Ao lado de Dilma, Lula diz que mulher vai parir uma nova política

do portal vermelho

O governo federal preparou uma grande festa para comemorar o Dia Internacional da Mulher no Rio de Janeiro. Mais de três mil pessoas lotaram a Gare da Leopoldina para ouvir a prestação de contas da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres. Porém, os presentes deixaram claro que está em alta a popularidade de Lula e Dilma. Ambos foram aplaudidos aos gritos de “olé, olé, olá, Lula, Lula” e “olé, olé, olá, Dilma, Dilma”.

DilmaBrasil prepardo para ter uma mulher presidente

A ministra da Secretaria das Mulheres, Nilcéa Freire, destacou os desafios do governo federal para tratar a situação das mulheres como questão de Estado. “Estamos completando um ciclo na Secretaria. Trabalhamos junto com vocês para construir uma política pública para as mulheres”, disse Nilcéa.

A ministra aproveitou a ocasião para anunciar a criação do Memorial da Mulher Brasileira, uma parceira da Secretaria com a Casa Civil e o Arquivo Nacional. O objetivo é resgatar a trajetória de mulheres que ajudaram a construir a nação brasileira. Nilcéa também assinou um documento sobre a situação atual das mulheres. O papel foi colocado no que ela chamou de cápsula do tempo. “Daqui a 50 anos, as que ainda estiverem aqui poderão comparar os dois períodos”, destacou Nilcéa.

Dilma: o Brasil está preparado para ter uma mulher presidente

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, destacou como uma decisão importante a criação da secretaria para as mulheres para tratar de políticas públicas específicas de um segmento, “o governo colocou como uma questão central a situação das mulheres” e ressaltou como uma das mais importantes medidas a aprovação da licença-maternidade por seis meses.

Dilma, que fez questão de citar a presença da secretária de Cultura do Rio, Jandira Feghali, deixou claro que é preciso avançar mais e destacou como negativa a dupla jornada de trabalho para as mulheres e o salário menor em relação aos homens, “mas temos procurado alterar essa situação, queremos construir um Brasil com mais autonomia para as mulheres e sem violência”.

Mesmo sem tratar de campanha eleitoral, Dilma, que é pré-candidata a presidente, disse que o Brasil está preparado para ter uma mulher na presidência, pois segundo ela, “as mulheres estão preparadas para administrar o país”.

Valorização profissional

O presidente Lula abordou o papel da secretaria das mulheres como uma das conquistas de seu governo. Lula condenou a violência contra as mulheres e foi ovacionado ao dizer que a Lei Maria da Penha conta com o apoio dos homens, pois “os de bom senso, de caráter e de responsabilidade sabem que um homem não mora com uma mulher, não casa com uma mulher para tratá-la como objeto e bater nela. Um homem casa com uma mulher para viver em harmonia com ela”.

Ao mesmo tempo, Lula ressaltou a importância da valorização profissional, “porque uma das formas das mulheres brasileiras não terem um grau de liberdade ainda maior é, muitas vezes, a dependência que ela tem, econômica, dentro de casa. Na medida em que a mulher trabalha, aprende uma profissão, essa mulher tem independência e vai viver com um homem se ela quiser, não obrigada, a troco de um prato de comida, como habitualmente acontecia neste país”.

Preconceito contra Dilma

Por fim, o presidente deu o tom do que está por vir na campanha eleitoral: “Preparem-se, porque o preconceito continua. Preparem-se, porque o preconceito contra a mulher ainda é muito forte. Certamente, uma sociedade machista como a nossa ainda não está 100% preparada para ver uma mulher disputando um cargo de prefeito, um cargo de governador, um cargo de presidente da República”.

Em sua fala mais aplaudida Lula disse que a mulher pode parir uma nova política. “Se uma mulher é capaz de parir um político, por que ela não é capaz de parir uma administração mais competente do que o político que ela conseguiu colocar no mundo?”, disparou o presidente sob aplausos.

Outro que destacou a importância da ministra Dilma Rousseff foi o governador Sérgio Cabral. Segundo ele, Dilma tem revolucionado o país ao lado do presidente Lula. Também participou do ato o prefeito Eduardo Paes, que destacou a parceria entre os governos municipal, estadual e federal e os investimentos na área de saúde, com garantia de assistência à mulher.

O evento contou ainda com as presenças dos ministros Luiz Dulci, Carlos Minc e Franklin Martins e da senadora Serys Slhessarenko, além de representantes de governos de outros estados.

A União Brasileira de Mulheres (UBM) e o PCdoB estiveram presentes com faixas, panfletos e adesivos, que foram amplamente distribuídos.

Do Rio de Janeiro
Marcos Pereira

PCdoB-RJ nos 100 anos do Dia Internacional da Mulher

Os militantes do PCdoB-RJ estarão nas ruas na próxima segunda-feira (8) para comemorar os 100 anos do Dia Internacional da Mulher. Para a data, o Partido preparou faixas, adesivos e panfletos para distribuição nas ruas.

