Se me saísse a loteria….

Título passado para o português falado no Brasil

do blog cheira-me a revolução

Foi durante um jantar. Alguém se pôs a sonhar alto com o que faria caso ganhasse a Lotaria ou o Euromilhões. Casa, carro, férias, trabalhar menos, oferecer uma dentadura à mãe… E quando chegou a vez de um comunista dizer o que faria a tanto dinheiro, alguém diz

Ahhh!, tu não podes [ser rico], és comunista.

É tão frequente, que tenho uma frase pronta para responder em situações semelhantes. Respondi algo como isto:

Nós, comunistas, nada temos contra o ser-se rico, mas antes, com a forma como se fica rico: se por via da exploração de outra pessoa, ou se por via do próprio trabalho.

E, para que fique claro e rasgue com o preconceito, declaro

Adoraria ser rico.

A surpresa levanta a curiosidade, e lá tento explicar-me, dizendo entre muitas outras coisas que a separação mais importante não é entre pobres e ricos, mas entre explorados e exploradores. Mas assim que se usa o termo exploração surge um novo desafio.  É comum pensar-se que a exploração é um conceito meramente subjectivo, isto é, que se é ou não explorado caso se ache bem ou mal remunerado (!). Tinha que me fazer compreender melhor…

Entretanto, a televisão falava da guerra – a desgraça continua – mas o que capta a atenção dos presentes é o jantar estar insonso. Tento explicar aos mais curiosos de onde provem então a exploração (e que afinal de contas a exploração é algo objectivo, isto é, que existe para além de nós).

Não deu para explicar. Afinal, o jantar estava insonso. Isso tornou-se o mais importante. Mas, mais tarde, quase todos os presentes revelaram sentir que não eram remunerados devidamente. Era isso que lhes tinha tentado dizer, mas por outras palavras. Ali, naquele jantar, todos pertencíamos aos explorados, quer soubéssemos ou não disso.

Neste mundo, a exploração está sempre ai, quer se tenha consciência ou não dela. Quer alguma vez se tenha ouvido falar em conceitos de economia como Mais-Valia, ou não. E era este o conceito que queria ter chegado a mostrar. Fica para uma próxima, quando estiverem mais interessados nisto:

Era só pôr sal.

# por Bruno (do colectivo Leitura Capital)

Um grito pela reforma agrária

do portal da CTB

26/05/2009
Cerca de 5 mil trabalhadores e trabalhadoras rurais de diversos estados ocuparam Brasília nesta terça-feira, 26, para participar das mobilizações do Grito da Terra Brasil 2009. A CTB teve uma participação destacada no Grito da Terra, com a distribuição de uma edição especial do Jornal da CTB e presença ativa dos seus dirigentes nos atos realizados na Esplanada dos Ministérios.

Segundo David Wylkerson de Souza, vice-presidente da CTB e secretário geral da Contag, a pauta do Grito da Terra 2009 tem três reivindicações principais: qualificação do Plano Nacional de Reforma Agrária, com ênfase no planejamento territorial e conservação ambiental; cobrança da publicação da portaria que atualiza os índices de produtividade da terra e anulação da Medida Provisória 2183 que criminaliza a luta pela terra.

Foto: Valter Campanato/AB

Terra à vista

A abertura da manifestação ocorreu com um ato público na Esplanada dos Ministérios para cobrar do governo federal e dos parlamentares maior agilidade na implementação da reforma agrária, aceleração dos programas que atendam a agricultura familiar, ampliação do programa habitacional para o campo, saúde pública, reavaliação dos índices de produtividade da terra e do limite de propriedade rural, o combate ao trabalho escravo, a ampliação dos recursos do Pronaf, assistência técnica gratuita para a agricultura familiar e medidas emergenciais para os pequenos agricultores atingidos por secas ou enchentes.

Reforma agrária

A Contag defende a retomada do Programa Nacional de Reforma Agrária, com a destinação de mais recursos ao INCRA (Instituto nacional de Colonização e Reforma Agrária), pois o governo reduziu o orçamento do órgão de R$ 950 milhões para R$ 500 milhões.

