um refrigerante e colocar na conta, coisas que ainda persistem em existir na Tijuca.
Minha mãe é bem citada na matéria, aliás é uma árdua defensora da permanência das mesas na calçada e inclusive em frente a sua casa, não se incomoda nem quando há roda de samba por lá, o que ela quer é ver movimento de pessoas felizes, compartilho integralmente com ela sobre isto .
O bar do Pavão, sem dúvida, é um dos poucos que tem um ambiente gostoso a qualquer hora do dia. Pela manhã, a presença de crianças que saem e chegam à pracinha é mais marcante , a tarde, senhoras sentam a sombra para saborearem os salgados deliciosos, e as sobremesas diferentes. A noite, famílias inteiras se reunem para os diversos petiscos. E chega o sábado onde temos que saborear a famosa feijoada , já o domingo e conhecido pelo cozido a moda do Pavão. O casal Pavão e Jô estão todos os dias presentes e sempre prontos a agradar seus clientes.
É sem dúvida um lugar impar que merece ser visitado e a calçada preenchida cada vez mais com gente feliz.
segue a matéria do blog a baixo que conheci hoje e gostei, e não é só porque tem fotos da minha mãe rs rs rs.
abraços
blog Sambas ,boemia e vagabundos

Prometi lhes contar e tentarei, embora torcendo para que as palavras não estraguem o que foi uma baita de uma tarde – a de ontem. Em resumo: chope perfeito, companhias especiais, cozido antológico, papo leve e bem-humorado – pontuando o que foram algumas horas de brinde(s) à cidade, à vida, à amizade.
Atendendo a um irrecusável convite do meu xará Eduardo Goldenberg – feito na véspera, quando eu me entupia de carne numa churrascaria, na companhia de amigos da vida toda -, passava um pouco das 11h30 quando me sentei no Bar do Pavão, à esquina da Praça Xavier de Brito. Quarenta minutos e três chopes depois, chegam Edu, Simas e Candinha, grandes e adoráveis figuras que me recebiam, peito aberto, na Tijuca deles. Depois, os pais do xará deram um toque ainda mais familiar ao troço todo, que foi até ali pelas cinco da tarde.
A cada sopro mais forte de vento – que tarde, que tarde! -, o Simas exaltava a brisa da Floresta da Tijuca, ao que o Edu exultava:
.
- São os Alpes, estamos nos Alpes!
Tivemos ainda as presenças de Diego Moreira, Léo Boechat (ambos eu só conhecia do blog do bardo tijucano), Renata e a pequena Helena, esta um show de simpatia que fazia o padrinho Edu babar a cada dez segundos. E, para coroar esse colorido humano de uma tarde perfeita de domingo num Rio que não sucumbe, a simpatia da Dona Jô, no caixa; do Pavão, atrás do balcão; e, especialmente, da Dona Olívia, a vizinha de porta do bar que é uma aula viva de cidadania e amor ao seu bairro – e, por extensão, é óbvio!, à sua gente e à sua cidade.
Vejam o que é esta gigante. Na contramão dos imbecis que pregam supostas “ordem e limpeza”, ela, contou-me o Edu, insistiu com o Pavão (azucrinou o pobre homem!) para que, sim, colocasse mesas, cadeiras e grandes sombreiros na calçada do bar, calçada esta que se estende à sua porta. O choque que ela quer é de gente, de barulho, de alegria. Beleza pura, a Dona Olívia!
Não pretendia documentar nada. Mas, graças a alguma força, fui tirando fotos. Aqui estão elas, para prestar uma singela homenagem a essa gente que não aceita a canalhice que estupra as nossas tradições; que cotidianamente diz NÃO à uniformização da vida, numa cidade desde sempre (re)conhecida por despadronizar “a porra toda”, como diria o meu grande amigo Delfim.
.
Enfim, gente que – e um dia chego lá -, apesar dos pesares que nos cercam, é de ver e dar valor aos simples prazeres nossos de cada dia – como uma bela tarde de domingo, entre amigos (novos ou velhos, tanto faz), goles de chope, nacos de carne, calçada ocupada, Rio de Janeiro.


Pavão


Por Eduardo Carvalho