O PCdoB-RJ participará das atividades na Cinelândia, como também da passeata que percorrerá a Avenida Rio Branco. Em seguida, os comunistas estarão no ato na Leopoldina, que terá a presença do presidente Lula e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Abaixo o texto do panfleto:

8 de março – Viva os 100 anos do Dia Internacional da Mulher

Durante a II Conferência de Mulheres Socialistas, realizada em Copenhague, em 1910, com a presença de delegadas de 17 países, foram aprovadas as propostas da socialista Clara Zetkin de conclamação às mulheres a lutarem pela paz e de se celebrar um dia internacional das mulheres, que deveria ocorrer todos os anos. No ano seguinte, no mês de março, mais de um milhão de mulheres foram às ruas na Alemanha, na Suíça, na Dinamarca e na Áustria, celebrando seu dia. Em 2010, mulheres do mundo inteiro comemoram os 100 anos do Dia Internacional da Mulher, tendo a luta como marca principal que tem caracterizado este dia ao longo dos tempos.

O PCdoB saúda as mulheres brasileiras neste dia por sua jornada de conquistas. Ao mesmo tempo reafirma que este também é um momento de avançar na superação da subrepresentação das mulheres nas esferas de poder, de decisão na sociedade e de combate a desigualdade no mundo do trabalho, inclusive com a redução da jornada de trabalho sem redução de salário. É inadmissível conviver com a violência que vem vitimando mulheres cotidianamente. É importante também ampliarmos a luta contra a criminalização das mulheres por realizarem a interrupção da gravidez.

As contradições estruturais e fundamentais da realidade brasileira exigem como resposta consequente superar as barreiras à emancipação das mulheres, alimentadas pela lógica do capital e pelos preconceitos de gênero, que fazem a Nação perder força, deixando de contar com todo o potencial de mais da metade de sua população.

Para o PCdoB, a emancipação das mulheres é a medida do progresso social. Exige empenho não só das mulheres, mas do conjunto da sociedade. É preciso assegurar igualdade, sobretudo no trabalho, na educação e nas esferas de poder e adotar medidas eficazes de combate à violência praticada contra as mulheres, avançando para um novo tempo de igualdade, sem opressão, no rumo de uma sociedade socialista. 

As mulheres e os direitos políticos no Brasil

do portal vermelho


por Augusto Buonicore*

 É preciso sempre lembrar a situação degradante que viveram as mulheres durante séculos e a luta persistente que tiveram de travar para conseguirem se firmar como cidadãs portadoras de direitos. É claro que muito ainda falta para ser conquistado, mas olhando para trás vemos o quanto já se caminhou.

No Brasil, por exemplo, as mulheres puderam se matricular em estabelecimentos de ensino em 1827. O direito a cursar uma faculdade só foi adquirido 52 anos depois. Apenas em 1887 o país formaria sua primeira médica. As primeiras mulheres que ousaram a dar esse passo foram socialmente segregadas.

 
O primeiro Código Civil brasileiro, aprovado em 1916, reafirmou muitas das descriminações contra a mulher. Escreveu a professora Lígia Quartim de Moraes: “Com o casamento, a mulher perdia sua capacidade civil plena. Cabia ao marido a autorização para que ela pudesse trabalhar, realizar transações financeiras e fixar residência. Além disso, o Código Civil punia severamente a mulher vista como ‘desonesta’, considerava a não virgindade da mulher como motivo de anulação do casamento (…) e permitia que a filha suspeita de ‘desonestidade’, isto é, manter relações sexuais fora do casamento, fosse deserdada”. As mulheres casadas – ou sob o pátrio poder – eram consideradas incapazes juridicamente, como as crianças, os ‘deficientes mentais’ e os mendigos.

 Como não poderia deixar de ser, desde os primórdios da sociedade brasileira, as mulheres também foram excluídas de todo e qualquer direito político. Por exemplo, as constituições do Império (1824) e da República (1891) não lhes concederam o direito de votar e nem de serem votadas. Uma situação que persistiria até as primeiras décadas do século 20. Eram, portanto, cidadãs de segunda categoria.

 Neste período sombrio elas não ficaram caladas. No entanto, só muito recentemente esta história da resistência feminina começou a ser desvendada pela historiografia. Elas lutaram pelo direito à educação e pelos seus direitos civis e políticos. Também se envolveram, na medida de suas possibilidades, nos grandes movimentos que ajudaram a construir a nação, como as lutas pela independência, abolição da escravidão, proclamação da República etc. 

 A primeira feminista brasileira que se tem notícia foi a potiguar Nísia Floresta (1809-1885). Ela se destacou como educadora, montando e dirigindo diversas escolas femininas no país. Achava que a educação era o primeiro passo para emancipação da mulher. Traduziu e publicou “Direitos das Mulheres e Injustiças dos Homens”, manifesto feminista de Mary Wollstonecraft. Foi obrigada a viver 28 anos na Europa e lá travou contato com as idéias mais avançadas. De volta ao Brasil apoiou o movimento abolicionista e republicano. Nísia era uma pessoa muito à frente do seu tempo.