Os trabalhadores e trabalhadoras rurais seguiram em passeata até o Ministério do Desenvolvimento Agrário para cobrar a atualização dos índices de produtividade, usados para identificar as propriedades improdutivas que podem ser desapropriadas para fins de reforma agrária.

Para David Wylkerson, esse é o maior gargalo que os pequenos produtores rurais enfrentam. “Os índices praticados hoje estão defasados, o governo já prometeu fazer a revisão anteriormente, mas os representantes do agronegócio querem alterar para pior. Esse é um pleito que se arrasta por anos, mas estamos atentos e reivindicamos a revisão para que a agricultura familiar avance e gere desenvolvimento com sustentabilidade ambiental”, afirmou

Assistência técnica

Os manifestantes também cobraram mais recursos para assistência técnica, desburocratização do crédito agrícola, e a destinação R$ 22 bilhões para o Plano Safra 2009/2010 e maior rapidez no processo de regularização fundiária.

Segundo David Wylkerson, dos R$ 13 bilhões disponibilizados para a agricultura familiar, somente R$ 9 bilhões foram aplicados, por problemas na regularização de terras e registro das reservas legais. “Queremos que o governo vincule a liberação do crédito agrícola à assistência técnica gratuita com qualidade”, protestou.

Código Florestal

Amanhã o Grito da Terra Brasil continua a sua peregrinação pelos ministérios de Brasília em busca de respostas às suas reivindicações. O Ministério do Planejamento é o principal alvo dos protestos que ocorrerão pela manhã. Os trabalhadores e trabalhadoras rurais querem que o ministro assuma o compromisso de liberar mais recursos para a agricultura familiar.
Os manifestantes também vão realizar ato em frente ao Ministério do Meio Ambiente para reivindicar a revisão do Código Florestal Brasileiro para garantir uma política ambiental diferenciada nas áreas de produção da agricultura familiar.

Saúde

No Ministério da Saúde os manifestantes vão reivindicar o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) para que os benefícios do programa cheguem na zona rural com a socialização das políticas publicas e ampliação da saúde preventiva.

Criminalização dos Movimentos Sociais

O Grito da Terra será fechado com uma grande manifestação no STF (Supremo Tribunal Federal) para protestar contra a criminalização dos movimentos sociais. “O ministro Gilmar Mendes tem adotado uma postura arrogante e antidemocrática contra os movimentos sociais, principalmente em relação aos trabalhadores e trabalhadoras que lutam em defesa da reforma agrária. Vamos exigir agilidade nos processos judiciais contra os fazendeiros e julgamento imparcial das demandas agrárias, pois as decisões judiciais são tendenciosas, favoráveis ao latifúndio e estão penalizando o os trabalhadores e trabalhadoras do campo”.

O Grito da Terra Brasil termina no final da tarde de amanhã, quando a Contag espera ter uma resposta oficial para todas as suas reivindicações.

Foto: Valter Campanato/AB

Portal CTB

Os neoescravocratas

do correio da cidadania



Escrito por Osvaldo Russo
07-Mai-2009
Segundo artigo disponibilizado no site da União da Indústria de Cana-de-açúcar (ÚNICA), “o maior grau de informalidade no mercado de trabalho temporário agrícola torna mais fácil que os fiscais do trabalho encontrem situações que, muitas vezes, são completamente exageradas em seu significado e rapidamente enquadradas como ‘trabalho escravo’ ou ‘condições análogas ao trabalho escravo’”, e que “o agricultor brasileiro tem estado muito sujeito à acusação de prática de ‘trabalho escravo’, o que se tornou mais frequente a partir de 2003, quando se intensificaram as fiscalizações trabalhistas na agricultura, especialmente nas Regiões Norte e Centro-Oeste”.

Em pleno século 21, é espantoso achar normal o trabalho escravo ou análogo e que, no seu combate, o governo exorbita de suas funções, o Ministério Público excede de suas prerrogativas e o Judiciário promove uma justiça de classe com sinal trocado no tempo, como se todos combinassem uma perseguição institucional conjunta aos “coitadinhos” dos fazendeiros que fazem o “favor” de “empregar” trabalhadores rurais “desocupados”.