 

 

Nisia Floresta achava que a educação era o primeiro passo para emancipação da mulher.

 Entretanto, podemos dizer que embrião do movimento de mulheres foi a imprensa alternativa feminina, surgida em meados do século 19. Em 1852, a jornalista Juana Noronha fundou e dirigiu o primeiro jornal produzido por mulheres: “Jornal das Senhoras”. No ano de 1873, a professora Francisca Motta Diniz criou “O sexo feminino”. Em um de seus editoriais afirmava: “Não sabemos em que grande república ou republiqueta a mulher deixe de ser escrava e goze de direitos políticos, como o de votar e ser votada. O que é inegável é que em todo o mundo, bárbaro e civilizado, a mulher é escrava”. O jornal se envolveria na grande campanha pela abolição da escravatura.

 Inúmeros outros jornais femininos surgiriam. A maior parte deles teve vida curta e não era revolucionária – nem ao menos abertamente feminista -, mas ajudaram a conscientizar as mulheres sobre o seu papel subalterno na sociedade. Este artigo, no entanto, se concentrará na luta das mulheres pelos direitos políticos, especialmente o direito de votar e ser votada.

 Na luta pelo sufrágio feminino

 Desde meados do século 19, as mulheres começaram a tentar romper o cerco que as envolvia e conquistar seus direitos políticos. O voto feminino foi um dos temas tratados pelos deputados que elaboraram a primeira constituição republicana (1891). Contudo, o texto final acabou não deixando clara a situação política da mulher. Ele não proibia explicitamente o voto feminino, mas também o garantia de maneira cristalina. A ambigüidade na redação permitiu que a grande maioria dos legisladores e o próprio poder judiciário interpretassem ao seu bel prazer o que pretendiam os constituintes. O resultado foi que as mulheres tiveram recusado o seu direito ao voto por várias décadas.

 as argumentações dos anti-feministas radicais eram as mais execráveis. O deputado Tito Lívio afirmou que as mulheres tinham “cérebros infantis” e seriam portadoras de uma “inferioridade mental” e um “retardo evolutivo” em relação aos homens. Lacerda Coutinho, por sua vez, disse que “as mulheres tinham funções (biológicas) que os homens não tinham e essas funções eram tão delicadas (…) que bastava a menor perturbação nervosa, um susto, uma momento de excitação, para que elas se pervertessem”.

 A maioria dos opositores ao voto feminino argumentava de maneira diferente. Sustentava a superioridade moral da mulher e que, justamente por isso, ela era incompatível com a política. Ela deveria ser protegida pela sociedade deste mal. Deus e/ou a natureza tinham reservado para ela um outro papel, mais nobre, o de “rainha do lar”. Essa, por exemplo, era a visão dos positivistas.

 As mulheres leram o texto constitucional de outra forma. Se ele explicitava os elementos que estavam excluídos (os mendigos, analfabetos, as praças de pré, os religiosos de ordens monásticas sujeitas a voto de obediência)  e entre eles não se encontrava referência às mulheres, isso era uma comprovação de que o voto feminino não estava vedado.

 Elas usaram essa pequena brecha para tentar romper o dique. Ao longo dos anos várias mulheres, em várias regiões do país, tentaram se alistar como eleitoras. Em 1910, diante das constantes recusas, algumas mulheres de vanguarda formaram o Partido Republicano Feminino. Ainda que pequeno, ele mostrava o grau  de consciência e organização atingido pelas mulheres brasileiras no início do século 20.
Entre suas fundadoras estavam a professora Leolinda Daltro e a escritora Gilka Machado. Esse aguerrido partido chegou a promover em novembro de 1917 uma passeata com quase 100 mulheres no centro do Rio de Janeiro. Não deixava de ser uma pequena revolução. No mesmo ano, o deputado socialista Maurício de Lacerda apresentou um projeto estabelecendo o voto feminino, que não chegou a ser apreciado pela Câmara.

 Naquela época uma outra personagem entrou em cena: Bertha Lutz. Filha de um dos mais importantes cientistas brasileiros, Adolfo Lutz, estudou na Sorbonne e formou-se em biologia. Na França entrou em contato com as idéias feministas que fervilhavam em solo europeu.