As denúncias sobre casos de trabalho escravo contemporâneo atingem um recorde histórico no Brasil, de acordo com o relatório “Conflitos no Campo Brasil 2008″, elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que registra 280 ocorrências no ano passado. Ao todo, os casos relatados pela CPT envolveram sete mil trabalhadores, 86 deles crianças e adolescentes, tendo havido 5,2 mil libertações.

O estado do Pará continua apresentando o maior número de denúncias (106). Em segundo lugar está o Mato Grosso (33), seguido de perto pelo Maranhão (27). A maioria dos casos denunciados está vinculada à pecuária (134). Em segundo lugar aparece o ramo de carvão (47). Houve ainda sete casos compilados que uniram trabalho escravo e desmatamento – seis deles foram fiscalizados, com 83 trabalhadores libertados. Em 2008, a Amazônia Legal teve 68% dos registros de trabalho escravo, 48% dos trabalhadores envolvidos e 32% das pessoas resgatadas.

O recorde observado nas denúncias foi acompanhado da intensificação da ação fiscalizadora do governo Lula, que declarou a erradicação e a repressão ao trabalho escravo contemporâneo como prioridades do Estado brasileiro, estabelecendo estratégias de atuação operacional integrada em relação às ações preventivas e repressivas dos órgãos do Executivo, do Judiciário, do Ministério Público e da sociedade civil. O Plano também prevê a aprovação da PEC que altera o art. 243 da Constituição Federal, dispondo sobre a expropriação de terras – sem indenização – onde forem encontrados trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão e que, em muitas situações, tentam fugir da fazenda e são impedidos pelo fazendeiro.

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego, de 1995 a 2002, a Fiscalização do Trabalho do ministério realizou 177 operações em 816 fazendas, lavrando-se 6.085 autos de infração. Já no período de 2003 a 2008, foram realizadas 607 operações, envolvendo 1.369 fazendas fiscalizadas, onde foram lavrados 16.981 autos de infração, o que significa um incremento anual de 272,1% em relação ao período anterior.

O artigo citado, na contramão disso, tenta explicar ideologicamente o injustificável, chegando a afirmar que “o principal objetivo desse trabalhador em eventual fuga da fazenda e posterior retorno trazendo a fiscalização trabalhista não seria apenas evitar o pagamento da dívida contraída com o empreiteiro, mas, talvez muito mais importante, receber a ‘multa’ de vários milhares de reais, comumente imposta pelo fiscal ao agricultor e em favor do trabalhador, sob a acusação de prática de ‘trabalho escravo’ por parte do fazendeiro. Além disso, os trabalhadores ‘libertados’ passam a receber seguro desemprego, sendo possível que, depois, passem a receber também Bolsa Família”.

Após mais de século da assinatura da Lei Áurea, o Brasil ainda convive com as marcas deixadas pelo regime colonial-escravista e por disparates escritos por seus neoideólogos. Conforme apresentação do Plano Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, de 2003, assinada pelos então ministros Nilmário Miranda (Direitos Humanos) e Jacques Wagner (Trabalho e Emprego), “a escravidão contemporânea manifesta-se na clandestinidade e é marcada pelo autoritarismo, corrupção, segregação social, racismo, clientelismo e desrespeito aos direitos humanos”.

Osvaldo Russo é estatístico e coordenador do Núcleo Agrário Nacional do PT.

Mulheres realizam jornada de luta em várias cidades brasileiras

do site adital



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Adital –

Com o objetivo de criticar a política que fortalece o agronegócio e as empresas transnacionais do setor exportador, especialmente da agricultura, mulheres da Via Campesina realizam hoje (9) uma jornada de lutas em cinco estados brasileiros. Em Brasília, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná, as mulheres denunciaram as políticas governamentais que deixam em segundo plano os trabalhadores rurais, a pequena agricultura e a Reforma Agrária. No Brasil, existem 130 mil famílias acampadas e mais de quatro milhões de famílias sem-terra.Segundo a Via Campesina, apenas em dezembro, o agronegócio demitiu 134 mil pessoas em todo país, sendo o segundo setor que mais demitiu com a crise econômica, apesar da alta lucratividade do último período e os investimentos do governo. Em 2008, o BNDES desembolsou para os setores da mineração, agropecuária, celulose e papel cerca de R$ 17 bilhões. Do total de R$ 1,51 trilhão previsto para o período entre 2008 e 2011, somente o agronegócio tem previsão de R$ 45,1 bilhões em investimentos.

Cerca de 800 mulheres da Via Campesina ocupam o prédio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, em Brasília, onde realizam um ato pacífico, denunciando que a política agrária do governo, dirigida pelo Ministério da Agricultura, controlado pelos ruralistas, sustenta os latifundiários, as empresas transnacionais e o capital financeiro, responsáveis pela crise.

As trabalhadoras rurais criticam o modelo de desenvolvimento imposto pelo governo, empresas transnacionais e bancos para o campo brasileiro, e cobram a implementação de um modelo agrícola baseado na pequena agricultura, com a realização da reforma agrária, e uma política econômica voltada para a geração de empregos para a população.

No Rio Grande do Sul, 700 mulheres organizadas pela Via Campesina ocupam neste momento a Fazenda Ana Paula, de propriedade da Votorantim Celulose e Papel. No Espírito Santo, cerca de 1.300 mulheres da Via Campesina ocuparam o Portocel, porto de exportações da empresa Aracruz Celulose, localizado em Barra do Riacho, município de Aracruz, para denunciar o repasse de recursos públicos do Estado para a empresa.

Em São Paulo, cerca de 600 trabalhadoras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizaram hoje a ocupação de uma área da Cosan, no município de Barra Bonita, na região de Jaú, a 280 km da capital. No Paraná, 1.000 trabalhadoras da Via Campesina farão uma marcha pelo centro de Porecatu, no Norte do estado. A manifestação começou pela manhã, saindo do Centro Comunitário da Prefeitura até a praça central, onde será realizada uma celebração com a partilha de alimentos da Reforma Agrária.Com informações da Via Campesina

Milho transgênico invade campo brasileiro

do site  www.brasildefato.com.br

Raquel Casiraghi Porto Alegre (RS) Agência Chasque

Levantamento da Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa (AS-PTA), com base em dados do Ministério da Agricultura (MAPA), mostra um cenário nebuloso para o campo brasileiro já na próxima safra.

Das 261 novas cultivares de milho registradas no MAPA entre 2008 e Janeiro deste ano, 146 são transgênicas.

Ou seja, 56% das novas sementes que estão entrando no mercado são geneticamente modificadas.

O assessor técnico da AS-PTA, Gabriel Fernandes, estima que boa parte das cultivares já esteja à venda na próxima safra.

Ele prevê que as empresas do setor forcem a substituição do milho convencional pelo transgênico mais rápido do que ocorreu com a soja. “A informação que mais chama a atenção é que, como existe uma concentração muito forte no mercado de sementes, são quatro, cinco empresas que controlam o setor, o que achamos é que em pouco tempo essas empresas irão tirar do mercado as variedades não-trangsênicas.E vão deixar somente as transgênicas. Acho que este é o grande sinal de alerta”, diz.

Fernandes analisa que a principal disputa deve se dar na fase da comercialização, já que muitos países, principalmente europeus, têm resistência ao milho transgênico.

No Brasil, como as indústrias que usarem o geneticamente modificado deverão rotular os seus produtos, a população poderá rejeitar a semente.

Para os agricultores, a situação é mais grave do que no plantio de soja transgênica. Como o milho tem polinização cruzada, o perigo da contaminação é bem maior.

O milho transgênico também deverá ser suscetível às estiagens e à criação de resistência a pragas, como já ocorre com a soja. “O grande problema agora é a contaminação que vai ocorrer.

Esse milho, uma vez plantado, vai se espalhar seja pelo pólen, seja pela mistura dos grãos, e vai contaminar qualquer tipo de milho que não seja transgênico. O grande desafio hoje é saber como vai ser possível manter o cultivo convencional ou agroecológico sem a contaminação”, diz. A comercialização do milho transgênico foi liberada pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) em 2008.