 

Bertha Lutz, entre outras coisas, organizou o 1º Congresso Feminista e fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino em 1922

 De volta ao Brasil em 1918, imediatamente envolveu-se na luta pelo voto feminino. Na influente Revista da Semana afirmou: “As mulheres russas, finlandesas, dinamarquesas e inglesas (…) já partilham ou brevemente partilharão do governo, não só contribuindo com o voto como podendo ser elas próprias eleitas para o exercício do Poder Legislativo (…) Só as mulheres morenas continuam, não direi cativas, mas subalternas (…) Todos os dias se lêem nos jornais e nas revistas do Rio apreciações deprimentes sobre a mulher. Não há, talvez, cidade no mundo onde menos se respeite a mulher.”
Membro da elite econômica, política e intelectual brasileira ela teve algumas condições para a sua atuação que outras não tiveram. No ano seguinte (1919), foi indicada pelo governo brasileiro para participar da reunião do Conselho Feminino da Organização Internacional do Trabalho. Ali foi aprovado o princípio de salário igual para trabalho igual, sem distinção de sexo. Ela também representou o país na 1ª Conferência Pan-Americana da Mulher, realizada em abril de 1922.

  Nos Estados Unidos, onde se realizou o encontro, entrou em contato com Carrie Chapman Catt. Esta representava uma corrente menos radical do movimento feminista internacional e condenava os métodos radicais das “sufragettes” européias, especialmente britânicas. Bertha Lutz, numa entrevista, afirmou que a orientação da senhora Carrie era “muito salutar, pois o movimento nos Estados Unidos tem sido muito digno e completamente alheio aos métodos violentos empregados por alguns países europeus”. Esses métodos pacíficos se adequavam mais à condição social das feministas brasileiras daquele tempo.

 Ainda em 1922, Bertha organizou o 1º Congresso Feminista e fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF). Esta foi primeira entidade feminista brasileira com expressão nacional e internacional.  Entre os seus objetivos estavam: “assegurar à mulher os direitos políticos que a nossa constituição lhe confere” e “estreitar os laços de amizade com os demais países americanos a fim de garantir a manutenção perpétua da Paz e da justiça no Hemisfério Ocidental”. A referência ao “hemisfério ocidental” não era casual e refletia a ideologia predominante no movimento. 

 Um congresso jurídico realizado no Rio de Janeiro aprovou por 28 votos contra apenas 4 resoluções que diziam: “1º) A mulher não é, moral nem intelectualmente, inapta para o exercício dos direitos políticos; 2º)  Em face da Constituição Federal, não é proibido às mulheres o exercício dos direitos políticos”. O prestigiado Ruy Barbosa também passou a defender a tese da constitucionalidade do voto feminino.

 No Congresso Nacional também crescia o número de parlamentares favoráveis ao voto feminino. Alguns projetos chegaram mesmo a serem aprovados nas comissões e em primeira votação nas duas casas legislativas. A vitória eleitoral de Arthur Bernardes – um opositor do voto feminino – representou um duro golpe para os objetivos da FBPF. O seu governo foi marcado pelas rebeliões tenentistas, o permanente Estado de Sítio e perseguições políticas aos opositores.    

 Na eleição presidencial seguinte, em 1926, Washington Luís incluiu na sua plataforma eleitoral o voto feminino. Sua vitória animou as militantes feministas. A luta foi retomada no parlamento e fora dele. O estopim foi a proposta de realização de uma reforma na lei eleitoral. Novamente foram apresentados projetos que garantiam o voto para as mulheres. As Comissões de Justiça deram pareceres favoráveis aos projetos.
As entidades femininas fizeram um abaixo-assinado com mais de duas mil assinaturas – em geral, de mulheres de projeção social. Uma comissão passou a acompanhar de perto o trabalho parlamentar. Tudo indicava que, desta vez,  a situação seria resolvida favoravelmente às mulheres.

 Contudo, o projeto que instituía o voto feminino acabou não sendo votado, pois dois senadores apresentaram emendas desfigurando-o. Uma das emendas elevava a idade mínima para votação e eleição de 21 para 35 anos, com o objetivo de evitar que  “meninas de pouca idade” fossem eleitas para o Congresso. A outra emenda também estabelecia o voto diferenciado para mulheres. Afirmava ela: “Podem votar e ser votada (…) as mulheres diplomadas com títulos científicos e de professora, que não estiverem sob poder marital nem paterno”. A matéria voltou para a Comissão de Justiça que rejeitou as emendas. O projeto teve que entrar na lista de espera para nova votação que nunca ocorreria.

 Mas o dique começava a ser rompido. Juvenal Lamartine havia sido um dos senadores que mais defenderam a proposta do voto para as mulheres e, por isso mesmo, foi apoiado por elas na sua campanha ao governo do Rio Grande do Norte. Antes mesmo de tomar posse, solicitou que seus correligionários na Assembléia Legislativa aprovassem o projeto que estabelecia o voto feminino. Assim, as mulheres potiguares foram as primeiras a usufruir desse direito. Júlia Alves Barbosa foi eleita intendente (vereadora) em Natal e Alzira Soriano eleita prefeita no município de Lajes, também no Rio Grande do Norte. As primeiras mulheres a assumirem cargos no legislativo e executivo no país.

 No ano seguinte, os votos femininos dados na eleição para o senado foram cassados pela Comissão de Poderes do Congresso Nacional. Segundo ela, as mulheres poderiam votar apenas nas eleições para as câmaras municipais e assembléia legislativa do Rio Grande do Norte, mas não nas eleições federais A FBPF, em protesto, lançou um duro Manifesto à Nação. Ficava cada vez mais claro para algumas mulheres que não seria aquele regime decadente que garantiria o seu direito ao voto.

 A direção da FBPF procurava se afastar da política partidária – embora tivesse ligação com setores das oligarquias presentes no poder. Quando Nathércia Silveira, dirigente nacional, se envolveu abertamente na campanha de Getúlio Vargas teve que se afastar da entidade. Logo em após a vitória da revolução de 1930, ela fundou a Aliança Nacional de Mulheres (ANM) que congregou mais 3 mil sócias e procurou dar sustentação política e social ao novo regime.

A conquista do voto feminino

 A primeira proposta de código eleitoral feita pelo governo provisório de Vargas ainda limitava o voto feminino. Segundo ela, só poderiam votar as mulheres solteiras e viúvas acima de 21 anos e as casadas apenas com autorização dos maridos. Houve uma grande campanha unificada entre a ANM e a FBPF para derrubar tais restrições. As líderes feministas se encontraram pessoalmente com o próprio Vargas e tiveram suas reivindicações atendidas.

 O novo Código Eleitoral, promulgado em 1932, garantiu o seu direito de votar e serem votadas. Essa prerrogativa seria exercida, pela primeira vez, na eleição da Assembléia Nacional Constituinte de 1934. Assim, o Brasil se tornou o quarto país da América a estabelecer o voto feminino. Antes dele haviam concedido o Canadá, Estados Unidos e Equador.

 A paulista Carlota Pereira de Queiróz foi a primeira mulher eleita para a Câmara dos Deputados.  Ela era formada em medicina e um membro destacado da elite paulista. Berta Lutz, apesar de seu esforço, não conseguiu se eleger pelo Rio de Janeiro. Ela ficaria na primeira suplência. Elegeram-se deputadas estaduais em Alagoas, Bahia, Sergipe, São Paulo e Amazonas. No sul teria que esperar um pouco mais.   

 Vargas indicou Bertha e Nathércia, como representantes das mulheres brasileiras, para a comissão especial encarregada de elaborar a proposta de constituição federal  que seria apreciada pelo Congresso. Um fato inédito na história política brasileira. A Constituição de 1934 iria estabelecer claramente, sem ambiguidade, o direito de voto para as mulheres. Bertha assumiria sua vaga na Câmara dos Deputados em 1936.
Naquela conjuntura de crise cresceu a influência da esquerda entre as mulheres.

 Resultado disso é que, em 1934, foi fundada a União Feminina. Ela se integraria à Aliança Nacional Libertadora, que tinha participação de socialistas, comunistas e elementos antiimperialistas. Após a cassação desta entidade e do esmagamento do levante aliancista, ocorrido em novembro de 1935, as principais dirigentes da União Feminina foram presas. Em seguida a FBPF e demais entidades femininas sofreriam um duro golpe com a decretação do Estado Novo em 1937. Sem democracia política, o movimento feminino sofreu um refluxo importante.

 As operárias, embora tivessem grande atuação nas greves pelas conquistas de salários e melhores condições de trabalho, não tiveram grande atuação na luta por direitos políticos. Isso estava ligado às próprias vicissitudes do movimento operário brasileiro daquela época. Os anarquistas, força hegemônica até meados da década de 1920, negavam a importância da atuação política institucional e não se incorporaram na luta pelo sufrágio universal, que consideravam improcedente. O próprio Partido Comunista, recém-criado, ainda padecia de certo obreirismo e pouquíssima inserção junto às mulheres, mesmo as trabalhadoras.

 Assim, a luta pelo sufrágio feminino foi travada fundamentalmente pelos setores de vanguarda da burguesia e da pequena burguesia urbana. Isso teve conseqüências na ideologia e nas formas de organização e de luta do movimento feminista brasileiro do início do século 20. Ele não teve bases sociais populares e, por isso, não se formou uma forte corrente de esquerda no seu interior como aconteceu em alguns países europeus.

 Para ler artigo “O Anti-feminismo na história” clique no link:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=14380

  Para ler o artigo “Resposta socialista ao anti-feminismo burguês” clique no link:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=14738

 Para ler o artigo “As mulheres no socialismo: avanços e impasses” clique no link:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=15120

 Bibliografia

Alves, Branca Moreira – Ideologia e Feminismo: a luta da mulher pelo voto no Brasil, Vozes. Petróplis, 1980
Grinberg, Keila – Código Civil e Cidadania, Jorge Zahar Editor, RJ, 2001
Hahner, June E. – A mulher brasileira e suas lutas sociais e políticas: 1850-1837, Ed. Brasiliense, SP, 1981.
Pinto, Céli Regina Jardim – Uma história do feminismo no Brasil, Ed. Perseu Abramo, SP., 2003
Saffioti, Heleieth I. B. – A Mulher na Sociedade de Classes: Mito ou Realidade, Vozes, Petrópolis, 1976.
Moraes, Maria Lígia Quartim – “Cidadania no feminino”: In Pinsky, J. e Pinsk, C B, História da Cidadania, Ed. Contexto, SP, 2003.

*Augusto Buonicore, Historiador, mestre em ciência política pela Unicamp 

8 de março: “As mulheres não pagarão pela crise!”

do portal vermelho

por Liège Rocha*

Às vésperas do dia 8 de Março deste ano a imprensa nacional e internacional noticia o fato, em Pernambuco, da menina de 9 anos que foi estuprada pelo padrasto e engravidou de gêmeos. Pela legislação brasileira em vigor a menina tem direito a interromper a gravidez, por sua vida estar em risco, mas mesmo assim, a igreja conservadora tentou por todos os meios inviabilizar os procedimentos necessários. Finalmente a gravidez foi interrompida e a garota passa bem.

O arcebispo conservador de Olinda e Recife diz que estão excomungados a mãe e os médicos que fizeram o procedimento. Este fato coloca novamente na ordem do dia a necessária discussão do respeito e garantia à laicidade do estado, que deve estar acima das diferenças de credos, na implementação de políticas públicas para a população.

É neste contexto que está em curso o debate acerca da instalação da chamada CPI do Aborto, que vem sendo motivo de repúdio por parte do movimento feminista brasileiro e outros segmentos da sociedade civil, como o Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres dos Partidos Políticos, que lança Carta Aberta Contra a CPI do Aborto.

Em recente atividade realizada em Salvador-Ba a Ministra Nilcéa Freire falou : ”Esta CPI é esdrúxula. Ninguém sabe exatamente o que ela vai investigar. É uma manobra de uma bancada conservadora, que tem provocado até um certo retrocesso no Congresso Nacional. A instalação desta CPI foi questionada até por deputados que não defendem uma legislação mais avançada sobre o aborto, devido à sua falta de propósito”. Ela considerou na ocasião que o tema é polêmico e que precisa ser discutido por toda a sociedade.

A quem mesmo interessa a CPI do Aborto? Com certeza não interessa às mulheres, que não querem e não merecem ser criminalizadas por optarem interromper uma gravidez. Sabemos que o aborto é a quarta causa de morte materna no Brasil e muitas destas mortes seriam evitadas se houvesse a legalização do aborto, possibilitando procedimentos e cuidados adequados para quem decidisse interromper a gravidez dentro de parâmetros legais pré-estabelecidos. Faz-se necessário reforçar que o aborto tem que ser encarado como uma questão de saúde pública e de defesa da vida das mulheres.

As manifestações do Dia Internacional da Mulher acontecem, portanto, em meio à luta contra a criminalização das mulheres e pela legalização do aborto e no enfrentamento aos efeitos da crise mundial sobre a vida das mulheres.

As mulheres se mobilizam pela garantia e ampliação de seus direitos, pela garantia do emprego e do salário, contra a recessão e por juros mais baixos. Não querem que seus lares sejam atingidos por conta da crise e levantam suas vozes dizendo que “As mulheres não pagarão pela crise.”

Nesta data histórica para as mulheres é imprescindível a ampla mobilização nas ruas fazendo ecoar as nossas vozes:

CONTRA A INSTALAÇÃO DA CPI DO ABORTO!
AS MULHERES NÃO PAGARÃO PELA CRISE!
*Liège Rocha, Integrante da Executiva Nacional da UBM; Diretora da Revista Presença da Mulher e Membro do Comitê Central do PCdoB

Anistia: sessão dedicada às mulheres por sua data internacional

Anistia: sessão dedicada às mulheres por sua data internacional

A Comissão de Anistia, do Ministério da Justiça realizou, nesta sexta-feira (6), uma sessão especial integrada somente por mulheres para analisar 17 processos de vítimas da ditadura – todos de mulheres ou de seus familiares que foram vítimas do regime militar.

O ato integra a chamada “Anistia Cultural” que este mês faz uma homenagem ao Dia Internacional da Mulher, que vai ser internacionalmente comemorado no domingo (8).

Ex-militante contra a ditadura, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) foi convidada para o evento, mas alegou outros compromissos já agendados e enviou uma carta à comissão para justificar a ausência.

Na carta, a ministra afirma que os valores que alimentaram a sua luta contra o regime militar continuam presentes na sua disposição de construir uma “vida melhor para toda a Nação”.

Figuras emblemáticas Merece destaque, a anistia de duas mulheres emblemáticas – Iara Xavier e Denise Crispim.

Iara combateu a ditadura com arma em punho e pagou caro por se insurgir contra do regime de 64. Ela é ex-integrane da ALN (Ação Libertadora Nacional), que era liderada pelo histórico dirigente comunista Carlos Marighela. Iara teve os dois irmãos assassiandos – Alex e Iuri Xavier Pereira, do PCB, e da ALN.

Denise Crispim é filha do velho dirigente comunista José Maria Crispim, deputado constituinte de 45, e mulher de Eduardo Leite, o ‘Bacuri’, que antes de ser assassinado foi barbaramente torturado pelos ‘gorilas’ do regime.

Revisão

A Comissão vai modificar a sistemática de análise dos processos de crimes cometidos durante a ditadura militar (1964-1985) que envolverem casos de torturas. O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abraão, disse que os processos que incluírem crimes de tortura vão ser encaminhados para o Ministério Público Federal, que decidirá sobre a necessidade de investigação ou abertura de eventuais ações judiciais contra torturadores.

Os processos serão encaminhados depois de julgados pela Comissão, numa espécie de ação complementar que tem como objetivo ampliar as investigações sobre crimes de tortura cometidos na ditadura. Abraão defende que os torturadores não devem ser beneficiados pela prescrição dos crimes.

(Com Correio Braziliense)

LUA ADVERSA

Olhem que linda poesia minha orientadora, Mônica Torres Alencar, enviou-me por ocasião do dia 08 de março.

Obrigada Mônica.

Lua Adversa

Cecília Meirelles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua…
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua…)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua…
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu…

Saudações feministas!

MARIA MARIA

DIA INTERNACIONAL DAS MULHERES!

Ser Mulher,

Mulher, lutadora mesmo sem saber, guerreira  no amor, na vida,

Mulher, berço de tudo, da concepção do mundo, de todas as relações,

Mulher, um se descobrir constante e se permitir mostrar,sem medo.

Mulher, força vital da própria natureza,

Mulher, liberdade! igualdade!

Mulher, feminina, feminista,

apenas Mulher!

Confira a programação das mobilizações do 8 de Março

do site Brasil de Fato

Em Belo Horizonte (MG), as atividades iniciam na sexta-feira (06) à tarde, na Praça Sete, com a realização de um ato público com o eixo “Contra a violência do capital e do patriarcado, marchamos pela vida e trabalho das mulheres”. No dia 8, as mulheres realizarão uma intervenção na Feira Hip e no Parque Municipal, além de participarem de um Encontro de Mulheres da Região Metropolitana no Conservatório da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em Juiz de Fora (MG), no dia 7, será realizado um ato com o eixo “Nós, mulheres, não vamos pagar por essa crise!”, com concentação às 10h, na Rua Halfeld.

No Distrito Federal, nesta quinta-feira (05), haverá o pré- lançamento da Campanha por Igualdade de Oportunidades da Central Única dos Trabalhadores (CUT), além de um debate sobre “Creches: garantia de direitos e papel das políticas públicas para a construção da autonomia das mulheres”, no Auditório do Centro de Ensino Médio Nr. 04, Ceilândia. Na manhã de sábado (07), às 9h, a CUT-DF realizará um ato político-cultural no Parque da Cidade, em Brasília, com panfletagem, ações de prevenção a doenças como câncer de mama, colo do útero e doenças laborais e orientações sobre combate à violência contra a mulher e atrações musicais. Já às 10h30min, o Fórum de Promotoras Legais Populares do Distrito Federal e a Marcha Mundial das Mulheres no Estado promovem um ato público na Feira da Ceilêndia.

Em Fortaleza (CE), as mulheres promovem, na manhã do dia 8, um ato unificado “contra a globalização capitalista, uma revolução feminista e socialista”, com divisão em alas como direito ao aborto, violência contra as mulheres, liberdade sexual, trabalho das mulheres e autonomia econômica, turismo sexual e tráfico de mulheres.

No município de Quixadá, no sertão central cearense, nos dias 5 e 6 de março acontecerá o seminário “Mulheres em luta por igualdade, liberdade, autonomia e soberania popular”, com a participação de agricultoras de Quixadá, Quixeramobim, Choro, Banabuiú, Senador Pompeu, Madalena, Canindé e Itarema.

No Rio Grande do Norte, as mulheres realizarão, no dia 7, uma marcha no centro de Mossoró, no Oeste do Estado, com o tema “Não provocamos à crise! Não vamos pagar por ela! Feministas em luta: construindo um mundo soberano, sem violência e com trabalho digno”. A concentração para a caminhada será às 8h, na Praça do Pax. No dia 8, as ações ocorrerão em vários municipios da região Oeste, inclusive em assentamentos rurais.

Em São Miguel do Gostoso (RN), as atividades começam no dia 8, com a mística de abertura “2010 razões para marchar”, seguida pelo debate “Mulheres em Movimento na Luta por Igualdade e Contra a Violência Sexista” e pelo painel “Mulheres em marcha mudam o mundo: ações das mulheres no município de SMG (2004 a 2008)”. Um forró feminista encerrará a noite. No dia 9, será realizada uma caminhada por igualdade e contra a violência sexista e a inauguração das barracas da Feira Agroecológica e da Economia Solidária.

No Pará, as ações iniciam no dia 7, com um seminário em Ananindeua sobre a Lei Maria da Penha. No dia 8, haverá um ato unificado Contra a CPI do Aborto e a pedofilia, com concentração às 9h na Escadinha, seguida por uma caminhada até Praça da República, em Belém.

No Rio de Janeiro, as mulheres promovem um ato unificado no dia 6, com concentração às 18h na Candelária e, no dia 7, pela manhã, a ação será no calçadão de Campo Grande. No dia 8, a Marcha Mundial de Mulheres realiza o seu ato, com concentração às 10h no Aterro do Flamengo, com encenação da peça “Eu também sou mulher”, do grupo Marias do Brasil.

Em Teresópolis, será realizada, entre os dias 6 e 8, a 1ª Feira Feminista da Economia Solidária de Teresópolis.

Em Recife (PE), a Marcha Mundial de Mulheres e a CUT promovem, no dia 9, um ato político com panfletagem e batucada, a partir das 14h30min na Praça do Diário. Em João Pessoa (PB), as mulheres promovem na tarde do dia 5, no centro da cidade, um ato político pela descriminalização do aborto.

No Amazonas, em Parintins, as mulheres promovem, no dia 7, sensibilizações e rodas de conversa no Centro do Idoso, às 19h. Já no dia 8, é a vez do ato “Mulheres em marcha por soberania!”, a partir das 8h na Praça da Liberdade.

No Mato Grosso do Sul, diversas entidades realizam em Campo Grande, no dia 7, um ato político-cultural. Já em Dourados, as mulheres fazem uma panfletagem pela legalização do aborto, colagem de lambe-lambe e uma peça sobre a violência contra a mulher.

Em São Paulo, no dia 6, acontecerá um debate sobre a situação de criminalização das mulheres e a CPI do Aborto às 18h, no Auditório Teotônio Vivela na Assembléia Legislativa de São Paulo.

Em Maceió (AL), as atividades iniciaram ainda no dia 3, com panfletagens, atos públicos e debates sobre as relações de gênero nos movimentos sociais.No dia 8, está programada uma passeata na orla marítima, pela manhã.

Em Porto Alegre (RS), uma atividade da Marcha Mundial das Mulheres e da Via Campesina deu início, no dia 3, à Jornada de Lutas da Via Campesina na Região Metropolitana de Porto Alegre, que segue até o dia 16. Ainda na capital gaúcha acontece o I Ciclo de Filmes “O cinema no Feminino”, que aborda, entre outras produções, o documentário “O Aborto dos Outros”. O ciclo, que vai até o dia 12, é uma articulação do Movimento de Mulheres Camponesas (MMM), da Marcha Mundial de Mulheres, do SindBancários e do Sindicato dos Trabalhadores do Judiciário Federal do Rio Grande do Sul (Sintrajufe).

Negritos meus.

Caso alguma pessoa saiba mais atividades pelo dia Internacional da mulher entre em contato para que possa atualizar.

Obrigada

Márcia

Origem e significado do 8 de março

do site http://www.piratininga.org.br

Já está disponível mais uma edição da Cartilha 8 de Marçocapa

Quais os acontecimentos que levaram a marcar o 8 de março como dia de luta mundial das mulheres? Como surgiu a história das 129 mulheres queimadas vivas, em Nova Iorque, no ano de 1857, numa fábrica que nunca existiu, numa data inventada? E quais os interesses de se criar este mito? Para responder essas perguntas, no ano passado o NPC fez nova edição do Caderno O Dia da Mulher nasceu das Mulheres Socialistas – lançado pela primeira vez em 2004.

A cartilha mostra a origem histórica deste dia, no começo do século XX: a luta de milhões de mulheres socialistas com a contribuição de outras mulheres que limitavam suas lutas à conquista do direito de voto. O dia 8 de Março foi consagrado por uma greve de operárias russas em 1917 que, sem o prever, foi o estopim da grande Revolução Russa. Logo em seguida, em 1919, a 3ª Internacional declarou este dia como o dia mundial da luta das mulheres.

Esta origem do dia não agradava a social-democratas, burgueses e anticomunistas em geral. Era preciso criar outra história. E foi criada. O texto, se apoiando em muitas fontes bibliográficas, desmistifica a história que todos nós já ouvimos, escrevemos ou até contamos para nossos filhos. O caderno gera debates e é útil para fazer avançar a consciência e a luta de mulheres e homens contra a exploração da mulher e toda a sociedade machista.

Os interessados em adquirir esta publicação devem entrar em contato com o NPC. Tel. (21) 2220-5618 ou npiratininga@uol.com.br.